Mostrar mensagens com a etiqueta Stuart Neill. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Stuart Neill. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 13 de março de 2014

IL TROVATORE, Theatro Municipal de São Paulo, Março de 2014

IL TROVATORE ABRE A TEMPORADA 2014 DE ÓPERAS DO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE DO BLOG DE ÓPERA E BALLET

O Theatro Municipal de São Paulo abriu a temporada de óperas 2014 no último dia 08 de Março com Il Trovatore de Giuseppe Verdi, título esse que possuí características ímpares na ópera Verdiana. Começando pelo libreto: História maluca, cheia de reviravoltas e absurdos onde boa parte da ação se passa antes de subir a cortina. A violência do texto e a falta de coesão estão presentes em toda a ópera, consegue ser mais confuso que a ópera  L'Africaine de Meyerbeer. Desfilam uma cigana, cavaleiros apaixonados, morte por engano, assassinato de criança, guerras e sangue por todo lado. Tudo sem nexo que beira ao absurdo.
Il Trovatore segue em cartaz nos teatros líricos devido à música de Verdi, essa sim um absurdo de criatividade. Cenas com impacto dramático de alto nível onde são exploradas a valsa e a mazurca com melodias expressivas. Árias extensas, duetos carregados de emoção e cenas corais tem música arrebatadora. Verdi vence o obstáculo de um libreto fraco e pífio compondo música da mais alta qualidade, melodias que penetram como uma flecha na alma dos espectadores.
 A produção do Theatro Municipal de São Paulo mostrou acertos na escolha dos solistas e algumas derrapadas. Os cenários de Sergio Tramonti são interessantes, trazem dois blocos que se movem em uma única direção e caracterizam bem algumas cenas, após o terceiro ato ficam demasiadamente repetitivos e entediantes. A luz de Pasquali Mari deixou tudo na penumbra, uma escuridão condizente com o enredo, embora algumas cenas pudessem ter melhor tratamento. A opção pelo monocromático da luz amarela soa repetitiva demais e sem criatividade. Os figurinos de Alessandro Ciammarughi optam pelo tradicional e mostram uma Espanha de antigamente.
A direção de Andrea de Rosa oscila entre momentos interessantes e alguns absurdos. Utiliza os cenários de forma criativa explorando todo o espaço cênico. Os personagens são caracterizados para mostrar as mazelas e torturas que sofrem por amor e o desejo de vingança. Teatro e canto se unem para tocar o espectador. A ideia de colocar uma fogueira estilizada no centro do palco é uma bela sacada, nela a história começa e termina. Fazer Manrico morrer queimado e de pé soa tão absurda como o libreto, se está no inferno que abrace o capeta. 

Susanna Branchini, foto Internet

Vocalmente os solistas se mostraram de excelente nível, comecemos com a Leonora de Susanna Branchini, soprano detentora de bela voz lírico-spinto com agudos sólidos, projeção vocal enorme, daquelas que enchem o teatro e interpretação cênica convincente. Sua Leonora esbanja vigor e densidade vocal, mostra uma interpretação moderna da personagem, teatro e canto unidos em uma inesquecível interpretação. Stuart Neill esteve no Municipal em 2013 cantando Radames da ópera Aida de Verdi, fez um Manrico com belos agudos, tenor de voz pouco extensa compensa isso com agudos brilhantes e uma boa sustentação das notas. Interpretação cênica fraca, seu personagem se mostra sem emoção e consistência. 
Alberto Gazale mostrou bons graves com seu Il Conte de Luna, abusou deles em termos de força e vigor. Sua voz se mostra sempre consistente colocando credibilidade no personagem. Aliado a uma boa interpretação cênica fez com que seu personagem fosse sempre regular ao longo de toda a apresentação. 
A dona da noite, a rainha da cocada foi o mezzo-soprano Marianne Cornetti, a mulher arrebentou como Azucena, sobraram graves extensos e uma vocalidade de timbre impressionante. Voz escura, densa, arrebatadora e consistente em todos os registros que sobrevoam a orquestra e chegam limpos à plateia. Interpretação cênica louvável de uma grande atriz, Marianne Cornetti conhece a fundo sua personagem e a interpreta com segurança e convicção. Um grande achado essa mezzo-soprano. 

 Stuart Neill,foto Internet
Destaque o mezzo-soprano Ana Lucia Benedetti, em sua pequena participação mostrou boa musicalidade com agudos coloridos e um fraseado correto. Fez uma Inez de bom nível cênica e vocalmente, cantora que entende a importância de fazer papéis menores e se dedica a eles com afinco, quero muito vê-la cantando personagens de maior expressão.
Correta, mas correta mesmo a cobrança de R$ 5,00 pelo programa completo. Antes distribuído gratuitamente não era devidamente valorizado pelos espectadores e muitos o descartavam nas lixeiras do centro. Cobrando ele passa a ser valorizado e só quem se interessa em tê-lo paga. Quem não compra recebe um programa menor e bem mais simples.

sábado, 30 de julho de 2011

TURANDOT – Teatro Scala, Milão, Maio de 2011


Turandot foi a derradeira ópera de G. Puccini que morreu antes de a terminar. Foi acabada (o último dueto e o final) por Franco Alfano. O libretto é de Giuseppe Adami e Renato Simoni, segundo a obra Turandotte do veneziano Carlo Gozzi.

Na China antiga, numa praça de Pequim, o povo aguarda a execução do príncipe da Pérsia, o último a tentar conquistar a fria e distante princesa Turandot. Para o conseguir há que ultrapassar uma prova que consiste na resolução de três enigmas. Na confusão, um velho, Timur, cai ao chão e é ajudado por uma jovem escreva Liù. Calaf ajuda-o e reconhece nele o seu pai, o rei Tártaro deposto. Liù está secretamente apaixonada por Calaf. A execução do príncipe da Pérsia consuma-se e Calaf fica encantado com a beleza de Turandot e, contrariando os conselhos de Timur, Liù e dos três ministros imperiais, Ping, Pang e Pong, decide tocar o gongo, anunciando a intenção de se sujeitar à prova.

Turandot surge altiva e diz que a sua castidade e crueldade se destinam a vingar o sofrimento de uma antiga princesa. Mas Calaf soluciona os três enigmas e Turandot, desesperada, pede que a libertem da sua obrigação. Calaf diz-lhe que, se ela descobrir o seu nome até ao amanhecer, ele morrerá.
Ninguém dorme em Pequim e Turandot tenta desesperadamente saber o nome. Liù diz-lhe que só ela o sabe mas não o dirá. Turandot pergunta donde lhe vem tanta força e Liu diz-lhe que é do amor. Apunhala-se mortalmente, impressionando todos.
Calaf beija Turandot e revela-lhe o seu nome. Perante a população e o imperador, Turandot anuncia que sabe o nome do estrangeiro, é Amor. Abraçam-se e acabam felizes.


Na boa tradição italiana, a récita do dia anterior fora cancelada por greve, situação vivida aqui pelo meu colega de blogue wagner_fanatic há meses. Escapei por um dia a esta experiência desagradável mas, em Itália, há sempre que contar com estes percalços!




A encenação de Giorgio Barberio Corsetti é clássica e eficaz. Tem momentos de grande inovação dado que os diferentes cenários vão aparecendo no palco em plena execução da ópera, vindos de baixo ou de trás. O espectáculo foi também enriquecido com a actuação de acrobatas chineses ao longo de toda a récita. Contudo, não deixou de ter algumas perplexidades. Por exemplo o adorno na cabeça da Princesa Turandot era igual ao dos outros elementos do povo. Pequim parecia mais um lugarejo rural do que a capital do império, dadas as pequenas dimensões das casas que constituíam os cenários.


O maestro italiano Daniele Callegari teve um desempenho banal ao qual a Orquestra do Scala respondeu com qualidade. O Coro do Scala foi excepcional e, dada a sua importância no espectáculo, representando o povo de Pequim, foi o “melhor personagem” da récita.


O tenor americano Stuart Neill foi um Calaf contido no primeiro acto mas brilhante no terceiro. A famosíssima ária Nessum dorma saiu-lhe muito bem e obteve um estrondoso aplauso. A voz é heróica e poderosa, embora o timbre não seja cativante. Cenicamente foi fraco e a figura (excessivamente obeso) também não ajudou. Preocupou-se apenas com o canto e conseguiu atingir um patamar muito bom.


Timur foi interpretado pelo baixo italiano Marco Spotti que teve uma boa prestação tanto vocal como cénica. A voz é de inegável beleza e o cantor teve uma presença em palco marcante.

Maija Kovalevska, soprano da Letónia, foi uma Liù comovente e de excepcional qualidade. A voz é doce, de uma beleza invulgar, mas cheia e muito lírica. Cenicamente esteve perfeita. Foi a melhor intérprete da récita.


A princesa Turandot foi interpretada pelo soprano americano Lise Lindstrom. A figura é excelente, alta e magra e teve uma presença marcante, dada a expressividade que emprestou à personagem. A voz é poderosa e de timbre claro. Contudo, acho que seria ainda mais benéfica uma interpretação mais dramática e menos lírica.


Ping, Pang e Pong foram os italianos Angelo Veccia, Luca Casalin e Carlo Bosi que tiveram interpretações banais, sem interesse.









****




Turandot - Teatro alla Scala, Milan, May 2011

Turandot was the last opera by G. Puccini. He died before finishing it. It was finished (the last duet and the finale) by Franco Alfano. The libretto is by Giuseppe Adami and Renato Simoni, after Turandotte by the Venetian Carlo Gozzi.

In ancient China, in a square in Beijing, the people await the execution of Prince of Persia, the last to try to seduce the cold and distant princess Turandot. To achieve this it is necessary to overcome a proof that consists in solving three enigmas posed by the princess. In the confusion, an old man, Timur, falls to the ground and is helped by a young woman slave, Liù. Calaf helps her and recognizes his father, the deposed Tartar king. Liù is secretly in love with Calaf. The execution of Prince of Persia is done and Calaf is impressed by the beauty of Turandot and, against the advice of Timur, Liù and the three imperial ministers, Ping, Pang and Pong, he decides to play the gong, announcing the intention to undergo the proof. Turandot appears and says proudly that her chastity and cruelty are intended to avenge the suffering of an ancient princess. But Calaf solves the three enigmas. Turandot, desperate, calls for the release of her obligation. Calaf tells her that if she finds out her name until dawn, he will die. No one sleeps in Beijing and Turandot tries desperately to know the name of the man. Liù tells her that only she knows it, but she will not tell her, even after being tortured. Turandot asks her where does her strength comes from and Liù tells her that it is from love. Liù stabs herself to death, impressing everyone. Calaf kisses Turandot and tells her his name. To the people and the emperor, Turandot announces that she knows the name of the foreigner. It is Love, she says. They embrace and all ends up in happiness.

In the good Italian tradition, the performance of the previous day had been canceled due to a strike, a situation lived by my blog colleague wagner_fanatic a few months ago. I escaped for one day to this unpleasant experience, but in Italy, there is always the risk of these disappointing events.
 
The staging by Giorgio Barberio Corsetti is classic and effective. There are moments of great innovation as different scenarios are appearing on stage during the performance, from below or behind stage. The performance of Chinese acrobats was also spectacular and very interesting. However, there were some perplexities. For example, the headdress of Princess Turandot was equal to the other elements of the people. Beijing seemed more a rural village than the capital of the empire, given the small size of the houses and other settings of the scenarios.

Italian conductor Daniele Callegari was trivial, without enthusiasm, but Scala Orchestra responded with quality. The Scala Choir was exceptional and, given its importance in the opera, representing the people of Beijing, it was the "best character" on stage.

American tenor Stuart Neill was a contained Calaf in the first act but brilliant in the third. The very famous aria Nessum dorma was very well interpreted and he got a thunderous applause. The voice is powerful and heroic, though the tone is not appealing. Artistically he was not convincing and the figure (obese) did not help. He was only concerned with the singing and in it he achieved a high level.

Timur was Italian bass Marco Spotti. He had a good performance both vocal and artistic. The voice is of undeniable beauty and the singer had a striking presence on stage.

Maija Kovalevska, Latvian soprano, was a moving Liù of exceptional quality. The voice is sweet, very lyrical and unusually beautiful. On stage she was perfect. She was the best soloist of the performance.

Princess Turandot was interpreted by American soprano Lise Lindstrom. Shi is tall and slim and had also an excellent artistic performance on stage. The voice is powerful and has a clear timbre. However, I think it would be even more beneficial a more dramatic and less lyrical interpretation.

Ping, Pang and Pong were the Italians Angelo Veccia, Luca Casalin and Carlo Bosi. They had trivial uninteresting performances.

****