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terça-feira, 15 de novembro de 2011

PHILIPPE JAROUSSKY + APOLLO'S FIRE – Fundação Gulbenkian, Novembro 2011

(review in English below)


Fireworks – barroco da mais alta qualidade na Gulbenkian

O jovem contratenor francês Philippe Jaorussky apresentou-se na Gulbenkian com a orquestra barroca americana Apollo’s Fire sob a direcção da cravista Jeannette Sorell, sua fundadora.



O contratenor, para mim, é aquela voz que não me deixa indiferente. Ou gosto muito, ou detesto (o que acontece mais vezes, confesso). Neste caso já ia predisposto a gostar, apesar de ter sido a primeira vez que vi Jaroussky ao vivo.

Com o sugestivo título de Fireworks, o concerto foi um pitéu para os apreciadores de Vivaldi e Häendel, entre os quais me incluo. Jaroussky interpretou este reportório barroco com um virtuosismo marcante e notável capacidade vocal. A voz é cristalina e de uma beleza celestial invulgar.

(fotografias do site e do programa de sala da Gulbenkian)

Logo no início ouvimos a ária de Oreste Agitato da fiere tempeste, bem cantada e exuberantemente ornamentada. Seguiu-se Ho perso il caro bem de Parnasso in Festa. O contraste não podia ser maior. Nesta intervenção Jaroussky conseguiu transmitir um dramatismo e uma tristeza atrozes, noutra sublime interpretação vocal. Pensei que o melhor tinha-nos sido dado logo no início. Mas enganei-me.

Seguiu-se o concerto para dois violoncelos em Sol menor de Vivaldi. A orquestra Appolo’s Fire, de 14 elementos e instrumentos da época, ofereceu-nos a magnífica sonoridade barroca. No prelúdio em Lá maior, para cravo solo Jeannette Sorell brilhou.
Mas o ponto alto viria mais tarde, na apresentação do Concerto Grosso sobre La Follia, também de Vivaldi. Uma interpretação exímia, de qualidade estonteante que, só por si, teria valido o concerto.



Mas tivemos muito mais. Jaroussky foi cantando Händel e Vivaldi de forma imaculada, ora o mais exuberante e colorido, ora o mais sério e de linha melódica contínua (muito mais do meu agrado, ao contrário do que pareceu ser o gosto do público).



No final, após uma merecida ovação de pé, três encores, incluindo árias das óperas Rinaldo e Serse, terminando com Ombra mai fù. Um maravilha!

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Philippe Jaroussky + Apollo's Fire - Gulbenkian, November 2011

Fireworks - Highest quality Baroque at the Gulbenkian

The young French countertenor Philippe Jaorussky sang at the Gulbenkian Foundation with the American baroque orchestra Apollo's Fire with the direction of harpsichordist Jeannette Sorell, its founder.


The countertenor is that voice that does not leave me indifferent. Or I really like it or I hate it. In this case I was already predisposed to like it, despite having been the first time I saw live Jaroussky.

With the evocative title of Fireworks, the concert was a delicacy for lovers of Vivaldi and Händel, among whom I include myself. Jaroussky has interpreted this Baroque repertoire with fantastic virtuosity and remarkable vocal ability. His voice is crystal clear and with as unusually heavenly beauty.

Right at the beginning we heard Oreste’s aria Agitato da fiere tempeste, exuberantly decorated and well sung. It was followed by Ho perso il caro bem from Parnasso in Festa. The contrast could hardly be greater. In this intervention Jaroussky managed to convey a dramatic and appalling sadness, another sublime vocal performance. I thought the best we had been given at the start of the concert. But I was wrong.

These first interpretations were followed by the concert for two cellos in G minor by Vivaldi. The orchestra of 14 elements and baroque musical instruments gave us the magnificent baroque sound. In the prelude in A major for harpsichord solo Jeannette Sorell was magnificent.But the highest moment would came later, in the interpretation of the Concerto Grosso on La Follia, also by Vivaldi. It was an interpretation of stunning quality that, by itself, would have been worth the concert.

But we had much more. Jaroussky with is immaculate singing of Händel and Vivaldi, either the most exuberant and colourful arias, or the most dramatic with continuous melodic lines (the ones I prefer, in contrary to what appeared to be the audience's preference).

In the end, after a deserved standing ovation, three encores, including arias from Händel’s operas Serse and Rinaldo, closing with Ombra mai fù. A wonder!

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