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sábado, 7 de fevereiro de 2015

LE NOZZE DI FIGARO, Fundação Calouste Gulbenkian, 01.02.2015



Le Nozze di Figaro, estreada no Burgtheater de Viena, em 1 de Maio de 1786, marca o início da colaboração de Mozart com o libretista Lorenzo da Ponte. Colaboração que se estenderia ao Don Giovanni (1787) e, finalmente, ao Così fan Tutte (1790).



Como é uma das óperas que mais me emociona e que foi essencial na minha formação enquanto apreciador da arte lírica, gostaria de partilhar algumas ideias que, não sendo originais, alimentam o fascínio com que sempre ouço e reflicto sobre esta obra.

Como é sabido, Le Nozze di Figaro baseia-se na segunda parte da trilogia de Beamarchais, que começa com Le Barbier de Séville e termina com La Mère Coupable (a partir da qual Darius Milhaud compôs uma ópera homónima) É, todavia, a mais interessante das três, não só pela dimensão de crítica social e política que incorpora, como, essencialmente, pela força dramática das personagens e pelo tratamento que dá à própria natureza de um sentimento primordial como o amor.

A crítica social costuma ser identificada com o desafio e a emancipação dos servos face dos senhores, nas vésperas da Revolução Francesa. Figaro, à semelhança de Leporello, já não quer mais servir (recorde-se o E non voglio più servir com que começa o Don Giovanni) ou, pelo menos, sujeitar-se às arbitrariedades do seu amo, pelo que não tem pejo em enfrentá-lo. E a renúncia contrariada, pelo Conde, ao chamado “Direito de pernada” constitui já um sinal dessa mudança do equilíbrio de forças do antigo regime.

Mas o aspecto que me parece mais revolucionário é o modo como, na música, se equiparam as desventuras e desilusões de nobres e servos. Todos se enganam e são enganados, todos traem e são traídos, nobre com servos e servos com nobres. Todos estão à mercê do império dos sentidos e sujeitos às consequências da sua desordem. E é precisamente aí que a ópera demonstra a verdadeira igualdade, assente na natureza humana e no amor, que a todos subjuga com igual força. A fraqueza e a volubilidade da constância amorosa, com a qual todos terão de conviver, é algo que atinge todas as personagens e que paira como uma sombra sobre o suposto final feliz.



A este propósito, sempre achei que a ópera acaba com pacificação, mas que dificilmente se pode entender que acaba bem. Após esta Folle Journée, nenhuma das personagens poderá, genuinamente, acreditar na solidez dos sentimentos que são expressos a final e que servem de cimento à junção dos quatro casais: Conde – Condessa, Figaro – Susana, Cherubino – Barbarina e Bartolo – Marcellina. O grau de ambiguidade dessas reconciliações constitui apenas, na minha maneira de ver, um mero interlúdio numa partida em que não há vencedores nem vencidos, mas em que a inocência fica, definitivamente, comprometida.
E esta linha de falsos finais felizes é levada a um extremo ainda mais perturbador no Così fan Tutte (veja-se, a este propósito, a advertência de Don Basilio no trio do 1º acto: così fan tutte le belle, non c’è alcuna novità) em que a ambiguidade final é ainda mais acentuada depois de Ferrando e Guglielmo se terem empenhado em perder a aposta com Don Alfonso sobre a fidelidade das suas noivas apenas para vencerem no jogo de sedução da noiva do outro.



E é esse império dos sentidos, essa complexidade psicológica nunca completamente esclarecida, que Mozart, muito para além do texto, ilustra através de uma música sublime, que nos maravilha com a sua invenção melódica; que nos faz rir com as cenas de conjunto em que todos enganam todos; que suscita a nossa reflexão através das contradições das personagens; que nos emociona até às lágrimas com a pungência da sua expressividade e força dramática, que reconhecemos da vida real.

Le Nozze di Figaro é, como referi, uma da minhas óperas favoritas e foi com grande expectativa que assisti à récita semi-encenada no passado dia 1 de Fevereiro, na Gulbenkian, sob a direcção de Paul McCreesh.
O Francisco Casegas fez já uma excelente apreciação dessa récita neste blog, pelo que tentarei não duplicar as apreciações.
Desde logo, um aspecto muito positivo deve ser sublinhado: a ópera foi apresentada em versão integral, com as normalmente suprimidas árias de Marcellina e de Don Basilio, no 4º acto.



A orquestra apresentou-se numa formação de pequena dimensão, tendo sido privilegiados tempos relativamente animados (excessivamente nas duas árias de Cherubino, na minha opinião) e uma acentuação mais marcante, em detrimento de algum cantabile das linhas melódicas e, em especial, da sensualidade das sonoridades das cordas. Todavia, concepções estilísticas à parte, a orquestra pareceu-me sempre num nível de execução superlativo, com especial destaque para as madeiras, tão importantes nesta obra.
Notaram-se algumas falhas nas entradas das vozes e alguns desacertos nos tempos, especialmente durante os difíceis concertantes, para o que terá contribuído a falta de contacto visual directo entre maestro e cantores, não obstante os monitores colocados em cena.
O acompanhamento dos recitativos secos foi sóbrio, talvez em demasia.



O baixo Matthew Rose compôs um Figaro buffo e suficientemente viril para conferir credibilidade aos confrontos com o Conde. A voz é ampla e sonora, com uma excelente capacidade de projecção em todos os momentos. Sempre bastante expressivo, quer vocal, quer cenicamente, foi, talvez, o melhor da noite, mesmo com as duas falhas de memória mais evidentes: no final do 2º acto, em que omitiu pura e simplesmente uma entrada e na magnífica ária Aprite un po’quegli occhi, em que saltou uma das linhas e teve que repetir outra para compensar.



O papel de Susanna foi interpretado pela soprano Malin Christensson, que cumpriu sem deslumbrar. Trata-se de uma parte muito difícil, talhada para uma voz de soprano lírico-ligeiro, com timbre brilhante e grande extensão. Achei a voz algo baça e com dificuldades de projecção. O seu ponto alto, para mim, foi a ária do 4º acto, De vieni non tardar, em que “arrancou” uns pianissimi bastante bem conseguidos.

A Condessa foi encarnada pela soprano norte-americana Susanna Phillips. Embora seja uma cantora com credenciais, deixou-me bastante desapontado. A Condessa de Almaviva é uma personagem melancólica, que exige um fraseado elegante, capaz de transmitir a desilusão e a emoção contidas nas suas das árias. É uma mulher que, embora jovem para os padrões actuais, sente ter já passado o seu tempo, na linha de uma Marechala Marie Thérèse von Werdenberg, mas que ainda não está morta e, por isso, é sensível aos encantos de Cherubino (de quem virá a ter um filho na terceira parte da trilogia!). O seu timbre exige nobreza e contenção mas, ao mesmo tempo, a luz da esperança no regresso ao amo, em especial na segunda parte da ária Dove sono i bei momenti. A voz de Susanna Philips é poderosa (o que se notou em demasia) e tem a extensão adequada ao papel. Todavia, acho que a dimensão melancólica faltou totalmente, o que se notou particularmente na Porgi amor, tendo privilegiado um registo mais ligeiro. Dir-se-ia uma Fiordiligi em vez de uma Condessa. A sua leitura da personagem pareceu-me uniforme, como se entre o princípio e o fim os acontecimentos não a tivessem modificado.



O Conde foi interpretado pelo barítono canadiano Joshua Hopkins. Penso que lhe faltou alguma estatura vocal e a nobreza de expressão requerida pelo papel. O Conde, tal como o Don Giovanni, tem de conseguir colorir o timbre consoante as mudanças da fortuna e consoante o seu interlocutor e penso que houve alguma monodimensionalidade na sua vocalização. Nota bastante positiva, todavia, para a difícil ária Vedrò mentr’io sospiro, em que venceu com bravura os escolhos da escrita de Mozart. Penso que conseguiu transmitir, com eficácia, o despeito de alguém que, sendo poderoso, se vê vencido por um servo colocado abaixo de si na escala social, ao mesmo tempo que se questiona até ao limite da fragilidade.



Finalmente, o Cherubino foi interpretado com graça e expressividade, revelando a mezzo soprano croata Renata Pokupic uma voz bonita e ágil.

Os demais cantores cumpriram com brio. Luís Rodrigues manteve o bom nível a que já nos habituou no papel de Don Bartolo e Cátia Moreso interpretou uma Marcellina com uma veia buffa bastante marcada, vencendo com mérito as dificuldades técnicas da sua ária. Uma palavra ainda para a Barbarina de Bárbara Barradas, que aliou uma vocalidade muito agradável a uma composição sensual da noiva de Cherubino. O Don Basilio de João Rodrigues esteve também bem, especialmente na sua ária.



Apesar de algumas reservas, devo dizer que foi um serão magnífico. O poder da música de Mozart é de tal modo forte que é impossível terminar aquelas mais de 3 horas de música sem se ficar extremamente tocado e emocionado. E foi o que aconteceu.

Para terminar, é de lamentar, mais uma vez, o comportamento do público. Telemóveis a tocar, conversa audível durante a música, tosses não disfarçadas, desembrulhar permanente de rebuçados, etc.

sábado, 31 de maio de 2014

SINFONIA N.º 9 DE BEETHOVEN na Fundação Gulbenkian, 30.05.2014

(Review in English below)

A Fundação Calouste Gulbenkian apresentou ontem uma das mais mais emblemáticas obras da música — Sinfonia n. º 9, op. 125, “Coral”, de Ludwig van Beethoven —, um verdadeiro património imaterial da humanidade, não apenas pela qualidade artística inegável de uma genialidade e inovação ímpares, como pela mensagem que o poema An die Freude (“À Alegria”) de Friedrich Schiller transmite e que deveria ser um mote para esta nossa Europa em cisão económico-política. De referir, que esta sinfonia assinala este ano os 190 anos da sua estreia.

(foto internet)

Sublinhar, uma vez mais, que Beethoven e a sua Sinfonia n.º 9 são geniais é desnecessário e revelar-se-ia um exercício tautológico desgastante para o leitor. Por isso, passemos à análise do concerto.

(fotos da FCG)

A primeira parte foi constituída por uma obra de Daan Janssens com o nome (...revenir dans l’oubli...), encomenda da FCG em estreia mundial. Não é particularmente interessante, explora uma sonoridade no vazio, éterea, com alguma estridência e angústia misturada.


A Sinfonia de Beethoven foi dirigida pelo maestro titular da FCG — o britânico e fleumático Paul McCreesh. Confesso, novamente, que, no meu entender limitado, é um maestro que transmite muito pouca energia e que parece pouco envolvido, o que se transmite à orquestra que, por regra, tem interpretações suficientes (Pedro Ribeiro em oboé esteve em destaque — é um dos melhores músicos da Orquestra!). Foi o que ontem se verificou: foi apenas suficiente. Não ajudaram em nada os solistas que se apresentaram a um nível manifestamente insuficiente para a dimensão da obra e qualidade exigível numa casa com a tradição da FCG.


Florian Boesch, barítono e o melhor dos quatro, teve algumas dificuldades no registo agudo; Noah Stewart, tenor, mal se ouviu; Virpi Raisanen, meio-soprano, não se ouviu de todo; e Ann-Helen Moen, soprano, fez soar as notas mais agudas de modo audível. O Coro Gulbenkian (maestro Jorge Matta) esteve, como lhe é habitual, em muito bom nível, tendo sido, o elemento artístico em destaque do concerto.


O público aplaudiu, pois, Beethoven!

Terminada que está a temporada de estreia de Paul McCreesh, lamento fazer um balanço negativo: não vi qualquer crescimento desta Orquestra, antes vi uma involução. Veremos o que nos reserva a temporada 2014/15...

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(Review in English)

The Calouste Gulbenkian Foundation presented one of the most emblematic works of music history - Symphony no. 9, op. 125 by Ludwig van Beethoven - a true heritage of humanity, not only because of the undeniable artistic quality of a genius and its unmatched innovation, but also by the message that the poem An die Freude ("To Joy ") by Friedrich Schiller conveys and that should be a motto for our Europe in fission. It should be noted that this symphony marks this year the 190 years of its premiere.

Emphasize once again that Beethoven and his Symphony no. 9 are remarkable is unnecessary and would prove to be an exhausting tautological exercise for the reader. So we move to the analysis of the concert.

The first part consisted of a work of Daan Janssens named (...revenir dans l' oubli…), an order of FCG in world premiere. It is not particularly interesting, explores an emptiness sound, ethereal, with some stridency and mixed anxiety.

Principal conductor of FCG - British phlegmatic Paul McCreesh - led the Symphony of Beethoven. I admit, once again, that, in my limited understanding, he is a conductor that transmits very little energy and seems not very involved, which is transmitted to the orchestra that, as a rule, have only sufficient interpretations (Pedro Ribeiro on oboe was particularly at good level and he is one of the best musicians of the Orchestra!). That's what yesterday was found: it was just enough. Did not help the soloists who presented a grossly inadequate quality for the size of the work and required quality in a hall with the tradition of FCG. Florian Boesch, baritone and the best of the four, had some difficulties in the high register; Noah Stewart, tenor, was barely heard; Virpi Raisanen, mezzo-soprano, was not heard at all; and Ann-Helen Moen, soprano, sounded the higher notes audibly. The Gulbenkian Choir (conductor Jorge Matta) was, as usual, in very good level, being the artistic element highlight of the concert. I think the audience applauded Beethoven’s music!


Now that Paul McCreesh debut season is ended, I regret making a negative balance: not seen any growth in this orchestra but an involution. We'll see what the next 2014/15 season is bringing...

domingo, 19 de janeiro de 2014

SCHUBERT e MAHLER “arrasados” na Fundação Gulbenkian — CCB, 17 de Janeiro de 2014

(Review in English below)


O concerto a que assisti no Centro Cultural de Belém na Sexta-feira deixou-me, no mínimo, perturbado.


Paul McCreesh, novo maestro titular da Orquestra da FCG, é conhecido pelo seu carácter inovador. Já tinha “saboreado” o fel da inovação com o Requiem de Mozart da temporada passada e, pelos vistos, não me vai passar o amargo de boca…


Na sua arrogância inventiva — parece que McCreesh nos tem de presentear com uma “nova perspectiva” de tudo o que faz e outros fizerem de maneira mais tradicional... —, os quatro andamentos da Sinfonia n.º 9 de Franz Schubert foram intercalados por intervalos e Canções de Gustav Mahler. A opção é péssima e injustificada (no programa de sala McCreesh encontra uma solução...): as interrupções constantes com aplausos pouco entusiasmados, cadeiras a entrar e a sair, músicos a chegar e a partir, instrumentos ora presentes, ora ausentes, fizeram perder o sentido unitário das peças apresentadas. McCreesh deve julgar o público amador ou que prefere ir tendo descanso da música por si apresentada. Talvez esta segunda opção seja a mais válida…


E que dizer das interpretações?! Uma pobreza. A Sinfonia de Schubert  — A Grande — foi arruinada. O que foi aquele segundo andamento? Foi, quase de certeza, o mais desagradável momento musical a que assisti na FCG: um tempo horrível, os naipes a soarem empastelados, amorfos... Juntando todos os andamentos (e, apesar de tudo, os dois últimos foram menos maus), assistiu-se a uma interpretação sem qualquer vida, com um tempo incerto, uma falta de sentido interpretativo total. A Orquestra parecia estar com um embotamento grave, muito grave.

E Mahler? O carácter bucólico das canções Des Knaben Wundehorn não existiu. Penso mesmo que McCreesh não entende Mahler. Foi terrível. Mais evidente ainda na canção Das himmlische Leben que integra, também, o último andamento da sua Sinfonia n.º 4, e que é bem conhecida do público em geral. Fez-nos o retrato tenebroso da destruição daquelas que deviam ser as alegrias do paraíso.


Valeu-lhe o soprano sueco Miah Persson que, com o seu timbre bonito, agudos fáceis e delicados, e excelente interpretação dramática elevou um pouco o nome de Mahler insistentemente rebaixado pelo maestro britânico. A sua interpretação da canção Wo die schönen Trompeten blasen foi assinalável e teve um legato perfeito.

A minha ideia de que Paul McCreesh, o único que pareceu minimamente entusiasmado, adora o seu génio inventivo e reformador, não é só minha. Se quiserem, deem uma vista de olhos a este site de crítica especializada. McCreesh é capaz de produzir as maiores tragédias... E perspectiva-se uma trágica tragédia em Orfeu e Euridice na próxima semana... A continuar assim, prevejo um declínio qualitativo desta orquestra e, para mim e com muita pena, McCreesh começa a ganhar o cognome de o assassino de música...

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(Review in English)

The concert I attended at the Centro Cultural de Belém on Friday left me, at least, disturbed.
Paul McCreesh, new principal conductor of the FCG Orchestra, is known for his innovative character. I had "tasted" the gall of innovation with Mozart's Requiem last season and, apparently, it will not pass me the bitter taste...
In his inventive arrogance — it seems that McCreesh must present with us a "new perspective" on everything he does and others do more traditionally... —, the four movements of Franz Schubert’s Symphony No. 9 were interspersed with intervals and songs of Gustav Mahler. The option is terrible and unjustified (in the room program McCreesh finds a solution...): the constant interruptions with little enthusiastic applauses, chairs coming and going, musicians arriving and leaving, instruments sometimes present, sometimes absent, did lose unitary sense of the pieces presented. McCreesh must judge the public is amateur or prefer to have a rest of the music he presents. Perhaps this second option is the most valid...
And what about the performances? Poverty. Symphony no. 9 — The Great — was ruined. What was that second movement? It was almost certainly the most unpleasant musical moment I attended at FCG: a horrible tempo, everything without any kind of passion, totally amorphous... Joining all movements (and, after all, the last two were less bad), there has been an interpretation without any life, with an uncertain tempo, a total lack of interpretive sense. The orchestra seemed to be in a serious, very serious dullness.
And Mahler? The bucolic character of the songs Des Knaben Wundehorn did not exist. I do think McCreesh not even understand Mahler. It was terrible. Even more evident in the song Das Leben himmlische that also integrates the last movement of Symphony no. 4, which is well known to the general public. He made a dark portrait of the destruction of those who should be the joys of paradise. Swedish soprano Miah Persson was the one who saved the songs. With her beautiful timbre, easy and delicate treble, and great dramatic interpretation raised slightly the name of Mahler repeatedly downgraded by the British conductor. Her interpretation of the song Wo die schönen Trompeten blasen was remarkable and had a perfect legato.


My idea that Paul McCreesh, the one who seemed a bit of enthusiasm, loves his inventive and reformative genius, is not only mine. If you want, give a look to this site of specialized critic. McCreesh is capable of the greatest tragedies... And I foresee a tragic tragedy Orpheus and Euridice next week... If this keeps up, I predict a qualitative decline of this orchestra and, for me and with very sorry, McCreesh begins to gain the cognomen of, the music killer…

sábado, 26 de janeiro de 2013

Paul McCreesh na Fundação Gulbenkian, 25 de Janeiro de 2013


(Review in English below)

Paul McCreesh, maestro titular da FCG a partir da próxima temporada, dirigiu a "sua" orquestra num programa variado que incluía a muito esperada interpretação do Requiem de Mozart.


A primeira composição ouvida foi a Sinfonia n.º 8, em Si menor, D.759, "Incompleta", composta por Franz Schubert em 1822. A sua composição foi abandonada em 1823 (apesar de o compositor ter esboçado os restantes dois andamentos) e teve a sua estreia em 1865, 37 anos após a morte do compositor. Embora inacabada, a obra revela elementos dramáticos do período romântico, mantendo-se uma peça frequentemente interpretada e que nos foi apresentada com qualidade.

Seguiu-se música sacra de Igor Stravinsky: Missa. Foi composta entre 1844 e 48 e teve estreia em Milão. Baseada em textos bíblicos católicos, esta obra surge num período em que o compositor já vivia nos Estados Unidos e passava por um novo momento criativo e de particular interesse na obra de Mozart. A obra reforça a originalidade da composição do russo e é de extremo interesse no panorama da música sacra do século XX. Foi composta para coro e orquestra de sopros e a sua interpretação foi regular.

O Requiem em Ré menor, K. 626, de Wolfgang Amadeus Mozart, foi composto em 1791, ano em que o compositor viria a falecer. Esta obra é de uma genialidade ímpar, reveladora da inspiração sobrenatral de um compositor que apenas pecou por ter falecido com apenas 35 anos, privando-nos da sua música gloriosa. A sua obra é reveladora de um talento sem igual e o seu Requiem é (e sempre será) o maior marco da música sacra da humanidade. A irrefutabilidade de Deus pode ser argumentada com esta composição, porque é muito provável que seja a sua voz que se ouve.
Mozart concluiu a Sequentia do Requiem com Lacrimosa. A partir daí, apenas deixou esboços para a conclusão de toda a obra, havendo vários compositores que tiveram a "ousadia" de concluir o trabalho do Mestre. A mais conhecida é a de Franz Süssmayr, mas Paul McCreesh optou pela de Robert Levin e justifica-se: " A versão do Requiem de Mozart que hoje melhor conhecemos é de Franz Süssmayr. Não há dúvida de que este compositor era próximo de Mozart, mas numa análise mais cuidadosa, percebemos que o seu trabalho de conclusão é desajeitado no que diz respeito à estrutura composicional e à orquestração. Durante pelo menos um quarto de século os estudiosos disponibilizaram várias conclusões alternativas, baseadas no autógrafo incompleto de Mozart, nos seus esboços, nas cópias sobreviventes, na sua técnica de composição e na sua orquestração original. A versão desta noite, de Robert Levin, é, na minha opinião, a mais bem sucedida até hoje. Em Levin encontramos não só uma mente musicológica brilhante, mas também uma apurada compreensão do estilo mozartiano a partir do seu trabalho como intérprete do pianoforte. Mais percetível para o ouvinte será uma extensa fuga no fim do Lacrimosa (sobre um tema sugerido por Mozart) e substanciais rearranjos do material musical no Lacrimosa, no Sanctus e no Benedictus. A orquestração parece respirar num espírito mais próximo das outras obras de Mozart".



No meu entender, foi uma das minhas maiores desilusões na FCG. O Introitus, Kyrie e toda a Sequentia foram interpretados por Paul McCreesh a uma velocidade alucinante, nada melodiosa ou dramática. Os solistas não estiveram bem: o soprano (Susan Gritton) apresentou-se com uma voz áspera, dificuldades na projecção e dicção; o meio-soprano (Monia Groop) tinha uma voz agradável e teve uma interpretação muito condicionada; o tenor (Andrew Staples) foi o melhor elemento solista com um timbre adequado; e o barítono (Jonathan Lemalu) não tem voz para o papel: o seu Tuba mirum foi péssimo. O coro, sobretudo os elementos femininos, tiveram dificuldades nos agudos e creio ter visto a sua interpretação muito diminuída por uma velocidade inacreditável. Quando começou a Lacrimosa pensei que ia melhorar, mas não. E aqui surge Robert Levin: o Amen final da Sequentia perde em beleza e poder; o Sanctus é menorizado; o Lux aeterna e Cum sanctis tuis são cópias do Introitus e Kyrie. Mozart, nesta versão, foi antiquado, desdramatizado, chocantemente trivializado. Em conversa com um amigo que trazia o filho de 8 ou 9 anos, ele concluiu: “No final, tive de explicar ao meu filho o que era um Requiem...”. Sem mais comentários.

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(Review in English)

Paul McCreesh, conductor of the FCG Orchestra from next season, drove "his" orchestra in a varied program that included the awaited interpretation of Mozart's Requiem.

The first composition heard was the Symphony no. 8 in B Minor, D.759, "Incomplete", composed by Franz Schubert in 1822. Its composition was abandoned in 1823 (although the composer outlined the remaining two movements) and had its premiere in 1865, 37 years after the composer's death. Although unfinished, the work reveals dramatic elements of the romantic period, keeping often interpreted. It was presented to us with quality.

It was followed by sacred music of Igor Stravinsky: Missa. It was composed between 1844 and 48, and premiered in Milan. Based on Catholic biblical texts, this book comes at a time when the composer was already living in the United States and was on a new creative moment and of particular interest in the works of Mozart. The work reinforces the composing process originality of Russian and is of extreme interest in the panorama of twentieth-century sacred music. It was composed for chorus and wind orchestra and its interpretation was merely regular.

The Requiem in D minor, K. 626, by Wolfgang Amadeus Mozart was composed in 1791, the year in which the composer died. This work is of unparalleled genius, revealing the divine inspiration of a composer who only sinned by having died with only 35 years, depriving us of its glorious music. His work reveals a unique talent and his Requiem is (and always will be) a major landmark of sacred music of humanity. The cogency of God can be reasoned with this composition, because it is very likely to be God’s voice that we hear.
Mozart finished the Requiem with Sequentia - Lacrimosa. From there, just leave blanks for the completion of the entire work. There were several composers who had the "audacity" to complete the Master's work. The best known is that of Franz Süssmayr, but Paul McCreesh opted by Robert Levin’s and justified himself: "The version of Mozart's Requiem which today is better known is that by Franz Süssmayr. Undoubtedly, this composer was close to Mozart, but with a more careful analysis, we realize that his work is of clumsy conclusion with regard to the compositional structure and orchestration. During at least a quarter-century scholars have provided several alternative conclusions based on incomplete autograph of Mozart, in his sketches and surviving copies in its compositional technique and in its original orchestration. Tonight version by Robert Levin is, in my opinion, the most successful to date. Levin his not only a brilliant musicological mind, but also an accurate understanding of the Mozartian style mostly by his work as a pianoforte interpreter. More perceptive listener will be an extensive trail at the end of the Lacrimosa (on a theme suggested by Mozart) and substantial rearrangements of the musical material in the Lacrimosa, the Sanctus and Benedictus. Orchestration seems to breathe a spirit closer to the other works of Mozart. "
In my view, it was one of my biggest disappointments in FCG. The Introitus, Kyrie and Sequentia were all interpreted by Paul McCreesh at a breakneck speed, nothing dramatic or melodious. The soloists were not well: the soprano (Susan Gritton) presented with a gruff voice, bad diction and projection difficulties; the mezzo-soprano (Monia Groop) had a pleasant voice and had a very conditionated interpretation; tenor (Andrew Staples) was the best soloist element with an appropriate timbre; and baritone (Jonathan Lemalu) has no voice for the role: his Tuba Mirum was terrible. The chorus, especially the feminine elements, struggled in the treble and I have seen its interpretation greatly diminished by an unbelievable speed. When Lacrimosa began I thought it would improve, but it does not occur. And here comes Robert Levin: Amen end of the Sequentia loses in beauty and power, the Sanctus is diminished; Lux aeterna and Cum sanctis Tuis are copies of Introitus and Kyrie. Mozart, in this version, was antiquated, less dramatic, shockingly trivialized. In a conversation with a friend who brought his child of 8 or 9 years old, he commented: "In the end, I had to explain to my son what a Requiem is...". No more comments.