Sábado, 18 de Maio de 2013

MENDELSSOHN na Fundação Gulbenkian — 17.05.2013


(Review in English below)


A FCG apresentou ontem o Concerto para Violino e Orquestra em Mi menor, op. 64 de Felix Mendelssohn Bartholdy. A obra estreada em 1845 e dedicada ao violinista e seu grande amigo Ferdinand David viria a ser a última obra para orquestra do compositor que faleceria precocemente em 1847. É um concerto que tem alguns pormenores originais na sua forma, que é um exemplo claro de um romantismo “clássico” e um dos mais belos concertos escritos para o mais pequeno dos instrumentos de cordas.


A interpretação ficou a cargo da jovem violinista russa Alina Pogostkina e foi de qualidade, embora não assombrosa. É expressiva, esteve bem coordenada com a orquestra e revelou o seu virtuosismo com seu fraseado melódico fácil, sobretudo no andamento intermédio. Como encore tocou J. S. Bach com destreza e elegância.


Em seguida ouviu-se uma obra poucas vezes interpretada, mas que é extremamente interessante: Sonho de uma Noite de Verão, op. 61 (Ein Sommernachtstraum). A peça tem a sua famosa Abertura em Mi Maior, op. 21, composta quando Mendelssohn tinha apenas 17 anos e que mostrava o rasgo de génio do alemão. Todavia, a música incidental a propósito da comédia de William Shakespeare foi escrita apenas em 1843 a pedido do rei Frederico Guilherme IV da Prússia. O seu andamento mais famoso e que está no ouvido de todos é a Marcha nupcial e o texto da obra é, grandemente, para ser dito por um narrador.


O narrador foi o norte-americano Mervon Metha. A sua interpretação foi de enorme qualidade com uma voz muito bem modulada consoante o texto. Emprestou, também, uma expressão corporal muito adequada e esteve muito acertado no tempo com a orquestra.


Ana Maria Pinto foi o soprano. A sua voz tem um timbre muito agradável, esteve muito afinada e com a voz bem projectada e sempre audível apesar de colocada atrás da orquestra.


Carolina Figueiredo foi o mezzo-soprano. Não tem, em minha opinião, um timbre muito melódico, por ser um pouco áspero e os seus agudos pareceram-me esforçados. Mas o papel é demasiado pequeno para uma apreciação categórica.

O Coro Gulbenkian esteve, uma vez mais, num nível de qualidade superior.
Também Lawrence Foster e a Orquestra Gulbenkian estiveram ontem num bom nível.

Esperamos, agora que restam Falstaff e Otello de Giuseppe Verdi, que a Orquestra e Lawrence Foster nos presenteiem com interpretações de qualidade elevada, até para que Foster se possa despedir do cargo de maestro titular da FCG em beleza.

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(Review in English)

The FCG presented yesterday the Concerto for Violin and Orchestra in E minor, op. 64 of Felix Mendelssohn Bartholdy. The work premiered in 1845 and dedicated to his close friend and violinist Ferdinand David was to be the last work for orchestra of the composer who pass away in 1847. It is a concert that has some original features in its shape, which is a clear example of "classic" romanticism and one of the most beautiful concertos ever written for the smallest of the stringed instruments.
The interpretation was borne by the young Russian violinist Alina Pogostkina that was of good quality, though not outstanding. She was expressive, well coordinated with the orchestra and revealed her virtuosity with her easy melodic phrasing, especially in the second movement. As encore, she played J. S. Bach with skill and elegance.

Then there was a work rarely played, but of extremely interest: A Midsummer Night’s Dream, op. 61 (Ein Sommernachtstraum). The piece has its famous Overture in E Major, op. 21, composed when Mendelssohn was only 17 that show the stroke of genius of the German composer. However, the incidental music about William Shakespeare’s comedy was written only in 1843 at Prussian King Frederick William IV request. Its most famous and worldwide known movement is the Wedding March and the text of the work is greatly to be told by a narrator.
The narrator was the American Mervon Metha. His performance was of great quality with a voice well modulated depending on the text. Lent also a very appropriate body language and was very settled in time with the orchestra.
Ana Maria Pinto was the soprano. Her voice has a very pleasant timbre, was very in tune with the voice always well projected and audible though she was placed behind the orchestra.
Carolina Figueiredo was the mezzo-soprano. She hasn’t, in my opinion, a very melodic timbre that was a little rough and her high notes was too forced. But the role is too small for a categorical assessment.
The Gulbenkian Choir was again at a high quality standard as well as Lawrence Foster and the Gulbenkian Orchestra.

Hopefully, now that only left Falstaff and Otello by Giuseppe Verdi this season, the Orchestra and Lawrence Foster will present us magnificent interpretations, up to Foster to dismiss beautifully the post of principal conductor of the Gulbenkian Foundation.

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

RIGOLETTO, Deutsche Oper, Berlim, Abril / April de 2013


(review in english below)

Rigoletto, uma das óperas mais populares de G. Verdi, já foi vista pelos Fanáticos muitas vezes e há várias apreciações de diferentes produções ao longo do blogue. Mas, um dos atractivos da ópera é que há sempre a possibilidade de nos depararmos com algo de totalmente inesperado e surpreendente, como me aconteceu desta vez.

Se acha que a recente encenação do Rigoletto do São Carlos foi má (e eu acho, como já comentei no blogue há poucos dias), então fique a saber que em Berlim acaba de estrear uma ainda pior!

A nova produção da Deutsche Oper é, simplesmente, horrorosa! Foi a pior encenação (de Jan Bosse) das já muitas a que assisti.

Quando nos sentamos, vemos a orquestra no local habitual e no palco estão cadeiras de plateia e balcão idênticas àquelas em que estamos sentados. As pessoas (são os elementos do coro) vão chegando e vão-se sentando, como se de espectadores se tratassem. Mas as senhoras vestem todas saias iguais.




O Duque de Mântua vem vestido com calças justas de cabedal, camisa estampada muito garrida, luvas sem dedos, um grande colar e sapatos de tacões altos e muitas aplicações metálicas. O Rigoletto aparece com um fato completo de coelho feito de finas tiras de material prateado idêntico ao que se usa para enfeitar as árvores de natal. Permanece nesta figura durante quase todo o primeiro acto. Monterone está sentado na plateia onde estão os espectadores verdadeiros e daí lança a maldição. Algumas cadeiras da plateia falsa elevam-se e a Gilda aparece no quarto que mais parece uma casa de prostituição. Quando a vão raptar, os elementos do coro surgem todos de negro e com a cara também tapada, mas alguns de tronco nú. E no início do 2º acto, quando Rigoletto procura a filha no palácio (sempre tudo passado na plateia falsa), os homens do coro estão vestidos com as saias das mulheres que aparecem inicialmente.
Enfim, não vou continuar, é uma encenação totalmente disparatada, sem o menor interesse estético, sem sentido algum e termina com os cantores vestidos à maneira actual e o palco totalmente vazio!


Enfim, um espectáculo para se ver de olhos bem fechados!!

O maestro Moritz Gnann dirigiu de forma superior a Orquestra da Deutsche Oper e o Coro, tão importante nesta ópera, foi também excelente.

O Duque de Mântua foi interpretado pelo tenor coreano Yosep Kang. Esteve bem, tem uma voz poderosa, com agudos aparentemente fáceis e ouve-se sempre sobre a orquestra. Achei que lhe faltou um pouco de emotividade interpretativa.


 O barítono polaco Andrzej Dobber foi um Rigoletto magnífico. Tem um vozeirão, o timbre é muito bonito e, este sim, imprimiu grande emotividade vocal à sua interpretação. É de louvar ainda mais o seu trabalho, no contexto disparatado da encenação e da forma como a sua personagem foi aparecendo.


A Gilda do soprano inglês Lucy Crowe também esteve muito bem. A cantora tem uma boa presença, faz uma interpretação convincente mas, no registo mais agudo, embora perfeitamente audível, perde um pouco da qualidade.


O baixo austríaco Albert Pesendorfer foi um Sparafucille com boa presença cénica e vocal e a irmã Maddalena foi interpretada pelo excelente mezzo francês Clémentine Margaine, que também fez a Giovanna.



Este conjunto de solistas, numa produção minimamente aceitável, teria brilhado de outra forma e, até para eles, teria sido mais digno. Assim foi um total desperdício num espectáculo vergonhoso!





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RIGOLETTO, Deutsche Oper, Berlin, April 2013

Rigoletto, one of the most popular operas of G. Verdi, has been viewed by us and there are multiple assessments of different productions over the blog. But one of the attractions of the opera is that there is always the possibility to come across something totally unexpected and surprising, as it happened this time.

If you think the recent staging of Rigoletto at the São Carlos was bad (and that is my opinion as I wrote in this blog), so get to know that the Berlin´s production is worse!

The new production of Deutsche Oper is simply awful! It was the worst staging (Jan Bosse) among many of which I attended.

When we sit, we see the orchestra in the usual place. On the stage and audience with rows of chairs identical to those in which we are sitting. People (they are the elements of the choir) are arriving and will be sitting, as if they were spectators. But all the ladies wear identical skirts.

The Duke of Mantua comes dressed in leather tights, very garish printed shirt, fingerless gloves, a great necklace and shoes, high heels and lots of metal applications. Rigoletto appears with a complete suit rabbit made of thin strips of silvery material identical to that used to adorn Christmas trees. He remains so almost throughout the first act. Monterone is sitting in the audience where the true spectators are and casts the curse. Some chairs of the fake audience elevate and Gilda appears in the room that looks more like a house of prostitution. In the abduction scene the elements of the choir are all in black and have their face also covered, but some in the naked torso. And at the beginning of the 2nd act when Rigoletto is searching his daughter in the palace (where everything happens in the fake audience), the men of the chorus are dressed in skirts of the women who initially appear.
I will not continue, it is a totally preposterous scenario, without the slightest aesthetic concern, meaningless and ends with the singers dressed like the true spectators and the stage totally empty!

A
performance to see with your eyes wide shut!

Maestro Moritz Gnann directed very well the Deutsche Oper Orchestra and Chorus. The chorus is very important in this opera, and was excellent.

The Duke of Mantua was interpreted by Korean tenor Yosep Kang. He was good, has a powerful voice with seemingly easy top notes and could always be heard about the orchestra.
I thought he lacked a bit of emotion.

Polish baritone Andrzej Dobber was a magnificent Rigoletto. He has a booming voice, the timbre is very beautiful, and showed vocal emotion during his interpretation. I welcome further their work in the context of staging he had to perform and the way his character was appearing.

English soprano Lucy Crowe was very good Gilda. The singer has a good presence, gave a convincing interpretation but the top register, though perfectly audible, lost some quality.

Sparafucille was Austrian bass Albert Pesendorfer. He had a good stage and vocal presence. His sister Maddalena was interpreted by great French mezzo Clémentine Margaine, who also was the Giovanna.

This group of soloists in a production minimally acceptable, would have been brighter in another way, and even for them, it would have been more adequate. This production was a total waste and a shameful spectacle!

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Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

ROMÉO ET JULIETTE de Hector Berlioz — FCG, 9.05.2013


A Sinfonia dramática Roméo et Juliette, op. 17, H.79 de Hector Berlioz (1803-1869) foi apresentada, pela primeira vez, em Novembro de 1839 em Paris sob direcção do próprio compositor. O libreto de Émile Deschamps é baseado no drama homónimo de William Shakespeare.


Trata-se de um dos mais originais e brilhantes trabalhos do compositor que ficou extasiado após assistir a uma versão teatral de Romeu e Julieta em Paris em 1827. A sua composição foi patrocinada com 20.000 francos por Niccoló Paganini, a quem Berlioz dedicaria a obra. Para grande pesar de Berlioz, Paganini viria a falecer em Nice antes de ler a partitura final daquela que, para o francês, era “se me perguntarem qual a minha obra preferida, a minha resposta será a de que partilho a visão da maioria dos artistas: eu prefiro o Adagio (cena de morte) no Roméo et Juliette”. De facto, este Adagio é de uma extrema beleza e altamente imagético: pode ler-se um guião no diálogo entre o clarinete (Julieta) e os violoncelos (Romeu) na cena da morte. A obra serviu, aliás, de inspiração a Richard Wagner para o seu Tristan und Isolde que assistiu à primeira representação, sendo que o próprio Wagner enviou a Berlioz uma cópia da sua ópera com a inscrição “Para o meu caro e grande autor de Roméo et Juliette, do grato autor de Tristão e Isolda”.


A Orquestra Gulbenkian e Coro Gulbenkian apresentaram-se em muito bom nível e notoriamente bem preparados para a interpretação desta longa e difícil obra, muito bem dirigida pelo maestro titular cessante Lawrence Foster. Berlioz disse “que esta obra é extremamente difícil de executar” e acrescentava que só com longos ensaios e artistas de primeira qualidade e com a dedicação que merece uma ópera se atingiria uma boa récita. Creio, pois, ter-se atingido esse nível.


O mezzo-soprano francês Marianne Crebassa foi Juliette. O seu timbre não é especialmente belo ou escuro, mas a sua potência e capacidade de projecção são assinaláveis, e é bastante expressiva. Teve uma prestação de muito bom nível.

O tenor português Carlos Cardoso foi Roméo. A sua voz tem um timbre bonito, mas faltou-lhe alguma potência para se fazer ouvir sobre a orquestra, revelando algumas dificuldades na projecção. Ainda assim, a sua prestação foi de qualidade.

O papel mais interessante e longo da obra é para Frei Laurêncio que foi interpretado pelo baixo-barítono polaco Daniel Kotlinski. O texto que lhe cabe é extenso e de enorme qualidade com uma mensagem forte e exige uma boa capacidade interpretativa. Kotlinski conseguiu-o muito bem com uma voz bem projectada, apesar de algumas dificuldades menores nos graves, mas com agudos fáceis e que se conseguiam ouvir por cima de uma orquestra e coro de grandes dimensões. A interpretação foi, pois, de muito boa qualidade, tendo sido o solista em destaque da noite.


Assistiu-se, assim e uma vez mais, a um excelente espectáculo na FCG, com uma obra pouco interpretada. Uma vez mais o Coro Gulbenkian mostrou a sua qualidade internacional e a Gulbenkian, com a sala com o fundo aberto para o jardim, exibiu um dos mais belos locais para se ouvir música a nível mundial.

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

RIGOLETTO, Teatro de São Carlos, Maio de 2013


(review in english below)

 Rigoletto, de G. Verdi, foi a última ópera da trilogia do compositor a que assisti este ano no nosso Teatro Nacional de Ópera. Deixo também aqui a minha breve opinião (quase tudo já foi dito e comentado anteriormente) que difere em alguns pontos da do meu amigo e colega de blogue camo_opera. Assisti à récita de estreia, dia 3 de Maio.

Achei a encenação de Francesco Esposito grotesca, a pior da trilogia. Nada tem a ver com a obra original. Logo no início a cena no palácio com padres, coelhinhas playboy e toda a sorte de outras personagens a despropósito deu o mote ao que se iria seguir. Foi sempre bera, mas outro ponto alto no mau gosto foi a cena inicial do último acto, na estalagem, que é uma casa de prostituição e, entre outras situações, quando Marullo se prepara para que uma das “meninas” lhe faça sexo oral, verifica que, afinal, é um travesti e foge do quarto. Fantástico em originalidade e bom gosto, não acham?
Foi uma encenação que me fez lembrar, frequentemente, o período Cristoph Dammann no São Carlos!


A direcção musical de Martin André foi “empastelada” e o maestro, mais uma vez, foi excessivamente ruidoso, perturbando a audição da música. Disseram-me que está de saída. Na minha opinião, a perda não será muito grande.

Rigoletto foi interpretado pelo barítono Piero Terranova. Esteve bem, embora no final tenha quebrado um pouco. A voz é decente, o timbre agradável e a representação foi aceitável. No final do 1º acto não cantou tudo, nomeadamente, quando chama por Gilda depois do rapto, mas enfim…


O soprano Romina Casucci foi uma Gilda desinteressante, com voz audível, embora denotando fragilidade nos agudos. A ária Caro nome não lhe saiu bem, tal como a maioria dos duetos.


 Um desastre foi o tenor Alessandro Liberatore como Duque de Mântua. Voz fraca, excessivamente nasalada mas, sobretudo, quase sempre desafinado. Esteve constantemente mal mas no La donna è mobile foi confrangedor ouvi-lo. O João Baptista disse o essencial no comentário que deixou ao texto do camo_opera.


Outro cantor que esteve aceitável foi o baixo Giovanni Furlanetto como Sparafucile. Não tendo uma potência vocal elevada mas o registo grave é interessante e, cenicamente, foi um dos melhores.


A interpretação do mezzo Agostina Smimmero foi desinteressante. Fez uma Maddalena com fraca projecção vocal. A figura e a encenação também  não ajudaram em nada.


Mais uma vez, os cantores portugueses foram arrastados para os papéis secundários mas estiveram muito bem, sobretudo Mário Redondo como Conde de Monterone, mas também João Merino como Marullo, Luís Rodrigues como Conde de Cepano e Marco Alves dos Santos como Matteo.


Continuo a não perceber por que razão não se dão os papéis solistas aos portugueses.



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RIGOLETTO, Teatro de São Carlos, May 2013

Rigoletto by G. Verdi was the last opera of the composer´s trilogy that I watched this year in our National Opera Theater. This is my opinion about this production that is different in several aspects from that of my friend and blog colleague camo_opera.

The staging of Francesco Esposito was grotesque, the worst of the trilogy. Early on the scene the tone to what would follow was given at the palace with priests, playboy bunnies and all sorts of other nonsense characters to the set. It was always bad, but another high negative part was the opening scene of the last act, the inn, which is a house of prostitution and, among other situations, when Marullo prepares for a oral sex scene with a "girl" he realises that “she” is a travesty and flees the room. Fantastic in originality and decency, is it not?
It was a performance that reminded me often the Christoph Dammann period in São Carlos!

The musical direction of Martin André was boring and the conductor, once again, was excessively noisy, disturbing the hearing of the music. They told me that he is leaving the theater. In my opinion, the loss will not be significant.


Rigoletto was played by baritone Piero Terranova. He was good, although in the end he has broken a bit. The voice is decent, pleasant timbre and on stagew he was convincing. At the end of the 1st act he did not sing everything, especially when he should call by Gilda after the abduction, but anyway ...

Soprano Romina Casucci was a not ery exciting Gilda, with clear voice, although losing quality in the high register. She was not efficient in the aria Caro nome and in most of the duets.

A disaster was tenor Alessandro Liberatore as the Duke of Mantua. A weak voice, overly nasal, but above all, almost always out of tune.

Another singer who did well was bass Giovanni Furlanetto as Sparafucile. He does not have a high vocal power but is tone in low register is interesting. His artistic performance was one of the best.

The performance of mezzo Agostina Smimmero as Maddalena was not interesting. She had a weak vocal projection.The figure and the staging had not helped anything.

Again, the Portuguese singers were drawn into secondary roles but were very good, especially as Mário Redondo as Count Monterone, but also João Merino as Marullo, Luís Rodrigues as Count of Cepano and Marco Alves dos Santos as Matteo.

I still do not understand why the soloist roles are not given to the Portuguese singers.

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Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

RIGOLETTO de Giuseppe Verdi no Teatro Nacional de São Carlos — 5.05.2013


(Review in English bellow)

A ópera Rigoletto de Giuseppe Verdi (1813-1901) foi estreada em 1851 no Teatro La Fenice em Veneza. O libreto resulta da estreita colaboração entre o compositor e o libretista italiano Francesco Maria Piave e baseia-se na peça Le Roi s’amuse do escritor francês Victor Hugo escrita em 1832. 


A peça foi alvo da censura francesa e não se pôde apresentar durante dezenas de anos, mas suscitou o interesse de Verdi que procurava uma história marcante e com personagens de carácter forte para a sua nova ópera. A sua escolha também foi alvo da censura austríaca, à época potência dominante no norte de Itália. Esta considerou o texto de “uma moralidade repugnante e obscena trivialidade”. Depois de várias alterações, a ópera inicialmente intitulada La Maledizione passar-se-ia a chamar Rigoletto e a sua acção deslocar-se-ia para o reino de Mântua que pertencia à família Gonzaga, entretanto extinta, o que permitia não ofender qualquer susceptibilidade. A sua recepção foi apoteótica e, desde então, Rigoletto é uma das óperas iconográficas de Verdi e uma das mais representadas em todo o mundo, tendo sido, segundo o site Operabase, a 10.ª ópera mais representada mundialmente entre 2006 e 2010. Tem, pois, um lugar cativo e altamente meritório na história da ópera!

A história desenrola-se, habitualmente, em torno do triângulo Rigoletto (corcunda e bobo da corte), o Duque de Mântua (aristocrata galanteador) e Gilda (filha de Rigoletto e apaixonada pelo Duque), sempre com o pano de fundo trágico relacionado com a maldição lançada por Monterone a Rigoletto e que se viria a concretizar.


A encenação de Francesco Esposito baseou-se, uma vez mais, em estruturas metálicas que, com a personalização por painéis, se foram adaptando a todas as óperas da triologia de Verdi do TNSC. Esta opção percebe-se muito bem tendo em conta o baixo orçamento disponível. Na senda da modernização, da qual até sou adepto, Esposito colocou a acção nos tempos actuais, sem a transportar, todavia, para algum período concreto. O primeiro acto inicia-se com uma festa orgiástica com travestis e “coelhinhas” ao estilo da Playboy. A segunda cena do 1.º acto passa-se no salão vazio até que, transportando Rigoletto para a frente do palco, fazem descer um pano negro, enquanto o cenário se transforma ruidosamente. É de tal modo que o Pari siamo de Rigoletto mal se ouvia ou foi muito perturbado. Continuo sem perceber porque é que Esposito insiste nisto: já o fizera na Traviata e com muito mau resultado. Opta por não encenar durante um período e acrescenta ruído: muito ruído! A segunda cena faz de Rigoletto um mecânico: veste-o com um fato de macaco e chega de scooter. Uma opção duvidosa: Rigoletto mecânico?! Então, surge a cândida Gilda no meu de mecânicos de mau aspecto e barris de óleo... O segundo acto passa-se novamente, no salão do primeiro acto. Mas há um pormenor muito importante e que foi péssimo: quando na ária Cortigiani Rigoletto se dirige a Marulo este afasta-se para o fundo do palco, desaparecendo. Ora Marulo e Rigoletto têm uma cena que implica, claramente, contacto visual e até físico. Tudo isto não se percebe tendo em conta o desespero do corcunda e o texto. Aliás, o Rigoletto aqui não é nem deformado nem tem mau aspecto. O terceiro acto já opta por opções mais discutíveis. As estruturas metálicas são despidas e, nos diversos andares, prostitutas de rua vendem-se de modo lascivo e sujo a troco de umas notas oferecidas por mecânicos. Uma opção de muito mau gosto! E a irmã de Sparafucile — Maddalena — tem uma figura assombrosa... E muito mais naqueles trajes: um horror! Já a opção de fazer chuva com bolinhas de esferovite foi muito gira e resultou muito bem.

Martin André. Tem, indubitavelmente, um ego que enche o palco. Adora finais “em grande” para receber o respectivo aplauso entusiástico antes da música terminar... Penso que poderá rever esta postura no futuro, o mesmo se podendo dizer aos rugidos que vai dando ao longo da récita: ou será que Verdi os incluiu em exclusivo na sua partitura?... E a sua direcção deixa muito a desejar: desencontros muito frequentes com os cantores. Ora vai à frente, ora vai atrás. Tem uma irregularidade no tempo tremenda: começou o primeiro acto com grandes pausas e, depois, acelera os finais do 1.º e 3.º actos de modo a retirar qualquer intensidade dramática. E os sopros foram muito fracos... Não gostei!


Piero Terranova. Rigoletto apresentou-se com uma voz agradável, afinado e regular ao longo de toda a récita. A projecção nem sempre foi a melhor, mas, embora sem encantar, foi convincente vocal e cenicamente.

Alessandro Liberatore. O Duque de Mântua era, entre os principais cantores, aquele que tinha o timbre mais bonito e interpretou bem cenicamente. Mas a sua projecção era fraca, com uma coluna de som muitas vezes irregular. Não foi extraordinário, mas foi um Duque eficaz. Aliás, comparado com o Alfredo da Traviata, qualquer um é um Pavarotti.

Romina Casucci. Gilda foi, dos três cantores principais, a que denotou mais dificuldades. A sua voz não é bonita, nem cheia, e tem uma técnica não muito apurada, o que ficou bem patente na sua interpretação da exigentíssima ária Caro nome. Aliás, mesmo cenicamente não foi muito expressiva. Enfim, esteve longe de se apresentar ao nível que o papel exige.

Giovanni Furlanetto. Sparafucile esteve regular. A voz não tem muita potência, nem a projecção é a melhor. Mas tem um grave profundo.

Agostina Smimmero. Maddalena foi interpretada pela italiana que foi Azucena em Il Trovatore. Hoje esteve pior. Dificilmente se ouvia. E a sua figura: peço desculpa, mas quando ela diz ao Duque que é feia tem toda a razão. Um horror de ver...


Os papéis secundários — como sempre! — foram para os portuguesinhos... (é assim que são tratados no TNSC!). João Merino foi um óptimo Marulo: é sempre muito expressivo vocal e cenicamente, com uma óptima presença em palco (é um actor!) e tem uma voz bonita, bem projectada e sempre audível. Luís Rodrigues foi Ceprano e esteve impecável (em grande estilo!). Mário Redondo foi Monterone: esteve bem, embora hoje com a voz áspera. Mas são portugueses. Sugiro que mudem de nomes. Por exemplo: Juan Merino, Louis Rodriguez e Mario Redondo. Assim, de certeza que eram mais respeitados!

Mas Rigoletto, das três óperas a que assisti, foi a mais regular dentro de uma qualidade bastante baixa e que se lamenta. Ainda assim, quando há orçamentos baixos, há que privilegiar a prata da casa...


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(Review in English)

The opera Rigoletto by Giuseppe Verdi (1813-1901) was premiered in 1851 at the Teatro La Fenice in Venice. The libretto results of close collaboration between the composer and Italian librettist Francesco Maria Piave and is based on the play Le Roi s'amuse by French writer Victor Hugo written in 1832. The piece was targeted of French censorship and could not be present for decades, but has attracted Verdi who was looking for a story with striking and strong characters for his new commissioned opera. His choice was also targeted of Austrian censorship, at that time dominant potency in northern Italy. They considered the text of "a repugnant morality and obscene triviality." After several changes, the opera first entitled La Maledizione would be Rigoletto and its action would move into the realm of Mantua who belonged to the Gonzaga family, though extinct, which allowed not offending any susceptibility. Rigoletto’s reception was climactic and, since then, is one of Verdi's iconographic operas and one of the most represented throughout the world, having been, according to the site Operabase, 10th most represented opera worldwide between 2006 and 2010. It therefore has a special and highly meritorious place in the opera history!

The story takes place usually around the triangle Rigoletto (an humpbacked jester), the Duke of Mantua (aristocrat dangler) and Gilda (Rigoletto's daughter who was in love with the Duke), always with the tragic backdrop related to a curse laid by Monterone that will finally happen. You can read a detailed summary here.

The staging of Francesco Esposito was based, again, on metal structures that, with the customization of panels, were adapted to all the operas of Verdi’s trilogy of TNSC. This option is perceived very well given the available low budget. In the wake of modernization, which I'm an adept, Esposito put the action in the present times, without carry it, however, to one specific period. The first act begins with an orgiastic party with transvestites and orgiastic "bunnies" in the style of Playboy. The second scene of the first act is set in the empty hall until, carrying Rigoletto for the front of the stage, a soft black curtian down while the scenery is transformed behind it loudly. It is such loud that on Pari siamo Rigoletto is barely audible was very distraught. I still do not understand why Esposito insists on it: he had done it in Traviata and with very bad results. He chooses not to enact during a period and adds noise! In the second scene Rigoletto is a mechanic and he arrives on scooter. One option dubious: Rigoletto as a mechanic?! Then comes the candid Gilda in the middle of mechanics of bad aspect and barrels of oil ... The second act goes up again in the hall of the first act. But there is one very important detail that was bad: when Rigoletto sing the aria Cortigiani and addresses Marulo, Marulo deviates to the bottom of the stage, disappearing. Marulo and Rigoletto have a scene in which clearly implies a visual and even physical contact. All this is not perceived taking account Rigoletto’s despair and, of course, the libretto. Incidentally, the Rigoletto here is neither deformed nor have bad aspect. The third act has options more debatable. The metallic structures are naked, and on the various floors, street prostitutes sell themselves so lewd and dirty in exchange for some notes offered by mechanics. An option of very bad taste! And the sister of Sparafucile - Maddalena - has a stunning figure ... And much more in those costumes: a horror! The option to make rain with styrofoam balls was very cute and it worked well.

André Martin. He has undoubtedly an ego that fills the stage. He loves doing finales "a la grande" to receive enthusiastic applauses before the music ends... I think he may revise this posture in the future, and the same can be said to roars that he gives along the recitation: or Verdi included them exclusively in André’s score? ... And his direction has big faults: very frequent tempo disagreements with the singers. Here ahead them, there after them. He has a tremendous irregularity in time: the first act began with large pauses and then he accelerates in the end of first and final acts so as to remove any dramatic intensity. And the winds were very weak ... I did not like!

Piero Terranova. Rigoletto presented himself with a pleasant voice, tuned and regular throughout the recitation. The projection was not always the best but, although not delighting, he was convincing vocal and scenically.

Alessandro Liberatore. The Duke of Mantua was, among the leading singers, the one who had the most beautiful timbre and scenically was very well. But his projection was weak and often irregular. He was not extraordinary, but it was an effective Duke. Moreover, compared with Alfredo from La Traviata, anyone is a Pavarotti.

Romina Casucci. Gilda, of the three leading singers was the one who denoted more difficulties. Her voice is not beautiful, nor full, and has a technique not very accurate, which has been evident in her interpretation of the aria Caro nome. Moreover, even scenically was not very expressive. Anyway, she was far from perform to the level that the role requires.

Giovanni Furlanetto. Sparafucile was regular. The voice does not have much power, nor the projection is the best. But he has a deep bass.

Agostina Smimmero. Maddalena was interpreted by Italian mezzo which was Azucena in Il Trovatore. Today she was worse. Hardly she was heard. And her figure: I apologize, but when she tells the Duke that she is ugly she is absolutely right. A horror to see...

The supporting roles - as always! - went to the little Portugueses... (This is how they are treated in TNSC!). João Merino was a great Marulo: he is always very expressive vocal and scenically, with a great stage presence (he is really an actor!) and has a beautiful voice, well projected and always audible. Luís Rodrigues was Ceprano and was immaculate (in great style!). Mário Redondo was Monterone: he was good, although today with a harsh voice. But are Portuguese. I suggest they change their names. For example: Juan Merino, Louis Rodriguez and Mario Redondo. If so, I'm sure they were more respected!

But Rigoletto, of the three operas I attended, was the most regular in a very low quality level. Still, when there is low budgets and I think that TNSC should give priority to the nationals…