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sábado, 28 de setembro de 2013

GIULIO CESARE, METropolitan OPERA, Nova Iorque, Maio de 2013 / New York, May 2013 – Primeira Récita / First Performance

(in english below)

Giulio Cesare é uma ópera de G. F. Haendel com libreto de Nicola Francesco Haym. Esta produção da Metropolitan Opera foi vista numa transmissão directa MetLive e comentada neste blogue aqui, pelo camo_opera que foi o único de nós que viu a transmissão. O seu texto refere o enquadramento histórico e muitas outras informações interessantes.
Eu tive o privilégio de ver, ao vivo, duas récitas.


 A encenação de David McVicar é muito vistosa, variada, colorida e cheia de acção. Nem os cantores são poupados. Cantam nas mais diversas posições e a movimentação em palco é muito exigente e, no caso do Tolomeo, acrobática. A acção atravessa diversas épocas históricas. No fundo do palco há 4 cilindros que giram continuamente simulando o movimento do mar, efeito usado no passado mas com grande impacto visual. Por lá vão passando, ao longo da récita, navios de diversas épocas históricas, outra opção muito interessante e de grande beleza estética.



 Mas ainda mais importante que a encenação foi a música. A Orquestra barroca foi dirigida pelo maestro inglês e cravista Harry Bicket. Em palco, no 2º acto, o excelente solo de violino foi tocado por David Chan. Toda a interpretação musical foi excelente. E os solistas não poderiam ter sido melhores:


Romanos:
O contratenor norte americano David Daniels foi Giulio Cesare. Já o ouvi ao vivo várias vezes e, mais uma vez, gostei. Tem uma voz bem audível, de timbre agradável e bem colocada. Esteve bem cenicamente, a interpretação é exigente mas, dada a concorrência, não sobressaiu.


 Cornelia, viúva de Pompeu, foi interpretada pelo mezzo irlandês Patricia Brandon. A voz é ampla, bem audível, expressiva e sempre afinada, e a cantora teve uma interpretação muito convincente.


 O mezzo inglês Alice Coote foi o Sesto Pompeo, filho de Cornelia. Foi uma das melhores intérpretes da noite, embora seja difícil a escolha. Coote tem uma voz com invulgar qualidade e projecção em toda a sua extensão. Foi insuperável. Já a vi várias vezes, quase sempre a fazer papéis masculinos, que lhe assentam muito bem, dadas as suas características físicas e vocais.


 Egípcios:
Cleópatra foi interpretada pelo soprano francês Natalie Dessay. Foi assombrosa. Já há muito tempo que não assistia a uma interpretação de Dessay com esta qualidade. É uma actriz que canta e fá-lo como poucas outras cantoras. Tem uma figura excelente, as suas qualidades dramáticas são insuperáveis e a voz esteve ao seu mais alto nível, sem denotar qualquer sinal de desgaste que já lhe ouvi em outras interpretações. E a exigência cénica do papel não é para uma qualquer. Uma grande Senhora da ópera!


 O contratenor francês Christophe Dumaux foi o seu irmão Tolomeu, rei do Egipto e um dos vilões da ópera. Não o conhecia e fiquei boquiaberto com a interpretação. Vocalmente foi o melhor dos contratenores, com uma voz de beleza assinalável, sobretudo no registo mais agudo que é sempre perfeitamente audível e manteve qualidade insuperável ao longo de toda a récita. Não bastasse a voz, o homem é também um atleta e fez de tudo em palco com uma agilidade estonteante e aparente facilidade (até um salto mortal). McVicar tirou o maior partido das invulgares capacidades físicas do cantor, que nos proporcionou uma interpretação como raramente se vê em ópera.


 O terceiro contratenor em cena foi o marroquino Rachid Ben Abdeslamm que interpretou o Confidente de Cleópatra Nireno. Foi outra boa interpretação, cénica e vocal, apesar de o papel ser relativamente pequeno.


 Finalmente o barítono italiano Guido Loconsolo foi um Achilla à altura dos restantes intérpretes. A voz é bem timbrada e o cantor interpretou o papel de forma firme e segura. Também tem uma figura muito adequada à personagem, algo que foi uma constante em todos os solistas.


 Um Giulio Cesare de luxo que, ao contrário do que tinha planeado, me fez ver a ópera duas vezes nesta semana em que estive em Nova Iorque.









 Dentro de dias publico fotografias da segunda récita.

*****



GIULIO CESARE Metropolitan Opera, New York, May 2013

Giulio Cesare is an opera by G. F. Handel with libretto by Nicola Francesco Haym. This production of the Metropolitan Opera was seen in a direct MetLive transmission and was commented on this blog, by camo_opera. In his text you can find the historical background and many other interesting information.
I had the privilege to see, live, two performances.

The staging by David McVicar is very showy, varied, colorful and full of action. Not even the singers are spared. They sing in various positions and the movement on stage is very demanding and, in the case of Tolomeo, acrobatic. The action passes through different historical periods. In the back of the stage there are 4 cylinders that rotate continuously simulating the motion of the sea, an effect used in the past but with great visual impact. There navigate, along the performance, ships from various historical eras, another very interesting option of great aesthetic beauty.

But even more important that the staging was the music. The Baroque Orchestra was directed by British conductor and harpsichordist Harry Bicket. On stage, in the 2nd act, the excellent violin solo was played by David Chan. All musical performance was excellent. And the soloists could not have been better:

Romans:
North American countertenor David Daniels was Giulio Cesare. I've heard him live several times, and once again I enjoyed. His voice has a broad, pleasant timbre and is well projected. The singer was well on stage, the performance is demanding, but given the competition, he did not excelled.

Cornelia, widow of Pompey, was interpreted by Irish mezzo Patricia Brandon. Her voice is very audible, expressive and always in tune, and the singer had a very convincing performance.

English mezzo Alice Coote was Sesto Pompeo, son of Cornelia. She was one of the best performers of the night. Coote has an amazing voice with an unusual quality in all its extension. She was unsurpassed. I've seen her several times, almost always doing male roles that fit her very well, given her physical and vocal characteristics.


Egyptians:
Cleopatra was interpreted by French soprano Natalie Dessay. She was astonishing. It was one of the best interpretations of Dessay I have attended. She is a singing actress and she performs like few other singers. She has an excellent figure, her dramatic qualities are unsurpassed and her voice was at its highest level without any sign of fatigue that I have heard in other interpretations.
And the staging demand of the role is remarkable. A great Lady of the opera!

French countertenor Christophe Dumaux was his brother Tolomeo, king of Egypt and one of the villains of the opera. I did not know him and I was awestruck by the interpretation. He was vocally the best of countertenors with a noticeable beautiful voice, especially in the high register that was always well audible. He maintained the top quality throughout the performance. Besides the voice, the man is also an athlete and did everything on stage with a dizzying speed and apparent ease (even a somersault). McVicar took the most of the unusual physical abilities of the singer, who gave us an interpretation rarely seen in opera.

The third countertenor was Moroccan Rachid Ben Abdeslam who played Cleopatra's confidant Nirenus. He was another good performer, artistic and vocal, though the role is relatively small.

Finally, Italian baritone Guido Loconsolo was an Achilla at the same level of the other soloists. The voice has a pleasant timbre and the singer was firm. He also has a very suitable figure for the character, something that was constant in all the soloists.

A luxury Giulio Cesare that, contrary to what I had planned, I saw twice in the week I was in New York.

In a few days I will post some pictures of the second performance.

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domingo, 28 de abril de 2013

GIULIO CESARE de G. F. Handel — MET Live in HD, FCG — 27.04.2013


A ópera Giulio Cesare de Georg Friedrich Handel tem libreto de Nicola Francesco Haym e foi estreada no King’s Theatre em Londres no ano de 1724.

A história remonta ao ano 48 a.C. quando a guerra civil de Roma leva César em perseguição de Pompeu que, ao chegar a Alexandria, acaba morto por Ptolomeu, adolescente à frente do Egipto e irmão de Cleópatra, desencadeando um rebuliço geo-político-militar que se tornou um dos episódios iconográficos da história da decadência da república romana. Poderão lerão uma sinopse aqui.


A encenação de David McVicar pertence à Glyndebourne Festival Opera. Põe a acção base no período imperial inglês na Índia do século XIX. O palco está adiantado em relação ao habitual com cinco colunatas sucessivas. Ao fundo, quatro cilindros giratórios representam o mar da baía de Alexandria onde aparecem diversas frotas de barcos de diversos tipos e períodos históricos. Essa transversalidade histórica fica bem patente também no guarda-roupa muito variado. A encenação permite um acompanhamento muito eficaz da obra e expõe todo o espectro de emoções desta ópera que é cómica, trágica, romântica e dramática ao mesmo tempo. A direcção de actores, sempre muito adequada à música e ao texto, é absolutamente complexa e extremamente exigente do ponto de vista físico para os cantores, com imensos números acrobáticos e coreografias.


Giulio Cesare foi o contratenor David Daniels. O seu papel é vocalmente muito exigente e o encenador exigiu-lhe, também, uma enorme entrega física. O contratenor tem uma voz ampla, e encorpada e foi muito regular, oferecendo uma interpretação vocal de muito bom nível e uma enorme disponibilidade física.


O mezzo-soprano Patricia Bardon foi Cornélia. Apresentou-se com uma voz quente bem projectada e cenicamente em muito bom nível, sendo de destacar os seus duetos com Sexto.


Sexto, filho de Pompeu, foi interpretado pelo mezzo-soprano Alice Coote. Tem uma voz com um timbre belíssimo, sempre muito afinada e com uma amplitude muito bem controlada e com agudos perfeitos. Cenicamente esteve muito bem, tendo sido muito coerente e expressiva ao longo de toda a récita. No meu entender, foi o melhor e mais consistente cantor da récita.


O soprano francês Natalie Dessay foi Cleópatra. É um soprano que nos tem habituado a interpretações cénicas de excelência, o que se verificou hoje. Esteve sublime nesse componente. O papel era extremamente exigente e o encenador obrigou-a a fazer quase tudo no palco: até a mudar de roupa! Vocalmente é dotada de uma voz com um timbre muito agradável e, apesar de uma ou outra falha no ataque a uma ou outra nota aguda, teve uma interpretação de óptimo nível. Hoje, se havia dúvidas, demonstrou ser imbatível do ponto de vista cénico: é sobretudo uma actriz de mão cheia com uma voz enorme!


Ptolomeu foi interpretado pelo contratenor Christophe Dumaux. Dos contratenores em palco foi aquele de cuja voz mais gostei: tem um agudo muito bonito e bem sustentado e esteve em muito bom nível vocal. Cenicamente foi, também, uma revelação: faz tudo até piruetas e acrobacias de nível muito atlético. Ele e Dessay teriam nota artística elevada em provas de ginástica artística!


O barítono Guido Loconsolo foi Achilla. Tem uma envergadura física impressionante o que o ajudou cumprir eficazmente do ponto de vista cénico. A sua voz tem um timbre convencional, mas esteve técnica e interpretativamente muito bem. Teve, pois, uma excelente estreia no MET.


O contratenor Rachid Ben Abdeslamm foi Nireno. O seu papel não é muito extenso, mas é extremamente cómico. Fê-lo na perfeição vocal e cenicamente, tendo sido mais uma óptima estreia no MET.


Harry Bicket foi o maestro que dirigiu a Orquestra do Metropolitan e foi também o intérprete do cravo. O nível foi óptimo com um som de orquestra barroca assinalável, muito elegante e brilhante. Foi acompanhado, também, por David Chan, o violinista que sob ao palco para acompanhar Giulio Cesare: além da sua óptima interpretação, acompanhou de modo sublime Daniels com uma expressividade corporal assinalável.

Assistiu-se, portanto, a um conjunto de excelentes interpretações vocais e orquestrais secundados por uma encenação de grande qualidade. Que óptima maneira de acabar a temporada do MET Live in HD!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

IL BURBERO DI BUON CUORE – Vicente Martín y Soler – Gran Teatro del Liceu, Barcelona - 31 Janeiro 2012


(review in english below)

Perdoem-me os bloggers se o amadorismo habitual destas minhas críticas atinge um grau ainda mais elevado nesta entrada. A razão é o facto de ser uma crítica sobre uma ópera pouco conhecida e a ter visto pela primeira vez e isoladamente, no passado dia 31 de Janeiro, em Barcelona.

O libretto foi escrito por Lorenzo da Ponte e a opera foi estreada em Viena em 1786, no mesmo ano que As Bodas de Fígaro de Mozart. Em poucas palavras, a história ronda dois irmãos, um Giocondo que é casado com Lucilla e que está na bancarrota porque a mulher lhe gasta tudo em roupas e jóias, embora sem saber que está a enterrar economicamente o marido; e Angelica que é jovem e está apaixonada por Valerio, um rapaz novo, honesto mas não rico. Giocondo que mandar a sua irmã para um Mosteiro mas Angelica quer casar-se. O tio Ferramondo, de quem Angelica e todos têm receio pela sua volatilidade de temperamento, quer ajudar Angelica a não ir para um mosteiro e fica de lhe arranjar um marido. Pensa no seu amigo e companheiro de xadrez, Dorval, muito mais velho que a jovem. No final, e com a ajuda da criada Marina, tudo se resolve, com Ferramondo a ajudar o sobrinho com as dívidas, e a apoiar o casamento de Angelica com Valerio, deixando no ar a ideia que todos fazem dele o que querem.

A acção, como se pode ver na foto, passou-se no que pareceu ser um lobby de hotel, embora também pudesse ser apenas a sala de estar da casa de Ferramondo.





Tida como possível de rivalizar com Mozart, o primeiro acto deixou-me algo de pé atrás. Teve realmente 2 ou 3 momentos de maior brilhantismo como um trio feminino, a grande ária de Dorval ou o dueto à mesa de xadrez de Ferramondo e Marina, mas com alturas em que a orquestração não me pareceu a mais cativante e nem sempre o estilo de melodia se adaptou completamente ao texto. Contudo, tudo mudou no segundo acto! Sessenta minutos de sequência recitativo-ária de uma excelência melódica e de orquestração Mozart-like do mais alto nível musical. Fiquei rendido!

Os cantores estiveram, de um modo geral, em muito bom nível.

Carlos Chausson como Ferramondo foi, sem dúvida, a estrela da opera, com representação excelente e performance vocal perfeita.

Marco Vinco, de quem não consegui foto boa mas que podem ver no video, foi Dorval e equiparou-se na excelência de timbre e representação.

Véronique Gens foi uma senhora em palco, com uma voz cuja qualidade não se consegue ficar indiferente e que a colocou ligeiramente acima do restante elenco feminino.





Elena de la Merced esteve muito bem, embora os agudos em força tenham soado algo gritados.





Paolo Fanale fez um Valerio de porte físico e beleza de feições perfeitamente enquadrado no papel de jovem apaixonado. Não gostei particularmente do timbre ao parecer estar a cantar com colocação de voz que parecia em falsete, embora não o estivesse a fazer deste modo. Cantando de forma a que se notasse as covinhas laterais da face também não deve ajudar à projecção do som… Contudo, foi um dos melhores actores em palco.





Do mesmo modo não gostei do timbre de David Alegret (na foto em cima, ao lado de Veronique Gens), que interpretou o papel de Giocondo; demasiado afemininado para o meu gusto embora com afinação e constância perfeitos.

Patricia Bardon foi Marina e Josep Miquel Ramon foi Castagna, completando o elenco como os criados, com um nível vocal e interpretativo de marcada qualidade.





Foi a primeira vez que vi Jordi Savall ao vivo e, apesar de no pódio como maestro, questionei-me onde havia deixado a sua viola da gamba… Não posso dizer que a tenha trocado pela batuta porque conduziu a orquestra, nesta belíssima opera, com aquilo que habitualmente usa no dedilhar das cordas do célebre instrumento antigo… as mãos.





Uma excelente supresa em Barcelona, numa aposta que seria interessante de ver no Teatro Nacional de São Carlos.





Aqui ficam uns clips do canal do youtube do Liceu:







IL BURBERO DI BUON CUORE – Vicente Martín y Soler – Gran Teatro del Liceu, Barcelona – January 31, 2012





My dear bloggers, forgive me if the usual amateurism of my reviews reaches an even higher level with the following one. The reason is that it is a review of a not so famous opera and I only saw it once and for the first time.

The libretto was written by Lorenzo da Ponte and the opera was premiered in Vienna in 1786, the same year as The Marriage of Figaro by Mozart. The story evolves two brothers, one is Giocondo who is married to Lucilla and is bankrupt because the wife spends it all on clothes and jewelry, but without knowing she is leaving his husband broke; and Angelica who is young and in love with the young, honest but not rich Valerio. Giocondo wants to send her sister to a monastery but Angelica wants to marry. Uncle Ferramondo, whom all are afraid of due to his volatility of temperament, wants to help Angelica not to go to a monastery and finds her a husband. He thinks of his friend and chess companion Dorval, much older than the young girl. In the end, and with the help of Marina, everything is solved with Ferramondo helping Giocondo paying his debts and supporting the marriage of Angelica with Valerio, leaving the idea that everyone does what they of him.

The action, as you can see in the picture, is set in what appeared to be a hotel lobby, but also could be just the living room of Ferramondo’s house.





Seen as a possible rival to Mozart’s operas, the first act left me in doubts. Actually it had two or three moments of brilliance such as a feminine trio, the great aria of Dorval, or the duet at the chess table between Ferramondo and Marina, but with passages in which the orchestration did not seem the most engaging and not always the style of melody adapted completely to the text. However, everything changed in the second act! Sixty minutes of recitative-aria sets filled with an excellent melodic and Mozart-like orchestration of the highest musical level. I surrendered myself!

The singers were, in general, in a very good level.

Carlos Chausson as Ferramondo was undoubtedly the star of the opera, with an excellent representation and a perfect vocal performance.

Marco Vinco, of whom I did not get a good photo but that you can see in the video, was Dorval and matched on the excellence of tone and representation.

Véronique Gens was a lady on stage, in a voice whose quality no one can remain indifferent and which placed her slightly above the remaining female cast.





Elena de la Merced was very good, although the high notes, given in strength, did sounded somehow shouted.





Paolo Fanale made a Valerio with a physical look and beauty of features perfectly matched with the role of young lover. I did not like his pitch since he seemed to be singing in a falsetto voice, although he was not doing it. Singing in a way that shows her face dimples should not also assist the projection of the sound… However, he was one of the best actors stage.





Similarly I did not like the tone of David Alegret (next to Veronique Gens in the photo above), who played the role of Giocondo. His voice was too much feminine-like for my taste, despite being very constant and tuned.

Patricia Bardon was Marina and Josep Miquel Ramon was Castagna, completing the cast as the servants, with a high level of vocal and interpretative quality.





It was the first time I saw Jordi Savall live and, despite in the podium as a conductor, I wondered where he had left his “viola da gamba” ... I can not say that he has changed her for the baton because he led the orchestra in this beautiful opera, with what we normally uses to play the strings of the famous ancient instrument ... his hands.





A great surprise in Barcelona, a production that would be interestng to see the at Teatro Nacional de São Carlos.




Here are some clips from the youtube channel from the Liceu:





domingo, 6 de novembro de 2011

SIEGFRIED – MetLive – Fundação Calouste Gulbenkian – 5 de Novembro 2011

(review in english below)

Robert Lepage e o MET continuam, em grande estilo, o ciclo do Anel do Nibelungo.

Hoje pudemos assistir ao Siegfried, até hoje, para mim, a menos estimulante das óperas que contituem a tetralogia.





A plataforma multiusos continua a sua capacidade imensa de caracterização, ao que se juntam impressionantes pormenores de cada personagem, como a impossível de passar despercebida lente de contacto negra no olho ausente de Wotan, o volumoso pergaminho que desenrola da sua lança, o boneco animado do gigante Fafner...




...o vestido de Erda, os óculos multioculares de Mime, a Notung iluminada reluzindo para um Siegfried que a acabou de forjar, o rio ficar com coloração avermelhada aquando da morte de Fafner, o fantástico pássaro que voa por todos os cantos da plataforma e inclusivamente pousa no colo e na mão de Siegfried, o passar de Siegfried pelas chamas do rochedo...



Não existem momentos de acção estática e a imensidão de detalhes do texto estão globalmente contemplados. Todas as personagens fluem em interpretação de um modo contínuo e com sentido, nenhum gesto está a mais ou a menos.

Gerhard Siegel fez a sua centésima interpretação de Mime e de um modo sublime! O seu sentido de comédia é exímio e, juntamente com o timbre perfeito para o papel, consegue uma caracterização global que nos cativa em todos os sentidos. Vemo-nos frequentemente a rir ou a esboçar um sorriso durante a sua interpretação.



Bryn Terfel esteve fabulástico! Talvez tenha sido a sua melhor interpretação se considerarmos juntamente com o Ouro do Reno e a Valquíria. A voz inconfundível e ao seu estilo pessoal, segura e envolvente. Conseguiu transmitir a gravidade, a sabedoria e a resignação da personagem do Viandante e assim alcançar a evolução perfeita da personagem de Wotan.

Deborah Voigt entrou muito bem e assim se manteve, notando-se uma química cénica com Siegfried que nos antevê um Crepúsculo dos Deuses cheio de emoções.

Eric Owens, embora menos cenicamente activo do que no Ouro do Reno e confiando mais na sua expressão facial, esteve muito bem como Alberich.

Hans-Peter König esteve com a habitual profundidade de baixo que o caracteriza, ao mais alto nível.

Patricia Bardon foi uma Erda eficaz, num fato impressionante.

Mojca Erdmann confirmou que é um passarinho novo na fama do mundo da ópera, em papel pequeno mas tão importante na evolução da obra.



Jay Hunter Morris foi a maior surpresa de hoje! O jovem cantor americano, numa modéstia verdadeira mas com uma grande força de carácter, misturada com um toque de incredibilidade pessoal e deslumbramento, acabou por construir, após 4 anos de estudo do papel, o melhor Siegfried a que já assisti. Na minha opinião, é a maior revelação wagneriana dos últimos anos e um heldentenor que vai conseguir vingar com facilidade neste papel. Tem boa aparência, consegue transmitir a inocência e ao mesmo tempo a força e confiança da personagem, através de uma caracterização física e vocal não ao alcance de todos. Sabe o que está a cantar, sente o que está a cantar e, acima de tudo, transmite-nos esse sentimento. O timbre, embora de início algo metalizado (não nos podemos esquecer que era meio-dia em Nova Iorque quando começou a cantar o papel de tenor talvez mais difícil do repertório operático), evoluiu para uma qualidade quente e envolvente, desculpando-se uma ou outra passagem em que os agudos parecem mais em esforço ou um pequeno catarro acompanha a emissão de som como no final do primeiro acto.



Jay Hunter Morris vive o sonho americano que qualquer artista gostaria de viver e, no seu sentido de generosidade, através da sua interpretação, vai-nos permitindo vivê-lo com ele.




Esta produção do Anel parece começar a tornar-se única não só pela inovação da encenação, mas também pela qualidade interpretativa e uma dupla direcção, com Fabio Luisi a suceder a James Levine. Este último facto não parece preocupar (e não deve) Peter Gelb, que já anunciou a edição em DVD do ciclo completo no Outono de 2012…


SIEGFRIED - MetLive - Calouste Gulbenkian Foundation - November 5, 2011

Robert Lepage and the MET continue, in great style, the cycle of the Ring of the Nibelung.




Today we could see Siegfried, to me and until now, the less exciting of the tetralogy operas.
The multiuse platform continues its enormous capacity for characterization, along with the impressive details of each character, as the impossible to go unnoticed black contact lens in Wotan’s lost eye, the massive unwinding scroll of his spear, the animated puppet of the giant Fafner...



...the Erda dress, the glasses of Mime, the bright shining Notung for a Siegfried that has just forgeg it, the river water becoming reddish with Fafner’s blood, the bird that flies to all corners of the platform and even sits on Siegfried’s lap and hand... There are not moments of static action and the multitude of details of the text are broadly contemplated. All the characters flow in a continuous mode of interpretation and meaning.



Gerhard Siegel made his hundredth interpretation of Mime and in a sublime way! His sense of comedy excels and together with the perfect pitch for the role, he can globally captivate us in every way. You often laugh or show a smile in the face during his interpretation.



Bryn Terfel was fabulous! Perhaps his best performance if we consider it along with the Das Rheingold and Die Walküre. The unmistakable voice and his personal style was present in a safe and clear way. He managed to convey the gravity, wisdom and resignation of the character of the Wandarer and thus achieve the perfect evolution of the character of Wotan.

Deborah Voigt started very well and kept it well, showing a great chemistry on stage with Siegfried, which foresees a Twilight of the Gods full of emotions.

Eric Owens, although scenically less active than in Das Rheingold and relying more on his facial expression, was a very good Alberich.

Hans-Peter König remained his usual deep bass voice, at his highest level.

Patricia Bardon was an effective Erda, with a superb dress.

Mojca Erdmann confirmed that she is a new bird in the world of Opera, in small but very important role in the evolution of the action.



Jay Hunter Morris was the biggest surprise today! The young American singer, with an honest modesty but with a great strength of character, mixed with a personal touch of disbelief and wonder, eventually constructed, after 4 years of study of the role, the best Siegfried I have ever seen. In my opinion, he is the greatest revelation in Wagner singers of the last years and a Heldentenor who will triumph with ease in this role. Good-looking, he manages to convey innocence and at the same time the strength of character and confidence through physical and vocal characterization in a way that few are capable of. He knows what he is singing, he feels what he is singing and, above all, he can transmit us that feeling. The tone, though at first somehow metallic (we cannot forget that it was noon in New York when he began to sing probably the hardest tenor role in the operatic repertoire), has evolved into a warm and enveloping quality, allowing, with no harm, one or another passage in which the high notes seemed in an effort way (despite audible and in good sound) and the phlegm that accompanied the voice at the end of the first act.



Jay Hunter Morris is living the American dream that any artist would like to live and, in his sense of generosity, through his interpretation, allows us to live it with him.




This production of the Ring threatens to become unique not only due to the innovating staging, but also due to the quality of the interpretations and a dual direction, with Fabio Luisi succeeding James Levine. The latter seems not to care (and it should not) Peter Gelb, who has announced the DVD edition of the complete cycle in the autumn of 2012...