sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Barbeiro de Sevilha – Royal Opera House, 8 Fevereiro 2011

(review in english below)

O Barbeiro de Sevilha é uma das óperas mais cómicas do repertório. A reposição de O Barbeiro de Sevilha que a Royal Opera decidiu levar a cabo, esta temporada, acabava por ser talvez algo arriscada... Depois de um elenco estrelar em Julho de 2009, imortalizado em DVD, com Juan Diego Florez, Joyce DiDonato (que mesmo com a perna partida na primeira récita, continuou a cantar na produção, em cadeira de rodas), Ferrucio Furlanetto, Alessandro Corbelli, entre outros, como seria agora? A resposta é fácil e fui testemunha disso: Fantástico, em todos os sentidos!!!

O Barbeiro de Sevilha necessita não só de grandes vozes mas de grandes actores e, acima de tudo, uma interacção entre todos ao mais alto nível cénico e dramático. Isso foi visível nesta última récita.



A grande surpresa, para mim, foi o brasileiro Luciano Botelho. Em visível crescendo no mundo da Ópera pelo que se pode ver no seu site, fez o papel do Conde Almaviva. Dotado de voz de timbre muito belo, de aparência física galante e um exímio actor cómico, esteve absolutamente cativante. A cena da aula de canto com Kurzak foi simplesmente de levar á lágrimas de tanto rir. Para quem se estreou na Royal Opera nesta produção, cantando as últimas 3 récitas, aconselho a que se repita o convite e que o possamos ouvir noutros papéis, com o por exemplo, o de Nemorino. Parabéns!!!



Aleksandra Kurzak foi uma Rosina excelente. Uma voz fortíssima mas não rude, um sentido lírico muito presente, e em perfeito entrosamento cénico com Botelho. Só aponto como ponto negativo a sensação de grito em alguns dos seus agudos. A voz é suficientemente potente...não necessita de exagerar.



Bruno Praticò é simplesmente fenomenal!!! Felizmente é um dos grandes intérpretes que o São Carlos pode ver no seu passado recente. Recordo com grande saudade o seu Dr. Bartolo no Barbeiro de Sevilha de 2006 e também o seu Don Alfonso no Cosi fan Tutte também em 2006... A sua presença física adapta-se perfeitamente ao papel de Dr. Bartolo. As suas interjeições jocosas são do mais cómico possível. A voz é espectacular. A ária “A un dottor dela mia sorte” foi superlativamente estrelar!!! Um artista perfeito!!!



O baixo Ildar Abdrazakov fez um Don Basílio igualmente soberbo! Dotado de uma voz de “baixo” de potência invejável, esteve muito bem cenicamente. A grande ária “La calunnia è un venticello” foi simplesmente envolvente. Parecia que o nosso corpo se enrolava na sua voz, na sua calúnia.



O Fígaro de Levente Molnár foi muito, muito bom. Fantástico como actor, voz acima da média. Ainda com espaço para crescer.



Jennifer Rhys-Davies fez uma Berta hilariante e vocalmente deslumbrante, apesar do papel secundário.



A direcção por Rory MacDonald foi perfeita. O som da Orquestra da Royal Opera foi sublime.



Recomendo vivamente a visualização do DVD desta produção até porque suplanta qualquer descrição que possa fazer da encenação. Contudo, a comparação é inevitável. Para mim, Bruno Praticò põe Alessandro Corbelli a um canto; O Fígaro de Levente Molnár envergonha um Pietro Spagnoli sem jovialidade em palco; .... ganha cénica e vocalmente a Ferrucio Furlanetto (acho que Furlanetto se adapta mais a papéis dramáticos do que a cómicos). Florez e DiDonato estão a um nível diferente mas que em nada diminuem Botelho e Kurzak.

Esperemos que esta seja uma produção para voltar e continuar a voltar à Royal Opera. Imperdível!





Il Barbieri di Siviglia - Royal Opera House, February 8, 2011
The Barber of Seville is one of the most comic operas of the repertoire. The reistallment of The Barber of Seville that the Royal Opera has decided to carry this season, would eventually be somehow a risk task... After a stellar ensemble in July 2009, immortalized in DVD, with Juan Diego Florez, Joyce DiDonato (even with a broken leg in the first performance, she continued to sing in the production, on a wheelchair), Ferruccio Furlanetto, Alessandro Corbelli, among others, how would it be now? The answer is easy and I witnessed it: Fantastic in every way!

The Barber of Seville requires not only great voices but great actors and, above all, an interaction between all the cast members at the highest level, scenic and dramatic. This was visible in this last performance.



The big surprise for me was the Brazilian Luciano Botelho. Growing in the world of Opera, as you can see on his website, he played the role of Count Almaviva. He was absolutely captivating, with his beautifull tone of voice, his physical gallant appearance along with excellent capacities as a comic actor. The scene of the singing lesson with Kurzak was so comic that brought tears of laughter to my eyes. These last three performances marked his debut at the Royal Opera. I advise the Royal Opera to repeat the call so that we can hear him in other roles, like Nemorino, for instance. Congratulations!



Aleksandra Kurzak was an excellent Rosina. A very strong voice but not rude, with a special lyrical sense, and perfect scenic interaction with Botelho. The only negative point I point out is some of her high pitched notes seems sometimes screamed. The voice is powerful enough ... no need to exaggerate.



Bruno Praticò is just phenomenal! Fortunately one of the great performers who we were able to see that Teatro Nacional de São Carlos in a recent past. I recall, with great nostalgia, his Dr. Bartolo in the Barber of Seville in 2006 and also his Don Alfonso in Cosi fan Tutte, also in 2006 ... His physical presence fits perfectly into the role of Dr. Bartolo. His playful interjections are outstandingly comic. The voice is spectacular. The aria "A un dottor dela mia sorte " was superlatively sung! A perfect artist!



The bass Ildar Abdrazakov made an equally superb Don Basilio! Endowed with a voice of bass with an enviable power, he was scenically very good. The great aria "La calunnia è un venticello" was simply engaging. It seemed that our body curled up in his voice, in his “calunnia”.



The Figaro Levente Molnár was very, very good. Fantastic as an actor, voice above average. Still with room for improvement.



Jennifer Rhys-Davies did an hilarious Berta, vocally superb, despite being a smaller role.



The direction by Rory MacDonald was perfect. The sound of the Orchestra of the Royal Opera was sublime.



I strongly recommend viewing the DVD performance from 2009 in order to see and experience the staging. However the comparison is inevitable. For me, Bruno Praticò was much better than Alessandro Corbelli; The Figaro of Levente Molnár makes the Figaro of Pietro Spagnoli quite inferior; Ildar Abdrazakov wins scenical and vocally to Ferruccio Furlanetto (I think Furlanetto fits more dramatic roles than the comic ones). Florez and DiDonato are at a different level but that in no way detract Botelho and Kurzak.

Hopefully this is a production to come back, and to continue to return to the Royal Opera. Unmissable!

7 comentários:

  1. Obrigado pela crónica, Wagner_fanatic.

    Off-topic: Caro FanaticoUm, terei muito prazer em encontrá-lo no Domingo.

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  2. Thanks ,for sharing and the reaction on my blog publication.
    Zen greetings, from a Bayreuth fan.

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  3. Caro wagner_fanatic,

    Estive presente numa das récitas com elenco estrelar do Verão de 2009 que refere no seu texto e, ao lê-lo, recordei com saudade o excelente espectáculo a que assisti.

    A produção da ROH é muito original e bem conseguida. Concordo em absoluto que para esta ópera são necessárioas grandes vozes e grandes actores. Se ouvi vozes fabulosas, o facto de a DiDonato estar em cadeira de rodas com o pé partido prejudicou muito a representação.

    Mas, numa era de cancelamentos fáceis, sobretudo por alguns dos grandes cantores, a minha admiração pela DiDonato aumentou consideravelmente. Apesar da limitação física grave, não deixou de nos encantar com a sua magnífica voz e, principalmente, não privou muitos dos espectadores de a poderem ouvir, nomeadamente aqueles, como eu, que lá foram principalmente (mas não exclusivamente, dada a companhia) para isso.

    Obrigado pelo relato e pelas boas memórias que trouxe. É, de facto, uma produção recomendável e estou certo que a ROH voltará a ela no futuro.

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  4. Many thanks to you for the detailed review.
    The Barber of the Seville is one of the most challenging oper for the singers. It seems that the performance of the singers and the staging at the RHO were quite successful.
    Music is the best present of the nature or God. At the moment of music we feel the mental extasy. How can we live without art?

    P.S. You should let me know what type of camera you have. I'm being envious of your pictures.

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  5. Dear lotus-eater,

    Thank you for your comments.

    You are so right.

    My camera is the Sony DSCH55B Cyber-shot Digital Camera - Black (14.1MP, 10x Optical Zoom) 3 inch LCD. It is one of those compact cameras and it is really great. It allows zoom while shooting movies and the zoom is great allowing these shots (but on this opera I had seats at the stalls circle).

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