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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

PORGY AND BESS, English National Opera, Outubro / October 2018



 (review in English below)

Porgy and Bess de George Gershwin, com libreto de DuBose e Doroty Heyward e Ira Gershwin passa-se na década de 1920 em Charleston, Carolina do Sul, na localidade (fictícia) de Catfish Row. Numa comunidade de negros, conta a história de um mendigo deficiente físico (Porgy), que tenta conquistar a sua amada (Bess) amante de um homem violento e assassino (Crown), e de um traficante de drogas (Sportin’s Life).
Foi uma obra polémica, considerada racista na forma como retrata os negros americanos na época.



A música é muito rica e agradável, com influencias da folk e do jazz, e inclui diversas passagens transformadas posteriormente em canções bem conhecidas como o Summertime, que abre o espectáculo e reaparece posteriormente.



O espectáculo apresentado pela English National Opera é uma co-produção com a Metropolitan Opera de Nova Iorque e a Dutch National Opera. A encenação de James Robinson é excelente. O palco é rotativo e mostra as casas (e seus interiores) dos habitantes da comunidade piscatória e alguns dos seus modos de vida. A forma como o palco se move, bem como as estruturas sobre ele, permitem várias mudanças de cenário muito eficazes e de belo efeito. O guarda roupa (de Catherine Zuber) é também muito bom e os cantores e actores fazem o resto.



Dirigiu a orquestra o maestro John Wilson.



A ópera tem muitos cantores, salientando-se entre os principais o Porgy, interpretado pelo barítono Eric Greene, excelente na projecção e qualidade vocais e insuperável em palco simulando um deficiente.



A soprano Nicole Cabell foi uma Bess fantástica. Tem uma voz muito bonita, grande e muito expressiva. A cantora foi também muito boa na sua representação cénica, essencial nesta ópera.



Também ao mais alto nível esteve o barítono Nmor Ford no papel do vilão Crown que, para além do canto, em palco foi um verdadeiro atleta de alta competição.



Outros cantores incluíram Gweneth-Ann Rand (Serena), Nadine Benjamin (Clara), Tichina Vaughn (Maria), Donovan Singletary (Jake), Frederick Ballentine (Sporting Life) e muitos outros.










Um espectáculo de grande categoria!







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PORGY AND BESS, English National Opera, October 2018

Porgy and Bess by George Gershwin, with libretto by DuBose and Doroty Heyward and Ira Gershwin takes place in the 1920s in Charleston, South Carolina, in the (fictitious) locale of Catfish Row. In a community of black people, it tells the story of a disabled beggar (Porgy), who tries to conquer his beloved (Bess) lover of a violent and murderous man (Crown), and of a drug dealer (Sportin's Life).
It was a controversial work, considered racist in the way it portrays black Americans at the time.

The music is very rich and pleasant, with influences of folk and jazz, and includes several parts later transformed into well-known songs, like Summertime, that opens the opera and reappears later.

The show hosted by the English National Opera is a co-production with the Metropolitan Opera of New York and the Dutch National Opera. The production of James Robinson is excellent. The stage is rotating and shows the houses (and their interiors) of the inhabitants of the fishing community and some of their ways of life. The way the stage moves, as well as the structures on it, allow for several very effective scene changes of beautiful effect. The clothes (by Catherine Zuber) are also very good and the singers and actors do the rest.

Maestro John Wilson directed the orchestra.

The opera has many singers, standing out among the main Porgy, played by baritone Eric Greene, excellent in vocal quality projection, and unsurpassed on stage simulating a disabled man.

Soprano Nicole Cabell was a fantastic Bess. She has a very beautiful voice, big and very expressive. The singer was also very good in her scenic representation, essential in this opera.

Also at the top level was baritone Nmor Ford in the villain role of Crown who, in addition to singing, on stage was a true high-level athlete.

Other singers included Gweneth-Ann Rand (Serena), Nadine Benjamin (Clara), Tichina Vaughn (Maria), Donovan Singletary (Jake), Frederick Ballentine (Sporting Life) and many others.

A great performance!

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domingo, 7 de março de 2010

LA BOHÈME – Met Opera, Nova Iorque, Fevereiro de 2010

La Bohème de G. Puccini é uma das óperas mais conhecidas do compositor e conto-me entre os que a incluem entre as melhores. Nesta história de amor entre o poeta Rodolfo e a tuberculosa Mimi há momentos musicais de grande lirismo e intensidade dramática que tornam inesquecível uma récita bem encenada e bem interpretada. Foi isto que aconteceu, nesta magnífica produção de Franco Zeffirelli, superiormente dirigida por Marco Armiliato.
Já tive oportunidade de assistir a várias produções de Zeffirelli no Met e tenho dificuldade em eleger a melhor! Apesar de serem encenações já de há duas ou três décadas, é com pena que vejo que Peter Gelb (actual “manager” do Met) as está a substituir progressivamente por outras de menor qualidade (a nova Tosca deste ano, de Luc Bondy, que substituiu a de Zeffirelli, foi um escândalo colossal, segundo o que li e, sobretudo, o que ouvi lá). Mas, felizmente, ainda se pode assistir a esta Bohème. Toda a encenação é excelente mas a pujança do 2º Acto no Café Momus no Quartier Latin e a eficácia do 3º Acto na Barrière d’Enfer são de cortar a respiração.


Mimi foi Anna Netrebko. Que poderei mais escrever em relação a esta fabulosa cantora? Está cada vez melhor, a voz de soprano é de uma beleza única, os agudos são estratosféricos e arrepiantes, dá-nos sempre umas interpretações fabulosas e quando a ouvimos passamos para outra dimensão. Penso que, vocalmente, não há melhor na actualidade e, pelo que ouvi nas gravações das antigas, será uma das melhores de sempre.


Piotr Beczala foi um Rodolfo à altura e, mais uma vez, mostrou que é um tenor seguro, de invulgar beleza tímbrica, voz grande e consistente em todos os registos, particularmente notável nos agudos. E, em palco, está cada vez melhor! É, sem dúvida, um dos melhores tenores da actualidade.



Nicole Cabell foi uma Musetta de qualidade mas, face aos restantes, não brilhou tanto. Marcello foi Gerald Finley, Colline foi Sheyang e Schaunard foi Massimo Cavalletti. Todos estiveram bem, com particular destaque para Gerald Finley


(Algumas fotografias apresentadas são de Andrea Mohin / The New York Times)
Esta récita foi um daqueles espectáculos mágicos que sempre ansiamos mas, poucas vezes, vivemos. Felizmente foi isso que aconteceu!
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O PÚBLICO NO MET


Um comentário em relação ao público americano que é, de facto, muito especial. Tem uma impulsão para o apluso fácil e aplude tudo, desde o divinal ao banal. Aplaude intensamente os cantores mais conhecidos quando entram em palco, mesmo antes de cantarem (repetindo os aplausos no final de cada aria), aplaude a abertura do pano (presumo que será para os cenários que, de facto, são frequentemente excelentes) mas, infelizmente, aplaude também quando pensa que o final se aproxima, sem deixar ouvir a música até ao fim e também sem deixar ouvir os cantores em algumas das notas mais marcantes – chocante!
Seguramente que, entre todos os presentes, haverá conhecedores, mas ficam diluídos no meio dos aplausos da maioria que deverá ser constituida por espectadores ocasionais. Contudo, durante as récitas, comportam-se bem, não falam e, com sorte, não se apanham umas velhinhas a desembrulhar rebuçados nos momentos mais impróprios. Nos intervalos, metem conversa frequentemente e são de uma cordialidade e simpatia invulgares, sendo raros os snobs, tão frequentes noutras paragens.