sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

RUSALKA de ANTONÍN DVORÁK, MET Live in HD, Culturgest, 09.02.2014


Rusalka, ópera em 3 actos, foi composta em 1901 por Antonín Dvorák. O libreto em checo é de Jaroslav Kvapil e baseia-se no conto de Kabel Jaromír Erben e Bozena Nemcová.

Pode ler-se uma sinopse no site do Metropolitan.


A encenação de Otto Schenk é clássica, de enorme beleza, cheia de pormenores sumptuosos, não falta nenhum elemento do texto que segue na perfeição, é muito agradável de seguir e transporta-nos para o mundo paralelo do fantástico. As caracterizações de Tritão, pai de Rusalka, e de Jezibaba são fabulosas. De uma perfeição absoluta e de grande impacto visual!


A interpretação de Yannick Nézet-Séguin aos comandos da New York Metropolitan Opera Orchestra foi óptima. Explorou as sonoridades mais dramáticas de forma intensa e colorida e as mais líricas de modo leve e etéreo. Em grande nível!


Renée Fleming era a estrela da tarde no seu aclamado papel de Rusalka. É verdade que a sua interpretação foi de qualidade, com excelente expressividade e desempenho dramático, os agudos saíram fáceis e a voz é melodiosa e tem a extrema beleza que lhe conhecemos. Ainda assim, já se ouviu em melhor nível neste papel.


A mais famosa ária da Canção à Lua cantou-a muito bem do cimo da árvore.


John Relyea foi um Vodník, o Tritão pai de Rusalka, com voz de baixo cheia, enorme potência, com modulações fáceis e com uma assinalável agilidade cénica. Grande performance.


Dolora Jajick, apesar de nas entrevistas estar com uma tosse que justificou com o frio de NYC, foi uma Jezibaba impecável. O tom escuro da sua voz é lindíssimo e a sua expressividade ímpar. Tudo isto aliado a capacidades interpretativas fora de série permitem-lhe que seja indiscutivelmente um dos melhores mezzo-sopranos da actualidade. Isto apesar da sua actualidade ter mais de 25 anos no MET!


O tenor polaco Piotr Beczala foi o Príncipe. Teve uma interpretação imaculada, tirando um agudo que lhe saiu um nadinha mais agreste e um pianissimi que não arrancou logo quando cantava já quase morto e deitado. Voz de beleza invulgar, potência avassaladora, figura extremamente adequada e enormes capacidades expressivas. É, para mim, talvez o melhor tenor da actualidade nos papéis que tem vindo a cantar. Em grande forma!


Emily Magee foi a Princesa estrangeira. Tem muita potência vocal, timbre delicado e cenicamente é convincente. Teve uma interpretação de grande qualidade. Poderemos ouvi-la ao vivo no dia 25 de Abril na Fundação Gulbenkian a cantar o espectacular conjunto de canções que Richard Strauss compôs aos 84 anos — Vier letzte Lieder — com base em poemas de Hermann Hesse e Joseph von Eichendorff. A fazer crescer água na boca até porque vai ser acompanhada pela Gustav Mahler Jundenorchester dirigida pelo jovem e magnífico maestro alemão David Afkham.


Os restantes elementos, Disella Làrusdóttir (primeira ninfa), Renée Tatum (segunda ninfa), Maya Lahyani (terceira ninfa), Alexey Lavrov (Caçador) e Julie Boulianne (rapaz da cozinha) tiveram todos em bom nível vocal e cénico.

Assistiu-se, pois, a uma récita de elevadíssima qualidade de todos os intervenientes potenciando a qualidade musical da partitura do grande compositor checo.

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(Review in English)

Rusalka, opera in 3 acts, was composed in 1901 by Antonín Dvorák. It has a Czech libretto by Jaroslav Kvapil and is based on the tale of Jaromír Erben and Kabel Bozena Nemcova.

You can read a synopsis of the Metropolitan website.

The staging of Otto Schenk is classic, of great beauty, full of sumptuous details, not missing element of the text that follows perfectly, is very pleasant to follow and takes us to the parallel world of the fantastic. The characterizations of Triton, Rusalka's father, and Jezibaba are fabulous. Of absolute perfection and great visual impact!

The interpretation of Yannick Nézet-Séguin conducting the New York Metropolitan Opera Orchestra was great. He explored the most intense and dramatic sounds with colorful fashion and the most lyrical with full of light and ethereal mystic. What an outstanding performance!

Renée Fleming was the star of the afternoon in her acclaimed role of Rusalka. It is true that her interpretation was of quality, with great expressiveness and dramatic performance, with high notes easily achieved and with a voice of extreme beauty that we all know. Still, we had heard her at better level in this role. She sang the most famous aria of the Song to the Moon very well from the top of the tree.

John Relyea was Vodník, Triton Rusalka’s father, with an exclellent bass voice, huge power with easy modulation and a remarkable scenic agility. Great performance.

Dolora Jajick, despite in the interviews being with cough that she justified witj the cold of NYC, was a flawless Jezibaba. The dark tone of her voice is beautiful and she has a unique expressiveness. All this combined with interpretative capabilities out of range allow her to be arguably one of the best mezzo-sopranos of our time. This despite her “our time” has over 25 years in the MET!

The Polish tenor Piotr Beczala was Prince. He had an immaculate interpretation, despite a little more rugged sharp high note and one pianissimo not plucked right but when he sang almost dead and lying on the stage ground. Voice of unusual beauty, overwhelming power, extremely appropriate figure and huge expressive capabilities. He is, for me, perhaps the greatest tenor of our time in the roles he has been singing lately. In great shape!

Emily Magee was the foreign princess. She has a lot of vocal power, delicate timbre and is scenically compelling. She had an interpretation of great quality. We can hear her live on April 25 at the Gulbenkian Foundation to sing the spectacular set of songs that Richard Strauss composed when he was 84 old based on poems by Hermann Hesse and Joseph von Eichendorff. Making mouthwatering up because Gustav Mahler Jundenorchester directed by the young and magnificent German conductor David Afkham will accompany her.

The remaining elements, Disella Lárusdóttir (First Nymph), Renée Tatum (second Nymph), Maya Lahyani (third Nymph), Alexey Lavrov (Hunter) and Julie Boulianne (kitchen boy) were all in good level vocal and scenically.


Therefore, it was performance of the highest quality for all stakeholders enhancing the quality of the musical score of the great Czech composer.

1 comentário:

  1. Maravilhosa crônica!
    Li e 'ouvi' a ópera neste excelente texto.
    Um abraço

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