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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

ARIODANTE, Teatro Nacional de São Carlos, Novembro 2021


(review in English below)

O Teatro Nacional de São Carlos apresentou a ópera Ariodante, de GF Händel, em versão semi-encenada de Mario Pontiggia. Tocou a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direcção musical de Antonio Floro

Foi um espectáculo desinteressante para o qual contribuíram várias situações:

A Orquestra foi colocada em cima do palco e não no fosso, e à boca de cena. Perturbou a observação da acção da ópera (mesmo com pouco para ver) e prejudicou muito a audição dos cantores, nomeadamente dos com vozes pequenas, qua mal se ouviam. Também a orquestra não é uma orquestra barroca, a sonoridade não impressionou, e teve várias falhas ao longo da récita.

A encenação (ou semi-encenação) foi desinteressante, quase inexistente. Havia umas estruturas sólidas estáticas no palco e tudo se passou à sua frente e entre elas. 6 figurantes com máscaras faciais e vestidos de preto procuravam dar algum enquadramento cénico, mas não resultou.


Verdadeiramente inacreditável e intolerável foi o comportamento das “assistentes de sala” (arrumadoras). Em pleno espectáculo duas foram verificar o bilhete de uma espectadora estrangeira, obrigando-a a levantar-se e sentar-se várias filas mais atrás, perturbando de forma ignóbil todos os outros espectadores e o próprio espectáculo, pois tudo isto foi feito durante a aria do contratenor. Para além disto, ainda passavam regularmente uma visita inquisitória periódica ao longo dos corredores laterias da plateia, sempre perturbando a atenção, dado que as luzes da sala não estavam totalmente apagadas. Uma Vergonha!!

Finalmente os cantores, também muito diferentes nas suas prestações. As senhoras foram, de longe, as melhores. A mezzo Cecilia Molinari como Ariodante e a soprano Ana Quintans como Ginevra foram as melhores e tiveram interpretações muito boas, destacando a aria Scherza infida do Ariodante que antecedeu o intervalo. Também bem estiveram Eduarda Melo como Dalinda, com alguma tendência para a estridência e o contratenor Yuriy Minenko como Polinesso. Os restantes solistas foram para esquecer, Sreten Manojlovic como Rei da Escócia tem uma voz pequena que quase não se ouviu, Marco Alves dos Santos como Lurcanio, gritou mais do que cantou (apesar de ter sido muito aplaudido) e João Rodrigues como Odoardo também mal se ouviu. 



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ARIODANTE, Teatro Nacional de São Carlos, November 2021

Teatro Nacional de São Carlos presented the opera Ariodante, by GF Handel, in a semi-staged version by Mario Pontiggia. The Portuguese Symphonic Orchestra played under the musical direction of Antonio Floro.

It was an uninteresting performance to which several situations contributed:

The Orchestra was placed on top of the stage and not under, and in front of the stage. It disturbed the vision of the opera's action (even with little to see) and caused a lot of damage to the singers' hearing, particularly those with small voices, who could barely been heard. The orchestra is not a baroque orchestra either, the sound was unimpressive, and had several flaws throughout the performance.

The staging was uninteresting, almost non-existent. There were solid static structures on the stage and everything happened in front of and between them. 6 extras with face masks and dressed in black tried to provide some scenic framing, but it didn't work.

Truly unbelievable and intolerable was the behavior of the “room assistants”. In the middle of the performance, two went to check the ticket of a foreign spectator, forcing her to get up and sit several rows further back, ignobly disturbing all the other spectators and the show itself, as all this was done during the aria of the countertenor. In addition to this, a regular inquisitive visit was regularly passed along the side aisles of the audience, always disturbing the attention, as the lights in the room were not completely off. A shame!!

Finally the singers, also very different in their performances. The ladies were by far the best. Mezzo Cecilia Molinari as Ariodante and soprano Ana Quintans as Ginevra were the best and had very good interpretations, highlighting Ariodante's aria Scherza infida that preceded the break. Eduarda Melo did well as Dalinda, with some tendency to stridency, as well as countertenor Yuriy Minenko as Polinesso. The other soloists were bad, Sreten Manojlovic as King of Scotland has a small voice that was barely heard, Marco Alves dos Santos as Lurcanio, shouted more than he sang (despite being much applauded) and João Rodrigues as Odoardo also barely if heard.

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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

ORFEO ED EURIDICE, Teatro de São Carlos, Novembro / November 2019



(review in English below)

No centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen decorreu no Teatro de São Carlos uma homenagem em que foi cantada em versão concerto a ópera de Christoph Willibald Gluck, Orfeo ed Euridice.



Antes do início do concerto intervieram a sua filha, Maria Andresen Sousa Tavares que evocou a memória e obra, justificando a escolha desta ópera pela mãe, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que após um belo discurso atribuiu o Grande-Colar da Ordem de Sant'Iago da Espada.



O concerto foi digno. A maestrina Jane Glover dirigiu a Orquestra Sinfónica Portuguesa que teve mais um bom desempenho e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos que também esteve bem.

Como solistas a mezzo croata Renata Pokupic cantou um Orfeu com voz afinada, e pouco audível, sem deslumbrar. Prefiro ver este papel cantado por homens, mas os contra-tenores capazes não abundam. A Euridice foi interpretada ao mais alto nível pela soprano Eduarda Melo e a soprano Sandra Medeiros também teve uma interpretação de qualidade como Amore, embora estridente. Como aspectos negativos refiro ter sido em versão concerto, não ter havido legendas e, menos relevante, os fatos e vestidos com que as solistas se apresentaram. Mais feios era difícil.






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ORFEO ED EURIDICE, Teatro de São Carlos, November 2019

In the centenary of the birth of Sophia de Mello Breyner Andresen, a tribute was performed at the Teatro de São Carlos in which Christoph Willibald Gluck's opera Orfeu ed Euridice was sung in concert version.

Before the beginning of the concert her daughter Maria Andresen Sousa Tavares evoked the memory and the work, justifying the choice of this opera by her mother. The President of the Portuguese Republic, Marcelo Rebelo de Sousa, after a beautiful speech, awarded Sophia the Grande Colar da Ordem de Sant'Iago da Espada.

The concert was ok. Conductor Jane Glover directed the Portuguese Symphony Orchestra, which performed well, and the São Carlos Theater Choir, which also performed well.

As soloists Croatian mezzo Renata Pokupic sang an Orpheus with a tuned, badly audible voice without dazzling. I prefer to see this role sung by a man, but capable counter-tenors do not abound. Euridice was performed at the highest level by soprano Eduarda Melo and soprano Sandra Medeiros also had a shrill interpretation as Amore. As negative aspects I refer the concert version, there were no subtitles and, less relevant, the very ugly dresses of the soloists.

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quarta-feira, 10 de abril de 2019

L’ÉTOILE, Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa / Lisbon, Abril 2019



(text in English below)

A opereta L’Étoile de Emmanuel Chabrier estreou em Portugal numa nova produção do Teatro Nacional de São Carlos em Abril de 2019.
A encenação de James Bonas (Desenho de Luz muito eficaz de Rui Monteiro, Cenografia e Figurinos de Thibault Vancraenenbroeck) é simples mas não pindérica, engraçada, muito extravagante no guarda-roupa e caracterização das personagens. O libreto de Eugène Leterrier e Albert Vanloo é ridículo mas cumpre a opereta buffa.


A direcção musical da Orquestra e do Coro foi do maestro João Paulo Santos




Os solistas principais, todos portugueses, estiveram globalmente bem: O tenor Mário João Alves foi o Rei Ouf, a soprano Eduarda Melo foi a princesa Laoula, a soprano Dora Rodrigues foi o vendedor ambulante Lazuli, o barítono Luís Rodrigues foi Siroco o astrólogo do rei, o tenor Carlos Guilherme o embaixador Hérisson de Porc-Épic, a mezzo Maria Luísa de Freitas a sua mulher Aloès, e o tenor João Pedro Cabral o secretário Tapioca.




Foi um espectáculo agradável onde se salientaram nas melhores interpretações Luís Rodrigues, Maria Luísa de Freitas e João Pedro Cabral.





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L'ÉTOILE, Teatro Nacional de São Carlos, Lisbon, April 2019

The operetta L'Étoile by Emmanuel Chabrier debuted in Portugal in a new production of the Teatro Nacional de São Carlos in April 2019.
The staging by James Bonas (Rui Monteiro's very effective lights, Scenography and Costume Design by Thibault Vancraenenbroeck) is simple, funny, very extravagant in costumes and character characterization. The libretto by Eugène Leterrier and Albert Vanloo is ridiculous but complies with the operetta buffa.

The musical direction of orchestra and choir was by maestro João Paulo Santos.


The main soloists, all Portuguese, have been globally well: Tenor Mário João Alves was King Ouf, Soprano Eduarda Melo was princess Laoula, Soprano Dora Rodrigues was the peddler Lazuli, Baritone Luís Rodrigues was Siroco the king's astrologer, Tenor Carlos Guilherme the ambassador Hérisson de Porc-Épic, Mezzo Maria Luísa de Freitas his wife Aloès, and Tenor João Pedro Cabral the secretary Tapioca.

It was a pleasant show where Luís Rodrigues, Maria Luísa de Freitas and João Pedro Cabral stood out in the best performances.

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DIALOGUES DES CARMÉLITES. Teatro Nacional de S. Carlos (Lisboa), Fevereiro de 2016




O blogue "Fanáticos da Ópera" agradece mais esta excelente contribuição de José António Miranda:

DIALOGUES DES CARMÉLITES    (Francis Poulenc)
Ópera em três Actos   (1957)
Libreto de Emmet Lavery, baseado num argumento cinematográfico de Georges Bernanos para o filme Le dialogue des Carmélites, de Raymond-Léopold Bruckberger e Philippe Agostini, argumento inspirado no romance Die letzte am Schafott, de Gertrud von Le Fort, por seu turno baseado nos escritos de uma funcionária religiosa católica de Compiègne.

Direcção musical: João Paulo Santos
Encenação: Luis Miguel Cintra
Cenografia: Cristina Reis
Roupas: Cristina Reis
Luzes: Luis Miguel Cintra, Cristina Reis,  Rui Seabra, Paulo Godinho

Marquês de la Force: Luís Rodrigues
Blanche de la Force: Dora Rodrigues
Cavaleiro de la Force: Mário João Alves
Madame de Croissy, Primeira Madre Superiora: Ana Ester Neves
Madame Lidoine, Segunda Madre Superiora: Ana Paula Russo
Madre Marie de l’ Incarnation: Maria Luísa de Freitas
Irmã Constance de St. Denis: Eduarda Melo
Padre Capelão: Carlos Guilherme
Irmã Mathilde: Teresa da Neta
Madre Jeanne de l’Enfance du Christ: Carolina Figueiredo
1º Comissário: João Terleira
Monsieur Javelinot / 2º Comissário / 1º Oficial: Ricardo Panela
Thierry / Carcereiro: Christian Luján
Madre Gerald: Helena Vieira
Irmã Antoine: Helena Afonso
Irmã Catherine: Mariana Castello Branco
Irmã Félicie: Ariana Russo
Irmã Gertrude: Sara Afonso
Irmã Alice: Rita Marques
Irmã Valentine: Rita Crespo
Irmã Anne de la Croix: Inês Madeira
Irmã Marthe: Catarina Rodrigues
Irmã Claire: Nélia Gonçalves
Irmã Saint-Charles: Rita Tavares
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos    Dir: Giovanni Andreoli
Produção: TNSC (2016)
Co-produção: Teatro da Cornucópia

Com recurso a um vasto elenco de cantores nacionais, que reúne um notável conjunto de vozes de jovens intérpretes e algumas figuras emblemáticas do São Carlos da década de 80 do século passado, conseguiu o nosso primeiro teatro lírico apresentar um espectáculo de grande beleza plástica, e de qualidade acima do habitual no seu palco nos últimos tempos.

Para tal sucesso bastou-lhe associar-se nesta produção à equipa do Teatro da Cornucópia, e entregar a direcção musical do conjunto ao maestro da casa, João Paulo Santos. O resultado surpreendeu pela positiva.
Sob o ponto de vista dramatúrgico o encenador escolheu uma abordagem austera e rigorosa, que se traduz cenicamente no despojamento e simplicidade dos cenários.  Estes são constituídos por grandes painéis que se deslocam no espaço cénico, e de algum modo delimitam e enquadram o tempo da narrativa.

Pela sua extrema singeleza esta opção cenográfica faz concentrar a nossa atenção no conteúdo dramático da obra, conferindo-lhe desse modo uma universalidade que extravasa o concreto contexto a que se refere o libreto.

Para tal compreensão contribui também fortemente o cuidadoso trabalho de actores realizado com os cantores. Estes conseguem assim, na sua maioria, obter uma assinalável expressividade dramática.
Simultaneamente os movimentos adoptados em palco, os dos cantores isolados ou os de grupo, habilmente conjugados com as movimentações de cenários, pontuam a cronologia da narrativa cénica contribuindo de forma decisiva (nem é necessário abrir ou fechar a cortina do palco) para acentuar o seu trágico desenlace.

Complementando estes vectores da componente teatral da obra deve realçar-se o notável trabalho realizado com a luz, cuja qualidade supera largamente o habitual neste teatro, conseguindo por vezes quadros de extraordinária beleza e profunda expressão plástica.

Sob o ponto de vista musical, a primeira e imediata diferença verificou-se a nível da orquestra. É evidente que continua a ser claro que a orquestra do teatro não existe actualmente como tal, nem aliás seria possível esperar tal milagre no contexto da sua actividade recente.
Mas sob esta direcção (JP Santos) ela melhorou muito, e embora seja claro o seu funcionamento irregular, com altos e baixos ditados não se sabe bem por quê, a expressividade existe e passa para fora do fosso, graças a uma direcção musical inexcedível de rigor.

Um pouco do mesmo se passou com os cantores nos papéis principais, marcando claramente o resultado do trabalho colaborativo que se adivinha ter existido na fase de preparação do espectáculo: alguns altos e alguns baixos como é normal, e um extraordinário empenhamento e vontade expressivos por parte de todos.

Como pontos altos do trabalho lírico destacaram-se Dora Rodrigues e Maria Luísa de Freitas. No amplo conjunto de intérpretes importa porém salientar a prestação do barítono Ricardo Panela, estreante neste palco, que apesar de ter apenas a seu cargo pequenos papéis secundários foi de longe o melhor em cena.

Trata-se de um cantor com um timbre belíssimo e notáveis qualidades técnicas e expressivas, no início de uma carreira que, se tudo se passar como é habitual no São Carlos, teremos provavelmente que seguir fora do país nos tempos mais próximos.

No final, meditando perante a beleza que nos é desvendada da partitura de Poulenc e a actualidade flagrante do libreto, neste momento em que terror, violência, martírios e mortes são parte substancial do contexto diário, perante a simbólica despojada da encenação, fica porém no ar o sabor amargo de não podermos ter sabido como seria o espectáculo se esse despojamento cenográfico tivesse sido mais trabalhado.

Como seria se, para além de não haver cruzes em cena, as freiras não usassem o hábito carmelita? Como seria se usassem burkas, por exemplo? Como seria se o capelão aparecesse vestido como um imã? Como seria se nenhum símbolo religioso específico fosse mostrado em cena? Como seria …? Como seria…?


JAM    06/02/2016

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

IL VIAGGIO A REIMS de Gioachino Rossini no Teatro Nacional de São Carlos, 05.02.2014

ACTUALIZAÇÃO - Comentário à récita de 7 de Fevereiro

ACTUALIZAÇÃO — Comentário à última récita (11 de Fevereiro)
(Review in English below)


A ópera (ou antes, o drama giocoso/cantata cénica) Il viaggio a Reims, ossia L’albergo del giglio d’oro (A viagem a Reims, ou O Hotel da flor-de-lis de ouro) foi composta por Gioachino Rossini (1792-1868) e estreada em 1825 a propósito das celebrações da coroação do rei francês Carlos X em Reims, França. Foi a última ópera escrita em italiano pelo compositor, tendo o libreto sido redigido pelo italiano Luigi Balocchi vagamente baseado em Corinne ou L’Italie de Madame de Stael.

Rossini julgava que esta ópera, por ser comemorativa de uma ocasião específica, não teria mais do que algumas representações. Isso não o impediu de escrever belas páginas de música belcantista, explorando a harmonia, e de proporcionar grandes momentos vocais a solo, com duetos, tercetos, sextetos e até a incluir, cantando ao mesmo tempo, todos os 14 solistas do elenco.


Mas, em boa verdade, a ópera teve apenas 3 récitas no Théatre des Italiens e caiu no total esquecimento em 1854. Rossini chegou até a usar metade da sua música na ópera Le Comte Ory. Em 1977, foi reencontrado o seu manuscrito em Roma, tendo a sua estreia moderna tido lugar no Festival de Pesaro em 1984 sob direcção do recentemente falecido maestro italiano Claudio Abbado: diga-se que com um elenco estratosférico!

Il viaggio a Reims apresenta-se, pela primeira vez, em Portugal e, por conseguinte, no Teatro Nacional de São Carlos. Foi, segundo o site Operabase.com, a 84.ª ópera mais representada no mundo na temporada 2012/13.


A história é, na sua aparência, simples, mas o número elevado de personagens pode complicar a sua leitura. Independentemente disso, proporciona-nos uma perspectiva histórica e política interessante e, por vezes, com uma boa dose de comédia. A acção decorre no albergue Al Giglio d’Oro de Plombières — o equivalente a um hotel-spa dos nossos dias. É aí que um grupo de viajantes de diversas nacionalidades espera a chegada do transporte que os levará a Reims, local onde decorrem as celebrações da coroação de Carlos X, rei de França.


A proprietária do estabelecimento, Madame Cortese, multiplica-se para satisfazer toda aquela gente, tratando-os com a máxima atenção. Entretanto, Don Luigino relata o triste acidente que destrói as roupas da sua prima, a frívola e louca por moda Condessa de Folleville. Destroçada, a dama coquete desmaia. O ignorante médico Don Prudenzio apressa-se a vaticinar que vai morrer, mas, ao fazê-lo, desperta a Condessa que se recusa ir a Reims, tal era a desonra de não se exibir com os últimos gritos da moda parisiense. Quando menos se espera, uma súbita alegria invade o seu fútil espírito: não é que se salvou ao menos um chapéu!...


Entretanto, enquanto o alemão Barão de Trombonok prepara a logística da viagem, chega o almirante espanhol Don Alvaro acompanhado pela viúva polaca Marquesa Melibea. O impetuoso general russo Liebenskof, cuja companhia era a dama polaca, sente-se traído e acusa-a de infidelidade. Começa um conflito entre os dois galifões. Já se perspectivava um duelo quando chega a mística poetisa romana Corinna que, acompanhada pela harpa, entoa uma canção sobre o amor fraterno que a todos deixa inebriados. Acalmam-se os ânimos...


Com tudo isto, o volúvel cavaleiro Belfiore, antes um apaixonado pela Condessa de Folleville, importuna a poetisa com propostas românticas que esta, pronta e indignadamente, recusa. Sabe-se, entretanto, que a viagem a Reims será impossível: não há cavalos disponíveis. Mas nisto, um carteiro traz a notícia de que se realizarão em Paris grandes e sumptuosas festas em honra do rei, o que ameniza a tristeza geral.


Aí, a Condessa de Folleville convida toda a gente a ir para Paris no dia seguinte. Ele própria os receberá (certamente com muito estilo...). Enquanto esperam pelo dia de amanhã, Madame Cortese vai oferecer um grande banquete no hotel-spa com o dinheiro que era destinado à viagem.


E tudo acaba bem e em alegria. O Conde de Liebenskof e a Marquesa Melibea reconciliam-se (numa alusão ao tratado de paz firmado entre a Rússia e a Polónia) e o Barão de Trombonok serve de anfitrião à festa, convidando os viajantes a cantarem os costumes dos seus países. Bem a propósito, todos terminam com vivas a França e ao seu rei Carlos X.


A encenação é a de espanhol Emilio Sagi, numa produção de 2004 do Teatro Real de Madrid em colaboração com o Rossini Opera Festival de Pesaro. Já foi múltiplas vezes apresentada em diversos palcos e tem tido um óptimo acolhimento.



É uma encenação muito simples que situa a acção num moderno hotel-spa de luxo. Para tal, eleva sobre o fosso uma plataforma que não é mais do que um terraço ao estilo deck de um cruzeiro. O vestuário é simples, privilegiando o estilo balnear onde predomina a cor branca. Esta alterna com o negro elegante para os momentos festivos.


Sagi aproveita o texto de modo sublime e cria vários números muito interessantes: Corrina canta no camarote real; Belfiore tenta engatar Corinna pelo telemóvel e acaba de roupa interior; há corações de papel a palpitar; um menino-rei que surge no fim para nos saudar e ser saudado e comer kit-kat. Muito giro! A encenação é extremamente eficaz, permite um bom desempenho aos cantores e que enaltece de sobremaneira a comicidade da ópera, recheando-a de bons momentos.


A Orquestra Sinfónica Portuguesa foi dirigida pela muito jovem maestrina de Taiwan Yi-Chen Lin. Já tinha dirigido esta ópera em Pesaro em 2011 com boa recepção pela crítica. E esteve muito bem: com um tempo certíssimo, gesto elegante, os crescendi sempre bem feitos, sempre a privilegiar os cantores e a fazer a orquestra soar rossiniana. Excelente nível!


A Madame Cortese (dona do hotel-spa onde decorre a festa) foi o soprano português Cristiana OliveiraTem uma voz bonita, boa técnica, muito boa presença em palco com muita comicidade misturada. Gostei bastante do seu “Di vaghi raggi adorno” e a sua interpretação foi em crescendo ao longo da récita.



A Condessa de Folleville (jovem viúva, fanática por roupas e chapéus) foi o soprano português Carla CaramujoO timbre é bonito, o legatto foi muito elegante, ultrapassou os muito difíceis obstáculos com maestria e revelou toda a futilidade da personagem com destreza. Óptima!


Corinna (poetisa romana) foi o soprano português Eduarda MeloA voz tem um timbre belíssimo, elegante e jovial, o legatto é óptimo, a projecção sem falhas, sempre bem audível em todos os registos. A sua presença em palco é assinalável e foi encantadora como deve ser a mística poetisa. A sua ária do amor fraterno “Arpa gentil, che fida”, o duo com o Cavaleiro Belfiero e a sua canção final tiveram uma qualidade acima da média. Uma poetisa perfeita e, para mim, a melhor da noite entre as senhoras! Brava!



A Marquesa Melibea (viúva polaca de um general italiano morto na sua noite de núpcias) foi o mezzo-soprano espanhol Marifé NogalesVoz bonita e potente e excelente presença em palco. Mais uma boa presença hoje no TNSC.



O Conde de Liebenskof (general russo impetuoso, apaixonado pela Marquesa Melibea) foi o tenor grego Vassilis KavayasTem um timbre agradável, agudos fácies, boa projecção e excelente figura. Em bom plano.



O Cavaleiro Belfiore (jovem oficial francês, pintor nas horas vagas, apaixonado pela Condessa de Folleville) foi tenor peruano Dempsey RiveraTem um timbre muito bonito e uma presença em palco de enorme comicidade. A voz soava com facilidade em toda a sala. O seu engate a Corinna foi extremamente bem conseguido. Uma muito agradável surpresa e uma das melhores vozes da noite.


Lord Sidney (coronel inglês, secretamente apaixonado por Corinna) foi o baixo-barítono espanhol Francisco TójarO timbre não é especialmente belo, mas a voz foi sempre bem projectada. Cenicamente transmitiu a imagem de um Lord contido na expressão dos afectos, tal como lhe é pedido. Em bom plano.


Don Alvaro (almirante espanhol, apaixonado pela Marquesa Malibea) foi o baixo português João MerinoO timbre da sua voz é muito bonito e adequado ao papel. A voz é potente e expressiva e os seus dotes como actor são de muita qualidade. Olé! Muito boa prestação.


O Barão de Trombonok (major alemão, amante da música) foi o barítono português Diogo OliveiraVoz bonita, quente e expressiva. Postura cénica adequadíssima. Foi um Trombonok muito cómico e hábil. Excelente nível.


Don Profundo (professor e amante de antiguidades, amigo de Corinna) foi o barítono português Luís RodriguesQue dizer de Luís Rodrigues? Já sabemos da qualidade da sua voz e dos seus recursos interpretativos. O seu “Io, don Profondo!... Medaglie incomparabile” foi a todos os títulos genial: a forma como fez os diferentes sotaques foi imbatível. E foi cómico até dizer chega. Não deve nada à gravação de R. Raimondi. É um Don Profondo perfeito e foi o mais destacado elemento masculino da noite! Bravo!


Don Prudenzio (médico do hotel-spa) foi o baixo português Nuno DiasVoz sempre com bom volume com um bonito e quente timbre de baixo. Cenicamente foi muito bom. Em bom nível.



Maddalena (governanta do hotel-spa) foi o mezzo-soprano português Ana FerroEntrou bem na ópera, a dar o mote de qualidade da récita. Boa interpretação vocal e cénica.



Modestina (a camareira da Condessa de Folleville) foi o mezzo-soprano português Carolina Figueiredo e Delia (jovem grega que acompanha a poetisa Corinna) foi o soprano português Bárbara BarradasAmbas com boa presença, voz doce e técnica segura. Estiveram bem nos seus pequenos papéis.



Don Luigino (primo da Condessa de Folleville) foi o tenor português João SebastiãoO timbre da sua voz é de particular beleza, tem boa figura e ofereceu uma boa prestação cénica.


Antonio (mordono do hotel-spa) foi o barítono português João Oliveira e Zeferini/Gelsomino (carteiro/funcionário do hotel) foram o tenor português Bruno AlmeidaEm bom plano nos seus papéis mais secundários.


Que bom início de ano no TNSC! Foi uma estreia com um elenco de qualidade acima da média com destaques para Eduarda Melo, Carla Caramujo e Luís Rodrigues. A prova cabal de que apostar no ouro da casa — seja em tempos de crise ou não! — é uma solução não só segura como a correcta. O contraste com a triologia de Verdi é tremendo. A ópera está viva no TNSC e o ar que se respira é fresco e luso! Parabéns a todos. Vale muito a pena ir ao São Carlos assim! Bravi!

Notas:
No programa Império dos Sentidos da Antena 2 de Terça-feira, o administrador da Opart — Adriano Jordão — anunciou que o TNSC pretende apresentar, até ao final do mês, a restante temporada lírica. Timidamente, ficou prometida, para já, a ópera espanhola El gato montés de Manuel Penella Moreno. Mas, nas suas palavras, “vamos ter calma

Para quem não puder assistir, deixo 2 recomendações. Uma discográfica, outra em DVD:
- CD: Il Viaggio a Reims, Filarmónica de Berlim, Claudio Abbado, Sony Classical, 1984


- DVD: Il Viaggio a Reims, Orquestra do Teatro Marinsky, Valery Gergiev, encenação de Alain Maratrat, BBC/Opus Arte, 2007



Récita de 7 de Fevereiro (Fanatico_Um)


Deixo aqui no texto do camo_opera uma breve nota sobre a récita a que assisti no dia 7. Também gostei bastante do espectáculo que, mais uma vez, mostra que com os músicos portugueses se conseguem fazer bons espectáculos de ópera, com produções aparentemente pouco dispendiosas, como deve ter sido esta, nomeadamente na encenação.

Foi uma récita homogénea e de bom nível. Apenas não gostei da voz de um dos tenores (por sinal estrangeiro) mas vou salientar o melhor. E, para mim, os melhores foram dois, Yi-Chen Lin e Luís Rodrigues.


Que prazer ver a excelente maestrina Yi-Chen Lin dirigir a orquestra e que bem saiu a música!


Verdadeiramente sensacional, mais uma vez, foi o barítono Luís Rodrigues. Foi um privilégio assistir à sua interpretação Tudo excelente, a presença cénica, a capacidade interpretativa, a comicidade e, claro, a voz! Está à altura de qualquer barítono que actue nos melhores teatros de ópera europeus. Fantástico!

Récita de 11 de Fevereiro (camo_opera)

Cada récita é diferente e ontem, naturalmente, não foi excepção. Posso afirmar que, perante um TNSC praticamente lotado (isto apesar de ser durante a semana e em dia de derbi futebolístico da capital), se assistiu a mais um espectáculo de qualidade e que, no cômputo geral, foi semelhante à que assisti na 4.ª feira passada (5 de Fevereiro).

Pontos menos positivos:
Francisco Tójar como Lord Sidney continuou a parecer-me o elemento em menor evidência do elenco apresentado. Já comentei que não me agrada muito o seu timbre e que tem potência. Mas ontem a sua interpretação foi irregular e em esforço e, apesar de ser sempre bem audível, não me cativou minimamente.

Pontos intermédios:
Dempsey Rivera como Belfiore teve uma prestação mais "flutuante" em termos qualitativos vocais. Realço a beleza do timbre e as suas excelentes capacidades cénicas. Devo referir que, tendo o tenor peruano apenas 23 anos, há imenso espaço para crescimento e que acredito que tem um óptimo potencial.

Carla Caramujo pareceu-me melhor na primeira récita, uma vez que o canto fluiu sem uma ou outra dificuldade que ontem apresentou com um ou outro agudo menos límpido. Ainda assim, teve uma boa performance.


Pontos mais positivos:



Eduarda Melo esteve, na interpretação de Corinna, uma vez mais em destaque. Desta vez pareceu-me melhor do que na récita inaugural. Mais confiante e solta. Destacaria a ária final "All'ombra amena del Giglio d'Or". A voz é, de facto, muito bonita e estamos perante um dos valores seguros do canto lírico nacional. Foi a estrela feminina desta produção e está a pedir mais papéis de relevo e voos maiores.

Cristiana Oliveira como Madame Cortese esteve na última récita ligeiramente melhor, uma vez que a interpretação não foi em crescendo. Entrou logo muito bem e bem audível, não denotando dificuldades na projecção do seu papel difícil, uma vez que "Di vaghi raggi adorno" é muito exigente para começar. 



Luís Rodrigues como Don Profondo. Uma vez mais esteve brilhante. Soou rossiniano, interpretou muito bem a personagem, sendo extremamente cómico (modulação da voz, expressão corporal, mímica facial, tudo!), a voz foi forte, segura e quente e o seu Io, don Profondo!... Medaglie incomparabile” é incomparabile. Merece mais palcos, porque é um grande barítono! Foi, destacadamente, o melhor elemento de todo o elenco desta produção. Bravo!

Yi-Chen Lin foi a maestrina que fez a Orquestra Sinfónica Portuguesa soar de uma maneira  magnífica. Grande mérito da maestrina de 28 anos (!) que, com uma interpretação seguríssima e notório conhecimento da partitura, explorou a música de Rossini habilmente e tirou partido máximo dos músicos da orquestra. De relevar o seu enorme cuidado em privilegiar os cantores.

Notas finais:
O TNSC anunciou ontem duas récitas de El gato montés de Manuel Penella Moreno já em Março. Não apontei as datas, porque pensei que já aparecessem no site, o que ainda não acontece. O elenco é fudamentalmente de origem espanhola, pareceu-me. Pena que sejam só duas récitas. Continuo a aguardar o anúncio da restante temporada lírica do São Carlos. 
De notar que, e não querendo, obviamente, menosprezar as óperas menos famosas — El gato montés, por exemplo, foi um enorme sucesso em 1917! — a opção por poucas récitas e a escolha de compositores/obras pouco mais do desconhecidas poderão dificultar a captação de público para o TNSC. Tal opção em períodos de vacas esfomeadas e muito abaixo do percentil (perdoe-se a expressão) não sei se será a melhor, pois penso que há que encher (um pouco) o olho até para tornar a parte económico-comercial viável. Veremos o que nos irá oferecer a Opart.

Mas não posso deixar de terminar sem agradecer o excelente desempenho dos nossos cantores no TNSC. E, claro, de dar destaque a Eduarda Melo, Luís Rodrigues e à OSP sob direcção de Lin. Provaram — uma vez mais! — que a sua exclusão ou secundarização (veja-se o exemplo recente que foi a Triologia de Verdi [lá estou eu a lembrar-me do Veramendi…]) é um erro de lesa ópera em Portugal! Esperemos que continuem a apostar em vós!

Nota minúscula:
A política de fotografias do TNSC está muito apertada. Ontem, por exemplo, já estava a sala quase vazia, e impediram uma pessoa de tirar uma fotografia ao camarote real… Se ainda posso tentar perceber que não o permitam — mesmo nos aplausos, como me aconteceu —, já à própria sala (edifício, portanto), e findo o espectáculo, o meu espírito não alcança.
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(Review in English)

The opera (or rather, the drama giocoso/scenic cantata) Il viaggio a Reims, ossia L' albergo del giglio d' oro (The Journey to Reims, or The Hotel of the golden fleur-de-lis) was composed by Gioachino Rossini (1792-1868) and premiered in 1825 on the subject of the coronation celebrations of the French king Charles X in Reims, France. It was the last Rossini opera written in Italian, whose libretto was by the Italian Luigi Balocchi loosely based on Corinne ou L' Italie of Madame de Stael.

Rossini thought that this opera, being commemorative of a specific occasion, would have no more than a few representations. That did not stop him writing beautiful music sheets of bel canto, exploring harmonies and providing us great vocal moments with solos, duets, trios, sextets and even including the all 14 soloists cast at the same time.

But, indeed, the opera had only 3 recitals at the Théâtre des Italiens (Paris, France) and fell into oblivion in 1854. Rossini has even use half of its music in the opera Le Comte Ory. In 1977 the manuscript was rediscovered in Rome, with its modern premiere tooking place at the Pesaro Festival in 1984 under the direction of the recently deceased Italian conductor Claudio Abbado and with a stratospheric cast!

Il viaggio a Reims is presented for the first time in Portugal and, therefore, at the Teatro Nacional de São Carlos. It was, according to the site Operabase.com to 84th most represented opera in the world in the 2012/13 season.


You could read a brief synopsis here.


Emilio Sagi was the staging director. This is a 2004 production of the Teatro Real of Madrid in collaboration with the Rossini Opera Festival in Pesaro. It has been shown multiple times in several opera houses and has had a terrific reception.

It is a very simple scenario that places the action in a modern luxury hotel- spa. To this end, a platform rises from the orchestra and is no more than a terrace cruise-like deck. The clothing is simple, beach-style favoring predominantly white. This alternates with elegant black suits for festive occasions. Sagi uses the text in a sublime way and creates several very interesting numbers: Corrina sings in the royal box; Belfiore tries to engage Corinna by cellular phone and gets just in underwear; paper hearts to throb; a boy that is the french king who comes in the end to greet us and be welcomed and to eat a chocolate. Very cute! The staging is extremely effective, allows a good performance by the singers and praises greatly the joy of the opera, filling it with good moments.

The very young Taiwan conductor Yi-Chen Lin directed the Portuguese Symphony Orchestra. She had directed this opera in Pesaro in 2011 with good reception by critics. And she did it very well: with a precise tempo, elegant gesture, the crescendi always well made, always privileging the singing. The orchestra sounded as Rossini would like. Excellent level!

Madame Cortese (owner of hotel-spa) was the Portuguese soprano Cristiana Oliveira. She has a lovely voice, good technique, very good stage presence mixed with a lot of comedy. I really liked her "Di vaghi raggi adornno" and her interpretation was growing along the recitation.

The Countess of Folleville (young widow, fashion fanatic) was the Portuguese soprano Carla Caramujo. The tone is beautiful, legatto was very elegant, very difficult obstacles exceeded masterfully and she revealed the futility of the whole character with dexterity. Great peformance!

Corinna (Roman poetess) was the Portuguese soprano Eduarda Melo. The voice has a beautiful, elegant and youthful timbre, projection is great and legatto perfect. Her stage presence is remarkable. In her aria of brotherly love "Arpa gentil, che fida", in duo with Belfiore and her final song had an above average quality. A perfect Corinna, and for me, the best among the ladies of tonight! Brava!

The Marquise Melibea (Polish widow of an Italian general killed on her wedding night) was the Spanish mezzo-soprano Marifé Nogales. She has a beautiful and powerful voice and great stage presence. She was another good presence in TNSC today.

The Count of Liebenskof (impetuous Russian general, in love with Marquise Melibea) was the Greek tenor Vassilis Kavayas. He has a nice timbre, treble easy, good voice projection and excellent figure. He was in good performance plan.

The Cavalier Belfiore (young French officer, painter in his spare time, in love with Countess of Folleville) was Peruvian tenor Dempsey Rivera. He has a beautiful timbre and a huge comedy presence on stage. His engagement to Corinna was extremely well done. A very pleasant surprise and one of the best tonight voices.

Lord Sidney (English colonel, secretly in love with Corinna) was the Spaniard bass-baritone Francisco Tójar. His timbre is not particularly beautiful, but his voice was always well projected. Theatrically conveyed the image of a Lord in the difficulties to express affection, as prompted. He was good plan.

Don Alvaro (Spanish admiral, in love with Marquise Melibea) was the Portuguese baritone João Merino. The timbre of his voice is very beautiful and suitable for the role. The voice is strong and expressive, and his skills as an actor are of high quality. Olé! It was a very good performance.

The Baron Trombonok (German major, lover of music) was the Portuguese baritone Diogo Oliveira. He has a beautiful voice, warm and expressive. He had an excellent scenic posture. He was a very humorous and skillful Trombonok. It was an excellent performance.

Don Profondo (teacher and antique lover, friend of Corinna) was the Portuguese baritone Luis Rodrigues. What about Luis Rodrigues? We know the quality of his voice and his interpretative resources. His "Io, Don Profondo!... Medaglie incomparabile" was absolutely brilliant: the way he did the different accents was unbeatable. He was comical to say enough. Owes nothing to R. Raimondi recording. He is a perfect Don Profondo and was the most prominent male member of the night! Bravo!

Don Prudenzio (hotel-spa doctor) was the Portuguese bass Nuno Dias. His voice was always with good volume and he has a beautiful and warm bss timbre. Scenically he was very good. A good level performance.

Maddalena (housekeeper at the hotel-spa) was the Portuguese mezzo-soprano Ana Ferro. She went well at the opera opening, showing us hat the recitation will have a good level. Good vocal and scenic interpretation.

Don Luigino (cousin of the Countess of Folleville) was the Portuguese tenor João Sebastião. The timbre of his voice is of particular beauty, good figure and offered a good scenic rendering.

Modestina (the maid to the Countess de Folleville) was the Portuguese mezzo-soprano Carolina Figueiredo and Delia (Greek accompanying the young poetess Corinna) was the Portuguese soprano Bárbara Barradas. They have both with good presence, sweet voice and safe technique. They were well in their small roles.

Antonio (hotel-spa butler) was the Portuguese baritone João Oliveira and Zeferini/Gelsomino (mailman/hotel employee) were the Portuguese tenor Bruno Almeida. They were in good plan in their less proeminent roles.


What a good start of TNSC season! It was a premiere with a cast of above average quality with highlights for Eduarda Melo, Carla Caramujo and Luis Rodrigues. The proof that investing in opera house gold — whether in times of crisis or not! — is not only a safe solution but the correct one. The contrast with the Verdi’s last season trilogy is tremendous. The opera is alive at TNSC and the air we breathe is fresh and Portuguese! Congratulations to all. It is worthwhile to go to São Carlos so! Bravi!


In the Imperio dos Sentidos Antenna 2’ radio program, the Opart administrator — Adriano Jordão — announced that TNSC want to present, by the end of the month, the remaining lyrical season. Cautiously, it was promised, for now, the Spanish opera El gato montés by Manuel Penella Moreno. But, in his own words, " let's take it easy..."