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domingo, 5 de dezembro de 2021

20ª Gala de Ópera da Universidade de Lisboa, Dezembro 2021



A 20ª Gala de Ópera da Universidade de Lisboa decorreu na Aula Magna no dia 4 de Dezembro. 



Actuaram a Orquestra Sinfónica Juvenil, o Coro de Câmara da Universidade de Lisboa, o Coro de Câmara do IGL, o Vocal Da Capo e o Incognitus Ensemble. A direcção musical foi de Christopher Bochmann.

O programa foi totalmente dedicado a G. Verdi, com excertos das óperas Nabucco, I Lombardi, Rigoletto, Il Trovatore, La Traviata e Don Carlo. Foram escolhidos trechos muito populares para agradar a toda a assistência, mesmo a que pouco conhece ópera, e assim aconteceu. 




Os cantores solistas foram Alexandra Bernardo (soprano), 




Larissa Savechenko (contralto), 




Alberto Sousa (tenor) e 




Armando Possante (barítono).




Continuamos a atravessar um período pandémico terrível a nível global. No que à ópera respeita, há já grande e diversificada oferta na generalidade dos países europeus. No entanto, considero que ainda é arriscado viajar, não tanto por medo de contrair a COVID-19, mas mais por podermos ser subitamente apanhados numa quarentena de semanas ou num súbito encerramento de fronteiras.

Em Portugal, ao contrário do que acontece na maioria dos países europeus, a ópera é quase inexistente e qualquer espectáculo sério que apareça é muito bem-vindo. Foi o caso da 20ª Gala de Ópera e, por isso, não vou ser crítico com os intervenientes no espectáculo.



Direi apenas que a qualidade das interpretações foi muito diversa, mas gostaria de salientar a que foi, para mim, a grande surpresa da noite – a soprano Alexandra Bernardo. Tem um vozeirão impressionante, uma amplitude vocal invejável e um timbre bonito. Há anos que não ouvia um cantor português com tanto potencial. A voz precisa de ser “trabalhada” porque estamos perante um diamante que está ainda por lapidar. Uma cantora a seguir!



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segunda-feira, 23 de março de 2015

DON GIOVANNI , Teatro Thalia, Lisboa, 07/03/2015

  


Texto de José António Miranda

DON GIOVANNI (Wolfgang Amadeus Mozart), ópera em dois Actos, libreto de Lorenzo Da Ponte.
Direcção musical: Pedro Amaral
Direcção cénica: Jorge Vaz de Carvalho
Roupas: José António Tenente

Don Giovanni: Jorge Martins
Leporello: José Corvelo
Donna Anna: Alexandra Bernardo
Donna Elvira: Catarina Archer
Don Octavio: Carlos Monteiro
Zerlina: Camila Mandillo
Masetto/Il Commendatore: André Henriques

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Coro Lisboa Cantat     Dir: Jorge Carvalho Alves
Cravo: Joana Barata

Produção: Ateliê de Ópera da Metropolitana

Uma surpreendente proeza esta, a de conseguir apresentar a ópera de Mozart numa auto-denominada "versão semi-cénica" sem cair na palhaçada de mau gosto em que frequentemente estas apresentações híbridas se transformam.
Pelo contrário, o que vimos no espaço cenográfico do Teatro Thalia (porque em rigor do seu palco à italiana o que resta é o espaço) foi um belíssimo espectáculo que poderia sem problema ser apresentado em qualquer um dos nossos teatros líricos sem envergonhar os seus autores. O mérito é antes de mais de Vaz de Carvalho.




A ausência de cenários, de adereços e de maquinaria cénica ou de trabalho da luz, a orquestra ocupando a quase totalidade da zona central do espaço cénico deixando apenas para os cantores uma estreita faixa junto do proscénio, todos estes factores não transformaram o espectáculo numa versão de concerto de uma ópera.

Graças ao cuidadoso trabalho de actores, através da inteligente utilização dos únicos recursos disponíveis (vocais, corporais e espaciais) antes assistimos àquilo que poderemos denominar como uma ópera apresentada numa opção cénica minimalista, teatro lírico sem dúvida.

A qualidade global do espectáculo foi claramente superior à de apresentações do mesmo tipo recentemente vistas no São Carlos ou no auditório da Fundação Gulbenkian, e isso é também verdade mesmo quando as analisamos sob o ponto de vista estritamente técnico vocal.

Os solistas em cena, na sua maioria participantes no denominado Ateliê de Ópera da Metropolitana (infelizmente por aquelas bandas não se conhece a tradução portuguesa do francês atelier), foram profissionais esforçados até ao limite das suas capacidades e demonstraram em geral um considerável domínio técnico dos seus instrumentos vocais.

Devo realçar em particular a magnífica actuação vocal de Alexandra Bernardo (Donna Anna) e o perfeito desempenho global de José Corvelo (Leporello).

À uniformidade qualitativa dos solistas e coro, também ele muito bem, correspondeu no entanto um desempenho de menor qualidade por parte da orquestra. Provavelmente o facto de ter à sua frente todo o espectáculo terá contribuído para uma menor concentração dos músicos, e a sonoridade global terá sido por isso prejudicada sobretudo a nível da expressividade dinâmica.

Por outro lado, a posição do maestro, com os cantores fora do seu campo de visão na maior parte do tempo, poderá parcialmente explicar alguns desacertos momentâneos, ou mesmo a opção por um tempo algo arrastado que foi patente nalguns momentos.

No entanto, e apesar do cansaço visível em todos como resultante de o início do espectáculo ter sido erradamente programado para uma hora tardia, a minha sensação ao sair da sala na madrugada de domingo era a de ter mais uma vez tido a oportunidade de verificar que, apesar das malfeitorias a que nos últimos tempos tem sistematicamente sido submetida, a cena operática doméstica está viva e plena de valores que importa acarinhar.

Sem esse cuidado, que depende muito menos do que parece dos recursos materiais, mas sobretudo de muito mais inteligência do que a que vemos em acção, teremos inevitavelmente a repetição do tradicional cenário de fuga para o estrangeiro para os novos valores que despontam.

E como resultado óbvio de tal fatalidade, a persistência doméstica de um público envelhecido e satisfeito no seu provincianismo, que não consegue renovar-se senão marginalmente.
E de facto, como se compreende senão por grosseira falta de visão, que este espectáculo tenha sido programado para o mesmo dia e hora em que, no Teatro São Luiz era apresentado o excelente trabalho do Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de Lisboa. Haja deus!

José António Miranda    09/03/2015