sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Concerto Comemorativo Orquestra Gulbenkian 50 anos – Grande Auditório da FCG, 19 de Outubro de 2012


(review in English below)

O concerto que a FCG apresentou na 4.ª e 6.ª feiras foi comemorativo dos 50 anos da orquestra mais famosa de Portugal. Foi dirigido pelo maestro titular Lawrence Foster.



Apresentou peças de Joseph Haydn — Sinfonia n.º 85, La Reine, parte integrante das sinfonias parisienses —, Vasco Mendonça — Group together, avoid speech, encomenda da FCG e estreia mundial — e Igor Stravinsky — A Sagração da Primavera, peça composta e estreada em Paris em 1913 com grande polémica associada.

Ouviu-se uma interpretação regular da Sinfonia de Haydn. De Vasco Mendonça pudemos ouvir uma composição que se baseou no excerto poético de Elliot “In this last of meeting places /
We group together / And avoid speech / Gathered on this beach of the tumid river / Sightless, unless / The eyes reappear (...)” (Hollow Men) e que foi propositadamente encomendada para este concerto. Considero-a interessante e que merece uma segunda audição mais atenta — uma primeira audição nunca é mais do que uma introdução. Embora confesse não ser o meu estilo (também por falta de hábito), foi uma peça que me suscitou toda a atenção e que teve momentos de um dramatismo intenso.
(site FCG)
O prato forte da noite era a famosíssima peça A Sagração da Primavera de Stravinsky que dispensa qualquer apresentação. É, para mim, uma das peças mais genais jamais escritas. A sua interpretação exige uma orquestra muito empenhada em transmitir-nos as mais telúricas profundezas, exigindo uma energia totalmente visceral, quase a apelar à náusea. Creio que faltou esse brilho.
Resta-me deixar os meus parabéns à Fundação pelos 50 anos da sua Orquestra. Sem o seu forte empenhamento e produtiva actividade, o panorama musical em Portugal tocaria o paupérrimo. Obrigado e parabéns.
-----
(Review in English)
The concert that FCG presented in October 4th and 6th was commemorative of the 50th anniversary of the most famous Portugal’s orchestra. It was directed by principal conductor Lawrence Foster.
It presented Joseph Haydn — Symphony no. 85, La Reine, a part of Parisian symphonies —, Vasco Mendonça — Group together, avoid speech, an FCG’s order and world premiere —, and Igor Stravinsky — The Rite of Spring, composed and premiered in Paris in 1913 with much controversy.
We heard a regular interpretation of Haydn's Symphony. We heard a composition of Vasco Mendonca that was based on an Elliot’s poetic excerpt from Hollow Men "In this last of meeting places / We group together / And avoid speech / Gathered on this beach of the tumid river / Sightless, unless / The eyes reappear (.. .) ". It was purposely commissioned for this concert. I find it interesting and that it deserves a second more attentive hearing - a first hearing is never more than an introduction. Although confess it is not my style (also due to lack of habit), it was a piece that raised me all the attention and had moments of intense drama.
The very famous piece The Rite of Spring by Stravinsky needs no introduction. It is, for me, one of the most genius piece ever written. Their interpretation requires an orchestra very keen to convey to us the most telluric depths, requiring a totally visceral power, almost calling for nausea. I believe that lacked lustre.
It remains for me to leave my congratulations to the Foundation for 50 years of its orchestra. Without their strong commitment and productive activity, the music scene in Portugal would play the pauper. Thank you and congratulations.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

VIOLANTA & UMA TRAGÉDIA FLORENTINA, Theatro Municipal de São Paulo, Outubro de 2012


TRAGÉDIA ORQUESTRINA NO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE DO BLOG DE ÓPERA E BALLET.



Apresentar óperas desconhecidas do grande público é comum nos grandes teatros líricos do mundo. A diferença é que nesses teatros temos temporadas com uma dezena de óperas de títulos conhecidos. Sobram Bohemes, Traviatas e Carmens e entre uma delas os diretores colocam um título inédito e desconhecido. Tenho mais de 1500 vídeos de óperas e balés colecionados ao longo dos anos e nem sequer tinha ouvido falar desses dois títulos. Nos meus vídeos existem raridades e óperas mais que exóticas, nem imagino onde a direção do Theatro Municipal de São Paulo foi buscar algo tão estranho. Proponho que montem Mignon de Thomas, essa sim uma raridade e de música belíssima.
Nosso querido Theatro Municipal de São Paulo tem uma boa temporada, mas nada que chegue perto dos grandes teatros mundiais. Por isso vejo como incompatível a montagem de Violanta de Korngold e Uma Tragédia Florentina de Zemlinsky. Precisamos de mais óperas arroz com feijão, para formar público, depois que a temporada do nosso maior teatro tiver mais de 10 óperas por ano, podemos pensar em Violantas e Tragédias Florentinas e demais modernices bisaras.

 Martin Muehle e Eiko Senda em cena- Foto Internet

Musicalmente, as duas óperas têm passagens interessantes, mas nada empolgantes. Ninguém sai assoviando nenhum tema. A montagem de Felipe Hirsch (o mesmo que fez um Rigoletto com andaimes, espelhos d'água, personagem morrendo em pé e foguetes atômicos em 2011 no TMSP e levou o título de Pior Direção de Cena do blog de Ópera e Ballet) fica no básico, enclausura os personagens em um grande retângulo, na primeira ópera, e exibe diversas projeções de vídeos. Já esta virando rotina exibir vídeos nas montagens do municipal e já perdeu a graça. Na segunda o quadrado fica acima dos personagens em um cenário quase vazio. Nada de novo, nada de interessante. Os figurinos da dupla dinâmica, Daniela Thomas e Felipe Tassara representam a ideia do que ocorre no espaço cênico, simples e funcionais.

 Martin Muehle e Eiko Senda em cena- Foto Internet

A regência de Luís Gustavo Petri peca pelo excesso, o homem rege ópera como se estivesse fazendo um grande concerto orquestral. Volume da orquestra mais que elevado, encobrindo diversas vezes, mas muitas vezes mesmo os solistas. Olha que no palco temos vozes calejadas e potentes, encobrir Eiko Senda e Martin Muehle (ambos cantam Wagner e não são encobertos) é uma proeza que só vi o maestro Petri fazer. Bela proeza maestro, sua orquestra tem que estar acima de tudo.
Os solistas mandaram bem, o que deu para ouvir de suas vozes foram atuações de primeira. Martin Muehle tem um maravilhoso timbre e uma voz madura de tenor com agudos com um brilho único. Sua voz se mantém segura e com qualidade em toda a apresentação. O mais belo timbre do Brasil na atualidade. Rodrigo Esteves é um grande barítono, fez o que pôde para tentar sobrevoar a potente orquestra e mostrar sua voz. Sua técnica e seus graves predominaram, atuou demais e foi o mais prejudicado dos solistas. Eiko Senda cantou como sempre, mostrou qualidade de começo ao fim da récita em uma voz de timbre escuro e se matou para ser ouvida.


Rodrigo Esteves- Foto Internet

O soprano Céline Imbert mostrou bela voz, sua participação em Uma Tragédia Florentina teve potência e um timbre arrasador, teve grande técnica nas diversas dificuldades que a partitura exige. O barítono Frederico Sanguinetti fez uma apresentação normal, sua voz é simples e nada comovente.
Um espetáculo que deu dor de cabeça, quem aguenta uma orquestra naquele volume, duas histórias óbvias e uma montagem básica? Eu não aguento. Brasileiro aplaude tudo, alguns espectadores deliraram e gritaram adoidado no final da récita. Suas mãos ficaram vermelhas de tanto aplaudir, ululavam como se estivessem em um grande estádio de futebol vendo seu time virar o jogo aos 45 minutos do segundo tempo, dá para perceber que esses jogam em outro time.

domingo, 14 de outubro de 2012

L’ELISIR D’AMORE, Met Live em HD, Fundação Gulbenkian, Outubro de 2012


(Review in English below)

 L’Elisir d’Amore é uma ópera de G. Donizetti com libreto de Felice Romani. Apesar de ser uma obra muito popular, como já referi anteriormente, não a conto entre as que mais gosto.

O Met, a exemplo do ano passado, voltou a abrir a temporada com Anna Netrebko e uma ópera de Donizetti.

E, também como aconteceu com o Elixir do ano passado, como aqui escrevi, incluiu quatro dos melhores cantores da actualidade. Não posso deixar de comparar as duas produções, que vi com alguns meses de diferença.

A encenação de Bartlett Sher foi muito do meu agrado. Foi clássica, sóbria e desprovida de exageros cómicos que, muito frequentemente, resultam ridículos e sem graça. Foi incomparavelmente melhor que a de John Coplei.

A direcção musical esteve a cardo do Maestro Maurizio Benini e foi muito melhor que o trabalho medíocre de Donato Renzetti.


Nemorino foi interpretado pelo tenor norte americano Matthew Polenzani. Ofereceu-nos uma interpretação de categoria, muito suada e cenicamente correcta. Juan Diego Flórez, foi francamente superior no ano passado.

Anna Netrebko, soprano russo que muito admiro, fez uma Adina de voz encorpada, sempre bem afinada e cenicamente irrepreensível. Mas não foi melhor que Diana Damrau.

O único solista que cantou nas duas produções foi o barítono ploaco Mariusz Kwiecien. Foi um Belcore muito credível. Excelente actor, a voz é forte, harmoniosa e de belo timbre.

O barítono italiano Ambrogio Maestri interpretou o Dr Dulcamara. Foi também muito bom em cena, tanto vocal como cenicamente. Tem uma voz poderosa e de timbre agradável. Mas não atingiu o nível quase perfeito de Alessandro Corbelli no ano passado.

Em conclusão, um bom início de temporada das transmissões MetLive em HD, que continuamos a dever à Fundação Calouste Gulbenkian.

****



L'ELISIR D’AMORE, Met Live in HD, Gulbenkian Foundation, October 2012

L'Elisir d'Amore is an opera of G. Donizetti with libretto by Felice Romani.
 Despite being a very popular opera, as I mentioned before in this blog, it is not one of my favorites.

The Met, like last year, opened the season with Anna Netrebko and an opera by Donizetti.

And, also like with the L’Elisir d’Amore of last year, as I wrote here, included four of the best singers in this repertoire today. I can not avoid the comparison of the two productions I saw a few months apart.

I liked very much the staging of Bartlett Sher.. It was classic, sober and devoid of humorous exaggerations that very often result unfunny and ridiculous.
It was incomparably better than that of John Coplei.

Musical direction of maestro Maurizio Benini was much better than the mediocre work of Donato Renzetti.

Nemorino interpreted by North American tenor Matthew Polenzani. He offered us a high level interpretation, very sweaty, and artistically credible. Juan Diego Flórez, was better last year.

Anna Netrebko, Russian soprano that I admire a lot, made
​​a voluminous voice Adina, always in tune and artistically blameless. But she was not better than Diana Damrau.

The only soloist who sang in both productions was the polish baritone Mariusz Kwiecien. he was a very credible Belcore. Excellent actor, his voice is strong, harmonious and with a beautiful timbre.

Italian baritone Ambrogio Maestri pwas Dr Dulcamara. He was also very good on stage, both vocal and artistically. He has a powerful voice and pleasant timbre. But he could not reach the perfect performance of Alessandro Corbelli last year.

In conclusion, a good start to the MetLive season transmissions in HD, that continues to be possible in Portugal thanks to the Calouste Gulbenkian Foundation.

****

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

OPERA IN THE PARK, Golden Gate Park, San Francisco, Setembro 2012



Na minha recente estadia em San Francisco assisti a um concerto ao ar livre, Opera in the Park, gratuito e aberto a todos, no Golden Gate Park, num dia de sol radioso. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de assistir, ao vivo, a um destes concertos nos Estados Unidos da América.


 A Orquestra da Ópera de San Francisco foi dirigida pelo maestro Nicola Luisotti. O programa foi composto por excertos muito populares de óperas bem conhecidas.

Incluiu árias, duetos e ensembles de La Traviata, I Lombardi, Rigoletto, Un Ballo in Maschera (Verdi), Manon Lescaut, Tosca  (Puccini), Norma, I Puritani (Bellini), Carmen (Bizet), Roméo et Juliette (Gounod), L’Elisir d’Amore (Donizetti), Il Barbiere di Siviglia (Rossini) e Rinaldo (Händel). A abertura da Norma e o intermezzo da Manon Lescaut foram as únicas intervenções apenas orquestrais.




 O nível qualitativo dos cantores foi de topo e incluiu:

Tenores: Saimir Pirgu, uma das vozes mais bonitas da actualidade, verdadeiramente notável em La mia letizia infondere de I Lombardi, Arturo Chacón-Cruz, Francesco Demuro, em luta com as notas agudas, e Brian Jagde.

Barítonos: Joo Won Kang e Zeljko Lucic.

Baixos: Eric Owens, marcante na ária Sibilar gli angui d’Aletto de Rinaldo e Andrea Silvestrelli.

Sopranos: Albina Shagimuratova, magnífica na ária Qui la voce de I Puritani, Nicole Cabell, Nadine Sierra, muito original na interpretação da ária Lascia ch’io pianga de Rinaldo, Aleksandra Kurzak e Marina Harris.

Mezzosopranos: Kendall Gladen, detentora de uma bela voz escura e luminosa, e Laura Krumm.


Um concerto ao ar livre tem, necessariamente, condicionalismos que seriam inaceitáveis dentro de um teatro de ópera. Entre outros, amplificação sonora potente (com distorção vocal), ruído ambiente constante, movimento regular de pessoas (e de cães).


 Nesta tarde houve ainda outros aspectos negativos. Foram constantes os que falavam em tom de voz normal durante o concerto (e pouco sensíveis aos schiiii dos vizinhos), outros trauteavam árias que julgavam conhecer, e muitos comiam com ruído alguns dos componentes do picnic que foram convidados a trazer.


 Mas o espírito aqui é outro, os aplausos foram longos e generosos, e todos devem ter gostado muito, sobretudo depois de “cantarem” com os artistas, no encerramento do concerto, o Libiamo de La Traviata.




OPERA IN THE PARK, Golden Gate Park, San Francisco, September 2012

In my recent stay in San Francisco I attended an outdoor concert, Opera in the Park, free of charge and open to all, in Golden Gate Park, on a day of bright sunshine. It was the first time I had the opportunity to see, live, one of these concerts in the United States.

San Francisco Opera Orchestra was conducted by Maestro Nicola Luisotti. The program consisted of well known excerpts from popular operas.

It included arias, duets and ensembles from La Traviata, I Lombardi, Rigoletto, Un Ballo in Maschera (Verdi), Manon Lescaut, Tosca (Puccini), Norma, I Puritani (Bellini), Carmen (Bizet), Roméo et Juliette (Gounod) , L'Elisir d'Amore (Donizetti), Il Barbiere di Siviglia (Rossini) and Rinaldo (Handel) The overture of Norma and the intermezzo from Manon Lescaut were the only orchestral interventions.


The qualitative level of the singers was top and included:

Tenors: Saimir Pirgu, one of the most beautiful voices of our time, truly remarkable in La mia letizia infondere from I Lombardi, Arturo Chacón-Cruz, Francesco Demuro, struggling with the high notes, and Brian Jagde.
Baritones: Joo Won Kang and Zeljko Lucic.

Bass: Eric Owens, striking in the aria Sibilar gli angui d'Aletto from Rinaldo and Andrea Silvestrelli.

Sopranos: Albina Shagimuratova, magnificent in the aria Qui la voce from I Puritani, Nicole Cabell, Nadine Sierra, very original interpretation of the aria Lascia ch'io pianga from Rinaldo, Aleksandra Kurzak and Marina Harris.

Mezzosopranos: Kendall Gladen, with a beautiful dark voice, and Laura Krumm.
An outdoor concert necessarily has constraints that would be unacceptable in an opera house. Among others, powerful sound amplification (with voices distorted), continuous noise, and regular movement of people (and dogs).
This afternoon there were still other negative aspects. Some people spoke in normal tone of voice during the concert (and were little sensitive to the neighbors schiiiiii), others sung arias that they thought they knew, and others ate with noise some components of the picnic that they were invited to bring.

But here the atmosphere is different, the applause was long and generous, and all must have enjoyed themselves a lot, especially after "singing" with the artists, at the close of the concert, the Libiamo of La Traviata.

domingo, 7 de outubro de 2012

Alexei Volodin, Ciclo de Piano da FCG — 7 de Outubro de 2012


(review in English below)

O ciclo de piano da temporada 2012/13 da FCG estreou-se com o pianista russo Alexei Volodin com um programa que inclui Schubert, Beethoven, Tchaikovsky e Kasputin.


O recital iniciou-se pelos Impromptus, D. 899 de Franz Schubert, compostos no ano anterior à sua morte precoce em 1828. São um conjunto de 4 peças sobejamente conhecidas do público e que aqui nos foram mostradas de forma exemplar por Volodin.

Foi seguida da muito famosa Sonata para piano n.º 8, op. 13, conhecida por “Patética”, de Beethoven, cuja força dramática tem vindo a tocar os ouvintes desde que foi escrita em 1798 quando este tinha 27 anos. Foi muito bem interpretada.

Findo o intervalo, seguiu-se a Suite de O Quebra Nozes a partir do bailado homónimo de P. I. Tchaikovsky, transcrita pelo consagrado pianista e maestro Mikhail Pltenev, no meu entender o melhor interprete de Tchaikovsky da atualidade, cujas gravações das obras sinfónicas são uma referência absoluta. A transcrição passa por todos os elementos centrais da obra que todos nós conhecemos e permitiu a Volodin exibir todas as suas qualidades técnicas e expressivas.

A terminar, foi-nos apresentada a Sonata n.º 2, op. 54 de Nikolai Kasputin, compositor de origem ucraniana e cuja obra é, para muitos, pouco conhecida. Esta obra foi composta em 1989 e tem uma clara inspiração no jazz, não fosse o pianista e compositor Kasputin um homem que, apesar da sua formação clássica, cedo se dedicou quase em exclusivo a este género musical. Apesar de muitos cépticos (chamemos-lhes assim...) terem abandonado a sala antes e durante a interpretação da sonata, esta foi muito interessante e revelou as belíssimas qualidades técnicas e interpretativas deste pianista com um reportório tão vasto.

Alexei Volodin ofereceu-nos, ainda e muito simpaticamente, três encores: o primeiro foi uma peça muito famosa, mas que não me lembro do nome, pelo que não vou arriscar (quem quiser dizer faça o favor!); as duas últimas foram a Valsa do Minuto e o Nocturno n.º 20 de Chopin. As três peças foram muito bem tocadas.

Foi uma óptima forma de começar este ciclo.

Deve deixar-se uma nota sobre o Concerto Tússico que nos foi apresentado a cada intervalo entre peças: quer os timbres laríngeos, quer os brônquicos estiveram muito bem, em clara preparação para o Inverno que aí vem.


-------------------
(review in English)

The FCG’s piano cycle of 2012/13 season debuts with the Russian pianist Alexei Volodin with a program that includes Schubert, Beethoven, Tchaikovsky and Kasputin.

The recital began by Impromptus, D. 899 by Franz Schubert composed in the year before his premature death in 1828. They are a set of well known 4 pieces that were shown to us in an exemplar way.

The extremely famous Beethoven’s Piano Sonata no. 8, op. 13, known as "Pathetique", followed it, a sonata whose dramatic force has been touching listeners since it was written in 1798 when Beethoven was 27. It was extremely well interpreted.

After the break, the recital followed by the Suite from the homonym ballet The Nutcracker of P. I. Tchaikovsky, transcribed by the renowned pianist and conductor Mikhail Pltenev, in my opinion the best interpreter of Tchaikovsky today, whose recordings of symphonic works are absolute references. The transcription goes through all the core elements of the work that we all know and that allowed Volodin shows all its technical and expressive qualities.

Finally, it was presented to us Ukrainian origin composer Nikolai Kasputin’s Sonata n. 2, op. 54, whose work is, for many, poorly known. This work was composed in 1989 and has a clear inspiration in jazz, was not the pianist and composer Kasputin a man who, despite his classical training, early devoted himself almost exclusively to this genre. Although many sceptics (call them so...) has left the hall before and during the interpretation of the sonata, this was very interesting and showed the tchenical and interpretative qualities of this interpreter with a repertoire so vast.

Alexei Volodin gave us yet, very sympathetically, three encores: the first part was one very famous, but I do not remember the name, so I will not risk to say what it was (who wants to say, please!); the last two were Chopin’s Minute’s Waltz and Nocturne n.º 20. The three pieces were very well played.

It was a great way to start this cycle.

I also should leave a note on Concert for Cough presented to us every gap between pieces: whether the laryngeal or bronchial timbres were very well, clearly in preparation for the winter that is coming.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Missa em si menor, Johann Sebastian Bach – Fundação Calouste Gulbenkian – 4 Outubro 2012


(review in english below)

A Temporada 2012-2013 da Fundação Calouste Gulbenkian iniciou-se ontem com a Missa em si menor de Johann Sebastian Bach.


Não sei se com alguma intenção específica mas parece-me a melhor escolha para iniciar esta temporada. Digo isto porque Bach compôs a obra no final da vida, mais concretamente no ano anterior à sua morte, e nela existem passagens previamente compostas em anos anteriores, não necessariamente conferindo uma síntese da sua vida de composição mas, de certo modo, a poder ser, no mais básico pensamento, assim considerada. No ano em que a Orquestra Gulbenkian comemora a bonita idade de 50 anos, por que não iniciar a Temporada com uma obra de síntese de vida? E por que não esta, de Johann Sebastian Bach, que faleceu no ano de 50 do século XVIII? Curioso, não?

O Concerto de ontem fez-me viajar de volta à altura do meu 2º ano de Faculdade, onde a agora velhinha gravação de Frans Bruggen da Philips preenchia grande parte dos dias dos primeiros meses de estudo. É engraçado como as memórias conseguem ser reavivadas através de sons, de odores, de visões... Não é esse o maior tesouro que levamos da Vida quando esta termina, ou muda de estado como eu acredito, com  a morte? As Memórias... os Sentimentos...

John Nelson conduziu a adaptada Orquestra Gulbenkian de forma exímia. O espírito barroco esteve presente com uma simplicidade incrível. O Coro, estratosférico, continua a impressionar-me pela alegria com que faz música e pela coesão emocional de grupo. Para estes músicos, vê-se que fazer música é um prazer imenso! E o prazer que, no seu conjunto, nos trazem quando nos oferecem também o silêncio sepulcral, síncrono, no final de cada número cantado. Deleite não só na música mas também em algo que a integra e que a exalta: o silêncio quando termina; uma espécie de contrariedade que não o é – prazer no silêncio porque houve música antes e não tristeza no silêncio porque esta terminou.

Christine Rice, invariavelmente, sobressaiu entre os solistas ao interpretar celestialmente a provavelmente mais emblemática passagem da obra: o Agnus Dei. Johanette Zomer esteve muito bem, assim como Werner Gura. Apenas me desgostou o timbre ou, não sei se assim se pode chamar, a reverberação da voz do baixo Nathan Berg. O “Et in Spiritum Sanctum”, o grande momento do baixo na obra, não deixou de soar algo rude.

Excelente início de Temporada!






Mass in B minor, Johann Sebastian Bach - Calouste Gulbenkian Foundation – October 4, 2012

The 2012-2013 Season of the Calouste Gulbenkian began yesterday with the Mass in B minor by Johann Sebastian Bach.



I do not know if with any specific intention but it seems to me the best choice to start this season. I say this because Bach composed the work at the end of his life, specifically in the year before his death, and there are passages in it composed in previous years, not necessarily giving an overview of his compositor life but, somehow, it can be , in the most basic thinking, thus considered. In the year that the Gulbenkian Orchestra celebrates the beautiful age of 50, why not start the season with a work of synthesis of life? And why not this one, by Johann Sebastian Bach, who died in the year 50 of the eighteenth century? Curious, no?

The yesterday concert made me travel back to the time of my 2nd year of college, where the now old recording of Frans Bruggen (Philips label) filled most days of the first months of study. It's funny how memories can be revived through sounds, smells, sights ... Is not that the greatest treasure we carry from Life when it ends, or changes state as I believe, with death? Memories ... Feelings ...

John Nelson conducted the adapted Gulbenkian Orchestra superbly. The Baroque spirit was present with amazing simplicity. The Choir, stratospheric, continues to impress me with the joy in making music and the emotional group cohesion. For these musicians, it is seen that making music is a great pleasure! And the pleasure they bring us togheter when also offer the sepulchral silence, synchronous, at the end of each number sung. Delight not only in music but also in something that enhances and integrates it: silence when it finishes, a kind of annoyance that is not - pleasure in silence because there was music before and not sadness in silence because the music ended.

Christine Rice invariably stood out among the soloists by celestially performing probably the most emblematic passage of the work: the Agnus Dei. Johanette Zomer was very good as well as Werner Gura. Only the pitch or, I do not know if we may call it, the reverberation of the bass voice of Nathan Berg disgusted me. The "Et in Spiritum Sanctum," the highest bass moment in the work, sounded harsh.

Excellent beginning of season!



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Albina Shagimuratova - Um jovem soprano de coloratura sensacional / A sensational young coloratura soprano


 
(text in english below)

 Há poucas semanas ouvi, pela primeira vez, uma jovem cantora que me deixou deveras impressionado!
Estupenda a sua interpretação de Gilda no Rigoletto! É um soprano de coloratura como raramente se ouve nos dias que correm.
Mais uma pista, é originária de um país com grandes tradições operáticas e que nos tem dado cantores líricos da mais alta qualidade.
Quem é ela? Albina Shagimuratova.

  
A sensational young coloratura soprano

A few weeks ago I heard for the first time another young singer who left me truly impressed!
Her interpretation of Gilda in Rigoletto was fabulous! She is a coloratura soprano as we rarely hear these days.
Another clue, she comes from a country with great operatic traditions and with singers of the highest quality.
Who is she? Albina Shagimuratova