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domingo, 20 de janeiro de 2013

Maria Stuarda de Gaetano Donizetti — Met Live in HD na FCG, 19.01.2013


(Review in English below)

A ópera trágica em dois actos Maria Stuarda de Gaetano Donizetti com libreto de Guiseppe Bardari baseado na peça Maria Stuart de Schiller, faz parte de uma triologia que o compositor dedicou ao período conturbado dos Tudor em Inglaterra (Anna Bolena, Maria Stuarda e Roberto Devereux).
Foi estreada no Scala de Milão em 1835 e, incrivelmente, estreia-se no MET apenas nesta temporada.

(imagens da internet)

A história não tem base histórica verídica e trata da disputa de poder entre as primas Maria, rainha da Escócia, e a rainha Elizabeth I de Inglaterra. Poderão ler uma sinopse no site do MET.


A encenação de David McVicar utiliza vestuário de época detalhado a contrastar com cenários muito simples e pouco recheados de elementos. Destaca-se a caracterização de Elizabeth muito masculina, desajeitada e áspera e uma direcção de actores pobre. É uma encenação que segue o enredo, mas que não enche o olho em nenhum aspecto, chegando a ser até bastante amorfa.


Elza van den Heever, soprano sul-africana, foi Elizabeth I. Caracterizada com um estilo muito masculino e desajeitado, por vezes quase medonho, a sua interpretação foi cenicamente convincente. Quanto à prestação vocal, em termos interpretativos esteve bem e, embora tenha uma voz poderosa e tenha estado afinada, a sua voz não tem um timbre especialmente agradável, sendo, muitas vezes, um pouco áspero.


Joyce DiDonato, meio-soprano norte-americana e muito querida no MET, foi Maria Stuarda. Embora o papel tenha sido escrito para voz de soprano, a qualidade vocal e técnica de DiDonato permitiu-lhe assumir este papel que é vocalmente extremamente exigente, sobretudo no segundo acto. De notar o tremor das mãos e cefálico que apresentou no segundo acto, a denotar a idade 10 anos mais avançada em que este acto se passa relativamente ao primeiro. Esteve em grande nível com excelentes interpretações vocais e cénicas e foi absolutamente sublime no 2.º acto.  Sem dúvida e de longe, a melhor da noite! Esperamos vê-la em grande forma na FCG no próximo mês.

Matthew Polenzani, tenor norte-americano, foi Leicester. É verdade que o timbre da sua voz é agradável, mas isso não faz dele, em minha opinião, um tenor de alto nível. Interpretativamente, quer vocal, quer cenicamente, é sempre muito amorfo e não transparece emoção, vida ou entusiasmo. Foi portanto muito regular e teve uma ou outra falha na abordagens às notas mais agudas.

Joshua Hopkins, barítono, foi um Cecil com um timbre adequado ao papel e cumpriu bem. Matthew Rose, barítono, foi um Talbot excelente quer vocal, quer cenicamente, e é dotado de um instrumento com um timbre muito agradável e potente. Maria Zifchak, meio-soprano, tem um papel menor e cumpriu bem.

Maurizio Benini foi o maestro de serviço e conduziu a Orquestra do MET em mais uma excelente demonstração da sua qualidade. O Coro do MET esteve, igualmente, fantástico, como é aliás habitual.

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(Review in English)

Maria Stuarda is a tragic opera in two acts by Gaetano Donizetti with libretto by Guiseppe Bardari based on Schiller’s play Mary Stuart. It is part of a trilogy which the composer dedicated to the turbulent period of Tudor’s England (Anna Bolena, Maria Stuarda and Roberto Devereux) .
It was premiered at La Scala in 1835 and, incredibly, debuts at MET just this season.

The story has no verdical historical basis and addresses the true power struggle between the cousins Mary, Queen of Scots and Queen Elizabeth I of England. You can read a synopsis on the MET website.

The staging by David McVicar uses detailed classic wardrobe contrasting very simple and empty scenarios. We highlight the characterization of Elizabeth in a very male, awkward and rough way and a poor actors’ direction. The scenarios follow well the plot, but it was not magnificent in any way, even getting to be quite amorphous.

Elza van den Heever, South African soprano, was Elizabeth I. She was characterized in a very masculine and clumsy style, sometimes almost ghastly, but her interpretation was scenically compelling. Respecting vocal interpretation she did well, but, although she has a powerful voice and has been in tune, her voice has a timbre not particularly pleasant, and it often a little rough.

Joyce DiDonato, beloved American mezzo-soprano at MET, was Maria Stuarda. Although the role was written for soprano voice, DiDonato’s vocal and technical qualities allowed her to take this role that is vocally very demanding, especially in the second act. Note the tremor of the her hands and head that she presented in the second act, denoting the more 10 years old relatively to the first act. She was at great level with excellent vocal and scenic performances and she was absolutely sublime in second act. Undoubtedly and by far the best of the show! We hope to see her in a good shape in the next month at FCG.

Matthew Polenzani, American tenor, was Leicester. It is true that his vocal timbre is nice, but that does not make him, in my opinion, a tenor of high standards. Interpretively, whether vocal or scenically, he is always very amorphous and not apparent emotion, life and enthusiasm. In spite of these facts, he was very regular and failed some approaches to higher notes.

Joshua Hopkins, baritone, was Cecil and he has an appropriate tone to the role he performed well. Matthew Rose, baritone, was a Talbot with an excellent vocal or scenic skills and he is equipped with a vocal instrument with a very pleasant and powerful timbre. Maria Zifchak, mezzo-soprano, has a minor role and performed well.

Maurizio Benini was the maestro who conducted the MET Orchestra in another demonstration of its excellent quality. The MET Choir was also fantastic, as is usual in fact.

sábado, 21 de novembro de 2009

UN BALLO IN MASCHERA – Royal Opera House, Londres, Julho de 2009

Un ballo in maschera (um baile de máscaras) de Giuseppe Verdi passa-se em Boston, onde Riccardo, o governador, ama Amelia, mulher do seu secretário Renato. Riccardo consulta uma uma vidente, Ulrica, que lhe diz que será morto pelo próximo homem que lhe apretar a mão e, quem o faz, é Renato. Também Amelia consulta Ulrica para a ajudar a esquecer o seu amor por Riccardo. Para tal, terá que ingerir uma bebida feita com uma erva mágica que deverá colher à noite nos arredores de Boston. Amélia vai procurar a erva e é seguida por Riccardo. Trocam palavras de amor. Surge Renato que avisa o governador para se afastar porque há uma conspiração contra ele. Assim faz, pedindo a Renato para proteger a mulher, sem tentar saber a sua identidade. Renato promete, mas chegam os conspiradores e, na confusão, a identidade de Amélia é revelada. Convicto da traição, Renato jura vingança. Junta-se aos conspiradores e aceita um convite do governador para um bailde de máscaras, onde irá com Amélia. No baile Riccardo recebe do pagem Oscar um aviso anónimo que corre risco de ser assassinado. Amélia reconhece-o e pede-lhe para fugir, mas surge Renato que o apunhala. Riccardo diz a Renato que Amélia está inocente, perdoa os conspiradores e morre.

A encenação, de Mario Martone, foi bastante pobre no início, mas melhorou no 2º acto e, no final, uma engenhosa colocação de espelhos teve um efeito invulgar, inicialmente vendo-se todo o teatro e depois o baile de máscaras em planos não habitualmente vistos.
A orquestra, dirigida por Maurizio Benini, esteve muito bem e foi, talvez, o melhor de todo o espectáculo.
Passando aos cantores (que não foram actores!):
Riccardo, o papel principal, esteve a cargo do tenor mexicano Ramón Vargas, o único que conhecia. Como referi, não houve representação, apenas canto. Como tenor foi regular, mas com fragilidades no registo mais agudo e uma emissão não tão potente como seria desejável para um teatro como a ROH. A figura é má (baixo e gordo) e, no último acto, onde tem a aria principal, salvou a interpretação, mas esteve muito aquém do desejado. Ainda teve o despudor de se fazer aos aplausos o que, em Londres, não é habitual (e, neste caso, nem sequer merecido).
O rival, Renato, foi cantado pelo barítono eslovaco Dalibor Jenis. Uma voz potente mas nada mais que isso. Parecia que nem tinha ensaiado. Desafinou várias vezes, não teve qualquer preocupação com a representação e cantou sem alma e sem presença. Teve força mas faltou-lhe tudo o resto. A figura era excelente – novo, magro e alto, o que ainda salientou a má prestação cénica.
O soprano principal, Amelia, foi cantado pela chilena Angela Marambio. Mais uma vez uma ausência total de representação ou de capacidades cénicas. Voz muito potente, mas sem qualquer cor. Estridente nas notas mais agudas, tendência para gritar e nenhum sentimento na expressão, apesar de o papel ser bem desenhado para isso. A potência foi proporcionalmente inversa ao lirismo. A figura, muito má (gorda, quase não se mexia em palco e sem qualquer expressão – e eu estava sentado num lugar excelente em que tudo isto era bem visível!).
A vidente Ulrica –um dos mais interessantes papeis de contralto de Verdi – foi entregue à russa Elena Manistina. Foi a pior Ulrica que me lembro de ver. Apesar da emissão de notas graves, estas estiveram muito aquém da potência e da intensidade dramática necessárias. A senhora, também com má figura mas que até se adapta ao papel, precisa de umas lições de italiano pois até eu achei que cantou com sotaque russo! Mas não é cantora para um teatro como a ROH. Se há coisa que me lembro das Ulricas que vi anteriormente, é que se fazem ouvir bem e, as melhores, com uma voz cavernosa mas bem colocada que dá grande credibilidade à personagem. Nada disso aconteceu aqui.
Finalmente uma palavra para o pagem Oscar, um papel secundário cantado por um soprano – Anna Christy – que, nesta produção, foi talvez o melhor elemento em cena.
As restantes personagens secundárias estiveram muito bem. Se os cantores tivessem trocado com os principais, talvez a coisa tivesse resultado melhor!
Em suma, foi um bailde de máscaras sem qualquer momento de exaltação, susceptível de ser visto e ouvido em qualquer teatro de ópera de média categoria.

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