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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

TANNHÄUSER - Fundação Calouste Gulbenkian - 12 e 15 de Janeiro 2012


(review in english below)

Já muito se falou e escreveu sobre as 2 récitas em versão concerto da ópera Tannhäuser, nos dias 12 e 15 de Janeiro na Fundação Calouste Gulbenkian.
Gostava só de deixar aqui a minha impressão final e comparativa das récitas.

Penso que as vozes mais consistentes foram a de Falk Struckmann, autoritário e firme no papel de Hermann, e de Manuela Uhl, sensual e ao mesmo tempo distante num misto venusiano perfeito. De um modo geral, os papéis secundários foram também dos mais consistentes.
Johan Botha tem, sem dúvida, uma voz brutal de heldentenor e esteve bastante bem em ambas as récitas. Aparte de 3 perdas momentâneas e fugazes de voz no dia 12 e uma entrada fora de tempo no dia 15, só achei que o final de dia 12 foi mais emotivo do que o de dia 15, embora, no geral, a orquestra e o conjunto tenham estado melhor nesta ultima récita.
Melanie Diener esteve claramente melhor no dia 15, mais concentrada, transmitindo maior felicidade a cantar, com uma transição para os agudos mais homogénea.
Job Arantes Tomé é um jovem cantor português com um timbre de barítono muito bonito, com clara técnica vocal mas... falta-lhe potência vocal, pelo menos para papéis wagnerianos. A Fundação não seguiu o meu conselho de pelo menos no 3º acto coloca-lo junto a Botha, à frente da orquestra (começaria com Melanie Diener e Job Arantes Tomé, retirando-se esta de cena quando entrasse Johan Botha). Mesmo assim, a emissão foi maior no dia 15, contudo frequentemente abafada pela orquestra e claramente não suficiente para se considerar uma boa aposta para esta produção.
O Coro esteve em muito bom nível, principalmente o que tem maior papel – o masculino.
Bertrand de Billy e a Orquestra estiveram particularmente mal no 1º acto no dia 12. Uma Orquestra “flat”, sem personalidade, empastelando sem emoção. Melhorou no 2º e 3º actos mas só dia 15 esteve ao nível de aceitar como bom (nunca excelente). Em ambas as récitas, o intervalo de 4ª perfeita do início da abertura saiu sempre mal, apesar de bem nas outras vezes que aparece ao longo da abertura.
Não sei quanto tempo houve para ensaio e também compreendo que esta formação não está necessariamente feita para estes voos, mas esperava um pouco mais. Além disso, uma versão concerto onde só Botha tentou interpretar algo fisicamente e onde se via Falk Struckman a cantar para si todas as linhas melódicas de quem estava a intervir, tornou todo o espetáculo pouco credível em termos emotivos.
Foram duas récitas com pormenores bons e interessantes mas longe do que se prometia.

TANNHÄUSER - Calouste Gulbenkian Foundation - January 12 & 15, 2012

Much has been said and written about the two recitals, in concert version, of the opera Tannhäuser, on the 12 and 15 January, at the Calouste Gulbenkian Foundation.
I would just like to leave here my final impression of both the events.


I think the most consistent voices were of Falk Struckmann, authoritative and firm in the role of Hermann, and Manuela Uhl, sensual and at the same time distant, in a perfect Venus mix. In general, the minor roles were also the most consistent.
Johan Botha has undoubtedly a brutal Heldentenor voice and was quite well in both concerts. Apart from 3 fleeting and momentary losses of voice on day 12 and an entry out of time in day 15, I think the end on day 12 was more emotional than that of day 15, despite an overall improvement in all on day 15.

Melanie Diener was clearly better in day 15, more concentrated, showing a greater happiness to sing, with a more homogeneous transition to the high notes.

Job Arantes Tomé is a young Portuguese singer with a beautiful baritone voice, a very good vocal technique but with a clear lack of vocal power, at least for Wagnerian roles. The Foundation did not follow my advice of, at least on the 3rd act, to put him closer to Botha, ahead of the orchestra. Still, his vocal power was better on day 15 but not enough to be considered a good bet for this production.

The choir was in a very good level, especially the males who have an enormous role in this opera.

Bertrand de Billy and the Orchestra were particularly bad in the 1st act of day 12. The Orchestra sounded flat, without personality, without emotion. It improved in the 2nd and 3rd acts but only on day 15 was in a way that we could accept as good (not excellent). In both concerts, the beginning of the ouverture started out badly.
I do not know how long did they have for rehearsals and I also understand that this orchestra is not necessarily trained for these operatic flights, but I expected a little more. In addition, a concert version where only Botha tried to play something and where you can see Falk Struckman singing to himself all the melodic lines of who was singing, the whole production has little credibility in emotive terms.

The two concerts were good and interesting in some details but far from what was promised.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

9ª Sinfonia de Beethoven - Fundação Calouste Gulbenkian - 2 Junho 2011



Bertrand de Billy conduziu hoje, na Gulbenkian, a Nona de Beethoven com energia, rigor e mestria. Aponto-lhe apenas o ritmo demasiado rápido do 3º andamento que, embora tenha transmitido uma fluidez dançante, lhe retirou o sentimento do “pairar sobre as nuvens” habitual. Orquestra e Coro ao nível soberbo habitual. Solistas masculinos (Boaz Daniel e Charles Reid) excelentes, uma meio-soprano que praticamente não se ouviu (Adrineh Simonian) e uma soprano (Adina Aaron) que esteve mais contida e discreta (e ainda bem...) do que em “Ah! Perfido!” onde gritou, impondo o seu timbre algo rude e uma ausência de lirismo bonito, apesar de o tentar. A abertura da ópera Fidelio foi segura e eficaz, servindo de introdução a um concerto que valeu essencialmente pela Nona de Beethoven.




Beethoven's Ninth - Calouste Gulbenkian Foundation - 2 June 2011




Bertrand de Billy conducted today, at the Calouste Gulbenkian Foundation, Beethoven's Ninth with power, accuracy and mastery. I point you just the excessive fast pace for the 3rd movement that although it gave a smooth dance vision, it denyied the usual feeling of "hovering over the clouds" usual. The Orchestra and Choir were superb as usual. The male soloists (Boaz Daniel and Charles Reid) were excellent, the mezzo-soprano was hardly heard (Adrineh Simonian) and the soprano (Adina Aaron) was more restrained and discreet (thank God for that...) than in "Ah ! Perfido!" where she screamed, placing her somehow rude tone and the lack of beautiful lyricism. The ouverture of the opera Fidelio was safe and effective, serving as an introduction to a concert that worth mainly by Beethoven's Ninth.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CARMEN - Royal Opera House, Londres, Janeiro 2007 e Outubro 2009

Carmen, de Georges Bizet, é uma das óperas mais populares, repleta de trechos musicais bem conhecidos e uma óptima opção para neófitos, sobretudo quando bem encenada e bem cantada. A acção passa-se em Sevilha, no Séc. XIX.
Carmen é uma cigana rebelde por quem se apaixona um militar, Don José que, por sua vez, é incitado por carta de sua mãe a casar com uma camponesa, Michaëla. Escamillo, um toureiro, também quer conquistar Carmen. Depois de vários encontros e desencontros, Carmen decide afastar-se de Don José e ficar com Escamillo. Fora da praça de touros, onde Escamillo triunfa, Carmen é abordada por Don José que, transtornado, lhe pede insistentemente para voltar para ele. A recusa de Carmen leva-o a apunhalá-la mortalmente, confessando de imediato que a matou, pedindo para o prenderem.

Na produção da Royal Opera House, a encenação de Francesca Zambello é deslumbrante. Logo na primeira cena a Andaluzia está inequivocamente presente. No palco e ao longo do espectáculo, para além dos adereços muito ricos, de bom gosto e variados, aparecem burros, galinhas, cavalos, um elevado número de figurantes e toda a sensualidade das mulheres que trabalham na fábrica de cigarros. A qualidade e riqueza cénicas mantêm-se ao longo de todos os quadros da ópera. Tive oportunidade de assisitr a duas récitas, separadas por dois anos, com elencos diferentes, a de 2007 dirigida por Philippe Augin e a de 2009 por Bertrand de Billy. A orquestra esteve bem em ambas as récitas.

Carmen, em 2007, foi interpretada por Viktoria Vizin, mezzo-soprano húngaro, sensual qb, ma non troppo. Acho que tentou cantar, mas foi decepcionante, pois mal se ouvia, o timbre era feio e, numa sala como esta, a falta de potência vocal é fatal. Em 2009, pelo contrário, Elina Garanca foi notável. Vocalmente soberba ao longo de toda a récita, voz magnífica, belíssima no timbre, forte na colocação e potente na emissão, foi também uma excelente actriz. Mostrou bastante as pernas, mas a figura presta-se e a personagem também.
Don José foi interpretado por Marco Berti em 2007., um tenor italiano típico, possuidor de uma bela voz, potente e bem colocada, mas pouco ágil. O homem, gordo e mau actor, não ajudou a personagem que interpreta. Em 2009, Roberto Alagna assumiu o papel. Apesar de ter um timbre de que não gosto, devo reconhecer que foi soberbo ao longo de toda a récita, sem qualquer falha vocal e, cenicamente, excelente, sobretudo no final.
Escamillo foi Laurent Naouri em 2007, que cumpriu o papel com regularidade mas sem brilho. Surgiu montado no cavalo, como Zambello terá imaginado, mas ou teve medo de montar, ou medo que o cavalo não gostasse de ser montado por ele. Em 2009 foi a vez de Ildebrando D’Arcangelo, que nunca ouvira ao vivo. Apareceu ao lado do cavalo e demonstou que não é cantor para um teatro de ópera como a ROH. Fez-se ouvir em susurro, não brilhou e, de facto, não tem potência nem capacidade interpretativa para um teatro de primeira água. É o exemplo de como as gravações podem enganar.
Micaëla foi, nas duas récitas, o soprano chinês Liping Zhang, uma das mais aplaudidas em ambas as récitas. Uma voz decente e forte mas com tendênca para gritar nos agudos e sem a suavidade, emoção e sentimento que a personagem exige. A interprete, chinesa – sim, o preconceito para mim conta – estaria óptima como Butterfly ou Liu, mas não como esta espanhola.

A Royal Opera House continua a oferecer esta produção. É outra que se recomenda vivamente, sobretudo para quem não tem grande vivência operática, dada a espectacular riqueza cénica que se disfruta. Também existe uma notável versão em DVD, com Anna Caterina Antonacci (Carmen) e Jonas Kaufmann (Don José).

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