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domingo, 21 de novembro de 2010

Strauss, Mozart & Mahler - Fundação Calouste Gulbenkian - 18 Novembro 2010

(review in english below)

Estive na 5ª feira passada neste concerto da Gulbenkian e vou ser muito breve na minha crítica a qual poderão ver também no post que fiz no blog Ópera Lisboa de Plácido Zacarias, em resposta à crítica deste blogger embora referente ao concerto de 6ª feira.


Confesso que ia com grande expectativa porque Mahler é uma das minhas paixões.

O maestro Jean-Claude Casadesus não nos deu um Mahler vibrante e memorável. O último andamento revelou uma Olga Pasichnyk (desconhecida para mim...) com timbre bonito mas incapaz de, na maioria do tempo, se sobrepor à intensidade orquestral.
Para quem ouviu Simone Young dirigir a 5ª de Mahler na temporada passada, esta 4ª na mão da mesma teria sido provavelmente excelente.
A ausência de utilização de tempo rubato na abertura de o Morcego trouxe uma métrica aritmética algo incomodativa. Não gostei.
O concerto para piano e orquestra nº 24 de Mozart não é, por certo, o meu favorito. Acho que o brilhantismo desde David Kadouch, a um mês de fazer apenas 25 anos, não sobressaiu durante o concerto por uma direcção de orquestra pouco dinâmica, empastelada. Não escutei o espírito Mozartiano na sua essência e a sempre praticamente perfeita Orquestra Gulbenkian também não esteve ao seu nível por esta razão. Daí possa dizer que o melhor do concerto tenha sido realmente o extra de Kadouch com Chopin. Magnífica interpretação. Gelou todos no auditório (e especialmente durante a execução da mesma... sem os barulhos adventícios habituais...).

Aproveito para lamentar o cancelamento de Thomas Quasthoff da próxima 2ª feira na Gulbenkian. Embora tivesse na minha ideia que iria cantar o ciclo “A Bela Moleira” o que é certo é que seria “A viagem de Inverno”. Christine Schäfer substitui o barítono alemão. Embora tenha tido uma experiência agradável com Schäfer no Tamerlano de Londres deste ano, não acredito que acabe por ser um concerto muito interessante. Isto porque o meu gosto pessoal leva a preferir, como interpretes para estes ciclos de canções de Schubert, barítonos e não sopranos.


Strauss, Mozart & Mahler - Calouste Gulbenkian Foundation - 18th November 2010


Last Thursday evening I went to Fundação Calouste Gulbenkian and I shall be very brief in my review. My opinion can also be seen at the blog Ópera Lisboa by Plácido Zacarias, in response to his review of the same concert but performed on Friday.


I confess I went with great anticipation because Mahler is one of my passions.

The conductor Jean-Claude Casadesus did not give us a vibrant and memorable Mahler. The last movement revealed a Olga Pasichnyk (unknown to me ...) with beautiful tone but unable to, most of the time, take precedence over orchestral intensity.For those who heard Simone Young directing the 5th of Mahler last season, this 4 th in the same hand would probably have been excellent.
The lack of use of rubato in the Ouverture of Die Fledermaus brought a too much metric pace somewhat annoying. I did not like it.
Mozart’s piano concerto nº 24 is far from being my favourite one. I think the brilliance of David Kadouch, a month away from completing 25 years of age, was not so evident due to a sluggish conducting. The Mozart essence and spirit were missing and the almost always perfect Gulbenkian Orchestra failed to perfection also by the conducting problem. It can be said that the best of the concert was really the extra by Kadouch (a Chopin’s Nocturne). Beautiful interpretation. It froze everyone in the audience (it really stopped the usual adventitious noises ...).


I would like to take this opportunity to inform and to sorrow the cancellation of Thomas Quasthoff's concert on next Monday at the Gulbenkian. I had the idea that he would be singing “Die schöne Müllerin”, but instead it was “Winterrreise”. Christine Schäfer replaces the German baritone. Although I have had a pleasant experience with Schäfer in Tamerlano this year, I do not believe it will eventually be a very interesting concert, mainly because my personal taste leds me to prefer baritones and not sopranos for these song cycles.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

DIE FLEDERMAUS (O Morcego) – Teatro de São Carlos, Lisboa, Fevereiro de 2010

Die Fledermaus (O morcego), de Johann Strauss, é uma peça que se presta a intervenções importantes, sobretudo do encenador, tanto nas partes cantadas como nas faladas. A música é de fácil audição e, se bem tocada, tem momentos de grande beleza. Diversas partes cantadas são também dignas de realce e cativam o espectador, mesmo aquele que não é um frequentador habitual. Contudo, é nas coreografias e nas partes faladas que se podem assistir a verdadeiras obras deslumbrantes ou a desastres épicos. Já tive oportunidade de ver esta opereta algumas vezes (não muitas) e, em pelo menos três ocasiões, recordo com saudade o bom gosto e eficácia que a qualidade dos cantores, dos dançarinos e das encenações emprestaram ao espectáculo.
Infelizmente, nada disto aconteceu hoje e tenho dificuldade em realçar algo de positivo na récita a que assisti.

A direcção musical de Julia Jones não convenceu, a orquestra esteve quase sempre “empastelada”, nunca conseguindo transmitir a vivacidade da música de Strauss. Soou com monotonia frequente e os desencontros também não foram raros. E, se a orquestra esteve mal, o coro foi ainda pior. Desalinho, desencontros, má pronúncia e falta de convicção foram a regra. Quase parecia que não tinham ensaiado.
A encenação, de Katharina Thalbach, foi grotesca. Pirosa no início, entrou em descalabro com a continuação do espectáculo. Havia sempre alguma personagem a despir parte da roupa (para quê?), recorreu ao tavesti frequente sem qualquer graça, inspiação ou objectivo. A partir do 2º acto vieram em força os vampiros e, em vez de um espectáculo interessante com esta temática, assistimos ao vazio de ideias e a movimentos “parados” no palco sem qualquer sentido ou objectivo. De uma pobreza confrangedora!
Mas o pior estaria guardado para o início do 3º acto – a parte falada de Frosh, a cargo de Maria Rueff. Mais uma vez assistimos a uma falta total de ideias, limitando-se a actiz a imitar alguns “bonecos” que já anteriormente fez mas, neste espectáculo, recorrendo a umas graçolas políticas sem nenhuma piada ou imaginação e depois à graça futebolistica (o seu Zé Manel benfiquista), totalmente desapropriada e sem sombra de interesse ou comicidade. O público brindou-a com uma pateada como há muito não ouvia em São Carlos e muitas pessoas sairam da sala ao longo do 3º acto, o que não tem sido frequente. Deplorável!
Sobre os cantores, também assistimos a um espectáculo pobre. Edith Lienbacher, no papel principal de soprano (Rosalinde) mostrou que já quase não tem voz, se alguma vez a teve. Carla Caramujo (Adele, a criada) foi a melhor dos papeis femininos mas, apesar de alguns momentos interessantes, não deixou de gritar as notas mais agudas, o que tornou a emissão estridente e desinteressante. Kristina Wahlin deu uma voz feia e pouco audível ao Conde Orlovsky e, se a voz não convenceu, a presença em palco foi para esquecer. Uma palavra para Nadine Schori (Ida, irmã de Adele), a quem puseram frequentemente a falar uma língua que desconheçe – português – o que também contribuiu para a má qualidade do espectáculo. As vozes masculinas foram melhores. Will Hartmann (Eisenstein) foi um tenor que se destacou, tanto cénica como vocalmente, o que também não era difícil, face à “concorrência”. Brend Weikl (Dr Falke) esteve frequentemente colocado em posições ridículas, mas também teve uma emissão irregular. Mário João Alves (Alfred) foi talvez o melhor em palco mas Luís Rodrigues (Frank) também esteve bem. Dos restantes, nada mais é digno de realce.
Não compreendo por que motivo não se recorre mais aos cantores portugueses que, muitos deles, são bem melhores que estes estrangeiros. O espectáculo de hoje é um bom exemplo. Se tivessemos assistido a umas interpretações fabulosas por parte dos estrangeiros, enfim, mas com os desempenhos de hoje, não percebo, mas deve haver alguma razão…

Depois do excelente espectáculo que abriu a presente temporada do São Carlos, o inesquecível Crepúsculo dos Deuses, voltamos ao que foi a rotina da temporada passada – um espectáculo deplorável, para esquecer rapidamente!
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