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quarta-feira, 25 de junho de 2014

DIE WALKÜRE / A VALQUÍRIA, Liceu, Barcelona, Maio de 2014 – Elenco 2

(review in english below)

No primeiro texto sobre a Valquíria que assisti em Barcelona fiz já referência à encenação que não gostei. Aqui deixo uns apontamentos sobre outra récita, cantada por solistas distintos.

Mais uma vez a Orquestra Sinfónica do Liceu dirigida pelo maestro Josep Pons esteve frequentemente mal. Para além de notas falhadas e entradas em falso, o que mais me impressionou negativamente foi a falta de entusiasmo. A música exige pausas dramáticas, trechos empolgantes, sonoridade heróica. Nada disso ouvi numa interpretação morna e desinteressante.


 O tenor holandês Frank van Aken foi um Siegmund para esquecer. Não sei se o cantor estaria bem, penso que não porque, poucos minutos depois de começar a cantar, foi perdendo qualidade vocal, cantando sempre em esforço e, frequentemente, desafinado. Por isso, quebrou todo o encanto deste acto, não tendo transmitido a paixão e atracção sexual crescentes por Sieglinde. Heroicidade também não se viu.


 Em total contraste, a Sieglinde de Eva Maria Westbroek foi fabulosa! A holandesa ofereceu-nos uma interpretação de luxo, ardentemente apaixonada no primeiro acto, débil e desesperada no segundo, e determinada no terceiro. A voz é poderosíssima, bem timbrada e perfeitamente ajustada à personagem.


 Ante Jerkunica, baixo croata, foi a melhor voz masculina da noite. O seu Hunding maléfico foi de referência. O cantor tem uma óptima presença em palco e a voz é imponente em todos os registos.




 A Fricka do mezzo sueco Katarina Karnéus foi correcta tanto na interpretação vocal como cénica, mas não mais do que isso.

O cantor mais aplaudido da noite foi o Wotan de Greer Grimsley. O norte americano tem uma excelente figura, canta bem e de forma muito expressiva apesar de, ocasionalmente, ser abafado pela orquestra. Mas, para mim, é o timbre demasiado nasalado e baritonal que me de deixou algum desconforto. Não o consegui ver como o deus impositivo que a personagem exige e, no registo grave, foi frágil.


 Catherine Foster, soprano britânica, foi uma Brünhilde correcta, com uma interpretação em crescendo. No início um pouco áspera, mas o terceiro acto foi muito bom. Destacou-se, sobretudo, no registo mais agudo. Cenicamente foi correcta.






 A cavalgada das Valquírias foi idêntica ao que relatei aqui.


 Este era, à priori, o elenco menos forte e, de facto, assim aconteceu, apesar da excelência de Eva Maria Westbroek e de Ante Jerkunika.








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Die Walküre, Liceu, Barcelona, May 2014 - Cast 2

In the first text on the Valkyrie I saw in Barcelona I have commented on the staging that I did not like. Here I leave some notes about a second performance, sung by different soloists.

Again the Symphony Orchestra of the Liceu conducted by Maestro Josep Pons was often in failure. In addition to missed notes and false starts, what impressed me most negatively was the lack of enthusiasm. The music requires dramatic pauses, exciting passages, heroic sound. Nothing that I heard in this uninteresting interpretation.

Dutch tenor Frank van Aken was a Siegmund to be forgotten  I do not know if the singer was be well, I presume not, because a few minutes after start singing the vocal quality was lost and he always sung in effort and often out of tune. Therefore, he broke all the charm of this act, having missed the passion and growing sexual attraction to Sieglinde. He was not heroic as well.

In stark contrast, Eva Maria Westbroek’s Sieglinde was fabulous! The Dutch soprano offered us a luxury interpretation, ardently in love in the first act, weak and desperate in the second, and determined in the third .The voice is very powerful, nice timbre and perfectly adjusted to the character.

Croatian bass Ante Jerkunica was the best male voice of the night. His malevolent Hunding was of reference. The singer has a great impressive voice in all registers.

Swedish mezzo Katarina Karnéus was a correct Fricka in vocal performance and on stage, but not more than that.

The most acclaimed singer of the night was Greer Grimsley that sang Wotan. The North American artist has a great figure, sings well and in very expressive way , while occasionally be drowned out by the orchestra. But, for me, his vouce is a bit too nasal and baritonal, which left me some discomfort. I could not see him as the imposing god that the character demands, and in the lower notes he lost quality.

Catherine Foster, British soprano, was a correct Brunhilde, with a growing performance. At first she was a little rough, but in the third act she was very good. She excelled especially in the high register .On stage shewas correct.

The ride of the Valkyries was identical to that reported here (the singers were the same).


This was a priori the least strong cast and, in fact, it was so, despite the excellence of Eva Maria Westbroek and Ante Jerkunika.

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

DON GIOVANNI – Royal Opera House, Londres – Fevereiro 2012


O FanaticoUm já vos transmitiu a impressão sobre a reposição do Don Giovanni na Royal Opera House na passada temporada

Tive a oportunidade de assistir a 2 récitas com os dois elencos e gostava de vos deixar umas fotos e a minha impressão comparativa.

DON GIOVANNI





Gerald Finley foi melhor que Erwin Schrott. Schrott fez um Don menos especial, menos nobre, encarando tudo com piada e leveza, cercando tudo com sedução física e beijos, menos psicológico no primeiro acto. No início do segundo acto, principalmente no início onde domina a intervenção cómica esteve excelente ao simular uma crise de asma quado Leporello lhe pede para deixar as mulheres; interagiu com expectadores nesta passagem e esteve muito bem na troca de papéis com Leporello. Schrott é principalmente eficaz nas passagens cómicas  mas quando a acção pede mais dramatismo não o faz tão bem como Finley. O final da ópera foi bombástico com Finley, enquanto que com Schrott tudo pareceu muito pouco sentido.


LEPORELLO

Alex Esposito fez um Leporello mais interessante do ponto de vista cénico do que Lorenzo Regazzo. Altamente cómico na troca de papéis com Don Giovanni – finge que se mata com a espada, treme as pernas deitado como que a “esticar o pernil”, Don faz-lhe massagem cardíaca e quando vai para a ventilaçãoo desiste e ri-se; agarra-e a Elvira de modo apaixonado, mexe-lhe de modo sexualmente hilariante e inesperado nas mamas, insinua-se com moviemntos pélviso sobre ela de modo tão cómico que em nada se pareceu ordinário. Na cena da estátua revelou o medo na voz e na postura de modo credível. Do mesmo modo fez crer que temia estarem ambos mortos quando o Comendador entra para jantar. Excelente!!!





DONNA ANNA

Carmela Remigio vence Hibla Gerzmava em presença física (grande classe e beleza) e na voz, levando ao júbilo sensorial na sua última ária. Profundamente irritante o vibrato nos agudos de Gerzmava...





DONNA ELVIRA

Ruxandra Donose com timbre mais quente e meloso que Katarina Karnéus.





ZERLINA

Kate Lindsey mais chamativa, particularmente pela cumplicidade e química ternurenta especial que revelou com Matthew Rose.



DON OTTAVIO

Pavol Breslik com voz mais cristalina e muito expressivo no “dalla sua pace” e “il mio tesoro”, embora Matthew Polenzani tenha estado em grande nível.





MASETTO

Adam Planchetka e Matthew Rose perfeitos, sobressaindo talvez mais Rose ao dar um ar mais rústico à personagem.





COMENDADOR

Reinhard Hagen preferível a Marco Spotti, com voz mais profunda e sem vibrato.



Constantino Carydis não esteve perfeito. Melhor no segundo elenco mas a abertura sempre pouco sentida, muito rápida, pouco melosa e sem se sentir o medo, nem na abertura, nem na entrada do Comendador. Na minha opinião é porque escolhe fazer estas passagens muito rápidas e pouco solenes. A entrada dos camponeses muito lenta... Melhor no lamento de Anna, mais lento e lírico.


No geral, gostaria de ter assistido ao segundo elenco (Esposito, Remigio, Donose, Lindsey, Breslik, Rose e Hagen) mas com Gerald Finley como Don Giovanni.