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sábado, 30 de abril de 2022

Missa em Si menor de Bach, Fundação Calouste Gulbenkian, Abril 2022


Numa das melhores temporadas dos últimos anos, a Fundação Gulbenkian ofereceu-nos mais um grande concerto, desta vez a belíssima Missa em Si menor de Johann Sebastian Bach

Dirigiu superiormente o maestro Leonardo García Alarcon que nem usou partitura. O Coro Gulbenkian e a Orquestra Gulbenkian tiveram óptimos desempenhos, como é habitual.

Nos solistas a soprano Ana Quintans destacou-se mais uma vez pela excelência da sua interpretação. A mezzo Cátia Moreso e o baixo-barítono Andreas Wolf estiveram muito bem. Mais discretos foram a contralto Dara Savinova, o tenor Fabio Trümpy e o contratenor Owen Willetts.


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Mass in B minor, Bach, Calouste Gulbenkian Foundation, April 2022

In one of the best seasons of recent years, the Gulbenkian Foundation offered us another great concert, this time the beautiful Mass in B minor by Johann Sebastian Bach.

Maestro Leonardo García Alarcon superiorly directed the concert. The Gulbenkian Choir and the Gulbenkian Orchestra had excellent performances, as usual.

Concerning the soloists, soprano Ana Quintans stood out once again for the excellence of her interpretation. Mezzo Cátia Moreso and bass-baritone Andreas Wolf were very good. More discreet were alto Dara Savinova, tenor Fabio Trümpy and countertenor Owen Willetts.

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sexta-feira, 15 de abril de 2022

PAIXÃO SEGUNDO SÃO JOÃO, Fundação Gulbenkian, Abril 2022

É habitual a Fundação Gulbenkian oferecer-nos um concerto alusivo à época pascal. Este ano foi a Paixão Segundo São João de Bach, interpretada pela Orquestra e Coro Gulbenkian, sob a direcção do maestro Florian Helgath.

Foi um concerto muito bom, com um óptimo desempenho da Orquestra e do Coro Gulbenkian.

Nos solistas, o tenor Tuomas Katajala (Evangelista) foi excelente. Também ao mais alto nível estiveram o barítono André Baleiro (Jesus) e a soprano Ana Quintans. Muito boas interpretações do tenor Marco Alves dos Santos e do barítono Hugo Oliveira. A mezzo Maria Helgath foi o elo mais fraco da noite, com uma voz pequena que mal se ouvia quando cantava com a orquestra a tocar.


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ST JOHN PASSION, Gulbenkian Foundation, April 2022

It is customary for the Gulbenkian Foundation to offer us a concert alluding to the Easter season. This year it was Bach's St John Passion, performed by the Gulbenkian Orchestra and Choir, under the direction of conductor Florian Helgath.

It was a very good concert, with a great performance by the Orchestra and the choir.

In the soloists, tenor Tuomas Katajala (Evangelist) was excellent. Also at the highest level were baritone André Baleiro (Jesus), soprano Ana Quintans. Very good performances by tenor Marco Alves dos Santos and baritone Hugo Oliveira. Mezzo Maria Helgath was the weakest link of the night, with a small voice that was barely heard when singing with the orchestra playing.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

ARIODANTE, Teatro Nacional de São Carlos, Novembro 2021


(review in English below)

O Teatro Nacional de São Carlos apresentou a ópera Ariodante, de GF Händel, em versão semi-encenada de Mario Pontiggia. Tocou a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direcção musical de Antonio Floro

Foi um espectáculo desinteressante para o qual contribuíram várias situações:

A Orquestra foi colocada em cima do palco e não no fosso, e à boca de cena. Perturbou a observação da acção da ópera (mesmo com pouco para ver) e prejudicou muito a audição dos cantores, nomeadamente dos com vozes pequenas, qua mal se ouviam. Também a orquestra não é uma orquestra barroca, a sonoridade não impressionou, e teve várias falhas ao longo da récita.

A encenação (ou semi-encenação) foi desinteressante, quase inexistente. Havia umas estruturas sólidas estáticas no palco e tudo se passou à sua frente e entre elas. 6 figurantes com máscaras faciais e vestidos de preto procuravam dar algum enquadramento cénico, mas não resultou.


Verdadeiramente inacreditável e intolerável foi o comportamento das “assistentes de sala” (arrumadoras). Em pleno espectáculo duas foram verificar o bilhete de uma espectadora estrangeira, obrigando-a a levantar-se e sentar-se várias filas mais atrás, perturbando de forma ignóbil todos os outros espectadores e o próprio espectáculo, pois tudo isto foi feito durante a aria do contratenor. Para além disto, ainda passavam regularmente uma visita inquisitória periódica ao longo dos corredores laterias da plateia, sempre perturbando a atenção, dado que as luzes da sala não estavam totalmente apagadas. Uma Vergonha!!

Finalmente os cantores, também muito diferentes nas suas prestações. As senhoras foram, de longe, as melhores. A mezzo Cecilia Molinari como Ariodante e a soprano Ana Quintans como Ginevra foram as melhores e tiveram interpretações muito boas, destacando a aria Scherza infida do Ariodante que antecedeu o intervalo. Também bem estiveram Eduarda Melo como Dalinda, com alguma tendência para a estridência e o contratenor Yuriy Minenko como Polinesso. Os restantes solistas foram para esquecer, Sreten Manojlovic como Rei da Escócia tem uma voz pequena que quase não se ouviu, Marco Alves dos Santos como Lurcanio, gritou mais do que cantou (apesar de ter sido muito aplaudido) e João Rodrigues como Odoardo também mal se ouviu. 



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ARIODANTE, Teatro Nacional de São Carlos, November 2021

Teatro Nacional de São Carlos presented the opera Ariodante, by GF Handel, in a semi-staged version by Mario Pontiggia. The Portuguese Symphonic Orchestra played under the musical direction of Antonio Floro.

It was an uninteresting performance to which several situations contributed:

The Orchestra was placed on top of the stage and not under, and in front of the stage. It disturbed the vision of the opera's action (even with little to see) and caused a lot of damage to the singers' hearing, particularly those with small voices, who could barely been heard. The orchestra is not a baroque orchestra either, the sound was unimpressive, and had several flaws throughout the performance.

The staging was uninteresting, almost non-existent. There were solid static structures on the stage and everything happened in front of and between them. 6 extras with face masks and dressed in black tried to provide some scenic framing, but it didn't work.

Truly unbelievable and intolerable was the behavior of the “room assistants”. In the middle of the performance, two went to check the ticket of a foreign spectator, forcing her to get up and sit several rows further back, ignobly disturbing all the other spectators and the show itself, as all this was done during the aria of the countertenor. In addition to this, a regular inquisitive visit was regularly passed along the side aisles of the audience, always disturbing the attention, as the lights in the room were not completely off. A shame!!

Finally the singers, also very different in their performances. The ladies were by far the best. Mezzo Cecilia Molinari as Ariodante and soprano Ana Quintans as Ginevra were the best and had very good interpretations, highlighting Ariodante's aria Scherza infida that preceded the break. Eduarda Melo did well as Dalinda, with some tendency to stridency, as well as countertenor Yuriy Minenko as Polinesso. The other soloists were bad, Sreten Manojlovic as King of Scotland has a small voice that was barely heard, Marco Alves dos Santos as Lurcanio, shouted more than he sang (despite being much applauded) and João Rodrigues as Odoardo also barely if heard.

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Oratória de Natal, Fundação Gulbenkian, Dezembro 2019




Interrompendo a série de posts sobre bailados que habitualmente concentramos na época natalícia, da oferta da Oratória de Natal de Bach com que a Fundação Gulbenkian presenteou o seu publico, assisti às Cantatas II, IV e V.

O auditório abriu a vista para os belos jardins que, à noite, adquirem um encanto particular, sobretudo quando chove, como foi o caso.



O maestro Michel Corboz, homenageado pelos seus 50 anos na direcção artística do Coro Gulbenkian, dirigiu o concerto e foi agraciado com um justo aplauso efusivo. O concerto foi muito agradável com uma interpretação magnífica do Coro Gulbenkian.



Em relação aos solistas, o soprano Ana Quintans e o tenor Benedikt Kristjánsson foram muito bons. Também com boas intervenções vocais, mas num patamar um pouco inferior, estiveram o baixo-barítono Philippe Sly e o mezzo Marianne Beate Kielland.




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sábado, 2 de fevereiro de 2019

ALCESTE, Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa, Janeiro 2019




(review in English below)


Uma nova produção da ópera Alceste, em versão francesa, de Christoph Willibald Gluck com libreto de Leblanc du Roullet esteve em cena no Teatro de São Carlos. O enredo está resumido no site do teatro: Alceste sacrifica a vida em trocada de seu esposo Admète, rei de Tessália. Porem, uma vez morta, Hércules desce aos Infernos e intercede junto de Apolo para que o casal possa novamente reunir-se no seu amor.



É sabido que a cultura em geral e a ópera em particular são coisas menores para os governantes dos últimos anos. Também por isso, à partida, não são de esperar grandes produções operáticas. Logo quando entrei na sala temi o pior sobre a encenação de Graham Vick (Cenografia e Figurinos de Conor Murphy, Desenho de Luz Giuseppe di Iorio) quando vi o palco aberto, totalmente despido, apenas com 4 cadeiras, uma mesa e dois painéis verticais de luzes. E os meus receios vieram a confirmar-se, a encenação foi uma palhaçada. Até admito que se tente algo despojado, mas assim não. E opções metafóricas ridículas transpostas para a actualidade também não.

(1º acto)

(2º acto)

Todos os cantores e bailarinos estiveram vestidos informalmente e sempre descalços durante o espectáculo. A acção passou-se no palco despido, para o qual eram trazidas e levadas cadeiras pelos cantores. E houve um pouco de tudo, ataques convulsivos violentos em vários intervenientes e por várias vezes, uma mulher a parir uma camisa de noite encarnada (que foi posteriormente vestida pelo Oráculo), balões amarelos, o rei a soro mas todo enérgico e sempre em posição erecta, o Hércules vestido de Super-homem, o Apolo como um cristo em cuecas com coroa de espinhos,... até o whiskey com que se embebedaram o Hércules e o rei era de marca rasca. Enfim, um belo exemplo do que é expressivamente designado por eurotrash!

(3º acto)

Já em relação à música e sua interpretação, algo de muito diferente se passou.
A Orquestra Sinfónica Portuguesa foi dirigida pelo maestro Graeme Jenkins que fez um bom trabalho, foi muito agradável ao ouvido e houve atenção aos cantores.  

O Coro tem muitas intervenções e, para além de um desencontro aqui e outro acolá, esteve bem. Em palco estiveram 8 bailarinos muito bons, apesar de a coreografia (de Ron Howell) ser deplorável.


Os cantores solistas eram jovens, ágeis e todos de um nível acima do que é habitual ver-se em São Carlos.

A soprano Ana Quintans fez uma Alceste fabulosa! O papel é muito longo, de grande dificuldade e ela cantou-o de forma assombrosa. Tem uma voz poderosa, o registo médio é imponente e o agudo também assinalável. E em palco é muito expressiva, uma actriz que canta, e fá-lo com igual qualidade em pé, sentada ou deitada! Fantástica, ao nível das grandes sopranos que enchem as principais catedrais da ópera actuais.





O rei Admète foi interpretado pelo tenor Leonardo Cortellazzi, um bom parceiro de Ana Quintãs. Também com uma óptima figura em palco, cantou de forma firme e bem audível, timbre muito agradável, mantendo a qualidade ao longo de todo o espectáculo.




Outros dois grandes intérpretes foram os barítonos Alexandre Duhamel (Sumo Sacerdote e Hércules) e Christian Luján (Oráculo, Deus dos Infernos). Vozes bonitas, encorpadas e também muito bons desempenhos cénicos. Duhamel foi notável na interpretação vocal do Sumo Sacerdote no 1º acto.




Em papéis menores Fernando Guimarães (Évandre) foi mais contido, mas João Fernandes (Apolo) também esteve muito bem. 



Merecem ainda uma nota de apreço os cantores do coro dos corifeus, Raquel Alão, Ana Ferro, João Cipriano e Nuno Dias.










Apesar da encenação indigente (obrigado Mário), começou bem a minha temporada em São Carlos. As estrelas vão todas para os músicos e bailarinos e, sobretudo, para a fabulosa Ana Quintans.

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ALCESTE, Teatro Nacional de São Carlos, Lisbon, January 2019

A new production of Christoph Willibald Gluck's opera Alceste with French libretto by Leblanc du Roullet was staged at the Teatro de São Carlos. The plot is summarized on the site of the theater: Alceste sacrifices her life in exchange of her husband’s life Admète, king of Thessaly. However, once dead, Hercules descends into Hell and intercedes with Apollo so that the couple can meet again in their love.

It is well known that culture in general and opera in particular are minor things for the governments of recent years. Also for that reason, great operatic productions are not to be expected. As soon as I entered the theatre I feared the worst of the staging by Graham Vick (Scenography and Costumes by Conor Murphy, Drawing of Light Giuseppe di Iorio) when I saw the stage open, totally naked, with only 4 chairs, a table and two vertical panels of lights. And my fears came to be confirmed, the staging was a clownery. I even admit to trying something austere, but not like that. And ridiculous metaphorical options transposed to the the present days also do not.

All the singers and dancers were dressed informally and always barefoot throughout the performance. The action took place on the empty stage, to which were brought and taken chairs by the singers. And there was a bit of everything, violent convulsive attacks on various actors and several times, a woman giving birth to a red nightgown (which was later dressed by the Oracle), yellow balloons, the king with intravenous medication but energetic and always in position erect, the Hercules dressed as Superman, the Apollo like a Christ in underwear with a thorn-crowned, ... even the whiskey with which Hercules and the king got drunk was of poor quality. In short, a fine example of what is expressively called eurotrash!

However, with the music and singing, something very different happened.
The Portuguese Symphony Orchestra was directed by maestro Graeme Jenkins who did a good job, was very pleasant to the ear, with attention to the singers.

The Choir has many interventions and, apart from small mismatches here and there, was good. The 8 dancers were very good, although the choreography (by Ron Howell) was deplorable.

The soloist singers were young, agile and all of a level above what is usual to hear at São Carlos.

Soprano Ana Quintans was a fabulous Alceste! The role is very long and difficult, and she sang it in an astonishing way. She has a powerful voice, the medium register is imposing and the high register is also remarkable. And on stage is very expressive, an actress who sings, and does it with equal quality in standing, sitting or lying down! Fantastic, at the level of the great sopranos that sing at the main opera cathedrals of our times.

King Admète was played by tenor Leonardo Cortellazzi, a good partner of Ana Quintans. Also with a good figure on stage, he sang in a firm and well audible way, a very pleasant tone, maintaining the quality throughout the whole performance.

Two other great singers were baritones Alexandre Duhamel (High Priest and Hercules) and Christian Luján (Oracle, God of Hell). Beautiful voices, powerful and also very good scenic performances. Duhamel was notable in the vocal interpretation of the High Priest in the 1st act.

In smaller roles Fernando Guimarães (Évandre) was more restrained, but João Fernandes (Apolo) was also very well. Also worthy of note are the singers from the corifeus choir, Raquel Alão, Ana Ferro, João Cipriano and Nuno Dias.

Despite the indigent staging (thanks Mário), my season started well at São Carlos. The stars all go to the musicians and dancers and, above all, to the fabulous Ana Quintans.

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terça-feira, 20 de março de 2018

IDOMENEO de W. A. MOZART — Teatro Nacional de São Carlos, 16.03.2108


A ópera em 3 actos Idomeneo, K. 366, foi estreada em Munique no ano de 1781 sob a direcção do próprio compositor: o jovem de 24 anos Wolfgang Amadeus Mozart. O libreto foi da responsabilidade de Giambattista Varesco a partir do texto de Antoine Danchet.

A acção decorre em Creta depois da Guerra de Tróia e trata do amor e do ciúme, da ambivalência entre as promessas divinas e os deveres de amor filial.

É uma ópera séria em italiano cujo drama é apresentado numa sequência de quadros dramáticos sublime e com uma música complexa, rica, ritmada, opulenta e harmoniosa típica de Mozart. É, por tudo isso, uma ópera muito bonita e agradável de seguir.

O Teatro Nacional de São Carlos apresentou uma nova produção de Yaron Lifschitz que, globalmente, permitiu o desenrolar da acção sem percalços ou perplexidades. A acção decorre em torno de uma cratera central à volta da qual as personagens se deslocam sem grande sentido. Depois, as diferentes árias vão sendo apresentadas, por regra, à boca de palco, por vezes com o pano fechado, o que nos transporta para o interior da personagem. No final, Idomeneo comunica ao povo a sua decisão sentado numa cadeira em frente a um microfone, sendo a sua imagem projectada numa tela que ocupa todo o palco, como se de uma transmissão televisiva se tratasse, no mais vistoso efeito de uma encenação cinzenta.

O pior elemento da récita foi, infelizmente, a Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção de Christian Curnyn que se viu “grega” para soar Mozart. Foi sofrível em todos os naipes e valeu-nos a capacidade de imaginar que era Mozart.

O Coro do Teatro Nacional de São Carlos também não esteve particularmente bem, sobressaindo algumas estridências que se disfarçavam em tutti e o falhanço total dos elementos masculinos no primeiro acto.


As vozes solistas, por regra, salvaram a récita.

Com grande destaque esteve a Illia de Ana Quintans. A voz é muito bonita, com o tamanho certo para estes papéis, sempre bem projectada a que associa um fraseado lindíssimo, muito elegante, e uma dicção perfeita. À óptima interpretação vocal juntou uma capacidade expressiva intensa que nos transportou para o mundo da personagem de forma exemplar, nomeadamente em Zeffiretti lusinghieri.

O Idamante de Caitlin Hulcup foi muito consistente, com uma voz agradável, sempre bem audível e com uma expressividade adequada ao papel. A caracterização e figura tornaram Idamante muito credível.

Sophie Gordeladze foi Elettra. A voz é bonita e tem uns agudos cristalinos e seguros que se sobrepuseram a uma interpretação algo apática, nomeadamente em D’Oreste, d’Ajace.

O Idomeneo de Richard Croft também esteve muito bem do ponto de vista cénico e a sua interpretação vocal foi globalmente agradável com um timbre e fraseado adequados a Mozart.

Marco Alves do Santos foi um Arbace regular. A voz é grande e bonita, mas denota algumas dificuldades neste registo mozartiano, tendo estado francamente abaixo das suas muito boas interpretações em Britten e Strauss.

O sumo-sacerdote de Bruno Almeida esteve bem no seu pequeno papel e a voz de Netuno de Rui Baeta destacou-se por ter sido um falhanço total.

A récita foi, pois, agradável porque a música de Mozart é sublime e porque a Ana Quintans esteve em São Carlos. 

Nota: É uma pena que a direcção do Teatro se preocupe tanto em impedir que se tirem fotografias durante os aplausos… Dever-se-iam preocupar mais em garantir o conforto dos espectadores melhorando as cadeiras da sala e diminuindo a temperatura digna de uma sauna…