sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Luiz-Ottavio Faria está no Sultanato de Omã para ser Sarastro da ópera A Flauta Mágica de Mozart




Texto de Miriam Bemelmans

Em continuidade com a expressiva carreira internacional, um dos maiores baixos brasileiros da atualidade, Luiz-Ottavio Faria está em Muscat, para interpretar mais uma vez Sarastro, personagem da ópera A Flauta Mágica de Mozart. A direção musical e regência é do suíço Diego Fasolis e a direção cênica, do italiano Davide Livermore, assessorado pelo brasileiro Allex Aguilera, com quem o Luiz-Ottavio já teve o privilégio de trabalhar na ópera Turandot, na Ópera La Coruña, na Espanha. A apresentação será com o grupo de câmara italiano I Barocchisti e acontecem no Royal Opera House Muscat, no Sultanato de Omã, na Península Arábica, nos dias 2, 3 e 4 de janeiro de 2020.
Site: https://www.rohmuscat.org.om/en/performance/performance-detail?i=425




2019 foi um ano promissor para Luiz-Ottavio Faria. Em setembro, cantou Don Carlo no Teatro Cólon, na Coruña, Espanha, com um dos maiores baixos da atualidade, o italiano Ferruccio Furlanetto. Em julho, no Brasil, interpretou Sparafucile, na ópera Rigoletto de Verdi, sob a regência de Roberto Minczuk e a direção de Jorge Takla, no Theatro Municipal em São Paulo. Essa montagem foi realizada em outubro, no Teatro Solis de Montevideo, no Uruguai, sob regência do maestro uruguaio Martin Jorge. Em abril esteve no XXII Festival Amazonas de Ópera, interpretando Don Ruy Gomes na versão em forma de concerto da ópera Ernani de Giuseppe Verdi, no Teatro Amazonas, sob regência do maestro Luiz Fernando Malheiro. Em janeiro, foi Timur, em Turandot na Ópera de Toulon, na França.

Vídeos
Anna Bolena by G. Donizetti, Luiz-Ottavio Faria, R. Rinaldi, Duetto, Oh! qual parlar fu il suo!: https://youtu.be/e50cHDokTdY
  
Don Carlo, Duet Filippo II e Il Grande Inquisitore, Dmitry Belossesky e Luiz-Ottavio Faria: https://youtu.be/J4et-srqGAQ
  

Em março de 2020, Luiz-Ottavio Faria vai cantar a Missa Solemnis opus 123 de Beethoven com a Sinfônica de Lahti na Finlândia, regência do maestro Dima Slobodeniuk. Em abril, será Trinity Moses, na ópera Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny, de Kurt Weill, com texto de Bertold Bretcht, no Teatro Regio de Parma, na Itália, sob a regência do americano Christopher Franklin e direção do alemão Henning Brockhaus.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Oratória de Natal, Fundação Gulbenkian, Dezembro 2019




Interrompendo a série de posts sobre bailados que habitualmente concentramos na época natalícia, da oferta da Oratória de Natal de Bach com que a Fundação Gulbenkian presenteou o seu publico, assisti às Cantatas II, IV e V.

O auditório abriu a vista para os belos jardins que, à noite, adquirem um encanto particular, sobretudo quando chove, como foi o caso.



O maestro Michel Corboz, homenageado pelos seus 50 anos na direcção artística do Coro Gulbenkian, dirigiu o concerto e foi agraciado com um justo aplauso efusivo. O concerto foi muito agradável com uma interpretação magnífica do Coro Gulbenkian.



Em relação aos solistas, o soprano Ana Quintans e o tenor Benedikt Kristjánsson foram muito bons. Também com boas intervenções vocais, mas num patamar um pouco inferior, estiveram o baixo-barítono Philippe Sly e o mezzo Marianne Beate Kielland.




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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

A BELA ADORMECIDA / The Sleeping Beauty, New York City Ballet, Fevereiro / February 2019


(text in English below)

O bailado A Bela Adormecida, com música de P I Tchaikovsky e coreografia de Peter Martins (Segundo Marius Petipa) e cenografia de David Mitchell esteve em cena no New York City Ballet no início do ano.



Conduziu a Orquestra local o maestro Andrews Sill.


É uma encenação muito clássica e vistosa, agradável de ver. O guarda-roupa (de Patricia Zipprodt) é exuberante e muito colorido. A colocação da acção nos vários locais onde decorre é feita por pinturas projectadas sucessivas, num efeito bem conhecido, e a viagem de barco do príncipe e da fada boa para o castelo, no meio do nevoeiro, é de uma invulgar beleza.






Quanto aos bailarinos, não sendo eu um especialista, foram globalmente bons. As intervenções de conjunto foram bonitas mas, por vezes, o sincronismo dos movimentos não foi perfeito. Os solistas principais foram Teresa Reichlen (fada Lilac), Maria Kowroski (fada Carabosse), 


Russell Janzen (príncipe Désiré) e Streling Hyltin (princesa Aurora), a protagonista e a melhor bailarina da noite, correctíssima nos movimentos e transmitindo uma sensação de leveza como se tudo fosse suave e fácil.




Um clássico bem dançado é sempre um espectáculo agradável.




THE SLEEPING BEAUTY, New York City Ballet, February 2019

The ballet The Sleeping Beauty, with P I Tchaikovsky's music and choreography by Peter Martins (after Marius Petipa) and set design by David Mitchell was on stage at the New York City Ballet earlier this year.

The conductor of the local Orchestra was Andrews Sill.

It is a very classic and showy performance, pleasant to watch. The dresses (by Patricia Zipprodt) are lush and very colorful. The placement of the action in the various places where it takes place is made by successive projected paintings, in a well-obtained effect, and the voyage of boat of the prince and the good fairy to the castle, in the fog, is of an unusual beauty.

The dancers (I am not an expert) were globally good. The interventions of the group were beautiful but sometimes the timing of the movements was not perfect. The main soloists were Teresa Reichlen (fairy Lilac), Maria Kowroski (fairy Carabosse), Russell Janzen (Prince Désiré) and Streling Hyltin (Princess Aurora), the protagonist and the best dancer of the night, very correct in movements and conveying a feeling of lightness as if everything were smooth and easy.

A well danced classic ballet is always a nice show.

domingo, 8 de dezembro de 2019

LES CONTES D’HOFFMANN, Wiener Staatsoper, Setembro / September 2019



(review in English below)

A opera de Jaques Offenbach Os Contos de Hoffmann esteve em cena na Ópera de Viena, numa encenação fantástica de Andrei Serban.



Foi criado um ambiente surrealista. No primeiro acto, a oficina do inventor Spalanzani tem várias estruturas verticais transparentes, uma com um grande esqueleto com óculos, outra com diversas cabeças e, na central, está a boneca Olympia. Há vários olhos em diversos locais do palco e muitas máquinas estranhas. Os efeitos visuais são magníficos. O que não gostei foi do desempenho físico da Peretyatco como Olympia porque é muito mais humana nos movimentos que faz do que o boneco que representa.
No 2º acto, a casa de Antonia é dominada por um enorme piano em toda a profundidade do palco, onde se perde o final da cauda. No 3º acto é criado um ambiente nocturno cheio de estrelas e com lua cheia, de belo efeito visual, e as gôndolas são sofisticadas e longas, forradas de almofadas vermelhas a condizer com as cortesãs. Uma encenação fabulosa, de grande impacto visual e muito apropriada à história da ópera.




A superior direcção musical foi do maestro Frédéric Chaslin. Orquestra muito bem e Coro fantástico.




Os cantores solistas foram todos óptimos. O tenor Dmitry Korchak fez um Hoffmann correcto. Tem uma voz bem audível e de timbre agradável.



A mezzo Gaëlle Arquez foi a melhor da noite. A voz é magnífica na forma, emissão e expressão. Interpretou a Musa / Nicklausse. O experiente barítono Luca Pisaroni interpretou com classe e de forma convincente as personagens malvadas da ópera, Lindorf, Coppélius, Miracle e Dapertutto. O tenor Michael Laurenz também deixou boa impressão na interpretação correcta de Andrès, Cochenille, Frantz e Pitichinaccio.





Deixei para o fim a soprano Olga Peretyatko, que nunca gostei de ouvir anteriormente. Pois hoje foi diferente. A voz esteve sempre afinada, bem colocada, bem audível e, como Antonia, foi emotiva. Só não gostei nada da forma como interpretou a Olympia, porque pouco se pareceu com um autómato.




Os restantes cantores secundários foram todos de qualidade adequada ao espectáculo, excepto Igor Onishchenko que mal se ouviu como Spalanzani.





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LES CONTES D'HOFFMANN, Wiener Staatsoper, September 2019

Jaques Offenbach's opera Les Contes D’Hoffmann was on the scene at the Vienna State Opera, in a fantastic production by Andrei Serban.

A surrealist atmosphere has been created. In the first act, the inventor Spalanzani's workshop has several transparent vertical structures, one with a large skeleton with glasses, another with several heads, and in the center is one with the doll Olympia. There are lots of eyes in various places on the stage and several weird machines. The visual effects are magnificent. What I didn't like was Peretyatco's performance as Olympia because she's so much more human in the movements she makes than the doll she represents.
In the second act, Antonia's house is dominated by a huge piano across the depth of the stage, where the tail end is lost. Act 3 creates a star-studded, full-moon night environment of beautiful visual effect, and the gondolas are sophisticated and long, lined with red cushions to match the courtesans. A fabulous production, of great visual impact and very appropriate to the history of opera.

The superior musical direction was by conductor Frédéric Chaslin. The orchestra was very good and the choir fantastic. The soloist singers were all great. Tenor Dmitry Korchak made a correct Hoffmann. He has a very audible voice and a pleasant tone.

Mezzo Gaëlle Arquez was the best of the night. The voice is magnificent in form, emission and expression. She interpreted the Muse / Nicklausse. The experienced baritone Luca Pisaroni has classically and convincingly interpreted the wicked opera characters Lindorf, Coppélius, Miracle and Dapertutto. Tenor Michael Laurenz also made a good impression on the correct interpretation of Andrès, Cochenille, Frantz and Pitichinaccio.

Finally soprano Olga Peretyatko, which I never liked to hear before. But today was different. The voice was always tuned, well projected, very audible and, as Antonia, was emotional. I just didn't like the way she played Olympia at all, because she hardly looked like an automaton.

The rest of the supporting singers were all of a quality suitable for the performance, except Igor Onishchenko who was barely heard as Spalanzani.

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