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domingo, 13 de março de 2022

RIGOLETTO, Royal Opera House, Março 2022


(text in English below)

Como tem sido hábito nas grandes casas de espectáculos, no início interpretou-se o hino da Ucrânia, em solidariedade com o genocídio que o País está a sofrer.

Começou depois o Rigoletto de G. Verdi. A encenação de Oliver Mears começa com uma figuração inspirada no “Martírio de São Mateus” de Caravaggio, um belo efeito visual, mas depois torna-se estática, algo minimalista e muito pouco inovadora.

O Rigoletto do barítono Luca Salsi foi extraordinário. É um verdadeiro barítono verdiano, espécie quase extinta nos dias que correm. Esteve muito bem em palco, a voz é magnífica, ampla, potente e muito expressiva.

Também ao mais alto nível esteve a soprano Rosa Feola. Sempre afinada, timbre bonito, voz cheia e grande expressividade em palco.

Já o tenor Francesco Demuro foi decepcionante. A voz é pequena, tem um timbre excessivamente agudo de que não gosto e canta quase sempre em esforço.

Notáveis foram também o baixo Evgeny Stavinsky como Sparafucile e a mezzo Aigul Akhmetshina como Maddalena. Os cantores secundários não destuaram, Phillip Rhodes (Monterone), Kseniia Nikolaieva (Giovanna) e German Alcantara  (Marullo).

 


Apesar do tenor, um espectáculo de grande qualidade.

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RIGOLETTO Royal Opera House, March 2022

As has been the custom in the great concert halls, at the beginning the anthem of Ukraine was played, in solidarity with the genocide that the country is suffering.

Then began Rigoletto by G. Verdi. Oliver Mears' staging begins with a figuration inspired by Caravaggio's “Martyrdom of St. Matthew”, a beautiful visual effect, but the staging was static, somewhat minimalist and not very innovative.

Baritone Luca Salsi's Rigoletto was extraordinary. He is a good verdian baritone, a species almost extinct these days. He was very well on stage, his voice is magnificent, wide, powerful and very expressive.

Also at the highest level was soprano Rosa Feola. She was always in tune, beautiful timbre, full voice and great expressiveness on stage.

Tenor Francesco Demuro was disappointing. The voice is small, has an excessively high timbre, which I don't like, and sings more in effort than in softness.

Also notable were bass Evgeny Stavinsky as Sparafucile and mezzo Aigul Akhmetshina as Maddalena. The support singers did not destroy,
Phillip Rhodes (Monterone), Kseniia Nikolaieva (Giovanna) and German Alcantara (Marullo).
 
Despite the tenor, it was a performance of great quality.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

IOLANTA, Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa, Setembro de 2021


(review in English below)

Iolanta de P.I. Tchaikovsky abriu a temporada do Teatro de São Carlos. Dirigiu o Coro do Teatro de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa o maestro Graeme Jenkins


A ópera conta a história da princesa cega Iolanta, filha do Rei René, que se apaixona por quem lhe explica as cores e recupera a visão. 

Em versão concerto (ópera amputada!), apenas podemos apreciar a música e os desempenhos vocais. E foi um espectáculo muito bom!


Os solistas incluíram 4 cantores russos, um ucraniano e um português que marcaram qualitativamente o espectáculo.

O soprano russo Zarina Abaeva tem uma voz cheia, bem timbrada e agudos bonitos. Gosto muito desta cantora. Hoje, como Iolanta, foi por vezes pouco emotiva.

O tenor russo Misha Didyk impôs-se como Vaudémont, uma voz poderisíssima, com um registo agudo impressionante, grande agilidade, sempre afinado.


O baixo russo Evgeny Stavinsky como Rei René foi para mim o melhor da noite. A voz é de invulgar beleza, poderosa, versátil e o cantor interpretou o papel com uma emotividade assinalável.


O barítono russo Gruiy Guryev foi um Robert correcto, a voz é também grande mas não particularmente bonita e o cantor fez-se aos aplausos no final da sua intervenção principal, o que já não se usa.

O baixo ucraniano Alexander Milev tem uma voz tão forte quanto bela, impôs-se como Bertrand, outro dos cantores que mais apreciei, apesar de o papel ser curto.


O barítono Luís Rodrigues foi o médico Ibn-Hakia. Esteve bem vocalmente mas não descolou os olhos da partitura. 


Completaram os solistas o mezzo Maria Luísa de Freitas (Martha), o mezzo Patrícia Quinta (Laura), o soprano Carla Caramujo (Brigitta) e o tenor Marco Alves dos Santos (Alméric).



Apesar de em versão concerto, começou muito bem a temporada do São Carlos.


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IOLANTA, National Theater of São Carlos, Lisbon, September 2021

Iolanta by P.I. Tchaikovsky opened the season at the Teatro de São Carlos. Graeme Jenkins conducted the Choir of the São Carlos Theater and the Portuguese Symphony Orchestra. The opera tells the story of the blind princess Iolanta, daughter of King René, who falls in love with someone who explains the colors to her and regains her sight. 
In a concert version (amputated opera), we can only enjoy the music and vocal performances. And it was a very good performance!

The soloists included 4 Russian singers, a Ukrainian and a Portuguese who marked the performance qualitatively.

Russian soprano Zarina Abaeva has a full, high-pitched voice and beautiful top notes. I really like this singer. Today, as Iolanta, she was sometimes unemotional.

Russian tenor Misha Didyk imposed himself as Vaudémont, a very powerful voice, with an impressive top register, great agility, always in tune.

Russian bass Evgeny Stavinsky as King René was for me the best of the night. The voice is of unusual beauty, powerful, versatile and the singer interpreted the role with remarkable emotion.

Russian baritone Gruiy Guryev was a correct Robert, the voice is also big but not particularly pretty and the singer cheers at the end of his main intervention, which is no longer accepted.

Ukrainian bass Alexander Milev has a voice as strong as it is beautiful, he imposed himself as Bertrand, another of the singers I most appreciated, despite the role being short.

Baritone Luís Rodrigues was the doctor Ibn-Hakia. He did well vocally but didn't take his eyes off the score.

The soloists were completed by mezzo Maria Luísa de Freitas (Martha), mezzo Patrícia Quinta (Laura), soprano Carla Caramujo (Brigitta) and tenor Marco Alves dos Santos (Alméric).

Despite being in a concert version, the Teatro de São Carlos season started very well.

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