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quarta-feira, 28 de março de 2012

GUSTAVO DUDAMEL e a ORQUESTRA SINFÓNICA DE GOTEMBURGO na Fundação Calouste Gulbenkian - Richard Strauss e Joseph Haydn - 27 de Março de 2012


(review in english below)

Há pessoas que nascem com uma estrelinha mas só alguns são capazes de a alimentar e de a tornar cadente. Gustavo Dudamel é uma dessas pessoas. Com o seu look à Chaplin, num Charlot sem bigode, transmite uma magia singular assim que pisa o palco. Dirige com uma alegria contagiante que, na sua individualidade, e não querendo entrar em comparações do não comparável, só encontra eventual paralelo em Leonard Bernstein. A música parece nascer no seu interior e flui através dos seus gestos de forma harmoniosa. A sua direcção segue a melodia imaginária de cada obra e que se passeia por cada instrumento.

A Orquestra Sinfónica de Gotemburgo reagiu ao milissegundo às suas indicações, e com uma sonoridade potente e com uma sincronia entre naipes de um nível raramente escutado. Isto é evidente não só aquando da música mas, e ainda mais, no silêncio após o ataque. As obras? Os poemas sinfónicos Don Juan e Assim Falou Zaratustra de Richard Strauss e a Sinfonia nº 103 de Joseph Haydn. A impressão? Não sendo um profundo e neurótico consumidor destas obras, achei uma interpretação digna de ser imortalizada em formato digital.

Esperei anos para ver um Maestro fazer o que Dudamel fez hoje. Com uma humildade sincera, transparecida no seu sorriso, colocou a Orquestra (uma das suas Orquestras), na pessoa dos seus constituintes, no lugar principal. Agradeceu ao público entre os músicos, ao mesmo nível, não subindo ao pódio, ciente de que a Música e não o Ego é o que importa, e demonstrando que ele e os seus músicos são um verdadeiro grupo. Que nível! Que classe!

Um Concerto memorável!!!


GUSTAVO DUDAMEL and the GOTHENBURG SYMPHONY ORCHESTRA at the Calouste Gulbenkian Foundation - Richard Strauss and Joseph Haydn - March 27, 2012





Some people are born with a star but only some are able to feed and to make a sparkling one. Gustavo Dudamel is one of those people. With his Chaplin look, in his Tramp years but without a mustache, he transmits a unique magical aura when he steps on stage. Conducting with a contagious joy that in his individuality, and not wanting to get into incomparable comparisons, finds a possible parallel only in Leonard Bernstein. The music seems to grow inside him and flows through smoothly in his gestures. His conduction follows the imaginary melody of each work that travels by each instrument.

The Gothenburg Symphony Orchestra responded to his instructions by the millisecond, and with a powerful sound and a synchrony between groups of a level rarely heard. This is evident not only when the music is played but, even more, in the silence after the attack. The works? The symphonic poems Don Juan and Also Sprach Zarathustra by Richard Strauss and the Symphony No. 103 of Joseph Haydn. The impression? Not being a profound and neurotic consumer of these works, I found this interpretation worthy of being immortalized in digital format.

I waited years to see a Maestro do what Dudamel did today. With a sincere humility, reflected in his smile, he put the Orchestra (one of his orchestras), in the person of its constituents, in the main place. He thanked the audience among the musicians, at the same level, not on the podium, knowing that the music and not the ego is what matters, and showing that he and his musicians are a real group. What a level! What a class!

A memorable concert!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Mahler – Sinfonia Nº 9, Gustavo Dudamel e Orquestra Filarmónica de Los Angeles, Fundação Gulbenkian, Janeiro de 2011


Mais uma vez, um concerto de excepção foi-nos proporcionado pela Fundação Gulbenkian.

Não pensava comentá-lo, dado que habitualmente só o faço sobre espectáculos em que o canto é parte integrante, mas a minha indignação sobre o que se passou no final, levou-me a escrever esta nota.

A expectativa era grande, tal como a fama dos protagonistas. O preço pago por cada bilhete (65 €) não é habitual na Gulbenkian, mas também aqui os tempos são outros. Juntou-se uma tríade que nos proporcionou um espectáculo de invulgar qualidade: Mahler, Dudamel e Orquestra Filarmónica de Los Angeles.

A música de Mahler é única. Para admiradores incondicionais, entre os quais me incluo, chega a tocar o divino, como é o caso, na 9ª Sinfonia, do quarto andamento.


Foi a primeira vez que vi Dudamel ao vivo. Estava mesmo muito próximo e reconheço que dirige a orquestra de forma diferente e única, que entusiasma qualquer um. A sua fotografia divulgada no site da Gulbenkian, que aqui reproduzo, retrata-o fielmente. É de tal modo explícito que tudo o que vai acontecer, em termos orquestrais, se anuncia e percebe claramente.


A obra foi tocada em crescendo, cada andamento mais marcante que o anterior. O quarto é, para mim, um dos mais belos trechos musicais escritos pela mão humana. A interpretação foi sublime, o silêncio final arrebatador.

Lamentavelmente, não posso deixar de mencionar o comportamento de alguns elementos do público que, na parte mais emotiva da obra, no final do quarto andamento, não hesitaram em tossir repetidamente, quebrando a solenidade do momento! Quem está doente ou quem tem tosses histéricas incontroláveis não deveria ir a estes espectáculos. Há sempre a alternativa das transmissões televisivas ou dos CDs e DVDs que poderão ser vistos em casa. Aí podem tossir alarvemente, sem prejudicar os outros, incluindo os músicos. Neste concerto, talvez Deus lhes perdoe o mal que fizeram, eu não consigo!

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