Mostrar mensagens com a etiqueta O Chapéu de Palha de Itália. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O Chapéu de Palha de Itália. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O CHAPÉU DE PALHA DE ITÁLIA / IL CAPPELLO DI PAGLIA DI FIRENZE – Teatro de São Carlos, Outubro de 2013


Il Cappello di Paglia di Firenze é uma ópera di Nino Rota, com libretto de Nino e Ernesto Rota, baseado na peça Le chapeau de paille d'Italie de Eugène Labiche e Marc Michel.
Vi este espectáculo em Maio de 2011, como comentei aqui.



Com direcção musical  João Paulo Santos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, encenação de  Fernando Gomes,  cenografia de João Mendes Ribeiro,  figurinos de Rafaela Mapril e desenho de luz de Paulo Sabino, assistimos a uma reposição de uma produção do Teatro Nacional de São Carlos de qualidade muito acima da média. O espectáculo é despretensioso, a música de audição agradável, a encenação simples mas eficaz, o jogo de luzes estupendo, o guarda roupa fantástico e as interpretações boas.



Estamos perante uma ópera que é para ouvir mas também para ver, porque há múltiplas cenas cómicas, bem interpretadas, eficazes e de bom gosto. A troca de sapatos e os percalços finais com o chapéu de palha foram verdadeiramente hilariantes.


Os intérpretes principais foram o tenor Mário João Alves como Fadinard , o soprano  Dora Rodrigues como Anaide,  o barítono José Fardilha como Nonacourt , o barítono Luís Rodrigues como Beaupertuis , o mezzo Maria Luísa de Freitas como Baronesa de Champigny,  o tenor Carlos Guilherme como Vezinet e o soprano Lara Martins como Elena.


Qualitativamente houve interpretações vocais diversas mas o espectáculo valeu como um todo. Contudo, uma nota sobre os barítonos:

José Fardilha, claramente o melhor cantor em palco, ofereceu-nos uma interpretação cheia e de beleza tímbrica assinalável.


A récita foi marcada por um episódio pouco habitual. Alguns minutos após o início do 3º acto, Luís Rodrigues ficou sem voz! O maestro interrompeu a récita e explicou que este tipo de situações acontece. Quando retomou, algum tempo depois, a solução encontrada foi João Merino (colocado num lado do palco) cantar o papel de Luís Rodrigues e este continuar em cena, representando-o. Não havendo um cantor substituto, a solução encontrada foi aceitável.


Mas as contrariedades não acabaram aqui. Também o chapéu de palha, quando finalmente aparece, não ficou pendurado no candeeiro, como deveria.


Mas foi uma tarde muito bem passada e foi um consolo ver o São Carlos praticamente esgotado.

 ****


IL CAPPELLO PAGLIA DI FIRENZE - São Carlos Opera House, Lisbon, October 2013

Il Cappello di Paglia di Firenze is an opera by Nino Rota, with libretto by Nino and Ernesto Rota, based on the novel Le chapeau de paille d' Italie by Eugène Labiche and Marc Michel .
I saw this opera in May 2011, as commented here.

Maestro João Paulo Santos directed the Portuguese Symphony Orchestra and the Choir of the Teatro Nacional de São Carlos. The production was by Fernando Gomes and was well above the average. The opera is light, the music pleasant, the costumes excellent and the staging was simple and effective.

This is an opera to hear but also to see, because there are many comic scenes well interpreted, effective and pleasant. The exchange of shoes and mishaps with the straw hat were truly hilarious.

The main performers were the tenor Mario João Alves as Fadinard , soprano Dora Rodrigues as Anaide , baritone José Fardilha as Nonacourt , baritone Luis Rodrigues as Beaupertuis , mezzo Maria Luisa de Freitas as Baroness de Champigny , tenor Carlos Guilherme as Vezinet and soprano Lara Martins as Elena .

Vocal interpretations were qualitatively different but the performance was worth as a whole. However, a note on the Baritones:

José Fardilha clearly the best singer on stage, offered us an interpretation full of beauty and remarkable timbre .

The performance was marked by an unusual episode. A few minutes after the start of the 3rd act, Luís Rodrigues lost his voice! The conductor stopped the performance and explained that this type of situation happens. When resumed some time later, the solution was João Merino (placed on one side of the stage) singing the role of Luis Rodrigues and Luis Rodrigues continuing on stage, playing it. As there was no substitute for the singer, the solution found was acceptable.

But the setbacks did not end here. Also the straw hat, when finally appeared, did not hung the lamp, as it should happen.

But it was a nice afternoon, and it was pleasant to see the Teatro de  São Carlos almost full.


****

terça-feira, 17 de maio de 2011

O CHAPÉU DE PALHA DE ITÁLIA / IL CAPPELLO DI PAGLIA DI FIRENZE – Teatro de São Carlos, Maio de 2011



Quando o chapéu não é, de todo, um barrete!





Il Cappello di Paglia di Firenze é uma ópera de Nino Rota, com libretto de Nino e Ernesto Rota, baseado na peça Le chapeau de paille d'Italie de Eugène Labiche e Marc Michel.

Como introdução à obra, transcrevo o texto de Pedro Russo Moreira que se encontra no “site” do Teatro Nacional de São Carlos:

O nome de Nino Rota está associado à composição musical para cinema na Itália do pós-guerra, sobretudo com as parcerias efectuadas com Federico Fellini.
A sua produção musical abarcou, no entanto, vários géneros musicais apresentados desde a sala de concertos ao teatro de ópera, marcados por uma estética e processos de composição ecléticos.
Nino Rota iniciou a composição da farsa em quatro actos, Il cappello di paglia di Firenze, em 1945, terminando apenas em 1955 devido à pressão exercida por Simone Cuccia, director do Teatro Massimo em Palermo. A estreia da ópera foi um sucesso estrondoso e imediato, tendo circulado por toda a Itália e estrangeiro, recebendo sempre boas críticas.
O enredo assenta num episódio cómico, centrado na personagem Fadinard, um jovem nubente que, no dia da sua boda com a amada Elena, se vê aflito porque o seu cavalo comeu o chapéu de palha de Anaide enquanto esta se encontrava com o amante Emilio. Receosa de que seu marido, Sr. Beaupertuis desconfiasse, exigiu um chapéu igual. Fadinard inicia a busca, que o leva à casa da baronesa de Champigny, onde vários mal entendidos o conduzem à residência da Sra. Beaupertuis, que descobre ser Anaide, colocando em risco a sua boda. Tudo termina bem quando o tio surdo do protagonista lhe oferece como prenda de casamento um chapéu de palha, salvando a boda.
Destaca-se desta farsa a habilidade no tratamento da instrumentação e o sentido dramatúrgico do compositor e co-autor do libreto, conseguindo um equilíbrio entre o dinamismo e unidade que se apoia numa estrutura que evoca o vaudeville, a ópera buffa e a opereta.


(fotografias do Facebook e do programa do Teatro de São Carlos)




Com direcção musical João Paulo Santos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, encenação de Fernando Gomes, cenografia de João Mendes Ribeiro, figurinos de Rafaela Mapril e desenho de luz de Paulo Sabino, assistimos a uma nova produção do Teatro Nacional de São Carlos de qualidade muito acima da mediania.


Não estamos perante um grande vulto da composição operática mas o espectáculo que nos foi apresentado é despretensioso mas de inegável qualidade, onde tudo funcionou bem. A música é de audição agradável, a encenação é simples mas eficaz, o jogo de luzes estupendo, o guarda roupa fantástico e as interpretações muito boas.







Estamos perante um caso de uma ópera que é para ouvir mas também para ver. Penso que será transmitida na Antena 2 na próxima quarta-feira, mas quem ouvir vai perder muito porque as múltiplas cenas cómicas, bem interpretadas, eficazes e de bom gosto, vão passar completamente ao lado. A troca de sapatos e os percalços finais com o chapéu de palha foram verdadeiramente hilariantes.


Os intérpretes principais foram o tenor Mário João Alves como Fadinard , o soprano Dora Rodrigues como Anaide, o barítono José Fardilha como Nonacourt , o barítono Luís Rodrigues como Beaupertuis , o mezzo Maria Luísa de Freitas como Baronesa de Champigny, o tenor Carlos Guilherme como Vezinet e o soprano Lara Martins como Elena.

Qualitativamente houve interpretações vocais diversas mas, ao contrário do que é hábito, não vou fazer um pequeno comentário sobre cada um deles porque o espectáculo valeu como um todo e como tudo se articulou bem.
Mas não posso deixar de salientar a interpretação superior de José Fardilha, claramente o melhor cantor em palco, que nos ofereceu um barítono cheio e de beleza tímbrica assinalável.



A sala estava com muitos lugares vazios (talvez pouco menos de metade).

É uma pena mas mostra que o público ainda não se reconciliou com o São Carlos, fruto dos muitos espectáculos deploráveis da ruinosa direcção artística de Dammann, alguns dos quais restaram ainda para a presente temporada.

Martin André tem a obrigação de recuperar o público, imprimindo à programação um rumo diferente e, na minha opinião, incluindo um número interessante de óperas “populares”, a par de outras que compete ao único teatro nacional de ópera divulgar.


A presente produção é a prova de que, com restrições orçamentais, se consegue fazer um espectáculo de inegável qualidade (já o mesmo tinha acontecido com o “Banksters”), assim haja engenho e arte.

Se quiser passar uma tarde ou noite divertida e assistir a um espectáculo muito engraçado, não deixe de ir ao São Carlos ver o Chapéu de Palha de Itália..



***