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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

MADAMA BUTTERFLY ( I ) – Royal Opera House, Julho de 2011


 Madama Butterfly é uma ópera de Giacomo Puccini com libretto de Guiseppe Gicosa e Luigi Illica, segundo a obra homónima de David Belasco, baseada num conto de John Luther.

Pinkelton, tenente da marinha norte-americana conhece a sua nova casa no Japão, onde viverá com a noiva japonesa, Cio Cio San, delicada como uma borboleta (Butterfly), apesar de se gabar de ter uma mulher em cada porto e afirmar que, um dia, se casará com uma americana. Conhece Suzuki, a criada da noiva. É desaconselhado a casar por Sharpless, o cônsul americano. Contudo, casa com Cio Cio San, de 15 anos que, contrariando a família e tradições, afirma a sua felicidade.
Após três anos, Butterfly não tem notícias de Pinkelton, mas imagina as palavras de amor que ele lhe dirá quando regressar. O cônsul americano tenta ler-lhe uma carta dele mas Butterfly interrompe-o constantemente e acaba por lhe mostrar uma criança loira e de olhos azuis, filho de ambos.


 Um canhão anuncia a chegada de um navio e Butterfly pede a Suzuki para espalhar flores pela casa. Pinkelton chega acompanhado de Kate, a sua mulher americana e, juntamente com o cônsul, pedem a Suzuki que convença Butterfly a entregar-lhes o filho. Butterfly vê a mulher e, relutantemente, aceita entregar a criança, mas só ao próprio Pinkelton. A sós com o filho, despede-se. Mata-se segundo a forma tradicional japonesa, quando Pinkelton chama pelo seu nome.


 A produção de Moshe Leiser e Patrice Caurier, com guarda-roupa de Agostino Cavalca é uma abordagem convencional à obra de uma beleza invulgar. Os cenários são sóbrios, com um jogo muito eficaz de painéis e sombras, onde os costumes japoneses estão sempre presentes. O último quadro, com o palco praticamente vazio, encimado por um grande ramo de árvore com flores brancas na horizontal, que caem quando Cio Cio San morre, é impressionante.


 O maestro Paul Wynne Griffiths dirigiu a Orquestra da Royal Opera em mais uma actuação de elevado nível qualitativo. O Coro da Royal Opera esteve igualmente em grande forma.


 Assisti a duas récitas muito diferentes em dias seguidos. Neste primeiro texto refiro a récita “normal”.

Madama Butterfly foi interpretada pelo soprano italiano Amarilli Nizza. No primeiro acto foi uma cantora algo rígida, com tendência para estridência quando cantava em forte. Nos actos seguintes melhorou muito, dando-nos uma interpretação credível. O papel é de grande exigência e, no cômputo final, proporcionou-nos uma interpretação convincente.


 No papel de Pinkelton tivemos o tenor americano James Valenti. Apesar de ter uma excelente figura, jovem, alto e magro, a interpretação foi algo rígida. Canta de forma singular, parece estar tenso, mas atinge as notas agudas sem desafinar. Contudo, não mostra a fluidez esperada.



(James Valenti foi vaiado. Fica a dúvida se pela interpretação ou se pelo papel desempenhado)

 O barítono inglês Anthony Michaels-Moore impôs-se como Sharpless. A voz tem grande qualidade, excelente projecção e timbre agradável. Cenicamente esteve irrepreensível.


 Também o meio-soprano americano Helene Schneiderman fez uma Suzuki de considerável qualidade vocal e cénica.


 Os intérpretes dos papéis secundários estiveram ao nível dos solistas principais. Destaco o britânico Robin Leggate que interpretou o casamenteiro Goro e que, após 35 anos de actividade, fez a sua última interpretação nesta récita. Foi homenageado tanto no programa de sala como pelo maestro.



(a homenagem a Robin Leggate na sua despedida dos palcos)







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MADAMA BUTTERFLY (I) – Royal Opera House, July 2011

Madama Butterfly is an opera by Giacomo Puccini with libretto by Giuseppe Giocosa  and Luigi Illica, according to the work of the same name by David Belasco, based on a story by John Luther.

Pinkelton, a lieutenant in the U.S. Navy, visits his new home in Japan, where he will live with his Japanese bride, Cio Cio San, delicate as a butterfly (Butterfly), although he is proud of having a woman in every harbour and he says that, one day, he will have an American wife. He
meets Suzuki, the maid of his bride. He is advised by Sharpless, the American consul, not to marry. However, he marries Cio Cio San (15 years old) against the traditions and the wishes of her family, but she assumes the marriage and stresses her happiness.

After three years, Butterfly has not heard from Pinkelton, but she imagines the words of love he will tell her when he will return. The American consul tries to read a letter from Pinkelton but Butterfly constantly interrupts him and, ultimately, shows him a blonde blue-eyed child, that is son of Pinkelton.
A cannon shot announces the arrival of a ship and Butterfly asks Suzuki to spread flowers around the house. Pinkelton arrives accompanied by Kate, his American wife and, with the consul, asks Suzuki to persuade Butterfly to hand them the child.
Butterfly sees the woman and, reluctantly, agrees to give away her son, but only directly to Pinkelton. Alone with her son she says good bye. She kills herself according to the traditional Japanese way, when Pinkelton calls by her name.

The production by Moshe Leiser and Patrice Caurier with costume designs by Agostino Cavalca is a conventional approach to the work of an unusual beauty. The scenarios are sober, with a very effective set of panels and shadows, where the Japanese habits are always present. The last scene, with an almost empty stage, topped by a large horizontal tree branch with white flowers, which fall as Cio Cio San dies, is impressive.

Conductor Paul Wynne Griffiths directed the Royal Opera Orchestra in another performance of high quality level. The Choir of the Royal Opera was also excellent.
 
I attended two very different performances on consecutive days. In this first text I will mention the “normal” performance.

Madama Butterfly was interpreted by Italian soprano Amarilli Nizza. In the first act she was a “stiff” singer, with a tendency to stridency when she sang forte. In the following acts she improved a lot, giving us a credible interpretation. The role is very demanding and, after all, she offered us a convincing interpretation.

Pinkelton was interpreted by American tenor James Valenti. Despite having an excellent figure (young, tall and thin), his interpretation was somewhat rigid. He sings in a unique way, seeming to be tense, but he reaches the top notes in tune. However, he does not show the expected flow.

English baritone Anthony Michaels-Moore was a fantastic Sharpless. The voice has great quality, excellent technique and nice timbre. Artistically he was blameless.

American mezzo-soprano Helene Schneiderman played a Suzuki of considerable vocal and artistic quality.

The artists of the secondary roles were at the same level of the soloists. I highlight British Robin Leggate who played the role of Goro and, after 35 years of activity, made his last appearance on stage (before retiring). He was honoured both in the room program abd by the conductor.

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sábado, 3 de abril de 2010

LA TRAVIATA – Met Opera, Nova Iorque, Março de 2010

Foi com grande satisfação que tive oportunidade de assistir a esta produção de La traviata, de Giuseppe Verdi, pois no próximo ano uma nova será levada à cena no Met. De Franco Zeffirelli seria de esperar, como se confirmou, uma encenação rica, de bom gosto, clássica e sumptuosa, onde o segundo quadro do segundo acto foi absolutamente memorável.

Na direcção musical esteve Leonard Slatkin que foi a grande surpresa da noite. Os desencontros entre os cantores e a orquestra foram frequentes durante toda a récita e imprimiu quase sempre um rítmo acelerado que não se coaduna com o dramatismo da obra, fatal na belíssima abertura do 3º acto. Deplorável! Apesar do maestro, a orquestra conseguiu dar-nos mais uma interpretação superior e o coro esteve também ao mais alto nível.

No papel de Violetta esteve Angela Gheorghiu. Confesso-me um grande admirador desta cantora e não fiquei minimamente desiludido com o que vi e, sobretudo, com o que ouvi. Voz potente e invulgarmente melodiosa, com um belíssimo timbre, esteve insuperável na interpretação da personagem. Mantém uma excelente figura e foi uma verdadeira actriz em palco. Nos cartazes publicitários do Met consta sobre Gheorghiu “born to sing Violetta”. Artisticamente, é verdade.

Alfredo foi interpretado pelo jovem tenor americano James Valenti. Possuidor de uma voz sólida mas com um timbre invulgar e não muito agradável à primeira audição, defendeu-se nos agudos mas esteve globalmente bem. Contudo, nos duetos com Gheorghiu, foi notória a diferença qualitativa. A figura é excelente para a personagem – alto, magro e novo. Foi o mais aplaudido em palco (talvez por jogar em casa e ser debutante no Met) mas não foi, de todo, o melhor.


Thomas Hampson foi um Giorgio Germont em grande forma, revelando um barítono potente e de grande beleza, que encheu a sala. Cenicamente muito bem, sobretudo no diálogo com Violeta no 2º acto. Foi talvez a melhor interpretação que vi deste artista.
 

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