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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

DON PASQUALE – Teatro Nacional de São Carlos – 4 Novembro 2012





(review in english below)

A até agora anunciada curta Temporada do Teatro Nacional de São Carlos iniciou-se com a ópera cómica de Donizetti: Don Pasquale.

Pessoalmente, e quando considero outras do mesmo género do compositor como o Elixir do Amor ou A Filha do Regimento, sinto que esta não é tao cativante do ponto de vista de argumento e da qualidade musical.

Esta produção é uma produção original do Teatro La Fenice por Italo Nunziata. A acção, originalmente passada no século XIX, é transposta para os anos 30 do século passado sem incoerências até porque a história é intemporal. O velho Don Pasquale nao quer que o sobrinho Ernesto case com Norina. O seu amigo e médico Doutor Malatesta engenha um esquema para que os jovens se unam, passando por arranjar uma noiva jovem  para o velho, que será a própria Norina sob o nome de Sofronia e tida como irmã do médico. Depois de casados, a inocente e angelical Sofronia transforma-se numa mulher gastadora e que manda no marido, levando Don Pasquale a lamentar o facto de se ter casado. No final acaba por Norina ficar com Ernesto e Don Pasquale a perdoar a partida.

José Fardilha precisa de pouca caracterização especial para nos fazer acreditar que é Don Pasquale, um idoso com barriguinha mas ainda com algum charme. A sua natural e cativante capacidade como actor encontra perfeito suporte numa voz de qualidade invejável.

Yannis Yanissis faz boa parelha como Doutor Malatesta. Vocalmente muito bom e com uma interpretaçãoo cómica credível, inteligente, elevada, sem excessos desnecessários.

Mathias Vidal tem um timbre delicioso como o que esperamos ouvir num tenor de bel canto. Tem um ligeiro toque especial na voz que nao sei caracterizar mas que me agrada e que, num momento da célebre ária “Com’è gentil”, me parecdu villazonista. Fico na dúvida se poderá aventurar-se em papéis de bel canto mais exigentes até porque alguns dos agudos me pareceram no limite. Também com ele não precisamos de imaginar Ernesto porque fisicamente faz uma personagem mais que perfeita na sua simplicidade.

Eduarda Melo, que conheci e adorei no papel de Despina em Janeiro, não me convenceu no primeiro acto. A voz é firme, cristalina, tem a habilidade necessária para os malabarismo do bel canto, mas os seus agudos, por vezes algo estridentes, perdem personalidade quando comparados com o registo mais grave. No segundo e terceiro actos, onde a acção favorece a sua tendência intrínseca para o humor, esteve melhor mas, embora com momentos felizes, não fico convencido de que a sua voz seja talhada para este papel.

Frederico Santiago cumpriu decentemente o papel de falso notário.

A Orquestra esteve muito bem sob a direcção de Carlo Rizzari.

Um Teatro com muitos lugares vagos, com um público algo apático, fizeram-me sentir um certo vazio emocional, numa produçãoo digna, com qualidade não espectacular mas que merece ser vista, particularmente para quem seja fã de Don Pasquale.


DON PASQUALE - Teatro Nacional de São Carlos - November 4, 2012


The short season so far announced by the Teatro Nacional de São Carlos began with the comic opera by Donizetti: Don Pasquale.

Personally, when I consider others of the same gender by the composer like Elisir d’amore or LA Fille du Regiment, , I feel that this one is not so appealing from the standpoint of argument and musical quality.

This production is an original production from the Teatro La Fenice by Italo Nunziata. The action, originally set in the nineteenth century, is transposed into the 30s of last century with no inconsistencies because the story is timeless. The old Don Pasquale does not want his nephew Ernesto to marry Norina. The doctor and his friend Doctor Malatesta thinks of  a scheme for the youngsters to end uo together, through arranging a young bride to the old man, which is Norina under the name of Sofronia, the presumed sister of Malatesta. Once married, the innocent and angelic Sofronia becomes a woman who loves to spend money and to boss her husband leading Don Pasquale to regret having married. At the end, Norina and Ernesto geto together and Don Pasquale forgives the prank.

José Fardilha needs little special characterization to make us believe he is Don Pasquale, an elderly tummy man but still with some charm. His natural and captivating ability as an actor is perfect, supported by a voice of enviable quality.

Yannis Yanissis makes a solid team as Doctor Malatesta. Vocally very good and with a believable comic interpretation, intelligent, elevated, without unnecessary excesses.

Mathias Vidal has a delicious timbre, the one we expect to hear in a bel canto tenor. It has a slight twist in his voice that I cannot explain but that I like and that at a time of the famous aria "Com'è gentil," sounded me “villazonist”. I am in doubt whether he can venture into more demanding bel canto roles because some of his high notes seemed on edge. With him we also do not have to try to imagine Ernesto because physically he makes a perfect character, in his simplicity.

Eduarda Melo, who I knew and loved in the role of Despina in January, did not convince me in the first act. The voice is strong, clear, has the necessary skill for juggling bel canto, but her hish notes, sometimes a bit strident, lose personality when compared with the more lower pitch. In the second and third acts, where the action favors her intrinsic tendency for humor, she was better but, despite some good moments, I'm not convinced that her voice is cut out for this role.

Frederico Santiago decently fulfill the role of a false notary.

The Orchestra was very good under the direction of Carlo Rizzari.

A Theater with many empty seats, with a somehow apathetic audience, made me feel a certain emotional emptiness, in dignified production, not with a spectacular quality but that deserves to be seen, particularly for anyone who is a fan of Don Pasquale.

sábado, 13 de novembro de 2010

DON PASQUALE – Met Live em HD, Fundação Gulbenkian Novembro de 2010

Don Pasquale é uma ópera cómica de Gaetano Donizetti com libreto do compositor e de Giovanni Ruffini. Conta a história de um velho rico que se quer casar com uma jovem mulher que lhe vai fazer a vida negra até obter o que pretende.

Foi o terceiro presente do Met Live que a Fundação Gulbenkian nos ofereceu.

(Please see review in english below)

Don Pasquale velho e solteiro, quer casar-se com uma mulher jovem e assim deserdar o sobrinho Ernesto que está apaixonado por Norina. Pede auxílio ao amigo Dr. Malatesta que o ajuda a casar-se com “Sofronia”, uma tímida e recatada jovem (Norina disfarçada). Após assinado o (falso) contrato nupcial, esta revela-se e faz a vida negra a Don Pasquale, exigindo-lhe todas as extravagâncias que o dinheiro pode comprar. A relação degrada-se e há insinuação de infedilidade por Sofronia. Juntamente com o Dr. Malatesta a situação é desmascarada e Don Pasquale, apesar de enganado, fica aliviado por se ver livre da mulher e perdoa a todos.

Esta ópera está longe de ser uma das minhas preferidas mas contém algumas árias e duetos interessantes e melodiosos e, para nos recordar que estamos face a uma obra de um compositor belcantista, lá está, entre outras, a bonita serenata de Ernesto Com’ è gentile, talvez a ária mais famosa da ópera.

A encenação de Otto Schenk é clássica, explícita e eficaz. Foi James Levine, o maestro titular, que assumiu a direcção musical. Com a Orquestra da Metropolitan Opera, proporcionou-nos uma boa interpretação da obra. O Coro da Metropolitan Opera também esteve muito bem, como é habitual.

O baixo-barítono americano John Del Carlo foi um Don Pasquale extraordinário. Conseguiu cativar-nos ao longo de todo o espectáculo. A voz era forte, apesar de não ter grande beleza tímbrica. Mas em cena foi insuperável. A figura do velho ridículo a babar-se pela jovem rapariga não podia ter sido melhor. Espantoso!

Anna Netrebko, soprano russo, foi uma Norina / Sofronia divertida e também marcante. O papel não se presta à expressão de grandes emoções mas, mesmo assim, emprestou-lhe uma óptima interpretação, cénica e vocal, e deliciou-nos com as suas intervenções. Continuo a achar que a voz está cada vez melhor.
Os leitores deste blogue sabem que, de entre os três Fanáticos que aqui regularmente escrevem, as opiniões sobre Anna Netrebko são muito divergentes, o que é salutar. Desde uma cantora da moda a uma intérprete avassaladora, de tudo se tem escrito por cá. Serei, seguramente, o que mais admira este grande soprano, a quem já vi e ouvi interpretações arrebatadoras como, por exemplo, em Julho passado na Manon de Massenet. Assim, tendo em conta os muitos momentos de incomensurável prazer que Anna Netrebko já me proporcionou, sinto um grande apreço pela cantora e, à partida, acho sempre que vou gostar de a rever. Foi o que aconteceu, embora reconheça que a prefiro ver em papéis mais dramáticos, apesar de ela ter afirmado que gosta de não morrer tantas vezes em cena.

O barítono polaco Mariusz Kwiecien foi um Dr. Malatesta surpreendente. Teve uma irrepreensível presença em palco e excelentes qualidades vocais, imprime nuances interessantes à interpretação, tem um timbre de beleza cativante e mantém a mesma qualidade em todos os registos. A cumplicidade cénica com a Netrebko foi admirável.

Ernesto foi interpretado pelo tenor americano Matthew Polenzani. Foi o elo mais fraco deste elenco superior. Cenicamente esteve aquém do que esperei. A voz também não me impressionou. Achei-a pouco expressiva, um timbre frequentemente metálico, que não era bonito e não mostrou grande maleabilidade.


Muitos consideram Don Pasquale a obra prima das óperas cómicas de Donizetti. Não partilho dessa opinião pois acho que O Elixir do Amor é superior. Tem personagens vocais semelhantes, Adina, Nemorino, Belcore e Dr. Dulcamara, mas todas elas com trechos musicais mais marcantes.

Esta récita ilustrou na perfeição o que referi no texto que escrevi no início da semana a propósito da importância que dou ao ouvir e ver a ópera. Se hoje só tivéssemos ouvido, seguramente teríamos perdido grande parte do espectáculo, que foi muito mais do que música e canto.
E, mais um excelente espectáculo que nos foi proporcionado pela Gulbenkian.
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DON PASQUALE - Met Live in HD, the Gulbenkian Foundation, November 2010

Don Pasquale is a comic opera by Gaetano Donizetti with libretto by the composer and Giovanni Ruffini. It tells the story of a rich old man who wants to marry a young girl who will make his life miserable until she gets what she wants.
This was the third Met Live opera offered this year by the Gulbenkian Foundation.



Don Pasquale, an old and single man, wants to marry a young girl and move away his nephew Ernesto, who is in love with Norina. He asks his friend Dr. Malatesta for help. Dr. Malatesta helps him to marry "Sofronia," a shy young woman (Norina in disguise). After signing the (fake) marriage contract, she reveals herself and makes Don Pascuale’s life miserable, demanding all the extravagances that money can buy. The relationship deteriorates and Don Pasquale discovers that his wife will meet another man, Ernesto. Along with Dr. Malatesta, the situation is unmasked, Don Pasquale is relieved to get rid of Sofronia, and forgives everyone.

This opera is far from being one of my favorite ones but it contains some interesting and melodious duets and arias. The opera includes, among others, the beautiful belcanto serenade of Ernesto Com 'è gentile, perhaps the most famous aria of the opera.

The staging by Otto Schenk is classic, clear and effective. James Levine conducted the Metropolitan Opera Orchestra and offered us a good interpretation of the work. The Choir of the Metropolitan Opera was also very good, as usual.

American bass-baritone John Del Carlo was an extraordinary Don Pasquale. He managed to captivate the audience throughout the performance. The voice was strong but the timbre was not extremely beautiful. But the performance unsurpassed. The ridiculous figure of the old man who wants a young girl could not have been better. Amazing!

Anna Netrebko, Russian soprano, was a fun and impressive Norina / Sofronia. The character is not prone to the expression of strong emotions, but even so, she had a great vocal and artistic performance, and delighted us on stage. I think her voice is getting better.
The readers of this blog know that among the three fanatics who regularly write here, opinions on Anna Netrebko are widely divergent. From “the fashion singer” to “a singer of overwhelming qualities”, everything has been written here. I am, for sure, the greatest admirer of Netrebko among the three of us. I have already seen several astonishing performances as, for example, last July in Massenet's Manon. Thus, taking into account the many moments of immeasurable delight that Anna Netrebko has given me, I feel a great appreciation for the singer and I am always sure I will like her whenever I see her again. That was what happened, although I admit I prefer to see her in dramatic roles, although she said “It is so nice not to die for a chance”.

Polish baritone Mariusz Kwiecien was a fantastic Dr. Malatesta. He had an impeccable stage presence, has excellent vocal qualities, with interesting vocal nuances. He has a captivating beauty of tone and maintains the same quality in all scale. The complicity with Netrebko was admirable.

Ernesto was played by the American tenor Matthew Polenzani. He was the weakest part of this excellent cast. Artistically he was less impressive than expected. The voice also did not impress me. I did not found it very expressive, often with a metal timber, which was not nice and did not show great flexibility.


Many consider Don Pasquale the masterpiece of comic operas by Donizetti. I do not share this view because I think L’Elisir d’Amore is better. It has similar vocal characters, Adina, Nemorino, Belcore and Dr. Dulcamara, but all with more striking pieces of beautiful music.

This performance illustrated perfectly what I said in the text that I wrote earlier this week about the importance I give to hear and see opera. If we had only heard today’s performance, surely we would have lost much of the show, which was much more than music and singing. This was another great performance that has been provided by the Gulbenkian Foundation.


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