sábado, 22 de março de 2014

SOLOMON de GF Händel, Fundação Gulbenkian, Março/March de 2014

(o julgamento de Salomão / The judgment of Solomon; Gaetano Gandolfi)

 A oratória Solomon HWV 67 de G.F. Händel foi recentemente apresentada na Fundação Gulbenkian. Paul McCreesh dirigiu a Orquestra e o Coro Gulbenkian. Foram solistas o contratenor inglês Iestyn Davies como Salomão, o soprano português Inês Simões como Rainha de Salomão, o barítono português Hugo Oliveira como um levita, o tenor escocês Thomas Walker como Zadok, o soprano inglês Mhairi Lawson como 1ª prostituta, o mezzo português Catia Moreso como 2ª prostituta e o soprano escocês Gillian Webster como Rainha de Sabá.

 Iestyn Davies

A obra é de grande intensidade melódica e invulgar beleza. A interpretação foi em crescendo, com o primeiro acto razoável, o segundo bom e o terceiro excelente.

Mhairi Lawson

Os solistas tiveram interpretações de qualidade variável, merecendo destaque o contratenor Iestyn Davies, o soprano Mhairi Lawson e, sobretudo, o soprano Gillian Webster. 

Gillian Webster

No 3º acto, coro, orquestra e solistas estiveram ao mais alto nível, merecendo relevo o excelente “diálogo” entre o oboé de Pedro Ribeiro e a Rainha de Sabá (Gillian Webster).

Pedro Ribeiro

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The Oratory Solomon HWV 67 by GF Handel was recently presented at the Gulbenkian Foundation. Paul McCreesh directed the Gulbenkian Choir and Orchestra. The soloists were English countertenor Iestyn Davies as Solomon, Portuguese soprano Ines Simoes as Queen of Solomon, the Portuguese baritone Hugo Oliveira as a levite, Scottish tenor Thomas Walker as Zadok, English soprano Mhairi Lawson as the 1st prostitute, Portuguese mezzo Catia Moreso as 2nd prostitute and scottish soprano Gillian Webster as the Queen of Saba.

The piece is of an unusual intensity  and great melodic beauty. The interpretation has been in crescendo, with a reasonable first act, a good second act, and an excellent third act.

The soloists were of variable quality, deserving a special reference countertenor Iestyn Davies, soprano Mhairi Lawson and, especially,  soprano Gillian Webster .

During the 3rd act, chorus, orchestra and soloists were at the highest level, and I highlight the excellent "dialogue" between the oboe played by Pedro Ribeiro and the Queen of Sabá (Gillian Webster)


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2 comentários:

  1. A interpretação de 5.ª feira também foi em crescendo. O coro da FCG, como habitualmente, esteve em excelente nível. Também Paul McCreesh esteve bem (espero que se mantenha a melhorar: das últimas vezes tenho gostado mais das suas interpretações) e conduziu uma Orquestra da FCG de bom nível em Handel. Quanto aos solistas: destacaram-se, igualmente, Davies (bela voz e excelente projecção) e Gillian Webster. De quem não gostei mesmo nada foi de Thomas Walker (timbre não muito agradável, cantou com muito esforço e os agudos saíram-lhe quase sempre mal). Mas foi um excelente serão na FCG.

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  2. Caros Fanático_um e camo_opera,

    Assisti à récita de 5ª e saí bastante agradado.
    Tive alguma pena de ver o Grande Auditório a não mais de 70%, seguramente.
    Foi bom ouvir a obra na sua integralidade, embora existam algumas partes menos interessantes ao nível do texto, especialmente no 1º e 3º actos.
    Gostei bastante do contratenor Davies: voz clara e bastante pura, mas com textura. Boa projecção e desenvoltura adequada nas passagens mais ornamentadas. Apreciei a contenção dramática que exibiu, que me pareceu bastante adequada à natureza da personagem de Solomon (que, aliás, não deixa espaço para grandes liberdades interpretativas). Em contraste, achei que algumas das intervenções de Hugo Oliveira, como Levita, pecaram por algum excesso vocal, especialmente na sua ária do 2º acto.
    Ainda nos homens, não desgostei tanto do tenor que cantou o papel de Zadok como o camo_opera. Pareceu-me ter exibido uma boa técnica vocal, com bom controlo da respiração e pareceu-me bastante envolvido no plano interpretativo.
    Nas senhoras também destacaria Gillian Webster, que esteve muito bem e revelou uma voz com um belo timbre. Mhairi Lawson também me agradou muito, quer pela interpretação tocante, quer pelo canto. As portuguesas estiveram igualmente à altura dos seus papéis.
    Destacaria também o coro, em excelente forma, conseguindo sempre manter a clareza e a separação das linhas nas passagens polifónicas, não obstante a sua dimensão.
    Já não posso dizer o mesmo da prestação da orquestra. Pareceu-me ter havido alguns desacertos nas cordas, talvez mercê do pouco entrosamento entre a concertina convidada e os demais naipes de cordas. E momentos houve, em passagens mais rápidas, que a sincronia se perdeu dentro do próprio naipe dos 1ºs violinos. Porém, no mais, acho que esteve bem (Pedro Ribeiro excelente, como sempre).
    A interpretação de McCreesh foi correcta e adequada, embora tivesse apreciado um pouco mais de entusiasmo, especialmente na abertura do 3º acto, que me pareceu desprovida da vivacidade que se exigiria (o mesmo “problema” sucede também na gravação de McCreesh para a Archiv, com o fantástico Andreas Scholl).
    Não obstante estes pormenores, foi um serão muito agradável e uma oportunidade fantástica para ouvir ao vivo uma obra que merecia ser mais tocada (pelo menos em Portugal).
    Cumprimentos,
    J. Baptista

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