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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

A CANÇÃO DA TERRA / DAS LIED VON DER ERDE, Fundação Gulbenkian, Outubro 2022

(review in English below)

Sob a direcção do maestro Hannu Lintu, o meu primeiro espectáculo desta temporada na Fundação Calouste Gulbenkian foi “Das Lied von der Erde / A Canção da Terra” de Gustav Mahler. O concerto incluiu também uma obra para piano e Orquestra de Thomas Adès.

Como nos foi recordado no texto da Fundação Gulbenkian, trata-se de um ciclo de canções orquestrais melancólicas, inspirado em poemas chineses, sobre como lidamos com a natureza e a vida. Sempre tive em relação a esta obra alguns sentimentos ambivalentes porque, das 6 canções que a integram, não sou grande fã das primeiras mas considero a última (Der Abschied / A despedida) uma das mais belas peças musicais do compositor.

A Orquestra Gulbenkian ofereceu-nos um bom espectáculo. O tenor letão Mihails Culpajevs cumpriu sem deslumbrar. A mezzo alemã Christa Mayer, que admirei há 2 meses no Festival de Bayreuth foi a melhor da noite, com interpretações muito boas, em particular na última canção (Der Abschied).




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 DAS LIED VON DER ERDE, Gulbenkian Foundation, October 2022.

Under the direction of conductor Hannu Lintu, my first show this season at the Calouste Gulbenkian Foundation was “Das Lied von der Erde / A Canção da Terra” by Gustav Mahler. The concert also included a work for piano and Orchestra by Thomas Adès.

As we were reminded in the text by the Gulbenkian Foundation, it is a cycle of melancholic orchestral songs, inspired by Chinese poems, about how we deal with nature and life. I've always had some ambivalent feelings about this work because, of the 6 songs that make it up, I'm not a big fan of the first ones but I consider the last one (Der Abschied / A Farewell) one of the most beautiful pieces of music by the composer.

The Gulbenkian Orchestra offered us a good show. Latvian tenor Mihails Culpajevs sung without dazzling. The German mezzo Christa Mayer, whom I admired 2 months ago at the Bayreuth Festival, was the best of the night, with very good performances, particularly in the last song (Der Abschied).

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domingo, 26 de setembro de 2021

SINFONIA Nº4 de MAHLER, Fundação Gulbenkian, Setembro de 2021

(comment in English below)

A Fundação Calouste Gulbenkian, a instituição nacional que mais respeito na divulgação cultural, retomou o seu programa de concertos. Contudo, muitos deles, como o presente, são em versão adaptada e reduzida.

Nesta 4ª Sinfonia de Mahler adaptada a “Orquestra” Gulbenkian, sob a direcção de Giancarlo Guerrero,  tinha em palco 13 elementos. Tocaram bem, mas “sabe a pouco”.


A solista, Valentina Farcas, cantou bem, mas não encantou.


E eu saí decepcionado do concerto.

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MAHLER SYMPHONY No. 4, Gulbenkian Foundation, September 2021

The Calouste Gulbenkian Foundation, the national institution I most respect in cultural dissemination, has resumed its concert program. However, many of them, like the present one, are in an adapted and reduced version.

In this 4th Mahler Symphony adapted to the Gulbenkian “Orchestra”, under the direction of Giancarlo Guerrero, only 13 elements were on stage. They played well, but we wanted more.

Soprano Valentina Farcas sang well but not enchanted.

And I left the concert disappointed.

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sábado, 1 de setembro de 2018

Sinfonia nº2 de Mahler, Fundação Calouste Gulbenkian, Março de 2018




(text in English below)

A Fundação Calouste Gulbenkian ofereceu-nos mais um espectáculo de grande qualidade, a Sinfonia nº 2 de Gustav Mahler.



A Orquestra Gulbenkian, com mais de 100 elementos em palco, não teve uma prestação imaculada mas foi dirigida por um maestro de excepção, David Afkham. A qualidade da sua direcção é marcada e é um gosto vê-lo em palco.





A obra de Mahler é de grande impacto, foi bem interpretada e o quarto andamento foi marcante. A contralto Elisabeth Kulman teve uma interpretação excepcional e a soprano Christina Landshamer cumpriu a pequena intervenção que lhe é destinada.
O Coro Gulbenkian foi excelente, sempre em uníssono e em afinação total, e proporcionou-nos momentos de invulgar beleza.






Foi um dos melhores concertos a que assisti na Gulbenkian esta temporada.

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Symphony No 2, Mahler, Fundação Calouste Gulbenkian, March 2018

Fundação Calouste Gulbenkian offered us another great quality concert, Symphony No. 2 by Gustav Mahler.

The Gulbenkian Orchestra, with more than 100 elements on stage, did not have an immaculate performance but was directed by an exceptional conductor, David Afkham. The quality of his direction is marked and it is a pleasure to see him on stage.

Mahler's work is of great impact, it was well interpreted and the fourth part of the concert was remarkable. Contralto Elisabeth Kulman had an exceptional interpretation and soprano Christina Landshamer was ok in the small intervention that is destined to her.

The Gulbenkian Choir was remarkable, always in unison and in total tuning, gave us moments of unusual beauty.

It was one of the best concerts I've seen at Fundação Gulbenkian this season.

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

MAHLER- 4ª Sinfonia "La Vita Celeste" – Teatro alla Scala, Milão, Maio de 2011

(text in English below)

A minha curta permanência em Milão foi cheia de surpresas musicais. Contava ver duas óperas, o que aconteceu, mas tive mais dois espectáculos inesperados. Um deles foi o que aqui dou nota.


 No Ridotto dei Palchi “Arturo Toscanini”, o Foyer do Scala, pude assistir à 4ª Sinfonia em sol maior La Vitta Celeste de Gustav Mahler, para soprano e orquestra de câmara, interpretada pelo “Ensemble da Camera dell’Accademia del Teatro alla Scala” e pelo soprano Susanne Braunsteffer.


 Por 5 Euros foi fácil adquirir um bilhete, no próprio dia em que, num ambiente mais intimista, nos foi proporcionada a audição desta bela peça, em que o público estava sentado a escassos metros da orquestra, toda constituída por jovens instrumentistas, sob a direcção de Renato Rivolta.


No último andamento coube ao jovem soprano alemão Susanne Braunsteffer interpretar a parte cantada. Fiquei muito bem impressionado com a qualidade da sua voz, fresca, límpida e muito expressiva, revelando uma boa técnica, com projecção sonora quando necessário e sempre sem esforço aparente. Recordo, contudo, a pequena dimensão da sala.



 No final os músicos dispuseram-se a falar com o público de forma informal, o que não deixou de ser outra situação muito agradável.


Um presente inesperado do Scala.

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MAHLER - 4th Symphony La Vita Celeste - Teatro alla Scala, Milan, May 2011

My short stay in Milan was full of musical surprises. I was planning to see two operas, what I did, but I had  two more unexpected musical experiences. One was what I note here.

In Ridotto dei Palchi "Arturo Toscanini", the Foyer of the Scala, I listened to the 4th Symphony in G major "La Vitta Celeste" by Gustav Mahler, for soprano and chamber orchestra, performed by "Ensemble dell'Accademia del Teatro alla
Scala "and the soprano Susanne Braunsteffer.

For 5 Euros it was easy to get a ticket on the day. In a more intimate environment, we could hear this beautiful piece, in which the audience sat a few meters from the orchestra, composed of young instrumentalists under the direction Renato Rivolta.

The final part was also sang by young German soprano Susanne Braunsteffer. I was very impressed with the quality of her voice. It was fresh, bright and very expressive. The singer showed a good technique, sound projection when necessary and always without apparent effort.

In the end the musicians were willing to talk to the public in an informal manner, which was another pleasant situation.

An unexpected gift from la Scala.
 
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segunda-feira, 6 de junho de 2011

2ª Sinfonia ("Ressurreição") de Gustav Mahler - Coliseu de Lisboa - 6 Junho 2011



Como seria de esperar, a Temporada 2010 – 2011 da Fundação Calouste Gulbenkian, 19 dias depois de se assinalarem 100 anos passados da morte de Gustav Mahler, tinha de encerrar com uma obra deste compositor, fazendo-lhe merecida homenagem.

E foi assim que hoje, Michael Tilson Thomas (o "Júlio Isidro" americano) e a sua Orquestra Sinfónica de São Francisco, pela primeira vez em Portugal, acompanhados pela soprano Laura Claycomb e Katarina Karnéus e pelo Coro Gulbenkian, encheram o palco do Coliseu de Lisboa para interpretar, no meu ponto de vista, a mais espectacular das sinfonias de Mahler: a 2ª Sinfonia – Ressurreição.



A interpretação foi de muito boa qualidade de uma forma geral. A orquestra é capaz de fabricar um som Mahleriano de grande profundidade e dinâmica e a direcção de Tilson Thomas vive do detalhe. As vozes femininas estiveram bem mas não me impressionaram particularmente. O Coro esteve igualmente bem, embora por vezes, e nas vozes masculinas, não tenha mantido a dinâmica de naipe e tenha sido ligeiramente assimétrico na projecção.


Para mim não houve outro Maestro que tenha compreendido e vivido tão bem Mahler, deixando-nos magníficas interpretações, como Leonard Bernstein. A única maneira de alguém o suplantar é imitando-o. Talvez quem mais se aproxime seja Simon Rattle...

Assim, e compreendendo que as gravações não são o mesmo que as récitas ao vivo, este concerto deixou-me algo aquém do som e do sentimento que procurava. Penso que, responsável por tudo isto, foi também o facto de o concerto ter sido realizado no Coliseu. Cadeiras a ranger como nunca tinha ouvido, acompanhados da já habitual tosse, agitação entre andamentos e um ou outro chocalho de colares e pulseiras, um ou outro toque dissimulado de telemóvel, fruto da já por mim referida pacovice intelectual portuguesa, escreveram linhas inexistentes na partitura assinada por Mahler. Num dos momentos mais solenes da obra, no último andamento quando o coro entra e canta “Auferstenh, já auferstehn wirst du, Mein Staub, nach kurzer Ruh!” a plateia cumpriu de certo modo ao mover-se nas cadeiras e a ranger as mesmas. Foi impossível fechar os olhos e interiorizar a música e a mensagem. Espero que o preço do meu bilhete sirva para comprar um bocadinho de óleo para as mesmas...

Não querendo fazer analogias políticas, espero que o facto de este concerto ter sido interpretado hoje, um dia após as eleições, seja um bom prenúncio para um Portugal que se espera ressuscitado. Que nos consigamos voltar a erguer as cinzas e que o futuro nos traga algo melhor...

domingo, 17 de abril de 2011

THOMAS HAMPSON - MAHLER - Fundação Calouste Gulbenkian - 16 e 17 Abril 2011



(review in english below)

O barítono Thomas Hampson, um dos melhores interpretes mahlerianos de sempre, presenteou-nos, no sábado, com algumas das canções do ciclo Des Knaben Wunderhorn. É visível que Hampson já interpretou estas canções milhares de vezes. A sua postura em palco e as suas expressões faciais transparecem um profundo conhecimento da obra. Mahler é já uma parte de Hampson. Quase com 56 anos, o timbre permanece bonito, a voz sai sem esforço, com dinâmica perfeita, aliado a um charme galã que lhe é bem conhecido. Para mim, a mais emblemática das canções deste ciclo é o “Wo die schönen Trompeten blasen” e foi com grande pena que, depois de uma interpretação brilhante, o público da Gulbenkian abalou por completo o silêncio celestial com um bafo de tosse e limpar de gargantas... Embora compreenda que não teria tido muito nexo por pertencer a outro ciclo, gostaria de ter ouvido, como extra, o “Ich bin der Welt” dos Rückert Lied e não outra canção do ciclo presenteado.

Mas se a qualidade da primeira parte foi um risco de causar um enfarte agudo do miocárdio, a segunda, com a 1ª Sinfonia de Mahler, a Titã, foi de arrasar por completo a sala. O som mahleriano produzido esteve digno do que de melhor se tem assistido na Gulbenkian. A direcção de Philippe Jordan foi de uma plasticidade emotiva no gesto, digna do mais virtuoso bailarino. O corpo seguindo a linha melódica, vibrava ao mesmo tempo que pedia da Orquestra uma resposta que foi, nos seus jovens elementos, dada com a expressividade e alegria de quem ama Mahler.



No domingo, o adagio da 10ª sinfonia, a inacabada, foi interpretado com a mesma qualidade orquestral e de direcção. Não posso dizer que considere este andamento ao nível de muitos outros que Mahler escreveu sem a presença da voz (como por exemplo o final da 3ª, da 5ª e da 9ª) mas talvez ainda não o tenha ouvido vezes suficientes para que reconheça o seu valor.

Este fim-de-semana Mahleriano terminou com Das Lied von der Erde, onde o tenor Burkhard Fritz se juntou a Thomas Hampson. Fritz esteve bem, embora abafado pela orquestra durante várias passagens do primeiro andamento. Hampson brilhou novamente com qualidade interpretativa superlativa, principalmente em Der Abschied.



Na passagem dos 100 anos sobre a sua morte, mais uma vez, na Fundação Calouste Gulbenkian, a sua memória foi elevada com um fim-de-semana de qualidade invejável.

Pedido desculpa aos intérpretes, dirijo agora algumas palavras aos expectadores da Gulbenkian: evitem as tosses e catarros desnecessários entre andamentos e, principalmente, durante as interpretaçóes; acabem com os comentários sussurados entre andamentos e, principalmente, durante as interpretações; senhoras: não levem brincos que chocalham nem pulseiras que tilintam; senhores: não passem com frequência as mãos sobre as calças de bombazine, de ganga ou outro tecido, ou sobre as gabardines e casacos; pousem o programa no chão durante o espectáculo e não façam um ruído de virar de página principalmente porque, com a luminosidade da sala, não se consegue ler nada; em resumo: procurem passar ao lado do “Síndroma da Pacovice Intelectual” e elevem-se, respeitando cantores e expectadores que vão ao concerto para ver a verdadeira estrela da sala: a Música.

Quem quiser explorar mais um pouco Thomas Hampson cantando Mahler, recomendo a clássica gravação com Bernstein e o seu recente CD, ambos com ciclos de canções do compositor.







THOMAS HAMPSON - MAHLER - Calouste Gulbenkian Foundation - April 16 & 17, 2011



The baritone Thomas Hampson, one of the best interpreters of Mahler of all times, presented us on Saturday, with some of the songs from Des Knaben Wunderhorn cycle. It is apparent that Hampson has sang these songs a thousand times. His posture on stage and his facial expressions are apparent in-depth knowledge of the work. Mahler is already a part of Hampson. Almost 56 years-old, the tone remains beautiful, the voice comes out effortlessly with perfect dynamics, coupled with his unique charm. For me, the most iconic song of this cycle is "Wo die schönen Trompeten blasen" and it was with great sadness that, after a brilliant interpretation, the audience broke the ending silence with a heavenly breath of coughing and clearing of throats ... I would have liked to hear, as an extra, "Ich bin der Welt" instead of another song of the Des Knaben Wunderhorn cycle but I understand that it would not have been suitable, because it belongs to another song cycle.

If the quality of the first part was a risk of causing an acute myocardial infarction, the second with the 1st Symphony by Mahler, the Titan, was to blaze the way through the room. The mahlerian sound produced was worthy of the best that there has been at the Gulbenkian. The direction of Philippe Jordan was of such an emotional plasticity in the gesture, that it would have been worthy of the most virtuoso dancer. The body, following the melodic line, vibrated at the same time calling for a response from the Orchestra which was in its youth elements, given with the expressiveness and joy of one who loves Mahler.



On Sunday, the Adagio of the 10th symphony, the unfinished, was interpreted with the samequality. I can not say I consider this adagio to be of the same level of many others that Mahler wrote without the presence of the voice (eg: the end of the 3rd, the 5th and the 9th symphonies) but maybe I have not heard it often enough to recognize its value.

This Mahler weekend ended with Das Lied von der Erde, where the tenor Burkhard Fritz joined Thomas Hampson. Fritz was good, though muted by the orchestra for several passages during the first movement. Hampson shone again with an interpretation of superlative quality, especially in Der Abschied.



On the celebration of 100 years since his death, once again, at the Calouste Gulbenkian Foundation, Mahler’s memory was elevated with a weekend of enviable quality.

Those wishing to explore Thomas Hampson singing Mahler, I recommend the classic recording with Bernstein and his recent CD, both with the composer's song cycles.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Mahler – Sinfonia Nº 9, Gustavo Dudamel e Orquestra Filarmónica de Los Angeles, Fundação Gulbenkian, Janeiro de 2011


Mais uma vez, um concerto de excepção foi-nos proporcionado pela Fundação Gulbenkian.

Não pensava comentá-lo, dado que habitualmente só o faço sobre espectáculos em que o canto é parte integrante, mas a minha indignação sobre o que se passou no final, levou-me a escrever esta nota.

A expectativa era grande, tal como a fama dos protagonistas. O preço pago por cada bilhete (65 €) não é habitual na Gulbenkian, mas também aqui os tempos são outros. Juntou-se uma tríade que nos proporcionou um espectáculo de invulgar qualidade: Mahler, Dudamel e Orquestra Filarmónica de Los Angeles.

A música de Mahler é única. Para admiradores incondicionais, entre os quais me incluo, chega a tocar o divino, como é o caso, na 9ª Sinfonia, do quarto andamento.


Foi a primeira vez que vi Dudamel ao vivo. Estava mesmo muito próximo e reconheço que dirige a orquestra de forma diferente e única, que entusiasma qualquer um. A sua fotografia divulgada no site da Gulbenkian, que aqui reproduzo, retrata-o fielmente. É de tal modo explícito que tudo o que vai acontecer, em termos orquestrais, se anuncia e percebe claramente.


A obra foi tocada em crescendo, cada andamento mais marcante que o anterior. O quarto é, para mim, um dos mais belos trechos musicais escritos pela mão humana. A interpretação foi sublime, o silêncio final arrebatador.

Lamentavelmente, não posso deixar de mencionar o comportamento de alguns elementos do público que, na parte mais emotiva da obra, no final do quarto andamento, não hesitaram em tossir repetidamente, quebrando a solenidade do momento! Quem está doente ou quem tem tosses histéricas incontroláveis não deveria ir a estes espectáculos. Há sempre a alternativa das transmissões televisivas ou dos CDs e DVDs que poderão ser vistos em casa. Aí podem tossir alarvemente, sem prejudicar os outros, incluindo os músicos. Neste concerto, talvez Deus lhes perdoe o mal que fizeram, eu não consigo!

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domingo, 21 de novembro de 2010

Strauss, Mozart & Mahler - Fundação Calouste Gulbenkian - 18 Novembro 2010

(review in english below)

Estive na 5ª feira passada neste concerto da Gulbenkian e vou ser muito breve na minha crítica a qual poderão ver também no post que fiz no blog Ópera Lisboa de Plácido Zacarias, em resposta à crítica deste blogger embora referente ao concerto de 6ª feira.


Confesso que ia com grande expectativa porque Mahler é uma das minhas paixões.

O maestro Jean-Claude Casadesus não nos deu um Mahler vibrante e memorável. O último andamento revelou uma Olga Pasichnyk (desconhecida para mim...) com timbre bonito mas incapaz de, na maioria do tempo, se sobrepor à intensidade orquestral.
Para quem ouviu Simone Young dirigir a 5ª de Mahler na temporada passada, esta 4ª na mão da mesma teria sido provavelmente excelente.
A ausência de utilização de tempo rubato na abertura de o Morcego trouxe uma métrica aritmética algo incomodativa. Não gostei.
O concerto para piano e orquestra nº 24 de Mozart não é, por certo, o meu favorito. Acho que o brilhantismo desde David Kadouch, a um mês de fazer apenas 25 anos, não sobressaiu durante o concerto por uma direcção de orquestra pouco dinâmica, empastelada. Não escutei o espírito Mozartiano na sua essência e a sempre praticamente perfeita Orquestra Gulbenkian também não esteve ao seu nível por esta razão. Daí possa dizer que o melhor do concerto tenha sido realmente o extra de Kadouch com Chopin. Magnífica interpretação. Gelou todos no auditório (e especialmente durante a execução da mesma... sem os barulhos adventícios habituais...).

Aproveito para lamentar o cancelamento de Thomas Quasthoff da próxima 2ª feira na Gulbenkian. Embora tivesse na minha ideia que iria cantar o ciclo “A Bela Moleira” o que é certo é que seria “A viagem de Inverno”. Christine Schäfer substitui o barítono alemão. Embora tenha tido uma experiência agradável com Schäfer no Tamerlano de Londres deste ano, não acredito que acabe por ser um concerto muito interessante. Isto porque o meu gosto pessoal leva a preferir, como interpretes para estes ciclos de canções de Schubert, barítonos e não sopranos.


Strauss, Mozart & Mahler - Calouste Gulbenkian Foundation - 18th November 2010


Last Thursday evening I went to Fundação Calouste Gulbenkian and I shall be very brief in my review. My opinion can also be seen at the blog Ópera Lisboa by Plácido Zacarias, in response to his review of the same concert but performed on Friday.


I confess I went with great anticipation because Mahler is one of my passions.

The conductor Jean-Claude Casadesus did not give us a vibrant and memorable Mahler. The last movement revealed a Olga Pasichnyk (unknown to me ...) with beautiful tone but unable to, most of the time, take precedence over orchestral intensity.For those who heard Simone Young directing the 5th of Mahler last season, this 4 th in the same hand would probably have been excellent.
The lack of use of rubato in the Ouverture of Die Fledermaus brought a too much metric pace somewhat annoying. I did not like it.
Mozart’s piano concerto nº 24 is far from being my favourite one. I think the brilliance of David Kadouch, a month away from completing 25 years of age, was not so evident due to a sluggish conducting. The Mozart essence and spirit were missing and the almost always perfect Gulbenkian Orchestra failed to perfection also by the conducting problem. It can be said that the best of the concert was really the extra by Kadouch (a Chopin’s Nocturne). Beautiful interpretation. It froze everyone in the audience (it really stopped the usual adventitious noises ...).


I would like to take this opportunity to inform and to sorrow the cancellation of Thomas Quasthoff's concert on next Monday at the Gulbenkian. I had the idea that he would be singing “Die schöne Müllerin”, but instead it was “Winterrreise”. Christine Schäfer replaces the German baritone. Although I have had a pleasant experience with Schäfer in Tamerlano this year, I do not believe it will eventually be a very interesting concert, mainly because my personal taste leds me to prefer baritones and not sopranos for these song cycles.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Wagner, Berg, Mahler & Schubert – Fundação Calouste Gulbenkian – 4 de Novembro 2010

O maestro Lawrence Foster abriu o concerto de hoje, no palco da Gulbenkian, com um muito íntimo Idílio de Siegfried de Richard Wagner. Imagino realmente o que Cosima terá sentido ao acordar com este trecho musical de beleza e serenidade tão profundas. Com um final tão relaxante pergunto-me: “Porquê a ânsia do aplauso?!” Deixem que a música viva e assente no vosso espírito, escutem o silêncio pós obra, espectadores da Gulbenkian!



Perdoem-me aqueles que adoram música do século XX mas, para mim, dodecafonismo, atonalismo e outros ismos do género não encontram formatação (pelo menos ainda) no meu cérebro e no meu coração. Foi-me algo penoso escutar o Concerto de Câmara de Alban Berg...

A segunda parte iniciou-se com os Funf frühe Lieder de Mahler com a orquestração de Luciano Berio. O solista foi o barítono Detlef Roth. Dotado de clássica voz de barítono, timbre bonito, voz expressiva, fez-me lamentar não ter apostado em ir a Genebra, em Março deste ano, e ouvir o Parsifal em cena. Fez de Amfortas e presentemente é o Amfortas na produção de Bayreuth. Esperemos pela transmissão da Antena 2 para avaliar a sua capacidade interpretativa neste papel wagneriano.



A acabar, Foster ofereceu-nos uma obra que frequentemente tem trazido ao palco da Gulbenkian: a 8ª sinfonia de Schubert. E compreende-se a razão. Apesar de incompleta, encerra talvez os andamentos mais líricos das 9 sinfonias do compositor. A Orquestra da Gulbenkian ao seu mais alto nível encerrou um concerto mais do que agradável.



Gravações recomendadas para o Idílio de Siegfried e para a 8ª Sinfonia:







Wagner, Berg, Mahler & Schubert - Calouste Gulbenkian Foundation - November 4, 2010

The conductor Lawrence Foster opened the concert today with a very intimate Siegfried Idyll by Richard Wagner. I can only imagine what Cosima felt when she woke listening to this piece of music so full of profound beauty and serenity. With a final so relaxing I wonder: "Why the eagerness of applause?" Let the music live and settled in your spirit, listen to the silence at the end, my Gulbenkian listeners!



Forgive me for those who love music of the twentieth century, but to me, dodecaphonism, atonalism and other “isms” of the kind are not formatted (at least yet) in my brain and my heart. It was somewhat painful to listen to the Chamber Concerto by Alban Berg ...

The second half began with the Funf frühe Lieder of Mahler's with orchestration by Luciano Berio. The soloist was the baritone Detlef Roth. Featuring a classic baritone voice, beautiful tone, expressive voice, he made me regret my absence at the Geneva Parsifal early this March. He played Amfortas and he is currently the Amfortas of the Bayreuth production also.



At the end, Foster gave us a work he has often brought to this stage: the 8th Symphony of Schubert. And we understand why. Although incomplete, it contains perhaps the most lyrical movements of the nine symphonies of the composer. The Gulbenkian Orchestra was at its highest level concluding a more than pleasant concert.



Recommended for recordings of Siegfried Idyll and the 8th Symphony: