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domingo, 21 de março de 2021

SIEGFRIED, San Francisco Opera

Terceira opera do Anel de Wagner, mais um espectáculo muito agradável. 


Na encenação de Francesca Zambello, os cenários mantiveram a coerência já observada na ópera A Valquíria e deverão ter sido de grande impacto visual ao vivo.


O maestro Donald Runnicles dirigiu a orquestra da casa. Sobre os cantores, nas transmissões há amplificação vocal e, por isso, a apreciações nunca são totalmente justas. 


O Mime (David Cangelosi) esteve bem.


O Siegfried (Daniel Brenna) tentou ser dinâmico mas quebrou em parte no final.

O viajante (Wotan) (Greer Grimsley) manteve a elevada qualidade da ópera anterior.

O Alberich (Falk Struckmann) foi notável.

O Fafner (Raymond Aceto) esteve bem, e a encenação do monstro muito interessante.

O pássaro da floresta (Stacey Tappan) foi agradável e, nesta produção, esteve muito presente.

A Erda (Ronitta Miller) impôs-se vocalmente.


E a Brünhilde (Iréne Theorin) voltou a ser uma das melhores.


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SIEGFRIED, San Francisco Opera

Third opera of the Wagner Ring, another very pleasant show.

In the staging of Francesca Zambello, the scenarios maintained the consistency already observed in the opera Die Walküre and must have been of great visual impact live.

Conductor Donald Runnicles conducted the house orchestra. About the singers, in the transmissions there is vocal amplification and, therefore, the appraisals are never totally fair.

Mime (David Cangelosi) did well.

Siegfried (Daniel Brenna) tried to be dynamic but broke down partly at the end.

The wanderer (Wotan) (Greer Grimsley) maintained the high quality of the previous opera.

Alberich (Falk Struckmann) was notable.

Fafner (Raymond Aceto) did well, and the staging of the monster was very interesting.

The forest bird (Stacey Tappan) was pleasant and, in this production, was very present.

Erda (Ronitta Miller) was vocal in imposing herself.

And Brünhilde (Iréne Theorin) was again one of the best.

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sábado, 13 de março de 2021

DIE WALKÜRE / A VALQUÍRIA, San Francisco Opera, Transmissão / Streaming 13 Março / March 2021


(review in English below)

Foi um espectáculo muito interessante, que ainda pode ser visto durante mais um dia no site da San Francisco Opera (https://sfopera.com/). 

A encenação de Francesca Zambello, que disse ter sido inspirada no ambiente e no movimento #MeToo e ser essencialmente Americana, é interessante e vistosa. O primeiro acto é muito convencional, cenicamente bem conseguido, numa casa rural com muitos troféus de caça. A Sieglinde é vítima de violência domestica pelo marido Hunding. 

A primeira cena do 2º acto passa-se no alto de um arranha-céus, sala de Wotan. Pai, filha e depois a Fricka, todos partilham um whisky. 

A segunda cena passa-se debaixo de um viaduto, num emaranhado de auto-estradas. Sieglinde e Sigmund são “sem abrigos”.  A terceira cena acontece no mesmo cenário mas, num dos viadutos, a Fricka assiste, de cima, a tudo.

No início do 3º acto, passado numa estrutura com muitas escadas e andaimes metálicos, as valquírias chegam de pára-quedas e trazem retratos dos heróis. 

Tudo acontece neste cenário, o menos conseguido de toda a ópera.

Sob a direcção do maestro Donald Runnicles a orquestra teve uma interpretação de qualidade. Nos solistas há grandes cantores: Karita Mattila foi uma Sieglinde cenicamente interessante mas vocalmente banal,

Brandon Jovanovich fez um Siegmund estático e pouco emotivo, sobretudo no 1º acto,


Raymond Aceto foi um bom Hunding,


Iréne Theorin esteve muito bem como Brünhilde, 

Greer Grimsley foi um Wotan respeitável e


Jamie Barton foi excepcional como Fricka, a melhor da récita. 

A Valquíria é sempre um espectáculo excelente!

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DIE WALKÜRE, San Francisco Opera, Streaming 13-14 March 2021

It was a very interesting show, which can still be seen for another day on the San Francisco Opera website (https://sfopera.com/).

The production by Francesca Zambello, who said she was inspired by the environment, the #MeToo movement and a production essentially American, is interesting and showy. The first act is very conventional, scenically well accomplished, in a rural house with many hunting trophies. Sieglinde is a victim of domestic violence by her husband Hunding. The first scene of the 2nd act takes place on top of a skyscraper, Wotan's room. Wotan, daughter and then Fricka, they all share a whiskey. The second scene takes place under an overpass, in a tangle of highways. Sieglinde and Sigmund are "homeless". The third scene takes place in the same scenario, but in one of the viaducts, Fricka watches everything from above. At the beginning of the 3rd act, carried out in a structure with many stairs and metallic scaffolding, the valkyries arrive by parachute and bring portraits of the heroes. Everything happens in this scenario, the least accomplished of the entire opera.

Under the direction of conductor Donald Runnicles, the orchestra had a quality interpretation.

In the soloists there are great singers: Karita Mattila was a Sieglinde that was scenically interesting but vocally banal, Brandon Jovanovich was a static and little emotional Siegmund, especially in the 1st act, Raymond Aceto was a good Hunding, Iréne Theorin was very well as Brünhilde, Greer Grimsley was a respectable Wotan and Jamie Barton was exceptional as Fricka, the best of the performance.

Die Walküre is always an excellent show!

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quinta-feira, 11 de março de 2021

A VALQUÍRIA / DIE WALKÜRE, Ópera de São Francisco / San Francisco Opera House, 13 Março / March 2021 – Transmissão online / streaming


(Text in English below)

A Ópera de São Francisco, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos, está a transmitir as operas do Anel de Wagner, apresentado em 2018. No próximo dia 13 de Março será A Valquíria.

A encenação é de Francesca Zambello e as fotografias disponibilizadas (aqui parcialmente reproduzidas) prometem um bom espectáculo visual.



Nos solistas há grandes cantores: Karita Mattila como Sieglinde, Brandon Jovanovich como Siegmund e Raymond Aceto como Hunding.

A Brünhilde será Iréne Theorin, Fricka a Jamie Barton e Wotan o Greer Grimsley.

A transmissão será dia 13 de Março às 10h00 (São Francisco), 18h00 (Lisboa) no site da Ópera de San Francisco:

https://sfopera.com/



DIE WALKÜRE, San Francisco Opera House, 13 March 2021 - streaming

The San Francisco Opera House, one of the most prestigious in the United States, is broadcasting the operas of Wagner's Ring, presented in 2018. Next March 13 will be The Valkyrie.
The direction is by Francesca Zambello and the photographs made available (partially reproduced here) promise a good visual show.
In the soloists there are great singers: Karita Mattila as Sieglinde, Brandon Jovanovich as Siegmund and Raymond Aceto as Hunding.
Brünhilde will be Iréne Theorin, Fricka to Jamie Barton and Wotan Greer Grimsley.
The broadcast will be on March 13 at 10 am (San Francisco), 6 pm (Lisbon) on the San Francisco Opera website:

https://sfopera.com/

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

LES PÊCHEURS DE PERLES, METropolitan OPERA, Dezembro / December 2918




(review in English below) 

A produção de Les Pêcheurs de Perles de G Bizet em cena na Metropolitan Opera de Nova Iorque é originária da English National Opera mas, neste palco enorme, é impressionante.



É uma encenação verdadeiramente espectacular, que começa com mergulhos dos pescadores, num efeito visual magnífico. Os cenários são deslumbrantes, mas o movimento (incluindo o mar agitado) foi o que mais me impressionou. Brilhante!



A direcção musical foi do maestro Emmanuel Villaume. Os cantores solistas foram arrasadores. O Javier Camarena (Nadir) junta tudo, voz de uma beleza invulgar, potência fabulosa, afinação constante e qualidade superior em todos os registos, embora os agudos sejam estratosféricos. E em palco não é tão mono como parece. Actualmente penso que é o melhor tenor ligeiro no activo, mesmo superior ao Florez, que já está a deslocar-se para um reportório um pouco mais pesado.



A soprano Amanda Woodbury foi uma Leila extraordinária. Tem também uma voz lindíssima, uns agudos fantásticos e ouve-se sempre sobre a orquestra em perfeita sintonia com a música. Em palco foi óptima, a encenação ajuda muito.



O barítono Alexander Birch Elliott também esteve em grande forma como Zurga. Não teve uma projecção vocal avassaladora mas ouviu-se sempre afinado e bem, com uma excelente presença em palco.



Finalmente o baixo Raymond Aceto fez um óptimo Nourabad, com um registo grave de timbre muito agradável e intensidade vocal assinalável.



Uma récita vocal excelente com um espectáculo visual belíssimo.






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LES PÊCHEURS DE PERLES, METropolitan OPERA, December 2918

The production of Les Pêcheurs de Perles by G Bizet on stage at the Metropolitan Opera in New York originates from the English National Opera but on this huge stage is impressive.

It's a truly spectacular staging, which begins with fisherman dives, in a magnificent visual effect. The scenarios are stunning, but the movement (including the rough sea) was what impressed me the most. Brilliant!

The musical direction was of maestro Emmanuel Villaume. The soloist singers were fabulous. Javier Camarena (Nadir) puts it all together, voice of an unusual beauty, fabulous power, constant tuning and superior quality in all registers, although the top notes are stratospheric. And on stage he’s very good also. At the moment I think that he is the best running light tenor, even superior to Florez, that already is moving towards a heavier repertoire.

Soprano Amanda Woodbury was an extraordinary Leila. She also has a beautiful voice, a fantastic top register and she always sings in perfect harmony with the music. On stage was great, the staging helps a lot.

Baritone Alexander Birch Elliott was also great as Zurga. He did not have an overwhelming vocal projection but he was always heard, well tuned, and with an excellent presence on stage.

Finally bass Raymond Aceto was a great Nourabad, with a low register of very pleasant timbre and remarkable vocal intensity.

An excellent vocal performance, also beautiful to be seen.

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Turandot de Giacomo Puccini, Royal Opera House Live Cinema


Em nome dos "Fanáticos da Ópera" o nosso renovado agradecimento a . Lucas Andrade de Florianópolis (https://www.facebook.com/lucasandradesilva) por mais um texto que enriquece este espaço.

Retornando pela décima quinta vez em quase trinta anos, a montagem de Andrei Serbin para a Turandot de Puccini no Royal Opera House é uma das favoritas do público da casa e tem em sua versão 2013-14 um casal principal digno de nota!

A história da fria princesa que busca refúgio de seus pretendentes através de três difíceis enigmas que decidirão o destino do desafiante não foi completada por Puccini, pois faleceu antes de escrever as páginas finais. Alguns consideram-na a última grande peça do repertório operístico mundial e tem como destaques a ambienção oriental tão cara ao compositor, os dificílimos papéis principais e a orquestração rica e colorida.

(Fotografias de Tristan Kenton)

A montagem apresentada coloca o conceito de uma peça dentro de outra, onde os eventos são acompanhados pelo coro/público. Os figurinos coloridos contrastam com as ambientações escuras e se não têm a opulência e riqueza de detalhes das famosas montagens do Met, casam muito bem com a proposta teatral oferecida.

No aspecto vocal, Raymond Aceto foi um Timur envolvido e vocalmente correto. Sendo o baixo titular da casa, nunca foi um de meus favoritos. Não compromete, mas ainda carece de brilho na maioria dos papéis. Nesta produção, entretanto, foi acima de seu próprio padrão, o timbre caiu bem ao personagem e sua presença como ator foi bem sentida.


Eri Nakamura, soprano japonesa, foi uma Liu delicada e de grande qualidade vocal. Felizmente, não foi a estrela da noite como usualmente acontece em tantas Turandots.

A estrela foi, como deveria sempre ser, a princesa Turandot. A soprano americana Lisa Lindstrom, cantando o papel pela exata centésima vez na noite de transmissão do evento, conquistou o público no primeiro instante em que abriu a boca. Potente, determinada, com a frieza que a personagem exige, foi precisa em todas as notas e venceu a orquestra em todos os fortíssimos exigidos. Provou ser a dona deste papel na atualidade.



Seu parceiro, Calaf, foi interpretado pelo italiano Marco Berti. Dono de uma voz muito potente e agudos muito naturais, chegou a lembrar Pavarotti nestes quesitos, além do timbre. Nas notas graves perdeu brilho algumas vezes, e cenicamente foi completamente estático! Contudo, sempre somos tolerantes com este papel que tanto exige do tenor. Queremos um Calaf que nos impressione vocalmente e isto Berti conseguiu com extrema facilidade. Não se ouve um duelo na cena dos enigmas com tanta segurança entre os protagonistas hoje em dia!



Ping, Pang e Pong estiveram bem integrados em suas coreografias e partes vocais. Poderiam ter sido até um pouco mais soltos no palco, já que são o escape emocional da obra. Foram simpáticos, sem dúvida, entretanto gostaria de uma pitada a mais de humor que sempre cai bem em meio ao clima sombrio da ópera.

A orquestra do Royal Opera House foi espetacular sob a regência do húngaro Henrik Nanasi. Alguns tempos um pouco lentos no primeiro ato tiraram parte da selvageria da orquestração, mas o jovem maestro soube explorar a riqueza dos timbres, ritmos e dissonâncias da partitura mais rica de Puccini. É um nome a se acompanhar.