quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

NIXON IN CHINA – Met Live em HD, Fundação Gulbenkian, Fevereiro de 2011


(Review in English below)

Nixon in China é uma ópera de John Adams, com libreto de Alice Goodman, sobre a visita do Presidente Richard Nixon, sua mulher Pat Nixon e Henry Kissinger à China comunista em 1972, depois de várias décadas de isolamento ao ocidente.

A encenação do Peter Sellars é despojada, de bom gosto e eficaz. Os diferentes cenários mudam harmoniosamente e tudo o que se passa no palco é explícito.

A direcção da orquestra, que teve uma excelente prestação, foi do próprio John Adams que recebeu um enorme aplauso. Li no passado algumas críticas muito negativas à qualidade musical da ópera. Não concordo. A música é muito agradável ao ouvido, com partes bastante interessantes, mesmo não tendo a grandiosidade e complexidade instrumental de outros compositores do Sec. XX que, para mim, nem sempre são de fácil audição. O coro também esteve muito bem.

(Fotografia de  Sara Krulwich do New York Times)


Os solistas eram todos bons e reinou o equilíbrio interpretativo.

O barítono James Maddalena foi Richard Nixon, o elo mais fraco que, apesar de globalmente aceitável, teve falhas vocais, sobretudo nas primeiras intervenções. A voz revela sinais evidentes de desgaste. Cenicamente credível, sem deslumbrar.

Pat Nixon foi interpretada pelo soprano Janis Kelly. A voz foi regular ao longo da récita e, na sua grande ária do 2º acto, sempre segura nos agudos, esteve muito bem no canto e na interpretação cénica. Uma boa surpresa para quem nunca a tinha ouvido, como foi o meu caso.

Richard Paul Fink, baixo-barítono, foi um Henry Kissinger que não esmoreceu, apesar de o seu papel não se prestar a grandes voos e de ser ridicularizado na ópera.

Mao Tse-tung foi interpretado pelo tenor Robert Brubaker que nos deu uma boa personagem com voz forte, heróica e bem timbrada. A representação foi credível para a personagem.

Também o barítono Russell Braun foi um excelente Chou En-lai. A voz é poderosa, afinada e com nuances muito interessantes que enriqueceram a interpretação. Um dos melhores da tarde.

Finalmente, a melhor em cena foi o soprano Kathleen Kim que encarnou Chian Ch’ing, mulher de Mao. Cenicamente excelente, ofereceu-nos um belo soprano lírico de coloratura que trouxe grande brilho ao espectáculo.

(Fotografia de Sara Krulwich do New York Times)


O Met ao seu nível, mesmo numa ópera de menor impacto, mas que originou um espectáculo agradável


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NIXON IN CHINA - Met Live in HD, the Gulbenkian Foundation, February 2011

Nixon in China is an opera by John Adams, with libretto by Alice Goodman, on the visit by President Richard Nixon, his wife Pat Nixon and Henry Kissinger to communist China in 1972, after several decades of isolation.

The staging by Peter Sellars was simple, pleasant and effective. The different scenarios change smoothly and everything that happens on stage was explicit.

John Adams directed the orchestra, which had an excellent performance, and received a loud applause. I read some very negative reviews of the opera, due to its musical poor quality. I disagree. The music is very pleasant, despite not having the impact and complexity of other instrumental composers of the XX century who, for me, are not always easy to listen to. The choir was also very good.

The soloists were all good and interpretive balance was the rule.

Baritone James Maddalena was Richard Nixon who, despite a good presence, had vocal fragilities, especially in the early interventions. The voice reflects his extensive previous work. He was artistically credible, but without dazzle.

Pat Nixon was interpreted by soprano Janis Kelly. The voice was steady throughout the performance, with good top notes, and, in her aria in Act 2, she was excellent both vocally and artistically. She was a nice surprise for those who had never heard her, as was my case.

Richard Paul Fink, bass-baritone, was Henry Kissinger. His intervention is not a major one and he is ridiculed at the opera.

Mao Tse-tung was played by tenor Robert Brubaker who had an excellent performance, strong heroic voice and he was credible artistically.

Also, the baritone Russell Braun was an excellent Chou En-lai. His voice is powerful, in tune and showed very interesting nuances that have enriched the interpretation. He was one of the best.

Finally, the best performer was soprano Kathleen Kim who played Chiang Ch'ing, the wife of Mao. Artistically excellent, she gave us a beautiful lyric coloratura soprano.

The Met as usual, even with an opera with less impact, but which originated a nice performance.


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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Fidelio - Opernhaus Zürich - 16 Fevereiro 2011

(review in english below)

Podemos dizer que Fidelio é a melhor ópera de Beethoven. É claro que só escreveu esta, logo teria que ser invariavelmente a sua melhor, mas a minha frase prende-se com o quão fantástica é a obra em si, com árias e coros que marcaram a história da música e que a tornaram numa das mais acessíveis óperas do repertório.

Resumidamente, a história gira à volta de Leonora, esposa de um prisioneiro, que se mascara de homem – Fidelio - trabalhando na prisão onde o marido se encontra, esperando oportunidade de o salvar. Acaba por consegui-lo, o mau da fita é afastado, os outros prisioneiros são amnistiados e tudo acaba em festa.



Esta produção da Ópera de Zurique data de 2008. É uma encenação clássica, de extremo bom gosto, sem invenções desnecessárias, tudo em favor da música e do drama. Gostei particularmente do jogo de sombras durante o quarteto do 1º acto, em que Rocco e Marzelina se abraçam a dada altura no centro, com Fidelio aparecendo em grande e Jaquino em pequeno, como que transparecendo o que se canta, em que Rocco destina a filha a Fidelio (sem saber que é Leonora); e também a forma audaz e forte com que Leonora mostra a Pizarro que é a mulher de Florestan: abre o casaco como que mostrando o que de mais sensual e característico distingue a mulher do homem...



O leque de intérpretes foi de excelência!

Ricarda Merbeth foi Leonora e que Leonora. Em excelente forma vocal, agudos seguros e doces, muito lírica, encarnando muito bem a personagem nos seus actos e movimentos em palco.



Alfred Muff é um baixo-barítono de qualidade invejável. Pelo que me parece tem feito carreira essencialmente em Zurique, o que é pena. O timbre é perfeito, forte vocalmente, desenvolto em palco e na idade certa para o papel.



Sandra Trattnigg foi uma surpresa extremamente agradável como Marzelina. Que voz tão cristalina e lírica! Excepcional!



Christoph Strehl foi um Jaquino apaixonante, conseguindo um ar inocente e infantil procurando o amor de Marzelina. Do ponto de vista vocal, é um cantor que frequentemente não é estável nas interpretações, parecendo mutar o timbre, por vezes com falta de projecção de voz e quando a faz parece sair em esforço. Mas esteve muito bem aqui.



O quarteto do primeiro acto, com estes intérpretes, foi de uma beleza inconfundível. Sincronia, expressividade e emoção como nunca ouvi antes.

Michael Konig como Florestan têm um papel curto mas mesmo assim cumpriu com qualidade. O seu “Gott” inicial saiu um pouco desafinado mas encaminhou. Não me fez particular diferença porque estava com ar tão credível de prisioneiro em sofrimento, que esse deslize se enquadrava muito bem com o componente dramático e cénico.



O elo mais fraco, na minha opinião, foi o Don Pizarro de Laurent Naouri. Revelou aspecto pouco convincente para o maléfico Don Pizarro, magro e esguio, ainda por cima vestido com um fato e chapéu brancos que achei pouco eficazes cenicamente. A Leonora de Ricarda Merbeth, se quisesse, derruba-lo-ia apenas com um estalo. A voz é instável em termos de timbre, facilmente ultrapassada pela força da orquestra, e a pronuncia alemã foi por vezes incorrecta. Ouviu-se mas não esteve à altura dos outros nem do papel em si (talhado para barítonos como Falk Struckman...).



Martin Gantner foi Don Fernando. Já muito falei sobre este cantor em entradas anteriores. É excelente e aqui, embora em papel menor, demonstrou a sua qualidade vocal e interpretativa ao mais alto nível.



O Coro foi excelente!



A direcção de Daniele Gatti foi exemplar, forte, segura, com dinâmica e andamento perfeitos. O som da orquestra é simplesmente sublime! Quase que ouso classificá-la como das melhores das casas de Ópera da Europa.




Fidelio - Opernhaus Zürich - 16 February 2011
We can say that the best Beethoven’s opera is Fidelio. I know he just wrote this one, and so invariably this has to be his best, but what I intend to say is how fantastic this work is, with arias and choruses that have marked the history of music and that made it one of the most accessible operas of the repertoire.

Briefly, the story revolves around Leonora, wife of a prisoner, who masquerades as a man - Fidelio - working in the prison where her husband is, waiting for the opportunity to save him. She ends up saving him, the bad guy is put aside, the other prisoners are pardoned and all ends in celebration.



This Zurich Opera production dates from 2008. It's a classic scenario of good taste, without unnecessary inventions, all in favor of music and drama. I particularly liked the play of shadows during the quartet of the 1st act, in which Rocco and Marzelina hug at some point in the center with Fidelio appearing in large and Jaquino on small, like showing up just as they sing, in which Rocco intended to give away his daughter to Fidelio (without knowing that “he” is Leonora); and also how brave and strongly Leonora shows Pizarro she is the wife of Florestan, opening his coat showing what the most sensual and characteristic distinguishes women from men .. .



The group of performers was excellent!

Ricarda Merbeth was Leonora and what a Leonora. In excellent vocal form, sweet and secure high pitch notes, very lyrical, in complete accordance with the role in her actions and movements on stage.



Alfred Muff is a bass-baritone of enviable quality. It seems to have made a career mainly in Zurich, which is a pity. The tone is perfect, vocally strong, nimble on stage and at the right age for the role.



Sandra Trattnigg was an extremely pleasant surprise as Marzelina. What a voice, so clear and lyrical! Outstanding!



Christoph Strehl was a passionate Jaquino, achieving a perfect innocent and childish look searching for Marzelina’s love. He is a singer who is often not stable in the interpretations, seeming to mute the tone, sometimes with lack of voice projection and when he does, it comes with visible effort. But he did very well here.



The first act quartet, with these singers, was of stellar beauty!

Michael Konig as Florestan, despite his small part, gave a very good performance with above average quality. His "Gott" came out a little out of tune but he managed perfection from that point on. He was looking so credible as a prisoner in suffering, that this slide fited in nicely with the dramatic and scenic component.



The weakest link in my opinion, was the Don Pizarro of Laurent Naouri. He revealed unconvincing aspects as the evil Don Pizarro - slim and slender, and with a white suit and hat that I found very ineffective. The Leonora of Ricarda Merbeth, if she wanted to, would kill him with a slap in the cheek. The voice is unstable, easily overcome by the orchestra, and the German pronunciation was sometimes incorrect. He did his role but failed to match the other singers and the role itself (this role was done for baritones like Falk Struckman ...).



Martin Gantner was Don Fernando. I have said much about this singer in previous entries. He is great and here, although in lesser role, demonstrated his vocal and interpretation quality, at the highest level.



The Chorus was superb!



The direction of Daniele Gatti was exemplary, strong, safe, perfect dynamic and tempo. The sound coming out of the orchestra is simply sublime! I almost dare to classify it as one of the best orchestras in opera houses in Europe.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

BLUE MONDAY de George Gershwin; GIANNI SCHICCHI de G. Puccini, Teatro de São Carlos, Fevereiro de 2011


É com tristeza que registo esta minha impressão global do último espectáculo a que assisti há dias no Teatro de São Carlos. Recordo que, quando vi anunciada a presente temporada, assinalei como um dos aspectos positivos a possibilidade de podermos ver e ouvir os cantores portugueses mostrarem que estão à altura da interpretação das óperas que o público não especialista gosta. Infelizmente, não foi o que aconteceu nesta récita. O canto ficou muito aquém do que esperei, mas a culpa maior não foi apenas dos cantores.

O encenador André Teodósio conseguiu destruir o espectáculo. Sei que fica bem dar oportunidades a jovens encenadores portugueses, mas é preciso que estes tenham conhecimentos rudimentares sobre este tipo de actividades. Penso que Teodósio não os terá, apesar de ter essa obrigação. Diz na sua biografia que “frequentou o Conservatório Nacional e a Escola Superior de Música, locais onde aprendeu muito pouco”. Totalmente de acordo, não deve ter aprendido nada! Também refere que “foi membro do Coro Gulbeknian (onde sofreu durante largos anos)”. E indica como projectos futuros, entre outros, a escrita de biografias de amigos.

Penso que Teodósio poderá vir a ser um biógrafo interessante para os seus amigos mas, sobre encenação operática, é uma nulidade e consegue arrasar um espectáculo. Não me refiro apenas à encenação pirosa que concebeu (do mal o menos) mas, sobretudo, a ter colocado os cantores em situações em que as vozes não se ouviam. Talvez se não tivesse sofrido tanto no Coro Gulbenkian teria percebido que colocar cantores numa “caixa” não lhes permite a projecção eficaz da voz! Enfim, a sua concepção do que pôs em cena revelou uma ignorância e insensibilidade confrangedoras.



Blue Monday, de Gershwin, que não conhecia, é uma obra curiosa, arruinada cenicamente com a transformação em discoteca rasca de terceira categoria. E os cantores também não ajudaram.

Gianni Schicchi de Puccini é uma ópera que já vi várias vezes, apesar de estar longe das minhas preferidas. Contém alguns trechos musicais de qualidade e presta-se a representações muito bem conseguidas quando os encenadores têm inspiração e competência. Não foi o caso. Houve algum movimento em palco, mas estéril. As situações cómicas não foram exploradas com eficácia. Copiou-se a ideia das coroas da “Burger King” (para azar do encenador, o canal televisivo Mezzo está a transmitir neste período o “Don Giovanni” do Festival de Salzburgo de 2008 onde estas coroas foram largamente utilizadas).

Em relação aos cantores, não houve interpretações fantásticas. Apenas quero referir o tenor Leonardo Capalbo que, tendo um timbre interessante, revelou não ter controlo na voz, impedindo uma boa prestação no interessante papel de Rinuccio (será que não haveria um português capaz de fazer melhor?).

Atravessamos um período de grandes dificuldades, é certo. Acho que é uma oportunidade para se mostrar que, em austeridade e sem grandiosidade cénica, se conseguem produzir bons espectáculos. Infelizmente não foi o que aconteceu nesta tarde.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Die Zauberflöte – Royal Opera House – 9 Fevereiro 2011



(review in english below)

De há alguns meses a esta parte, coincidindo com o lançamento da gravação de René Jacobs, que venho redescobrindo a Flauta Mágica de Wolfgang Amadeus Mozart como uma das suas maiores criações. Penso que podemos compará-la quase à Carmen no sentido em que a sequência de árias é de qualidade consistente e de bela marcante. Se escutarmos e vermos com atenção, talvez seja também, a mais moralizadora das óperas deste compositor.

A oportunidade de assistir à já clássica e consagrada encenação da obra pela Royal Opera House foi, assim, imperdível.

Tal como o Barbeiro de Sevilha, também esta produção está imortalizada em DVD, com o elenco de estreia em 2003 com Diana Damrau como a Rainha da Noite, Will Hartmann como Tamino, Dorothea Röschmann como Tamina, Simon Keenlyside como Papageno, restando como únicos links a esta reposição, Franz-Josef Selig como Sarastro e Colin Davis no pódio.



Nem mesmo o anúncio da indisposição de Joseph Kaiser e a sua substituição por um desconhecido para mim, de seu nome Lothar Onidius, fez estragar a récita até porque este se revelou uma excelente aposta. Embora na primeira ária de Tamino tenha duvidado da adequação da sua voz ao papel (Tamino tem de ter uma voz clara de tenor, sem grande peso baritonal), o desenrolar da récita fez-me voltar atrás neste pensamento porque se demonstrou um excelente Tamino, perfeitamente entrosado na encenação e apaixonante na sua entrega.

Kate Royal, que foi mãe recentemente, era outra das grandes antecipadas audições. Li algumas críticas negativas sobre o facto da sua voz se ter tornado mais grave após a maternidade e de que o papel de Pamina não seria já adequado. Conhecendo-a apenas de gravações de CD, devo confessar que não notei que o papel não se enquadrasse à sua voz. Muito lírica, segura, emotiva, perfeita!

Jessica Pratt é uma das jovens promessas do canto lírico inglês e não desiludiu (apesar de algumas e iguais críticas negativas). Não esta, neste momento, ao nível de outros grandes nomes que interpretam o papel nos dias de hoje, como Diana Damrau, por exemplo, mas a sua voz revela segurança, afinação, e muito bom ensino de respiração entre frases que é uma capacidade a ter para cantar a dificílima ária do 2º acto. Gostei.

Agora, na minha opinião, os reis da noite foram 2: Christopher Maltman e Franz-Josef Selig.

Christopher Maltman é simplesmeste espectacular! A sua vivência jocosa do terreno Papageno (em oposição ao espiritual Tamino...) é simplesmente deliciosa. A sua voz de barítono é de classe, timbre bonito, flexível. É um dos que consegue transmitir sentimentos quase só pela voz mas que junta a essa capacidade, a capacidade cénica. Genial!

Franz-Josef Selig é um marco como baixo. Aqui fez um papel de qualidade estrelar. Difícil por em palavras o que se sente quando canta “O Isis und Osíris”... Soberbo!

Os restantes elementos estiveram muito bem, incluindo o trio de rapazes, embora tenha ficado com a ideia de alguma assimetria de qualidade entre os três mas sem capacidade de os distinguir.

Colin Davis, apesar da idade, ainda é capaz de levar a cabo uma Flauta ao estilo de Karl Bohm, ou seja, como eu adoro. Imprime um andamento balanceado, demonstrando profundo conhecimento dramático da obra.



A Orquestra e o Coro, como habitual, magníficos!



Se não conhecem esta obra façam por a conhecer!

Se a conhecem, revivam-na na sua genialidade!




Die Zauberflöte - Royal Opera House - February 9, 2011



Since the release of Rene Jacobs recording, a few months ago, I have been rediscovering the Magic Flute by Wolfgang Amadeus Mozart as one of his greatest creations. I think we can compare it almost to Carmen in the sense that the sequence of arias is of consistent quality and beauty. If we see and listen carefully, this opera is also perhaps the most moralistic of this composer.

The opportunity to attend the classic and consecrated staging of the work at the Royal Opera House came as a treat.

Like Il Barbieri di Siviglia, this production has been immortalized on DVD with the original cast of 2003 - Diana Damrau as the Queen of the Night, Will Hartmann as Tamino, Dorothea Röschmann as Tamina, Simon Keenlyside as Papageno, leaving as the only links for this revival, Franz-Josef Selig as Sarastro and Colin Davis on the podium.



Not even the announcement of the unwillingness of Joseph Kaiser and its replacement by a stranger to me, named Lothar Onidius, did spoil the evening because this singer has proved to be an excellent bet. Despite doubting the appropriateness of his voice to the role (Tamino must have a clear tenor voice, without much weight baritonal), the course of the opera made me go back on this thought because Onidius end out to be an excellent Tamino, perfectly mingled in the staging and passionate in his delivery.

Kate Royal, who recently became a mother, was another much anticipated voice to hear live. I read some negative reviews about the fact that her voice became more low pitched after the maternity and that the role of Pamina would not be appropriate to her voice nowadays. Knowing her only from CD recordings, I must confess that I did not notice that the role did not fit in her voice. Very lyrical, safe, emotional, perfect!

Jessica Pratt is one of the British promising young opera singers and did not disappoint (despite some bad reviews). She may not be at the almost perfect level of other big names who play the role today, as Diana Damrau, for example, but her voice reveals security, tuning, and she has a very good knowledge of the breathing technique between sentences which is a must have when you try to sing the very difficult Queen of the Night aria from Act 2. I liked her.

Now, in my opinion, the kings of the evening were two: Christopher Maltman and Franz-Josef Selig.

Christopher Maltman is simply spectacular! His comic experience of the hearthy Papageno (as opposed to a spiritual Tamino ...) is simply delicious. His baritone voice has class, a beautiful tone, is flexible. It is that kind of voice that manages to convey feelings almost exclusively by itself. You feel the emotions and the drama even with your eyes shut. Genial!

Franz-Josef Selig is a landmark as a bass. Here he made a star-quality role. It is difficult to put into words what one feels when he sings "O Isis und Osiris" ... Superb!

The other elements were very good, including the trio of boys, although I felt some asymmetry in quality between the three but hard to tell who was less good.

Colin Davis, despite his age, is still able to carry a flute in the style of Karl Bohm, just the way I like. He conveys a balanced pace, showing a profound understanding of this work.



The Orchestra and Choir, as usual, magnificent!



If you do not know this Opera, go out there and discover it!

If you know it, relive it in its geniallity!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Barbeiro de Sevilha – Royal Opera House, 8 Fevereiro 2011

(review in english below)

O Barbeiro de Sevilha é uma das óperas mais cómicas do repertório. A reposição de O Barbeiro de Sevilha que a Royal Opera decidiu levar a cabo, esta temporada, acabava por ser talvez algo arriscada... Depois de um elenco estrelar em Julho de 2009, imortalizado em DVD, com Juan Diego Florez, Joyce DiDonato (que mesmo com a perna partida na primeira récita, continuou a cantar na produção, em cadeira de rodas), Ferrucio Furlanetto, Alessandro Corbelli, entre outros, como seria agora? A resposta é fácil e fui testemunha disso: Fantástico, em todos os sentidos!!!

O Barbeiro de Sevilha necessita não só de grandes vozes mas de grandes actores e, acima de tudo, uma interacção entre todos ao mais alto nível cénico e dramático. Isso foi visível nesta última récita.



A grande surpresa, para mim, foi o brasileiro Luciano Botelho. Em visível crescendo no mundo da Ópera pelo que se pode ver no seu site, fez o papel do Conde Almaviva. Dotado de voz de timbre muito belo, de aparência física galante e um exímio actor cómico, esteve absolutamente cativante. A cena da aula de canto com Kurzak foi simplesmente de levar á lágrimas de tanto rir. Para quem se estreou na Royal Opera nesta produção, cantando as últimas 3 récitas, aconselho a que se repita o convite e que o possamos ouvir noutros papéis, com o por exemplo, o de Nemorino. Parabéns!!!



Aleksandra Kurzak foi uma Rosina excelente. Uma voz fortíssima mas não rude, um sentido lírico muito presente, e em perfeito entrosamento cénico com Botelho. Só aponto como ponto negativo a sensação de grito em alguns dos seus agudos. A voz é suficientemente potente...não necessita de exagerar.



Bruno Praticò é simplesmente fenomenal!!! Felizmente é um dos grandes intérpretes que o São Carlos pode ver no seu passado recente. Recordo com grande saudade o seu Dr. Bartolo no Barbeiro de Sevilha de 2006 e também o seu Don Alfonso no Cosi fan Tutte também em 2006... A sua presença física adapta-se perfeitamente ao papel de Dr. Bartolo. As suas interjeições jocosas são do mais cómico possível. A voz é espectacular. A ária “A un dottor dela mia sorte” foi superlativamente estrelar!!! Um artista perfeito!!!



O baixo Ildar Abdrazakov fez um Don Basílio igualmente soberbo! Dotado de uma voz de “baixo” de potência invejável, esteve muito bem cenicamente. A grande ária “La calunnia è un venticello” foi simplesmente envolvente. Parecia que o nosso corpo se enrolava na sua voz, na sua calúnia.



O Fígaro de Levente Molnár foi muito, muito bom. Fantástico como actor, voz acima da média. Ainda com espaço para crescer.



Jennifer Rhys-Davies fez uma Berta hilariante e vocalmente deslumbrante, apesar do papel secundário.



A direcção por Rory MacDonald foi perfeita. O som da Orquestra da Royal Opera foi sublime.



Recomendo vivamente a visualização do DVD desta produção até porque suplanta qualquer descrição que possa fazer da encenação. Contudo, a comparação é inevitável. Para mim, Bruno Praticò põe Alessandro Corbelli a um canto; O Fígaro de Levente Molnár envergonha um Pietro Spagnoli sem jovialidade em palco; .... ganha cénica e vocalmente a Ferrucio Furlanetto (acho que Furlanetto se adapta mais a papéis dramáticos do que a cómicos). Florez e DiDonato estão a um nível diferente mas que em nada diminuem Botelho e Kurzak.

Esperemos que esta seja uma produção para voltar e continuar a voltar à Royal Opera. Imperdível!





Il Barbieri di Siviglia - Royal Opera House, February 8, 2011
The Barber of Seville is one of the most comic operas of the repertoire. The reistallment of The Barber of Seville that the Royal Opera has decided to carry this season, would eventually be somehow a risk task... After a stellar ensemble in July 2009, immortalized in DVD, with Juan Diego Florez, Joyce DiDonato (even with a broken leg in the first performance, she continued to sing in the production, on a wheelchair), Ferruccio Furlanetto, Alessandro Corbelli, among others, how would it be now? The answer is easy and I witnessed it: Fantastic in every way!

The Barber of Seville requires not only great voices but great actors and, above all, an interaction between all the cast members at the highest level, scenic and dramatic. This was visible in this last performance.



The big surprise for me was the Brazilian Luciano Botelho. Growing in the world of Opera, as you can see on his website, he played the role of Count Almaviva. He was absolutely captivating, with his beautifull tone of voice, his physical gallant appearance along with excellent capacities as a comic actor. The scene of the singing lesson with Kurzak was so comic that brought tears of laughter to my eyes. These last three performances marked his debut at the Royal Opera. I advise the Royal Opera to repeat the call so that we can hear him in other roles, like Nemorino, for instance. Congratulations!



Aleksandra Kurzak was an excellent Rosina. A very strong voice but not rude, with a special lyrical sense, and perfect scenic interaction with Botelho. The only negative point I point out is some of her high pitched notes seems sometimes screamed. The voice is powerful enough ... no need to exaggerate.



Bruno Praticò is just phenomenal! Fortunately one of the great performers who we were able to see that Teatro Nacional de São Carlos in a recent past. I recall, with great nostalgia, his Dr. Bartolo in the Barber of Seville in 2006 and also his Don Alfonso in Cosi fan Tutte, also in 2006 ... His physical presence fits perfectly into the role of Dr. Bartolo. His playful interjections are outstandingly comic. The voice is spectacular. The aria "A un dottor dela mia sorte " was superlatively sung! A perfect artist!



The bass Ildar Abdrazakov made an equally superb Don Basilio! Endowed with a voice of bass with an enviable power, he was scenically very good. The great aria "La calunnia è un venticello" was simply engaging. It seemed that our body curled up in his voice, in his “calunnia”.



The Figaro Levente Molnár was very, very good. Fantastic as an actor, voice above average. Still with room for improvement.



Jennifer Rhys-Davies did an hilarious Berta, vocally superb, despite being a smaller role.



The direction by Rory MacDonald was perfect. The sound of the Orchestra of the Royal Opera was sublime.



I strongly recommend viewing the DVD performance from 2009 in order to see and experience the staging. However the comparison is inevitable. For me, Bruno Praticò was much better than Alessandro Corbelli; The Figaro of Levente Molnár makes the Figaro of Pietro Spagnoli quite inferior; Ildar Abdrazakov wins scenical and vocally to Ferruccio Furlanetto (I think Furlanetto fits more dramatic roles than the comic ones). Florez and DiDonato are at a different level but that in no way detract Botelho and Kurzak.

Hopefully this is a production to come back, and to continue to return to the Royal Opera. Unmissable!