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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

LA FILLE DU RÉGIMENT — Wiener Staatsoper, Outubro de 2013

(Review in English below)


A ópera La Fille du Régiment (A Filha do Regimento) de Gaetano Donizetti é uma ópera cómica em dois actos com libreto de Jules Henri Vernoy de Saint-Georges e Jean-François Bayard.


É uma ópera do bel canto que Donizetti estreou na Opéra-Comique de Paris em 1840. A sua história é um conjunto de imbróglios entre uma rude e jovem rapariga criada por militares e um ingénuo tirolês desde que se apaixonam até que finalmente se casam.




A encenação é a muito conhecida de Laurent Pelly, Christian Rath e Chantal Thomas. Os seus méritos são infindáveis. É simples, muito cuidada, cheia de bons pormenores, ajuda imenso ao desenrolar da história de uma forma cómica (tal como se pretende) e é de extremo bom gosto.


Passa-se, boa parte dela, sobre um mapa e o pormenor vai até ao pano com que a ópera é apresentada. Absolutamente magnífica.


O soprano da Costa Rica Íride Martínez foi Marie. A sua voz tem muita qualidade, com um timbre muito agradável e um bom fraseado. A sua presença em palco foi de assinalável qualidade, muito cómica. As comparações com Natalie Dessay são inevitáveis, mas não lhe ficou muito atrás!


O tenor peruano Juan Diego Flórez foi Tonio. É um dos melhores tenores da actualidade e, sem qualquer dúvida, o melhor neste registo operático e neste papel. Que dizer da sua prestação? Basta lembrar que foi ele que acabou com o embargo de 70 anos de encores no Scala de Milão com a ária Ah mes amis precisamente desta ópera.


Aqui cantou-a de forma perfeita!!! Foi aplaudido efusivamente com um coro de bravos de cerca de 5 minutos e foi obrigado a repetir a famosa ária que se diz ser o Monte Everest dos tenores. Fabuloso!


Deixo-vos uma fotografia e um autógrafo que simpaticamente deu depois da récita.


O barítono espanhol Carlos Álvarez foi Sulpice. Muito habituado ao papel, ofereceu-nos uma prestação de excelência, quer vocal, quer cenicamente.


No final, deu também autógrafos, confessando-me que “é sempre com enorme prazer que canto este papel. A produção é magnífica!”


O mezzo-soprano romeno Aura Twarowska foi Marquise de Berkenfield. Teve um início menos regular com uma ligeira dificuldade na projecção, mas depois cresceu vocalmente para uma prestação de qualidade. Cenicamente foi muito cómica e eficaz.


Foi, pois, uma boa e muito agradável Marquise. E é também muito simpática!


O soprano neo-zelandês Dame Kiri Te Kanawa foi a Duchesse de Crakentorp. Aplaudida quando entra em cena, esta Senhora do canto lírico cumpriu eficazmente e com muita piada o seu pequeno papel. A voz já não tem a potência de outros tempos, mas o timbre continua o seu que é de invulgar beleza.


O restante elenco com Marcus Pelz (Hortensius), Konrad Huber (Korporal), Dritan Luca (Bauer) e François Roesti (Notar) teve bons desempenhos nos seus papéis secundários.


A Orquestra da WSO foi dirigida pelo italiano Bruno Campanella com muita maestria e qualidade. O Coro da WSO teve, também, um óptimo desempenho.


A terminar, deixo-vos uma vídeo da sala da WSO. Muito bonita!


Foi uma récita memorável com um Juan Diego Flórez absolutamente de outro planeta!


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(Review in English)

The opera La Fille du Régiment by Gaetano Donizetti is a comic opera in two acts with libretto by Jules Henri Vernoy de Saint-Georges and Jean-François Bayard. It is an opera of Donizetti's bel canto that he premiered at the Opéra-Comique in Paris in 1840. Its history is a set of imbroglios from a rude young girl raised by the military and a naïve Tyrolean since they fall in love until their final wedding. You can read a synopsis here.

The staging is the very well known by Laurent Pelly, Christian Rath and Chantal Thomas. Its merits are endless. It's simple, carefully disegned, full of good details, immense on helping unfolding the story in a comic way (as intended) and is extremely tasteful. It takes place much of it on a map and the attention to details goes to the cloth with which the opera is presented. It is absolutely magnificent.

The soprano Íride Martínez of Costa Rica was Marie. Her voice has great quality, with a very nice tone and good phrasing. Her stage presence was of remarkable quality, very comical. Comparisons with Natalie Dessay are inevitable, but she was not far behind!

The Peruvian tenor Juan Diego Flórez was Tonio. He is one of the greatest tenors of today, and undoubtedly the best in these operatic roles of bel canto and in this role particularly. What about his performance? You must remember that he was the one who broke the 70 years embargo of encores at La Scala with the aria Ah mes amis, precisely of this opera. Here he sang it perfectly! He was warmly applauded with a chorus of bravos of about 5 minutes and he was then forced to repeat the famous aria said to be the Mount Everest for tenors. Fabulous or miraculous! I leave you a picture and an autograph that he kindly gave after the recitation.

The Spanish baritone Carlos Álvarez was Sulpice. He is very accustomed to the role, offered us a performance of excellence, whether vocal or scenically. Also at the end, he gave autographs, confessing me that "it is always with great pleasure that I sing this role. The production is magnificent!"

The Romanian mezzo-soprano Aura Twarowska was Marquise de Berkenfield. She had a less regular start with a slight difficulty in projecting her voice, but then grew vocally for a performance of great quality. Scenically she was very comical and effective. It was therefore a good and very enjoyable Marquise. She is also very kind!

The New Zealander soprano Dame Kiri Te Kanawa was the Duchesse de Crakentorp. Applauded when she enters the scene, this opera Lady singing fulfilled effectively and very funny her small role. The voice no longer has the power of other times, but the timbre continue to be of unusual beauty.

The rest of the cast with Marcus Pelz (Hortensius), Konrad Huber (Korporal), Dritan Luca (Bauer) and François Roesti (Note) had good performances in their supporting roles.

Bruno Campanella directed the WSO Orchestra with great mastery and quality. The WSO Choir had a great performance, too.

Finally, I leave you a video from the WSO hall. It is very beautiful!


It was a memorable recitation with a Juan Diego Flórez from another planet!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

LA FILLE DU RÉGIMENT - Royal Opera House, Londres, Janeiro de 2007

La fille du régiment (A filha do regimento), de Gaetano Donizetti, é uma ópera cómica que, apesar de conter diversas árias líricas e duetos, não está incluída entre as obras do bel canto que mais gosto. Devo confessar, desde já, que sou um grande apreciador do estilo. O enredo é banal: Uma orfã, Marie, é criada num regimento de soldados e apaixona-se por um jovem tirolês, Tonio. Surge a Marquesa de Berkenfeld, sua tia, que informa o Sargento Sulpice que quer levar Marie para o seu castelo para lhe ensinar boas maneiras, afastando-a de Tonio. No castelo, a Marquesa tenta ensinar Marie a cantar e a comportar-se, para que se case com um homem rico. Sulpice aparece, pede à Marquesa que deixe Marie casar com Tonio, mas esta recusa. Tonio exprime o seu amor por Marie, a Marquesa afinal é mãe e não tia e acaba por permitir o casamento com Tonio. Tudo acaba em felicidade, com um fervoroso hino de suadação à França.
A ópera contém uma das mais famosas arias para tenor - "Pour mon ame" - com nove dós de peito e tem várias outras de grande beleza lírica como, por exemplo, "Ecoutez-moi, de grâce!". Contudo, se o tenor deverá ter qualidades excepcionais, o mesmo se exige à interprete de Marie, um soprano lírico de grande capacidade técnica, dado que a ela estão cometidas muitas árias e duetos tão difíceis quanto belos. É, naturalmente, a figura principal da ópera.

A produção da Royal Opera House de Londres, encenada por Laurent Pelly e dirigida por Bruno Campanella, resultou num espectáculo que não mais esquecerei e, cada dia que passa, mais me convenço que assisti a uma verdadeira obra de arte, seguramente um dos melhores espectáculos de ópera que vivi em toda a minha vida (e já conto muitas dezenas). É impressionante como, de uma ópera trivial, se consegue fazer uma obra prima.
Juan Diego Flórez foi Tonio. No auge da sua forma, foi vocalmente insuperável, com a sua voz redonda, timbre lindíssimo, legato irrepreensível e, nos agudos, humanamente impossível. Juntou-se uma boa presença em palco (embora, por vezes, um pouco estática), ajudada pela figura de homem jovem, bem parecido, totalmente ajustado à personagem.
Alessandro Corbelli foi um Sulpice convincente, boa presença em palco, voz potente e de bem timbrada.
A Marquesa de Berkenfeld foi interpretada por Felicity Palmer, outra excelente actriz com uma boa voz, madura, perfeitamente adaptada ao papel.
Natalie Dessay foi uma Marie inexcedível. Excepcional actriz, simpatia transbordante, voz de cortar a respiração, bonita, potente, capaz de percorrer toda a escala sem sombra de vibrato, coloratura irrepreensível e cantando igualmente de pé, sentada, deitada, ou de cabeça para baixo. Um espanto!
Finalmente uma palavra de apreço para o público. Deixou ouvir tudo até ao fim, sem interromper extemporaneamente com aplausos que, quando surgiram, quase deitaram a casa abaixo.

Esta produção de La fille du régiment continua a ser apresentada regularmente em diversos teatros de ópera (entre eles Londres, Nova Iorque, Viena, Barcelona). Recomendo-a vivamente, pois é um espectáculo inesquecível. Também existe em DVD mas, apesar das potencialidades que estes nos proporcionam, assistir ao vivo é uma experiência sem paralelo.

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