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quinta-feira, 11 de julho de 2013

LUCREZIA BORGIA, Deutsche Oper, Berlim, Abril 2013

(review in english below)

Lucrezia Borgia, ópera de G. Donizetti, foi-nos oferecida pela Deutsche Oper em versão concerto. Juntaram quatro solistas excepcionais e, por isso, assistimos a um espectáculo inesquecível.

A Orquestra e o Coro da Deutsche Oper foram dirigidos pelo maestro Andriy Yurkevych.


A grande atracção do espectáculo foi Edita Gruberova que interpretou a Lucrezia Borgia. Só ela teria valido o espectáculo, mas houve muito mais. Gruberova mantém uma capacidade interpretativa, vocal e cénica, absolutamente invulgares. A cantora está a caminho dos 70 anos mas continua a ser uma das melhores intérpretes de belcanto da actualidade. Foi extraordinária e acho que ninguém conseguiria fazer melhor o papel. Os pianissimi são fabulosos, as notas mais agudas continuam estratosféricas, poderosas e perfeitamente afinadas. O público assim o reconheceu e, no final, foi chamada ao palco várias vezes, sempre sob uma intensidade de aplausos invulgar nos dias de hoje.
Edita Gruberova é um raro exemplo de longevidade canora na plenitude das suas qualidades, só igualada por Plácido Domingo nos dias que correm.


 Mas os restantes solistas foram também excelentes:

O tenor eslovaco Pavel Breslik foi um Gennaro irrepreensível e, pela primeira vez, fiquei totalmente convencido das suas capacidades vocais. É um papel que interpreta há vários anos mas fá-lo ao mais alto nível.


Verdadeiramente excepcional foi o baixo barítono italiano Alex Esposito como Don Alfonso. O cantor foi arrasador. Tem uma voz enorme, belíssima e sempre afinada. A figura é também óptima, o que deixa adivinhar uma interpretação cénica marcante. Uma total revelação para mim e um cantor que tentarei acompanhar.


Maffio Orsini foi interpretado, de forma superior, pelo mezzo eslovaco Jana Kurucová. Outra grande interpretação, a ajudar ao sucesso da récita.


Os papeis secundários estiveram a cargo de Andrew Williams, Seth Carico, Jörg Schörner, Simon Pauly, Álvaro Zambrano, Tobias Keher e Paul Kaufmann e, não destuaram.




Uma Lucrezia Borgia excepcional, que foi pena não ter sido em versão encenada.

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Lucrezia Borgia, Deutsche Oper, Berlin, April 2013

Lucrezia Borgia,opera by G. Donizetti was offered to us by the Deutsche Oper in concert version. It joined four exceptional soloists and therefore we witnessed an unforgettable concert.

The Orchestra and Chorus of the Deutsche Oper were directed by conductor Andriy Yurkevych.

The major attraction of the concert was Edita Gruberova who played Lucrezia Borgia. Only she would have justified the performance, but there was more. Gruberova maintains an absolutely unusual interpretive capacity, vocal and artistic. The singer is on the way to 70 years but she is still one of the best interpreters of belcanto of our times. She was extraordinary and I think nobody could do a better job. The pianissimi are fabulous, the high notes are still stratospheric, powerful and perfectly tuned. The public well recognized it and, in the end, she was called to the stage several times, always under an intensity of applause, unusual these days.
Edita Gruberova is a rare example of longevity in all of her qualities, matched only by Placido Domingo these days.

 But the remaining soloists were also excellent:

Tenor Pavel Breslik was a blameless Gennaro. For the first time I was totally convinced of his vocal abilities. It's a role he plays for several years but he does so at the highest level.

Truly exceptional was bass baritone Alex Esposito as Don Alfonso. The singer was astonishing. He has a huge voice, beautiful and always in tune. His figure is also excellent, which helps him in a striking artistic interpretation. A complete revelation to me and I will try to follow this singer.

Maffio Orsini was fantastically interpreted by mezzo Jana Kurucová. Another great interpretation to help the success of the concert.

The secondary roles were given to Andrew Williams, Seth Carico, Jörg Schörner, Simon Pauly, Álvaro Zambrano, Tobias Keher and Paul Kaufmann and all them were good.

An exceptional Lucrezia Borgia, which was a pity to be in concert version, not staged version.

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

LUCREZIA BORGIA, Bayerische Staatsoper, Munique, Abril de 2011


















(Este foi o único cartaz com que a Bayerische Staatsoper anunciou espectáculo!)
(This was the only poster used by the Bayerische Staatsoper announcing the opera!)

(Review in English below)

Lucrezia Borgia é uma ópera de Gaetano Donizetti com libreto de Felice Romani, segundo Lucrèce Borgia de Victor Hugo.

Lucrezia Borgia, uma mulher conhecedora de venenos, adúltera e assassina, faz o que pode para viver com uma imagem como concebida pelos homens e empenha-se em encontrar novas identidades. O seu filho Gennaro encanta-se por ela à primeira vista, sem saber que é sua mãe. O círculo de amigos denigre o seu nome. Don Alonso, marido de Lucrezia, convencido que Gennaro é seu rival, decide matá-lo, envenenando-o. Contudo, é salvo por Lucrezia que lhe dá um antídoto. Mais tarde são todos envenenados por ela uma segunda vez. Quando Lucrezia se apercebe que o filho está no grupo dos homens envenenados, confessa-lhe que é sua mãe e oferece-lhe novamente o antídoto. Ele recusa e morre também.

A encenação, de Christof Loy, é moderna e simples. O palco está despido e tem em fundo o nome LUCREZIA BORGIA que, com o desenrolar da acção, vai desaparecendo pela esquerda, muito lentamente, sem que antes Genaro arranque o B de Borgia, ficando ORGIA, com as conotações da nova palavra também constantes do libretto. De resto, umas cadeiras simples, ocasionalmente uma mesita e pouco mais. Mas, sem deslumbrar, funciona.


(Some photos are from Bayerische Staatsoper website or programme)


O maestro foi o italiano Paolo Arrivabeni.

O dificílimo papel de Lucrezia Borgia foi interpretado pelo soprano eslovaco Edita Gruberova. Apesar da presença de vários cantores de elevada qualidade, diria que Edita Gruberova é, quase 200 anos depois de o compositor ter escrito a obra, a Lucrezia Borgia de Donizetti. A voz é bela, os pianíssimos são de uma qualidade, frequência e altura inultrapassáveis, o legato perfeito e a coloratura sublime.

Na sua cena inicial Com’è bello! Qualle incanto, no prólogo, consegue transmitir uma afectividade tocante, em total contraste com cenas posteriores. No 2º acto em que Gennaro está prestes a apunhalá-la, depois de cantar uma nota sobreaguda em fortíssimo, faz um momento de silêncio e diz num registo grave un Borgia sei!. O efeito cénico é arrepiante e o diálogo seguinte, com Gennaro, transborda tristeza. Depois da morte do filho, transmite de forma marcante dor e culpa na ária Era desso il figlio mio. Termina expressando raiva e revolta, numa sequência alucinante de cascatas de notas graves a sobre-agudas, finalizando com uma prolongada nota estratosférica (penso que um mi sobreagudo) em fortíssimo. Avassaladora!























Gennaro foi interpretado pelo jovem tenor norte-americano Charles Castronovo. O papel é exigente e extenso. Castronovo (que nunca tinha visto ao vivo) deu-nos uma interpretação marcante. A voz é encorpada e de grande beleza tímbrica. O artista tem uma excelente presença em palco. Pertence à nova geração de cantores que, nas suas apresentações, junta a representação ao canto, com grande efeito tanto para o espectáculo como para o público.



Don Alfonso foi interpretado pelo baixo-barítono canadiano John Relyea. Possuidor de uma voz grande, bonita e expressiva, a presença em palco foi também muito boa. Foi mais um grande artista da noite, não deixando por mãos alheias a representação da personagem.

A jovem mezzo-soprano de coloratura espanhola Sílvia Tro Santafé foi um Maffio Orsini, amigo de Gennaro, de excepcional qualidade. O papel, aparentemente secundário, é enorme e a artista teve garra e presença para o colocar sempre no centro da acção. Ofereceu-nos uma voz cheia, escura e quente, de grande extensão e beleza. A presença cénica esteve ao mais alto nível. Apesar da figura franzina, foi outra das grandes da noite.

Terminada a ópera, o público aplaudiu como nunca havia visto na Alemanha. Exuberante e de forma efusiva, com gritos de bravo e outras expressões, sobretudo dirigidos a Edita Gruberova. A cantora teve que voltar ao palco inúmeras vezes.




Existe uma gravação recente desta produção com Edita Gruberova.




Houve magia nesta noite gloriosa de ópera em Munique!

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Lucrezia Borgia, Bayerische Staatsoper, Munich, April 2011

Lucrezia Borgia is an opera by Gaetano Donizetti with libretto by Felice Romani, according to Victor Hugo's Lucrèce Borgia.

Lucrezia Borgia, an adulterous assassin woman knowledgeable of poisons, does what she can to live with an image as conceived by men, and strives to find new identities. His son Gennaro was well impressed by her at first sight, not knowing that she is his mother. His circle of friends reject and say the worst about her. Don Alonso, Lucrezia's husband, is convinced that Gennaro is his rival and decides to kill him by poisoning him. However, he is saved by Lucrezia that gives him an antidote. Later they are all poisoned by her a second time. When Lucrezia realizes that her son is poisoned within the male group, she confesses to him that she is her mother and gives him the antidote again. He refuses and dies.

The staging by Christof Loy is modern and simple. The stage is empty and has written in the background the name LUCREZIA BORGIA that, along the performance disappears very slowly by the left side. Prior Gennaro destroys the B of Borgia, getting ORGIA, with the connotations of the word also contained in the libretto. Simple chairs and occasionally a small table complete the scenary.. But, without a great scenic impact, it works.

The conductor was Italian Paolo Arrivabene.

The difficult role of Lucrezia Borgia was interpreted by the Slovak soprano Edita Gruberova. Despite the presence of several high-quality singers, Edita Gruberova, almost 200 years after the composer had written the piece, is Donizetti's Lucrezia Borgia. The voice is beautiful, the frequent pianissimi are of an exquisite quality, associated to a perfect legato and sublime coloratura.

In its opening scene Com'è bello! Qualle incanto in the prologue, she transmits a kind affection, in stark contrast to later scenes. In Act 2 in which Gennaro is about to stab her, after singing a top note in fortissimi, a moment of silence comes and then she says in low register un Borgia sei!. The scenic effect is amazing and the following dialog, with Gennaro, overflows with sorrow. After the death of her son, she transmits markedly pain and guilt in the aria Era desso il figlio mio. She ends the opera expressing anger and outrage in an impressive sequence of low to top notes, finishing with a prolonged stratospheric note in fortissimi. Overwhelming!

Gennaro was interpreted by American young tenor Charles Castronovo. The role is demanding and long. Castronovo (who I had never seen live) gave us a remarkable interpretation. The voice is full-bodied and has a beautiful timbre. The artist has a great stage presence. He belongs to the new generation of opera singers who, in their presentations, joint artistic acting to singing, with an excellent effect both for the performance and the audience.

Don Alfonso was sung by Canadian bass-baritone John Relyea. A great voice, beautiful and expressive, and also very good acting. He was another great artist of the night.

The young Spanish coloratura mezzo-soprano Silvia Tro Santafe was a Maffio Orsini, friend of Gennaro, of exceptional quality. The role is remarkable and the artist had the strength and presence to always be in the center of the action. She offered us a full voice, dark and warm, with great beauty and length. Artistically she was also excellent.

After the opera, the audience applauded as I had never seen in Germany. Exuberant and effusive applauses, with shouts of bravo and other expressions, mainly directed at Edita Gruberova. The singer had to come to the stage numerous times.

There is a recent recording of this production with Edita Gruberova

There was magic in this glorious night at the opera in Munich!

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sábado, 23 de outubro de 2010

Edita Gruberova confirma o seu triunfo como Lucrezia Borgia na Wiener Staatsoper - 18 de Outubro de 2010













(Please see review in english below)

No passado dia 18, Edita Gruberova fez o último duma série de 5 concertos com Lucrezia Borgia na Ópera de Viena. A Première teve lugar no dia 2 de Outubro e já tive ocasião de comentá-la neste blog, pelo que não irei alongar-me muito acerca deste concerto.
A lotação da sala estava mais do que esgotada e eram muitos os que, em vão, desesperavam no exterior por um bilhete. Foram muito afortunados todos aqueles que puderam ver e ouvir Edita Gruberova nesta noite de glória na Wiener Staatsoper. A cantora, que recebeu um avassalador aplauso mal entrou em cena, não desiludiu o público que, com fervoroso entusiasmo, a louvava.

Logo nas primeiras notas, a cantora transportou-nos para uma dimensão etérea: o legato irrepreensível, o timbre cristalino da voz, a coloratura acrobática executada de modo exímio, os agudos em pianissimo, absolutamente milagrosos.

A acrescentar à sua extraordinária perfeição vocal, Edita fez uma representação formidável do papel de Lucrezia, confirmando os seus dotes de grande actriz, amplamente reconhecidos em todo o mundo: a gestualidade, a expressão facial, as exclamações que o seu olhar e a sua voz transmitiam, a dor no seu rosto, a vivência física e psicológica da personagem. E, notem, tudo isto numa ópera em versão de concerto. Mesmo sem o suporte cénico, Edita Gruberova trouxe-nos uma Lucrezia completa e eximiamente representada.

O clímax da acção, bem como da dificuldade técnica e interpretativa, surge no final, quando Lucrezia Borgia enfrenta a dor pela morte do seu filho, bem como um sentimento de culpa avassalador. Nesta noite, fiquei apenas a duas filas de distância do palco, pelo que pude sentir de perto toda a emoção de Edita. Pude ver que as lágrimas corriam pela sua face e que os seus lábios tremiam, quando cantava Era desso il figlio mio. Foi absolutamente arrepiante. Toda a sala estava em transe, perante aquele desempenho magnífico e inigualável. Com efeito, Edita Gruberova confirma, cada vez mais, o merecidíssimo título de Primadonna Assoluta.

Após o fantástico e demorado mi sobreagudo com que Edita Gruberova encerra esta ópera, todo o público se colocou instantaneamente de pé e gritou "Brava" arrebatadoramente. Dezenas de pessoas aproximaram-se do palco e ofereceram flores e outros presentes a Edita que, gentilmente, se curvava com um sorriso para aceitar as oferendas que o entusiástico público lhe fazia. Choviam "flashs" da imensidão de máquinas fotográficas e telemóveis com que toda a gente procurava captar a imagem de Edita Gruberova.

Os restantes cantores, em particular José Bros e Michele Pertussi tiveram desempenhos formidáveis. Menos segura e brilhante, todavia muito correcta e digna, esteve Laura Polverelli, que deixou sempre transparecer algum nervosismo.

Os aplausos duraram seguramente meia hora. O público clamava "Edita, Edita", pois queria que Edita Gruberova regressasse uma e outra vez ao palco, apesar de já terem praticamente desligado as luzes da sala, na tentativa de que o público desmobilizasse. Dum dos camarotes, alguém pendurou um cartaz onde podia ler-se: "Edita, quale incanto".

Cá fora, largas dezenas de fãs esperaram por Edita Gruberova, que a todos atendeu, a todos deu autógrafos. Os aplausos e os gritos de "Brava" soaram na Herbert von Karajan Platz à medida que Edita Gruberova se afastava a pé do edifício da ópera, acenando ao público e levando consigo vários ramos de flores.

Bravissima, Edita!




Edita Gruberova confirms her triumph as Lucrezia Borgia at the Wiener Staatsoper –October 18th, 2010



Last October 18th, Edita Gruberova made the last of a series of five concerts as Lucrezia Borgia at the Vienna Opera. The Premiere was held on October 2nd and I had the opportunity to comment on it in this blog, so I will not dwell on too much about that concert.

Tonight the capacity of the room was more than exhausted and there were many who, in vain, desperate for a ticket outside. Those who could see and hear Edita Gruberova in this night of glory in the Wiener Staatsoper were, indeed, very lucky. The singer, who received an overwhelming applause when stepping in, did not disappoint the public, who praised her with fervor enthusiasm.

Immediately after the first few notes the artist took us to an ethereal dimension with the faultless legato, the crystalline tone of her voice, the perfect acrobatic coloratura, the treble in pianissimo, absolutely miraculous.

In addition to her extraordinary vocal perfection, Edita did a great representation of the role of Lucrezia, confirming her talent as a great actress, widely recognized throughout the world: the gestures, the facial expressions, the exclamations that her look and her voice conveyed, the pain in her face, experiencing the physical and psychological feelings of the character. And, please note, all in a concert version of an opera. Even without the support scenarios, Edita Gruberova brought us a complete and expert staged Lucrezia.

The climax of the action, as well as the technical and interpretative difficulty, arise in the end, when Lucrezia Borgia faces the pain of her son's death, and an overwhelming sense of guilt. Tonight, I was only two rows from the stage, so close that I could feel the emotion of Edita. I could see that tears were streaming down her face and her lips trembled as she sang Era desso il figlio mio. It was absolutely shivering. The whole audience was in a trance, before that magnificent and unparalleled performance. Indeed, Edita Gruberova confirms, increasingly, the well-deserved title of Primadonna assoluta.

After the fantastic and lengthy high E with which Edita Gruberova ends the opera, the entire audience stood up and instantly shouted "Brava" ecstatically. Dozens of people approached the stage and offered flowers and other gifts to Edita that, gently, bowed with a smile to accept the gifts from the enthusiastic audience. Endless "flashes" came from the multitude of cameras and mobile phones as everyone sought to capture the image of Edita Gruberova.

The other singers, particularly José Bros and Michele Pertussi, had tremendous performances. Less secure and bright, but very correct, was Laura Polverelli, who always seemed to be a little nervous.

The applause lasted for no less than half an hour. The crowd cried "Edita, Edita” because they wanted Edita Gruberova to return to the stage again and again, despite having the room lights partially off, trying to demobilize the public. From one of the boxes, someone hung a banner that read: "Edita, quale incanto".

Outside, dozens of fans waited for Edita Gruberova, who all attended and signed autographs for all. The applause and cries of "Brava" sounded throughout the Herbert von Karajan Platz as Edita Gruberova walked away from the opera house, waving to the public and carrying several bouquets of flowers.

Bravissima, Edita!

(Concerning translation, this is the best we can do. Please do not hesitate to comment if you feel it is not correct. We decided to translate this post into english because we know we have several visitors from abroad that, we guess, do not understand portuguese. Thank you).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Gruberova triunfa como Lucrezia na Wiener Staatsoper - 2 de Outubro de 2010

























A Primadonna Assoluta Edita Gruberova levou o público de Viena ao delírio ao interpretar, pela primeira vez no grande palco da Wiener Staatsoper, Lucrezia Borgia.

A incomparável cantora, quase a completar 64 anos de idade, e há muito detentora do título de Österreichische Kammersängerin, já actuou mais de 500 vezes no palco da Wiener Staatsoper ao longo dos últimos 40 anos. E uma vez mais voltou a esse palco, desta vez para uma estreia: Lucrezia Borgia.

O evento, que era aguardado com grande expectativa, foi largamente anunciado nos meios de comunicação social austríacos. Vários jornais, revistas, estações de rádio e televisão davam notícia da presença de Edita na Ópera de Viena. Inclusivamente, no avião que me levou até Viena, deparei com um inesperado artigo numa revista, em que surgia a fotografia de Edita Gruberova, acerca desta tão esperada estreia.

O espectáculo, que decorreu em versão de concerto, foi transmitido em directo por várias estações de rádio europeias. Para todos aqueles que não tiveram oportunidade de escutá-lo em directo, o evento ainda está disponível no site da ORF, acessível através do seguinte link:

http://oe1.orf.at/programm/255467


No exterior do edifício da Ópera, na Herbert von Karajan Platz, estava colocado um ecrã gigante, através do qual todos os que não conseguiram bilhete puderam ver e ouvir o espectáculo.
O concerto principiou. Laura Polverelli (Mafio Orsini) e José Bros (Gennaro), fazem as suas primeiras e breves intervenções.
Pouco depois, quando Gruberova surge no palco, imediatamente se faz ouvir um forte aplauso e gritos de "Brava!". O público saudava, assim, a aparição da grande cantora.
A Gruberova canta então "Tranquilo ei posa. Com'é bello! Quale incanto". Notei que Edita optou por uma postura mais afirmativa do que o habitual, quando cantou esta ária. Recorreu menos aos pianissimi e a alguns efeitos expressivos, como o crescendo e decrescendo com que algumas vezes pronuncia a primeira frase - Tranquilo ei posa. Todavia, mesmo dando um carácter mais afirmativo e uniforme em termos de dinâmica, Edita transmitiu um enorme lirismo em toda a ária. Eis aqui uma admirável característica de Gruberova, e que caracteriza os grandes artistas: a capacidade de interpretar de formas diferentes a mesma obra, mantendo contudo uma enorme coerência e um elevado bom gosto musical. Os trilos em pianissimo com que terminou a ária, foram duma perfeição admirável. O público aplaudiu intensamente Gruberova, no final desta ária.

Durante todo o prólogo, a prestação dos cantores foi formidável, com destaque para Gruberova e Jose Bros, que tiveram de regressar por duas vezes ao palco no final do prólogo, tal foi a intensidade e a duração dos aplausos.

Logo de seguida, tem início o primeiro acto. É aqui que surge pela primeira vez Michele Pertusi (Don Alfonso I), que interpretou bastante bem a ária "Vieni! La mia vendetta", quer na gestualidade, quer na expressão facial, quer vocalmente. Queria, a este propósito, fazer notar que, apesar de se ter tratado duma ópera em versão de concerto, os cantores e, em especial, Gruberova, interpretaram de forma tão admirável os seus papéis, que parecia que estávamos a assistir a uma ópera encenada: os gestos, os passos, a movimentação dos cantores, a expressão facial. Tudo parecia configurar uma verdadeira representação, à qual apenas faltavam os cenários e o guarda-roupa.

Gruberova foi admirável nos diálogos com D. Alfonso, quando tentava persuadi-lo a poupar Gennaro, bem como transmitindo a tensão que Lucrezia vivia ao ter de evenenar o próprio filho.

A tensão dramática, que progride durante toda a obra, atinge o seu apogeu no segundo acto, que ocorreu após o intervalo. É neste acto que Lucrezia revela a Gennaro que ele é seu filho. Neste diálogo final entre ambos, os cantores foram admiráveis. Gruberova e José Bros conseguiram transmitir toda a dor das personagens com uma intensidade tocante. Foi arrepiante o súbito dó sobreagudo que Edita emitiu no momento em que Lucrezia estaria prestes a ser ferida de morte por Gennaro. A Gruberova conseguiu um efeito dramático impressionante com o corte súbito do sobreagudo, seguido duma pausa, antes de exclamar com um timbre profundo e magoado: Un Borgia sei!

No final, todos os restantes cantores abandonam o palco e Gruberova fica sozinha, fazendo arrepiar todo o público com "Era dessa il figlio mio". A cantora parecia chorar enquanto cantava, era enorme a dor que transmitia na sua voz e na sua expressão facial. A temida Lucrezia Borgia, transformava-se aqui numa mãe que tinha perdido o seu filho e que estava dominada por um enorme sentimento de perda e de culpa. Edita foi brilhante nos dificílimos momentos de acrobática coloratura final, terminando com um poderosíssimo mi sobreagudo, que manteve ao longo de oito compassos! Edita Gruberova, após todo o esforço que certamente representou todo o seu magnífico desempenho nesta ópera, ainda teve energia para este demorado mi sobreagudo, que manteve com uma emissão absolutamente uniforme durante toda a sua duração. Impressionante!
O público, não conseguindo esperar que a orquestra atingisse os acordes finais, começa imediatamente a exclamar: "Brava! Brava!".

Mal a orquestra se silencia, todo o público se coloca de pé e aplaude intensissimamente. Edita Gruberova emocionada, mas visivelmente feliz, agradece. Imensas pessoas abandonam os seus lugares e descem pelos corredores da plateia até ao palco, empunhando máquinas fotográficas e telemóveis, para conseguirem fotografar mais de perto a grande cantora.

Os aplausos duraram mais de vinte minutos! A orquestra e o coro abandonaram o palco, mas os aplausos não terminavam e os cantores tinham de regressar novamente. Junto à saída do palco, câmaras de televisão, repórteres, fotógrafos, rodeavam Gruberova. Foi uma apoteose impressionante. Dum dos camarotes, algumas pessoas penduraram um cartaz onde podia ler-se "Edita. Simply the best!".

Os aplausos já duravam havia cerca de 20 minutos, mas o público queria que Gruberova regressasse ao palco. Então, começaram a gritar: "Edita! Edita!". Gruberova regressou uma e outra vez. Foi memorável esta magnífica noite, em que Edita Gruberova triunfou uma vez mais na Wiener Staatsoper, agora como Lucrezia Borgia.

Não foi possível obter autógrafos de Gruberova, dado que os cantores foram participar num jantar de gala que teve lugar no interior da Staatsoper. Ainda assim, alguns fãs japoneses de Gruberova, que vierem propositadamente do Japão para assistir a este momento, afirmaram que esperariam que o demorado jantar terminasse, para receberem o tão esperado autógrafo de Gruberova.
Várias estações de televisão fizeram reportagens sobre este concerto. Encontrei um breve apontamento televisivo da ORF, com imagens deste concerto, que pode ser visualizado através do seguinte link:

http://tvthek.orf.at/programs/1360-Seitenblicke/episodes/1644593-Seitenblicke/1646749-Edita-Gruberova-feiert-Buehnenjubilaeum

Aproveito também para anunciar que acabou de ser lançado o novo CD de Lucrezia Borgia com Edita Gruberova, que foi gravado ao vivo em Junho de 2010 em Colónia (a última fotografia que aqui coloquei, mostra um cartaz com a capa do CD). Já tive oportunidade de relatar, aqui no blog, o concerto em que decorreu a gravação desse CD, a que também assisti, na Kölner Philharmonie.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Transmissão em directo de Lucrezia Borgia com Edita Gruberova, a partir da Wiener Staatsoper no próximo sábado, 2 de Outubro




No próximo sábado, dia 2 de Outubro, dar-se-á a estreia de "Lucrezia Borgia" com Edita Gruberova, na Wiener Staatsoper. A Primadonna Assoluta cantará, pela primeira vez em Viena, este dificílimo papel belcantista, que recentemente acrescentou ao seu vasto e deslumbrante repertório (estreia em versão de concerto em 2008 e, em ópera, em 2009).
O evento será transmitido em directo por várias estações, como a ORF 1, a RAI 3, a Hessische Rundfunk (HR2 Kultur), a Latvia Radio Klasika, entre outras. Algumas dessas estações podem ser ouvidas em directo através da internet, pelo que deixo aqui dois links através dos quais os leitores poderão ter a possibilidade de escutar em directo esse grande momento:

O espectáculo principiará quando forem 19 horas em Portugal Continental (20 horas em Viena).

A fotografia de Edita que podem ver acima, é a mesma que ocupa uma página inteira da edição do mês de Outubro da revista Prolog, editada mensalmente pela Wiener Staatsoper e que, naturalmente, dá um grande destaque à presença de Gruberova para cantar Lucrezia, pela primeira vez neste palco, que já pisa há mais de 40 anos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Lucrezia Borgia com Edita Gruberova - Kölner Philarmonie - 7 de Junho de 2010









































No passado dia 7 de Junho, a cidade de Colónia recebeu, na imponente sala da Kölner Philarmonie, a Primadonna Assoluta do Belcanto - Edita Gruberova - que interpretou um dos seus mais recentes papéis: Lucrezia Borgia.

A já legendária cantora eslovaca, há dois anos atrás (então, com a idade de 61 anos) acrescentou ao seu impressionante repertório mais um dificílimo papel belcantista - Lucrezia Borgia - que estreou em 2008 em versão de concerto, tendo no ano passado estreado esse papel em palco, numa nova produção operática do aclamado encenador Christof Loy.

Aqui, a Gruberova apresenta-se para uma versão de concerto de Lucrezia Borgia, sendo acompanhada por um elenco do qual fazem parte nomes como José Bros (Gennaro), Franco Vassallo (Don Alfonso) e Silvia Tro Santafé (Maffio Orsini). O concerto contou ainda com a presença do Coro da Ópera de Colónia e da WDR Rundfunkorchester, que foi dirigida pelo maestro ucraniano Andriy Yurkevych.

A expectativa é grande e, entre o público, é frequentemente pronunciado o nome de Edita Gruberova.

Todo o palco estava repleto de microfones. O nome da rádio alemã Westdeutschen Rundfunks 3 constava no programa, fazendo crer que o concerto iria ser transmitido por essa estação. Sabe-se, entretanto, que brevemente será lançado um CD de Lucrezia Borgia, com Edita Gruberova, gravado ao vivo, presumivelmente deste mesmo concerto, apesar de Edita Gruberova, a seguir ao concerto de Colónia, ter partido para uma série de récitas de Lucrezia Borgia em Dresden.

O concerto principia. Andriy Yurkevych dirige os primeiros acordes da orquestra, visivelmente satisfeito, pois tudo leva a crer que começava uma grande noite musical. E assim foi.

Tem início o prólogo. O Coro, José Bros e Silvia Tro Santafé, fazem as suas primeiras intervenções e recebem os seus primeiros e merecidos aplausos.

Surge então um momento de silêncio. Do lado esquerdo do palco, ouve-se o som surdo de passos que marcam o estrado de madeira, e eis que surge Edita Gruberova. A sua entrada em cena, com um vestido branco, adornado pelos seus cabelos loiros e os seus olhos intensamente azuis, dá a sensação de termos recebido a aparição luminosa dum ser celestial que subitamente nos visita. De imediato, o público irrompe numa estrondosa ovação e repetem-se as exclamações vigorosas: "Brava! Brava!". Os aplausos, antes mesmo da Gruberova ter feito ouvir a sua voz, parecem não terminar. A cantora, reconhecida, agradece. Com efeito, o esclarecido, erudito e conhecedor público alemão tinha demonstrado claramente qual o principal motivo que o tinha trazido até ali: Edita Gruberova.

Por fim, os demorados aplausos silenciam-se e a orquestra prepara o caminho para a primeira intervenção da Gruberova: "Tranquillo ei posa. Com'é bello! Quale incanto." Logo nas primeiras palavras, a grande cantora confirma a sensação de presença celestial que antes nos havia provocado. Com efeito, dos seus lábios brota o som mais sublime que o ouvido humano pode perceber: uma dinâmica perfeita, equilibrada, de um bom gosto e duma sensibilidade inexcedíveis. Um som puro e cristalino. De salientar a emissão de pianissimi absolutamente miraculosos. O maestro sorri, encantado.

A ária termina com uma sequência incrível de trilos em pianissimo, que a Gruberova executa com uma perfeição absolutamente inefável, comprovando o seu conhecido e aclamado domínio da técnica, aliado a uma capacidade vocal e a um bom gosto inimitáveis. As ovações que se seguem fazem estremecer o recinto: Edita Gruberova, confirmando as qualidades que lhe conferiram o título de Primadonna Assoluta, tinha levado o público ao delírio.

Certamente contagiados pela atmosfera de excelência que foi imprimida por Edita Gruberova, os outros cantores são levados a prestações de muito bom gosto musical e grande entrega.

A primeira intervenção de Franco Vassallo - "Vieni! La mia vendetta" - é arrebatadora. O aclamado baixo italiano, canta essa ária com um vigor impressionante, terminando numa nota aguda, prolongada e em forte, atingindo o limite superior da tessitura dum baixo. O público aplaude intensamente.

O tenor catalão José Bros (um dos filhos do Gran Teatre del Liceu de Barcelona), também se apresenta vigoroso, e premeia o público com notas suspensas que prolonga até ao limite, percebendo-se que a sua entrega é também total. Os fortes aplausos com que o público o premiou, pareceram conferir grande entusiasmo ao cantor que, até ao final do concerto, manteve a sua prestação com grande qualidade.

Ao longo de todo o primeiro acto, os duetos de Gruberova com Vassallo são arrebatadores. Particularmente impressionante é a prestação da Gruberova, que revela uma enorme energia na oposição de Lucrezia a Don Alfonso, quando este a pretende obrigar a envenenar o próprio filho, Gennaro. Impressionante como a Gruberova, mesmo em versão de concerto, consegue transmitir a impressão de estarmos a assistir a uma ópera no palco, tais são as suas capacidades expressivas e dramáticas: além da sua voz, toda a sua gestualidade (de bom gosto, sem excessos), a sua postura e o seu facies, imprimem intenção e vida às suas palavras.

Aliás, não é por acaso que Edita Gruberova é detentora de distintos prémios pela excelência da representação, como é o caso do Prémio Sir Laurence Olivier.

O primeiro acto termina com fortes ovações do público, como é natural.

No intervalo, o público comenta, impressionado a qualidade do espectáculo, com especial relevo para "Die Gruberova" - A Gruberova.

A segunda parte é preenchida com o segundo e último acto. E é aqui que a intensidade dramática da obra atinge o seu clímax. Este acto é particularmente exigente para Gennaro (José Bros) e, sobretudo, para Lucrezia (Edita Gruberova).

É também no segundo acto que Silvia Tro Santafé tem a sua prestação mais importante, com a ária "Il segreto per esser felici", que interpretou com raça. Os aplausos do público foram intensos e muito justos. A jovem cantora catalã, discípula de Monserrat Caballé e Renata Scotto, tendo também completado a sua formação artística na Julliard School de Nova York, é já considerada um dos melhores mezzo sopranos de coloratura da sua geração. Detentora duma voz encorpada, com um timbre quente e escuro, transmite, mesmo na sua aparência física, a sensação duma cantora latina, afirmativa, vigorosa.

Digna de nota, foi também a participação do tenor Thomas Blondelle, que desempenhou o papel secundário de Rustighello, com grande musicalidade e entrega.

As cenas finais constituíram o momento mais alto do espectáculo. Foi arrepiante a ocasião em que Gennaro se prepara para apunhalar Lucrezia. Nesse ponto altamente dramático, que a Gruberova cantou com uma entrega e um dramatismo impressionantes, Edita emite um fortíssimo e inesperado dó sobreagudo, ao qual se segue uma pausa súbita. Orquestra, coro e todos os cantores se silenciam e Edita exclama num registo grave e com uma intenção poderosíssima: "un Borgia sei!"

Um arrepio percorre a nossa alma, quase que sentimos as tábuas do chão estremecer, tal é o poder dramático da Gruberova. Segue-se então um diálogo impressionante, carregado de tristeza e lirismo entre José Bros e Gruberova. Aqui, José Bros tem uma prestação formidável, cantando em voz velada até, por fim, silenciar-se (Gennaro morre).

Segue-se, então, um momento pungente e Gruberova canta "Era desso il figlio mio". A dor da personagem, que sente todo o peso da culpa pela morte do seu próprio filho, que morreu envenenado pelas suas próprias mãos, é admiravelmente transmitida pela Gruberova.

Foi impressionante ver os olhos de José Bros, bem como do tenor Tansel Akzeybek (que desempenhou o papel de Oloferno Vitelozzo) repletos de lágrimas. Estes cantores não conseguem conter a sua emoção e choram em palco com os olhos dirigidos para Edita Gruberova, que a todos faz estremecer com a pungência e a dor com que canta esta magoada ária.

Olho, então, em redor e constato que várias pessoas no público estão a chorar. Esta capacidade de tocar os corações humanos é algo que só um grande talento como o de Edita Gruberova consegue atingir. Não se trata somente de estar muito bem cantado, de tecnicamente ser mais ou menos irrepreensível; é muito mais do que isso. É algo que, simplesmente, não tem outra explicação, a não ser o imenso talento, o imenso dom. Melhor dizendo, é algo que não tem, de facto, explicação.
A este momento de dor, acresce um momento de raiva, em que Lucrezia é devorada por uma imensa culpa e revolta. Toda essa mistura de dor e raiva é cantada duma forma impressionante pela Gruberova: "Sul mio capo il Cielo avventa il suo strale punitor!"

Nesta passagem dificílima, a Gruberova exibe uma coloratura formidável, tendo de ascender desde as notas mais graves, até às mais agudas, em rápidas e turbulentas sequências de notas, que vocaliza sem hesitações.

A ópera termina com a Gruberova emitindo um fantástico, fortíssimo e demorado mi sobreagudo. Arrepiante! O público põe-se imeditamente de pé e aplaude em júbilo! Várias pessoas, em especial nas primeiras filas, têm ainda o rosto coberto de lágrimas.

Ouve-se "Brava!!!", "Bravissima!!!, "Bravi!!" Muitas pessoas querem pronunciar o nome de Edita e gritam "Brava, Edita!!!". É a apoteose. Os outros cantores, emocionados, olham para Edita Gruberova demonstrando claramente um grande respeito e admiração pela grande artista que perante eles se encontra.

Com humildade, Edita, reconhecida, agradece e apressa-se a dar as mãos aos outros cantores, que se aproximam, vergando-se respeitosamente perante a Raínha do Belcanto - Die Königin des Belcanto - como é frequentemente referida na imprensa germânica.

Vários elementos do público aproximam-se do palco e oferecem flores a Edita. Alguém da assistência, certamente francês, oferece a Edita Gruberova uma placa idêntica às que se encontram a nomear as ruas de Paris, com a inscrição: "Place Edita Gruberova". Nesse momento, recordei-me do fabuloso concerto que a cantora deu em Dezembro do ano passado em Paris, no Théâtre des Champs-Elysées, no qual alguém do público entregou a Edita uma placa semelhante, com a inscrição "Avenue Edita Gruberova"!

Os aplausos parecem não cessar. Os cantores saiem e regressam ao palco inúmeras vezes. Por fim, a orquestra sai, o coro também se retira, mas o público permanece aplaudindo. Os cantores têm de regressar uma e outra vez. As pessoas do público que se encontravam mais longe do palco, aproximam-se, para poderem aplaudir mais de perto. Dos varandins que estão sobre o palco, alguns elementos do público desfraldam cartazes com a fotografia de Edita Gruberova.

Estou certo de que todos os que assistiram a este magnífico concerto, levaram consigo memórias que jamais esquecerão. Bravi Tutti! Bravissima Edita!!!