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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Balanço da minha Temporada 2012-2013 / Review of my 2012-2013 Season, por /by Fanático_Um


(Bayerische Staatsoper, Munique)

Na temporada 2012-2013 tive o privilégio de ouvir e ver muitos espectáculos e, na sua maioria, muito bons. Aponto neste balanço final apenas os que mais me marcaram.

Acontecimentos mais positivos em Portugal
Alguns concertos na Gulbenkian e, sobretudo, o recital de Joyce DiDonato, também na Gulbenkian.



Os Melhores espectáculos de Ópera
Foram vários aqueles que me deixaram excelentes memórias. Saliento, de entre eles, os excepcionais:
Der Fliegende Holländer em Zurique e em Berlim, Iolanta no Liceu de Barcelona, Giulio Cesare na Met (Nova Iorque) e, sobretudo, as 4 óperas do Anel de Munique

Os Superlativos:
Foram, sem qualquer dúvida, as 4 óperas do Anel de Munique, na Bayerische Staatsoper, Das Rheingold, Die Walküre, Siegfried e Götterdämmerung.
 É sempre um privilégio raro assistir a um anel completo e, nesta temporada, vi um em Munique e outro em Nova Iorque. Ambos muito bons, mas a qualidade do primeiro foi absolutamente excepcional.

 As grandes desilusões:
 A Tosca e o Rapto do Serralho em Zurique, a Salomé em Viena e o Trovador e Rigoletto em Lisboa.

E, finalmente, as medalhas:

Melhor espectáculo de ópera: 
As 4 óperas de O Anel do Nibelungo na Bayerische Staatsoper em Munique. Uma encenação moderna de grande impacto visual, cantores excepcionais e orquestra de primeiríssima água. Excepcional!!







Melhor interpretação masculina

Hans-Peter König,

 e Christophe Dumaux

Nada mais contrastante que escolher um baixo e um contra-tenor mas foram ambos excepcionais, o primeiro em vários papéis wagnerianos do Anel e o segundo na ópera Giulio Cesare.

Melhor interpretação feminina
Nina Stemme como Brünhilde no Crepúsculo dos Deuses, em Munique. 


Não há, na actualidade, nenhuma cantora que se aproxime da potência vocal, qualidade interpretativa e beleza tímbrica da Stemme nestes dificílimos papeis wagnerianos. Um privilégio único poder vê-la e ouvi-la!


My Season (2012-2013) Review, by Fanático_Um

In the 2012-2013 season I had the privilege to hear and see many operas, most of them very good. I point out in this final review the ones that influenced me the most.

Most positive events in Portugal
Some concerts at the Gulbenkian foundation and especially Joyce DiDonato 's recital , also at the Gulbenkian .

Best opera performances
Many left me great memories. I emphasize, among them, the exceptional ones:
Der Fliegende Holländer in Zurich and Berlin, Iolanta at the Liceu in Barcelona, Giulio Cesare at the Met ( New York ), and especially the four operas of the Munich´s Ring.

The superlatives:

The four operas of the Munich Ring, at the Bayerische Staatsoper, Das Rheingold , Die Walküre, Siegfried, and Götterdämmerung .
It's always a rare privilege to watch a complete Ring cycle and in this season I saw one in Munich and another in New York. Both were very good, but the quality of the first was absolutely exceptional.

The big disappointments:
Tosca and The Abduction from the Seraglio in Zurich , Salome in Vienna and Il Trovatore and Rigoletto in Lisbon .

And finally, the medals :
Best opera performance
The four operas of The Ring of the Nibelung in Bayerische Staatsoper in Munich. A modern staging of great visual impact, exceptional top quality singers and an excellent orchestra. Exceptional !

Best male performance
Hans Peter König, and Christophe Dumaux . Nothing more contrasting than to choose a bass and a counter- tenor but both were exceptional, the first in several wagnerian roles of the Ring, and the second in the opera Giulio Cesare.

Best female performance: 
Nina Stemme as Brunhilde in Twilight of the Gods, in Munich . There is, at present, no singer that reaches the vocal power, interpretative quality and beauty of timbre of Stemme in these extremely difficult wagnerian roles. A unique privilege to see her and hear her!

sábado, 28 de setembro de 2013

GIULIO CESARE, METropolitan OPERA, Nova Iorque, Maio de 2013 / New York, May 2013 – Primeira Récita / First Performance

(in english below)

Giulio Cesare é uma ópera de G. F. Haendel com libreto de Nicola Francesco Haym. Esta produção da Metropolitan Opera foi vista numa transmissão directa MetLive e comentada neste blogue aqui, pelo camo_opera que foi o único de nós que viu a transmissão. O seu texto refere o enquadramento histórico e muitas outras informações interessantes.
Eu tive o privilégio de ver, ao vivo, duas récitas.


 A encenação de David McVicar é muito vistosa, variada, colorida e cheia de acção. Nem os cantores são poupados. Cantam nas mais diversas posições e a movimentação em palco é muito exigente e, no caso do Tolomeo, acrobática. A acção atravessa diversas épocas históricas. No fundo do palco há 4 cilindros que giram continuamente simulando o movimento do mar, efeito usado no passado mas com grande impacto visual. Por lá vão passando, ao longo da récita, navios de diversas épocas históricas, outra opção muito interessante e de grande beleza estética.



 Mas ainda mais importante que a encenação foi a música. A Orquestra barroca foi dirigida pelo maestro inglês e cravista Harry Bicket. Em palco, no 2º acto, o excelente solo de violino foi tocado por David Chan. Toda a interpretação musical foi excelente. E os solistas não poderiam ter sido melhores:


Romanos:
O contratenor norte americano David Daniels foi Giulio Cesare. Já o ouvi ao vivo várias vezes e, mais uma vez, gostei. Tem uma voz bem audível, de timbre agradável e bem colocada. Esteve bem cenicamente, a interpretação é exigente mas, dada a concorrência, não sobressaiu.


 Cornelia, viúva de Pompeu, foi interpretada pelo mezzo irlandês Patricia Brandon. A voz é ampla, bem audível, expressiva e sempre afinada, e a cantora teve uma interpretação muito convincente.


 O mezzo inglês Alice Coote foi o Sesto Pompeo, filho de Cornelia. Foi uma das melhores intérpretes da noite, embora seja difícil a escolha. Coote tem uma voz com invulgar qualidade e projecção em toda a sua extensão. Foi insuperável. Já a vi várias vezes, quase sempre a fazer papéis masculinos, que lhe assentam muito bem, dadas as suas características físicas e vocais.


 Egípcios:
Cleópatra foi interpretada pelo soprano francês Natalie Dessay. Foi assombrosa. Já há muito tempo que não assistia a uma interpretação de Dessay com esta qualidade. É uma actriz que canta e fá-lo como poucas outras cantoras. Tem uma figura excelente, as suas qualidades dramáticas são insuperáveis e a voz esteve ao seu mais alto nível, sem denotar qualquer sinal de desgaste que já lhe ouvi em outras interpretações. E a exigência cénica do papel não é para uma qualquer. Uma grande Senhora da ópera!


 O contratenor francês Christophe Dumaux foi o seu irmão Tolomeu, rei do Egipto e um dos vilões da ópera. Não o conhecia e fiquei boquiaberto com a interpretação. Vocalmente foi o melhor dos contratenores, com uma voz de beleza assinalável, sobretudo no registo mais agudo que é sempre perfeitamente audível e manteve qualidade insuperável ao longo de toda a récita. Não bastasse a voz, o homem é também um atleta e fez de tudo em palco com uma agilidade estonteante e aparente facilidade (até um salto mortal). McVicar tirou o maior partido das invulgares capacidades físicas do cantor, que nos proporcionou uma interpretação como raramente se vê em ópera.


 O terceiro contratenor em cena foi o marroquino Rachid Ben Abdeslamm que interpretou o Confidente de Cleópatra Nireno. Foi outra boa interpretação, cénica e vocal, apesar de o papel ser relativamente pequeno.


 Finalmente o barítono italiano Guido Loconsolo foi um Achilla à altura dos restantes intérpretes. A voz é bem timbrada e o cantor interpretou o papel de forma firme e segura. Também tem uma figura muito adequada à personagem, algo que foi uma constante em todos os solistas.


 Um Giulio Cesare de luxo que, ao contrário do que tinha planeado, me fez ver a ópera duas vezes nesta semana em que estive em Nova Iorque.









 Dentro de dias publico fotografias da segunda récita.

*****



GIULIO CESARE Metropolitan Opera, New York, May 2013

Giulio Cesare is an opera by G. F. Handel with libretto by Nicola Francesco Haym. This production of the Metropolitan Opera was seen in a direct MetLive transmission and was commented on this blog, by camo_opera. In his text you can find the historical background and many other interesting information.
I had the privilege to see, live, two performances.

The staging by David McVicar is very showy, varied, colorful and full of action. Not even the singers are spared. They sing in various positions and the movement on stage is very demanding and, in the case of Tolomeo, acrobatic. The action passes through different historical periods. In the back of the stage there are 4 cylinders that rotate continuously simulating the motion of the sea, an effect used in the past but with great visual impact. There navigate, along the performance, ships from various historical eras, another very interesting option of great aesthetic beauty.

But even more important that the staging was the music. The Baroque Orchestra was directed by British conductor and harpsichordist Harry Bicket. On stage, in the 2nd act, the excellent violin solo was played by David Chan. All musical performance was excellent. And the soloists could not have been better:

Romans:
North American countertenor David Daniels was Giulio Cesare. I've heard him live several times, and once again I enjoyed. His voice has a broad, pleasant timbre and is well projected. The singer was well on stage, the performance is demanding, but given the competition, he did not excelled.

Cornelia, widow of Pompey, was interpreted by Irish mezzo Patricia Brandon. Her voice is very audible, expressive and always in tune, and the singer had a very convincing performance.

English mezzo Alice Coote was Sesto Pompeo, son of Cornelia. She was one of the best performers of the night. Coote has an amazing voice with an unusual quality in all its extension. She was unsurpassed. I've seen her several times, almost always doing male roles that fit her very well, given her physical and vocal characteristics.


Egyptians:
Cleopatra was interpreted by French soprano Natalie Dessay. She was astonishing. It was one of the best interpretations of Dessay I have attended. She is a singing actress and she performs like few other singers. She has an excellent figure, her dramatic qualities are unsurpassed and her voice was at its highest level without any sign of fatigue that I have heard in other interpretations.
And the staging demand of the role is remarkable. A great Lady of the opera!

French countertenor Christophe Dumaux was his brother Tolomeo, king of Egypt and one of the villains of the opera. I did not know him and I was awestruck by the interpretation. He was vocally the best of countertenors with a noticeable beautiful voice, especially in the high register that was always well audible. He maintained the top quality throughout the performance. Besides the voice, the man is also an athlete and did everything on stage with a dizzying speed and apparent ease (even a somersault). McVicar took the most of the unusual physical abilities of the singer, who gave us an interpretation rarely seen in opera.

The third countertenor was Moroccan Rachid Ben Abdeslam who played Cleopatra's confidant Nirenus. He was another good performer, artistic and vocal, though the role is relatively small.

Finally, Italian baritone Guido Loconsolo was an Achilla at the same level of the other soloists. The voice has a pleasant timbre and the singer was firm. He also has a very suitable figure for the character, something that was constant in all the soloists.

A luxury Giulio Cesare that, contrary to what I had planned, I saw twice in the week I was in New York.

In a few days I will post some pictures of the second performance.

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domingo, 28 de abril de 2013

GIULIO CESARE de G. F. Handel — MET Live in HD, FCG — 27.04.2013


A ópera Giulio Cesare de Georg Friedrich Handel tem libreto de Nicola Francesco Haym e foi estreada no King’s Theatre em Londres no ano de 1724.

A história remonta ao ano 48 a.C. quando a guerra civil de Roma leva César em perseguição de Pompeu que, ao chegar a Alexandria, acaba morto por Ptolomeu, adolescente à frente do Egipto e irmão de Cleópatra, desencadeando um rebuliço geo-político-militar que se tornou um dos episódios iconográficos da história da decadência da república romana. Poderão lerão uma sinopse aqui.


A encenação de David McVicar pertence à Glyndebourne Festival Opera. Põe a acção base no período imperial inglês na Índia do século XIX. O palco está adiantado em relação ao habitual com cinco colunatas sucessivas. Ao fundo, quatro cilindros giratórios representam o mar da baía de Alexandria onde aparecem diversas frotas de barcos de diversos tipos e períodos históricos. Essa transversalidade histórica fica bem patente também no guarda-roupa muito variado. A encenação permite um acompanhamento muito eficaz da obra e expõe todo o espectro de emoções desta ópera que é cómica, trágica, romântica e dramática ao mesmo tempo. A direcção de actores, sempre muito adequada à música e ao texto, é absolutamente complexa e extremamente exigente do ponto de vista físico para os cantores, com imensos números acrobáticos e coreografias.


Giulio Cesare foi o contratenor David Daniels. O seu papel é vocalmente muito exigente e o encenador exigiu-lhe, também, uma enorme entrega física. O contratenor tem uma voz ampla, e encorpada e foi muito regular, oferecendo uma interpretação vocal de muito bom nível e uma enorme disponibilidade física.


O mezzo-soprano Patricia Bardon foi Cornélia. Apresentou-se com uma voz quente bem projectada e cenicamente em muito bom nível, sendo de destacar os seus duetos com Sexto.


Sexto, filho de Pompeu, foi interpretado pelo mezzo-soprano Alice Coote. Tem uma voz com um timbre belíssimo, sempre muito afinada e com uma amplitude muito bem controlada e com agudos perfeitos. Cenicamente esteve muito bem, tendo sido muito coerente e expressiva ao longo de toda a récita. No meu entender, foi o melhor e mais consistente cantor da récita.


O soprano francês Natalie Dessay foi Cleópatra. É um soprano que nos tem habituado a interpretações cénicas de excelência, o que se verificou hoje. Esteve sublime nesse componente. O papel era extremamente exigente e o encenador obrigou-a a fazer quase tudo no palco: até a mudar de roupa! Vocalmente é dotada de uma voz com um timbre muito agradável e, apesar de uma ou outra falha no ataque a uma ou outra nota aguda, teve uma interpretação de óptimo nível. Hoje, se havia dúvidas, demonstrou ser imbatível do ponto de vista cénico: é sobretudo uma actriz de mão cheia com uma voz enorme!


Ptolomeu foi interpretado pelo contratenor Christophe Dumaux. Dos contratenores em palco foi aquele de cuja voz mais gostei: tem um agudo muito bonito e bem sustentado e esteve em muito bom nível vocal. Cenicamente foi, também, uma revelação: faz tudo até piruetas e acrobacias de nível muito atlético. Ele e Dessay teriam nota artística elevada em provas de ginástica artística!


O barítono Guido Loconsolo foi Achilla. Tem uma envergadura física impressionante o que o ajudou cumprir eficazmente do ponto de vista cénico. A sua voz tem um timbre convencional, mas esteve técnica e interpretativamente muito bem. Teve, pois, uma excelente estreia no MET.


O contratenor Rachid Ben Abdeslamm foi Nireno. O seu papel não é muito extenso, mas é extremamente cómico. Fê-lo na perfeição vocal e cenicamente, tendo sido mais uma óptima estreia no MET.


Harry Bicket foi o maestro que dirigiu a Orquestra do Metropolitan e foi também o intérprete do cravo. O nível foi óptimo com um som de orquestra barroca assinalável, muito elegante e brilhante. Foi acompanhado, também, por David Chan, o violinista que sob ao palco para acompanhar Giulio Cesare: além da sua óptima interpretação, acompanhou de modo sublime Daniels com uma expressividade corporal assinalável.

Assistiu-se, portanto, a um conjunto de excelentes interpretações vocais e orquestrais secundados por uma encenação de grande qualidade. Que óptima maneira de acabar a temporada do MET Live in HD!