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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O GATO DAS BOTAS – Teatro Nacional de São Carlos – 19 Dezembro 2012


Uma ópera curta de sonoridade agradável com momentos idílicos, uma encenação viva e cheia de cor, uma plateia cheia de crianças mais fascinadas pela magia do cenário do que pela fácil compreensão do texto da obra, um leque de cantores portugueses de nível superior e uma promessa para adultos de um sonho de infância.


Assim se pode caracterizar esta produção de O Gato das Botas de Xavier Montsalvatge, com tradução em português de César Viana, levada a palco hoje e nos próximos dias 20, 22 e 23 de Dezembro no Teatro Nacional de São Carlos.

Embora com ligeiras alterações cénicas, a história segue assim:

“O mais novo dos filhos de um nobre moleiro recebe em herança um gato.

Desesperado, pensa em fazer dele o seu jantar para não morrer de fome, mas o gato revela ser um animal interessante e cheio de recursos. O Gato pede ao amo que não se aflija, pois apenas necessita de uma mala e um par de botas e pôr-se a caminho por entre os bosques para provar que a herança recebida é mais valiosa do que o que parece. O filho do moleiro decide segui-lo. O Gato calça as botas e, de seguida, caça um coelho e uma coelha. O plano estava em marcha.


Aproxima-se então do palácio do Rei para entregar o coelho como oferta do seu amo, o Marques de Carabás. Nos dias seguintes continuou a presentear o Rei com perdizes e outras oferendas, acabando por conquistar a confiança do monarca e assim descobrir em que altura do dia o Rei e filha, a encantadora Princesa, passeiam junto ao rio. O Gato esconde a roupa do moleiro e, ao passar a comitiva real, desata a gritar.


Ao ouvir os gritos, o Rei não hesita e manda os criados socorrer o “Marquês”, ordenando que o vistam com ricas roupagens e o acompanhem até à carruagem de cavalos do próprio Rei.


O gato adianta-se ao séquito real e dirige-se às terras de um temível Ogre. Ameaça os camponeses que ali trabalham para que, quando interpelados, digam que os campos são pertença do Marquês de Carabás. Assim, ao passar da carruagem, o Rei pergunta pelo dono das terras e todos respondem tratar-se do Marquês de Carabás. Entretanto, o gato vai ao palácio do Ogre a quem pede audiência. Quando se encontram, o Ogre, muito vaidoso por sinal, faz logo uma demonstração, e aparece sob a forma de um leão feroz. Então o Gato desafia-o a transformar-se num animal pequeno, como um ratinho... O Ogre, para o impressionar, torna-se num minúsculo rato.

Assim que a transformaçãoo se faz, o Gato não perde tempo e agarra-o. O palácio do Ogre converte-se então na casa do Marquês de Carabás onde recebe o Rei e a Princesa que não tarda em desposar.


E para sempre viveu o Gato como um grande senhor.”

A dupla Emilio Sagi e Agatha Ruiz de la Prada oferece-nos uma encenação onde reina a cor, onde a ternura dos pormenores simples nos parecem fazer mergulhar num mundo de guloseimas e onde os locais da obra são inteligentemente dados a conhecer ao espectador através de combinações de letras “jogadas” pelos intérpretes, deixando a imaginação fluir ao ritmo de cada um de nós.


Ana Franco e Bárbara Barradas, detentoras de uma beleza de timbre imensa, brilharam como o Gato e a Princesa, respectivamente.

Diogo Oliveira e João Oliveira, como o Rei e o Ogre, em parelha superlativa de qualidade com o elenco feminino, encarnaram excelentemente bem cada personagem.

João Merino como o Moleiro esteve, como sempre, fantástico! Vocalmente seguro, ágil e expressivo, cenicamente espalhando uma naturalidade cómica irrepreensível.


Mais um exemplo de que Portugal é “pequeno” para os valores artísticos que tem. Força a todos!!!





EL GATO CON BOTAS – Teatro Nacional São Carlos - December 19, 2012

A short opera with a pleasant sonority and with some idyllic moments, a lively and color staging, an audience full of children more fascinated by the magic of the sets than the easy understanding of the text of the work, a range of top-level portuguese singers and a promise for adults of a childhood dream.


This i show we can characterize this production of the Puss in Boots by Xavier Montsalvatge with Portuguese translation of César Viana, carried onstage today and in the upcoming days 20, 22 and 23 December at the National Theater of São Carlos, Lisbon, Portugal.

The duo Emilio Sagi and Agatha Ruiz de la Prada offers us a scenario where color reigns, where the tenderness of the details seem simple to dive into a world of goodies and the places where the work is set are cleverly made ​​known to the audience through combinations of letters "gaming" by the interpreters, leaving the imagination flowing at the rate of each one of us.


Ana Franco and Bárbara Barradas, with their immense beauty of timbre, shone as the Cat and the Princess, respectively.

Diogo Oliveira and João Oliveira, as the King and the Ogre, in a superlative quality in tandem with the female cast, embodied each character excellently well.

João Merino as the Miller was, as always, fantastic! Vocally secure, agile and expressive, scenically spreading a superb natural comic sense.


Another example that Portugal is "too small" for the artistic values ​​it has.