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sábado, 18 de novembro de 2017

DER FREISCHÜTZ, Teatro alla Scala, Milão / Milan, Outubro / October 2017


 (text in English below)

Der Freischütz de Carl Maria von Weber esteve em cena no Teatro Scala de Milão




Disse quem viu que foi um espectáculo de grande qualidade não só pelo desempenho do maestro e orquestra (a abertura é particularmente conhecida) como pelos cantores, todos de excelente nível.

Maestro – Myung-Whun Chung
Encenação – Matthias Hartmann



Ottokar – Michael Kraus
Kuno – Frank van Hove
Agathe – Julia Kleiter
Äennchen – Eva Liebau
Kaspar – Günther Groissböck
Max – Michael König
Ermita – Stephen Milling
Kilian – Till Von Orlowsky










DER FREISCHÜTZ, Teatro alla Scala, Milan, October 2017

Carl Maria von Weber's Der Freischütz was on stage at the Teatro alla Scala in Milan. Who saw the performance said that it was a great show not only for the the conductor and orchestra (the opening is particularly well known) and for the singers, all excellent.

Maestro - Myung-Whun Chung
Production - Matthias Hartmann

Ottokar - Michael Kraus
Kuno - Frank van Hove
Agathe - Julia Kleiter
Äennchen - Eva Liebau
Kaspar - Günther Groissböck
Max - Michael König
Hermitage - Stephen Milling
Kilian - Till Von Orlowsky

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

FIDELIO, Teatro alla Scala, Milão, Dezembro de 2014 / Milan, December 2014



(in English below)

 Tivemos a oportunidade de assistir à transmissão em directo, no cinema, da récita de abertura da presente temporada do Teatro Scala de Milão – a ópera Fidelio de Beethoven.

A encenação, clássica e de bom impacto visual, foi de Deborah Warner. Toda a acção foi passada na prisão e seus calabouços, numa abordagem convencional e bem conseguida.

(Fotografia  Brescia-Armisano)

A Orquestra e Coro do Teatro Scala foram magistralmente dirigidos pelo maestro Daniel Barenboim. E foi uma récita de luxo também no que aos cantores respeita.

(Fotografia  Brescia-Armisano)

Fidelio / Leonora foi magistralmente interpretado pelo soprano alemão Anja Kampe. É uma cantora que muito gosto, apresenta-se sempre ao mais alto nível e assim aconteceu mais uma vez. Tem uma voz potentíssima, bonita e expressiva, e representa como poucos. Foi extraordinária.

(Fotografia  Brescia-Armisano)

(Fotografia  Brescia-Armisano)

O tenor alemão Klaus Florian Vogt, com o seu característico timbre muito claro, fez um Florestan convincente e, mais uma vez, em grande forma.

(Fotografia  Brescia-Armisano)

O baixo sul-coreano Kwangchul Youn foi um Rocco insuperável. À beleza de timbre que lhe é característica, juntou um desempenho muito expressivo e generoso, dando grande generosidade à personagem do carcereiro que, frequentemente, não se vê.

(Fotografia  Brescia-Armisano)

O baixo-barítono alemão Falk Struckmann foi um Don Pizarro malvado e insensível, também com uma interpretação vocal excelente.

(Fotografia  Brescia-Armisano)

O barítono sueco Peter Mattei impôs-se como Don Fernando. Apesar do papel ser pequeno, não deixou de impressionar com a sua interpretação marcante.

E deixei para o fim os dois mais jovens e excepcionais intérpretes: Florian Hoffmann, tenor alemão, foi um magnífico Jaquino, sempre inconformado com o amor não correspondido. A voz é expressiva e de grande beleza, e o cantor teve uma interpretação cénica insuperável.

Mojca Erdmann, soprano alemão, trouxe toda a frescura e ingenuidade que o papel da Marzelline exige, numa interpretação cénica e vocal absolutamente irrepreensível.

                                       (Fotografia  Brescia-Armisano)


Um Fidelio superlativo na abertura da temporada do Scala!

 (http://www.repubblica.it/spettacoli/teatro-danza/2014/12/07/news/teatro_alla_scala_fidelio-102366284/)

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FIDELIO, Teatro alla Scala, Milan, December 2014

 We had the opportunity to attend the live broadcast of the opening performance of this season at Teatro alla Scala, Milan - Beethoven's opera Fidelio.

The staging, classic and with good visual impact, was by Deborah Warner. All the action was spent in prison and his dungeons, a conventional and well done approach.

The Orchestra and Chorus of La Scala Theatre were under a fantastic direction by Maestro Daniel Barenboim. And it was a luxury performance also with respect to the singers.

Fidelio / Leonora was masterfully interpreted by the German soprano Anja Kampe. She's a singer that I appreciate, always presents herself at the highest level and so it happened again. She has a very powerful, beautiful, and expressive voice, like few others. She was extraordinary.

German tenor Klaus Florian Vogt, with his characteristic very light tone, was a convincing Florestan and, again, at his best.

Korean bass Kwangchul Youn was an unsurpassed Rocco. To his the characteristic beauty of timbre he joined a very expressive and generous performance, giving great generosity to the jailer's character who often we do not see.

German bass-baritone Falk Struckmann was a mean and insensitive Don Pizarro, also with a great vocal performance.

Swedish baritone Peter Mattei was Don Fernando. Although the role is small, he impressed with his striking interpretation.

And I left the end the two youngest and exceptional singers: Florian Hoffmann, German tenor, was a magnificent Jaquino, always sad about his unrequited love. The voice is expressive and of great beauty, and the singer had an unsurpassed stage interpretation.

Mojca Erdmann, German soprano, brought all the freshness and ingenuity that the role of Marzelline requires, a scenic and vocal absolutely impeccable performance.

A superlative Fidelio to open the season at La Scala!


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sábado, 8 de dezembro de 2012

LOHENGRIN, Teatro alla Scala 2012 – Transmissão televisiva no canal Arte / TV broadcast by channel Arte.


Apenas umas breves notas sobre o Lohengrin de R. Wagner que abriu a temporada do Teatro alla Scala de Milão e que foi transmitido ontem no canal televisivo Arte.


A transmissão foi deficiente e com interrupções. Não me impressionou a encenação de Claus Guth, muito apreciado no nosso blogue. As crises convulsivas (metamorfósicas) do Lohengrin não tiveram jeito e não vi  mais valia para o espectáculo os cantores (cisnes ou não) passarem quase todo o 3º acto dentro de um charco.

Dirigiu Daniel Barenboim. Um elenco maioritariamente alemão foi impressionante. Zelijko Lucic, barítono sérvio, foi um Herald excepcional. René Pape, baixo alemão, foi um rei de timbre seguro e imponente. Tómas Tómasson, barítono islandês, fez um Telramund sem brilho e com algumas falhas. Evelyn Herlitzius, soprano alemão, surpreendeu-me pela positiva como Ortrud, o seu timbre agreste adapta-se bem à personagem. Annette Dasch (em substituição da Harteros que, mais uma vez, esteve indisposta à última hora) foi uma Elsa estratosférica, tanto cénica como vocalmente. Jonas Kaufmann, arrasador no 3º acto, cantou o Lohengrin na perfeição.

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 Lohengrin, Teatro alla Scala 2012 – TV broadcast by channel Arte.
Just some brief notes about  Lohengrin by R. Wagner that opened the Teatro alla Scala season in Milan, and that was broadcast yesterday on television channel Arte.

The transmission was poor and with interruptions. I was not impressed with the staging of Claus Guth, much appreciated on our blog. Lohengrin’s seizures were bizarre and added no value to the show. The singers (swans or not) spend almost the entire 3rd act within a pond, what I also did not find interesting for the opera.

Daniel Barenboim conducted. A mostly German cast was impressive. Zelijko Lucic, Serbian baritone, was an exceptional Herald. René Pape,German bass, was an impressive king. Tómas Tómasson, Icelandic baritone, was Telramund and some failures. Evelyn Herlitzius, German soprano, surprised me positively as Ortrud, her harsh tone fits the character well. Annette Dasch (replacing Anja Harteros which, again, was unwilling at the last minute) was a stratospheric Elsa both scenic as vocally. Jonas Kaufmann,  overwhelming in the 3rd act, sang Lohengrin perfectly.

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Don Giovanni, Teatro alla Scala, Milão, Dezembro de 2011


A nova produção da ópera Don Giovanni para o Teatro alla Scala do canadiano Robert Carsen foi, juntamente com um elenco de excepção, motivo para a abertura da temporada 2011/12 do teatro milanês, marcada, igualmente, pela estreia de Daniel Barenboim como seu director artístico.





Tivemos oportunidade de assistir, ao vivo, à segunda récita. Ainda que em lugares com visibilidade reduzida, ficam algumas notas sobre o que foi visto e ouvido.



“Notas do encenador”...
Pensamos ser, de salientar, ab initio, algumas das considerações do encenador presentes no programa da ópera editado pelo Teatro.
“Nesta produção quero criar um Don Giovanni com pensamento rápido, que domina todos, que precede e está sempre à frente dos demais. Tudo, em suma, gira em torno dele. Esta é a ideia base da encenação e que condiciona tudo o resto”, afirma Carsen.
Para Carsen, Don Giovanni é um homem que ninguém conhece, ao contrário dos demais que representam sempre tipos sociais/individuais conhecidos e conhecíveis, o que se sustenta nas primeiras palavras de Don Giovanni “chi son io tu non saprai”. É um homem que sabe e faz exactamente aquilo que quer e, de facto, o verbo volere é o que mais vezes surge no libretto. Que é corajoso e não tem medo da morte. No fim do primeiro acto diz “ma non manca in me coraggio, ... se cadesse ancora il mondo, nulla mai temer mi fa” e, no fim do segundo, “ho fero il cor nel petto, non ho timor, verrò”. Em suma, para Carsen, Don Giovanni é um homem profundamente livre, anárquico, sem medo da morte, sem constrições socais, que faz o que quer, que não acredita num céu ou num inferno que o possam julgar, por perceber que é um homem que vive num mundo absurdo e sem significado. E que não é um violador, um assassino ou um criminoso. Diz Carsen "não há culpa na morte do Comendador. Por duas vezes recusa bater-se em duelo e só o aceita porque é obrigado. (…) ele age em legítima defesa, tal como sucede quando agride Masetto“, pois todos estavam mais armados do que ele.
É um homem com uma enorme energia vital que electrifica todos os que se relacionam com ele: mulheres e homens.
Donna Ana está como que hiponotizada. Para Carsen, Donna Ana não é violada. Aliás, a dúvida sobre a cena inicial, está sublinhada em todo o libretto, bem patente na explicação que dá a Don Ottavio que é, indubitavelmente, pouco credível, e pela confusão que faz ao confundir, depois do desmaio, Don Ottavio com Don Giovanni “Fuggi, crudelle, fuggi! Lascia che mora, anch’io”, palavras que o primeiro não merecia, decerto. Sofre, antes, de uma dupla perda: por um lado, a perda da virgindade, sucumbindo aos seus desejos e pulsões, e de uma moral superior; por outro, a perda do pai, símbolo do que fora e de austeridade. 
Don Ottavio é a antítese de Don Giovanni, mas também este deixa transparecer uma admiração por Don Giovanni ao longo do libreto. O próprio Don Ottavio, parece não acreditar na culpa de Don Giovanni em relação a Donna Ana, dizendo “disinganarla voglio” e, só depois, corrigindo, “o vendicarla”.
Donna Elvira é louca por Don Giovanni: fala muito dos excessos deste, mas os excessos são, também e não menos, dela.

Não deixa de ser muito curioso, a ausência total da personagem Leporello nestas notas do encenador, o que fica bem patente no modo como acaba por secundarizar totalmente o seu papel.


“A encenação”
O ponto que mais curiosidade nos suscitava era a encenação de Carsen, conhecido pelas suas modernizações interpretativas e por cenários minimalistas.

A encenação introduziu alguns elementos. Logo na abertura, um enorme espelho projectava todo o teatro, distorcendo-o, e provocando um efeito que, ao vivo, era marcante e que, no fundo, transportava para o palco o espectador,  desmascarando-o como que dizendo “não se escondam ou alheiem, porque o que vamos tratar aqui também faz parte das vossas vidas”; Leporello transforma as folhas do catálogo em painéis onde regista as conquistas do patrão; depois da morte do Commendatore, Donna Anna surge com Don Ottavio no funeral do seu pai, algo não habitual; no final do primeiro acto, Don Giovanni “derrota” os seus opositores, que empunham armas, fazendo cair o pano; Don Giovanni conduz os seus pares como se fosse um encenador, dividindo-se o palco em dois planos a alturas distintas, sendo mais um elemento indicativo de que este é uma personagem que vive intensamente e domina todo o teatro da vida; há diversas cenas passadas entre a plateia e o palco, o que, para o público, é um pormenor que agrada, pela proximidade estabelecida com os artistas e que remete, novamente, para a participação activa do espectador; o Commendatore chama Don Giovanni a partir da tribuna presidencial do teatro, algo que não é inovador (por exemplo, no Oneguin que esteve no TNSC , canta-se aí a ária do Príncipe Gremin); no final, todas as personagens acabam por ir para o inferno, surgindo Don Giovanni sorridente, vitorioso e fumando, displicente, o seu cigarro. De notar, a omnipresença do teatro infinitamente projectado em painéis no palco.


Entre todos estes elementos perpassa a questão: o que é que se acrescentou à leitura da obra? No nosso entender, o que difere das anteriores encenações, é o facto de o espectador ser chamado à ópera como mais um elemento participante, sendo este o ponto de realce na interpretação de Carsen. Em tudo o mais, os elementos surgidos pouco acrescentam à interpretação do libretto, pelo que não é uma encenação particularmente criativa.

Sob o ponto de vista da condução cénica, Don Giovanni é um homem frio, distante e snob; Leporello uma personagem esquecida, sem brio, sem graça, nunca surgindo como o elemento buffo da ópera. Ninguém destaca. Há como que um amorfismo generalizado.

De facto, tendo em conta as expectativas, e muito embora, no cômputo geral, acabasse por ser um dos melhores elementos da récita, esperávamos melhor. Se o objectivo era realizar uma encenação actualizada, condizente com os tempos que correm, não atingiu o objectivo. Uma interpretação clássica explora mais eficazmente a profundidade temática da obra. Para encenação moderna, recomendamos vivamente que se veja a de Claus Guth para o festival de Salzburgo de 2008 que, no nosso entender, é de uma genialidade ímpar (disponível em DVD/Blu-ray), mas deixo-vos a curiosidade para perceber porquê.

“Os artistas”


Peter Mattei (baixo) foi um Don Giovanni com um timbre muito adequado ao papel e que transpareceu, até pela sua compleição física, um Don Giovanni pertencente à alta sociedade, confiante nas suas escolhas e superior aos demais. Mas nunca conseguiu entusiasmar ou seduzir, parecendo sempre demasiado distante ou desinteressado, senão mesmo enjoado de tanto repetir o galanteio. Não sendo brilhante, a sua actuação foi pautada pela regularidade, considerando-o muito provavelmente limitado pela encenação e longe dos melhores no papel.

Kwangchul Youn (baixo) como Commendatore foi tudo o que lhe era exigível. Com uma voz bonita e enorme potência, preencheu todos os cantos da sala com enorme harmonia, transparecendo o negro autoritário exigido à voz de uma personagem que representa a austeridade e constância dos valores morais superiores. Esteve entre os melhores.

Anna Netrebko (soprano) estreava-se com este Don Giovanni no Teatro de Milão. E foi uma excelente Donna Anna. Com a sua voz brilhante e viva, aliada a uma excelente presença em palco, foi, sem dúvida, o elemento em maior destaque de todo o elenco, confirmando-se, uma vez mais, como um dos sopranos mais cintilantes do actual firmamento operático. Esteve perfeita na ária “No mi dir, bell’idol mio”.

Guiseppe Filianoti (tenor) foi um Don Ottavio regular. Tem uma voz com um timbre bonito, mas não muito potente. Interpretativamente pouco expressivo, não destacou.

Barbara Frittoli (soprano) como Donna Elvira apresentou-se com uma voz bem colocada, madura e expressiva e tecnicamente em muito bom plano. Mas nunca conseguiu transmitir o doentio da sua personagem.

Bryn Terfel (barítono) foi um Leporello vocalmente em bom plano. É sabido ser, além de um extraordinário cantor lírico, um bom actor, sendo, por isso, de lamentar a interpretação que em nada (ou quase) nos fez rir, o que foi de encontro à secundarização carseniana da sua personagem e ao ambiente amorfo geral da récita.

Stefan Kocán (baixo) foi um Masetto eficaz quer vocal, quer cenicamente, cumprindo bem com os requisitos exigidos à personagem que interpretou.

Anna Prohaska (soprano) como Zerlina foi, no nosso entender, a desilusão da noite. Pouco expressiva, como uma voz que nada parece trazer de novo, esteve por diversas vezes no limite da afinação e, a título de exemplo, na ária de beleza ímpar “Vedrai, carino, se sei buonino” prejudicou mais do que excessivamente a interpretação vocal em detrimento da cénica, não suscitando o aplauso natural do público. Uma pena!





Daniel Baremboim conduziu a Orquestra do Scala aqui e ali um pouco lento, tendo sido, ainda assim, uma interpretação harmoniosa e limpa e que conseguiu transmitir os sentimentos da ópera de Mozart, sem que, todavia, tenha atingido o difícil compromisso entre o sério e o buffo que esta obra impõe.  


Em suma, tendo em conta os pergaminhos do Teatro e as elevadas expectativas em torno de uma produção com um elenco estrelar, um encenador da alta roda, a estreia de Baremboim como director artístico e o início da temporada, podemos dizer que ficou bem aquém das expectativas. Esperava-se melhor... 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

DON GIOVANNI – Teatro alla Scala, Milão – Abertura da Temporada – 7 Dezembro 2011 (transmissão TV canal ARTE)






(review in english below)






A abertura da Temporada do Scala é sempre um grande evento musical e social (embora para nós menos importante neste campo…). Coube a Mozart inaugurá-la este ano e, para tal, foi escolhido o Don Giovanni, com um elenco estrelar.



Infelizmente não podemos estar presentes ao vivo mas o canal ARTE possibilitou-nos assistir ontem a esta produção e trago hoje aqui a minha impressão geral.








A encenação de Robert Carsen não traz nada de novo, nem prima pela inovação ou interesse cénico. A utilização de referências à estrutura do Scala em reflexos ou constituintes do cenário não é nova e já se viu em outras produções operáticas. O colocar da lista de conquistas de Don Giovanni como uma estrutura com traços verticais feitos a caneta, semelhantes aos que classicamente surgem nos filmes em que o prisioneiro conta os dias de clausura, não me pareceu particularmente imaginativo. A vaidade de Don Giovanni é dada por uma constante e excessiva troca de indumentaria do protagonista. No trio “Ah taci, ingiusto core”, não assistimos à tradicional e sempre jocosa imitação de Don Giovanni por Leporello. A cena da refeição antes da chegada do Comendador faz passar uma quantidade diversa de pratos altamente elaborados pela mesa, com simulação de ingesta por Don Giovanni, sem que haja tempo para uma refeição completa, torna a cena demasiado irreal. Em resumo, penso que as encenações devem trazer algo de novo e imaginativo quando pretendem não ser clássicas. Assim, teria sido preferível uma encenação tradicional e procurando apostar em alguns pormenores de representação, que também falharam, e que são aqueles que conseguem elevar obras como o Don Giovanni à excelência que são.





Peter Mattei foi o eterno sedutor. Tem a voz perfeita para o papel e como a imagino para a personagem. Irrepreensível na sua prestação vocal. Contudo, não posso dizer que tenha sentido o Don Giovanni egoísta, altivo e sem respeito por ninguém. Faltaram as nuances vocais que por exemplo Johannes Weisser faz na gravação de Rene Jacobs. No “Non ti fidar, o mísera”, além de Barenboim ter colocado o andamento demasiado lento, Mattei pareceu demasiado apático e métrico na interpretação. Disse “È pazza, amici miei” como quem lê uma lista de compras, em vez de ter a atitude esperada de disfarce e relativizar o que Elvira acusa. Com uma Elvira altamente expressiva, destoou por completo alguns momentos mais à frente quando diz “Zitto, zitto, che la gente. Si raduna a noi d'intorno, Siate un poco più prudente, Vi farete criticar”. Muito longe da minha referência…





Bryn Terfel confirma que é um artista completo. Vocalmente em forma, muito expressivo corporalmente. Mas não conseguiu ser claramente evidente em todas as passagens cómicas da personagem. Estas são, sem dúvida, a cereja no topo do bolo desta personagem – conseguir ser cómico e não parecer foleiro é difícil. Esperava outra luz de Terfel neste campo.




Anna Netrebko esteve sublime! A voz inunda a sala de modo envolvente e doce. Canta em força e com sentimento, chegando a emocionar-se verdadeiramente no final das árias. Uma das melhores presenças em palco, sem dúvida.



Barbara Frittoli está fantástica! Perdeu uns quilinhos e, na maturidade da idade, revelou-se uma Donna Elvira muito expressiva quer vocal quer corporalmente. Vive os dramas da personagem com uma mestria inigualável e a voz está em excelente momento.



Giuseppe Filianoti foi muito lírico, cristalino, embora na maior parte das intervenções, com pouca expressividade facial.



Kwangchul Youn é o Comendador perfeito. Voz grave e ressonante é o que se pede à personagem, principalmente no final, e ele consegui-lo de forma perfeita.




Anna Prohaska
supreendeu-me muito pela positiva, com uma voz bastante bonita.

Stefan Kocan foi uma Masseto eficaz.



A condução de Daniel Barenboim foi bastante boa, exceptuando o já referido “Non ti fidar, o mísera” que achei muito lento.








Este elenco, na encenação do Met deste ano, e com alguns pormenores teatro-vocais melhorados seria um Don de referência, capaz de tocar qualquer um. Assim, é “só” e “apenas” mais uma boa produção desta ópera…






DON GIOVANNI - Teatro alla Scala, Milan - Opening of the Season - December 7, 2011 (broadcast TV channel ARTE)







The opening of the Scala season is always a great musical and social event (although less important for us in this field ...). Mozart fell to inaugurate it this year and, for that was named the Don Giovanni, with an all-star cast.





Unfortunately we can not attend live but ARTE enabled us to watch this production yesterday and today I bring you my overall impression.







The staging by Robert Carsen does not bring anything new, nor press for innovation or scenic interest. The use of references to the structure of the Scala with reflexes or constituting the scenario is not new and has been seen in other opera productions. The place of the list of achievements of Don Giovanni as a structure with vertical strokes made by pen, similar to that classically appearance in films in which the prisoner counts the days of closure, did not seem particularly imaginative. The vanity of Don Giovanni is given by a constant and excessive exchange of clothes by the protagonist. In the trio "Ah Taci, ingiusto core" I did not see the traditional and always humorous imitation of Leporello in Don Giovanni. The scene of the meal before the arrival of the Commendatore passes a diverse number of dishes of high cuisine, with simulated intake by Don Giovanni, with no time for a full meal, the scene becomes too unreal.






In summary, I think that the scenarios should bring something new and imaginative when they wish not to be classic. Thus, it would have been preferable a traditional staging and try to ameliorate some details of representation, which also failed, and those are the ones who can raise works like Don Giovanni to the excellence they are.






Peter Mattei was the eternal charmer. His voice is perfect for the role and how I imagine the character. Faultless in his vocal delivery. However, I can not say that he make me feel the Don Giovanni who is selfish, arrogant and lacking respect for anyone. He did not give the vocal nuances like Johannes Weisser does in the Rene Jacobs recording, and which I find helpfull in giving that superficial look of Don. In "Non ti fidar, o misera", and Barenboim was very slow here, Mattei seemed too apathetic and with a metric interpretation. He said, "È pazza, amici miei" as those who read a shopping list, instead of having the attitude expected of disguise and relativize what Elvira accuses. Elvira with a highly expressive, fully jars a few moments later when he says "“Zitto, zitto, che la gente. Si raduna a noi d'intorno, Siate un poco più prudente, Vi farete criticar”. Too far from my reference ...








Bryn Terfel confirms that he is a complete artist. Vocally in shape, very expressive. But he could not be clearly evident in all passages of comic character. These are undoubtedly the icing on the cake of this character – to manage to be humourous and not to look tacky is difficult. I expected another light from Terfel in this field.




Anna Netrebko was sublime! The voice fills the room in an engaging and sweet way. She sings in strength but with feeling, the emotion is true at the end of the arias. One of the best stage presence, no doubt.


Barbara Frittoli is fantastic! Lost a few pounds, and in the maturity of age, proved to be a very vocal and bodily expressive Donna Elvira. She lives the drama of this character with an unparalleled mastery of the voice.





Giuseppe Filianotti was very lyrical, crystalline, although most of the interventions, with little facial expression.Kwangchul Youn was a perfect Commnedatore. A resonant bass voice is what is required for this character, especially at the end, and he got it in a perfect way.







Kwangchul Youn was a perfect Commnedatore. A resonant bass voice is what is required for this character, especially at the end, and he got it in a perfect way.








Anna Prohaska surprised me very positively, with a very beautiful voice.



Stefan Kocan was an effective Masseto.







Daniel Barenboim conduction was pretty good, except for the aforementioned "Non ti fidar, o misera" which I found in a very slow pace.









This cast, the sets from this year’s Met production, and some enhanced theatric and vocal details would mader this a refence Don Giovanni. This way it is "only" and "just" a good production of this opera...