segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Faust ideal em 2011-2012


Tive o privilégio de assistir, na presente temporada, a 4 representações da Ópera Faust, de Gounod.
Duas ao vivo e encenadas, na Royal Opera House de Londres,





uma ao vivo em versão concerto no Liceu de Barcelona



e uma em transmissão do Met (Met Live em HD, Gulbenkian).



 Aqui deixo a minha sugestão do que seria o Faust ideal na presente temporada.

Faust – Uma escolha muito difícil entre o mais dinâmico em palco - Vitorio Griggolo (Londres), o mais experiente - Roberto Alagna (Paris), o mais lírico -  Piotr Beczala (Barcelona) e o mais marcante -  Jonas Kaufmann (Nova Iorque).



Marguerite – Neste caso, Inva Mula (Paris) e Marina Poplavskaya (Nova Iorque) estiveram bem aquém das fantásticas interpretações de Angela Gheorghiu (Londres) e de Krassimira Stoyanova (Barcelona).


 Mefistóphélès – Foi a escolha mais fácil. O impressionante René Pape (Londres e Nova Iorque) foi, cénica e vocalmente, muito superior a Paul Gay (Paris) e Erwin Schrott (Barcelona).


(Fotografia / Photo Catherine Ashmore / Royal Opera House)


Valentin – Se Tassis Christoyannis (Paris) e Russel Braun (Nova Iorque) cumpriram sem encantar, Dmitri Hvorostovsky (Londres) e Ludovico Tézier (Barcelona) foram ambos sensacionais. A escolha foi exclusivamente baseada na interpretação vocal.


Siebel – Foram todas interpretações interessantes, Karine Deshayes (Barcelona), Angélique Noldus (Paris) e  Michèle Loiser (Londres e Nova Iorque).


Maestro – Pierre Vallet (Barcelona) foi fraco, Alain Altinoglu (Paris) foi banal, Evelino Pidó (Londres) foi infeliz e Yannick Nézet-Séguin (Nova Iorque) foi notável.

Encenação – Em Londres, de David McVicar, foi vistosa mas com algumas bizarrias. Em Paris, de Jean-Louis Martinoty, foi rica mas com vários apontamentos de gosto muito duvidoso. Em Nova Iorque, de Des McAnuff. foi simples e banal. Nenhuma foi marcante. Em Barcelona não houve.


O Faust ideal em 2011-2012 seria:

Encenação – David McVicar (Royal Opera House)
Maestro – Yannick Nézet-Séguin
Faust – Piotr Beczala
Marguerite – Krassimira Stoyanova
Mephistóphélès – René Pape
Valentin- Ludovico Tézier
Siebel - Michèle Loiser



The ideal Faust in 2011-2012

I had the privilege to watch this season four performances of the opera Faust, by Gounod.
Two live and staged (Royal Opera House in London and Bastille in Paris), one live in concert version (Liceu in Barcelona) and one transmission from the Met (Met Live in HD, Gulbenkian).
Here I leave my suggestion of what would be the ideal Faust this season.

Faust - A very difficult choice among the most dynamic on stage - Vitorio Griggolo (London), the most experienced - Roberto Alagna (Paris), the most lyrical - Piotr Beczala (Barcelona) and the most remarkable - Jonas Kaufmann (New York).

Marguerite - In this case, Inva Mula (Paris) and Marina Poplavskaya (New York) were far from the fantastic performances of Angela Gheorghiu (London) and Krassimira Stoyanova (Barcelona).

Mefistóphélès – This was the easiest choice. The impressive René Pape (London and New York) was artistically and vocally much superior to Paul Gay (Paris) and Erwin Schrott (Barcelona).

Valentin - If Tassis Christoyannis (Paris) and Russell Braun (New York) were OK, Dmitri Hvorostovsky (London) and Ludovico Tézier (Barcelona) were both sensational. My choice was based solely on the vocal performance.

Siebel – All singers gave us interesting interpretations, Karine Deshayes (Barcelona), Angélique Noldus (Paris) and Michele Loiser (London and New York).

Conductor - Pierre Vallet (Barcelona) was weak, Altinoglu Alain (Paris) was trivial, Eveline Pido (London) was unfortunate, and Yannick Nézet-Séguin (New York) was remarkable.

Staging - In London, David McVicar’s, was interesting but with a few oddities. In Paris, Jean-Louis Martinoty’s was rich but with several very doubtful options.
In New York, Des McAnuff’s. was simple but trivial.. None was significant. In Barcelona there was no staging.


The ideal Faust in 2011-2012 would be:

Staging - David McVicar (Royal Opera House)
Maestro - Yannick Nézet-Séguin
Faust - Piotr Beczala
Marguerite - Krassimira Stoyanova
Méphistophélès - Rene Pape
Valentin - Ludovico Tézier
Siebel - Michèle Loiser

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Siegfried – Idílio e Cena final – Fundação Calouste Gulbenkian – 10 de Maio 2012



Uma semana depois do concerto com o primeiro acto da ópera Siegfried de Richard Wagner, a Gulbenkian trouxe a palco o Ídilio de Siegfried e a Cena Final da ópera, intercalada com a suite Romeu e Julieta de Tchaikovski, uma obra que pareceu encaixada à pressão para encher tempo, talvez com a única relação temática num amor que acaba por ser também trágico.

Continuo a manter a minha opinião positiva em relação a Kirill Petrenko e à Orquestra Gulbenkian. Hoje contudo a sonoridade pareceu-me mais “flat”, com menos profundidade, e algumas entradas foram menos felizes, embora de base já difíceis como são os acordes que antecedem o “Heil dir, Sonne!”.

Scott MacAllister, longe das grandes vozes que na História da Música interpretaram, ao mais alto nível esta personagem, fez uma interpretação honrosa de Siegfried, procurando uma interpretação vocal com sentimento apesar do carácter concertante do espectáculo, com uma projecção decente. Contudo, nos agudos, principalmente com vogais abertas, a voz perde-se num timbre algo irritante.

Pela primeira vez na Gulbenkian e, se a memória não me atraiçoa, tive a vontade de sair da sala ou enfiar-me num local acusticamente isolado quando ouvi a voz de Anna Katharina Behnke. Claramente uma escolha infeliz para Brunnhilde neste concerto. Uma voz rude e áspera com frequentes agudos gritados de modo irritante e um vibrato labial em jeito convulsivo fizeram desta uma das minhas piores experiências vocais. Penso que Wagner não tinha em mente uma voz semelhante para a sua Brunnhilde, embora esta cantora pudesse, certamente, com a sua voz, logo desde início com “Heil dir, Sonne!”, oferecer a Siegfried aquilo que nunca ninguém lhe havia ensinado... o Medo.



Siegfried - Idyll and final scene of the opera - Calouste Gulbenkian Foundation - May 10, 2012


A week after the concert with the first act of Richard Wagner's opera Siegfried, the Gulbenkian brought to stage the idyll of Siegfried and the final scene of the opera, interspersed with a suite of Tchaikovsky Romeo and Juliet, a work that seemed added to the program only to fill in time, with perhaps the only relation with the other pieces in a love that ends up being also tragic.

I maintain my positive opinion in relation to Kirill Petrenko and the Gulbenkian Orchestra. Today however the sound seemed more flat, with less depth, and some entries were less happy, though some of them are already difficult like the chords that precede the "Heil dir, Sonne!".

Scott MacAllister, far from the great historical voices that interpreted this role at the highest level, made an honorable interpretation of Siegfried, looking for a vocal performance with feeling despite the concert nature of the performance, reveling a decent projection and a good voice. However, in the high notes, especially with open vowels, his voice was lost in a tone somewhat irritating.

For the first time at the Gulbenkian and, if my memory does not betray me, in any other place, I had the desire to leave the room or put myself in a place acoustically isolated when I heard the voice of Anna Katharina Behnke. Clearly an unfortunate choice as Brunnhilde. A rough and harsh voice with frequently annoying shouted high notes and a seizure-like lip vibrato made out of this one of my worst vocal experiences ever. I think that Wagner did not have in mind a voice similar to this for his Brunnhilde, though this singer could, certainly, with her voice, right from the beginning with "Heil dir, Sonne", offer Siegfried what no one had taught him before... Fear.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Jonas Kaufmann cancela Galas em Zurique – Mais um grande dissabor na presente temporada



(text in english below)

Todos os leitores habituais deste blogue sabem quanto aprecio Jonas Kaufmann. É um cantor estupendo e um homem simpático. Com quase um ano de antecedência, em 14 de Julho do ano passado, comprei bilhetes (e voos e quarto de hotel) para a Gala anunciada pela Ópera de Zurique.

As minhas expectativas eram muito elevadas. Tudo se conjugava para uma noite inesquecível – uma Gala dedicada ao cantor, numa das casas que mais contribuiu para o seu lançamento internacional (Zurique), com interpretações de óperas em que tem feito grande sucesso: versões encenadas, do 2º acto da Carmen, do 3º da Tosca e do 1º de La Bohème, todas com cantores de alto nível ao lado de Kaufmann.

Mas, eis que recebo hoje um e-mail da Opernhaus Zürich informando que, por doença, Jonas Kaufmann cancelou as duas Galas que estavam programadas. Que contrariedade! O cantor, nos últimos tempos, tem cancelado muitos espectáculos mas, como em muitas outras coisas, nunca pensamos que seremos atingidos pela situação. Para mim é a segunda vez na presente temporada que tenho um dissabor deste calibre.


 Resta-me desejar as rápidas melhoras ao Jonas Kaufmann e esperar que continue a cantar com a qualidade que nos habituou.

Falta-me ainda a coragem para dizer à minha companheira de viagem (que, a muito custo, lá aceitou ir comigo, sobretudo porque ia ver e ouvir o Kaufmann) que, afinal, as coisas não vão ser bem como estava previsto, sobretudo num pormenor da noite de dia 11… (M, se souberes disto pela leitura do blogue, espero que compreendas o meu embaraço em não te ter dito nada ainda :-)).



Jonas Kaufmann cancels Galas in Zurich - Another major disappointment this season

 All regular readers of this blog know how much I appreciate Jonas Kaufmann. It is a wonderful singer and a nice man. With almost a year in advance, on July 14 last year, I bought tickets (and flights and hotel room) for the Gala announced by Zurich Opera.

My expectations were very high. Everything was conjugated to an unforgettable night - a gala dedicated to the singer, one of the opera houses that contributed to his international success (Zurich), with performances of operas that he had ​​great success: staged performances of the 2nd act of Carmen, the 3rd of Tosca and the 1st of La Bohème, all with top-level singers.

But, today, I got an email from Opernhaus Zürich stating that, due to illness, Jonas Kaufmann cancelled the two scheduled Galas. What a disappointment! The singer, in recent times, has canceled many performances, but as in many other things, we never think we will be hit by the situation. For me it's the second time this season that I have a great disappointment of this kind.

I can only wish Jonas Kaufmann a fast recovery and expect that he continues to sing with the quality he usually does.

I still lack the courage to tell my travelling companion (who, at a great cost, agreed to go there with me, especially because she would see and hear Kaufmann) that, after all, things will not be quite as planned, especially in a detail of the night of 11th! (M, if you know this by reading the blog, I hope you understand my embarrassment in not telling you anything yet :-)).

segunda-feira, 7 de maio de 2012

LA CENERENTOLA, Palácio Garnier, Paris, Dezembro de 2011


(review in english below)

La Cenerentola é uma ópera de Gioacchino Rossini com libreto de Jacopo Ferretti, baseado no conto Cendrillon de Charles Perrault.


 É a história da Cinderela com algumas modificações, incluíndo nas personagens. A madrasta é aqui um padrasto (Don Magnífico) e em vez de uma fada é Alidoro, o preceptor do príncipe Don Ramiro, que assegura essa função. Também em vez do sapato, é uma pulseira o objecto de identificação da rapariga.


 Angelina (Cenerentola) sonha que casará com um rei mas é ridicularizada pelas meias-irmãs Clorinda e Tisbe. Alidoro, preceptor do príncipe, bate à porta disfarçado de pedinte, é rejeitado pelas irmãs, mas Angelina recolhe-o e alimenta-o. É anunciado que o príncipe Don Ramiro vai escolher a noiva num baile. As duas irmãs preparam-se e acordam o pai, Don Magnífico, que sonha com a ascensão social por uma das filhas se vir a tornar rainha. Don Ramiro aparece disfarçado de criado, vê Angelina e apaixonam-se. O criado, Dandini, disfarçado de príncipe, é cortejado pelas irmãs. Don Magnífico recusa a ida ao baile de Angelina mas ela é convidada por Alidoro. No baile aparece uma mulher deslumbrante que é reconhecida pelo príncipe e também são notadas as suas semelhanças com Angelina pelo padrasto e meias-irmãs. O criado Dandini, ainda disfarçado de príncipe, declara-se a Angelina mas ela diz-lhe que está apaixonada pelo “criado”. Antes de partir, Angelina dá uma pulseira ao “criado”. Tudo volta ao habitual em casa. A carruagem do príncipe avaria-se perto e Dandini, já não disfarçado, anuncia a entrada de Don Ramiro. Este, ao ver a pulseira no braço de Angelina, declara-lhe o seu amor, para desespero das meias-irmãs e do padrasto. Tudo acaba em bem, com o perdão generalizado de Angelina e promessas de vida feliz.


 A recuperação da encenação de Jean-Pierre Ponnelle foi uma homenagem póstuma que a Ópera de Paris fez a este encenador francês já falecido. É clássica, simples e funciona bem. Está muito dentro do que é habitual ver nesta ópera. Os cenários são maioritariamente feitos de pano pintado. Os quartos das irmãs estão nos lados, o de Don Magnifico em cima, com acesso ao centro da acção através de uma escada. Tudo se passa aqui, com encerramento e abertura de algumas partes mas sem grandes variações.


 O experiente maestro italiano Bruno Campanella assegurou uma direcção musical de qualidade e que ajudou a minimizar algumas limitações dos cantores. A Orquestra Nacional e o Coro da Ópera de Paris estiveram muito bem.


 Don Ramiro foi interpretado pelo tenor mexicano Javier Camarena. Cenicamente não esteve bem porque foi muito notória a sua quase exclusiva preocupação com o canto. A voz tem um timbre agradável mas o cantor não interpretou o papel sem mácula. A coloratura foi esforçada e o fraseado, por vezes, imperceptível. No registo mais agudo foi onde esteve melhor. Na ária Si, ritrovarla io giuro no início do 2º acto, “safou-se”, muito com a ajuda do maestro.


 Dandini, o seu criado, foi o excelente barítono italiano Riccardo Novaro, o melhor cantor da noite. A voz é cheia, bem projectada e afinada. Sempre que cantava era claramente audível sobre a orquestra e, em cena, foi muito convincente, não obstante o tipo de encenação.


 Karine Deshayes, mezzo francês, foi uma Angelina digna. Começou à defesa, quase sem se ouvir, mas foi melhorando. A voz não é particularmente bela mas, sobretudo no 2º acto, foi bem audível e cumpriu vocal e cenicamente. Na cena final esteve bem na Nacqui all’affanno… Non più mesta apesar de ter omitido algumas notas nas partes de coloratura mais exigente.


 O baixo-barítono espanhol Carlos Chausson foi um Don Magnifico interessante, de voz cheia e boa presença em palco, mas não foi magnífico.

Muito bem esteve o outro baixo, o italiano Alex Esposito que foi um Alidoro sem mácula, apesar de ter um papel pequeno. A par do seu compatriota Novaro, foi outro dos grandes cantores da noite.

As irmãs Clorinda (Jeannette Fischer) e Tsibe (Anna Wall) estiveram bem, cantaram, mas não encantaram.








Apesar de ter sido um bom espectáculo, faltou algo que o fizesse sair da mediania espectável. De facto, Rossini não é para todos.

***


LA CENERENTOLA, Palais Garnier, Paris, December 2011

La Cenerentola is an opera by Gioacchino Rossini with a libretto by Jacopo Ferretti, based on the tale Cendrillon by Charles Perrault.

It is the story of Cinderella with some modifications, including the characters. The stepmother is here a stepfather (Don Magnifico) and instead of a fairy is Alidoro, the preceptor of the prince Don Ramiro, which provides this function. Also instead of a shoe, a bracelet is the purpose of identifying the girl.

Angelina (Cenerentola) longs to marry a king but is ridiculed by the stepsisters Clorinda and Thisbe. Alidoro, tutor to the prince, knocks on the door disguised as a beggar, is rejected by the sisters, but Angelina collects him and feeds him. It is announced that prince Don Ramiro will choose his bride at a ball. The two sisters prepare for the ball. Their father, Don Magnifico dreams of having a higher position in society as one of the daughters might become queen. Don Ramiro appears disguised as a servant, sees Angelina and falls in love. The valet, Dandini, disguised as a prince, is courted by the sisters. Don Magnifico does not give permission to Angelina to go to the ball but she is invited by Alidoro. At the ball a stunning woman appears who is recognized by the prince and also her similarities to Angelina are noted by her stepfather and half-sisters. The servant Dandini, still disguised as a prince, declares himself to Angelina but she tells him she is in love with the valet. Before leaving, Angelina gives a bracelet to the valet Everything goes back to normal at home. Dandini, at  Don Magnifico’s home, no longer disguised, announces the arrival of Don Ramiro. He sees the bracelet on the arm of Angelina and declares his love, to the despair of her half-sisters and stepfather. Everything ends well with the global pardon of Angelina and promises of happiness.

The revival of the production by Jean-Pierre Ponnelle was a posthumous tribute of the Paris Opera to this deceased French director. It is a classic and simple staging that works well. The scenarios are mostly made of painted cloth. The rooms of the sisters are on the sides, on top is the bedroom of Don Magnifico, with access to the center of the action via a ladder. Everything happens here, with closure and opening of some parts but no major stage changes.

The experienced Italian conductor Bruno Campanella was responsible for a musical direction of quality that helped minimize some limitations of the singers.
The National Orchestra and Chorus of the Paris Opera were very good.

Don Ramiro was played by Mexican tenor Javier Camarena. Artistically he was not well because he was almost exclusively concern with the singing. The voice has a nice timbre but the artist did not sing the role perfectly. The coloratura was effortful and the phrasing was sometimes imperceptible. The upper register was where he was better. In the aria Si, ritrovarla io giuro at the beginning of the 2nd act, he overcame it in an acceptable way, with the help of the conductor.

Dandini, his valet, was a great Italian baritone Riccardo Novaro, the best singer of the night. The voice is full and refined. When singing he was clearly audible over the orchestra. Artistically he was very convincing, despite the “type” of staging.

Karine Deshayes, French mezzo, was a worthy Angelina. She started defending herself, almost without being heard, but shes improved. The voice is not particularly beautiful but, especially in the 2nd act, she was convincing both in vocal and artistic playing. In the final scene she sang well Nacqui all’affanno… Non più mesta despite having missed a few notes in the most demanding coloratura parts.

Spanish bass-baritone Carlos Chausson was an interesting Don Magnifico with a full voice and good stage presence, but he was not magnificent (magnifico).

Very good was the other bass soloist, the Italian Alex Esposito who playiec a spotless Alidoro, despite having a small role. Together with his compatriot Novaro, he was another of the great singers of the night.

The sisters Clorinda (Jeannette Fischer) and Tsibe (Anna Wall) sung well but they were not fantastic.

Although it was a good performance, it lacked something to make it leave the expected banality. Indeed, Rossini is not for everyone.

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

SIEGFRIED – 1º acto – Fundação Calouste Gulbenkian – 3 de Maio 2012



Não é frequente, e atrevo-me a dizer que é raríssimo, assistir a um concerto como o que hoje pude ver na Gulbenkian. Se o primeiro acto de A Valquíria é frequentemente apresentado em versão concerto, o mesmo já não se pode dizer do primeiro acto de Siegfried. Como penso já ter referido anteriormente neste blog, o Siegfried foi sempre a ópera da Tetralogia que menos me entusiasma, embora esta ideia se tenha indo dissipando, de há uns anos a esta parte. E para tal têm contribuído algumas experiências interessantes, na qual vou passar a incluir o concerto de hoje.

Kirill Petrenko dirigiu de forma convicta e precisa a Orquestra Gulbenkian que, na minha opinião, tem vindo a crescer ao longo desta temporada, no que diz respeito à interpretação operática e, felizmente, em Wagner.

Peter Galliard foi Mime e ofereceu-nos uma interpretação magnífica, quer do ponto de vista vocal quer do ponto de vista cénico. Todas as nuances vocais de Mime, sem exageros de caracterização, estiveram presentes. O timbre é perfeito e a afinação é sublime.

Scott MacAllister foi Siegfried e teve uma interpretação de elevada qualidade, embora seja difícil imaginá-lo fisicamente como o jovem e possante herói. Voz em excelente forma, incomodando ligeiramente no final dos “Hoho! Hoho! Hohei!” mas terminando a última cena com uma convicção e garra tocantes ao dizer “So schneidet Siegfrieds Schwert”.

O papel de Viandante é sim um verdadeiro papel para Wolfgang Koch, ao contrário de Hans Sachs. Imponente e solene, com uma voz potente capaz de se sobrepor à orquestra na sua maior força, foi simplesmente fenomenal.

Apesar de em versão de concerto, todos deram muito mais do que a voz, sendo a interpretação física muito boa mas destoando no conjunto por uma “dependência independente” da partitura na estante.


Siegfried - 1st act - Calouste Gulbenkian Foundation - May 3, 2012


It is not usual, and I dare say that it is rare, to attend a concert like the one I I could see today at the Gulbenkian. If the first act of The Valkyrie is often presented in concert version, the same cannot be said of the first act of Siegfried. As I think I have already mentioned before in this blog, Siegfried was always the opera of the tetralogy that excited me less, though I have learnt to see its qualities. To this it has contributed some interesting experiences, which will now include the today’s concert.

Kirill Petrenko led the Gulbenkian Orchestra in a convincing and secure way. In my opinion, this Orchestra has been growing throughout this season regarding the operatic interpretation and, fortunately, in Wagner.

Peter Galliard was Mime and offered us a magnificent interpretation of either the vocal and physical view. All the vocal nuances of Mime, without an exaggerated characterization, were present. The tone is perfect and the pitch is sublime.

Scott MacAllister was Siegfried and had a high quality interpretation, although it is hard to imagine him physically as the young and powerful hero. Voice in excellent shape, slightly disturbing at the end of "Hoho! Hoho! Hohei!", but ending the last scene with a touching conviction by saying" So schneidet Siegfrieds Schwert ".

The role of Wanderer is a true role for Wolfgang Koch, unlike Hans Sachs. Stately and solemn, with a powerful voice capable of overlap the orchestra in its greatest power, he was just phenomenal.

Although in concert version, all singers gave much more than the voice, with a very good physical interpretation diverging from the ensemble by an “independent dependence” of the score on the shelf.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Renato Bruson, Theatro São Pedro, São Paulo, Abril de 2012

Publicamos na íntegra mais um texto do nosso colaborador brasileiro mais regular, Ali Hassan Ayache, do blogue Música, Ópera &Ballet:

UM PUXÃO DE ORELHA EM TODOS OS CANTORES LÍRICOS DE SÃO PAULO - RENATO BRUSON NO PROJETO GRANDES VOZES/ THEATRO SÃO PEDRO.
 Theatro São Pedro /SP

 O barítono italiano Renato Bruson cantou diversas vezes em São Paulo, tive a oportunidade de vê-lo na ópera La Traviata de Verdi em 2001 no Theatro Municipal de São Paulo. Naquela oportunidade pude perceber o talento vocal desse grande cantor. Uma voz com belo fraseado e graves pujantes. Sempre quando assisto a La Traviata lembro de Renato Bruson, uma referência no papel de Giorgio Germont.

 Renato Bruson

A apresentação do grande barítono no Projeto Grandes Vozes no Theatro São Pedro, no último dia 27 de Abril, só confirmou a impressão que tive em 2001. Bruson não é mais um menininho, já passa dos setenta anos e canta bem, sabem por quê? Sua técnica é primorosa, entende do assunto como ninguém. Nunca cantou papéis que não se adequassem ao seu tipo de voz, soube se conservar e até os dias de hoje é convidado para cantar em diversos teatros do mundo.
Iniciou o recital com uma bela canção de Tosti , L'ultima Canzone, uma canção que lembra uma grande ária de ópera, emocionante do começo ao fim. Cantou ao lado de Mere Oliveira, Reverenza...buon giorno, buona donna... Alice è mia da ópera Falstaff, onde mostrou seu lado cômico. Após o intervalo tivemos Madamigella Valery....pura siccome un angelo...siate felice da ópera La Traviata uma de suas grandes especialidades, e fechou com uma das mais emotivas árias de Verdi, Di Provenza il mare, il suol da ópera La Traviata. Em todas as aparições Bruson mostrou uma voz uniforme, com graves excelentes e vigorosos. Um cantor a moda antiga, onde a voz era a excelência, a técnica preponderante e com o tempo aprendeu a interpretar os personagens, um barítono completo.
Um grande estilista da capital paulistana cedeu os vestidos para as cantoras, soube pelas redes sociais e foi anunciado antes da apresentação. Estilista nenhum faz alguém cantar bem, mas convenhamos, uma propaganda não faz mal a ninguém. Tati Helene entrou com o vestido cedido pelo tal estilista, eu achei sem graça, gosto é que nem nariz, cada um tem o seu. O soprano me surpreendeu, cantou Senza mamma da ópera Suor Angélica de Puccini e L`altra notte in fondo al mare da ópera Mefistofele de Boito. Sua voz mostrou excelente projeção, munida de um belo timbre e um lirismo sedutor. Seus agudos mostraram potência e realçaram todos os coloridos das árias. Sustentou as notas no limite na ária de Boito, não teve medo de correr esse risco, simplesmente arrebentou! Ao lado de Bruson fez bonito como Violetta, não é qualquer soprano que canta ao lado de Bruson.

 Tati Helene

Mere Oliveira também usou o vestido do tal estilista, esse não tão feioso. Na difícil ária Acerba voluttà da ópera Adriana Lecouvreur de Cilea a moça encontrou dificuldades. Sua voz carece de técnica para árias complexas, que exigem grande interpretação dramática. Possui graves interessantes e agudos fracos. Seu melhor momento foi Reverenza...buon giorno, buona donna... Alice è mia da ópera Falstaff de Verdi ao lado de Bruson. Uma cantora que não empolgou.

 Mere Oliveira

O tenor Rinaldo Leone esteve em grande noite. Na ária E lucevan le stelle da ópera Tosca de Puccini mostrou belos agudos, voz com belo timbre e técnica sólida. Ao lado de Bruson mostrou grande lirismo em Ah Mimi tu più non torni da ópera La Bohème de Puccini. O tenor me surpreendeu. Bravo Leoni!

 Rinaldo Leone

Um puxão de orelha a todos os cantores líricos de São Paulo e adjacências. Na récita vi poucos cantores na platéia. Todos eles têm a obrigação de estar presentes e ver a técnica de um dos grandes barítonos. Aprenderiam muito se fizessem isso e não cometeriam muitas barbaridades que andam cometendo por aí.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Eugene Onegin, Bayerische Staatsoper, Março de 2012






Eugene Onegin é uma ópera de P I. Tschaikowsky com libretto do compositor e de Konstantin Schilowsky, segundo uma obra de Puskin. O enredo pode ler-se aqui.


 A encenação de Krzysztof Warlikowski trouxe a acção para as décadas de 60 do século passado e assentou num relacionamento homossexual entre Eugene Onegin e Lenski. A abordagem prestava-se à apresentação de cenas de mau gosto (como presenciei na ópera Macbeth que vi no dia anterior), mas tal não aconteceu em excesso.
O que ficou desajustado foi toda a história original, o amor das irmãs Olga e Tatiana por Lenski e Onegin, com particular ênfase na cena final entre Onegin e Tatiana que, neste enquadramento, não fez qualquer sentido.
No início estamos numa grande sala de jogos e está uma televisão ligada, a emitir a preto e branco um campeonato de patinagem artística. Nessa mesma televisão aparecerá mais tarde a chegada do Homem à lua, a mira técnica e até o “granulado” da falta de emissão a meio da noite, quando Tatiana não consegue dormir. Na célebre cena da carta, Tatiana dita-a para um gravador em vez de a escrever e manda a gravação num envelope a Onegin.



Na festa de Tatiana, um dos números para divertimento dos convidados é uma cena de striptease masculino. O duelo entre Onegin e Lenski (mortal para o último) é um disparo à queima-roupa na cama onde ambos dormem.
O início da segunda parte abre com cowboys dispersos pelo palco, alguns em tronco nu. O mau gosto surge enquanto Lenski canta a famosa e belíssima ária Kuda kuda. antes de ser morto e, no fundo do palco, os cowboys, numa bomba de gasolina, divertem-se sexualmente com uma boneca insuflável. Já perto do final, entram em palco vestidos de mulher e de saltos altos. Opções de gosto muito discutível e que não trazem nada de inovador.




 A direcção musical foi do maestro finlandês Pietari Inkinen, responsável por uma interpretação correcta e equilibrada ao longo de toda a récita.

 A Tatiana do soprano russo Ekaterina Scherbachenko foi, de longe, a melhor interpretação da noite. A voz é de uma beleza invulgar, muito melodiosa, forte quando necessário e sempre de elevada qualidade. Em cena a cantora teve uma presença irrepreensível. Transmitiu angustia, desespero e resignação sempre que necessário. A figura magra e alta também ajudou muito.





O tenor eslovaco Pavol Breslik interpretou Lenski com grande nível. A voz tem um timbre bonito, ouve-se bem sobre a orquestra e não perde qualidade quando sobe às notas mais agudas. O cantor também tem uma boa figura, o que o ajudou na parte cénica.


 O baixo estónio Ain Anger cantou bem a ária no 3º acto, mostrando uma voz poderosa, grave e de timbre muito agradável.


 Os papeis secundários de Olga (Alisa Kolosova), Larina (Heike Grötzinger), Filipjewna (Elena Zilio) e Triquet (Guy de Mey) foram todos bem interpretados.

Deixei para o fim o Eugene Onegin do barítono inglês Simon Keenlyside. É um cantor de que gosto muito mas, aqui, foi a sua interpretação que menos me impressionou. Achei que esteve sempre tenso e inseguro. O seu barítono é de elevada qualidade mas não o demonstrou nem brilhou. E, cenicamente, também ficou muito aquém do habitual. Esteve sempre estático, não demonstrou a agilidade e as excelentes qualidades cénicas que o caracterizam.











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Eugene Onegin, Bayerische Staatsoper, March 2012


Eugene Onegin is an opera by P. I. Tchaikovsky with libretto by the composer and Konstantin Schilowsky, a text of Pushkin.
The plot can be read here.

The staging of Krzysztof Warlikowski brought the action to the decades of 60-70 of the last century and was centered in a homosexual relationship between Eugene Onegin and Lenski. This approach could be prone to the presentation of scenes of vulgar content (as witnessed in the opera Macbeth I saw the day before), but this has not happened in excess.
All that was the original story was misfitted, the love of sisters Olga and Tatiana by Onegin and Lenski, with particular emphasis on the final scene between Onegin and Tatiana. In this scenic option, it made no sense at all.
But there were some interesting scenic details: At the beginning we are in a large game room and a television is on, broadcasting  a figure skating championship in black and white. Later will appear, in the same television, the arrival of man to the moon, the television test card and even the "grainy" of the lack of emission at the middle of the night, when Tatiana can not sleep.
In the famous letter scene, Tatiana dictates the text to a tape recorder instead of writing and puts the recording in an envelope to be sent to Onegin.
At Tatiana´s party, one of the entertainment moments is male striptease performance. The duel between Onegin and Lenski (deadly for the latter) is a gunshot on the bed where they both sleep.
The beginning of the second part opens with cowboys scattered across the stage, some bare-chested. Another bad scenic option comes as Lenski sings the famous and beautiful aria Kuda kuda before being killed. In the background, the cowboys are in a gas station, playing sexually with an inflatable doll. Toward the end, they come on stage dressed as women with high heels. Questionable options that do not bring anything new to the stage.

 Musical direction was of Finnish conductor Pietari Inkinen who was responsible for  a correct and balanced interpretation throughout the performance.

Tatiana was Russian soprano Ekaterina Scherbachenko. She was, by far, the best singer of the night. The voice is unusually beautyful, very melodious, strong when needed and always high quality. On stage the singer had an irrepressible presence. SShe conveyed anguish, despair and resignation whenever necessary. The slim, tall figure of the singer also helped a lot. Fantastic.

Slovak tenor Pavol Breslik was a high quality Lenski. The voice has a beautiful tone, is heard over the orchestra and does not loose quality when singing top notes. The singer also has a good figure, which helped in the artistic part.

Estonian bass Ain Anger sang very well his aria in Act 3, showing a powerful voice with a and very nice tone.

Secondary roles of Olga (Alisa Kolosova) Larina (Heike Grotzinger), Filipjewna (Elena Zilio) and Triquet (Guy de Mey) were all ok.

I left English baritone Simon Keenlyside’s  Eugene Onegin for the end. Keenlyside is a singer that I like very much but here his interpretation did not impressed me. I found him always tense and insecure. His baritone is high quality but he did not show it and he was not brilliant. And, artistically, he also also not as well as he usually is. He was always very static, and he did not show the agility and the outstanding artistic qualities that characterize him.

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