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sábado, 6 de agosto de 2011

AIDA - Royal Opera House - 11 Março e 2 Abril 2011


(review in english below)

O FanaticoUm já teve a oportunidade de comentar a Aida que ambos vimos na Royal Opera House da temporada 2010-2011. A única diferença é que tive a oportunidade de assistir a a duas récitas e com dois elencos que não foram totalmente diferentes mas que deu para que cada uma fosse uma experiência diferente e única - o Radamés de Alagna e Ventre, a Amneris de Borodina e Cornetti, e o Amonastro de Volle e Almaguer.



Em linhas gerais, e talvez por nunca ter assistido a outras Aidas em palco, não achei a encenação particularmente incoerente e inconsistente, apesar de a achar num meio termo entre o Egito e Marte...



Roberto Alagna surpreendeu-me mais que Carlo Ventre, embora ambos não tenham entrado bem na ária Celeste Aida.







Olga Borodina esteve soberba, embora Marianne Cornetti tenha dado conta do recado também.





Achei a Aida de Liudmyla Monastyrska de grande qualidade vocal, com projecção invejável denotando apenas alguma incapacidade de alterar a dinâmica da voz adaptando-a aos sentimentos relacionados com o cantava em determinadas passagens - mas é uma cantora a seguir no futuro até porque aparece em muitas das temporadas dos grandes teatros para 2011-2012, inclusive como Aida.


Michael Volle é um dos meus barítonos favoritos e esteve espectacular, ao mesmo nível que esteve Carlos Almaguer (pela idade mais sugestivo de ser pai de Aida).





Vitalij Kowaljow, que não apreciei muito como Wotan em Milão, esteve bem, até porque o seu timbre é bonito e a personagem denota alguma seriedade constante e um pesar interpretativo que não necessita de grande modulação (o que notei menos bem no seu Wotan).





Brindley Sherratt é um baixo de grande qualidade vocal e interpretativa.



Deixo-vos as habituais fotos das chamadas ao palco de ambas as récitas.


AIDA - Royal Opera House - 11 March e 2 April 2011




FanaticoUm did comment on this Aida production that we both saw at the Royal Opera House in this season 2010-2011. The only difference is that I had the opportunity to see it two times and with slightly different casts – the Radames of Alagna and Ventre, the Amneris of Borodina and Cornetti and the Amonastro of Volle and Almaguer.



In general, and perhaps because I have never attended other Aidas on stage, I did not find the staging particularly incoherent or inconsistent, despite being in half way from Egipt and Mars...



Roberto Alagna surprised me more than Carlo Ventre, although both not being brilliant in the aria Celeste Aida.







Olga Borodina was superb, although Marianne Cornetti presented Amneris in a very pleasant way.





I found the Aida of Liudmyla Monastyrska of high vocal quality, with enviable projection showing only a failure in changing the dynamics in order to adapt the voice to the correct feeling in the text. But she is a singer to follow in the future as she appears in several opera seasons in 2011-2012, including in the role of Aida.

Michael Volle is one of my favourite baritones and he was spectacular as Carlos Almaguer was but this more suggestive of Aida’s father due to his age.





Vitalij Kowaljow, who I did not like as Wotan in Milan, was very good, because his tone is beautiful and his character denotes a constant and serious posture that does not require a large interpretative modulation (capability that was missing in his Wotan...).



Brindley Sherratt is a bass of great vocal quality and a scenic presence.





I leave you with the usual photos of the curtain calls of both performances.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

AIDA – Royal Opera House, Londres, Abril de 2011


(review in English below)

 Aida é uma ópera de G. Verdi, com libretto de Antonio Ghislanzoni. Foi encomendada para ser estreada no Teatro de Ópera do Cairo, inaugurado dois anos antes, em 1869 (com Rigoletto), ano da abertura do canal do Suez. Foi composta à maneira da grand opera francesa, com cenas de grande esplendor, orquestração e coros imponentes, que glorificam o Egipto antigo. Contudo, está também repleta de cenas de grande lirismo em que as personagens principais exprimem os diferentes sentimentos por que passam ao longo da ópera.

A história passa-se no Egipto, na época dos faraós. Radamès, guerreiro egípcio, gostaria de comandar o exército contra a investida dos agressores etíopes, o que vem a acontecer. Ama Aida, escrava etíope e é desejado por Amneris, filha do rei do Egipto. Amneris vê confirmadas as suas suspeitas de que Aida é a sua rival, depois de lhe dizer que Radamès havia sido morto em combate. Mas Radamès regressa em glória, após uma vitória militar, na qual fez muitos prisioneiros etíopes, entre eles Amonastro, rei da Etiópia e pai de Aida, mas cuja identidade os egípcios desconhecem. Os prisioneiros etíopes são libertados e o rei oferece Amneris em casamento ao guerreiro egípcio. Quando Aida espera Radamès nas margens do Nilo aparece Amonastro que apela ao seu patriotismo de princesa etíope e a convence a descobrir os planos militares do egípcio. Ela assim faz, depois de ver forjado o pedido para fugirem juntos. Radamès entrega-se quando percebe que traiu o Egipto. Amneris tenta convencê-lo a justificar a sua acção mas ele nega-se e é condenado à morte. Ela protesta, em vão, contra a sentença. Quando Radamès é sepultado vivo verifica que Aida entrou voluntariamente no túmulo para morrer com ele.


 Aida é uma das óperas de Verdi que mais gosto de ver pois, quando bem cantada e encenada, permite a apreciação de um espectáculo grandioso. Infelizmente, não foi o que aconteceu desta vez em Londres.

A encenação de David McVicar não foi do meu agrado, apesar de estar repleta de efeitos cénicos. Os personagens estavam caracterizados de forma algo bizarra, não sendo nada clara a referência ao Egipto ou à Etiópia. Como o wagner_fanatic me disse, a acção passou-se algures entre o Egipto e Marte. Houve cenas violentas com frequência, sem trazerem qualquer mais valia ao espectáculo. Os cenários não eram minimalistas mas também não surtiram o efeito marcante esperado por mim. Tudo um pouco confuso e abstracto.

O público, pela primeira vez em Londres, teve um comportamento lamentável. As tosses constituíram um coro constante durante toda a récita. Aplausos fora te tempo também foram frequentes. Acresceu a isto o facto (que sempre considero deplorável) de alguns cantores se fazerem aos aplausos no final das suas árias. Aconteceu com vários mas foi marcante com Carlo Ventre que nem sequer os merecia.

A direcção foi de Fabio Luisi e destacou-se pela qualidade. Também a Orquestra e o Coro estiveram ao nível de excelência habitual. Para mim, foram os melhores da noite.

Aida foi cantada pelo soprano ucraniano Liudmyla Monastyrska, em substituição de Micaela Carosi, que se retirou por estar grávida A voz era encorpada e limpa, a emissão forte mas as nuances de que a personagem está repleta ao longo da acção não existiram. Houve excessiva homogeneidade na forma de cantar, sem laivos de lirismo. O desempenho cénico da cantora também não ajudou pois esteve, sobretudo, preocupada com o canto. No computo final, uma Aida aceitável.


 Amneris é a personagem que mais aprecio na ópera. Foi cantada pelo mezzo americano Marianne Cornetti, também em substituição de Olga Borodina, por doença. Foi uma surpresa agradável para mim, pois a última vez que a havia ouvido aqui tinha ficado mal impressionado. Fez uma Amneris credível, a voz esteve sempre bem, tanto no registo mais grave como no agudo, foi sólida ao longo de toda a récita e, apesar da forma como foi vestida (da qual não teve a menor responsabilidade), conseguiu imprimir algum movimento à sua representação.


 Radamés foi cantado pelo tenor uruguaio Carlo Ventre. Foi o mais fraco da noite. O timbre é banal, a emissão foi irregular, os agudos em grande esforço e muitas vezes mais gritados que cantados. E, como referi, fez-se escandalosamente aos aplausos, que não merecia. Cenicamente, um desastre.


 Michael Volle, barítono alemão, cantou de forma soberba o papel de Amonastro, rei da Etiópia. É possuidor de uma voz muito bem timbrada, ágil e potente. O cantor foi muito convincente na interpretação do rei prisioneiro.

Ramfis foi interpretado pelo baixo ucraniano Vitalij Kowalow. Foi outra das boas interpretações da noite. A voz ouviu-se com qualidade, consistência e boa projecção.

O baixo inglês Brindley Sherratt fez um Rei do Egipto de qualidade, oferecendo-nos uma voz audível e interessante, sobretudo no registo mais baixo.


 Iniciei este texto referindo que gosto muito desta ópera porque permite desfrutar de um espectáculo grandioso, cénico e vocal. Apesar do excepcional desempenho do maestro, da orquestra e do coro, e de desempenhos muito bons de alguns cantores, não foi isso o que senti. E foi pena, pois a minha expectativa era grande.

Faltou a magia…



*** 


Aida - Royal Opera House, London, April 2011

Aida is an opera of G.
Verdi, with libretto by Antonio Ghislanzoni. It was ordered to be premiered at the Cairo Opera House, that opened two years earlier, in 1869 (with Rigoletto), the year of opening of the Suez Canal. It was composed in the way of French grand opera, with scenes of great splendour, majestic orchestration and choirs, glorifying the ancient Egypt. However, it is also filled with scenes of great lyricism in which the main characters express the different feelings they experience throughout the opera.

The story is set in Egypt at the time of the pharaohs. Radamès, an Egyptian warrior, wishes to command the army against the onslaught of the Ethiopians. He loves Aida, an Ethiopian slave and he is loved by Amneris, daughter of the king of Egypt. Amneris confirms her suspicions that Aida is her rival, after telling her that Radamès had been killed in combat. But Radamès returns in glory, after a military victory, which made many Ethiopian prisoners, including Amonastro king of Ethiopia and Aida's father, but whose identity is unaware of the Egyptians. Ethiopian prisoners are freed and the king offers Amneris in marriage to the Egyptian warrior. When Aida waits for Radamès on the banks of the Nile Amonastro appears and appeals to her patriotism as an Ethiopian princess and convinces her to discover the plans of the Egyptian army. She does so and Radamès surrenders when he realizes he has betrayed Egypt. Amneris tries to convince him to justify his action but he refuses and is sentenced to death. Amneris protests in vain against the sentence. When Radames is buried alive he finds Aida in the tomb. She voluntarily entered there to die with him.

Aida is one of Verdi's operas I most like to see because when it is well sung and staged, it becomes an excellent performance. Unfortunately, it was not what happened this time in London.

I did not like the staging by David McVicar, despite being full of scenic effects. The characters were featured in a somewhat bizarre way, without any clear reference to Egypt or Ethiopia.  As wagner_fanatic mentioned, the action was somewhere between Egypt and Mars. There were several violent scenes, often without bringing any value to the performance. The staging was not minimal but it did not produce the expected effects on me. All was a bit confusing and abstract.

The audience, for the first time in London, had a disappointing behavior. Coughs were constant throughout the performance. Premature applause were also frequent. Some singers, at the end of their arias, had a behaviour “asking” for the audience applause (which always is a shame). This happened with several but with Carlo Ventre it was too much, and he even did not deserve them.

The dconducting of Fabio Luisi and was noted for the high quality. Also the orchestra and choir were at their usual level of excellence. For me, these were the best of the night.

Aida was sung by Ukrainian soprano Liudmyla Monastyrska replacing Micaela Carosi, who cancelled due to pregnancy. Her voice was full bodied and clean, she had a strong emission but the nuances of the character throughout the action did not exist. There was too much homogeneity in the singing. Artistically, she was not good because she was only worried about the singing. In summary, only an acceptable Aida.

Amneris is the character I most appreciate in the opera. It was sung by American mezzo Marianne Cornetti also replacing Olga Borodina, due to illness. She was a pleasant surprise for me because the last time I had heard her here she had not impressed me positively. She played a credible Amneris. Her voice has always well, both on low and on high registers. She was solid throughout the performance and, despite the way she was dressed (which was none of her fault), she managed to give us an interesting artistic performance. She was very good.

Radamès was sung by the Uruguayan tenor Carlo Ventre. He was the weakest of the night. The timbre is vulgar, the voice is irregular, the high notes were in great effort and often more shouted than sung. And, as I said, he had a behaviour appealing to the applause of the audience that, ultimately, he, did not deserve. Artistically he was a disaster.

Michael Volle, German baritone, sang superbly the role of Amonastro, king of Ethiopia. He possesses a beautiful, agile and potent voice. He gave us a very convincing interpretation of the prisoner king.

Ramfis was interpreted by Ukrainian bass Vitalij Kowalow. He was another good singer of the night. His voice was heard with quality, consistency and good projection.

English bass Brindley Sherratt played the King of Egypt with quality, giving us an audible and interesting voice, especially in the lower notes.

I began this text stating that I love this opera because it lets you enjoy a grand (vocal and scenic) performance. Despite the exceptional performance of the conductor, the orchestra and the choir, and some very good singers, that's not what I felt. And I regret it because my expectations were high.

The magic was absent ...

***

terça-feira, 24 de maio de 2011

TOSCA – Opéra de Paris, Bastille, Maio de 2011


Hoje inicia-se uma nova etapa no Fanáticos da Ópera: A publicação de textos escritos por leitores do blogue.

Aceitámos o desafio e é com particular satisfação que o iniciamos com a contribuição de um autor do País irmão, o Brasil. O texto, naturalmente, está escrito em português do Brasil, “português com açúcar”, como referiu um dos maiores vultos da literatura nacional.

Em nome dos Fanáticos da Ópera dou as boas vindas ao Eduardo Vieira e agradeço o seu enriquecedor contributo:




"Sendo esta minha primeira contribuição a este fantástico blog, acho que cabe me apresentar.

Meu nome é Eduardo, tenho 38 anos, sou brasileiro e moro no Rio de Janeiro. Gosto de ópera desde os 16 anos quando ouvi um disco do Luciano Pavarotti, adorei, e fui, sózinho, assistir uma récita de Rigolleto do Theatro Municipal do Rio.

Como a quantidade (e a qualidade) das récitas que temos chance de assistir no Brasil varia muito, minha atividade operística se resume praticamente ao que consigo assistir em viagens ao exterior e a as transmissões do MET (aliás, foi após assistir a maravilhosa transmissão de Iphigenie en Tauride que, precisando dividir minhas impressões com alguem, acabei encontrando este blog na internet).

Desde então, planejei relatar as minhas impressões sobre as récitas que assistiria na viagem que fiz durante este último mês a França, Áustria e Alemanha.

Quero deixar claro que sou um melômano sem formação musical, portanto minha cronica não pretende "julgar" os interpretes quanto a suas qualidades ou seu potencial. Apenas vou dar a minha impressão. De maneira nenhuma sou o dono da verdade.

A primeira ópera que assisti nessa viagem foi Tosca, no Opera Bastille, no dia 2 de Maio de 2011. Foi a primeira vez que assisti a essa ópera ao vivo, mas obviamente já a assisti em diversas gravações de DVD e confesso ser uma das minhas óperas favoritas, sendo então muito grande a expectativa que tinha quanto a essa montagem.


Devo dizer que minha expectativa não foi completamente atingida. Achei o tenor (Carlo Ventre) abaixo do que esperava (foi mal em "Recondita Armonia" a ponto de não ter sido aplaudido ao final da ária, foi engolido pela soprano no dueto do primeiro ato. Foi um pouco melhor na "E lucevan le stelle". Em termos não vi nada demais).

O barítono (Franck Ferrari) foi um pouco melhor, principalmente na parte cênica, mas falhou no fim do primeiro ato. Eu espero ouvir "Tosca me faz esquecer de Deus" acima de todo coro e da orquestra ele não conseguiu fazer isso. Pode ser culpa do tamanho do Teatro, que é imenso, mas eu estava na platéia e não era tão longe assim.

A soprano, Iano Tamar, salvou a noite. Fez uma excelente Tosca, na minha opinião. Foi muito aplaudida quando cantou "Vissi d'arte" e ao fim da apresentação.


Os papéis menores (a saber, Carlo Signi - Angelotti; Francisco Almanza - Spoletta; Matteo Peirone - Sacristão) não comprometeram

Quanto a encenação de Werner Schroeter, pro meu gosto, era por demais minimalista. Aquele palco imenso, com pouco cenário e muito profundo provavelmente não ajuda aos cantores. Alem disso, haviam algumas mise-en-scenes (uma estátua viva da madonna no primeiro ato, umas pessoas "assistindo" a tortura de Cavaradossi no segundo ato e um soldado morrendo no início do terceiro ato) que não contruibuiam em nada para o desenvolvimento da narrativa.


O lance da estátua me incomodou demais até porque ela se mexia diversas vezes, provavelmente para ilustrar o que acontecia na cena e tambem para que nós soubéssemos que era uma pessoa. Sendo assim, não deveria ela ser creditada, aparecendo nos créditos e vindo receber os aplausos ao fim da apresentação? Isso não aconteceu.

Ao final, acredito ter sido uma récita mediana. Não foi inesquecível, mas tambem não foi ruim. A soprano salvou a noite!


Como um último comentário, as récitas que assisti esse mês me deixaram com a impressão de que o "Met Live in HD" está nos tornando expectadores mais exigentes do que deveríamos. Alem de ter possibilidade de casting superior a maioria das casas de ópera, a transmissão do cinema consegue um som quase impossível de produzido sem amplificação. A gente se acostuma com aquele som cheio do cinema que, no teatro, dificilmente vai existir. Será que isso será bom para o futuro? Será que isso levará a uma concentração ainda maior do mercado, diminuindo ainda mais a quantidade de praças viáveis para a produção de novas montagens? Mas, ao mesmo tempo, essas transmissões são o melhor veículo que apareceu para o aumento do público de ópera nos últimos 20 anos. E aí? Deixo essas questões para vossos comentários."

Sds,

Eduardo

(Texto de Eduardo Vieira)