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sábado, 2 de dezembro de 2017

THE EXTERMINATING ANGEL, METropolitan Opera, Nova Iorque /New York, Novembro / November 2017

(text in English below)

A nova opera de Thomas Adès, The Exterminating Angel, esteve pela primeira vez em cena na Metropolitan Opera de Nova Iorque numa produção de Tom Cairns.



A ópera é baseada num filme surrealista homónimo de Luis Buñuel (1962) em que um casal aristocrata convida um grupo de amigos para um jantar após assistirem a uma ópera e, por razões inexplicáveis, ficam psicologicamente aprisionados na sala, onde acontecem episódios insólitos em sucessão. À época o filme foi considerado uma crítica ao regime fascista de Franco em Espanha. A crítica actual, muito favorável, sugere que pode ser também uma metáfora à situação presente nos EUA.



Interpretações à parte, confesso que a ópera foi difícil para mim (para dizer o mínimo). Antes do início há 3 carneiros vivos no palco, que regressam mais tarde (já em figuras), um dos quais será morto e comido pelos participantes no jantar.



A direcção musical foi do próprio compositor, Thomas Adès e a música é globalmente difícil, embora com partes mais acessíveis.



Participam 15 solistas e, nesta produção, todos cantores de grande qualidade. Os anfitriões Edmundo de Nobile (tenor Joseph Kaiser) e a sua mulher Lucia de Nobile (soprano Amanda Echalaz) convidaram Leticia Maynar (Audrey Luna), soprano de registo muito agudo que é a cantora de ópera que os convidados ouviram e homenageiam. O barítono Rod Gilfry é Alberto Roc, o maestro, que vem com a mulher, a pianista Blanca (mezzo Christine Rice). Uma viúva jovem, Silvia de Ávila (soprano Sally Matthews) tem uma relação incestuosa com o irmão, Francisco de Ávila (contratenor Iestyn Davies). Um médico, Dr. Carlos Conde (baixo John Tomlinson) acompanha a doente terminal Leonora Palma (mezzo Alice Coote). Beatriz (soprano Sophie Bevan) e o noivo Eduardo (David Portillo) estão profundamente apaixonados um pelo outro e fazem um pacto de suicídio depois de passarem a primeira noite juntos dentro de um armário. Finalmente Raul Yebenes, um explorador (tenor Frédéric Antoun), o coronel Alvaro Gómez (barítono David Adam Moore) e o idoso Señor Russel (baixo Kevin Burdette) completam a lista de convidados, para além do criado Julio (baixo barítono Christian Van Horn).





Um espectáculo surreal que está visto.

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THE EXTERMINATING ANGEL, METropolitan Opera, New York, November 2017

Thomas Adès's new opera, The Exterminating Angel, was on stage for the first time at the Metropolitan Opera in New York on a Tom Cairns production.

The opera is based on a homonymous surrealist film by Luis Buñuel (1962) in which an aristocratic couple invites a group of friends to a dinner after attending an opera and, for unexplained reasons, are psychologically imprisoned in the room, where unusual episodes take place in succession. At the time the film was considered a critic to the fascist regime of Franco in Spain. The current, very favorable critique suggests that it can also be a metaphor for the present situation in the USA.

Interpretations aside, I confess that the opera was difficult for me (to say the least). Before the start there are 3 live sheep on stage, which return later (already in statues), one of which will be killed and eaten by dinner participants.

The musical direction was of the composer himself, Thomas Adès and the music is globally difficult, although with more accessible parts.

There are 15 soloists and, in this production, all singers of top quality. Hosts Edmundo de Nobile (tenor Joseph Kaiser) and his wife Lucia de Nobile (soprano Amanda Echalaz) invited Leticia Maynar (Audrey Luna), a very top register soprano who is the opera singer whom the guests listened to and honor. The baritone Rod Gilfry is Alberto Roc, the conductor, who comes with his wife, the pianist Blanca (mezzo Christine Rice). A young widow, Silvia de Ávila (soprano Sally Matthews) has an incestuous relationship with her brother, Francisco de Ávila (countertenor Iestyn Davies). A doctor, Dr. Carlos Conde (bass John Tomlinson) accompanies the terminally ill patient Leonora Palma (mezzo Alice Coote). Beatriz (soprano Sophie Bevan) and her fiancé Eduardo (David Portillo) are deeply in love with each other and make a suicide pact after spending the first night together in a closet. Finally Raul Yebenes, an explorer (tenor Frédéric Antoun), Colonel Alvaro Gomez (baritone David Adam Moore) and the elderly Mr. Russel (bass Kevin Burdette) complete the list of guests, in addition to the servant Julio (bass baritone Christian Van Horn).

A surreal opera that is seen.


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segunda-feira, 6 de março de 2017

LES CONTES D’HOFFMANN, Royal Opera House, Londres / London, Dezembro / December 2016


(review in English below)

Les Contes D’Hoffmann de J Offenbach, na magnífica encenação (de 1980) de John Schlesinger, revista por Daniel Dooner, esteve em cena pela última vez na Royal Opera House.


A encenação, ao estilo clássico, é um festim para os olhos, rica, luxuosa, diversificada e de bom gosto. O prólogo e o epílogo decorrem no mesmo cenário rico de uma taberna em Nuremberg. Hoffmann conta as histórias dos seus três amores infelizes. 


No primeiro acto é a história de Olympia, uma boneca construída por Spalanzanni. A encenação é excelente e a interpretação da cantora também.


Nesta produção, o 2º acto é a história da cortesã Giulietta que rouba o reflexo a Hoffmann. O luxuoso ambiente de Veneza é bem representado no palco. 


No 3º é a história de Antonia, cantora lírica que não pode cantar por estar tuberculosa e que o Dr. Miracle obriga a cantar até à morte. Antes do epílogo tivemos direito à repetição da barcarola, desta vez só em versão instrumental.

A direcção musical, por vezes algo frouxa, foi do maestro Evelino Pidò.



O tenor americano Leonardo Capablo fez um Hoffmann de grande qualidade. No início poupou-se um pouco mas depois demonstrou segurança e correcção na voz que tem um timbre muito agradável.

A sua musa, Nicklause, foi uma das grandes interpretações da noite, pelo mezzo americano Kate Lindsey. Sempre ao mais alto nível, com um timbre escuro muito bonito, foi fantástica na imitação da Olympia.

A Olympia do soprano russo Sofia Fomina foi excelente tanto vocal como cenicamente. A coloratura impressionante e a movimentação cénica perfeita. Também excelente foi a interpretação de Christophe Mortagne como Spalanzani, o criador da Olympia.

Outra interpretação de luxo foi a do mezzo britânico Christine Rice no papel da cortesã Giulietta. A voz é fabulosa e a encenação beneficia-a muito.

A história de Antonia foi a menos impressionante. Se da presença em palco nada há a dizer, a interpretação do soprano norueguês Marita Solberg foi parca em doçura e forte em intensidade vocal, com tendência para a estridência. Também o pai, Crespel, o baixo Americano Eric Halvarson esteve bem sem encantar.

O barítono americano Thomas Hampson foi o vilão de serviço, nos papéis de Lindorf, Coppélius, Deppertutto, Dr. Miracle. O cantor teve uma excelente presença em palco e tem uma voz grande e de timbre bonito, mas talvez demasiado clara para estas personagens.

No final as cortinas não abriram, pelo que as fotografias ficaram aquém do desejável. Será uma encenação que deixará saudades.





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LES CONTES D'HOFFMANN, Royal Opera House, London, December 2016

Les Contes D'Hoffmann by J Offenbach, in the magnificent 1980s production by John Schlesinger, reviewed by Daniel Dooner, was on stage for the last time at the Royal Opera House.
The staging, in the classic style, is a feast for the eyes, rich, luxurious, diverse and pleasant. The prologue and the epilogue take place in the same rich setting of a tavern in Nuremberg. Hoffmann tells the stories of his three unhappy loves. In the first act is the story of Olympia, a doll built by Spalanzanni. The staging is excellent and the singer's interpretation as well.
In this production, the second act is the story of the courtesan Giulietta who steals the reflection from Hoffmann. The luxurious atmosphere of Venice is well represented on stage. In the 3rd act is the story of Antonia, a lyric singer who can not sing because she has tuberculosis and that Dr. Miracle obliges to sing to death. Before the epilogue we had the right to the repetition of the barcarola, this time only in instrumental version.

The musical direction, sometimes something loose, was by maestro Evelino Pidò.

American tenor Leonardo Capablo was a Hoffmann of great quality. At first he spared himself a little, but then he demonstrated security and assertiveness in the voice that has a very pleasant timbre.

His muse, Nicklause, was one of the great interpretations of the night, by the American mezzo Kate Lindsey. Always at the highest level, with a very beautiful dark timbre, she was fantastic in the imitation of Olympia.

The Olympia of the Russian soprano Sofia Fomina was excellent both vocal and on stage. She was impressive in the coloratura. Also outstanding was the interpretation of Christophe Mortagne as Spalanzani, the Olympia's constructor.

Another luxury interpretation was that of the British mezzo Christine Rice in the role of the courtesan Giulietta. The voice is fabulous and the scenario benefited her a lot.

Antonia's story was less impressive. If nothing is to be said about the staging, the interpretation of the Norwegian soprano Marita Solberg was sparing in sweetness and strong in vocal intensity, with a tendency for stridency. Also her father Crespel, the American bass Eric Halvarson was well but without enchantment.

American baritone Thomas Hampson was the villain on duty in the roles of Lindorf, Coppélius, Deppertutto, Dr. Miracle. The singer had a great stage presence and has a big, beautiful, but perhaps too light voice for these characters.

In the end, the curtains did not open, so the photos fell short of what was desirable. It will be a performance that will be missed.


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sábado, 19 de novembro de 2016

LES CONTES D’HOFFMANN ; Royal Opera House, Novembro 2016


LES CONTES D’HOFFMANN   (Jacques Offenbach)

Ópera em três Actos, Prólogo e Epílogo

Transmissão em directo do espectáculo na ROH
Cinemas UCI El Corte Inglés Lisboa– Sala 9    15/11/2016

Libreto de Jules Barbier, baseado na peça homónima de Jules Barbier e Michael Carré, a partir de Contos fantásticos de E.T.A.Hoffmann

Direcção musical: Evelino Pidò
Encenação: John Schlesinger

Reposição da encenação:  Dan Dooner
Cenografia: William Dudley
Luzes: David Hersey
Roupas: Maria Björnson
Coreografia: Eleanor Fazan
Direcção de lutas: William Hobbs
Direcção de movimentos: Elenor Fazan

Hoffmann: Vittorio Grigòlo
Nicklausse/Musa da poesia: Kate Lindsay
Lindorf/Coppelius/Dr.Miracle/Dapertutto: Thomas Hampson
Olympia: Sofia Fomina
Antonia: Sonya Yoncheva
Giulietta: Christine Rice
Stella: Olga Sabadoch
Spalanzani: Christophe Mortagne
Crespel: Eric Halfvarson
Nathanael: David Junghoon Kim
Hermann: Charles Rice
Schlémil: Yuriy Yurchuk
Luther: Jeremy White
Andrès/Cochenille/Pittichinaccio/Frantz: Vincent Ordonneau
Mãe de Antonia: Catherine Carby

Orchestra of the Royal Opera House
Royal Opera Chorus

Produção: ROH (1980)
Realizador da transmissão: Jonathan Haswell

Trata-se de uma produção de há 36 anos que entretanto se tornou uma referência. Compreende-se facilmente por que razão ao vê-la na magnífica versão transmitida em directo da sala de Covent Garden.
Schlesinger, um realizador de cinema com fortíssimas ligações à música, evidenciadas desde o início da sua carreira com o fabuloso Terminus, com música de Britten, conseguiu também justa celebridade com esta sua primeira experiência no campo da ópera.

Jonathan Haswell, o realizador desta versão em vídeo (que deverá ser publicada em formato digital no próximo ano), mostra como é possível fazer uma transmissão em directo com grandíssima qualidade a partir de um espectáculo operático.

Por detrás do filme que nos é apresentado existem claramente um guião, uma planificação, uma montagem e uma verdadeira direcção/realização. O contraste com as transmissões do MET de Nova Iorque é colossal.

As condições de reprodução na melhor sala de cinema do complexo de São Sebastião foram excelentes, embora o nível da intensidade do som necessite ser afinado. Uma pequena interrupção da difusão ocorrida no terceiro acto foi solucionada em breves segundos sem perda de qualidade.

Naturalmente o problema da percepção da qualidade das vozes e da orquestra, inerente ao facto de se tratar de um registo, persiste. Porém neste caso a solução adoptada para a captação e manipulação dos diferentes registos sonoros conseguiu em geral um resultado aceitável, embora por vezes a voz se tenha sobreposto demasiadamente ao fundo orquestral.

A direcção de actores foi excelente, uma clara herança de Schlesinger. Pidò dirigiu sem brilho o conjunto.

Embora naturalmente este tipo de transmissões não possa substituir o espectáculo da ópera ao vivo, temos de reconhecer que este exemplo não provoca, ao contrário de outros propostos neste nascente nicho do mercado cinematográfico, um afastamento do público em relação ao espectáculo operático.


José António Miranda     16/11/2016

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Missa em si menor, Johann Sebastian Bach – Fundação Calouste Gulbenkian – 4 Outubro 2012


(review in english below)

A Temporada 2012-2013 da Fundação Calouste Gulbenkian iniciou-se ontem com a Missa em si menor de Johann Sebastian Bach.


Não sei se com alguma intenção específica mas parece-me a melhor escolha para iniciar esta temporada. Digo isto porque Bach compôs a obra no final da vida, mais concretamente no ano anterior à sua morte, e nela existem passagens previamente compostas em anos anteriores, não necessariamente conferindo uma síntese da sua vida de composição mas, de certo modo, a poder ser, no mais básico pensamento, assim considerada. No ano em que a Orquestra Gulbenkian comemora a bonita idade de 50 anos, por que não iniciar a Temporada com uma obra de síntese de vida? E por que não esta, de Johann Sebastian Bach, que faleceu no ano de 50 do século XVIII? Curioso, não?

O Concerto de ontem fez-me viajar de volta à altura do meu 2º ano de Faculdade, onde a agora velhinha gravação de Frans Bruggen da Philips preenchia grande parte dos dias dos primeiros meses de estudo. É engraçado como as memórias conseguem ser reavivadas através de sons, de odores, de visões... Não é esse o maior tesouro que levamos da Vida quando esta termina, ou muda de estado como eu acredito, com  a morte? As Memórias... os Sentimentos...

John Nelson conduziu a adaptada Orquestra Gulbenkian de forma exímia. O espírito barroco esteve presente com uma simplicidade incrível. O Coro, estratosférico, continua a impressionar-me pela alegria com que faz música e pela coesão emocional de grupo. Para estes músicos, vê-se que fazer música é um prazer imenso! E o prazer que, no seu conjunto, nos trazem quando nos oferecem também o silêncio sepulcral, síncrono, no final de cada número cantado. Deleite não só na música mas também em algo que a integra e que a exalta: o silêncio quando termina; uma espécie de contrariedade que não o é – prazer no silêncio porque houve música antes e não tristeza no silêncio porque esta terminou.

Christine Rice, invariavelmente, sobressaiu entre os solistas ao interpretar celestialmente a provavelmente mais emblemática passagem da obra: o Agnus Dei. Johanette Zomer esteve muito bem, assim como Werner Gura. Apenas me desgostou o timbre ou, não sei se assim se pode chamar, a reverberação da voz do baixo Nathan Berg. O “Et in Spiritum Sanctum”, o grande momento do baixo na obra, não deixou de soar algo rude.

Excelente início de Temporada!






Mass in B minor, Johann Sebastian Bach - Calouste Gulbenkian Foundation – October 4, 2012

The 2012-2013 Season of the Calouste Gulbenkian began yesterday with the Mass in B minor by Johann Sebastian Bach.



I do not know if with any specific intention but it seems to me the best choice to start this season. I say this because Bach composed the work at the end of his life, specifically in the year before his death, and there are passages in it composed in previous years, not necessarily giving an overview of his compositor life but, somehow, it can be , in the most basic thinking, thus considered. In the year that the Gulbenkian Orchestra celebrates the beautiful age of 50, why not start the season with a work of synthesis of life? And why not this one, by Johann Sebastian Bach, who died in the year 50 of the eighteenth century? Curious, no?

The yesterday concert made me travel back to the time of my 2nd year of college, where the now old recording of Frans Bruggen (Philips label) filled most days of the first months of study. It's funny how memories can be revived through sounds, smells, sights ... Is not that the greatest treasure we carry from Life when it ends, or changes state as I believe, with death? Memories ... Feelings ...

John Nelson conducted the adapted Gulbenkian Orchestra superbly. The Baroque spirit was present with amazing simplicity. The Choir, stratospheric, continues to impress me with the joy in making music and the emotional group cohesion. For these musicians, it is seen that making music is a great pleasure! And the pleasure they bring us togheter when also offer the sepulchral silence, synchronous, at the end of each number sung. Delight not only in music but also in something that enhances and integrates it: silence when it finishes, a kind of annoyance that is not - pleasure in silence because there was music before and not sadness in silence because the music ended.

Christine Rice invariably stood out among the soloists by celestially performing probably the most emblematic passage of the work: the Agnus Dei. Johanette Zomer was very good as well as Werner Gura. Only the pitch or, I do not know if we may call it, the reverberation of the bass voice of Nathan Berg disgusted me. The "Et in Spiritum Sanctum," the highest bass moment in the work, sounded harsh.

Excellent beginning of season!