A ópera de M RavelL’Enfant et les Sortilèges
está em cena no Teatro Nacional de São
Carlos, numa encenação de James
Bonas com desenho de luz de Rui
Monteiro e movimentos coreográficos de Cydney
Uffindell-Philips.
É uma fábula em
que uma criança rebelde e que não quer estudar é deixada sozinha de castigo no
quarto pela mãe. Destrói e maltrata os objetos que a rodeiam, incluindo o
relógio de pé alto, a chávena chinesa, a cadeira Luís XV, o bule, o cadeirão e
vários animais. Estes adquirem vida e reagem contra a criança que é
transportada para o jardim, onde percebe que o amor existe entre todos. Quando
um esquilo é ferido, trata-o e fica exausta no chão. Os animais comovem-se com
a atitude da criança e levam-na de regresso a casa. A ópera termina com a
criança a chamar pela mãe.
(Fotografia / Photo: Jorge Carmona, Antena 2)
Dirigiu com
classe a Orquestra Sinfónica Portuguesa
a maestrina Joana Carneiro.
(Fotografia / Photo: Jorge Carmona, Antena 2)
Li que houve
dificuldades de “ultima hora” na encenação e que não foi possível apresentar a
animação que o encenador concebeu no ano anterior para a produção da ópera em
Lyon. A orquestra estava colocada sobre o palco, o que me deixou apreensivo
logo à partida porque recordei a abordagem idêntica na ópera Turandot no
Coliseu (que abriu a temporada) o que só prejudicou o espetáculo.
(Fotografia / Photo: Jorge Carmona, Antena 2)
Felizmente, desta
vez foi melhor porque a música é muito diversificada e agradável e ver a
orquestra (e a direcção de Joana Carneiro) foi uma mais valia. Também porque os
cantores foram aparecendo em vários locais do teatro, muito próximos do
público, numa abordagem cénica interessante. A participação do Coro Juvenil de Lisboa foi boa e o Coro do Teatro de São Carlos também
cumpriu sem destoar.
(Fotografia / Photo: Jorge Carmona, Antena 2)
O melhor foram os
cantores solistas. Todos jovens portugueses, com vozes e interpretações de bom
nível. É pena que não apareçam mais vezes em São Carlos noutras produções
operáticas. Podemos apreciar a mezzo Raquel
Luís, as sopranos Bárbara Barradas,
Carolina Figueiredo, Sónia Alcobaça, Carla Caramujo e Ana Franco,
o tenor João Pedro Cabral e os
barítonos Tiago Matos e Ricardo Panela, a maioria deles
encarnando várias personagens.
(Fotografia / Photo: Jorge Carmona, Antena 2)
Não vou fazer uma
apreciação de cada um, mas não posso deixar de salientar a excelente
interpretação de Ricardo Panela que
tem uma voz de grande beleza tímbrica, para mim o melhor da récita e que
mereceria ser mais vezes trazido ao nosso teatro de ópera, noutros papéis mais
relevantes.
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L'ENFANT
ET LES SORTILÈGES, Teatro de São Carlos, Lisbon, December 2017
M Ravel's opera L'Enfant et les Sortilèges is on stage at the Teatro Nacional de São Carlos, Lisbon, in a staging by James Bonas with Rui Monteiro's light drawing and choreographic movements by Cydney Uffindell-Philips.
It is a fable in which a rebellious child who does not want to study is
punished left alone in his room by the mother. He destroys and mistreats the
objects around him, including the high-top watch, the Chinese cup, the Louis XV
chair, the teapot, the high chair and various animals. These acquire life and
react against the child who is transported to the garden, where he realizes
that love exists among all. When a squirrel is injured, he treats it and gets
exhausted on the ground. The animals are moved by the attitude of the child and
take him back home. The opera ends with the child calling for his mother.
Joana Carneiro conducted with class the Portuguese Symphony Orchestra.
I read that there were difficulties of "last minute" in the staging
and that it was not possible to present the animation that the director
conceived the previous year for the production of this opera in Lyon. The
orchestra was placed on the stage, which made me apprehensive at the beginning
because I remembered the identical approach in the opera Turandot at the
Coliseum (which opened the season in Lisbon) which only harmed the performance.
Luckily, this time was better because the music is very diverse and enjoyable
and seeing the orchestra (and the direction of Joana Carneiro) was an added
value. Also because the singers were appearing in several places of the
theater, very close to the public, in an interesting scenic approach. The
participation of the Lisbon Youth Choir was good and the São Carlos Theater
Choir was also OK.
The best were the soloist singers. All young Portuguese, with good voices and performances.
It is unfortunate that they do not appear more often in São Carlos Theater in
other operatic productions. We could appreciate mezzo Raquel Luís, sopranos Bárbara
Barradas, Carolina Figueiredo, Sónia Alcobaça, Carla Caramujo and Ana
Franco, tenor João Pedro Cabral
and baritones Tiago Matos and Ricardo Panela, most of them interpreting
several characters.
I will not make
an appreciation of each one, but I have to emphasize the excellent performance
of Ricardo Panela, whose voice has a
beautiful timbre, for me the best of the performance, and that deserves to be
more often brought to our opera house, in other most relevant roles.
Mais um texto de José António Miranda que muito enriquece este espaço:
DER ZWERG (Alexander
von Zemlinsky)
Ópera em um Acto (1922)
Libreto de Georg C. Klaren,
adaptado a partir da novela de Oscar Wilde, The Birthday of the Infanta
Direcção musical: Martin
André
Encenação: Nicola Raab
Cenografia: José Capela
Luzes: Rui Monteiro
Roupas: Mariana Sá Nogueira
Fotografias: José Carlos
Duarte
O Anão: Peter Bronder
Donna Clara: Sarah-Jane
Brandon
Ghita: Dora Rodrigues
Don Estoban: Nuno Pereira
Primeira Criada: Carla Caramujo
Segunda Criada: Filipa van
Eck
Terceira Criada: Carolina
Figueiredo
Donzelas: Ana Franco,
Carmen Matos
Orquestra Sinfónica
Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de
São Carlos Dir. Giovanni Andreoli
Produção: Teatro Nacional
de São Carlos (2017)
Fotografias de Jorge Carmona / Antena 2 RTP
Der zwerg (O anão) foi
apresentada no TNSC como segundo elemento de um programa duplo de que a
primeira parte era a muito conhecida Pagliacci de Giacomo Puccini.
Duas pessoas devem ser
louvadas antes de mais quando falamos deste espectáculo: a encenadora Nicola
Raab e a soprano portuguesa Dora Rodrigues. Vejamos porquê.
Se atentarmos no que consta
do trecho introdutório inserido no programa de sala terá sido propósito da
direcção artística do teatro fazer deste programa duplo o espectáculo de um só
cenógrafo.
Tendo porém o trabalho de
encenação sido atribuído a duas pessoas diferentes, facilmente compreendemos
como seria muito difícil, senão impossível que, respeitando a intenção
anunciada, se conseguisse fazer obra de qualidade.
Com efeito, fazer centrar
as ideias de encenação numa proposta cenográfica pode resultar eventualmente
bem nos casos, que existem de facto, em que a dupla encenador cenógrafo
trabalha habitualmente em conjunto e tem portanto uma cumplicidade e uma
metodologia laboral que permitem a fusão fácil das capacidades criativas
plásticas, que são tarefa do cenógrafo, com as capacidades criativas
conceptuais, próprias do trabalho de encenação.
Pretender que esta seja a
regra orientadora de um espectáculo duplo como este sem que se verifiquem
aqueles desideratos é no mínimo temerário.
Pois Nicola Raab, a
encenadora, logrou a façanha de conseguir que a ópera de Zemlinsky nos fosse
apresentada de um modo que, sem utilizar primariamente as características
cenográficas da proposta anterior mas sem com ela chocar frontalmente também,
permite aceder aos significantes comuns presentes em ambas as obras, que são,
muito mais do que a simples roupagem plástica alegadamente unificadora do
espectáculo, o seu vínculo definidor.
Para tal a opção por uma cenografia
despojadíssima, reduzida a meia dúzia de adereços e à delimitação do espaço
através de cortinas que, abrindo ou fechando, ora definem ambientes e locais
diversos ora nos mostram ocultando o que o libreto descreve, revelou-se genial.
Porém esta concreta negação
do universo plástico da obra anterior com a quase completa ausência de cenários
que a caracterizou requeria para resultar plenamente um trabalho muito
cuidadoso a nível da luz e dos actores/intérpretes.
E aí a encenadora não terá
conseguido as contrapartidas suficientes: seria necessário melhorar muito o
desenho da luz e genericamente a interpretação de todos os actores.
Não obstante estes
problemas o espectáculo atingiu momentos de grande qualidade formal. Alguns
desses momentos merecem assim ser recordados.
É o caso do jogo de
posturas proposto para a personagem do anão, brilhante demonstração de um
profundo trabalho de actor.
É o caso dos poucos
momentos em que a coreografia das três criadas da corte e das donzelas em geral
acompanha a música ilustrando-a.
E é o caso, e aqui passamos
para o segundo louvor do início deste texto, do desempenho global de Dora
Rodrigues, extraordinariamente conseguido sob o ponto de vista dramático e
vocalmente o melhor de todos os intérpretes.
Mas o trabalho exemplar
desta soprano portuguesa, que conseguiu no final conjugar qualidade formal com
grande sentido dramático e uma apurada sensibilidade não foi infelizmente
generalizado em palco. A figura da princesa, personagem de recorte ambíguo, não
teve aqui qualquer profundidade.
Mas foi sobretudo a nível
da coreografia, ou seja do investimento do espaço pelos intérpretes, que mais
faltou ao espectáculo o complemento expressivo requerido pela magnífica música
de Zemlinsky.
O lirismo e a poesia que se
libertam da escrita musical não ficam demonstrados plasticamente por se
espalharem pétalas de flores pelo palco ou se declamar poesia.
Essa demonstração deveria
ser permanente, como num bailado, e não apenas limitada aos poucos momentos
referidos acima.
Der zwerg revela muitas
semelhanças com Iolanta de Tchaikovsky pela temática, e com Ariadne auf Naxos
de Straus pela música: esta é sobretudo de inspiração straussiana, com momentos
de modernismo a recordar Stravinsky.
Infelizmente para nós
Martin André conseguiu uma total ausência de subtileza na direcção, cilindrando
literalmente a delicadíssima teia emocional que a partitura expressa. Portanto
a orquestra tocou sempre forte ou fortíssimo, com claro prejuízo quase sempre
para a audibilidade das vozes.
Paralelamente o coro
feminino esteve horrível, deixado completamente à solta, num histerismo a roçar
por vezes o histriónico, abafando tudo e todos como um rolo compressor musical.
Orquestra e coro deram
assim involuntário testemunho do estado a que se encontra reduzido o principal
teatro lírico nacional. Que pena!
La Cenerentola, opera de G
Rossini com libreto de Jacopo
Ferretti baseado no conto Cendrillon
de Charles Perrault foi diversas vezes comentada neste blogue.
A encenação
apresentada no Teatro de São Carlos,
de Paul Curran, é simples mas
bastante aceitável. Apesar de conter poucos elementos cénicos, a mudança
frequente dos painéis que suportam os cenários dá-lhe um dinamismo
interessante. Aqui e acolá há algumas opções mais discutíveis mas, na
generalidade, vê-se bem.
Rossini não é
para qualquer orquestra nem para quaisquer cantores e isso foi bem evidente
nesta produção.
O maestro Pedro Neves dirigiu a Orquestra Sinfónica Portuguesa que teve
vários desacertos, sobretudo nos metais, e nunca conseguiu ser “rossiniana”.
A Angelina foi interpretada pelo soprano Chiara Amarù. Cantou com dignidade, por
vezes ouvia-se mal, sobretudo quando a orquestra soava mais alto mas, na última
(e principal) aria, esteve bem. A coloratura nem sempre foi fantástica mas a
cantoratem uma voz agradável e bem
audível. Em cena foi aceitável.
Jorge Franco, tenor espanhol, foi um Don Ramiro de voz pequena
mas afinada, que se defendeu ao longo de toda a récita. O papel é exigente e o
cantor cumpriu-o sem deslumbrar. Cenicamente esteve razoavelmente bem, é um
jovem alto e muito magro mas pouco dinâmico nas movimentações em
palco.
O baixo Domenico Balzani foi um Dandini muito
correcto. Tem uma voz encorpada e sempre audível sobre a orquestra. Em cena foi
um dos melhores.
José Fardilha, barítono português que poucas vezes se ouve por
cá foi, de longe, o melhor interprete da noite. Fez um Don Magnifico magnífico!
A voz é grande, bem timbrada e bonita. O cantor ofereceu-nos também uma
interpretação cénica perfeita, ao nível do melhor que se pode ver e ouvir.
As duas filhas
dilectas de Don Magnífico, Clorinda (Carla
Caramujo) e Tisbe (Cátia Moreso)
representaram bem as personagens mas, vocalmente, estiveram em competição para
a categoria de “quem grita mais alto”.
O Alindoro do
baixo Luca Dall’Amico foi
competente, sem impressionar.
ACTUALIZAÇÃO - Comentário à récita de 7 de Fevereiro
ACTUALIZAÇÃO — Comentário à última récita (11 de Fevereiro) (Review in English below)
A ópera (ou antes, o drama giocoso/cantata cénica) Il viaggio a Reims, ossia L’albergo del
giglio d’oro (A viagem a Reims, ou O Hotel da flor-de-lis de ouro) foi
composta por Gioachino Rossini
(1792-1868) e estreada em 1825a propósito das celebrações da
coroação do rei francês Carlos X em Reims, França. Foi a última ópera escrita
em italiano pelo compositor, tendo o libreto sido redigido pelo italiano Luigi Balocchi vagamente baseado em Corinne ou L’Italie de Madame de Stael.
Rossini julgava que esta ópera, por ser
comemorativa de uma ocasião específica, não teria mais do que algumas
representações. Isso não o impediu de escrever belas páginas de música
belcantista, explorando a harmonia, e de proporcionar grandes momentos vocais
a solo, com duetos, tercetos, sextetos e até a incluir, cantando ao mesmo tempo,
todos os 14 solistas do elenco.
Mas, em boa verdade, a ópera teve apenas 3
récitas no Théatre des Italiens e
caiu no total esquecimento em 1854. Rossini chegou até a usar metade da sua música
na ópera Le Comte Ory. Em 1977, foi
reencontrado o seu manuscrito em Roma, tendo a sua estreia moderna tido lugar no
Festival de Pesaro em 1984 sob direcção do recentemente falecido maestro
italiano Claudio Abbado: diga-se que
com um elenco estratosférico!
Il viaggio a Reims apresenta-se, pela primeira vez, em Portugal e, por conseguinte,
no Teatro Nacional de São Carlos.
Foi, segundo o site Operabase.com, a 84.ª ópera mais representada no mundo na
temporada 2012/13.
A
história é, na sua aparência, simples, mas o número elevado de personagens pode
complicar a sua leitura. Independentemente disso, proporciona-nos uma
perspectiva histórica e política interessante e, por vezes, com uma boa dose de
comédia. A acção decorre no albergue Al Giglio d’Oro de Plombières — o equivalente a um hotel-spa dos
nossos dias. É aí que um grupo de viajantes de diversas nacionalidades espera a
chegada do transporte que os levará a Reims, local onde decorrem as celebrações
da coroação de Carlos X, rei de França.
A proprietária do estabelecimento, Madame
Cortese, multiplica-se para satisfazer toda aquela gente, tratando-os com a
máxima atenção. Entretanto, Don Luigino relata o triste acidente que destrói as
roupas da sua prima, a frívola e louca por moda Condessa de Folleville.
Destroçada, a dama coquete desmaia. O ignorante médico Don Prudenzio apressa-se
a vaticinar que vai morrer, mas, ao fazê-lo, desperta a Condessa que se recusa
ir a Reims, tal era a desonra de não se exibir com os últimos gritos da moda
parisiense. Quando menos se espera, uma súbita alegria invade o seu fútil
espírito: não é que se salvou ao menos um chapéu!...
Entretanto, enquanto o alemão Barão de
Trombonok prepara a logística da viagem, chega o almirante espanhol Don Alvaro
acompanhado pela viúva polaca Marquesa Melibea. O impetuoso general russo
Liebenskof, cuja companhia era a dama polaca, sente-se traído e acusa-a de
infidelidade. Começa um conflito entre os dois galifões. Já se perspectivava um
duelo quando chega a mística poetisa romana Corinna que, acompanhada pela
harpa, entoa uma canção sobre o amor fraterno que a todos deixa inebriados. Acalmam-se
os ânimos...
Com tudo isto, o volúvel cavaleiro Belfiore,
antes um apaixonado pela Condessa de Folleville, importuna a poetisa com
propostas românticas que esta, pronta e indignadamente, recusa. Sabe-se,
entretanto, que a viagem a Reims será impossível: não há cavalos disponíveis.
Mas nisto, um carteiro traz a notícia de que se realizarão em Paris grandes e
sumptuosas festas em honra do rei, o que ameniza a tristeza geral.
Aí, a Condessa de Folleville convida toda a
gente a ir para Paris no dia seguinte. Ele própria os receberá (certamente com
muito estilo...). Enquanto esperam pelo dia de amanhã, Madame Cortese vai
oferecer um grande banquete no hotel-spa com o dinheiro que era destinado à
viagem.
E tudo acaba bem e em alegria. O Conde de
Liebenskof e a Marquesa Melibea reconciliam-se (numa alusão ao tratado de paz
firmado entre a Rússia e a Polónia) e o Barão de Trombonok serve de anfitrião à
festa, convidando os viajantes a cantarem os costumes dos seus países. Bem a
propósito, todos terminam com vivas a França e ao seu rei Carlos X.
A encenação é a de espanhol Emilio Sagi, numa produção de 2004 do
Teatro Real de Madrid em colaboração com o Rossini Opera Festival de Pesaro. Já
foi múltiplas vezes apresentada em diversos palcos e tem tido um óptimo
acolhimento.
É uma encenação muito simples que situa a acção
num moderno hotel-spa de luxo. Para tal, eleva sobre o fosso uma plataforma que
não é mais do que um terraço ao estilo deck de um cruzeiro. O vestuário é
simples, privilegiando o estilo balnear onde predomina a cor branca. Esta
alterna com o negro elegante para os momentos festivos.
Sagi aproveita o texto
de modo sublime e cria vários números muito interessantes: Corrina canta no
camarote real; Belfiore tenta engatar Corinna pelo telemóvel e acaba de roupa
interior; há corações de papel a palpitar; um menino-rei que surge no fim para
nos saudar e ser saudado e comer kit-kat. Muito giro! A encenação é extremamente
eficaz, permite um bom desempenho aos cantores e que enaltece de sobremaneira a
comicidade da ópera, recheando-a de bons momentos.
A Orquestra Sinfónica Portuguesa foi
dirigida pela muito jovem maestrina de Taiwan Yi-Chen Lin. Já tinha dirigido esta ópera em Pesaro em 2011 com boa
recepção pela crítica. E esteve muito bem: com um tempo certíssimo, gesto
elegante, os crescendi sempre bem feitos, sempre a privilegiar os cantores e a
fazer a orquestra soar rossiniana. Excelente nível!
A Madame Cortese (dona do hotel-spa onde
decorre a festa) foi o soprano português Cristiana
Oliveira. Tem uma voz bonita, boa técnica, muito boa
presença em palco com muita comicidade misturada. Gostei bastante do seu “Di vaghi raggi adorno” e a sua
interpretação foi em crescendo ao longo da récita.
A Condessa de Folleville (jovem viúva, fanática
por roupas e chapéus) foi o soprano português Carla Caramujo. O
timbre é bonito, o legatto foi muito elegante, ultrapassou os muito difíceis
obstáculos com maestria e revelou toda a futilidade da personagem com destreza.
Óptima!
Corinna (poetisa romana) foi o soprano
português Eduarda Melo. A voz tem um timbre belíssimo, elegante e
jovial, o legatto é óptimo, a projecção sem falhas, sempre bem audível em todos
os registos. A sua presença em palco é assinalável e foi encantadora como deve ser a mística poetisa. A sua ária do amor
fraterno “Arpa gentil, che fida”, o
duo com o Cavaleiro Belfiero e a sua canção final tiveram uma qualidade acima da
média. Uma poetisa perfeita e, para mim, a melhor da noite entre as senhoras!
Brava!
A Marquesa Melibea (viúva polaca de um general
italiano morto na sua noite de núpcias) foi o mezzo-soprano espanhol Marifé Nogales. Voz bonita e potente e excelente presença em
palco. Mais uma boa presença hoje no TNSC.
O Conde de Liebenskof (general russo impetuoso,
apaixonado pela Marquesa Melibea) foi o tenor grego Vassilis Kavayas. Tem um timbre agradável, agudos fácies, boa
projecção e excelente figura. Em bom plano.
O Cavaleiro Belfiore (jovem oficial francês,
pintor nas horas vagas, apaixonado pela Condessa de Folleville) foi tenor
peruano Dempsey Rivera. Tem um
timbre muito bonito e uma presença em palco de enorme comicidade. A voz soava com facilidade em toda a sala. O seu engate
a Corinna foi extremamente bem conseguido. Uma muito agradável surpresa e uma
das melhores vozes da noite.
Lord Sidney (coronel inglês, secretamente
apaixonado por Corinna) foi o baixo-barítono espanhol Francisco Tójar. O timbre não é especialmente belo, mas a voz
foi sempre bem projectada. Cenicamente transmitiu a imagem de um Lord contido
na expressão dos afectos, tal como lhe é pedido. Em bom plano.
Don Alvaro (almirante espanhol, apaixonado pela
Marquesa Malibea) foi o baixo português João
Merino. O
timbre da sua voz é muito bonito e adequado ao papel. A voz é potente e
expressiva e os seus dotes como actor são de muita qualidade. Olé! Muito boa
prestação.
O Barão de Trombonok (major alemão, amante da
música) foi o barítono português Diogo
Oliveira. Voz
bonita, quente e expressiva. Postura cénica adequadíssima. Foi um Trombonok
muito cómico e hábil. Excelente nível.
Don Profundo (professor e amante de
antiguidades, amigo de Corinna) foi o barítono português Luís Rodrigues. Que
dizer de Luís Rodrigues? Já sabemos da qualidade da sua voz e dos seus recursos
interpretativos. O seu “Io, don Profondo!...
Medaglie incomparabile” foi a todos os títulos genial: a forma como fez os
diferentes sotaques foi imbatível. E foi cómico até dizer chega. Não deve nada
à gravação de R. Raimondi. É um Don Profondo perfeito e foi o mais destacado
elemento masculino da noite! Bravo!
Don Prudenzio (médico do hotel-spa) foi o baixo
português Nuno Dias. Voz sempre com bom volume com um bonito e
quente timbre de baixo. Cenicamente foi muito bom. Em bom nível.
Maddalena (governanta do hotel-spa) foi o
mezzo-soprano português Ana Ferro. Entrou bem na ópera, a dar o mote de qualidade
da récita. Boa interpretação vocal e cénica.
Modestina (a camareira da Condessa de
Folleville) foi o mezzo-soprano português Carolina
Figueiredo eDelia (jovem grega que acompanha a poetisa Corinna) foi o soprano português Bárbara Barradas. Ambas com boa presença, voz doce e técnica segura.
Estiveram bem nos seus pequenos papéis.
Don Luigino (primo da Condessa de Folleville) foi
o tenor português João Sebastião. O
timbre da sua voz é de particular beleza, tem boa figura e ofereceu uma boa
prestação cénica.
Antonio (mordono do hotel-spa) foi o barítono
português João Oliveira eZeferini/Gelsomino (carteiro/funcionário do hotel) foram o tenor português Bruno Almeida. Em bom
plano nos seus papéis mais secundários.
Que bom início de ano no TNSC! Foi uma estreia
com um elenco de qualidade acima da média com destaques para Eduarda Melo, Carla Caramujo e Luís
Rodrigues. A prova cabal de que apostar no ouro da casa — seja em tempos
de crise ou não! — é uma solução não só segura como a correcta. O contraste
com a triologia de Verdi é tremendo. A ópera está viva no TNSC e o ar que se
respira é fresco e luso! Parabéns a todos. Vale muito a pena ir ao São Carlos
assim! Bravi!
Notas:
No programa Império dos Sentidos da Antena
2 de Terça-feira, o administrador da Opart — Adriano Jordão — anunciou que
o TNSC pretende apresentar, até ao final do mês, a restante temporada lírica.
Timidamente, ficou prometida, para já, a ópera espanhola El gato montés de Manuel Penella Moreno. Mas, nas suas palavras, “vamos ter calma…”
Para quem não puder assistir, deixo 2 recomendações. Uma discográfica, outra em DVD:
- CD: Il Viaggio a Reims, Filarmónica de Berlim, Claudio Abbado, Sony Classical, 1984
- DVD: Il Viaggio a Reims, Orquestra do Teatro Marinsky, Valery Gergiev, encenação de Alain Maratrat, BBC/Opus Arte, 2007
Récita de 7 de Fevereiro (Fanatico_Um)
Deixo aqui no texto do camo_opera uma breve nota sobre a récita
a que assisti no dia 7. Também gostei bastante do espectáculo que, mais uma
vez, mostra que com os músicos portugueses se conseguem fazer bons espectáculos
de ópera, com produções aparentemente pouco dispendiosas, como deve ter sido
esta, nomeadamente na encenação.
Foi uma récita homogénea e de bom nível. Apenas não gostei
da voz de um dos tenores (por sinal estrangeiro) mas vou salientar o melhor. E,
para mim, os melhores foram dois, Yi-Chen Lin e Luís Rodrigues.
Que prazer ver a excelente maestrina Yi-Chen Lin dirigir a orquestra e que bem saiu a música!
Verdadeiramente sensacional, mais uma vez, foi o barítono Luís Rodrigues. Foi um privilégio
assistir à sua interpretação Tudo excelente, a presença cénica, a capacidade
interpretativa, a comicidade e, claro, a voz! Está à altura de qualquer
barítono que actue nos melhores teatros de ópera europeus. Fantástico!
Récita de 11 de Fevereiro (camo_opera)
Cada récita é diferente e ontem, naturalmente, não foi excepção. Posso afirmar que, perante um TNSC praticamente lotado (isto apesar de ser durante a semana e em dia de derbi futebolístico da capital), se assistiu a mais um espectáculo de qualidade e que, no cômputo geral, foi semelhante à que assisti na 4.ª feira passada (5 de Fevereiro). Pontos menos positivos: Francisco Tójar como Lord Sidney continuou a parecer-me o elemento em menor evidência do elenco apresentado. Já comentei que não me agrada muito o seu timbre e que tem potência. Mas ontem a sua interpretação foi irregular e em esforço e, apesar de ser sempre bem audível, não me cativou minimamente. Pontos intermédios: Dempsey Rivera como Belfiore teve uma prestação mais "flutuante" em termos qualitativos vocais. Realço a beleza do timbre e as suas excelentes capacidades cénicas. Devo referir que, tendo o tenor peruano apenas 23 anos, há imenso espaço para crescimento e que acredito que tem um óptimo potencial. Carla Caramujo pareceu-me melhor na primeira récita, uma vez que o canto fluiu sem uma ou outra dificuldade que ontem apresentou com um ou outro agudo menos límpido. Ainda assim, teve uma boa performance.
Pontos mais positivos:
Eduarda Melo esteve, na interpretação de Corinna, uma vez mais em destaque. Desta vez pareceu-me melhor do que na récita inaugural. Mais confiante e solta. Destacaria a ária final "All'ombra amena del Giglio d'Or". A voz é, de facto, muito bonita e estamos perante um dos valores seguros do canto lírico nacional. Foi a estrela feminina desta produção e está a pedir mais papéis de relevo e voos maiores. Cristiana Oliveira como Madame Cortese esteve na última récita ligeiramente melhor, uma vez que a interpretação não foi em crescendo. Entrou logo muito bem e bem audível, não denotando dificuldades na projecção do seu papel difícil, uma vez que "Di vaghi raggi adorno" é muito exigente para começar.
Luís Rodrigues como Don Profondo. Uma vez mais esteve brilhante. Soou rossiniano, interpretou muito bem a personagem, sendo extremamente cómico (modulação da voz, expressão corporal, mímica facial, tudo!), a voz foi forte, segura e quente e o seu “Io, don Profondo!... Medaglie incomparabile” é incomparabile. Merece mais palcos, porque é um grande barítono! Foi, destacadamente, o melhor elemento de todo o elenco desta produção. Bravo! Yi-Chen Lin foi a maestrina que fez a Orquestra Sinfónica Portuguesa soar de uma maneira magnífica. Grande mérito da maestrina de 28 anos (!) que, com uma interpretação seguríssima e notório conhecimento da partitura, explorou a música de Rossini habilmente e tirou partido máximo dos músicos da orquestra. De relevar o seu enorme cuidado em privilegiar os cantores. Notas finais: O TNSC anunciou ontem duas récitas de El gato montés de Manuel Penella Moreno já em Março. Não apontei as datas, porque pensei que já aparecessem no site, o que ainda não acontece. O elenco é fudamentalmente de origem espanhola, pareceu-me. Pena que sejam só duas récitas. Continuo a aguardar o anúncio da restante temporada lírica do São Carlos. De notar que, e não querendo, obviamente, menosprezar as óperas menos famosas — El gato montés, por exemplo, foi um enorme sucesso em 1917! — a opção por poucas récitas e a escolha de compositores/obras pouco mais do desconhecidas poderão dificultar a captação de público para o TNSC. Tal opção em períodos de vacas esfomeadas e muito abaixo do percentil (perdoe-se a expressão) não sei se será a melhor, pois penso que há que encher (um pouco) o olho até para tornar a parte económico-comercial viável. Veremos o que nos irá oferecer a Opart. Mas não posso deixar de terminar sem agradecer o excelente desempenho dos nossos cantores no TNSC. E, claro, de dar destaque a Eduarda Melo, Luís Rodrigues e à OSP sob direcção de Lin. Provaram — uma vez mais! — que a sua exclusão ou secundarização (veja-se o exemplo recente que foi a Triologia de Verdi [lá estou eu a lembrar-me do Veramendi…]) é um erro de lesa ópera em Portugal! Esperemos que continuem a apostar em vós! Nota minúscula: A política de fotografias do TNSC está muito apertada. Ontem, por exemplo, já estava a sala quase vazia, e impediram uma pessoa de tirar uma fotografia ao camarote real… Se ainda posso tentar perceber que não o permitam — mesmo nos aplausos, como me aconteceu —, já à própria sala (edifício, portanto), e findo o espectáculo, o meu espírito não alcança.
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(Review in English)
The opera (or rather, the drama giocoso/scenic cantata) Il
viaggio a Reims, ossia L' albergo del
giglio d' oro(The Journey to Reims, or The Hotel of the golden
fleur-de-lis) was composed by Gioachino
Rossini (1792-1868) and premiered in 1825 on the subject of the coronation
celebrations of the French king Charles X in Reims, France. It was the last Rossini
opera written in Italian, whose libretto was by the Italian Luigi Balocchi loosely based on Corinne ou L' Italie of Madame de Stael.
Rossini thought that this opera, being
commemorative of a specific occasion, would have no more than a few
representations. That did not stop him writing beautiful music sheets of bel canto, exploring harmonies and
providing us great vocal moments with solos, duets, trios, sextets and even
including the all 14 soloists cast at the same time.
But, indeed, the opera had only 3 recitals
at the Théâtre des Italiens (Paris,
France) and fell into oblivion in 1854. Rossini has even use half of its music
in the opera Le Comte Ory. In 1977
the manuscript was rediscovered in Rome, with its modern premiere tooking place
at the Pesaro Festival in 1984 under the direction of the recently deceased
Italian conductor Claudio Abbado and
with a stratospheric cast!
Il viaggio a Reims is presented for the first time in
Portugal and, therefore, at the Teatro
Nacional de São Carlos. It was, according to the site Operabase.com to 84th
most represented opera in the world in the 2012/13 season.
Emilio
Sagi was the staging
director. This is a 2004 production of the Teatro Real of Madrid in
collaboration with the Rossini Opera Festival in Pesaro. It has been shown
multiple times in several opera houses and has had a terrific reception.
It is a very simple scenario that places
the action in a modern luxury hotel- spa. To this end, a platform rises from the
orchestra and is no more than a terrace cruise-like deck. The clothing is
simple, beach-style favoring predominantly white. This alternates with elegant
black suits for festive occasions. Sagi
uses the text in a sublime way and creates several very interesting numbers:
Corrina sings in the royal box; Belfiore tries to engage Corinna by cellular phone
and gets just in underwear; paper hearts to throb; a boy that is the french
king who comes in the end to greet us and be welcomed and to eat a chocolate.
Very cute! The staging is extremely effective, allows a good performance by the
singers and praises greatly the joy of the opera, filling it with good moments.
The very young Taiwan conductor Yi-Chen Lin directed the Portuguese Symphony Orchestra. She had
directed this opera in Pesaro in 2011 with good reception by critics. And she
did it very well: with a precise tempo, elegant gesture, the crescendi always
well made, always privileging the singing. The orchestra sounded as Rossini
would like. Excellent level!
Madame Cortese (owner of hotel-spa) was the
Portuguese soprano Cristiana Oliveira.
She has a lovely voice, good technique, very good stage presence mixed with a
lot of comedy. I really liked her "Di
vaghi raggi adornno" and her interpretation was growing along the
recitation.
The Countess of Folleville (young widow,
fashion fanatic) was the Portuguese soprano Carla Caramujo. The tone is beautiful, legatto was very elegant,
very difficult obstacles exceeded masterfully and she revealed the futility of
the whole character with dexterity. Great peformance!
Corinna (Roman poetess) was the Portuguese
soprano Eduarda Melo. The voice has
a beautiful, elegant and youthful timbre, projection is great and legatto perfect.
Her stage presence is remarkable. In her aria of brotherly love "Arpa
gentil, che fida",
in duo with Belfiore and her final song had an above average quality. A perfect
Corinna, and for me, the best among the ladies of tonight! Brava!
The Marquise Melibea (Polish widow of an
Italian general killed on her wedding night) was the Spanish mezzo-soprano Marifé Nogales. She has a beautiful and
powerful voice and great stage presence. She was another good presence in TNSC
today.
The Count of Liebenskof (impetuous Russian
general, in love with Marquise Melibea) was the Greek tenor Vassilis Kavayas. He has a nice timbre,
treble easy, good voice projection and excellent figure. He was in good performance
plan.
The Cavalier Belfiore (young French
officer, painter in his spare time, in love with Countess of Folleville) was
Peruvian tenor Dempsey Rivera. He
has a beautiful timbre and a huge comedy presence on stage. His engagement to Corinna
was extremely well done. A very pleasant surprise and one of the best tonight
voices.
Lord Sidney (English colonel, secretly in
love with Corinna) was the Spaniard bass-baritone Francisco Tójar. His timbre is not particularly beautiful, but his
voice was always well projected. Theatrically conveyed the image of a Lord in
the difficulties to express affection, as prompted. He was good plan.
Don Alvaro (Spanish admiral, in love with
Marquise Melibea) was the Portuguese baritone João Merino. The timbre of his voice is very beautiful and suitable
for the role. The voice is strong and expressive, and his skills as an actor
are of high quality. Olé! It was a very good performance.
The Baron Trombonok (German major, lover of
music) was the Portuguese baritone Diogo
Oliveira. He has a beautiful voice, warm and expressive. He had an
excellent scenic posture. He was a very humorous and skillful Trombonok. It was
an excellent performance.
Don Profondo (teacher and antique lover,
friend of Corinna) was the Portuguese baritone Luis Rodrigues. What about Luis Rodrigues? We know the quality of
his voice and his interpretative resources. His "Io, Don Profondo!... Medaglie incomparabile" was absolutely
brilliant: the way he did the different accents was unbeatable. He was comical
to say enough. Owes nothing to R. Raimondi recording. He is a perfect Don
Profondo and was the most prominent male member of the night! Bravo!
Don Prudenzio (hotel-spa doctor) was the
Portuguese bass Nuno Dias. His voice
was always with good volume and he has a beautiful and warm bss timbre.
Scenically he was very good. A good level performance.
Maddalena (housekeeper at the hotel-spa)
was the Portuguese mezzo-soprano Ana
Ferro. She went well at the opera opening, showing us hat the recitation
will have a good level. Good vocal and scenic interpretation.
Don Luigino (cousin of the Countess of
Folleville) was the Portuguese tenor João
Sebastião. The timbre of his voice is of particular beauty, good figure and
offered a good scenic rendering.
Modestina (the maid to the Countess de
Folleville) was the Portuguese mezzo-soprano Carolina Figueiredo and Delia (Greek accompanying the young poetess
Corinna) was the Portuguese soprano Bárbara
Barradas. They have both with good presence, sweet voice and safe technique.
They were well in their small roles.
Antonio (hotel-spa butler) was the
Portuguese baritone João Oliveira
and Zeferini/Gelsomino (mailman/hotel employee) were the Portuguese tenor Bruno Almeida. They were in good plan
in their less proeminent roles.
What a good start of TNSC season! It was a
premiere with a cast of above average quality with highlights for Eduarda Melo, Carla Caramujo and Luis
Rodrigues. The proof that investing in opera house gold — whether in times
of crisis or not! — is not only a safe solution but the correct one. The
contrast with the Verdi’s last season trilogy is tremendous. The opera is alive
at TNSC and the air we breathe is fresh and Portuguese! Congratulations to all.
It is worthwhile to go to São Carlos so! Bravi!
In the Imperio
dos SentidosAntenna 2’ radio
program, the Opart administrator — Adriano Jordão — announced that TNSC want to
present, by the end of the month, the remaining lyrical season. Cautiously, it
was promised, for now, the Spanish opera El gato montés by Manuel Penella Moreno. But, in his own words, " let's take it easy..."