segunda-feira, 19 de agosto de 2019

LOHENGRIN, Bayreuther Festspiele, Festival de Bayreuth, Agosto / August 2019


(text in English below)


Texto de wagner_fanatic

Encenação: Yuval Sharon
Maestro: Christian Thielemann
Heinrich der Vogler: Georg Zeppenfeld
Lohengrin: Piotr Beczala
Elsa von Brabant: Annette Dasch
Friedrich von Telramund: Tomasz Konieczny
Ortrud: Elena Pankratova

Intervalo do Lohengrin. Isto de ver as coisas ao longe é claramente mau. Só havia este bilhete para a Netrebko quando consegui na net - não tem cabeças à frente mas equivale à fila 31... É muito longe e perde-se muito.

Os heróis da noite são 3 até agora: Beczala brutalíssimo, encaixa que nem uma luva no Lohengrin, com o seu lirismo e pureza de voz, fisionomia impecável e expressividade ímpar; Tomasz Konieczny já conhecia mas oiço-o pela 1a vez ao vivo e é único! Aquele timbre especial dele, um pouco menos acentuado ao vivo que em gravações, é fenomenal para os papéis de vilão wagnerianos; a voz é forte, expressiva e cenicamente é um actor 5 estrelas; o 2º maior baixo wagneriano. Zeppenfeld também ao seu esperado nível de excelência.






As mulheres é que me estão a deixar menos feliz: Annette Dasch está muito bem mas os agudos por vezes saem ligeiramente metálicos e parecem algo forçados por vezes, embora a tenha ouvido no ano passado em Viena neste papel e não fiquei com essa impressão; Pankratova, que faz uma Kundry brutal, não parece tão credível vocalmente como Ortrud, pesando o facto de ser as primeiras vezes que está a cantar este papel.




A encenação não tem graça ou sentido nenhum evidente, alguns pormenores interessantes mas não numa lógica global de sentido da encenação. Thielemann fenomenal, sabe sempre extrair o dramatismo das melhores passagens. Em nada está a fazer esquecer o Lohengrin da Royal Opera House do ano passado - esse sim, a dar uma noite memorável para sempre. Mas acredito que esteja a sofrer do mesmo efeito Tristão do ano passado - a 500 léguas de distância não é tão envolvente, perdem-se expressões e tudo soa a secante até alguém como Beczala ou Tomasz Konieczny cantarem, contrariando este sentimento. Não volto a comprar estes ao longe, prefiro não ouvir/ver. Ainda por cima, 2 dos meus vizinhos à direita devem ter ficado com as narinas secas no intervalo e fartaram-se de apitar e soprar do nariz em expiração o que me obrigou a ouvir grande parte do 2º acto em “mono” = mão na face com 2º alternando com 3º dedo a tapar o canal auditivo externo...

Esta encenação merece uma 2ª oportunidade apenas com 2 condições: Beczala e um lugar nas primeiras 5 filas. O seu In fernem Land merece isso! Foi o melhor momento de toda a noite, perfeito, lindo, tocante!... Teve uma das maiores e mais merecidas ovações que já ouvi aqui. Pankratova mais explosiva na sua intervenção final, Dasch melhor.





LOHENGRIN, Bayreuther Festspiele, Bayreuth Festival, August / August 2019

Text by wagner_fanatic.

Director: Yuval Sharon
Conductor: Christian Thielemann
Heinrich der Vogler: Georg Zeppenfeld
Lohengrin: Piotr Beczala
Elsa von Brabant: Annette Dasch
Friedrich von Telramund: Tomasz Konieczny
Ortrud: Elena Pankratova

Lohengrin pause. Seeing things from afar is clearly bad. There was only this ticket for Netrebko when I got it on the net - I have no heads in front but it equals row 31 ... It's too far away and I lost a lot.

The heroes of the night are 3 so far: Most brutally Beczala fits like a glove in Lohengrin, with his lyricism and purity of voice, impeccable physiognomy and unmatched expressiveness; Tomasz Konieczny I already knew him but I hear him for the first time live and he's unique! That special tone of him, a little less pronounced live than on recordings, is phenomenal for Wagnerian villain roles; the voice is strong, expressive and is a 5 star actor; the 2nd largest Wagnerian bass. Zeppenfeld also to his expected level of excellence.

The women are making me less happy: Annette Dasch is fine, but the treble sometimes comes out slightly metallic and feels a little strained at times, although I heard her last year in Vienna in this role and I didn't get that impression; Pankratova, who plays a brutal Kundry, doesn't seem as vocal as credible as Ortrud, despite the fact that she is singing the role for the first time.

The staging has no obvious grace or meaning, some interesting details but not in a global logic of the meaning of the staging. Phenomenal Thielemann always knows how to extract the drama of the best passages. He is doing nothing to forget the Lohengrin of last year's Royal Opera House - this one, making for a memorable night forever. But I believe I am suffering from the same Tristan effect as last year - 500 leagues away is not so engaging, expressions are lost and everything sounds secant until someone like Beczala or Tomasz Konieczny sings, contrary to that feeling. I won't buy these kind of tickets again, I prefer not to hear / see. On top of that, 2 of my neighbors on the right must have had their nostrils dry in the break and had enough to blow and blow their exhaling nose which made me hear much of the 2nd act in “mono” = hand to cheek with 2nd alternating with 3rd finger covering the external ear canal...

This production deserves a 2nd chance with only 2 conditions: Beczala and a place in the first 5 rows. His In Fern Land deserves it! It was the best moment of all night, perfect, beautiful, touching! ... There was one of the biggest and most deserved ovations I've ever heard here. Pankratova more explosive in his final intervention, Dasch also better.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

OS MESTRES CANTORES DE NUREMBERGA / DIE MEISTERSINGER VON NÜRNBERG, Bayreuther Festspiele / Festival de Bayreuth, Agosto / August 2019




Texto de wagner_fanatic

Maestro: Philippe Jordan
Encenação: Barrie Kosky
Hans Sachs: Michael Volle
Veit Pogner: Günther Groissböck
Sixtus Beckmesser: Johannes Martin Kränzle
Walter von Stolzing: Klaus Florian Vogt
David: Daniel Behle
Eva: Camilla Nylung
Magdalene: Wiebke Lehmkuhl
Kunz Vogelgesang: Tansel Akzeybek
Fritz Kothner: Daniel Schmutzhard
Balthasar Zorn: Paul Kaufmann
Ulrich Eisslinger: Christopher Kaplan
Augustin Moser: Stefan Heibach
Hermann Ortel: Raimund Nolte
Hans Schwarz: Andreas Hörl
Hans Foltz: Timo Riihonen



O 1º acto dos Mestres divinal! Papel químico do ano passado em qualidade interpretativa e vocal. Também são os mesmos solistas tirando a Eva pelo que assim seria de esperar. Esta encenação é cheia de pormenores e é óptima para quem diz que não gosta desta ópera de Wagner.

O 3º acto perfeito! É difícil fazer melhor que isto! Perfeição! Já o disse antes e repito: Volle é Sachs, a fluidez interpretativa, a força e expressividade vocal fazendo-o terminar e dando a noção que conseguia fazer tudo novamente logo de seguida é de arrepiar! Kranzle é o Beckmesser, ao mesmo nível, numa interpretação inesquecivelmente cómica! Klaus Florian Vogt nunca o vi sem ser nesta produção a realmente interpretar convincentemente um papel - o homem aqui canta e sabe representar! Nylund sublime, agudos lindos! Groissbock fenomenal! Os mestres todos fantásticos (o que faz de maricas é genial). Behle excelente como David e a voz da Lena também marcante!

Continuo a achar esta encenação genial e deu para compreender ainda mais pormenores depois de a ter visto no ano passado! Bayreuth, neste momento, é um sonho para qualquer wagneriano!





DIE MEISTERSINGER VON NÜRNBERG, Bayreuth Festival, August 2019

Text by wagner_fanatic

Conductor: Philippe Jordan
Direction: Barrie Kosky
Hans Sachs: Michael Volle
Veit Pogner: Günther Groissböck
Sixtus Beckmesser: Johannes Martin Kränzle
Walter von Stolzing: Klaus Florian Vogt
David: Daniel Behle
Eva: Camilla Nylung
Magdalene: Wiebke Lehmkuhl
Kunz Vogelgesang: Tansel Akzeybek
Fritz Kothner: Daniel Schmutzhard
Balthasar Zorn: Paul Kaufmann
Ulrich Eisslinger: Christopher Kaplan
Augustin Moser: Stefan Heibach
Hermann Ortel: Raimund Nolte
Hans Schwarz: Andreas Hörl
Hans Foltz: Timo Riihonen

The 1st Act was divine! Identical to last year's interpretative and vocal quality. It was expected because the soloists are also the same (except Eve). This staging is full of detail and is great for those who say they don't like this Wagner’s opera.

The 3rd act was perfect! It's hard to do better than this! Perfection! I have said it before and I repeat: Volle is Sachs, the interpretive fluidity, the strength and vocal expressiveness making him finish and giving the notion that he could do it all again right away is creepy! Kranzle is Beckmesser, at the same level, in an unforgettable comic interpretation! Klaus Florian Vogt in this production really playing a convincing role - the man here sings and can play! Nylund sublime, beautiful top notes! Phenomenal Groissbock! The Masters are all fantastic (the one who plays the gay is great). Behle excellent as David and Magdalene's voice also striking!

I still find this staging fantastic and I could understand even more details after seeing it last year! Bayreuth, right now, is a dream for any Wagnerian!

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

PARSIFAL, Bayreuther Festspiele / Festival de Bayreuth, Agosto / August 2019




Texto de wagner_fanatic


Encenação: Uwe Eric Laufenberg
Maestro: Semyon Bychkov
Amfortas: Ryan McKinny
Titurel: Wilhelm Schwinghammer
Gurnemanz: Günther Groissböck
Parsifal: Andreas Schager
Klingsor: Derek Welton
Kundry: Elena Pankratova


A ambiência sonora é única e principalmente quando temos os coros que estão impecáveis, tal como a direção e orquestra!

Groissböck está num pico altíssimo!!! As nuances vocais que não fazia no ano passado faz agora! E a voz está impecável, nos graves, nos agudos... estou já em pulgas para o Wotan dele para o ano! Atingiu a perfeição como Gurnemanz! E só começou a cantar o papel no ano passado! Não consigo dizer mais nada a não ser que este é o melhor baixo wagneriano da atualidade (que me perdoe o Zeppenfeld...).



Um Titurel (Schwinghammer) perfeito e grave! O segundo acto foi do outro mundo!!! A dupla Schager - Pankratova está ao mesmo nível estrelar dos últimos 2 anos. Tudo é perfeito. Esta vai ficar para sempre como uma das melhores duplas da história de Bayreuth! O Klingsor do Derek Welton embrulha excelentemente o pack!





No terceiro acto, sobre Schager não tenho palavras. 




E a actriz que é Pankratova num acto em que só diz 2 palavras... surreal!



Só houve um elo fraco... o Amfortas do Ryan McKinny. O timbre não dá... vê-se que ele até tenta interpretar em algumas passagens mas não sai; tudo muito igual, sem emoção. A única coisa que tem de jeito e para a encenação porque tem de se despir é o corpo mas eu preferia umas banhas e uma voz e interpretação melhor. Mas deste já eu estava à espera. Não sei porque não veio o Thomas Johannes Mayer este ano... Contudo, no último monólogo, esteve melhor.










PARSIFAL, Bayreuth Festival, August 2019

Text by wagner_fanatic

Direction: Uwe Eric Laufenberg
Conductor: Semyon Bychkov
Amfortas: Ryan McKinny
Titurel: Wilhelm Schwinghammer
Gurnemanz: Günther Groissböck
Parsifal: Andreas Schager
Klingsor: Derek Welton
Kundry: Elena Pankratova

The sound ambience is unique and especially when we have the choirs that are impeccable, such as the conductor and orchestra!

Groissböck is at a very high peak!!! The vocal nuances he didn't do last year he does now! And the voice is flawless, at the low and at the top register... I'm already looking forward for his Wotan next year! He reached perfection as Gurnemanz! And just started singing the role last year! I can't say anything else except that he is the best Wagnerian bass today (forgive me Zeppenfeld ...).

A perfect Titurel (Schwinghammer) with impressive low register!

The second act was out of this world!!! The duo Schager - Pankratova is at the same star level as the last 2 years. Everything is perfect. This will be forever one of the best doubles in Bayreuth history!

Derek Welton's Klingsor packs the pack excellently!

In the third act I have no words about Schager. And the actress who Pankratova is in an act that only says 2 words ... surreal!

There was only one weak link ... Ryan McKinny's Amfortas. The timbre does not work ... one can see that he even tries to interpret in some passages but does not go out; all the same, without emotion. The only thing that is good for staging because he has to undress is the body but I would prefer some fat but a better voice and interpretation. But this one I was waiting for. I don't know why Thomas Johannes Mayer didn't come this year ... But in the last monologue, McKinny was better.