Mostrar mensagens com a etiqueta Alcina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alcina. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

ALCINA, Theater an der Wien, Setembro / September 2018



(review in English below)





A ópera Alcina de G.F. Händel esteve em cena no Theater an der Wien, que não conhecia. A história pode ser lida aqui.

A encenação de Tatjana Gürbaca é muito boa. A acção é intemporal, embora o guarda roupa seja actual. O palco, redondo, começa apenas com umas rochas irregulares. Na primeira parte roda frequentemente e, ao longo da récita vão surgindo vários adereços simples, muito diversificados e de belo efeito, como flores que surgem do chão e uma enorme árvore (que parece uma figueira mas os frutos não são figos). Quando Ruggiero canta uma das árias mais tristes, as folhas vão caindo sucessivamente, noutra componente de belíssimo efeito. Há também um grande baloiço que surge de cima e é es e juntam-nos num lenço que depositam na ilha. otagonistas imaginam os navios que chegam e saem da ilha has irregularesparte importante da encenação.
Na segunda parte o palco não roda e chove mais que uma vez. Os protagonistas imaginam os navios que chegam e saem da ilha. Oronte e Morgana, ao renovarem o seu amor, retiram os corações e juntam-nos num lenço. A condizer com o mundo fantástico do enredo, a cena do Oronte é muito cómica porque está a beber ácool e desinfecta a faca antes de cortar o peito e retirar o coração, que sai com um vaso sanguíneo longo, que se desprende e cai no chão, mas não deixa de ser apanhado e colocado junto do coração.
No final, a conversão dos animais de novo em humanos e o afundamento da ilha são representados de forma simples mas muito eficaz. Facilmente se percebe a história, mesmo com legendas só em alemão.
Toda a encenação é muito simples mas eficaz e de uma enorme beleza plástica.



A orquestra barroca Concentus Musicus Wien foi deslumbrante e a direcção musical superior esteve a cargo do maestro Stefan Gottfried. O Arnold Schoenenber Chor foi também excelente.




Os solistas, todos de aparência jovem e de óptima figura e agilidade em palco, foram uniformes na elevada qualidade da interpretação vocal

O soprano Marlis Petersen interpretou a Alcina de forma irrepreensível. Voz potente, muito bonita, com agudos fantásticos e extraordinariamente expressiva. Em cena foi brilhante, também muito ajudada pela encenação.



O Ruggiero do contratenor David Hansen foi fabuloso. É quase um soprano masculino pois atinge altíssimas notas agudas com qualidade irrepreensível que não sei se mais algum dos que actualmente cantam o conseguirá fazer. O papel é extenso e quer nas áreas mais melancólicas, quer nas de bravura, foi marcante.



A mezzo Katarina Bradic fez uma Bradamante (e um Ricciardo) notáveis. Tem uma voz escura, sempre afinada, e revelou uma coloratura impressionante. Também foi muito expressiva em cena, aliás característica de todos os solistas.



O Oronte foi impecavelmente interpretado por Rainer Trost, a quem a encenadora atribuiu a interpretação cénica mais diversificada e a única com uma cena cómica, muito bem conseguida.



O (muito) jovem Christian Ziemski, rapaz soprano, foi um Oberto sem falhas na interpretação vocal, também muito credível na procura e defesa do pai, transformado em leão.



Florian Köfler foi um Melisso correcto e muito agradável,



mas termino com mais um enorme elogio à jovem soprano Mirella Hagen que interpretou a Morgana, irmã de Alcina. Tem uma voz belíssima, bem audível, límpida e pura em toda a sua extensão, quase angelical, como raramente se ouve.



Um espectáculo memorável!








*****


ALCINA, Theater an der Wien, September 2018

The opera Alcina by G.F. Händel was on stage at the Theater an der Wien, which I did not know. The story can be read here.

The production of Tatjana Gürbaca is very good. The action is timeless, although the dresses are of today. The stage, turning round frequently, begins only with some irregular rocks. In the first part it is rotating and, along the performance, various simple, very diversified and beautiful props appear, like flowers emerging from the ground and a huge tree (which looks like a fig tree but the fruits are not figs). When Ruggiero sings one of the saddest arias, the leaves fall successively, in another component of beautiful effect. There is also a large swing that comes from above and is an important part of the staging.
In the second part the stage does not rotate and it rains more than once. The protagonists imagine the ships that arrive and leave the island. Oronte and Morgana, in renewing their love, withdraw the hearts from their chests and join them in a handkerchief. In keeping with the fantasy world of the plot, the Oronte scene is very comical because he is drinking alcohol and disinfects the knife before cutting the chest and withdrawing the heart, which comes out with a long blood vessel, which collapses and falls to the ground, but it does not stop being caught and placed close to the heart.
In the end, the conversion of animals back into humans and the sinking of the island are represented in a simple but very effective way. It was easy to see the story, even with subtitles in German only.
All the staging is very simple but effective and of enormous plastic beauty.

The Baroque orchestra Concentus Musicus Wien was stunning and the musical direction superior, in charge of the maestro Stefan Gottfried. Arnold Schoenenber Chor was also excellent.

The soloists, all young-looking and of good physical appearance and agility on stage, were uniform in the high quality of vocal interpretation

Soprano Marlis Petersen interpreted Alcina in an irreproachable way. Powerful voice, very beautiful, with fantastic top notes and extraordinarily expressive. On stage she was brilliant, also very helped by the production.

Countertenor David Hansen was fabulous Ruggiero. He is almost a male soprano because he reaches very high notes with impeccable quality that I do not know if any of those others who are currently singing will be able to achieve. The role is extensive, and in both the melancholic and bravura areas, he was remarkable.

Mezzo Katarina Bradic was a notable Bradamante (and Ricciardo). She has a dark voice, always in tune, and revealed an impressive coloratura. She was also very expressive on stage, a characteristic of all the soloists.

Oronte was impeccably sung by Rainer Trost, whom the producer attributed the most (and unique) comic part. His interpretation was very good.

The (very) young boy soprano Christian Ziemski was an Oberto without fail in vocal interpretation, also very credible in the search and defense of his father, transformed into a lion.

Florian Köfler was a correct and very pleasant Melisso,

but I will end with another huge compliment to the young soprano Mirella Hagen who interpreted Morgana, sister of Alcina. She has a beautiful voice, very audible, clear and pure in all its extent, almost angelic, as one rarely hears.

A memorable performance!

*****

quarta-feira, 27 de junho de 2018

ALCINA, Theatro São Pedro / SP, Junho 2018



"ALCINA" E O BRANCO TOTAL RADIANTE NO THEATRO SÃO PEDRO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.

Posso afirmar que o ser humano mudou drasticamente nos últimos vinte anos, o que dizer então de 283 anos quando estreou a ópera "Alcina" de Händel. O desafio de montar uma ópera concebida há tanto tempo é hercúleo. Ópera barroca tem tudo para desagradar ao público: a ação é lenta, as árias são longas, a duração é enorme para os tempos de celulares conectados 24 horas, as orquestras não tem experiência nesse estilo e é um desafio no Brasil conseguir solistas capacitados. 

Não é por acaso que o título ficou no arquivo morto por mais de duzentos anos. Foi relembrado por algum maluco no início do século XX. Devido ao grande soprano Joan Sutherland conseguiu voltar ao repertório de alguns teatros na segunda metade do século XX. "Alcina" está para Sutherland como "Medea" está para Maria Callas. Ambas desenterraram óperas esquecidas.

Händel era chegado a destacar os solistas em detrimento da ação. Queria impressionar o público da época com árias estonteantes para chamar a atenção. Devido a isso imperam os curtos recitativos e árias longas, uma atrás de outra, do começo ao fim. A mulherada gostava de uma fofoca e era permitido conversar à vontade. Quando digo público me refiro à aristocracia, que nos salões dos ricaços consumia esse tipo de arte. A plebe nem imaginava e mesmo que quisesse não teria acesso.

Claro que fiquei surpreso quando vi "Alcina" na temporada desse ano do Theatro São Pedro/SP. Ópera barroca é uma raridade por essas terras. A chance de acontecer uma lambança monumental era enorme, fazendo esse título a direção da casa sai da zona de conforto ao partir para empreitadas que rumam ao desconhecido.

Os acertos da produção do aconchegante teatro paulistano começam na escalação do elenco. Vozes de excelente nível. Marília Vargas esteve soberba, soprano com voz potente que enche a sala com volume encorpado e técnica de excelente nível. Uma Alcina inesquecível. Thayana Roverso já foi eleita por esse Blog revelação lírica do ano de 2012, os anos passaram e a voz amadureceu. Estonteante, agudos brilhantes unidos a um timbre de rara beleza como Morgana. Inebriante, o soprano mostrou beleza vocal unida a excelência cênica. Espero que os diretores que escalam elencos a chamem para outros papéis.


Marília Vargas como Alcina, foto Internet.

O contratenor David Feldman fez um Riggiero modesto, sua voz destoou dos colegas, agudos fracos em uma voz pequena. Carolina Faria foi uma surpresa, mostrou uma voz que exala um calor denso, quente e escura. Mezzo-soprano especializada em música brasileira colonial acertou em cheio como Bradamante.

A concepção é um soco no estômago: moderna, inovadora e antenada com o melhor do teatro mundial. William Pereira transporta a ação para um futuro distante sem tirar a essência da obra. Torna-os personagens frios, secos e sem vivacidade. Tenta dar dinâmica a um libreto lento, faz movimentações e explora todo o palco. Difere seres humanos pelo figurino: habitantes da ilha brancos e os forasteiros de escuro. O próprio diretor assina os cenários onde predomina o branco total radiante, a intensidade da luz faz o futuro aparecer na mente. O mundo futurista de William Pereira é a pureza do branco onde os habitantes são assépticos e desprovidos de males e doenças. Os forasteiros chegam para contaminar a imaculada ilha de Alcina e a ação começa. 

Algumas passagens lembram o filme "Guerra nas Estrelas", guerreiros com armas de luzes nas mão me fizeram imaginar que o Darth Vader apareceria para tirar satisfações com Luke Skywalker. William Pereira consegue modernizar um título composto há mais de duzentos anos dando uma dinâmica possível as cenas. O cenário sempre branco vai cansando no decorrer dos três atos, embora saibamos que os recursos financeiros escassos o obriguem a isso. 

Os figurinos de Fabio Namatame seguem a linha futurista dos habitantes da ilha e destoam dos forasteiros. Parecem ser de épocas diferentes com enorme discrepância entre ambos. A luz de Mirella Brande transporta a tempos futuros, acompanha a narrativa e mantém a unidade do início ao fim da apresentação. Utiliza cores em alguns pequenos trechos e espaços quebrando a sequencia branca.

A Orquestra do Theatro São Pedro regida por Luis Otavio Santos encarou com vigor a partitura, conseguiu bons acompanhamentos dos solistas. Em diversas passagens tocou sem a pegada barroca, parecia uma orquestra moderna tocando música antiga.

Ali Hassan Ayache

terça-feira, 29 de abril de 2014

ALCINA, Ópera de Zurique, Fevereiro de 2014 / Zürich Opernhaus, February 2014

(review in english below)

Alcina é uma ópera de Georg Friedrich Händel com libretto de Antonio Fanzaglia segundo a ópera L’isola di Alcina de Riccardo Broschi, a partir do poema épico Orlando Furioso de Ludovico Ariosto.


 A feiticeira Alcina transforma homens em animais na sua ilha. Está apaixonada pelo mais recente prisioneiro, Ruggiero. Bradamante, a sua noiva, chega à ilha disfarçada de homem (Ricciardo), acompanhada do seu guardião, Melisso. O feitiço de Alcina faz com que Ruggiero esqueça Bradamante. Morgana, serva de Alcina, apaixona-se por “Ricciardo”, para desespero de Oronte, o seu amado, também servo de Alcina. Oronte, enciumado, convence Ruggiero que Alcina ama “Ricciardo”. Alcina fica dilacerada quando descobre que Ruggiero a traiu e planeia fugir da ilha e, ainda, verifica que a sua varinha mágica perdeu os poderes. Todas as personagens principais revelam as suas verdadeiras identidades, Morgana e Oronte, e Ruggiero e Bradamante juntam-se no amor e destroem o poder e o palácio de Alcina que se afunda no mar. Alcina desaparece e os animais transformados retomam a forma humana.


 A encenação Christof Loy é vistosa mas difícil de entender. Começa com a representação (magnífica) de uma ópera barroca num teatro rococó na parte superior do palco, enquanto na parte inferior se vêem os bastidores e os animais transformados por Alcina. Aparece um cupido muito idoso, uma ideia muito interessante.
A acção avança mais de um século e, na ária mais introspectiva de Alcina do 2º acto, aparece-lhe a sua imagem como idosa (a mesma personagem que faz de cupido). Este acto passa-se numa espécie de residência para doentes psiquiátricos, sem ter sido claro para mim o significado da encenação.
 No último acto vêem-se os escombros do teatro, muito fumo (possivelmente terá ardido) e cai um grande lustre (uma réplica do lustre da ópera de Zurique). A maioria dos participantes está vestida como nos tempos actuais, mas Alcina aparece novamente com um vestido “barroco”, antes de desaparecer.


 O maestro (e flautista) Giovanni Antonioni dirigiu superiormente a excelente Orquestra barroca La Scintilla. A interpretação foi fantástica, tirando o máximo partido da sonoridade própria dos instrumentos da época.




O elenco de solistas foi de primeiríssima água:
 Alcina foi interpretada pelo mezzo italiano Cecilia Bartoli. Confesso que foi ela que me fez ir a Zurique e … não me arrependi. Bartoli é uma daquelas (poucas) cantoras líricas que é muito melhor ao vivo do que em gravações. A expressividade dramática que empresta às personagens é única e aqui, mais uma vez, assim foi. Para além de ouvi-la, vê-la é um assombro. Todas as suas árias (seis no total) foram fantásticas, a voz é única, sempre primorosamente bem colocada e de uma beleza avassaladora. Na ária principal do 2º acto, Ah mio cor, ofereceu-nos uma interpretação divinal, a voz chorava e a interpretação foi comovente. Um privilégio único e raro poder apreciar ao vivo uma das melhores cantoras de sempre.



 Sensacional foi o mezzo sueco Malena Ernman como Ruggiero. Antes do início do espectáculo fomos avisados que não estaria na sua melhor forma devido a uma infecção respiratória. Mas nada transpareceu dessa limitação porque nos ofereceu uma interpretação de excepção. É uma artista completa. Fisicamente parecia um homem, a agilidade em palco foi estonteante, incorporou sem destoar o corpo de bailarinos no 3º acto e até cantou a fazer flexões (!). Para além de todos estes atributos físicos e cénicos, a voz tem um timbre lindíssimo, uma potência invulgar e a coloratura foi imponente. Maravilhosa.



 Bradamante foi o mezzo arménio Varduhi Abrahamyan, uma desconhecida para mim que também esteve em grande, tanto cénica como vocalmente. O timbre é bonito, escuro, o canto cheio e a interpretação sempre bem conseguida.


 O soprano francês Julie Fuchs fez uma Morgana muito boa, de voz agradável e bem audível e, no palco, uma postura sempre convincente. 


 Oronte foi interpretado com qualidade pelo jovem Fabio Trümpy, tenor suíço de voz clara e expressiva.


 Também outro jovem, o baixo americano Erik Anstine, interpretou Melisso com qualidade e poderio vocal interessante e muito agradável.








 Uma Alcina estratosférica na Zürich Opernhaus.

*****

ALCINA , Zurich Opera House , February 2014

Alcina is an opera by Georg Friedrich Händel with libretto by Antonio Fanzaglia according to the opera L' isola di Alcina by Riccardo Broschi, after the epic poem Orlando Furioso by Ludovico Ariosto .

The witch Alcina turns men into animals on her island. She is in love with her latest prisoner Ruggiero. Bradamante, her bride, arrives in disguised as a man (Ricciardo), accompanied by her guardian, Melisso. Alcina´s spell causes Ruggiero to forget Bradamante . Morgana, Alcina’s servant, falls in love for "Ricciardo" , to the despair of Oronte, his beloved, also servant of Alcina. Oronte, jealous, convinces Ruggiero that Alcina loves "Ricciardo" . Alcina is torn when she discovers that Ruggiero betrayed  her and plans to flee the island, and also discovers that her wand lost its powers. All the main characters reveal their true identities, Morgana and Oronte, and Ruggiero and Bradamante join in love and destroy the power and the palace of Alcina that sinks in the sea. Alcina disappears and the animals resume their human form.

Christof Loy 's staging is fine but hard to understand. It begins with the representation (magnificent) of a rococo baroque opera in a theater at the top of the stage , while at the bottom the backstage is seen, where the animals transformed by Alcina lay. A very old cupid appears, a very interesting idea.
The action progresses over a century, and during the more introspective Alcina’s aria in 2nd act, her image as an old woman appears (it is the same player that plays the cupid). . This act takes place in a sort of residence for psychiatric patients, without being clear to me the meaning of the act.
In the last act we see the ruins of the theater, a lot of smoke (possibly it burned ) and a large chandelier (a replica of the chandelier of the Zurich opera) drops. Most participants are dressed as in present times, but Alcina appears again with a "Baroque" dress before disappearing.

Conductor (and flautist) Giovanni Antonioni superiorly directed the great Baroque Orchestra La Scintilla. The performance was fantastic, taking full advantage of the sonority of baroque instruments.

The soloists were of the highest quality:
Alcina was interpreted by Italian mezzo Cecilia Bartoli. I confess that it was she who made ​​me go to Zurich ... and I did not regre . Bartoli is one of those (few) opera singers who is much better live than on recordings. The dramatic expressiveness that she plays is unique and here, again, it was so. In addition to hearing her, seeing her on stage is a wonder. All her arias (six in total) were fantastic, the voice is unique, always exquisitely well pitched and of an overwhelming beauty. In the main the 2nd act aria, Ah mio color, she offered us a divine interpretation, her voice and interpretation were touching. It is a unique and rare privilege to see and hear one of the best opera singers of all times.

Sensational was Swedish mezzo Malena Ernman as Ruggiero. Before the start of the performance we were told that she would not be at her best due to a respiratory infection But this limitation was not apparent because she offered an exceptional performance. She is a complete artist. Physically looked like a man, her agility on stage was stunning. In the 3rd act she joined the group of professional dancers and she even sang doing pushups (!) . Apart from all these physical and staging attributes, her voice has a beautiful tone, an unusual power and impressive coloratura. Wonderful.


Bradamante was Armenian mezzo Varduhi Abrahamyan, an unknown singer to me who was also great both on stage and vocally. Her tone is beautiful abd dark, and the performance onstage was always excellent.

French soprano Julie Fuchs was a very good Morgana, with a nice and very audible voice and onstage always a nice performance.

Oronte was interpreted by the young Swiss tenor Fabio Trümpy. He has a bright and expressive voice .

Also another young singer, American bass Erik Anstine, played Melisso with an interesting and very nice vocal power.

A stratospheric Alcina in Zürich Opernhaus.

*****