domingo, 14 de agosto de 2022

A VALQUÍRIA / DIE WALKURE, Bayreuther Festspiele, Agosto / August 2022

 


                                               (review in English below)


Se achei a encenação do Ouro do Reno difícil de perceber, nem sei o que dizer da Valquíria. Começa na casa (moderna) do Hunding e Sieglinde, que está em avançado estado de gravidez. Aparentemente o pai poderá ser o Hunding (?) mas não é o Siegmund. A tempestade avaria o quadro eléctrico que o Hunding tenta reparar ao longo de quase todo o período em que está acordado. Próximo do fim, o cenário muda e aparecem 2 quartos e 2 crianças que deverão ser o Siegmund e a Sieglinde na infância. No final, a Nothung não é uma espada, é uma pistola (mais uma) que é retirada de uma pirâmide iluminada de branco numa caixa que está presente também na opera anterior.


No 2º acto voltamos à casa dos deuses, onde decorre o velório da Freia (que se terá suicidado). Acentuam-se as relações problemáticas entre membros desta abastada família. Aparecem Siegmund e a Sieglinde e, quando esta está a dormir, Wotan tira-lhe as cuecas e introduz as mãos entre as pernas, dando a entender que será ele o pai da criança em gestação. Siegmund é morto pelo Wotan com um tiro de pistola à queima roupa, mas Hunding sai sem morrer em palco.



O 3º acto começa numa clínica de cirurgia plástica, onde as valquírias, para além dos tratamentos estéticos, bebem champanhe, trocam presentes caros e maltratam as e os empregados. Brünhilde aparece com a Sieglinde já com o filho nascido. Não morreu de parto. Vêm também acompanhadas do Grane que não é um cavalo mas um homem. Tudo se passa nesse cenário até quase o fim, quando Wotan fica sozinho, separado por uma cortina. A Brünhilde sai de cena e não há fogo nem nada de semelhante a isolá-la. Nos momentos finais aparece Fricka com um carrinho de bebidas alcoólicas e partilha uma com o Wotan, um gesto de aparente reconciliação, mas ele não aceita.


Tudo algo confuso, pouco consequente e com poucas ligações ao Ouro do Reno, o que causa ainda mais dificuldade em perceber a abordagem cénica. Wagner deve ter dado mais uma cambalhota no túmulo!

A Orquestra esteve óptima e a direcção do maestro Cornelius Meister foi boa, mas ocasionalmente lenta e sem por sempre em evidência os momentos mais emotivos.


Já em relação aos cantores, imperou a qualidade: O primeiro acto foi o melhor, com 3 cantores de excepção. O tenor Klaus Florian Vogt não tem uma voz heróica de heldentenor como outros mas escureceu a voz e a interpretação foi notável, quer em beleza, quer em emissão e emoção. Foi bem reconhecido pelo público, que o aplaudiu ruidosamente e por muito tempo. O Hunding do baixo Georg Zeppenfeld foi também excepcional. Voz grande, profunda, muito agradável e sempre bem audível acima da orquestra. 

A soprano Lise Davidsen foi colossal! Fez-me lembrar a Nina Stemme quando estava no auge e a ouvi na Brünhilde no Anel de Munique. Uma voz poderosíssima, bem timbrada, e a senhora canta, não grita. Foi, de longe, a mais aplaudida por este público conhecedor. As intervenções nos 2º e 3º actos foram avassaladoras! Que enorme Brünhilde aí virá!!

A mezzo Christa Mayer repetiu uma Fricka de óptima qualidade. O baixo-barítono Tomasz Konieczny foi um Wotan de voz segura e bem timbrada, excelente na emissão. Achei, contudo, pouco autoritário na sua condição de deus (talvez uma exigência desta interpretação cénica). A soprano Iréne Theorin foi uma Brünhilde bem audível, mas a voz está gasta e com um vibrato marcado e irritante. Talvez por isto tenha ouvido alguns boos, no meio dos aplausos.

Finalmente as valquírias foram globalmente muito boas: Kelly God (Gerhilde), Brit-Tone Müllertz (Ortlinde), Stephanie Houtzeel (Waltraute), Christa Mayer (Schwertleite), Daniela Köhler (Helmwige), Nada Dzidziguri (Siegrune), Marie Henriette Reinhold (Grimgerde) e Katie Stevenson (Rossweisse).





Veremos se na continuação do Anel a encenação de Valentin Schwarz se clarifica mais.

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DIE WALKÜRE, Bayreuther Festspiele, August 2022

If I found the staging of Das Rheingold difficult to understand, I don't even know what to say about Valkyrie. It starts at Hunding and Sieglinde's (modern) house, which is in an advanced stage of pregnancy. Apparently the father could be Hunding (?) but not Siegmund. The storm breaks the electrical panel which Hunding tries to repair for most of his waking hours. Towards the end, the scenario changes and 2 rooms and 2 children appear, who must be Siegmund and Sieglinde in childhood. In the end, Nothung is not a sword, it is a pistol (another one) that is taken from an illuminated white pyramid in a box that was also present in the previous opera.

In the 2nd act we return to the house of the gods, where the wake of Freia (who has committed suicide) takes place. Problematic relationships between members of the wealthy family are accentuated. Siegmund and Sieglinde arrive and, when Sieglinde is sleeping, Wotan takes off her underwear and puts his hand upper between her legs, implying that he is the father of the unborn child. Siegmund is killed by Wotan with a pistol shot, but Hunding leaves without dying on stage.

The 3rd act begins in a plastic surgery clinic, where the Valkyries, in addition to aesthetic treatments, drink champagne, exchange expensive gifts and mistreat employees. Brünhilde appears with Sieglinde with her child already born. She didn't die in childbirth. They are also accompanied by Crane, who is not a horse but a man. Everything happens in this scenario until almost the end, when Wotan is alone, separated by a curtain. Brünhilde leaves the scene and there is no fire or anything similar to isolate her. In the final moments, Fricka appears with a cart of alcoholic drinks and shares one with Wotan, a gesture of apparent reconciliation, but he does not accept it.

All somewhat confusing and with few connections to Das Rheingold, which makes it even more difficult to understand the scenic approach. Wagner must have done another somersault in the grave!

The Orchestra was great and the direction of conductor Cornelius Meister was good, but occasionally slow and without always highlighting the most emotional moments.

As for the singers, top quality prevailed: The first act was the best, with 3 exceptional singers. Tenor Klaus Florian Vogt does not have a heroic heldentenor voice like others but he darkened the voice and the interpretation was remarkable, both in beauty and in emission and emotion. He was well recognized by the public, who applauded him loudly and for a long time. Bass Georg Zeppenfeld's Hunding was also exceptional. Big, deep voice, very pleasant and always well audible above the orchestra. 

Soprano Lise Davidsen was colossal! She reminded me of Nina Stemme when she was in her prime and I heard her as Brünhilde on the Munich Ring. A very powerful voice, excelent timbre, and she sings, not screams. She was by far the most applauded by this knowledgeable audience. The interventions in the 2nd and 3rd acts were overwhelming! What a huge Brünhilde here to come!!

Mezzo Christa Mayer repeated a Fricka of excellent quality. Bass-baritone Tomasz Konieczny was a Wotan with a strong and well-toned voice, excellent in emission. I found, however, little authoritative in his condition of god (perhaps a requirement of this scenic interpretation). Soprano Iréne Theorin was a very audible Brünhilde, but her voice is worn and with a marked and irritating vibrato. Maybe that's why she heard some boos, amidst the applause.

Finally, the Valkyries were overall very good: Kelly God (Gerhilde), Brit-Tone Müllertz (Ortlinde), Stephanie Houtzeel (Waltraute), Christa Mayer (Schwertleite), Daniela Köhler (Helmwige), Nada Dzidziguri (Siegrune), Marie Henriette Reinhold ( Grimgerde) and Katie Stevenson (Rossweisse).

We will see if in the continuation of The Ring, Valentin Schwarz's staging becomes more noticeable.

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quinta-feira, 11 de agosto de 2022

O OURO DO RENO / DAS RHEINGOLD – Festival de Bayreuth / Bayreuther Festspiele, Agosto / August 2022

(review in English below)

A nova produção do Festival de Bayreuth do ciclo do Anel do Nibelungo de R Wagner foi encenada pelo jovem austríaco Valentin Schwartz. É uma encenação moderna, muito afastada da concepção de Wagner. Apenas assisti ainda à primeira ópera, o Ouro do Reno, que me deixou perplexidade e muitas dúvidas, que espero ver clarificadas com o decorrer do ciclo.


A ópera abre não nas águas do Reno mas com um filme de um liquido amniótico onde dois gémeos em gestação (Wotan e Alberich?) se agridem. A primeira cena passa-se numa pequena piscina onde Alberich é gozado pelas 3 filhas do Reno (empregadas de uma creche?) e por um grupo de 6 meninas loiras. Há uma 7ª criança, um rapaz de cabelos pretos e um boné amarelo e preto, com comportamento agressivo, que não se mistura com as restantes. No final é raptado pelo Alberich. Não há ouro, como não há nenhum dos outros adereços tradicionais da obra.

A 2ª e a 4ª cenas passam-se numa sala moderna, na garagem e num quarto anexo. Todos são personagens familiares muito abastados que interagem uns com os outros, há muitos criados e criadas mas não fazem nada. O Wotan é loiro, de calções. O Donner é jogador de golfe. Os gigantes, cabelos pretos, são os ocupantes do carro e parecem 2 mafiosos. É tudo muito estático. Claro que não há fogo nem elmo nem espada, apenas pistolas, muitas.

A 3ª cena é a mais bizarra para mim. O Nibelheim é uma creche envidraçada onde há 8 meninas loiras (serão as Valquírias?) a desenhar umas máscaras vermelhas aladas. São mal tratadas pelo rapaz de boné, que destrói os desenhos e grande parte do cenário, mas que aqui até parece ser filho de Alberich (será o Hagen em criança?). Enfim, muito difícil de entender, aparentemente sobre violência infantil, e qualquer semelhança com o original é mera coincidência. Veremos o que acontece nas próximas óperas...

A orquestra excelente e o maestro Cornelius Meister também teve uma direcção muito boa, mas muita gente não gostou. No final foi muito vaiado, no meio dos aplausos.

Os cantores muito bons, como seria de esperar. Admirei especialmente a soprano Elisabeth Teige (Freia) com uma voz brutal e bem timbrada, a mezzo Christa Mayer foi uma Fricka muito correcta e expressiva, e a mezzo Okka von der Damerau (Erda) também se impôs pela qualidade. 

O baixo Egils Silins foi um Wotan correcto mas de voz algo desgastada, o barítono Ólafur Sigurdarson foi um Alberich muito expressivo tanto no desempenho cénico (e a sua parte é exigente) como no vocal e o tenor Arnold Bezuyen fez um Mime excelente. O baixo Wilhelm Schwinghammer esteve bem como Fafner, qualitativamente acima do outro gigante, o baixo Jens-Erik Aasbo (Fasolt). 

Num patamar inferior esteve o baixo-barítono Raimund Nolte (Donner), o tenor Attilio Glaser (Froh) e, sobretudo, o tenor Daniel Kirch (Loge) que por vezes quase se não ouvia. Finalmente as 3 Filhas do Reno Lea-ann Dunbar (Woglinde), Stephanie Houtzeel (Wellunde) e Katie Stevenson (Flossilde) foram óptimas.




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DAS RHEINGOLD  / THE RHEIN GOLD– Bayreuth Festival, August 2022

The new Bayreuth Festival production of the Ring of the Nibelung cycle was staged by the young Austrian Valentin Schwartz. It is a modern staging, far away from Wagner's conception. I only watched the first opera, Das Rheingold, which left me with perplexity and many doubts, which I hope to see clarified as the cycle progresses.

The opera opens not on the waters of the Rhine but within an amniotic fluid film in which two unborn twins (Wotan and Alberich?) attack each other. The first scene takes place in a small swimming pool where Alberich is teased by 3 daughters of the Rhein (employees at a daycare centre?) and by a group of 6 blonde girls. There is a 7th child, a boy with black hair and a yellow and black cap, with aggressive behavior, which does not mix with the others. In the end he is kidnapped by Alberich. There is no gold, as there are none of the work's other traditional props.

The 2nd and 4th scenes take place in a modern room, in the garage and in an annex bedroom. All are rich familiar characters that interact with each other, there are many maids but they do nothing. Wotan is blond, in shorts. Donner is a golfer. The giants, black hair, are the occupants of the car and look like 2 mobsters. It's all very static. Of course there is no fire or helmet or sword, only pistols, lots of them.

The 3rd scene is the most bizarre for me. The Nibelheim is a glassed-in daycare where there are 8 blonde girls (the Valkyries?) designing winged red masks. They are badly treated by the boy in the cap, who destroys the drawings and a large part of the scenery, but who here even seems to be Alberich's son (Hagen as a child?). Anyway, very difficult to understand, apparently about child violence, and any resemblance to the original is purely coincidental. We'll see what happens in the next operas...

The excellent orchestra and conductor Cornelius Meister also had a very good direction, but a lot of people didn't like it. In the end there was a lot of booing, amidst the applause.

The singers very good, as you would expect. I especially admired the soprano Elisabeth Teige (Freia) with a fabulous and well-timbred voice, mezzo Christa Mayer was a very correct and expressive Fricka, and mezzo Okka von der Damerau (Erda) also stood out for her quality.

Bass Egils Silins was a correct Wotan but with a slightly worn voice, baritone Ólafur Sigurdarson was a very expressive Alberich both in the scenic performance (and his part is demanding) and in the vocal and  tenor Arnold Bezuyen was an excellent Mime. Bass Wilhelm Schwinghammer was fine as Fafner, qualitatively above the other giant, bass Jens-Erik Aasbo (Fasolt).

On a lower level of quality were bass-baritone Raimund Nolte (Donner), tenor Attilio Glaser (Froh) and, above all, tenor Daniel Kirch (Loge), who was sometimes barely heard. 

Finally the 3 Daughters of the Rhein Lea-ann Dunbar (Woglinde), Stephanie Houtzeel (Wellunde) and Katie Stevenson (Flossilde) were great.

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domingo, 24 de julho de 2022

COSÌ FAN TUTTE, Royal Opera House, Julho / July 202


(review in English below)

Foi com grande gosto que revi a produção da Royal Opera House de Londres da ópera Così fan Tutte de Mozart.



A encenação de Jan Philipp Gloger é muito agradável, mistura épocas e recorre ao espectáculo dentro do espectáculo.

Logo durante a abertura aparecem os cantores, vestidos à época, a agradecer os aplausos do público, fazendo os gestos habituais da ocasião. Depois percebemos que estes não são os solistas, os dois casais aparecem na plateia e são espectadores da Royal Opera. Os quadros sucessivos são muito variados, misturando épocas: um bar actual, uma estação de comboios de meados do século passado, o jardim do Éden com maçãs, dinheiro e a serpente, um teatro barroco e o final com um painel gigante onde está iluminado Cosi Fan Tutte(i). É uma encenação vistosa, alegre e muito diversificada. 



O maestro Richard Hetherington (em substituição de Julia Jones) foi óptimo e a orquestra esteve em grande nível.


Os cantores solistas foram todos excelentes. Os dois pares de noivos eram jovens, o que deu grande credibilidade à interpretação cénica. O baixo-barítono alemão Gordon Bintner foi um Guglielmo de voz bonita, firme e potente. Presença sempre muito ágil e insinuante, muito favorecido pela sua figura.

O tenor russo Bogdan Volkov fez um Ferrando muito lírico embora tenha sido o cantor que menos me impressionou, apesar de muito bom.

Jennifer Davis, soprano irlandesa, é um colosso a cantar! Voz enorme, ágil e afinada. Excelente na emotividade da aria Per pietà, ben mio, perdona, foi fabulosa em toda a récita.

A mezzo franco-canadiana Julie Boulianne foi uma Dorabella de voz bonita que esteve sempre bem e afinada ao longo de toda a récita. Em cena, uma interpretação muito boa.

O veterano barítono italiano Lucio Gallo foi um Don Alfonso muito bem adaptado à personagem e cantou sempre ao mais alto nível

A soprano italiana Serena Gamberoni foi talvez a melhor Despina que vi e ouvi. Excelente movimentação em palco, muito enérgica e a interpretação vocal também de uma qualidade elevada. 







Um excelente espectáculo!

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COSI FAN TUTTE, Royal Opera House, July 2022

It was with great pleasure that I reviewed the production at the Royal Opera House in London of Mozart's opera Così fan Tutte.

Jan Philipp Gloger's staging is very pleasant, mixing different time periods and picturing the performance in the performance within the show. During the overture, the singers appear, dressed in 18th century clothes, thanking the audience for the applause, making the gestures they usually do on this occasion. Later we realize that these are not the soloists, the two couples appear in the audience and are members of the public of the Royal Opera. The successive parts are very varied, mixing periods: a modern bar, a train station from the middle of the last century, the garden of Eden with apples, money and the snake, a baroque theater, and the end with a giant panel where Cosi Fan Tutte(i) is lit. It's a showy, cheerful and very diverse staging.

Conductor Richard Hetherington (replacing Julia Jones) was great and the orchestra was at a high level.

The soloist singers were all excellent. The two pairs of bride and groom were young, which gave great credibility to the scenic interpretation. German bass baritone Gordon Bintner was a Guglielmo with a beautiful, firm and powerful voice. His presence was always very agile and insinuating, much favored by his figure.

Russian tenor Bogdan Volkov was a very lyrical and beautiful-voiced Ferrando, although he was the singer who least impressed me, despite being very good.

Jennifer Davis, Irish soprano, is a singing colossus! Huge voice, beautiful, agile and in tune. Excellent in the emotionality of the aria Per pietà, ben mio, perdona, she was fabulous throughout the performance.

French-Canadian mezzo Julie Boulianne was a Dorabella with a beautiful voice that was always well and in tune throughout the entire opera. On stage, a very good performance.

Veteran Italian baritone Lucio Gallo was a Don Alfonso very well adapted to the character and always sang at the highest level.

Italian soprano Serena Gamberoni was perhaps the best Despina I have seen and heard. Excellent movement on stage, very energetic and the vocal interpretation was also of a high quality.

An excellent performance!

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Resultados de traduçãCOSI FAN TUTTE, Royal Opera House, July / July 2022 It was with great pleasure that I reviewed the production at the Royal Opera House in London of Mozart's opera Così fan Tutte. Jan Philipp Gloger's staging is very pleasant, mixing seasons and using the show within the show. Right during the opening, the singers appear, dressed at the time, thanking the audience for the applause, making the gestures they usually do on this occasion. Later we realize that these are not the soloists, the two couples appear in the audience and are spectators of the Royal Opera. The successive paintings are very varied, mixing periods, a current bar, a train station from the middle of the last century, a modern bar, the garden of Eden with apples, money and the snake, a baroque theater and the end with a giant panel where Cosi Fan Tutte(i) is lit. It's a showy, cheerful and very diverse staging, but a little confusing. Conductor Richard Hetherington (replacing Julia Jones) was great and the orchestra was at a high level. The solo singers were all excellent. The two pairs of bride and groom were young, which gave great credibility to the scenic interpretation. German bass baritone Gordon Bintner was a Guglielmo with a beautiful, firm and powerful voice. His presence was always very agile and insinuating, much favored by his figure. Russian tenor Bogdan Volkov made a very lyrical and beautiful-voiced Ferrando, although he was the singer who least impressed me, despite being very good. Jennifer Davis, Irish soprano, is a singing colossus! Huge voice, beautiful, agile and in tune. Excellent in the emotionality of the aria Per pietà, ben mio, perdona, she was fabulous throughout the performance. The French-Canadian mezzo Julie Boulianne was a Dorabella with a beautiful voice that was always well and in tune throughout the entire performance. On stage, a very good performance. Veteran Italian baritone Lucio Gallo was a Don Alfonso very well adapted to the character and always sang at the highest level. Italian soprano Serena Gamberoni was perhaps the best Despina I have seen and heard. Excellent movement on stage, very energetic and the vocal interpretation is also of a high quality. An excellent show! *****

sábado, 16 de julho de 2022

MADAMA BUTTERFLY, Royal Opera House, Julho / July 202

(review in English below)

Das várias vezes que assisti a esta bela produção da Madama Butterfly de G. Puccini na Royal Opera House, esta foi a pior. É uma opera que muito gosto, sobretudo da música. 

O maestro Dan Ettinger não fez total justiça à obra e a orquestra também não esteve isenta de responsabilidades.

Em relação aos solistas, Eri Nakamura (substituiu Lianna Haroutounian) foi uma Cio Cio San boa, tanto na interpretação vocal como cénica. Tem uma voz expressiva e foi capaz de transmitir os vários estados emotivos da personagem qb.




Gianluca Terranova foi um Pinkerton muito aquém do desejável. Não cantou bem, a voz teve uma emissão irregular, o timbre é feio e era frequentemente abafada pela orquestra. Em cena não teve a menor capacidade de se envolver ou de transmitir qualquer sentimento, com postura igual quer nos momentos de alegria como nos mais dramáticos. Surpreendo-me como a Royal Opera House contrata cantores tão fracos, não é nada frequente.

Gyula Nagi foi um Sharpless de boa figura mas banal no canto, sem empolgar. 

Patricia Brandon (substitui Kseniia Nikolaieva) fez uma Suzuky aceitável, embora com alguma irregularidade na emissão vocal.

 Alexander Kravets mal se ouviu e também não conseguiu entusiasmar no papel de Goro.

Alan Pingarrón (Príncipe Yamadori) e Rachel Lloyd (Kate Pinkerton) completaram o conjunto desinteressante de intérpretes. 







Um espectáculo muito aquém do que é habitual na Royal Opera House.

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MADAMA BUTTERFLY, Royal Opera House, July 2022


Of the many times I watched this beautiful production of Madama Butterfly by G. Puccini at ROH, this was the worst. It's an opera that I really like, especially the music. Conductor Dan Ettinger did not do full justice to the work and the orchestra was not exempt from responsibility either.

As for the soloists, Eri Nakamura (replaced Lianna Haroutounian) was a good Cio Cio San, both in vocal and scenic interpretation. She has an expressive voice and was able to convey the character's various emotional states.

Gianluca Terranova was a Pinkerton far from desirable. He didn't sing well, the voice had an irregular emission, the timbre is ugly and was often muffled by the orchestra. On stage he didn't have the slightest ability to get involved or to convey any feeling, with an equal attitude both in moments of joy and in the most dramatic.

Gyula Nagi was a Sharpless with a good figure but banal in the singing, without exciting.

Patricia Brandon (replaced Kseniia Nikolaieva) was an acceptable Suzuky, albeit with some irregularity in vocal emission.

 Alexander Kravets was barely heard and he couldn't enthuse in the role of Goro either.

Alan Pingarrón (Prince Yamadori) and Rachel Lloyd (Kate Pinkerton) completed the uninteresting ensemble of performers.

A performance very far from what is usual in Royal Opera House.

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