Uma ópera curta de sonoridade agradável com momentos
idílicos, uma encenação viva e cheia de cor, uma plateia cheia de crianças mais
fascinadas pela magia do cenário do que pela fácil compreensão do texto da
obra, um leque de cantores portugueses de nível superior e uma promessa para
adultos de um sonho de infância.
Assim se pode caracterizar esta produção de O Gato das Botas
de Xavier Montsalvatge, com tradução em português de César Viana, levada a
palco hoje e nos próximos dias 20, 22 e 23 de Dezembro no Teatro Nacional de
São Carlos.
Embora com ligeiras alterações cénicas, a história segue
assim:
“O mais novo dos filhos de um nobre moleiro recebe em
herança um gato.
Desesperado, pensa em fazer dele o seu jantar para não
morrer de fome, mas o gato revela ser um animal interessante e cheio de
recursos. O Gato pede ao amo que não se aflija, pois apenas necessita de uma
mala e um par de botas e pôr-se a caminho por entre os bosques para provar que
a herança recebida é mais valiosa do que o que parece. O filho do moleiro
decide segui-lo. O Gato calça as botas e, de seguida, caça um coelho e uma
coelha. O plano estava em marcha.
Aproxima-se então do palácio do Rei para entregar o coelho
como oferta do seu amo, o Marques de Carabás. Nos dias seguintes continuou a
presentear o Rei com perdizes e outras oferendas, acabando por conquistar a
confiança do monarca e assim descobrir em que altura do dia o Rei e filha, a
encantadora Princesa, passeiam junto ao rio. O Gato esconde a roupa do moleiro
e, ao passar a comitiva real, desata a gritar.
Ao ouvir os gritos, o Rei não hesita e manda os criados socorrer o “Marquês”, ordenando que o vistam com ricas roupagens e o acompanhem até à carruagem de cavalos do próprio Rei.
Ao ouvir os gritos, o Rei não hesita e manda os criados socorrer o “Marquês”, ordenando que o vistam com ricas roupagens e o acompanhem até à carruagem de cavalos do próprio Rei.
O gato adianta-se ao séquito real e dirige-se às terras de
um temível Ogre. Ameaça os camponeses que ali trabalham para que, quando
interpelados, digam que os campos são pertença do Marquês de Carabás. Assim, ao
passar da carruagem, o Rei pergunta pelo dono das terras e todos respondem
tratar-se do Marquês de Carabás. Entretanto, o gato vai ao palácio do Ogre a
quem pede audiência. Quando se encontram, o Ogre, muito vaidoso por sinal, faz
logo uma demonstração, e aparece sob a forma de um leão feroz. Então o Gato
desafia-o a transformar-se num animal pequeno, como um ratinho... O Ogre, para
o impressionar, torna-se num minúsculo rato.
Assim que a transformaçãoo se faz, o Gato não perde tempo e
agarra-o. O palácio do Ogre converte-se então na casa do Marquês de Carabás
onde recebe o Rei e a Princesa que não tarda em desposar.
E para sempre viveu o Gato como um grande senhor.”
A dupla Emilio Sagi e Agatha Ruiz de la Prada oferece-nos
uma encenação onde reina a cor, onde a ternura dos pormenores simples nos
parecem fazer mergulhar num mundo de guloseimas e onde os locais da obra são
inteligentemente dados a conhecer ao espectador através de combinações de
letras “jogadas” pelos intérpretes, deixando a imaginação fluir ao ritmo de
cada um de nós.
Ana Franco e Bárbara Barradas, detentoras de uma beleza de
timbre imensa, brilharam como o Gato e a Princesa, respectivamente.
Diogo Oliveira e João Oliveira, como o Rei e o Ogre, em
parelha superlativa de qualidade com o elenco feminino, encarnaram
excelentemente bem cada personagem.
João Merino como o Moleiro esteve, como sempre, fantástico!
Vocalmente seguro, ágil e expressivo, cenicamente espalhando uma naturalidade
cómica irrepreensível.
Mais um exemplo de que Portugal é “pequeno” para os valores
artísticos que tem. Força a todos!!!
EL GATO CON BOTAS – Teatro Nacional São Carlos - December
19, 2012
A short opera with a pleasant sonority and with some idyllic
moments, a lively and color staging, an audience full of children more fascinated
by the magic of the sets than the easy understanding of the text of the work, a
range of top-level portuguese singers and a promise for adults of a childhood
dream.
This i show we can characterize this production of the Puss
in Boots by Xavier Montsalvatge with Portuguese translation of César Viana,
carried onstage today and in the upcoming days 20, 22 and 23 December at the
National Theater of São Carlos, Lisbon, Portugal.
The duo Emilio Sagi and Agatha Ruiz de la Prada offers us a
scenario where color reigns, where the tenderness of the details seem simple to
dive into a world of goodies and the places where the work is set are cleverly
made known to the audience through combinations of letters "gaming"
by the interpreters, leaving the imagination flowing at the rate of each one of
us.
Ana Franco and Bárbara Barradas, with their immense beauty
of timbre, shone as the Cat and the Princess, respectively.
Diogo Oliveira and João Oliveira, as the King and the Ogre, in
a superlative quality in tandem with the female cast, embodied each character excellently
well.
João Merino as the Miller was, as always, fantastic! Vocally
secure, agile and expressive, scenically spreading a superb natural comic
sense.
Another example that Portugal is "too small" for
the artistic values it has.





