quarta-feira, 11 de agosto de 2021

DER FLIEGENDE HOLLÄNDER / O NAVIO FANTASMA, Bayreuth, Agosto / August 2021

Não assisti à apresentação da opera de WagnerDer Fliegende Holländer / O Navio Fantasma” em Bayreuth. Apenas tive possibilidade de ver no youtube:

https://m.youtube.com/watch?v=Z8dtRIFVmDw

A direcção musical foi, pela primeira vez, de uma maestrina – Oksana Lyniv.

Mais uma vez Bayreuth apresenta uma encenação totalmente fora do convencional. Dmitri Tcherniakov concebeu uma encenação em que quase não há referências ao mar. Na abertura a mãe do Holandês, amante do pai de Senta, é rejeitada pela sociedade a acaba por enforcar-se. 

(Fotografia / Photo Enrico Nawarth)

Toda a acção da ópera decorre em esplanadas ou numa mesa de jantar em casa da Senta. O único aspecto bem conseguido é um ambiente de grande tensão sempre presente ao longo da ópera. No final, é a mãe da Senta mata o holandês.

Não gostei da encenação.

                                            (Fotografia / Photo Enrico Nawarth)

Já em relação aos cantores, a qualidade foi impressionante.

O Holländer foi interpretado de forma superior por John Lundgren, sendo de assinalar a postura sinistra ao longo da récita.

Georg Zeppenfeld foi um Daland correcto.

Eric Cutler foi excelente como Erik, tanto no desempenho cénico como vocal.

A Mary de Marina Prudenskaya cumpriu e o Steuermann de Attilio Glaser também.

(Fotografia / Photo Enrico Nawarth)
                                                (Fotografia / Photo Enrico Nawarth)

Deixei para o fim a Senta, interpretada por Asmik Grigorian. Um colosso!! Apesar de não ter ouvido ao vivo, penso que terá sido a melhor interpretação da Senta nos últimos tempos. Voz poderosíssima, sempre afinada, cheia de nuances. E a interpretação cénica foi fantástica! Brava!!

                                           (Fotografia / Photo Enrico Nawarth)

O publico na sala também o reconheceu, atribuindo-lhe a maior ovação de entre todos os participantes.

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DER FLIEGENDE HOLLÄNDER / THE GHOST SHIP, Bayreuth,  August 2021

I did not attend the performance of Wagner's opera “Der Fliegende Holländer” in Bayreuth. I was only able to see on youtube:

https://m.youtube.com/watch?v=Z8dtRIFVmDw

For the first time, the musical direction was by a female conductor – Oksana Lyniv.

Once again Bayreuth presents a totally unconventional staging. Dmitri Tcherniakov conceived a scenario in which there are almost no references to the sea. At the opening, the mother of the Dutchman is the lover of Senta's father, she is rejected by society and ends up hanging herself.

All the action of the opera takes place on terraces or at a dinner table at Senta's house. The only successful aspect is an atmosphere of great tension that is always present throughout the opera. In the end, it's Senta's mother who kills the Dutchman. Once again, I didn't like the staging.

As for the singers, the quality was impressive.

The Holländer was interpreted in a superior way by John Lundgren, with a sinister posture throughout the recital

Georg Zeppenfeld was a correct Daland.

Eric Cutler was excellent as Erik, both in scenic performance and vocals.

Marina Prudenskaya's Mary did and Attilio Glaser's Steuermann did too.

I left Senta for last, interpreted by Asmik Grigorian. A colossus!! Despite not having heard her live, I think she was the best Senta interpretation in recent times. Very powerful voice, always in tune, full of nuances. And the scenic interpretation was fantastic! Bravo!! The audience in the theater also recognized her, giving her the highest ovation among all the participants.

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terça-feira, 6 de julho de 2021

MESSA DA REQUIEM G Donizetti, Teatro São Carlos, Lisboa, Julho 2021


(In English below)

Confesso que foi com emoção que voltei ao Teatro de São Carlos pela primeira vez depois do início da pandemia. 

A Missa de Requiem de Donizetti é uma obra agradável e bonita. A interpretação da Orquestra Sinfónica Portuguesa foi boa, sob a batuta de um excelente maestro, Antonio Pirolli.

(tenor e maestro)

Nesta obra os solistas têm intervenções desguais. Os dois mais notáveis são o baixo, interpretado ontem por Rubén Amoretti, cantor excelente com uma voz poderosa muito bonita e colorida, e o tenor, que ontem foi Carlos Cardoso, também vocalmente bem.

(barítono e baixo)

Os 3 solistas restantes têm intervenções curtas. Ontem o barítono foi André Baleiro, a meio-soprano Cátia Moreso e a soprano Zarina Abaeva, cantora que muito gosto (interpretou o Requiem de Verdi de forma sublime) mas que aqui não tem como brilhar. Mas todos estiveram bem.

(mezzo e tenor)


(soprano)


O Coro do Teatro de São Carlos (maestro titular Giampaolo Vessella) também esteve bem mas foi colocado em vários patamares na altura do teatro, cada elemento está protegido à frente (e talvez também dos lados) com um plástico, acrílico ou similar, o que prejudica um pouco a audição. 


O Teatro estava quase vazio, o que é uma pena. O espectáculo merecia mais público e o público merece espectáculos de qualidade como este. Mas uma missa de mortos pouco conhecida à 2ª feira ao fim da tarde, a pandemia e os maus espectáculos de ópera do passado recente deverão todos ter contribuído para tão desoladora situação dentro da sala.


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MESSA DA REQUIEM G Donizetti, Teatro São Carlos, Lisbon, July 2021

I confess that it was with emotion that I returned to Teatro de São Carlos for the first time after the beginning of the pandemic.

Donizetti's Requiem Mass is a pleasant and beautiful work. The performance of the Portuguese Symphonic Orchestra was good, under the baton of an excellent conductor, Antonio Pirolli.

In this work the soloists have unequal interventions. The two most notable ones are the bass, performed yesterday by Rubén Amoretti, an excellent singer with a very beautiful and colorful powerful voice, and the tenor, who yesterday was Carlos Cardoso, also vocally well.

The 3 remaining soloists have short interventions. Yesterday the baritone was André Baleiro, the mezzo-soprano Cátia Moreso and the soprano Zarina Abaeva, a singer I really like (she interpreted the Requiem by Verdi in a sublime way) but who can't shine here. But everyone was good.

The Choir of the Teatro de São Carlos (conductor Giampaolo Vessella) also did well but was placed on several levels at the height of the theatre, each element was protected at the front (and perhaps also on the sides) with a plastic, acrylic or similar, which it impairs hearing a little.

The theater was almost empty, which is a shame. The performance deserved more audience and the public deserves quality performances like this one. But a little-known mass for the dead on Monday in the late afternoon, the pandemic and the bad opera performances of the recent past must all have contributed to such a dismal situation inside the room.

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domingo, 20 de junho de 2021

ERNANI de Giuseppe Verdi no Teatro Nacional de São Carlos — 20.06.2021

(Review in English below)


Assisti à última récita da ópera Ernani de Giuseppe Verdi no Teatro Nacional de São Carlos. Trata-se da primeira colaboração de Verdi com o libretista Francesco Maria Piave, tendo por base a obra homónima de Victor Hugo.

 

Devido às restrições da COVID-19, a ópera foi apresentada em versão de concerto e reuniu alguns cantores com projeção internacional nos principais papéis.


António Pedro Ferreira © TNSC


Orquestra Sinfónica Portuguesa sob direção de Antonio Pirolli apresentou-se muito coesa, regular no tempo e com uma interpretação de qualidade ao longo de todos os atos, exibindo uma excelente expressividade e dando realce ao carácter belcantista desta obra. Foi, no meu entender, o ponto forte da tarde.

 

Coro do Teatro Nacional de São Carlos foi colocado no fundo do palco dividido por uma estrutura metálica de quatro andares. Todos os seus elementos estavam muito afastados uns dos outros e com uma película plástica por diante, o que em muito diminuiu o seu volume, tornando-se frequentemente muito difícil de ouvir, embora, globalmente, tenham tido, dentro das dificuldades que tinham de ultrapassar, uma performance agradável.

 

Na minha apreciação, esta ópera tem uma beleza invulgar e já nos mostrava todas as qualidades que o jovem Verdi ia exibir ao longo da sua exitosa carreira. Contudo, em particular o primeiro ato, é muito exigente para os cantores, o que ficou patente na récita de hoje.


António Pedro Ferreira © TNSC


Antes de a récita começar, informaram os espectadores de que o tenor americano Gregory Kunde tinha uma lombalgia. Kunde apresentou-se hoje visivelmente diminuído do ponto de vista físico, mas denotou, igualmente, muitas dificuldades vocais. Conhecido pelas suas interpretações de tenor heróico, nomeadamente no papel de Otello, o timbre do já vetrano tenor ainda é muito bonito e ficou bem patente a sua muita experiência na forma como abordou a personagem Ernani. Contudo, no capítulo da afinação esteve claramente deficiente, tendo-lhe sido muito difícil atingir as notas agudas com facilidade, exibindo um vibrato exagerado e uma aspereza na voz que não favoreceu a qualidade vocal. O público não deixou de o acarinhar no final, tendo-se mostrado muito humilde, fazendo um gesto de como quem diz «obrigado, mas a minha performance de hoje não merece tanto».


António Pedro Ferreira © TNSC


A soprano chinesa Hui He foi Elvira. Não seria sincero se não dissesse que fiquei muito dececionado com a sua prestação. A potência vocal é inquestionável, mas apresentou muitas dificuldades na afinação, recorrendo frequentemente ao grito, tendo um legatto deficiente, assim como o fraseggio a denotar um italiano pouco seguro. Sobretudo no primeiro ato teve momentos em que chegou a ser desagradável de ouvir, o mesmo sucedendo no último e derradeiro ato.


António Pedro Ferreira © TNSC


O barítono italiano Simone Piazzola foi um Don Carlo vocalmente com uma performance de boa qualidade. Tem um timbre bonito, agudos fáceis e com uma coluna de som geralmente bem sustentada que se perdeu pontualmente nalguns agudos, sobretudo no segundo ato. Na sua ária Gran Dio! Costor sui sepolcrali marmi no 3.º ato esteve particularmente bem, mostrando um conhecimento profundo da personagem, emprestando-lhe uma emotividade vocal que denota a sua experiência no papel.


António Pedro Ferreira © TNSC


O baixo italiano Fabrizio Beggi foi um Don Ruy Silva muito seguro e aquele que apresentou uma performance mais consistente. Tem uma belíssima voz de baixo, uma boa emissão em qualquer registo da tessitura e uma expressividade muito eloquente, pelo que foi muito agradável de ouvir e, de todo o elenco, aquele que esteve em maior destaque.

 

Os restantes elementos do elenco, nos seus pequenos papéis, cumpriram bem (Rita Marques foi Giovanna; Sérgio Martins foi Don Riccardo; e João Oliveira foi Jago).

 

Deve dizer-se que estar na sala do TNSC e poder desfrutar da sua acústica soberba é um privilégio e os fãs estão ávidos por ver se, passada a COVID e com a nova direção de Elisabete Matos, se poderá finalmente assistir ao aumento de qualidade que é urgente e que se exige que se verifique num teatro que, infelizmente, ao longo das últimas temporadas, tem tido um registo próximo do comatoso.

 

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Review in English

 

I attended the last performance of Giuseppe Verdi's opera Ernani at the Teatro Nacional de São Carlos. This was Verdi's first collaboration with the librettist Francesco Maria Piave, based on the homonymous work by Victor Hugo.

 

Due to COVID-19 restrictions, the opera was presented in a concert version and brought together some singers with international projection in the main roles.

 

The Orquestra Sinfónica Portuguesa under the direction of Antonio Pirolli presented itself very cohesive, regular in tempo and with an interpretation of high quality throughout all the acts, displaying excellent expressiveness and emphasising the belcantist character of this work. It was, in my opinion, the highlight of the evening.

 

The Choir of the Teatro Nacional de São Carlos was placed at the back of the stage divided by a four-storey metallic structure. All its elements were very far apart from each other and with a plastic film in front of them, which greatly reduced their sound volume, making it often very difficult to hear, although, overall, they had, within the difficulties they had to overcome, a pleasant performance.

 

In my appreciation, this opera has an unusual beauty and already showed us all the qualities that the young Verdi was to display throughout his successful career. However, the first act in particular is very demanding for the singers, and this was evident in today's performance.

 

Before the recital began, spectators were informed that the American tenor Gregory Kunde had a backache. Kunde was physically visibly diminished today, but also had many vocal difficulties. Known for his heroic tenor performances, particularly in Otello, the already elderly tenor's timbre is still very beautiful and his great experience was evident in the way he approached the character of Ernani. However, in terms of pitch he was clearly deficient, and it was very difficult for him to reach the high notes with ease, exhibiting an exaggerated vibrato and a roughness in his voice that did not favour the vocal quality. The audience did not fail to appreciate him at the end and he was very humble, gesturing as if to say "thank you, but my performance today doesn't deserve that much".

 

Chinese soprano Hui He was Elvira. I wouldn't be honest if I didn't say I was very disappointed with her performance. The vocal power is unquestionable, but she presented many difficulties in tuning, often resorting to shouting, having a poor legato, as well as the fraseggio denoting an unsafe Italian. Especially in the first act she had moments when she was unpleasant to listen to, the same happening in the last and final act.

 

The Italian baritone Simone Piazzola was a Don Carlo vocally with a good quality performance. He has a beautiful timbre, easy treble and with a generally well-sustained sound column which was occasionally lost in some of the treble, especially in the second act. In his aria Gran Dio! Costor sui sepolcrali marmi in the 3rd act he was particularly well, showing a deep knowledge of the character, lending him a vocal emotiveness that denotes his experience in the role.

 

Italian bass Fabrizio Beggi was a very assured Don Ruy Silva and the one who gave the most consistent performance. He has a beautiful bass voice, a good delivery in any register of tessitura and a very eloquent expressiveness, so he was very pleasant to listen to and, of all the cast, the one who excelled the most.

 

The remaining members of the cast, in their small roles, performed well (Rita Marques was Giovanna; Sérgio Martins was Don Riccardo; and João Oliveira was Jago).

 

It must be said that being in the TNSC hall and being able to enjoy its superb acoustics is a privilege and the fans are eager to see if, after COVID and with Elisabete Matos' new direction, we will finally see the urgently needed increase in quality in a theatre that, unfortunately, over the last few seasons, has had a record close to comatose.

sábado, 12 de junho de 2021

EXCLUSIVO: Entrevista a Simone Piazzola / Interview with Simone Piazzola / Intervista a Simone Piazzola

A propósito da ópera Ernani de Guiseppe Verdi que se irá apresentar no TNSC com um elenco de qualidade global elevada na próxima semana, o blog Fanáticos da Ópera tem o privilégio de poder apresentar uma entrevista exclusiva com o barítono Simone Piazzola que se irá estrear em Portugal.

(Interview in English below) (Intervista in inglese sotto)

(Publicação de fotografias autorizada)

 

Simone Piazzola, muito obrigado por ter aceitado responder a algumas perguntas para o nosso blog Fanáticos da Ópera.



I. Relativamente à ópera Ernani de Verdi, o libreto é um pouco diferente do da peça Hernani de Victor Hugo no que diz respeito à sua personagem. Piave emprestou-lhe o amor apaixonado por Elvira e a sua personagem parece mudar à medida que a ação se desenvolve. Numa primeira fase, ele é um déspota interessado apenas no poder e no seu amor excessivo por Elvira, a quem tenta raptar. Depois, eleito como Imperador do Sacro Império Romano, Don Carlo é, de alguma forma, morto, renascendo como Imperador Carlo V. Transforma-se num governante que pensa apenas em política, nos problemas militares e religiosos do seu tempo, perdendo o interesse em Elvira e mostrando-se magnânimo para com os seus opositores.


1) O que é que pensa da sua personagem e como enfrenta as suas mudanças psicológicas?

Don Carlo é, sem dúvida, uma personagem interessante, que amadurece no decurso da ópera, dando mais peso no final à moralidade do que ao poder. Lido com este crescimento interior, dando diferentes nuances vocais e interpretativas; faço da minha voz um espelho dos seus pensamentos.

 

2) Sendo um barítono habituado a um grande espectro de papéis verdianos, quais são os desafios técnicos mais difíceis deste papel de Don Carlo?

Para além das várias facetas carateriais a que se deve prestar atenção para dar personalidade à personagem, a complexidade deste papel encontra-se na tessitura que envolve sobretudo a parte aguda da voz.



II. A ópera é hoje em dia considerada por muitos como uma arte disponível apenas para algumas elites, apesar da democratização do acesso através de plataformas de streaming, etc. Sendo ainda um jovem, apesar de experiente, barítono que atua em grandes salas de ópera, como pensa que a ópera pode tornar-se mais atrativa para um público mais vasto e mais jovem?

Penso que o problema fundamental é a forma como as obras são explicadas aos jovens. Por exemplo, contando apenas o enredo, nunca ninguém ficará apaixonado. É necessário que se conheça a alma, a personalidade de cada personagem, para que se possa dar uma identidade a cada papel, para que se possa sentir simpatia ou antipatia por uma personagem, para que se possa imaginar o que se passa na sua mente e sentir as suas próprias emoções. Mas isto de forma intima e não porque lhes seja dito "isto é bom e isto é mau". É preciso criar neles a curiosidade de dizer "e depois o que acontece"?



III. Em tempos da COVID, e sendo tão difícil ter atuações ao vivo e encenadas, como se mantém motivado e em boa forma psicológica e vocal?

Durante o primeiro confinamento e no período seguinte, foi difícil aceitar não poder sentir o teatro como antes. A consolação veio principalmente das pessoas que sempre apoiaram os artistas, que não desistiram. As mesmas pessoas que costumavam estar no teatro a aplaudir estavam nas redes sociais para apoiar os cantores sempre que estes viam um contrato cancelado. Eles têm sido parte da minha força. Vocalmente? Bem, eu canto principalmente por paixão, por isso tenho-me mantido a praticar, cantando em casa com a minha companheira todos os dias, porque cantar é uma necessidade para mim, não apenas um trabalho. Depois, também fui sempre acompanhado pelo meu mestre de confiança, o maestro Giacomo Prestia, por vezes gravando-me a mim próprio e, quando havia oportunidade, vendo-nos pessoalmente, mantendo as cautelas necessárias. A maior motivação era voltar no teatro , estando em frente ao público que tanto amo e agora, finalmente, posso fazê-lo!



IV. Estando esperançados de que possa ter encontrado formas de atuar ao vivo na próxima temporada, quais são as suas próximas atuações e desafios?

Num futuro próximo estarei envolvido no papel de Germont em La Traviata, primeiro no Teatro Massimo, em Palermo, e depois na Arena di Verona, onde cantarei o papel de Amonasro de Aida para o Festival de Ópera deste Verão.

Partirei depois para Liège para interpretar Don Carlo di Vargas em La Forza del Destino e serei Ford em Falstaff no Teatro Maggio Musicale Fiorentino.

 

Obrigado e toi, toi, toi para as récitas de Ernani!

 

Interview in English 

 

Regarding the opera Ernani by Guiseppe Verdi that will be performed next week at TNSC with a globally high quality cast, the blog Fanáticos da Ópera is privileged to present an exclusive interview with the baritone Simone Piazzola that will have his debut in Portugal.

 

Simone Piazzola, thank you for accepting to answer some questions for our blog Fanáticos da Ópera or Opera Fanatics.

 

I. Regarding Verdi’s Ernani, this play is a bit different from Victor Hugo’s play Hernani in what respects to your character. Piave gave him his passionate love for Elvira and his character seems to change as the play develops. Firstly, he is a despot only interested in power and in his lavish love for Elvira whom he tries to kidnap. Then, elected as Emperor of the Holy Roman Empire, Don Carlo is, in some way, killed and reborn as Emperor Carlo V. He transforms himself in a ruler thinking only on politics, military and religious problems of their time, losing interest in loving Elvira and being magnanimous with his opponents.

 

1) What are your thoughts about your character and how do you challenge his psychologic swings?

Don Carlo is undoubtedly an interesting character, who matures in the course of the work, giving more weight to morality than to power in the end.

I face this inner growth by giving different vocal and interpretative nuances; I make my voice mirror his thoughts.

 

2) Being you a baritone used to a large spectrum of verdian roles, what are the most difficult technical challenges of this Don Carlo’s role?

In addition to the various character facets to which attention must be paid in order to dare to the character, the complexity of this role lies in the texture that most engages the high part of the voice.

 

II. Opera is nowadays considered by many as an art available to some elite, despite the democratization of access through streaming platforms, etc. As a yet young, despite experienced, baritone who is performing in major opera halls, how do you think opera can become more attractive to a broader and younger audiences?

I think the fundamental problem is how the work is explained to young people. Telling the plot will never make someone love, serve to make known the soul, the personality of each character so that they can give an identity to each role, that can feel sympathy or dislike for a character, who can tell in their mind what happens and feeling emotions themselves but intimately and not because they are told "this is good and this is bad". Create in them the curiosity to say "and then what happens?"

 

III. In COVID times, and being so difficult to have live and staged performances, how do you keep motivated and in shape psychologically and vocally?

During the first lockdown and the following period it was hard to accept not being able to experience the theater as before, but the comfort came mainly from the people who have always supported the artists, who did not give up. The same people who were earlier in the theater applauding were on social media supporting the singers every time a canceled contract was seen. They have been part of my strength. Vocally? Well I sing mainly for passion so I kept practicing singing at home with my partner, singing every day because singing for me is a need not just a job. Then, however, I have always been followed by my trusted Maestro Giacomo Prestia, every now and then by registering and when there was the opportunity to see us in person, however, maintaining the necessary precautions. The greatest was to return to the theater in front of the audience I love so much and now it can succeed!

 

IV. Hoping you are finding a way to perform live next season, what are your next performances and challenges?

I’ll be soon playing the role of Germont in La Traviata, first at the Teatro Massimo in Palermo and later at the Arena in Verona where I will sing concurrently in the role of Amonasro in Aida for this summer's Opera Festival.

I will then leave for Liège to interpret Don Carlo di Vargas in La Forza del Destino and I will be Ford in Falstaff at the Maggio Musicale Fiorentino Theater.

 

Thanks and toi, toi, toi for Ernani!

 

Intervista in italiano

 

Per quanto riguarda l'opera Ernani di Giuseppe Verdi che sarà rappresentata al TNSC con un cast mondiale di alta qualità la prossima settimana, il blog Fanáticos da Ópera ha il privilegio di presentare un'intervista esclusiva con il baritono Simone Piazzola chi fará su debut in Portogallo.

 

Simone Piazzola, grazie mille per aver accettato di rispondere ad alcune domande per il nostro blog Fanáticos da Ópera.


I. Per quanto riguarda l'opera Ernani di Verdi, il libretto è un po' diverso da quello dell'opera Hernani di Victor Hugo per quanto riguarda il tuo personaggio. Piave ha preso in prestito il suo amore appassionato per Elvira e il suo carattere sembra cambiare man mano che l'azione si sviluppa. Nella prima fase, è un despota interessato solo al potere e al suo eccessivo amore per Elvira, che cerca di rapire. Poi, eletto imperatore del Sacro Romano Impero, Don Carlo viene in qualche modo ucciso, rinascendo come imperatore Carlo V. Diventa un sovrano che pensa solo alla politica, ai problemi militari e religiosi del suo tempo, perdendo interesse per Elvira e mostrando magnanimità verso i suoi avversari.

 

1) Cosa pensi del suo personaggio e come affronti i suoi cambiamenti psicologici?

Don Carlo è indubbiamente un personaggio interessante, che matura nel corso dell'opera dando nel finale più peso alla moralità che al potere. 

Affronto questa crescita interiore dando sfumature vocali e interpretative diverse; faccio sì che la mia voce diventi specchio dei suoi pensieri. 

 

2) Essendo un baritono abituato ad un ampio spettro di ruoli verdiani, quali sono le sfide tecniche più difficili di questo ruolo di Don Carlo?

Oltre alle varie sfaccettature caratteriali alle quali bisogna prestare attenzione per dare personalità al personaggio, la complessità di questo ruolo si trova nella tessitura che impegna maggiormente la parte acuta della voce. 

 

II. L'opera è oggi considerata da molti come un'arte a disposizione di una certa élite, nonostante la democratizzazione dell'accesso attraverso le piattaforme di streaming, ecc. Come baritono ancora giovane, ma con esperienza, che si esibisce nelle principali sale d'opera, come pensi che l'opera possa diventare più attraente per un pubblico più ampio e giovane?

Credo che il problema fondamentale sia il come l'opera viene spiegata ai giovani. Raccontare la trama non farà mai appassionare qualcuno, serve far conoscere l'animo, la personalità di ogni personaggio in modo che possano dare un'identità ad ogni ruolo, che possano provare simpatia o antipatia per un personaggio, che possano immaginare nella loro mente cosa accade e provare emozioni loro stessi ma intimamente e non perché viene detto "questo è buono e questo è cattivo". Creare in loro la curiosità di dire "e poi cosa succede?"

 

III. In tempi di COVID, ed essendo così difficile avere esibizioni dal vivo e in scena, come vi mantenete motivati e in forma psicologicamente e vocalmente?

Durante il primo lockdown e il periodo seguente è stata dura accettare il non poter vivere il teatro come prima ma il conforto è arrivato principalmente dalla gente che ha sempre sostenuto gli artisti, che non ha mollato. Le stesse persone che prima erano in teatro ad applaudire erano sui social a sostenere i cantanti ogni qual volta che si vedeva un contratto cancellato. Sono stati parte della mia forza. Vocalmente? Beh io canto principalmente per passione quindi mi sono mantenuto in esercizio cantando in casa con la mia compagna, cantando ogni giorno perché cantare per me è un bisogno non solo un lavoro. Poi comunque mi sono sempre fatto seguire dal mio fidato Maestro Giacomo Prestia, ogni tanto registrandomi e quando c'è stata l'opportunità vedendoci di persona mantenendo comunque le cautele del caso. La motivazione più grande è stata tornare in teatro davanti al pubblico che tanto amo e ora finalmente posso farlo!


IV. Sperando che voi troviate un modo per esibirvi dal vivo la prossima stagione, quali sono le vostre prossime esibizioni e sfide?

Prossimamente mi vedrò impegnato nel ruolo di Germont ne La Traviata, prima al Teatro Massimo di Palermo e successivamente all'Arena di Verona dove canterò in concomitanza il ruolo di Amonasro ne L'Aida per il Festival Lirico di quest'estate. 

Partirò poi per Liegi per interpretare Don Carlo di Vargas ne La Forza del Destino e sarò Ford nel Falstaff al Teatro Maggio Musicale Fiorentino.

 

Grazie e toi, toi, toi per Ernani!

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Yuja Wang e Andreas Ottensamer, Fundação Gulbenkian, Maio 2021


Primeiro espectáculo a que assisti ao vivo em mais de um ano. Na Fundação Gulbenkian, a maior instituição cultural do País.

O concerto juntou a pianista chinesa Yuja Wang e o clarinetista austríaco Andreas Ottensamer.

O programa incluiu Sonata para Clarinete e Piano em Fá menor e Intermezzo em Lá maior de Brahms e 3 canções sem palavras de Mendelssohn-Bartholdy.

Como extras tivemos Gershwin, Horovitz e uma inesperada interpretação a 4 mãos ao piano, onde Ottensamer mostrou excelente domínio do instrumento. Não, a Wang não tocou clarinete ☺!

Uma grande emoção para mim, regressar aos espectáculos ao vivo, que devo ao convite de um Amigo. 


Yuja Wang and Andreas Ottensamer, Gulbenkian Foundation, May 2021

First performance I saw live in over a year. At the Gulbenkian Foundation, the largest cultural institution in the country.

The concert was performed by Chinese pianist Yuja Wang and Austrian clarinetist Andreas Ottensamer.

The program included Sonata for Clarinet and Piano in F minor and Intermezzo in A major by Brahms and 3 words without words by Mendelssohn-Bartholdy.

As encores we heard Gershwin, Horovitz and an unexpected 4-handed interpretation at the piano, where Ottensamer showed excellent mastery of the instrument. No, Wang did not play the clarinet ☺!

A great emotion for me, to return to the live shows, which I owe at the invitation of a Friend.

sábado, 1 de maio de 2021

FIDELIO, Zürich Opernhaus, transmissão em diferido / video on demand, 30 de Abril a 3 de Maio / Abril 30 until May 3

Transmissão da produção de 2004 da Ópera de Zurique de Fidelio, ópera de Beethoven. 


Um elenco de grande categoria, sob a direcção musical de Nikolaus Harnoncourt, com Günther Groissböck (Don Fernando), Jonas Kaufmann (Florestain), Camilla Nylund (Leonore), Alfred Muff (Don Pizarro), László Polgár (Rocco), Elizabeth Rae Magnuson (Marzelline) e Christoph Strehl (Jaquino).



Aqui:

https://www.opernhaus.ch/en/digital/corona-spielplan/fidelio/


FIDELIO, Zürich Opernhaus, video on demand, April 30 to May 3

Broadcast of the 2004 production of Fidelio's Zurich Opera, Beethoven's opera.

A great cast, under the musical direction of Nikolaus Harnoncourt, with Günther Groissböck (Don Fernando), Jonas Kaufmann (Florestain), Camilla Nylund (Leonore), Alfred Muff (Don Pizarro), László Polgár (Rocco), Elizabeth Rae Magnuson (Marzelline) and Christoph Strehl (Jaquino).

Here:

https://www.opernhaus.ch/en/digital/corona-spielplan/fidelio/

segunda-feira, 19 de abril de 2021

PARSIFAL, Ópera de Viena, Wiener Staatsoper, transmissão / streaming Abril / April 2021

(review in English below)

A Ópera de Viena transmitiu recentemente a nova produção da ópera Parsifal de R. Wagner com encenação do russo Kirill Serebrennikov.

A Orquestra e o Coro da Ópera de Viena, sob a direcção de Philippe Jordan estiveram ao mais alto nível. O maestro foi excelente.

A acção foi trazida para a actualidade. O 1º e o 3º actos passam-se numa prisão russa. É retratada a forma desumana como os presos são tratados, a corrupção, as relações entre os reclusos e destes com os guardas. Parsifal recorda o passado e a acção é assim retratada, com o Parsifal actual (o cantor Jonas Kaufmann muitas vezes “à parte” da acção) e outro Parsifal (um actor), mais jovem e o principal sujeito da acção. No 1º acto a Kundry é uma jornalista que entrevista e fotografa os presos (os cavaleiros do Graal). As tatuagens são centrais na encenação e representam grande parte da simbologia da ópera. É uma encenação cativante e de grande intensidade psicológica.


O 2º acto passa-se numa redacção de uma revista de moda, Schloss, onde Parsifal é o modelo esperado. Klingsor é o dono da agência e Kundry uma executiva. A cena de sedução da Kundry sobre o Parsifal é excelente. No final, ela mata o Klingsor a tiro.



O 3º acto, novamente na prisão, é o menos interessante. Titurel foi cremado e em vez de caixão o Amfortas traz uma pequena urna com as cinzas, coloca-as na sua face e lança-as sobre os outros. No final Parsifal abre as celas e todos saem em liberdade.


É uma encenação de gosto discutível e que nada tem a ver com a ideia original de Wagner, mas é cativante, rica, psicologicamente intensa e está muito bem conseguida.

Quanto aos cantores, melhor seria impossível.

Georg Zeppenfeld foi um Gurnemanz muito competente, voz excelente e interpretação sempre eficaz.


Ludovic Tézier fez um Amfortas excepcional, tanto na interpretação vocal como cénica. Esteve sempre excelente mas, no 1º acto, foi memorável. 


Elina Garanca, para mim, foi a melhor da récita. Interpretou a Kundry com uma potência vocal assinalável, timbre magnífico, afinação perfeita e, em cena, foi uma actriz de topo. Excelente!!


 Jonas Kaufmann fez um Parsifal de qualidade, sobretudo no 2º acto, onde foi excelente. Como teve um “duplo” (actor Nikolay Sidorenko), por vezes as suas intervenções cénicas pareceram algo bizarras.



Finalmente Wolfgang Koch foi um Klingsor convincente. Este cantor é excelente para os papéis maléficos das óperas de Wagner.


O Parsifal não é uma ópera para principiantes mas este é um espectáculo de excelente qualidade que pode ser visto no site abaixo durante as próximas semanas:

 https://www.arte.tv/en/videos/102879-000-A/richard-wagner-parsifal/

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PARSIFAL, Wiener Staatsoper,  streaming April 2021

The Vienna State Opera recently broadcast the new production of R. Wagner's opera Parsifal staged by Russian director Kirill Serebrennikov.

The Vienna Opera Orchestra and Choir, under the direction of Philippe Jordan were at the highest level. The conductor was excellent.

The action was brought up to date. The 1st and 3rd acts take place in a Russian prison. It portrays the inhumane way prisoners are treated, corruption, the relationships between prisoners and between them and the guards. Parsifal remembers the past and the action is thus portrayed, with the current Parsifal (the singer Jonas Kaufmann often "apart" from the action) and another Parsifal (an actor), younger and the main subject of the action. In the first act, Kundry is a journalist who interviews and photographs prisoners (the Knights of the Grail). Tattoos are central to staging and represent a large part of opera symbology. It is a captivating staging and of great psychological intensity.

The 2nd act takes place in an editorial of a fashion magazine, Schloss, where Parsifal is the expected model. Klingsor is the owner of the agency and Kundry an executive. Kundry's seductive scene on Parsifal is excellent. In the end, she shoots Klingsor.

The 3rd act, again in prison, is the least interesting. Titurel was cremated and instead of a coffin, Amfortas brings a small urn with the ashes, places them on his face and throws them over the others. At the end Parsifal opens the cells and everyone leaves in freedom.

It is a staging of debatable interest that has nothing to do with Wagner's original idea, but it is very showy, psychologically intense and is very well done.

As for the singers, better would be impossible.

Georg Zeppenfeld was a very competent Gurnemanz, with an excellent voice and always efficient interpretation.

Ludovic Tézier did an exceptional Amfortas, both in vocal and scenic interpretation. He was always excellent, but in the first act, he was memorable.

Elina Garanca, for me, was the best of the night. She played Kundry with remarkable vocal power, magnificent timbre, perfect pitch and, on the stage, was a top actress. Fabuloust!!

Jonas Kaufmann was a quality Parsifal, especially in the 2nd act, where he was excellent. As he had a “double”, sometimes his scenic interventions seemed somewhat bizarre.

Finally Wolfgang Koch was a convincing Klingsor. This singer is excellent for the evil roles of Wagner's operas.

Parsifal is not an opera for beginners but this is a performance of excellent quality that can be seen on the website below for the next few weeks:

 https://www.arte.tv/en/videos/102879-000-A/richard-wagner-parsifal/

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