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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

MADAMA BUTTERFLY ( I I) – Royal Opera House, Julho de 2011


De entre todas as heroínas de Puccini, Cio-Cio San (Madama Butterfly) é, talvez, a mais “sofrida”. Afronta a cultura e civilização do seu povo para casar com o americano Pinkelton, que venera e quase diviniza. Ele, sem escrúpulos, egoísta e cínico, “casa” com Butterfly mas tem sempre em mente o casamento com uma americana, o que vem a concretizar-se. A morte “japonesa” que Cio-Cio San infringe a si própria, no final, fá-la reencontrar-se com as suas origens.


 Como referi no texto anterior, assisti a duas récitas muito diferentes da ópera. A que agora relato foi a preço “reduzido” dado que todos os lugares foram considerados com visibilidade restrita porque foi filmada para ser emitida no próximo ano em 3D.





Havia câmaras por todo o lado e, sobretudo, no palco.





Foram mesmo retiradas muitas cadeiras da plateia, para aí se instalar o material de filmagem mais “pesado” e sofisticado.




 A perturbação que temi ser enorme acabou por ter um efeito muito menor. O facto de estar sentado no Anfiteatro ajudou a minimizar o impacto negativo porque, lá do alto, as câmaras de filmagem fixas viam-se aquém do palco. Só ocasionalmente um operador de câmara entrava directamente na cena, mas a perturbação causada foi pequena.

Enfim, uma experiência nova e interessante.

Os cantores foram os mesmos da récita que referi no texto anterior, com excepção da protagonista.

Liping Zhang soprano chinês, encarnou a Madama Butterfly. Foi uma interpretação de luxo. A sua voz é cheia e poderosa, bem timbrada, mantendo qualidade em todos os registos, sobretudo no mais agudo. Cenicamente foi muito credível e o facto de ser uma cantora oriental deu também grande credibilidade à personagem.




















 Foi mais um espectáculo de qualidade superior na Royal Opera House.

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MADAMA BUTTERFLY (II) - Royal Opera House, July 2011

Among all Puccini’s heroines, Cio-Cio San (Madama Butterfly) is perhaps the most "suffered one". She dconfronts the culture and civilization of her people to marry the American Pinkelton, who she venerates almost in a divine way. He, unscrupulous, selfish and cynical, marries Butterfly but has in mind marrying an American wife, what will happen later. Cio-Cio San "Japanese" death, in the end, makes her meet again her origins.

As I mentioned in the preceding text, I attended two very different performances of the opera. The present text concerns the one at a reduced price because all places were considered to have restricted visibility because it was being filmed to be broadcasted next year in 3D.

There were cameras everywhere, and especially onstage.

Many seats were even withdrawn from the auditorium to let room for the most "heavy" and sophisticated film equipments.

The trouble that I feared to be huge had a much smaller effect. As I was sitting in the amphitheatre that might helped minimize the negative impact because, from above, fixed cameras could be seen behind the stage. Only occasionally a cameraman went directly to the scene, but the disturbance was small.

Finally, it was a new and interesting experience.

The singers were the same of the performance I mentioned before, with the exception of the main soloist.

Chinese soprano Liping Zhang was Madama Butterfly. She gave us a fantastic interpretation. Her voice is full and powerful, with a nice timbre, maintaining quality in all registers, especially in the top one. Artistically she was very good and being Chinese also gave great credibility to the character.

It was one more performance of superior quality at the Royal Opera House.

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CARMEN - Royal Opera House, Londres, Janeiro 2007 e Outubro 2009

Carmen, de Georges Bizet, é uma das óperas mais populares, repleta de trechos musicais bem conhecidos e uma óptima opção para neófitos, sobretudo quando bem encenada e bem cantada. A acção passa-se em Sevilha, no Séc. XIX.
Carmen é uma cigana rebelde por quem se apaixona um militar, Don José que, por sua vez, é incitado por carta de sua mãe a casar com uma camponesa, Michaëla. Escamillo, um toureiro, também quer conquistar Carmen. Depois de vários encontros e desencontros, Carmen decide afastar-se de Don José e ficar com Escamillo. Fora da praça de touros, onde Escamillo triunfa, Carmen é abordada por Don José que, transtornado, lhe pede insistentemente para voltar para ele. A recusa de Carmen leva-o a apunhalá-la mortalmente, confessando de imediato que a matou, pedindo para o prenderem.

Na produção da Royal Opera House, a encenação de Francesca Zambello é deslumbrante. Logo na primeira cena a Andaluzia está inequivocamente presente. No palco e ao longo do espectáculo, para além dos adereços muito ricos, de bom gosto e variados, aparecem burros, galinhas, cavalos, um elevado número de figurantes e toda a sensualidade das mulheres que trabalham na fábrica de cigarros. A qualidade e riqueza cénicas mantêm-se ao longo de todos os quadros da ópera. Tive oportunidade de assisitr a duas récitas, separadas por dois anos, com elencos diferentes, a de 2007 dirigida por Philippe Augin e a de 2009 por Bertrand de Billy. A orquestra esteve bem em ambas as récitas.

Carmen, em 2007, foi interpretada por Viktoria Vizin, mezzo-soprano húngaro, sensual qb, ma non troppo. Acho que tentou cantar, mas foi decepcionante, pois mal se ouvia, o timbre era feio e, numa sala como esta, a falta de potência vocal é fatal. Em 2009, pelo contrário, Elina Garanca foi notável. Vocalmente soberba ao longo de toda a récita, voz magnífica, belíssima no timbre, forte na colocação e potente na emissão, foi também uma excelente actriz. Mostrou bastante as pernas, mas a figura presta-se e a personagem também.
Don José foi interpretado por Marco Berti em 2007., um tenor italiano típico, possuidor de uma bela voz, potente e bem colocada, mas pouco ágil. O homem, gordo e mau actor, não ajudou a personagem que interpreta. Em 2009, Roberto Alagna assumiu o papel. Apesar de ter um timbre de que não gosto, devo reconhecer que foi soberbo ao longo de toda a récita, sem qualquer falha vocal e, cenicamente, excelente, sobretudo no final.
Escamillo foi Laurent Naouri em 2007, que cumpriu o papel com regularidade mas sem brilho. Surgiu montado no cavalo, como Zambello terá imaginado, mas ou teve medo de montar, ou medo que o cavalo não gostasse de ser montado por ele. Em 2009 foi a vez de Ildebrando D’Arcangelo, que nunca ouvira ao vivo. Apareceu ao lado do cavalo e demonstou que não é cantor para um teatro de ópera como a ROH. Fez-se ouvir em susurro, não brilhou e, de facto, não tem potência nem capacidade interpretativa para um teatro de primeira água. É o exemplo de como as gravações podem enganar.
Micaëla foi, nas duas récitas, o soprano chinês Liping Zhang, uma das mais aplaudidas em ambas as récitas. Uma voz decente e forte mas com tendênca para gritar nos agudos e sem a suavidade, emoção e sentimento que a personagem exige. A interprete, chinesa – sim, o preconceito para mim conta – estaria óptima como Butterfly ou Liu, mas não como esta espanhola.

A Royal Opera House continua a oferecer esta produção. É outra que se recomenda vivamente, sobretudo para quem não tem grande vivência operática, dada a espectacular riqueza cénica que se disfruta. Também existe uma notável versão em DVD, com Anna Caterina Antonacci (Carmen) e Jonas Kaufmann (Don José).

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