sexta-feira, 2 de maio de 2014

COSÌ FAN TUTTE, METropolitan OPERA, Nova Iorque, Abril de 2014 /METropolitan Opera, New York, April 2014

(review in English below)

 Cosi fan tutte é a ópera de W A Mozart com libretto de Lorenzo da Ponte que mais gosto. Vi-a recentemente num dia de chuva diluviana em Nova Iorque!


 A encenação, magnífica, é de Lesley Koenig. Toda a cenografia é de grande impacto visual, mas o primeiro quadro é fabuloso. Vêem-se em fundo, na penumbra, dois barcos, que parecem uma tela pintada. Mas não é, as personagens entram neles e um desloca-se. O jogo de luzes (de Duane Schuler) é muito eficaz, criando diversas atmosferas ao longo do quadro. Do melhor que tenho visto. Também os outros quadros são bonitos e estão muito bem conseguidos, mas o primeiro é único. A movimentação cénica é outra mais valia assinalável.

A Orquestra da Metropolitan Opera esteve ao mais alto nível mas, verdadeiramente sensacional, foi a direcção do maestro James Levine. Tempos e sonoridade perfeitos, primazia para os cantores, uma maravilha.


 Os solistas foram muito uniformes de de excelente nível.

O tenor americano Matthew Polenzani foi um Ferrando irrepreensível. Voz sempre bem colocada, timbre belíssimo, potência assinalável e interpretação cénica de qualidade. Transmitiu uma expressividade vocal marcante.



Também o Guglielmo do barítono russo Rodion Pogossov (um desconhecido para mim) esteve à altura da personagem, que interpretou com muita qualidade vocal e boa presença em palco.


 O veterano baixo barítono italiano Maurizio Muraro fez um grande Don Alfonso, muito correcto, de voz forte e afinada.


Isabel Leonard, mezzo “da casa”, foi uma Dorabella de boa presença cénica e voz bonita e afinada ao longo de toda a récita. Teve como ponto mais alto a ária È amore un ladroncello, no 2º acto. 


 O soprano australiano Danielle de Niese fez uma Despina excelente, tanto em comicidade como em interpretação vocal. Mostrou grande versatilidade artística, bem evidente quando encarnou o médico e o notário. Foi sempre muito viva, cómica e alegre.


 Finalmente outra interpretação fantástica foi de Susanna Philips, jovem soprano americano, que deu vida à Fiordiligi. A cantora é sempre muito expressiva (como se viu recentemente na excelente Musetta da La Bohème de há poucas semanas) e a voz é também magnífica. Timbre muito agradável, sempre sobre a orquestra, mantendo uniformidade qualitativa em todos os registos. Na ária dramática do 1º acto Come scoglio deu-nos uma interpretação acrobática e quase jocosa, como é desejável, contrastando com o lamento mais genuíno e humano na longa ária Per pieta no 2º acto, onde foi notável. Excelente!


 Uma daquelas poucas (infelizmente) récitas que não esquecerei rapidamente.









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Cosi fan tutte, Metropolitan Opera, New York, April 2014

Cosi fan tutte is my favorite Mozart 's opera with libretto by Lorenzo da Ponte. I saw it recently on a day of diluvian rain in New York!

The staging, magnificent, is by Lesley Koenig. The whole scenery is of great visual impact, but the first part is fabulous. We see in the background, in the shadows , two boats, which look like a painting. But it is not, we see the people enter in them and one then moves away. The lights (by Duane Schuler) are very effective, creating different atmospheres along the performance. Of the best I have seen. The rest of the scenery is also beautiful, but but the first part is unique.

The Orchestra of the Metropolitan Opera was at the highest level but, truly sensational, was the direction of conductor James Levine. Tempi and perfect sound, primacy for the singers, wonderful.

The soloists were very uniform and excellent.

American tenor Matthew Polenzani was a faultless Ferrando. His voice was powerful and with a beautiful timbre.Also a remarkable stage interpretation.

Also Russian baritone Rodion Pogossov (unknown to me) was a good Guglielmo, who sang with great quality and good stage presence.

Veteran Italian bass baritone Maurizio Muraro was a great Don Alfonso, very correct on stage and showing a strong and refined voice.

Isabel Leonard , mezzo from the " house " , composed Dorabella with good stage presence and beautiful and refined singing throughout the performance. She had the highest moment in the aria È amore un ladroncello in the 2nd act .

Australian soprano Danielle de Niese was
​​an excellent Despina, both in comedy and in vocal performance. She showed great artistic versatilitys, evident when he playied the doctor and the notary characters. She was always very lively, comic and cheerful.

Finally another fantastic interpretation was by young American soprano Susanna Philips who was Fiordiligi. The singer was always very expressive (as recently seen in the excellent Musetta in La Bohème a few weeks ago) and the voice is also magnificent. The timbre is very beautiful, the voice was always above the orchestra, keeping qualitative uniformity in all registers . In dramatic aria from Act 1 Come scoglio she gave us an acrobatic interpretation and almost playful, as it is desirable, contrasting with the more humain and genuine regret in the long aria Per pieta in the 2nd act, which was remarkable. Excellent!

One of those few (unfortunately) performances that I will not forget quickly.
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terça-feira, 29 de abril de 2014

ALCINA, Ópera de Zurique, Fevereiro de 2014 / Zürich Opernhaus, February 2014

(review in english below)

Alcina é uma ópera de Georg Friedrich Händel com libretto de Antonio Fanzaglia segundo a ópera L’isola di Alcina de Riccardo Broschi, a partir do poema épico Orlando Furioso de Ludovico Ariosto.


 A feiticeira Alcina transforma homens em animais na sua ilha. Está apaixonada pelo mais recente prisioneiro, Ruggiero. Bradamante, a sua noiva, chega à ilha disfarçada de homem (Ricciardo), acompanhada do seu guardião, Melisso. O feitiço de Alcina faz com que Ruggiero esqueça Bradamante. Morgana, serva de Alcina, apaixona-se por “Ricciardo”, para desespero de Oronte, o seu amado, também servo de Alcina. Oronte, enciumado, convence Ruggiero que Alcina ama “Ricciardo”. Alcina fica dilacerada quando descobre que Ruggiero a traiu e planeia fugir da ilha e, ainda, verifica que a sua varinha mágica perdeu os poderes. Todas as personagens principais revelam as suas verdadeiras identidades, Morgana e Oronte, e Ruggiero e Bradamante juntam-se no amor e destroem o poder e o palácio de Alcina que se afunda no mar. Alcina desaparece e os animais transformados retomam a forma humana.


 A encenação Christof Loy é vistosa mas difícil de entender. Começa com a representação (magnífica) de uma ópera barroca num teatro rococó na parte superior do palco, enquanto na parte inferior se vêem os bastidores e os animais transformados por Alcina. Aparece um cupido muito idoso, uma ideia muito interessante.
A acção avança mais de um século e, na ária mais introspectiva de Alcina do 2º acto, aparece-lhe a sua imagem como idosa (a mesma personagem que faz de cupido). Este acto passa-se numa espécie de residência para doentes psiquiátricos, sem ter sido claro para mim o significado da encenação.
 No último acto vêem-se os escombros do teatro, muito fumo (possivelmente terá ardido) e cai um grande lustre (uma réplica do lustre da ópera de Zurique). A maioria dos participantes está vestida como nos tempos actuais, mas Alcina aparece novamente com um vestido “barroco”, antes de desaparecer.


 O maestro (e flautista) Giovanni Antonioni dirigiu superiormente a excelente Orquestra barroca La Scintilla. A interpretação foi fantástica, tirando o máximo partido da sonoridade própria dos instrumentos da época.




O elenco de solistas foi de primeiríssima água:
 Alcina foi interpretada pelo mezzo italiano Cecilia Bartoli. Confesso que foi ela que me fez ir a Zurique e … não me arrependi. Bartoli é uma daquelas (poucas) cantoras líricas que é muito melhor ao vivo do que em gravações. A expressividade dramática que empresta às personagens é única e aqui, mais uma vez, assim foi. Para além de ouvi-la, vê-la é um assombro. Todas as suas árias (seis no total) foram fantásticas, a voz é única, sempre primorosamente bem colocada e de uma beleza avassaladora. Na ária principal do 2º acto, Ah mio cor, ofereceu-nos uma interpretação divinal, a voz chorava e a interpretação foi comovente. Um privilégio único e raro poder apreciar ao vivo uma das melhores cantoras de sempre.



 Sensacional foi o mezzo sueco Malena Ernman como Ruggiero. Antes do início do espectáculo fomos avisados que não estaria na sua melhor forma devido a uma infecção respiratória. Mas nada transpareceu dessa limitação porque nos ofereceu uma interpretação de excepção. É uma artista completa. Fisicamente parecia um homem, a agilidade em palco foi estonteante, incorporou sem destoar o corpo de bailarinos no 3º acto e até cantou a fazer flexões (!). Para além de todos estes atributos físicos e cénicos, a voz tem um timbre lindíssimo, uma potência invulgar e a coloratura foi imponente. Maravilhosa.



 Bradamante foi o mezzo arménio Varduhi Abrahamyan, uma desconhecida para mim que também esteve em grande, tanto cénica como vocalmente. O timbre é bonito, escuro, o canto cheio e a interpretação sempre bem conseguida.


 O soprano francês Julie Fuchs fez uma Morgana muito boa, de voz agradável e bem audível e, no palco, uma postura sempre convincente. 


 Oronte foi interpretado com qualidade pelo jovem Fabio Trümpy, tenor suíço de voz clara e expressiva.


 Também outro jovem, o baixo americano Erik Anstine, interpretou Melisso com qualidade e poderio vocal interessante e muito agradável.








 Uma Alcina estratosférica na Zürich Opernhaus.

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ALCINA , Zurich Opera House , February 2014

Alcina is an opera by Georg Friedrich Händel with libretto by Antonio Fanzaglia according to the opera L' isola di Alcina by Riccardo Broschi, after the epic poem Orlando Furioso by Ludovico Ariosto .

The witch Alcina turns men into animals on her island. She is in love with her latest prisoner Ruggiero. Bradamante, her bride, arrives in disguised as a man (Ricciardo), accompanied by her guardian, Melisso. Alcina´s spell causes Ruggiero to forget Bradamante . Morgana, Alcina’s servant, falls in love for "Ricciardo" , to the despair of Oronte, his beloved, also servant of Alcina. Oronte, jealous, convinces Ruggiero that Alcina loves "Ricciardo" . Alcina is torn when she discovers that Ruggiero betrayed  her and plans to flee the island, and also discovers that her wand lost its powers. All the main characters reveal their true identities, Morgana and Oronte, and Ruggiero and Bradamante join in love and destroy the power and the palace of Alcina that sinks in the sea. Alcina disappears and the animals resume their human form.

Christof Loy 's staging is fine but hard to understand. It begins with the representation (magnificent) of a rococo baroque opera in a theater at the top of the stage , while at the bottom the backstage is seen, where the animals transformed by Alcina lay. A very old cupid appears, a very interesting idea.
The action progresses over a century, and during the more introspective Alcina’s aria in 2nd act, her image as an old woman appears (it is the same player that plays the cupid). . This act takes place in a sort of residence for psychiatric patients, without being clear to me the meaning of the act.
In the last act we see the ruins of the theater, a lot of smoke (possibly it burned ) and a large chandelier (a replica of the chandelier of the Zurich opera) drops. Most participants are dressed as in present times, but Alcina appears again with a "Baroque" dress before disappearing.

Conductor (and flautist) Giovanni Antonioni superiorly directed the great Baroque Orchestra La Scintilla. The performance was fantastic, taking full advantage of the sonority of baroque instruments.

The soloists were of the highest quality:
Alcina was interpreted by Italian mezzo Cecilia Bartoli. I confess that it was she who made ​​me go to Zurich ... and I did not regre . Bartoli is one of those (few) opera singers who is much better live than on recordings. The dramatic expressiveness that she plays is unique and here, again, it was so. In addition to hearing her, seeing her on stage is a wonder. All her arias (six in total) were fantastic, the voice is unique, always exquisitely well pitched and of an overwhelming beauty. In the main the 2nd act aria, Ah mio color, she offered us a divine interpretation, her voice and interpretation were touching. It is a unique and rare privilege to see and hear one of the best opera singers of all times.

Sensational was Swedish mezzo Malena Ernman as Ruggiero. Before the start of the performance we were told that she would not be at her best due to a respiratory infection But this limitation was not apparent because she offered an exceptional performance. She is a complete artist. Physically looked like a man, her agility on stage was stunning. In the 3rd act she joined the group of professional dancers and she even sang doing pushups (!) . Apart from all these physical and staging attributes, her voice has a beautiful tone, an unusual power and impressive coloratura. Wonderful.


Bradamante was Armenian mezzo Varduhi Abrahamyan, an unknown singer to me who was also great both on stage and vocally. Her tone is beautiful abd dark, and the performance onstage was always excellent.

French soprano Julie Fuchs was a very good Morgana, with a nice and very audible voice and onstage always a nice performance.

Oronte was interpreted by the young Swiss tenor Fabio Trümpy. He has a bright and expressive voice .

Also another young singer, American bass Erik Anstine, played Melisso with an interesting and very nice vocal power.

A stratospheric Alcina in Zürich Opernhaus.

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quarta-feira, 23 de abril de 2014

JULIA LEZHNEVA na Fundação Gulbenkian — 22 de Abril de 2014

(Review in English)


O jovem soprano russo de 24 anos, Julia Lezhneva, apresentou-se na Fundação Calouste Gulbenkian acompanhada pelo maestro finlandês Aapo Hakkinen que dirigiu a Orquestra Barroca de Helsínquia.


O programa foi inteiramente dedicado ao compositor alemão do período barroco Georg Friedrich Handel (1685-1759). Ouviram-se interpretações de La ressureizione HWV 47: Sonata, La ressureizione HWV 47: Disserratevi, o porte d’Averno!, Concerto Grosso em Si bemol maior, HWV 313, Salve Regina HWV 341, Marcha em Ré maior HWV 416, Sonata em Fá HWV 302b, Rodrigo HWV 5: Passacaille, Agrippina HWV 6: Prélude, Il trionfo del Telpo e del Disinganno HWV 46a: Un pensiero nemico di pace, Agrippina HWV 6: Ouverture, Agrippina HWV 6: Pensieri, voi mi tormentate, Il triofo del Tempo e del Disiganno HWV 46a: Come nembo che fugge col vento.


Julia Lezhneva foi, indubitavelmente, a estrela cintilante da noite. A sua qualidade já foi diversas vezes premiada e, apesar da sua tenra idade, mostra uma enorme maturidade vocal. A sua tessitura é ampla, o que lhe permite estar confortável no registo grave, médio e agudo. Tem uns agudos cristalinos e envolventes. O timbre é extremamente agradável, melodioso e vivo. O legato perfeito. E as interpretações sentidas, verificando-se que sente com paixão aquilo que canta. Talvez por isso tenha dito: «Estou profundamente apaixonada por esta música. Através dela percebe-se que os compositores realmente amavam o que faziam.» Podiam destacar-se todas as suas interpretações, mas, para mim, as mais marcantes foram Salve Regina e Pensieri, voi mi tormentate. Fabulosas!


As interpretações da Orquestra Barroca de Helsínquia dirigida pelo seu director artístico Aapo Hakkinen foi de muito elevada qualidade. Sonoridade barroca irrepreensível, óptima noção de tempo e excelente coordenação entre os naipes. Estiveram, igualmente, perfeitos no acompanhamento da estrela da noite Lezhneva. De destacar Jasu Moisio no oboé: que sensibilidade musical!


As interpretações — soprano e orquestra —, juntamente com o reportório escolhido, fizeram-me lembrar o concerto magnífico que Joyce DiDonato nos ofereceu quando apresentou o seu álbum Drama Queens. Fiquei com a ideia de que Julia Lezhneva já não tem o estatuto de Drama Princess, mas sim de Drama Queen!

Como encore ouviu-se Handel novamente. A interpretação de  Lascia la spina cogli la rosa da ópera Rinaldo foi cintilante.

Fica um vídeo do You Tube.


Que concerto memorável!

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(Review in English)

The young Russian soprano of 24 years old, Julia Lezhneva, presented at the Calouste Gulbenkian Foundation accompanied by Finnish conductor Aapo Hakkinen who directed the Helsinki Baroque Orchestra.

The program was entirely devoted to the German Baroque composer Georg Friedrich Handel (1685-1759). There were performances of La ressureizione HWV 47: Sonata, La ressureizione HWV 47: Disserratevi, o porte d’Averno!, Concerto Grosso em Si bemol maior, HWV 313, Salve Regina HWV 341, Marcha em Ré maior HWV 416, Sonata em Fá HWV 302b, Rodrigo HWV 5: Passacaille, Agrippina HWV 6: Prélude, Il trionfo del Telpo e del Disinganno HWV 46a: Un pensiero nemico di pace, Agrippina HWV 6: Ouverture, Agrippina HWV 6: Pensieri, voi mi tormentate, Il triofo del Tempo e del Disiganno HWV 46a: Come nembo che fugge col vento.

Julia Lezhneva was undoubtedly the shining star of the night. Her quality has been awarded several times and, despite her young age, she shows a huge vocal maturity. Her tessitura is wide, allowing her to be comfortable in low, medium and high registers. She has a crystalline and engaging treble. The tone is extremely pleasant, melodious and alive. The legato is perfect. And her interpretations are felt and warm, verifying that she feels passionately what she is singing. Maybe that's why she said: «I'm deeply in love with this music. Through it you realize that the composers really loved what they were doing.» I could stand out in all her interpretations, but for me, the most striking were Salve Regina and Pensieri, voi mi tormentate. Fabulous!

Interpretations of Helsinki Baroque Orchestra led by its artistic director Aapo Hakkinen was of very high quality. Impeccable baroque sound, great sense of tempo and excellent coordination between the instruments. Were also perfect accompanying the star of the night Lezhneva. Of note in the Oboe Jasu Moisio: what musical sensibility!

Interpretations - soprano and orchestra - along with repertoire chosen, reminded me of the magnificent concert that Joyce DiDonato gave us when she presented her album Drama Queens. I got the idea that Julia Lezhneva no longer has the status of Drama Princess, but of Drama Queen!

As encore we heard Handel. The interpretation of the Lascia la spina cogli la rosa of Rinaldo opera was scintillating.

This is a video from You Tube.
http://www.youtube.com/watch?v=c4DpYgG3FyM


What a memorable concert!

sábado, 19 de abril de 2014

FALSTAFF, Theatro Municipal de São Paulo, Abril de 2014




FALSTAFF PUNK NO TMSP. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE DO BLOG DE ÓPERA E BALLET.
  
   Os comentários do público conhecedor de ópera sobre Falstaff de Verdi que estreou no Theatro Municipal de São Paulo no último dia 12 de Abril eram um só, Ambrogio Maestri. O burburinho do teatro estava todo em volta dele, desde as escadarias até os camarins todos falavam nas qualidades vocais do barítono italiano. Muitos lembravam que ele interpretara esse mesmo título no Metropolitan Opera House de Nova Yorque em Dezembro de 2013, ópera transmitida nos cinemas nacionais.

   Uma senhora emperequetada comentou com ar de sabedoria às amigas (no teatro as pessoas adoram mostrar intelectualidade), que não perderia por nada desse mundo a única ópera cômica de Verdi. Pensei com meus botões e lhe informei que Falstaff é a segunda ópera cômica de Verdi, a primeira, Um Giorno di Regno, escrita na juventude do compositor não fez sucesso algum e é quase desconhecida do público. Parece que a madame não gostou muito da argumentação, fez cara de poucos amigos e saiu da roda rapidinho. Quando entrou no teatro essa senhora ficou assustada, sua maquiagem quase derreteu devido a tamanho rubor, foi apresentada a punks se embebedando no palco, sem entender muito que se passava ela se acomodou em seu lugar e tirou as fotos de praxe.

     Ambrogio Maestri é a encarnação viva de Falstaff, especialista no papel título tendo cantado ele mais de duzentas vezes pelo mundo afora. Maestri não decepcionou os fãs. O corpanzil adequado ao personagem munido de uma voz de timbre equilibrado e de invulgar beleza, projeção impecável que enche o teatro sem o menor esforço, graves consistentes e uma interpretação cênica convincente fazem dele ser o Falstaff quase perfeito. Maestri tem todas as qualidades necessárias a um excelente Falstaff e a utiliza de maneira primorosa, consegue unir comicidade cênica e voz de maneira certeira. Os longos aplausos do público paulistano (vinte minutos segundo alguns) foram mais que merecidos.



 Ambrogio Maestri, foto Sergio Castro, Internet

    Outro que sempre mostra qualidades vocais é Rodrigo Esteves, o jovem barítono fez um Ford portentoso, defendeu suas passagens com voz de graves quentes e uma solidez técnica impressionante. Cativou o público com uma bela interpretação do personagem. Virginia Tola exibiu bons agudos e encarnou com boas qualidades cênicas Alice Ford. Destaco que todos os demais solistas se apresentaram de maneira condizente e em alto nível.

   A montagem se mostrou confusa e complexa. O universo imaginado pelo diretor Davide Livermore é a Inglaterra onde desfilam punks bêbados e seres estranhos. Homens verdes participam da ação e não acrescentam nada, em outro momento eles estão de preto e só atrapalham. Os cenários misturam Londres com o Teatro Municipal de São Paulo em mais uma ideia sem nexo. Tudo estático e sem o menor desenvolvimento cênico. Os figurinos seguem a mesma filosofia e abusam do xadrez britânico, tudo de um mau gosto tremendo. A luz simples, arroz com feijão acrescenta pouco. A ação se salva pelas grandes interpretações dos solistas e pelo dinâmico libreto de Arrigo Boito. A fábrica de cultura alardeada pela direção está virando a fábrica do motejo.

   A Orquestra Sinfônica Municipal regida por John Neschling se perdeu em algumas passagens no primeiro ato, a música não casava com o canto. A partir do segundo ato as coisas melhoraram e as belas melodias verdianas apareceram com clareza. O Coro Lírico Municipal de São Paulo mostrou equilíbrio nas vozes, nele desfilam vozes talentosas, muitos deles com nível de solista.
  

   Cena de Falstaff, Foto Internet.
  
   John Neschling anda alardeando pelas redes sociais que o Municipal estava lotado na récita de estreia, não estava caro amigo. Diversos lugares vazios no balcão simples e na galeria provam o contrário, ou será que para John esses setores não fazem parte do teatro? Era só perguntar quantas pessoas entraram no teatro e comparar com a capacidade total e você veria a diferença. Outra promessa não cumprida é os novos uniformes, desenhados por um famoso estilista (colete que parece de motoboy, camisetas polo e de malha com estampas, na feira da madrugada no Brás tem aos montes) não deram o ar da graça. O que se viu foram funcionários vestidos com o pretinho básico. E para piorar as coisas os problemas após a troca da empresa que vende os ingressos continuam: Muitos em duplicidade, uma página da internet confusa que sequer confirma a compra, enormes filas para a retirada e ingressos que não passam pelos leitores do código de barra são problemas comuns.


   A grande dúvida que permeia a mente desse escriba é porque os teatros brasileiros não trocam suas produções. Isso já ocorreu no passado de forma tímida, na atualidade impera o isolamento teatral. Exemplos não faltam de óperas feitas em uma cidade e pouco tempo depois uma nova produção estrear em outro local. Tivemos ano passado Falstaff no Theatro São Pedro e esse ano o mesmo título está em cartaz no Municipal de São Paulo. Carmen de Bizet está sendo apresentada no Municipal do Rio e em Maio outra produção estará em São Paulo. Salomé de Strauss está programada para o mesmo Municipal de São Paulo e dizem que outra produção será apresentada no Rio de Janeiro. Será que é difícil os diretores de teatro pensarem na racionalidade econômica e trocarem suas óperas. Infelizmente a lógica do capital público não é racional nesse país. Viva a gastança!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O Ouro do Reno / Das Rheingold - Theatro Municipal de São Paulo




PÃO COM MORTADELA NO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO. ÓPERA "O OURO DO RENO" DE RICHARD WAGNER. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

Depois de umas trezentas polêmicas no Theatro Municipal de São Paulo tivemos a apresentação, em forma de concerto, da ópera O Ouro de Reno de Richard Wagner. A ideia de produzir O Anel do Nibelungo brasileiro começou estranha e uma bagunça completa. A administração anterior optou por começar pela segunda parte da tetralogia (A Valquíria) e depois pulou para a última parte (O Crepúsculo dos Deuses). A atual administração anunciou fazer a primeira parte (O Ouro do Reno) e se "esqueceu" de programar para o ano de 2014 a última parte restante (Siegfried).

Polêmicas a parte (a atual direção parece adorar uma) tivemos no dia 09 de Novembro O Ouro do Reno em forma de concerto. A Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo regida pelo competente e um dos maiores entendidos das óperas de Richard Wagner no Brasil Luiz Fernando Malheiro conseguiu sonoridade razoável. Diversas passagens soaram sem conexão entre os naipes, de modo geral esses pequenos erros foram superados pelas belas harmonias da música wagneriana. Os metais se mostraram o ponto fraco do elo orquestral, seus volumes elevados destoaram das características da música wagneriana.

Os solistas tentaram dar dinâmica a uma ópera feita em concerto, fizeram de tudo para atuar e mostrar os desejos e o caráter de seus personagens. Suas vozes foram beneficiadas por estarem na ponta do palco, isso facilita a projeção. Quase todos estiveram a contento com bom nível vocal: Denise de Freitas (Fricka) mais uma vez desfilou seu talento cênico e vocal, Gabriella Pace (Freia) apresentou agudos brilhantes e um timbre homogêneo que impressiona pela beleza. Destaco a bela voz de Angela Diel (Erda), técnica segura e um timbre quente nos graves fizeram ela mostrar seu talento ao público paulistano e a sempre competente Laura Aimbiré.



Gabriella Pace, foto Internet.

Michel Kupfer trouxe um Wotam com voz possante e graves majestosos. O Donner de Fabrizio Claussen foi mais um que mostrou segurança na voz. O grande destaque fica com o tenor Stefan Margita, como Loge o rapaz arrebentou na interpretação e na voz. Agudos possantes com uma técnica vocal rara fez esse personagem se tornar no mínimo inesquecível. Sávio Sperandio colocou credibilidade nos graves do gigante Fafner, uma voz marcante que impressiona pelo tamanho e volume.

Anunciar ópera com cenários e figurinos e fazê-la em forma de concerto é o mesmo que prometer um belo salmão defumado e oferecer pão com mortadela dormido. Quem não conhece a fundo a tetralogia composta por Richard Wagner fica perdido e só tem o programa (esse de ótima qualidade) para se virar. Pena que não teremos a continuação (Siegfried), nem em forma de concerto e muito menos encenada. O sonho do Anel do Nibelungo brasileiro completo ficará para tempos futuros.


Em uma rede social o Diretor artístico do Teatro Municipal nos informa:" Lançaremos no dia 23 de Novembro as assinaturas para a temporada 2014. Seis títulos na temporada oficial, grandes elencos, brasileiros e estrangeiros, grandes encenadores, igualmente daqui e de fora, interpretes de qualidade à frente de nossa OSM". O Diretor do Teatro ao anunciar a temporada de 2014, com toda a pompa e circunstância, em Julho desse ano relatou a presença de nove títulos, por agora viraram seis? Um passarinho me contou que Cosi fan Tutte de Mozart é uma das canceladas.

terça-feira, 15 de abril de 2014

PAIXÃO SEGUNDO SÃO MATEUS BWV244 / MATTHÄUS PASSION BWV244, Fundação Gulbenkian, Abril / April 2014




Como tem sido (excelente) hábito, a Fundação Gulbenkian ofereceu-nos a possibilidade de desfrutar uma Paixão na semana da Páscoa. Este ano foi, novamente, uma obra prima, a Paixão segundo São Mateus BWV244 de Johan Sebastian Bach.

Dirigiu o Coro Gulbenkian, a Orquestra Gulbenkian e o Coro Infanto-Juvenil da Universidade de Lisboa o conceituado maestro Michel Corboz.


 Foram solistas o soprano francês Sandrine Piau, o contratenor espanhol Carlos Mena, o tenor francês Vincent Lièvre-Picard, o tenor alemão Christoph Genz, o baixo português André Baleiro e o barítono inglês Peter Harvey.




 O início do concerto, no dia a que assisti, foi algo conturbado, com vários desencontros entre os músicos, que poderiam comprometer a qualidade do espectáculo. Mas o competente maestro Corboz rapidamente controlou a situação e ofereceu-nos, mais uma vez, um excelente espectáculo.


 Tanto a prestação dos solistas da orquestra como a dos solistas vocais não foi uniforme. Limitar-me-ei a salientar aqueles que, em minha opinião, se destacaram pela positiva.

Na orquestra foram excelentes Pedro Ribeiro e Nelson Alves nos Oboés de Amor e Marc Ramirez no contrabaixo.

De entre os solistas, os que mais me impressionaram foram Sandrine Piau, Carlos Mena, Peter Harvey e, sobretudo, André Baleiro que foi um Cristo irrepreensível.



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MATTHÄUS PASSION BWV244, Gulbenkian Foundation, April 2014

As has been (excellent!) habit, the Gulbenkian Foundation offered us the possibility to enjoy a Passion in Easter week. This year was again a masterpiece, the Matthäus Passion BWV244 by Johan Sebastian Bach.

Renowned maestro Michel Corboz directed the Gulbenkian Choir, the Gulbenkian Orchestra and the Chorus of Children and Adolescents of the University of Lisbon.

Soloists were French soprano Sandrine Piau, Spanish countertenor Carlos Mena, French tenor Vincent Lièvre-Picard, German tenor Christoph Genz, Portuguese bass André Baleiro, and English baritone Peter Harvey.

The beginning of the concert, the day I attended, was something troubled with various mismatches among musicians, that could have compromised the quality of the performance. But the competent conductor Corboz quickly controlled the situation and offered us, once again, a great performance.

The performance of either of the soloists of the orchestra as the vocal soloists was not uniform. I will highlight those who, in my opinion, stood out positively.

Excellent soloists from the Orchestra included Pedro Ribeiro and Nelson Alves in Oboes and Marc Ramirez on bass.

Among the vocal soloists, those whoo impressed me most were Sandrine Piau, Carlos Mena, Peter Harvey and, especially, André Baleiro that was an excellent Christ.

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