Mostrar mensagens com a etiqueta Carlo Cigni. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carlo Cigni. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Macbeth, Theatro Municipal de São Paulo


ASSISTA DE OLHOS BEM FECHADOS A ÓPERA MACBETH NO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.


A ópera Macbeth de Giuseppe Verdi estreou no último dia 23 no Theatro Municipal de São Paulo. Autoridades compareceram aos montes e onde tem autoridade tem fotógrafos e muitos papagaios de pirata. O senhor prefeito nos honrou com sua presença, tirou inúmeras fotos ao lado do diretor da ópera Robert Wilson. Muitos anônimos tentaram seus quinze minutos de fama e buscaram uma foto fingindo ser importante. Vamos à ópera que é o que interessa.

 Cena de Macbeth, Foto Internet

É salutar e interessante que diretores gringos venham trazer novas ideias as montagens do maior teatro paulistano, mas cuidado com as escolhas. O diretor teatral Robert Wilson exagerou na dose, gosta de se mostrar inovador e de vanguarda, mas seu trabalho nesse Macbeth foi um fiasco.
Personagens sem vida, todos estáticos e sem nenhuma interpretação da obra. Frios e paralisados lembram o personagem doutor Spock de Jornada nas Estrelas. Transformou o figurino de Lady Macbeth em um misto de Cio-Cio-San e Turandot. A posição das mãos e a maneira de andar de todos os personagens são sempre iguais, os figurinos parecidos e os cenários inexistentes. A luz é inovadora e interessante. Sua visão da obra é a inexistência de emoções, todos são gélidos e com a mesma personalidade.

  Cena de Macbeth, Foto Internet

Dirigir ópera no Theatro Municipal de São Paulo segue uma fórmula contínua: inexistência de cenários, luz pra todo lado, telas que sobem e descem e uma projeção de vídeo para ajudar. Tenho visto isso nas últimas apresentações e essa fórmula está cansando. Alguns vão dizer que eu não tolero obras modernas e de vanguarda, tolero sim. Vejam a produção do Scala de Milano com Renato Bruson Carlo Colombara de 1997 ou a do Metropolitan Opera de Nova Yorque de 2008, obras que modernizam o Macbeth sem fazer lambança com ele.

 Cena de Macbeth, Foto Internet

Travados pela direção maluca de Robert Wilson ou Bob para os íntimos os solistas deram conta do recado. Anna Pirozze fez uma grande Lady Macbeth, sua voz saiu pujante, forte e sólida. Seu timbre escuro munido de belos agudos mostrou qualidade e calor na voz. Grande soprano. O barítono Angelo Veccia fez um Macbeth comum, sua voz não tem o calor, força e a vivacidade de um grande barítono verdiano. Seu timbre um pouco áspero até combina com o personagem, mas a falta de interpretação atrapalha.
O baixo Carlo Cigni mostrou ter uma voz grande com graves quentes e maduros. Um baixo digno da tradição verdiana, uma voz encorpada e possante. Uma voz que penetra na alma. Lorenzo Decaro tem uma bela voz de tenor, defendeu sua pequena participação com um timbre cristalino.

O Coral Lírico esteve soberbo, em todas as intervenções mostrou qualidade vocal superlativa. Vozes harmoniosas e adequadas, consistência do início ao fim da apresentação. O Coral Lírico pode cantar em qualquer teatro do mundo porque está sempre em alto nível. A Orquestra Sinfônica Municipal apresentou bela musicalidade, nas mãos do competente Abel Rocha soou sublime. Volume e tempos corretos foram a tônica da apresentação. Abel Rocha, de ópera o homem entende.
A melhor maneira de assistir a esse Macbeth é de olhos bem fechados. Você escuta as belas melodias verdianas, ouve as grandes vozes dos solistas, do coral e da orquestra e não vê as bobagens que o diretor inventa. Esse quer aparecer mais que a obra, quer ser mais que Verdi.