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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O ROUXINOL de Igor Stravinsky, Theatro Municipal de São Paulo


ROUXINOL ENCANTADO NO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.


Stravinsky é um compositor revolucionário, compôs três grandes balés no início do século XX e sua obra A Sagração da Primavera deixou seus colegas de queixo caído, com a cara no chão. Eclética e diversificada, sua obra tem de tudo. Contempla a dança, música sinfônica, ópera e oratórios. Stravinsky teve a sorte de viver na Europa ocidental e nos Estados Unidos, não se submeteu aos caprichos do regime comunista soviético e pôde usar toda sua criatividade em prol da música. Dizem as más línguas e as fofoqueiras de plantão que Stravinsky deu uns pegas na famosa estilista Coco Chanel, pegada com grife, perfumada com o número 5, com garbo e elegância.

Igor Stravinsky, Foto Internet

A ópera O Rouxinol, de Stravinsky apresentada pelo Theatro Municipal de São Paulo na primeira semana de Dezembro mostra música com a riqueza melódica de seus grandes balés. A composição ficou paralisada alguns anos para a composição dos mesmos. Percebe-se a diferença na escrita entre o primeiro ato, escrito primeiro e os demais atos. A música é moderna e avançada para o tempo de sua composição. Utilizar temas fantásticos na ópera faz parte da tradição russa, temos o Galo de Ouro de Rimsky-Korsakov e Ruslan e Ludmila de Glinka entre outros.
Quando se juntam o maestro Jamil Maluf, a diretora cênica Livia Sabag e o diretor de arte, cenários e figurinos Fernando Anhê sabemos que vem coisa boa por aí. Anos passado esse trio nos proporcionou a premiada O Menino e os Sortilégios de Ravel. Montagem encantadora e cheia de criatividade, eleita por esse blog como a melhor ópera de 2011. Em 2012 o trio se reúne novamente.

 Caroline de Comi e Saulo Javen em O Rouxinol, foto Internet

A produção abusa da bela criatividade, transporta ao fantástico mundo do irreal com cores vivas e ideais inteligentes. Fernando Anhê mostra cenários belíssimos e figurinos adequados. Lívia Sabag dirige com competência, movimenta os cantores com precisão e mostra clareza ao desenvolver o libreto. Jamil Maluf rege  mais uma vez, com grande competência a Orquestra Experimental de Repertório. Mostrou musicalidade precisa, com a alma da música russa nas cordas e madeiras.

Os solistas estiveram à beira da perfeição, esse crítico chato que aqui escreve se encantou com as vozes. Vou ficar careca de elogiar o soprano Caroline de Comi, a bela moça está cada vez melhor, fez um Rouxinol com coloraturas imperdíveis. A russa Olga Trifonova tem linda voz de soprano e soube dar bela vivacidade ao seu Rouxinol. Saulo Javan fez um Bonzo com louvor, sua voz encanta pelos belos graves. Destaques ainda para os competentes Leonardo Pacce, Eric Herrero e Daniella Carvalho.


 O Theatro Municipal de São Paulo teve uma temporada de altos e baixos, pode-se gostar ou não de alguns títulos apresentados, eu não gostei de muitos. A verdade única é que ele cumpriu a programação sem cancelamentos, adiamentos ou desculpas esfarrapadas. Esperamos para 2013 uma programação melhor, o público sempre quer mais e a ideia de remontar as óperas apresentadas em anos anteriores continua válida.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e Quarteto Arditi — 28 de Outubro de 2012, FCG


(Review in English below)

A Fundação Gulbenkian trouxe-nos, no seu ciclo das Grandes Orquestras, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música que nos apresentou trabalhos de Stravinsky, Dusapin e Bartók.


De Igor Stravinsky foi tocada a peça Sinfonias de instrumentos de sopro, obra dedicada a Debussy, que foi composta entre 1918-20 e que teve uma revisão em 1947. O maestro Emilio Pomàrico fez questão de dedicar a execução da peça ao seu amigo e recentemente falecido compositor Emanuel Nunes.

De Pascal Dusapin ouviu-se Quatuor VI, Hinterland, para quarteto de cordas e orquestra. Esta peça tem uma forma pouco convencional, uma vez que inclui um quarteto de cordas a acompanhar a orquestra. Foi composta entre 2008-09, após estímulo do primeiro violinista do Quarteto Arditi, o mesmo que se apresentou na FCG.


Finalmente, de Béla Bartók ouviu-se o Concerto para orquestra, Sz. 116, composição em 5 andamentos composta em 1943 já quando o compositor se encontrava doente e exilado nos EUA após declarações públicas contra o regime pro-hitelariano húngaro. Esta peça dividiu e continua a dividir os críticos, havendo quem a considere uma das obras-primas do compositor, outros que a associam à sua decadência artística.


Assistiu-se a um concerto com um programa pouco habitual nos reportórios de concerto das principais orquestras, mas com vários motivos de interesse particulares, dos quais destacamos o Quatour de Dusapin mais pela sua forma original do que pela qualidade comparada com as restantes obras interpretadas. A Orquestra Sinfónica do Porto e o Quarteto Arditi apresentaram-se em bom plano, bem conduzidos pelo simpático maestro e compositor argentino Emilio Pomàrico.

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(Review in English)

The Gulbenkian Foundation has brought us, integrated on its cycle of the Great Orchestras, the Symphony Orchestra of Porto Casa da Música that introduced us works of Stravinsky, Bartók and Dusapin.

Igor Stravinsky’s piece was Symphonies of wind instruments, dedicated to Debussy piece, which was composed between 1918-20 and had a revision in 1947. The maestro Emilio Pomarico made a point of dedicate the execution part to his friend and recently deceased composer Emmanuel Nunes.

From Pascal Dusapin we heard Quatuor VI, Hinterland, for string quartet and orchestra. This piece has an unconventional form, since it includes a string quartet to accompany the orchestra. It was composed between 2008-09, after stimulus of the first violinist of the Quartet Arditi, the same that has presented in the FCG.

Finally, of Béla Bartók we heard the Concerto for Orchestra, Sz. 116, composition in 5 movements composed in 1943 when the composer was already ill and in exile in the U.S. after public statements against the pro-Hitler Hungarian regimen. This piece divided and continues to divide critics, with those who consider it one of Bartók’s masterpieces, others relating it to his artistic decline.

We have witnessed a concert with an unusual program in concert repertoires of major orchestras, but with various particular motives of interest, of which we highlight the Dusapin’s Quatour more by its original form than by the quality compared to the other works. The Symphony Orchestra of Porto and Arditi Quartet presented in good plan, well conducted by friendly Argentinian conductor and composer Emilio Pomarico.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Concerto Comemorativo Orquestra Gulbenkian 50 anos – Grande Auditório da FCG, 19 de Outubro de 2012


(review in English below)

O concerto que a FCG apresentou na 4.ª e 6.ª feiras foi comemorativo dos 50 anos da orquestra mais famosa de Portugal. Foi dirigido pelo maestro titular Lawrence Foster.



Apresentou peças de Joseph HaydnSinfonia n.º 85, La Reine, parte integrante das sinfonias parisienses —, Vasco MendonçaGroup together, avoid speech, encomenda da FCG e estreia mundial — e Igor StravinskyA Sagração da Primavera, peça composta e estreada em Paris em 1913 com grande polémica associada.

Ouviu-se uma interpretação regular da Sinfonia de Haydn. De Vasco Mendonça pudemos ouvir uma composição que se baseou no excerto poético de Elliot “In this last of meeting places /
We group together / And avoid speech / Gathered on this beach of the tumid river / Sightless, unless / The eyes reappear (...)” (Hollow Men) e que foi propositadamente encomendada para este concerto. Considero-a interessante e que merece uma segunda audição mais atenta — uma primeira audição nunca é mais do que uma introdução. Embora confesse não ser o meu estilo (também por falta de hábito), foi uma peça que me suscitou toda a atenção e que teve momentos de um dramatismo intenso.
(site FCG)
O prato forte da noite era a famosíssima peça A Sagração da Primavera de Stravinsky que dispensa qualquer apresentação. É, para mim, uma das peças mais genais jamais escritas. A sua interpretação exige uma orquestra muito empenhada em transmitir-nos as mais telúricas profundezas, exigindo uma energia totalmente visceral, quase a apelar à náusea. Creio que faltou esse brilho.
Resta-me deixar os meus parabéns à Fundação pelos 50 anos da sua Orquestra. Sem o seu forte empenhamento e produtiva actividade, o panorama musical em Portugal tocaria o paupérrimo. Obrigado e parabéns.
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(Review in English)
The concert that FCG presented in October 4th and 6th was commemorative of the 50th anniversary of the most famous Portugal’s orchestra. It was directed by principal conductor Lawrence Foster.
It presented Joseph HaydnSymphony no. 85, La Reine, a part of Parisian symphonies —, Vasco MendonçaGroup together, avoid speech, an FCG’s order and world premiere —, and Igor StravinskyThe Rite of Spring, composed and premiered in Paris in 1913 with much controversy.
We heard a regular interpretation of Haydn's Symphony. We heard a composition of Vasco Mendonca that was based on an Elliot’s poetic excerpt from Hollow Men "In this last of meeting places / We group together / And avoid speech / Gathered on this beach of the tumid river / Sightless, unless / The eyes reappear (.. .) ". It was purposely commissioned for this concert. I find it interesting and that it deserves a second more attentive hearing - a first hearing is never more than an introduction. Although confess it is not my style (also due to lack of habit), it was a piece that raised me all the attention and had moments of intense drama.
The very famous piece The Rite of Spring by Stravinsky needs no introduction. It is, for me, one of the most genius piece ever written. Their interpretation requires an orchestra very keen to convey to us the most telluric depths, requiring a totally visceral power, almost calling for nausea. I believe that lacked lustre.
It remains for me to leave my congratulations to the Foundation for 50 years of its orchestra. Without their strong commitment and productive activity, the music scene in Portugal would play the pauper. Thank you and congratulations.