(review in english below)
La Gioconda, de A. Ponchielli com libreto de Arrigo Boito, esteve em cena, em versão
concerto, no Teatro Nacional de São
Carlos.
O Maestro Antonio
Pirolli dirigiu superiormente a Orquestra
Sinfónica Portuguesa e o Coro do
Teatro Nacional de São Carlos. Ambos tiveram desempenhos de grande
qualidade, contribuindo significativamente para a elevada qualidade do
espectáculo.
Elisabete Matos foi
La Gioconda. Um luxo! Desempenho dramático sensacional associado a uma
interpretação vocal fabulosa ao longo de toda a récita, mas com um último acto
de referência. Sim, o Suicidio foi
brilhante, mas tudo o resto também. Ponchielli, onde quer que esteja, sabe que,
no início do Séc XXI, La Gioconda é La Matos!
No final da récita a que assisti, Elisabete Matos
emocionou-se com os aplausos calorosos (e justíssimos) do público. Os Grandes
são assim!
O barítono espanhol Luis
Cansino foi um Branaba excelente. Voz bonita, de grande potência e
musicalidade, impressionou pela segurança e consistência ao longo de toda a
récita.
Maria Luísa de
Freitas foi La Cieca, mãe de Gioconda. Também teve uma interpretação vocal
muito agradável.
Laura foi interpretada pelo mezzo búlgaro Mariana Pentcheva. Outra voz poderosa
e escura, com boa projecção. Por duas vezes achei que faltou fôlego à cantora
para terminar as notas.
Alvise foi o baixo brasileiro Luiz-Ottavio Faria que se impôs vocalmente, oferecendo-nos uma voz
segura, forte, bonita e afinada.
O tenor italiano Mario
Malagnini foi Enzo. Teve uma interpretação irregular, alternando períodos
de bom nível vocal com outros em que a voz soava pequena e perdia qualidade no
registo mais agudo.
Deixaram boa impressão João
Oliveira como Zuàne/piloto, Marco
Alves dos Santos como Isépo e Manuel
Rebelo como cantor.
Lamento muito que a ópera não tenha sido encenada. Para mim,
que tenho visto muitas encenações péssimas (algumas em São Carlos e muitas mais
no estrangeiro), continuo a achar que uma ópera em versão concerto é uma ópera
amputada. E hoje, mais uma vez, assim foi.
Houve uma tentativa de incluir algum movimento cénico. Mas
faltaram muitos gestos e objectos essenciais e simples de usar, mesmo nesta
abordagem (por exemplo o punhal). Maria Luísa de Freitas tentou comportar-se
como mãe cega de Gioconda, mas esteve constantemente a olhar para a partitura.
E que dizer da “Dança das Horas”? E poderia continuar, mas não acho necessário…
A terminar saliento que, apesar de em versão concerto, foi
um dos melhores espectáculos a que assisti nos últimos anos no nosso único
teatro nacional de ópera.
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La Gioconda, Teatro de São Carlos, May 2014
La Gioconda by A. Ponchielli with libretto by Arrigo
Boito was on stage, in concert version, at the Teatro Nacional de São Carlos, Lisbon.
Maestro Antonio Pirolli superiorly directed the Portuguese Symphony Orchestra and Chorus of the Teatro Nacional de São Carlos. Both performances were
of great quality and contributed significantly to the high quality of the
performance.
Elisabete Matos was La Gioconda. A
luxury! Phenomenal dramatic performance associated with a fabulous vocal
performance throughout the performance, but with a final act of reference. Yes,
Suicidio was brilliant, but
everything else too. Ponchielli, wherever he may be, knows that at the
beginning of XXI century, La Gioconda
is La Matos!
At the end of the performance I attended, Elisabete Matos was emotionally
touched by the warm (and deserved!) applause from the audience. The
grand ones are like that!
Spanish baritone Luis Cansino was an excellent Branaba.
Beautiful voice, with great power and musicality, he impressed by the security
and consistency throughout the performance.
Maria Luisa de Freitas was La
Cieca, Gioconda 's mother. She
also had a very nice voice performance.
Laura was interpreted by the Bulgarian mezzo Mariana Pentcheva. Another powerful and dark voice, with good
projection. Twice I thought she lacked breath to finish the notes.
Alvise was interpreted by the Brazilian bass Luiz-Ottavio Faria. Self-imposed vocally, offering us a secure,
strong, beautiful and refined voice.
Italian tenor Mario Malagnini was
Enzo. HehHad an irregular performance, alternating periods of good vocal level
with others in that the voice sounded small and lost quality in the upper
register.
João Oliveira was OK as Zuane,
Marco Alves dos Santos and Manuel Rebelo as Isépo and as a singer.
I regret that the opera has
not been staged. I have seen many bad stagings of operas (some in São Carlos Opera
House and many more abroad), but I still think that an opera in concert version
is an amputee opera. And this time, once again, it was so.
An attempt was made to include some scenic movement. But it lacked many essential gestures and
objects simple to use, even in this approach (eg the dagger) . Maria Luisa de
Freitas tried to behave like blind, but she was constantly looking at the score
And what about the "Danze delle Ore" ? And I could go on...
Finally I note that, although in concert version, this was one of the best
performances I have seen in recent years in our single national opera house.
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