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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

LADY MACBETH OF MTSENSK, METropolitan OPERA, Outubro / October 2022

(Review in English below)

Dmitri Shostakovich escreveu esta ópera ousada quando era muito jovem. Passa-se no distrito de Mtsensk, cerca de 240 Km a sul de Moscovo, e na Sibéria, para onde os criminosos eram deportados ao longo da história do País. A encenação de Graham Vick traz a acção para meados do Séc XX. 



Katerina Ismailova leva uma vida desinteressante e sem paixão pelo marido Zinovy Ismailov. O sogro Boris Ismailov acusa-a de não lhe dar um neto, responsabilidade que ela atribui a Zinovy. Surge um novo empregado, Sergey, com quem Katerina se envolve sexualmente. A criada Aksynia diz que ele é um conquistador. Ao serem vistos pelo sogro, Katerina mata-o com cogumelos envenenados. O marido também é assassinado por ambos. Sergei e Katerina casam-se mas o corpo do marido é descoberto e são deportados para a Sibéria. Katerina encontra Sergei que a rejeita e lhe pede umas meias para dar a Sonyetka, uma nova conquista. Numa ponte, Katerina empurra Sonyetka e lança-se também à água, morrendo ambas afogadas.


A direcção musical foi da maestrina  Keri-Lunn Wilson. apesar de este tipo de música não ser o meu favorito, a Orquestra e o Coro foram excelentes


Os solistas foram notáveis. A soprano Svetlana Sozdateleva fez uma Katerina Ismailova muito boa em cena, a encenação também ajuda, e a interpretação vocal foi irrepreensível. Voz de timbre muito agradável, bem audível em toda a extensão e transmitindo os diferentes estados de espírito da personagem.

Também a um nível superlativo esteve o tenor Brandon Jovanovich como Sergei. Notável tanto no desempenho cénico como no vocal, oferecendo-nos uma interpretação emotiva, convincente e sempre sobre a orquestra, mesmo quando esta toca em forte.

 Nikolai Schukoff foi um Zinovy Ismailov correcto, mas não mais que isso. A sua intervenção também é menor quando comparada com os restantes solistas.

Verdadeiramente fabuloso e o melhor da noite foi o baixo John Relyea como Boris Ismailov. Que voz! Timbre muito bonito, interpretação marcante e uma potência vocal tal que parecia cantar com amplificação. Um espanto!

Nos papéis secundários Maria Barakova foi Sonyetka, Goran Juric um padre, Alexey Shishlyaev o sargento da policia e Alexander Tsymbalyuk um velho condenado, todos com interpretações de qualidade.




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LADY MACBETH OF MTSENSK, MEtropolitan OPERA, October 2022

Dmitri Shostakovich wrote this daring opera when he was very young. It takes place in the district of Mtsensk, about 240 km south of Moscow, and in Siberia, where criminals were deported throughout the country's history. Graham Vick's staging brings the action to the mid-20th century.

Katerina Ismailova lives an uninteresting and passionless life for her husband Zinovy ​​Ismailov. Her father-in-law Boris Ismailov accuses her of not giving him a grandchild, a responsibility she attributes to Zinovy. A new employee appears, Sergey, with whom Katerina becomes sexually involved. The maid Aksynia says he's a conqueror. Upon being seen by her father-in-law, Katerina kills him with poisoned mushrooms. The husband is also murdered by both. Sergei and Katerina get married but her husband's body is discovered and they are deported to Siberia. Katerina finds Sergei who rejects her and asks her for some socks to give Sonyetka, a new conquest. On a bridge, Katerina pushes Sonyetka and throws herself into the water, both drowning.

The musical direction was by conductor Keri-Lunn Wilson. Although this type of music is not my favorite, the Orchestra and the Choir were excellent.

The soloists were remarkable. Soprano Svetlana Sozdateleva made a very good Katerina Ismailova on stage, the staging also helps, and the vocal interpretation was impeccable. Voice with a very pleasant timbre, well audible throughout and conveying the different moods of the character.

Also at a superlative level was tenor Brandon Jovanovich as Sergei. Remarkable in both scenic and vocal performance, offering us an emotional, convincing interpretation always above the orchestra, even when it is playing loudly.

Nikolai Schukoff was a correct Zinovy ​​Ismailov, but no more. His intervention is also smaller when compared to the other soloists.

Truly fabulous and the best of the night was bass John Relyea as Boris Ismailov. What a voice! Very beautiful timbre, outstanding interpretation and such a vocal power that he seemed to sing with amplification. Astonishing!

In supporting roles Maria Barakova was Sonyetka, Goran Juric a priest, Alexey Shishlyaev the police sergeant and Alexander Tsymbalyuk an old convict, all with good performances.

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domingo, 24 de novembro de 2013

O NARIZ de SHOSTAKOVICH / THE NOSE — MetLive in HD, Culturgest, 23.11.2013

(Review in English below)


O Nariz é uma ópera russa escrita por um dos mais influentes compositores do século XX, o génio russo Dmitri Dmitriiyevich Shostakovich (1906-1975).


Completou-a em 1928 com apenas 22 anos de idade, um feito alcançado por muito poucos, sobretudo pela enorme novidade e riqueza criativa que atingiu e que usou como base da sua importante obra musical como, por exemplo, nas suas sinfonias.


O libreto foi elaborado por Yevgeny Zamyatin (escritor russo na linha gogoliana), Georgi Ionin, Alexander Preis e pelo próprio Dmitri Shostakovich. Mas foi este último quem, de facto, mais se lhe dedicou. O libreto é a adaptação do conto satírico O Nariz (1836) de Nikolai Gógol (1809-1852), genial autor russo de uma sagacidade, intrepidez e sensibilidade de análise social assinaláveis, autor de Almas Mortas e pai de uma geração literária com nomes onde pontificam Tólstoi e Dostoiévski.
A adaptação é, podemos afirmá-lo, perfeita: não faltam cenas, não faltam os comentários mordazes do autor, não falta o ambiente de loucura absurda e surrealista, ou a agitação de uma São Pertersburgo azafamada, quase caótica. Houve uma atenção ao detalhe imensa ao ponto de quase se poder “dispensar” a leitura do conto original, o que, todavia, não aconselhamos.


A história poderá ser lida com mais detalhe no site do Metropolitan, mas fica aqui um resumo:

Acto I: Num sonho ou na realidade, o barbeiro Ivan Yakovlevich faz o seu trabalho num estado inebriado. Ao acordar, quer comer o pão com cebola que a mulher prepara. Mas quando o parte, encontra, estupefacto, um nariz (“Hoc!”, exclama). Atrapalhado, o barbeiro sai de casa para se desfazer do nariz, mas depara-se sempre com algo que o impede. Entretanto, o assessor de colégio, ou antes, o major Kovaliov acorda e, olhando-se ao espelho, verifica que o seu nariz desaparecera. Perplexo, parte à sua procura. Na Catedral de Kazan encontra um cavalheiro com farda de Conselheiro de Estado que é, nem mais, nem menos, que o seu próprio nariz. Tenta chegar-lhe à fala, mas da conversa nada resulta.

Acto II: O atrapalhado Kovaliov vai à polícia dar parte do desaparecimento do seu nariz e queixar-se de que o seu nariz se faz passar por conselheiro de estado e se anda a passear pela cidade. O polícia recebe-o com maus modos e não lhe dá importância. Kovaliov segue para o jornal. Quer colocar um anúncio sobre o desaparecimento do seu nariz, mas no jornal recusam-lhe a publicação do anúncio. Kovaliov regressa a casa desesperado.

Acto III: O chefe da polícia ordena a captura do homem-Nariz. Correm imensas e contraditórias notícias pela cidade de que um homem na forma de nariz se anda a passear pela cidade. A população mobiliza-se para os diversos locais onde tem havido relatos dessa presença invulgar. Entretanto, o inspector da polícia vai a casa de Kovaliov entregar-lhe o nariz que tinha sido encontrado. Kovaliov tenta em vão colar o nariz. Na sua impossibilidade, chama um médico que lhe diz que, apesar de o poder fazer, não o faz porque o resultado seria pior. Kovaliov, muito aborrecido, envia uma carta a Podtochina acusando-a de lhe ter lançado um feitiço (ela queria casá-lo com a sua filha, mas Kovaliov só queria o flirt). Esta responde-lhe e Kovaliov conclui que ela está inocente. O povo reúne-se e discute este estranho caso quando, entretanto, aparece Kovaliov, satisfeito, já com o nariz de novo no lugar. "Digam o que disserem, acontecem coisas destas no mundo - raramente, mas acontecem."


A música que Shostakovich compôs para esta ópera é notável. Recuando ao ano de 1928, a sua música é extremamente ousada e inovadora, predominando a dissonância. São mais de 500 páginas de música para 30 instrumentos (1 por cada naipe mais percussão, domra e balalaica — instrumentos de cordas russos). Os instrumentos são virtualmente usados como leitmotif: o Nariz é uma flauta alto, Kovaliov é uma corneta e um xilofone, Ivan é uma balalaica.


A Orquestra do Metropolitan esteve em elevadíssimo nível dirigida pelo maestro Pavel Smelkov.


O barítono brasileiro Paulo Szot foi um Kovaliov estupendo. A sua voz tem um timbre muito bonito e pareceu sempre muito confortável na ultrapassagem dos muitos e difíceis desafios que a partitura lhe exigiu. As suas capacidades como actor já foram premiadas pelas suas interpretações em musicais e Szot fez jus aos prémios: foi um Kovaliov a todos os níveis irrepreensível, muito convincente. Mostrou-se cómico, sedutor, atrapalhado e desesperado sempre que se exigia.  A sua cena no jornal, só para dar um exemplo, com todo aquele desespero chorado foi extraordinária. Foi uma actuação digna de um Oscar.


O tenor russo Andrey Popov como Inspector da polícia esteve, também, em muito bom nível. Os seus agudos nunca saíram gritados, foi sempre muito equilibrado e o timbre é muito agradável. Aliou à prestação vocal, uma interpretação cénica de bom nível.

Podíamos falar de muitos outros cantores, mas são tantos... Tiveram todos desempenhos de elevada qualidade e acabamos por destacar o papel de enorme comicidade do médico (o baixo Gennady Bezzubenkov), a beleza tímbrica da soprano Ying Fang (filha de Podtochina e voz feminina na Catedral), o racional funcionário do jornal (o barítono James Courtney),  ou o atrapalhado barbeiro Iakovlevitch (o baixo Vladimir Ognovenko).


O melhor fica para o fim. A encenação do artista plástico sul-africano William Kentridge é absolutamente genial. A observação ao vivo desta encenação deve ser um espectáculo memorável. Conseguiu transportar-nos para o ambiente da Rússia dos anos 20, com todo aquele rebuliço revolucionário: com colagens, incontáveis recortes de jornais, frases em russo e em inglês projectadas, inúmeras projecções em vídeo do compositor, de cavalos projectados usados para “puxar” os cenários das diversas cenas, até de Estaline, do nariz omnipresente... Só visto.


Fica um vídeo com uma entrevista a Kentridge e vários outros do ensaio geral que poderão ajudar a ter uma ideia da dimensão artística notável desta criativíssima encenação.





E não resisto a deixar-vos, também, o link para o vídeo desta produção apresentada anteriormente no Festival d'Aux en Provence com a Opera de Lyon.


Se o magnífico desta ópera fosse só a música moderna de ritmicidade espectacular de Shostakovich, já tinha valido a pena. Se o magnífico desta ópera fosse só a adaptação exemplar do conto de Gógol, já tinha valido a pena. Se o magnífico desta ópera fosse só a encenação hipercriativa de Kentrigde, já tinha valido a pena. A conjugação destes três elementos, aliados às excelentes interpretações com um Szot estelar, tornam esta produção um marco inesquecível.

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(Review in English)

The Nose is a Russian opera written by one of the most influential composers of the twentieth century, the Russian genius Dmitri Dmitriyevich Shostakovich (1906-1975). He completed it in 1928 with only 22 years of age, a feat achieved by very few, especially because of its huge novelty and creative richness that he used as the basis of his later major musical works, for example, in his symphonies.

The libretto was written by Yevgeny Zamyatin (Russian writer in gogolian way) , Georgi Ionin, Alexander Preis and Dmitri Shostakovich himself. But it was the latter who, in fact, was the most dedicated to it. The libretto is an adaptation of the satirical short story The Nose (1836) by Nikolai Gogol (1809-1852), Russian writer of a brilliant social analysis sagacity, intrepidity and sensitivity, author of Dead Souls and father of a literary generation with names where Tolstoy and Dostoevsky pontificate.
The Nose short story adaptation is, we can state it, perfect: there are no missing scenes, the author’s biting comments are all them present, the ambiance of absurd and surreal madness, or the excitement of a bustling and almost chaotic San Petersburg are touchable by our senses. There was an immense attention to detail to the point of almost being able to "waive" the reading of the original tale, which, however, we don’t recommend.

The story can be read in more detail in the Metropolitan website.

The music that Shostakovich composed for this opera is remarkable. Retreating to the year 1928, his music is extremely bold and innovative, predominantly dissonant. Featuring over 500 pages of music for 30 instruments (1 for each section plus percussion, domra and balalaika - Russian stringed instruments). The instruments are virtually used as leitmotif: Nose is an alto flute, Kovalyov is a cornet and a xylophone, Ivan is a balalaika.
The Metropolitan Orchestra was at very high level directed by Pavel Smelkov .

The Brazilian baritone Paulo Szot was a remarkable Kovalyov. His voice has a beautiful tone and he always seemed very comfortable in overcoming many difficult challenges the score required. His skills as an actor have been already awarded for his performances in musicals and Szot showed us why: He was one impeccable and very convincing Kovalyov at all levels. Whenever required, he was humorous, seductive, fumbling and desperate. His scene at the newspaper, just to give an example, with all that crying and despair was extraordinary. It was a performance worthy of an Oscar.

The Russian tenor Andrey Popov as Police inspector and he was also in a very good level. He never came out screaming, his performance was always very balanced with a very pleasant timbre. Allied to vocal performance, he offered us a high level scenic interpretation.

We could mention many other singers, but they were so many ... All had high quality performances and we end by highlighting the role of the physician  comic role (bass Gennady Bezzubenkov) , the timbre beauty of the soprano Ying Fang (as Podtchina’s daughter and female voice in the Kazan’s Cathedral scene), the cerebral newspaper official (baritone James Courtney), or jmbled barber Iakovlevitch (bass Vladimir Ognovenko).

The best is to end. The staging of the South African artist William Kentridge is absolutely brilliant. This production viewed live muts be a memorable show. It is able to transport us to the environment of Russia of the 20s, with all that revolutionary turmoil: with collages, countless newspaper clippings, projected phrases in Russian and English, countless video projections on the composer, the projected horses used to "pull" scenarios of various scenes, even Stalin was there, and, of course, the ubiquitous nose... Only seen. Here is a video with an interview with Kentridge and various other from the final rehearsal that may help you to have an idea of the scale of this remarkable artistic and plenty of creativeness imagination production.

If this opera was just magnificent by Shostakovich’s modern music of spectacular rhythmicity, it had been worthwhile. If this opera was magnificent just due to it’s exemplary adaptation of Gogol's tale, it had been worthwhile. If this opera was magnificent only by hyper-creative Kentdrige’s staging, it had been worthwhile. The combination of these three elements plus with excellent performances with a stellar Szot makes this production a memorable milestone.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Orquestra Sinfónica Juvenil de Caracas — FCG, 20 de Maio de 2012


(review in English below)

A FCG trouxe ao seu Anfiteatro a famosa Orquestra Sinfónica Juvenil de Caracas que integra o plano de formação musical venezuelano El Sistema e que teve Gustavo Dudamel como um dos nomes mais sonantes à sua frente. Actualmente, o Director Musical da orquestra é o venuzuelano Dietrich Paredes.

A primeira obra que ouvimos foi a Sinfonia n.º 3 em Dó menor "com órgão", op. 78 de Camille Saint-Saens. Dedicada a Franz Liszt, foi estreada em Londres em Maio de 1896 sob direcção do próprio Saint-Saens, um compositor bastante apreciado em terras britânicas. Uma das suas mais marcantes características é a integração do órgão ao longo da peça, sendo que a última parte do 2.º andamento é de uma enorme beleza.

A segunda obra foi de Dmitri Shostakovich: Sinfonia n.º 10 em Mi menor, op. 93. Foi estreada em Leningrado em 1953 pouco tempo após a morte de Estaline, sob a direcção de Mravinsky. É uma sinfonia que marca o início do processo de reabilitação do compositor perante as autoridades do regime soviético e que exprime todas as capacidades sinfónicas deste enorme compositor. Está cheia de ritmos e tonalidades e destaca-se o carácter bélico do 2.º andamento.

(fotos FCG)

Ouvimos de ambas as obras uma excelente interpretação, com uma orquestra muito equilibrada entre os diversos naipes e em que os diversos interpretes puderam demonstrar a sua qualidade, apesar da sua juventude, sob a batuta de um maestro experiente e que se mostrou muito entrosado com os músicos.


De notar a boa disposição deste conjunto de jovens músicos e a sua enorme qualidade. É difícil ouvir uma orquestra soar com a qualidade a que tivemos oportunidade de ouvir.
Já vestidos com as cores da bandeira da Venezuela, e após a interpretação das duas peças, ainda nos presentearam com diversos encores de autores latino-americanos, terminando em euforia com o Mambo do West Side Story de Bernstein. Demonstraram cabalmente como a música dita erudita pode ser muito divertida e como pode juntar os jovens em torno de uma actividade ao mesmo tempo exigente e lúdica. O projecto El Sistema é magnífico e deixou o público entusiasmadíssimo!

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Youth Symphony Orchestra of Caracas - FCG, May 20, 2012

The FCG brought to us the famous Youth Symphony Orchestra of Caracas plan that integrates the Venezuelan music education system El Sistema that had Gustavo Dudamel as one of the most influent personality. Currently the Music Director of the orchestra is the Venezuelan Dietrich Walls.

The first piece we heard was the Symphony no. 3 in C minor "with organ," op. 78 by Camille Saint-Saens. Dedicated to Franz Liszt, it was premiered in London in May 1896 under the direction of Saint-Saens, a composer greatly appreciated in British lands. One of the most striking features is the integration of the organ along the piece.

The second work was Dmitri Shostakovich: Symphony no. No. 10 in E minor, op. 93. It was premiered in Leningrad in 1953 shortly after Stalin's death, under the direction of Mravinsky. It's a symphony that marks the beginning of the rehabilitation process of the composer over the authorities of the Soviet regime and that expresses the full capabilities of this great symphonic composer. It is full of rhythms and tones.

We heard from both works excellent interpretations, with an orchestra well balanced between the various suits, and that the various interpreters were able to demonstrate their quality, despite their youth, under the baton of an experienced conductor that was very mingling with musicians.

Please note the willingness of this group of young musicians and their outstanding quality. It is difficult to hear an orchestra sound with the quality that we have heard.
Already dressed in the colors of the flag of Venezuela, and after the interpretation of two parts, still present us with several encores of Latin American composers, ending in euphoria with Mambo from West Side Story by Bernstein. Fully demonstrated how classical music can be said a lot of fun and how young people can gather around an activity both demanding and fun. The project El Sistema is magnificent and left the public in high spirits!