(review in English below)
Texto de wagner_fanatic
Foi a encenação
de Robert Carsen que foi levada à
cena no Teatro Real de Madrid para a
ópera A Valquíria. Dirigiu a
orquestra o maestro Pablo
Heras-Casado.
Récitas com dois elencos,
relatadas em directo:
Siegmund – Christopher Ventris e Stuart
Skelton
Sieglinde – Elisabet Strid e Adrianne Pieczonka
Hunding – Ain Anger e René Pape
Wotan - James Rutherford e Tomasz Konieczny
Brünhilde - Ingela Brimberg e Ricarda
Merbeth
Fricka – Daniela
Sindram
Foi o pior primeiro acto da Valquíria que já ouvi ao vivo. Ventris no seu
exagerado estilo declamatório, muito métrico, ausência praticamente completa de
nuance vocal interpretativa, salvou-se talvez em 5% de emoção genuína no Wintersturmme.
A Strid até tem uma voz relativamente bonita mas, sem emoção credível, sem
nuances de nada e por vezes robótica e pouco natural em palco. E os dois não
têm química nenhuma em palco.
O melhor foi o Ain Anger como
Hunding, expressivo, sarcástico, agressivo, tudo transmitido através da voz e
postura.
Orquestra não está mal mas também falta vivacidade nas partes em que a obra
o exige, e houve 2 fífias. Enfim... espero que isto melhore a seguir.
Com o segundo elenco o primeiro acto foi muito melhor, mas muito à custa da
excelente Sieglinde de Pieczonka. Legato e emoção perfeitas, postura em palco
cativante e com sentido.
O Hunding de Pape muito bom mas podia ter um pouco mais de expressividade
em algumas passagens, mas a voz excelente e melhor que a de Anger.
Skelton não dá - além de estar muito obeso, canta com voz mais potente que
o Ventris mas legato não existe quase nunca e a voz é “bruta” o que não ajuda.
Este é o acto mais romântico da tetralogia e tem de viver deste legato,
desta beleza e continuidade da linha vocal e melódica. Os agudos dele saem e
vê-se mesmo que é só para mostrar que os consegue dar porque transmitir a
emoção? Nada! Os Walse, meu Deus...
onde está a angústia ao chamar o Pai naquela altura de stress sem arma?!
Não é atacar a nota, é deslizar para ela como se a voz saísse da nuca!
A Orquestra com 3 fífias nos metais, uma delas no tema da espada, onde
estão em destaque, e também não está totalmente em consonância com o dramatismo
que é necessário em todas as passagens. Vamos lá ver a Brunnhilde e o Wotan
agora. Tenho esperança...
James Rutherford não é um grande Wotan, falta-lhe carisma e imponência
vocal e a figura não ajuda. Mesmo assim fez uma narrativa decente e até procura
e consegue uma expressividade vocal adequada. Perde um pouco nos agudos. No
final do acto não convenceu muito. Não nos conseguimos distanciar do seu
aspecto físico.
A Fricka foi bastante boa, muito convincente vocal e cenicamente, voz
bonita e estável.
Os gémeos melhoraram neste acto, principalmente o Ventris que esteve mesmo
muito bem na cena com a Brunnhilde e no final. Aliás, esta cena de ambos foi a
melhor coisinha até agora.
Pablo Heras-Casado estragou a parte da morte de Siegmund. Mais calma, mais
solene, dá dramatismo, não corras nesta parte em que se ouve o tema Walsung depois da morte do Siegmund
porque tudo perde sentido!!!
A Ingela Brimberg foi bastante boa, voz potente, muito expressiva, timbre
bonito, agudos seguros e esteve muito bem na cena com o Siegmund. Acho que vai
brilhar junto ao Wotan no 3º acto.
A encenação realmente é péssima.
No segundo elenco, para ver o Wotan do Tomasz
Konieczny já valeu a pena a viagem! Este homem É o Wotan!!! Tudo é perfeito, a
expressão coerente com o texto, a voz brutal, os gestos coincidentes com a
orquestra (Wagner pôs tudo na música e quando se faz tudo é completo no drama),
que colosso! O final do discurso com a Fricka
foi do outro mundo, o final da narração com a Brünnhilde, poderosíssimo,
e este matar do Hunding foi descomunal! E ainda por cima ficou gravado em
video! É uma lição de como ser Wotan! Que sonho! Eu já o conhecia de gravações
e fez o Telramund em Bayreuth no ano passado, mas aqui, supera tudo!
A Merbeth ainda não a avaliei bem mas parece sempre muito preocupada com o
canto e pouco com a parte cénica. Enquanto canta, é pobre.
O 3º acto foi excelente! A Brimberg fez uma Brunnhilde fenomenal! O
Rutherford também bem embora com os defeitos que já disse - achei que a
performance dele é melhor em passagens mais no registo médio como é a narração
do 2º acto e este final na 2ª metade do adeus. Valquírias boas e a orquestra e
direcção agora sem nada a apontar.
No segundo elenco
gostei mais do 2º acto, mas este também foi muito bom. E gostei da Merbeth.
LA
VALQUIRIA, / DIE WALKÜRE Teatro Real, Madrid, February 2020
Text by Wagner_fanatic
It was Robert Carsen's production of the opera
Die Walküre that was performed at the Teatro
Real in Madrid. Maestro Pablo
Heras-Casado conducted the orchestra.
Performances
with two casts, reported live:
Siegmund - Christopher Ventris and Stuart Skelton
Sieglinde -
Elisabet Strid and Adrianne Pieczonka
Hunding - Ain Anger and René Pape
Wotan - James Rutherford and Tomasz Konieczny
Brünhilde -
Ingela Brimberg and Ricarda Merbeth
Fricka - Daniela Sindram
It was the
worst first act of the Valkyrie I've ever heard live. Ventris in his
exaggerated declamatory style, very metric, practically complete absence of
interpretive vocal nuance, acceptable maybe 5% of genuine emotion in Wintersturmme.
Strid has a
relatively beautiful voice, but without credible emotion, without nuances of
anything and sometimes robotic and unnatural on stage. And the two have no
chemistry on stage.
The best
was Ain Anger as Hunding, expressive, sarcastic, aggressive, all transmitted
through voice and posture.
The
orchestra is not bad but there is also a lack of liveliness in the parts in
which the work requires it, and there were 2 mistakes. Anyway ... I hope this gets
better next.
With the
second cast the first act was much better, but at the expense of Pieczonka's
excellent Sieglinde. Perfect legato and emotion, captivating and meaningful
stage posture.
Pape's
Hunding is very good but he could have a little more expressiveness in some parts,
but the voice is excellent and better than Anger's.
Skelton
doesn't do it - besides being very obese, he sings with a more powerful voice
than Ventris but legato almost never exists and his voice is “unworked” which
doesn't help.
This is the
most romantic act in tetralogy and he has to live off this legato, this beauty
and continuity of the vocal and melodic line. His top notes come out and we
really see that he is just to show that he can sing them, but where is the
emotion? Nothing! The Walse, my God
... where is the anguish in calling Father at that time of stress without a
weapon?! It is not to attack the note, it is to slide towards it as if the
voice came from the back of the neck!
The
Orchestra with 3 mistakes in the metals, one of them in the leitmotiv of the
sword, where they are highlighted, and also it is not totally in line with the
drama that is necessary in all the parts. Let's see Brünnhilde and Wotan now. I
have hope...
James
Rutherford is not a great Wotan, he lacks charisma and vocal grandeur and the
figure does not help. Even so, he made a decent narrative and even seeks and
achieves an adequate vocal expressiveness. Lose a little in the top notes. At
the end of the act, he was not very convincing. We are unable to distance
ourselves from his physical appearance.
Fricka was
very good, very convincing, vocal and scenic, beautiful and stable voice.
The twins
improved in this act, especially Ventris who was really good on the scene with
Brünnhilde and at the end. In fact, this scene of both was the best thing so
far.
Pablo
Heras-Casado spoiled the part of Siegmund's death. Calmer, more solemn, it
gives drama, don't run in this part where you hear the Walsung theme after
Siegmund's death because everything loses meaning!!!
Ingela
Brimberg was very good, powerful voice, very expressive, beautiful timbre, good
treble and was very good on the scene with Siegmund. I think she will shine
with Wotan in the 3rd act.
The staging
really sucks.
In the
second cast, to see Tomasz Konieczny's Wotan was already worth the trip! This
man IS Wotan!! Everything is perfect, the expression coherent with the text,
the voice brutal, the gestures coinciding with the orchestra (Wagner put
everything in music and when everything is done it is complete in drama), what
a colossus! The end of the speech with Fricka was from another world, the end
of the narration with Brünnhilde, very powerful, and this killing by Hunding
was extraordinary! And on top it was recorded on video! It is a lesson in how
to be Wotan! What a dream! I already knew him from recordings and did the
Telramund in Bayreuth last year, but here, he surpasses everything!
Merbeth I
have not yet evaluated well, but she always seems very concerned with the
singing and little with the scenic part. While singing, she is not exciting.
The 3rd act
was excellent! Brimberg was a phenomenal Brünnhilde! Rutherford was also very
good, although with the defects I have already mentioned - I thought his
performance is better in parts in the middle register, as is the narration of
the 2nd act and this final in the 2nd half of goodbye. Good Valkyries and the
orchestra and direction now with nothing to point out.
With the
second cast I liked the second act more, but this was also very good. And I
liked Merbeth.
Que sorte! Ainda conseguiu o Teatro Real aberto. Eu tinha investido na Viaggio a Reims de Valência e fiquei em casa... ando perseguido por cancelamentos. Será que é a morte da cultura também, ou teremos uma Primavera depois disto passar? Receio bem que haja muitas falências. Obrigado pela consolação do relato.
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