sexta-feira, 5 de junho de 2020

NY Philharmonic Concert – Fevereiro / February 2020




(Text in English below)

 

Estando em Nova Iorque por outro motivo, não deixei escapar a oportunidade de ver e ouvir um concerto na New York Philharmonic.

 





Sob a direcção do maestro titular Jaap van Zweden ouvimos três obras:

 




1- Concerto em Ré maior para violino e orquestra Op. 77 de Brahms. Um dos meus favoritos. Ouvi mas uma vez a grande violinista Janine Jansen que tocou um Stradivarius 1707 “Rivaz – Baron Gutmann” emprestado pela Dextra Musica.

 






Foi uma interpretação fabulosa, infelizmente interrompida entre os andamentos por aplausos, mas no final a explosão do público foi enorme e merecida.

 

2- Stride (em estreia mundial) de Tania León (compositora de origem cubana residente em Nova Iorque).

 

3- A terminar a suite do Cavaleiro da Rosa de R. Strauss, também tocada ao mais alto nível.

 



E um interessante apelo para quem tosse!

 


 

 

NY Philharmonic Concert - February 2020

 

Being in New York for another reason, I did not miss the opportunity to see and hear a concert at the New York Philharmonic.

Under the direction of the principal conductor Jaap van Zweden we heard three works:

 

1- Concert in D major for violin and orchestra Op. 77 by Brahms. One of my favorites. I once heard the great violinist Janine Jansen who played a Stradivarius 1707 “Rivaz - Baron Gutmann” on loan from Dextra Musica.

It was a fabulous interpretation, unfortunately interrupted between the parts by applause, but in the end the public explosion was huge and well deserved.

 

2- Stride (in world premiere) by Tania León (composer of Cuban origin residing in New York).

 

3- Der Rosenkavalier Suite by R. Strauss, also played at the highest level.

 

And an interesting appeal for those who cough!

sexta-feira, 22 de maio de 2020

WIENER MOZART KONZERTE, Musikverein, Viena, Setembro / September 2019




(Text in English below)

O concerto não me decepcionou porque foi o que temi, um espectáculo superficial e ligeiro, para principiantes musicais, com partes para o público acompanhar com palmas ritmadas, etc. O público era na sua grande maioria oriental e indisciplinado, muitas pessoas passaram todo o concerto a mexer nos telemóveis, desobedecendo aos pedidos insistentes do pessoal para o não fazerem, o que perturbou muito a atenção.



A sala - Wiener Grosser Musikvereinssaal - de onde se transmitem anualmente os concertos de Ano Novo, é maravilhosa e foi por ser lá que optei por este concerto em vez da ópera Orfeu nos infernos na Volksoper. Má escolha!! Teria sido melhor ir à ópera, mesmo sendo uma que não aprecio. Mas a sala é impressionante!












Foi um espectáculo muito caro e curto, durou pouco mais de 1 hora. Tudo textos musicais curtos, bem conhecidos e populares, de Mozart: final da Sinfonia Nº 35, Eine kleine Nachtmusik, Alla turca (rondo), 1º andamento da Sinfonia Nº 40 e, de óperas, do Don Giovanni as árias Deh, vieni alla finestra e Finch’han dal vino e o dueto com a Zerlina Là ci darem la mano, do Idomeneo a ária da Elettra D’Oreste, d’Ajace, das Bodas de Figaro a ária Non piu andrai, do Rapto do Serralho a ária da Constanze Martern aller Arten e da Flauta Mágica a ária do Papageno Der Vogelfänger bin ich ja e o dueto do Papageno com a Papagena Pa - pa.
Os músicos da Wiener Mozart Orchester estavam mascarados, com trajos garridos e cabeleiras da época. Dirigiu o maestro Vinicius Kattah.





Ouvimos dois solistas vocais, o barítono Sokolin Asllani, com uma prestação banal, timbre agradável mas nada empolgante, e a soprano Sera Gösch que gritou a plenos pulmões. Tem uma voz nasalada e feia e foi o exemplo que o canto lírico requer muito muito mais do que gritar alto. Nunca esteve bem, mas a ária da Constanze foi tenebrosa.



Contudo, houve um momento de qualidade superior - a abertura das Bodas de Fígaro! Mas foi pouco.




Como encores tivemos da família Strauss o Danúbio Azul e a Marcha Radetzky, não estivéssemos nós em Viena e no Musikverein.


Uma experiência a não repetir!

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WIENER MOZART KONZERTE, Musikverein, Vienna, October 2019

The concert did not disappoint me because it was what I feared, a light cursory concert for beginners, with parts for the audience to participate with rhythmic clapping, etc. The audience was mostly eastern, and many people spent the entire concert fiddling with their cell phones, disobeying the insistent requests from staff not to do so, which greatly disturbed our attention.

The hall - Wiener Grosser Musikvereinssaal - from which the New Year's concerts are broadcast annually is wonderful and it was because of this that I opted for this concert instead of the opera Orpheus in the underworld at Volksoper. Bad choice!! It would have been better to go to the opera, even though I don't like this one.

It was a very expensive and short concert, it lasted just over 1 hour. All musical texts were Mozart's short, well-known and popular musics: Symphony No. 35 finale, Eine kleine Nachtmusik, Alla turca (rondo), Symphony No. 40 Molto Allegro and, from operas, from Don Giovanni the arias Deh, vieni alla finestra and Finch'han dal vino and the duet with Zerlina Là ci darem la mano. From Idomeneo the aria of Elettra D'Oreste, d'Ajace, from the Marriage of Figaro the aria Non piu andrai, from the Abduction of the Seraglio the aria of Constanze Martern aller Arten and from the Magic Flute the aria of Papageno Der Vogelfänger bin ich ja and the Papageno duet with Papagena Pa - pa.
Wiener Mozart Orchester musicians were masked, with gaudy costumes and wigs of the time. Directed the conductor Vinicius Kattah.

We heard two vocal soloists, baritone Sokolin Asllani, with a banal performance, pleasant but not very exciting tone, and soprano Sera Gösch who screamed at the top of her lungs. She has an ugly voice, and she was the example that lyric singing requires much more than shouting loud. She has never been well, but Constanze's aria was a torment.

However, there was a moment of superior quality - the overture of the Figaro’s Marriage! But it was little. As encores we had from the Strauss family the Blue Danube and the Radetzky March, after all we were in Vienna in the Musikverein.

An experience not to be repeated!

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sexta-feira, 8 de maio de 2020

LE NOZZI DI FIGARO / AS BODAS DE FIGARO METropolitan Opera, Fevereiro / February 2020



 (review in English below)

As Bodas de Fígaro de Mozart na produção da da METropolitan Opera de Nova Iorque tem encenação de Richard Eyre.



A acção passa-se em Sevilha e foi trazida para os anos 1930, mas a encenação é convencional e desinteressante. A distinção entre os nobres e os criados só é evidente no guarda roupa e esgota-se por aí. O palco é rotativo e vêem-se várias partes do palácio, incluindo o salão, o quarto da condessa, o quarto do Fígaro e os jardins. As paredes têm uma decoração mourisca e são muito altas, minimizando por vezes o que se passa no palco.




Logo na abertura é dado o mote, aparecendo uma mulher nua da cintura para cima a vestir-se apressadamente e, depois, o conde em robe vermelho e com ar satisfeito, enquanto a condessa dorme sozinha no seu quarto. Tudo o resto se passa no mesmo cenário que, apesar da rotação do palco, não tem grande interesse.



O maestro Cornelius Meister não fez um bom trabalho. Alguns desencontros, sobretudo no início e a orquestra sempre morna. Nem parecia Mozart.
Adam Plachetka foi um Figaro apagado vocalmente, com emissão irregular e sem grande vivacidade no palco.



Hanna-Elisabeth Müller esteve bem como Susanna, tanto no canto como na representação cénica.



Maurizio Muraro foi de longe o melhor como Dr. Bartolo, com uma voz grave poderosa e afinada.


Etienne Dupuis fez um Conde desinteressante, estático e que se deixou afogar pela orquestra várias vezes.



Amanda Woodbury foi uma Condessa de voz bonita e afinada. Contudo, em palco cumpriu sem encantar.



MaryAnn McCormick foi uma Marcellina banal, Marianne Crebassa um óptimo Cherubino, 



e Maureen McKay uma Barbarina apagada.


Esperava melhor destas Bodas.





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LE NOZZI DI FIGARO, METropolitan Opera, February 2020

Mozart's Marriage of Figaro in the staging of New York's METropolitan Opera was produced by Richard Eyre.
The action takes place in Seville and was brought to the 1930s, but the staging is conventional and uninteresting. The distinction between nobles and servants is only evident in the clothes and ends there. The stage is rotating and one can see several parts of the palace, including the hall, the countess's room, Figaro's room and the gardens. The walls have a Moorish decor and are very tall, sometimes minimizing what goes on the stage.
Right at the opening the motto is given, a naked woman appears from the waist up, hurriedly dressing, and then the count in a red robe and looking satisfied, while the countess sleeps alone in her room. Everything else takes place in the same scenario that, despite the rotation of the stage, has little interest.
Conductor Cornelius Meister did not do a good job. Some failures, especially at the beginning and the orchestra was always lukewarm. It didn't even sound like Mozart.

Adam Plachetka was a Figaro vocally erased, with irregular emission and without great vividness on the stage. Hanna-Elisabeth Müller was just well as Susanna, both in singing and performing. Maurizio Muraro was by far the best as Dr. Bartolo, with a powerful and tuned bass voice. Etienne Dupuis made an uninteresting, static Count who was drowned by the orchestra several times. Amanda Woodbury was a Countess with a beautiful and tuned voice. However, on stage she fulfilled without enchantment. MaryAnn McCormick was a banal Marcellina, Marianne Crebassa a great Cherubino, and Maureen McKay a trivial Barbarian.

I expected better from this marriage.

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sexta-feira, 24 de abril de 2020

MADAMA BUTTERFLY, English National Opera, Março / March 2020




(review in English below)

A encenação da Madama Butterfly de Anthony Minghella é, para mim, uma das mais belas encenações de opera a que assisti. Por isso, sempre que tenho oportunidade, não perco a oportunidade de a rever. Foi o caso desta vez na English National Opera no Coliseu de Londres.

Aqui a encenação é ainda mais bonita não só porque o palco é mais pequeno como também por incluir pormenores que, por exemplo, não são contemplados na encenação de Nova Iorque.

O maestro Martyn Brabbins teve uma boa direcção da orquestra. O Coro esteve ao mais alto nível, sobretudo na abertura da terceira parte, quando canta fora do palco.



Cio-Cio-San (Madama Butterfly) foi superiormente cantada pela soprano galesa Natalya Romaniw. É um papel de grande exigência cénica e vocal e a cantora este à altura de ambas. Tem uma voz versátil, de grande volume e agudos seguros, muito adequada à personagem.




Também excelente foi a Suzuki da mezzo Stéphanie Windsor-Lewis, com um registo grave bonito e imponente.



O tenor Adam Smith fez um Pinkerton muito aceitável, o timbre não é bonito mas não desafinou, embora por vezes tenha cantado em esforço.



Os menos impressionantes foram o barítono Roderick Williams que fez um Sharpless (Consul Americano) desinteressante. A voz é pequena e deixou-se afogar frequentemente pela orquestra. 



Tanbém o Goro de Alisdair Elliott não impressionou.



Mas, graças à dupla Puccini – Minghella, desde que a soprano e a orquestra estejam à altura, assistimos a um espectáculo verdadeiramente deslumbrante.







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MADAMA BUTTERFLY, English National Opera, March 2020

Anthony Minghella's production of Puccini’s Madama Butterfly is, for me, one of the most beautiful opera productions I have ever seen. So whenever I can, I don't miss the opportunity to review. It was the case this time at the English National Opera in London's Coliseum.

Here the staging is even more beautiful, because the stage is smaller, as it also includes details that, for example, are not included in the New York staging.

Conductor Martyn Brabbins had a good direction of the orchestra. The choir was at the highest level, especially at the opening of the third part, when they sing offstage.

Cio-Cio-San (Madama Butterfly) was superiorly sung by the Welsh soprano Natalya Romaniw. It is a role of great musical and vocal demand and the singer performs at this level. She has a versatile voice, great volume and good top register, very suitable for character.

Also excellent was Suzuki, interpreted by mezzo Stéphanie Windsor-Lewis, with a low impressive register.

Tenor Adam Smith was very acceptable as Pinkerton. His timbre is not beautiful, but he sang in tune, although sometimes with effort.

The least impressive were baritone Roderick Williams who was an uninteresting Sharpless (American Consul). The voice is small and is often drowned by the orchestra. Alisdair Elliott's Goro did not impress as well.

But, thanks to the duo Puccini - Minghella, whenever the soprano and the orchestra are good, we watch a gorgeous show.

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