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domingo, 22 de agosto de 2010

Tristan und Isolde - Royal Opera House, Londres - 2 de Outubro 2009

Em jeito de memória, venho trazer a este Blog um pequeno apontamento sobre um espectáculo bastante bom que eu e FanaticoUm tivemos o prazer de assistir no início da Temporada em Londres.

Londres é um dos sítios onde se consegue ir e ver duas ou três óperas seguidas, principalmente no final da temporada mas, por vezes, também no início da mesma.

Assim, em Outubro de 2009, assistimos a um Don Carlo fantástico com Jonas Kaufmann, Simon Keelyside, Ferrucio Furlanetto e John Tomlinson, seguido de um Tristão e Isolda com Nina Stemme, Ben Heppner, Michael Volle, Sophie Koch e John Tomlinson e, com alguma ginástica de bilhetes, conseguimos ainda ver a Carmen com Elina Garanca, Roberto Alagna e Ildebrando d’Arcangelo.

É sobre este Tristão que quero deixar umas palavras. Antes da récita tive uma primeira desilusão que foi o facto de Matti Salminen ter de cancelar as primeiras récitas por ter sido operado ao joelho. Ainda não era desta que o via ao vivo e via o seu Rei Marke. Do mesmo modo que estou sempre a falar no blog sobre o seu Gurnemanz que ainda não tive oportunidade de ver ao vivo. A segunda desilusão, mas algo já relativamente esperado, foi Ben Heppner, cuja voz quebrou mesmo ainda antes do dueto do 2º acto.

Apesar destes pontos negativos, a récita foi memorável muito pela presença de 3 cantores fantásticos e em excelente forma: Nina Stemme, Michael Volle e Sophie Koch.

Nina Stemme foi uma excelente Isolda! Timbre muito bonito, com força mas não comprometendo a afinação e o dramatismo, facilmente sobrevoa uma orquestra wagneriana. Sublime a sua prestação e a grande heroína da noite, infelizmente não suportada por um Tristão à altura.

Michael Volle é um baixo-barítono fantástico! Dotado de uma classe exemplar em palco, voz forte e dramática, foi um prazer ouvir o seu Kurwenal. Ainda não tive oportunidade de o rever ao vivo mas espero poder fazê-lo no futuro. Brevemente estará à venda um DVD com adaptação cinematográfica de Der Freischutz e podem dar um olhinho ao seu Amfortas na gravação do Parsifal de Zurich – fantástica (encenação igual à de Barcelona no próximo ano).

Sophie Koch tem uma voz de mezzo sublime! Em tudo se aplica o que referi sobre os dois cantores prévios.

Em relação a Ben Heppner já estávamos à espera que quebrasse a voz. Alguém o ouviu na net no 2º acto do Tristão nos PROMS? Também teve algumas excursões vocais interessantes... Sem dúvida que tem uma voz fenomenal mas estas gaffes são frequentes e distraem muito, além de serem intoleráveis ao nível que se pretende. Estivemos sempre à espera de quando ia falhar o que foi muito incomodativo. A escolha de Peter Seiffert ou Ian Storey teria sido uma aposta ganha e um Tristão à altura da Isolda que tivemos.

John Tomlinson já está na recta descendente da carreira. Sem graves potentes e com agudos onde tem de literalmente puxar pelo movimento do corpo para que estes saiam e, mesmo assim, pouco bonitos. Esta ginástica física e vocal levam por vezes a sorrisos tímidos, muito semelhantes aos que se podem fazer quando se ouvem as gaffes de Ben Heppner. Mas Tomlinson ainda é audível e raramente desafina, aliando a isto uma presença forte em palco.

A Orquestra da Royal Opera e Pappano estiveram muito bem.

A encenação foi muito simples e pobre. Uma mesa com vários convidados ocasionais, cadeiras dispersas em palco, ambiente muito escuro... Foi a antítese do Tristão em Barcelona, muito colorido e infantil.





domingo, 7 de março de 2010

Lohengrin - Deutsche Oper Berlim - 13 Fevereiro 2010

Encontro de novo com... Ben Heppner. Nada semelhante ao que se viu em Londres no Tristão e Isolda - Outubro 2009, onde a voz falhou desde o final do 1º acto até ao fim. Esteve muito bem vocalmente (um ou outro "tremor" da voz em algumas passagens, fruto de não "limpar" a garganta como Domingo hoje em dia faz em Wagner, aí umas 50 vezes / récita...) mas sem ir buscar a voz muito aos brônquios como quem vai literalmente cuspir notas. Cenicamente um pouco rígido nas marcações de palco mas superou tudo isso com a parte vocal.

A Elsa foi Ricarda Merberth que esteve igualmente muito bem, aparte de algumas caretas a cantar.

Destaco o grande motivo que me levou a ver este Lohengrin - Waltraud Meier. Finalmente completo um ciclo de a ver como Sieglinde, Isolda, Kundry e agora Ortrud. É realmente uma referência em Wagner. Nota-se, comparativamente às vezes que a vi em palco, que tem dias para o seu timbre. Aqueles agudos com uma sonoridade que não engana ao se pensar que vem do seu aparelho vocal, soam mais belos ou mais gritados, consoante o dia... Aqui esteve um misto que se aplica até bem à personagem. O final, na despedida de Lohengrin, foi particulamente bonito o efeito que deu na voz... parestesias... E a excelente actriz que é! 2º acto soberbo! A encenação também muito tradicional, mais ainda que o Tannhauser. Achei particularmente conseguido o final do 2º acto, quando antes de entrar na igreja para se casar com Lohengrin, Elsa não resiste a olhar para trás e foca nos olhos Ortrud... a dúvida de quem é e de onde vem o cavaleiro... O maior grau de parestesias foi aí, e curiosamente não por um momento unicamente musical, mas sim cénico (interessante...).

O Coro mais uma vez soberbo!!!