domingo, 30 de setembro de 2012

Balanço final da Temporada 2011-2012, por Wagner_fanatic


(in english below)

A Temporada 2011-2012 foi uma temporada cheia de bons momentos operáticos.

Não querendo ser muito exaustivo mas dando a oportunidade de reverem alguns dos comentários deste blog, decidi, como é nosso hábito, trazer-vos aquelas produções que achei mais marcantes, os melhores cantores, a par também das desilusões que, no fundo, fazem parte da vida e da ópera também.

Melhores produções


Muitos não vão acreditar mas, para mim, a produção do Così fan Tutte do Teatro Nacional de São Carlos foi a que mais me marcou . A qualidade dos cantores e a possibilidade de os conhecer e de contribuírem para este blog (Entrevista) foi, a par com a minha paixão por Mozart, um momento singular no meu percurso operático.



Domingo, sempre Plácido Domingo, numa récita esplendorosa!!! A paixão pelo canto, pela representação, pela Vida, rodeado de excelentes cantores numa casa de ópera de empréstimo à Staatsoper mas que é bem melhor que a velhinha em restauro.



A primeira vez que assisti a Rolando Villazon em palco. Sublime! Na senda de Domingo, um cantor que, assim que canta uma nota, tudo parece maior e melhor à nossa volta e no nosso interior emocional. Tudo isto com uma capacidade de comediante invejável!



Excelente produção no seu global, com sonoridade única pela Orquestra do Teatro Real e cantores capazes de nos derreter em mel com a música de Mozart.


5º lugarA Trilogia da Ponte, Royal Opera House, Londres

Così fan tutte, Don Giovanni e Le Nozze di Figaro de Londres, em poupança de custos, utilizando produções antigas e largamente repetidas na Royal Opera, permitiu elencos de luxo para récitas igualmente fantásticas.


Melhores cantores masculinos

1º lugarPlácido Domingo em Simon Boccanegra, Teatro Schiller, Berlim  

Sem palavras!


2º lugarRolando Villazon como Nemorino no Elisir d’amore, Opernhaus Zurich 


Sem palavras!!!


3º lugarMichael Volle como Hans Sachs nos Mestres Cantores de Nuremberga, Opernhaus Zurich

Estreia no papel com uma credibilidade vocal e interpretativa impressionante. 


4º lugarJoão Merino como Guiglielmo em Così fan tutte, Teatro Nacional de São Carlos 

Um dos melhores cantores portugueses da actualidade numa eterna ausência de oportunidade nacional e internacional de relevo, ao seu nível de qualidade.


5º lugarStuart Skelton como Parsifal, Opernhaus Zurich

Um Parsifal emocionalmente credível numa produção reveladora da temporada 2010-2011.


Revelação pessoal masculina

Carlos Castronovo como Ferrando em Così fan Tutte, Royal Opera House, Londres
  
Um tenor de nível estratosférico!


Melhores cantores femininos

1º lugarAilyn Pérez como Violetta em La Traviata, Royal Opera House, Londres

Sublime!!!


2º lugarAmanda Majeski como Vitellia em La Clemenza di Tito, Teatro Real de Madrid 

Sedutora e vocalmente estrelar!


3º lugarAleksandra Kursak como Susanna em Le Nozze di Figaro, Royal Opera House, Londres 

Fabulosa!


4º lugarSarah Connolly como Octavian em Der Rosenkavalier, English National Opera, Londres 

Apaixonante!


5º lugarPetra Lang como Kundry em Parsifal, Opera de Amesterdão 

Uma das melhores Kundry da actualidade!


Revelação pessoal feminina

Amanda Majeski como Vitellia em La Clemenza di Tito, Teatro Real Madrid 



Melhores momentos da Gulbenkian

1º lugarGotterdammerung, MetLive 

O completar do novo Anel do Met, com a grande surpresa do Siegfried de Jay Hunter Morris – um cantor wagneriano para o futuro


2º lugar - Patricia Petibon 

One woman show!


3º lugarGustavo Dudamel  

Um Senhor diluído no meio da sua Orquestra!


4º lugarLa Finta Giardiniera 

Mozart brutal pelo especialista René Jacobs!


5º lugarPedro Burmester 

Magistral no maior Concerto para Piano e Orquestra alguma vez escrito!


A maior desilusão que tive foi Matti Salminen como Gurnemanz no Parsifal na Opernhaus Zurich. A idade já o afasta da sonoridade de outros anos mas, mesmo assim, foi interessante.  
Esperemos que a próxima temporada traga espectáculos tão bons ou melhores!

Viva à Música! Viva a Ópera!






Overview of the Opera Season 2011-2012, by Wagner_fanatic

The 2011-2012 season was a season full of good operatic moment.

Not wanting to be too exhausting but giving the opportunity to review some of the comments on this blog, I decided, as is our habit, to bring you the productions I found most striking, the best singers, along with the disillusion that, deep down, are part of life and opera too.

Top productions


Many will not believe but, for me, the production of Così fan Tutte of the Teatro Nacional de São Carlos was the one that most impressed me. The quality of the singers and the chance to meet them and their contribute to this blog (Interview) was, along with my passion for Mozart, a singular moment in my operatic journey.


Domingo, always Placido Domingo, in a splendid evening!! His passion for singing, his acting, surrounded by excellent singers in loaned opera house but that is much better than the old Staatsoper in restoration.


The first time I attended Rolando Villazon on stage. Superb! Like Domingo, a a singer who even when sings just one note  makes everything seem bigger and better all around and within us. All this with an enviable ability to comedy!


Excellent production in a global view, with an unique sound by the Orchestra of the Teatro Real and singers able to melt butter with the music of Mozart.

5th place - The Da Ponte Trilogy, Royal Opera House, London

Così fan tutte, Don Giovanni and Le Nozze di Figaro of London in cost savings, using old and widely repeated productions at the Royal Opera, allowing luxury casts for equally fantastic performances.


Top male singers

1st place - Plácido Domingo in Simon Boccanegra, Schiller Theater, Berlin 

Speechless!


2nd place - Rolando Villazon as Nemorino in Elisir d'amore, Opernhaus Zurich 

Speechless!!


3rd place - Michael Volle as Hans Sachs in Die Meistersinger of Nuremberg, Opernhaus Zurich 

First time on the role with an impressive vocal performance and interpretation.


4th place - João Merino as Guiglielmo in Così fan tutte, Teatro Nacional de São Carlos 

One of the best Portuguese singers in the eternal lack of national and internacional opportunity for his level of quality.


5th place - Stuart Skelton as Parsifal, Opernhaus Zurich 

An emotionally credible Parsifal in the best production of the past 2010-2011 season.


Male personal revelation

Charles Castronovo as Ferrando in Così fan Tutte, Royal Opera House, London 

A tenor of stratospheric level!


Top female singers

1st place - Ailyn Pérez as Violetta in La Traviata, Royal Opera House, London 

Superb!!


2nd Place - Amanda Majeski as Vitellia in La Clemenza di Tito, Teatro Real de Madrid 

Seductive and vocally stellar!


3rd place - Aleksandra Kursak as Susanna in Le Nozze di Figaro, Royal Opera House, London 

Fabulous!


4th place - Sarah Connolly as Octavian in Der Rosenkavalier, English National Opera, London 

Exciting!


5th place - Petra Lang as Kundry in Parsifal, Opera Amsterdam 

One of the best Kundry ever!


Female personal revelation

Amanda Majeski as Vitellia in La Clemenza di Tito, Teatro Real Madrid 


Highlights of the Gulbenkian


The completion of the new Ring of the Met, with the big surprise of Jay Hunter Morris’s Siegfried - a Wagnerian singer for the future!


2nd place - Patricia Petibon 

One woman show!


3rd place - Gustavo Dudamel 

A Sir dissolved in the midst of his Orchestra!


4th place - La Finta Giardiniera 

Mozart by the specialist René Jacobs: Magnificent!


5th place - Pedro Burmester 

Magistral in the best Concerto for Piano and Orchestra ever written!


The biggest disappointment I had was Matti Salminen as Gurnemanz in Parsifal at the Opernhaus Zurich. The age does not allor the sound of past years but, even so, it was interesting. 

Hopefully next season will bring performances as good as these or even better!

Long live Music! Long live Opera!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

BARBEIRO DE SEVILHA (de Paisiello), Theatro São Pedro, Setembro de 2012


BARBA, CABELO E BIGODE NO BARBEIRO DE SEVILHA DE PAISIELLO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

Óperas que caíram no esquecimento porque foram suplantadas por títulos homônimos superiores existem aos montes. Uma delas é O Barbeiro de Sevilha, existem diversas versões musicadas desse título, mas somente a do Rossini permanece no repertório. Por que isso acontece? A resposta é simples, a versão do Rossini é superior as demais.

 Cena de O Barbeiro de Sevilha, foto Internet.

Outra versão interessante é a de Giovanni Paisiello, hoje desconhecido, mas em seu tempo um compositor afamado. Paisiello compôs seu Barbeiro de Sevilha bem antes que a versão de Rossini, mas não adiantou nada, Rossini ganhou de goleada.
A idéia da direção do Theatro São Pedro/SP de montar um título raro é mais que interessante, faz com que conheçamos óperas que raramente veríamos por aqui. Nesse caso conhecemos outra visão de uma ópera afamada, já que o libreto segue as mesmas linhas de ambas.

A montagem apresentada mostra cenários simples e práticos, figurinos adequados e luz correta. A direção de Enzo Dara explora diversas possibilidades da ópera cômica. Movimenta com agilidade os cantores e faz a narrativa ficar engraçada. Distribuir bigodinhos na entrada do teatro ajuda o público a entrar no clima, bela sacada, eu coloquei o meu.

 Cena de O Barbeiro de Sevilha, foto Internet.

A regência esteve a cargo do italiano Sergio Monterisi, o homem entende de ópera. Fez a Orquestra do Theatro São Pedro soar com bela sonoridade, volume correto e uma bela interpretação da obra.

Os solistas estiveram a contento, Artemisa Repa é um soprano com a voz pequena, seu timbre exala belas melodias, seus agudos são claros. Com esse tamanho de voz, o soprano teria dificuldades em um grande teatro, a moça consegue se virar no São Pedro. Sua Rosina é arteira e ousada, bela interpretação cênica. O barítono Manuel Alvarez tem bela agilidade vocal, voz afinada e boa presença cênica. Falta um ou outro grave mais encorpado, mas fez um Fígaro esperto e ousado.
Luciano Botelho se saiu bem como Conde Almaviva, mostrou uma voz limpa e belos agudos. Interpretou o personagem com maestria e distinção. Seu fraseado tem um colorido especial, bela atuação. Destaque para Alessio Petestio, baixo-barítono e Carlos Eduardo Marcos, baixo. Seus Bartolo e Basílio estiveram impecáveis.

 Cena de O Barbeiro de Sevilha, foto Internet.

A presença do público quase lotou as dependências do Theatro São Pedro, a presença do secretário de cultura do Estado de São Paulo, Marcelo Mattos Araujo é interessante. Visitas de antecessores seus a eventos e espetáculos eram raras. Um Secretário que se preocupa com a cultura e acompanha de perto o trabalho de sua secretaria.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

PÁRIS E HELENA, Teatro de São Luíz, Lisboa, Setembro de 2012.




 Uma lufada de ar fresco no Teatro de São Luiz!

Páris e Helena (Paride ed Elena) é uma ópera de Christoph Willibald Gluck com libreto de Ranieri de’Calzabigi. Relata a história de sedução e amor de Páris e Helena em Esparta, ajudados pelo criado Erasto que é, na realidade, Amore (Cupido). Decidem unir-se, partir para Troia e enfrentar as consequências, mesmo depois da deusa Pallas profetizar a iminente guerra de Tróia desencadeada pelo amor dos dois.

 (Páris e Helena, atribuído a A-E Fragonard)

Foi levada à cena no Teatro de São Luiz pelo Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de Lisboa. O Teatro não teve condições para o espectáculo de ópera. Ouviam-se constantemente ruídos do exterior (alguns pareciam do próprio teatro) e, durante todo o primeiro acto, a porta de uma frisa esteve sempre a bater e a deixar entrar luz para a sala, sem que ninguém a fosse fechar.


 A sala esteve quase vazia na récita a que assisti, o que foi uma pena pois o espectáculo e os artistas mereciam muito mais.

Clara Alcobia Coelho dirigiu a Orquestra de Música Antiga e o Coro do Estúdio de Ópera, ambos da Escola Superior de Música de Lisboa. A Orquestra teve um desempenho muito meritório, destacando-se a excelente intervenção da cravista, Catarina Melo. Só as trompas falharam ocasionalmente. Mas foi uma interpretação de qualidade. Também o coro esteve muito bem, vocal e cenicamente.




 A encenação de Clara Andermatt foi minimalista. No palco estavam apenas umas plataformas a diferentes alturas, algumas móveis. Os elementos do coro foram partes activas do cenário e representaram metaforicamente, com movimentos, os objectos e adereços cénicos, como referido pela encenadora no programa de sala.
Todos estavam vestidos com túnicas brancas e amarelas, excepto a rainha Helena e o Cupido, que tinham dourados. Os elementos do coro tiveram mais trabalho como objectos cénicos do que como cantores.
Os jogos de atletismo organizados em honra de Páris no 3º acto e a entrada da deusa Pallas numa núvem no último acto foram dois momentos altos da encenação.
O resultado final foi uma agradável surpresa, preenchendo o palco com harmonia e eficácia, transmitindo uma imagem pueril mas com laivos de erotismo.

(Fotografia do blogue Sónia Alcobaça)

 Os solistas ofereceram-nos interpretações marcantes:

Marina Pacheco foi um Páris expressivo ao longo de toda a récita, num papel vocalmente exigente. O seu soprano é bonito e mantém a qualidade em todos os registos. Na única ária que conhecia, O del mio dolce ardor, a declaração de amor a Helena, foi excelente.

A Helena de Carmen Matos foi outra personagem de grande qualidade. A voz é bem audível, de timbre muito agradável, segura nos agudos.

Sara Carolina Marques foi um Amore que cumpriu e esteve ao nível dos restantes solistas, embora por vezes com um registo médio abafado pela orquestra ou pelos outros cantores.

Pallas foi cantada por Sónia Alcobaça. O papel é curto, a cantora interpretou-o em forte, qual deusa irada que representava.









Foi um espectáculo muito agradável e homogéneo, interpretado por músicos muito jovens, que merecia mais assistência e uma casa de espectáculos com melhores condições.

Foi também uma demonstração da certeza que temos juventude de qualidade que nos poderá assegurar a continuidade de espectáculos líricos em Portugal, assim lhes sejam dadas as oportunidades e não os obriguem a emigrar.

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sábado, 22 de setembro de 2012

RIGOLETTO, War Memorial Opera House, San Francisco, Setembro de 2012 – Elenco 1 / September 2012 - Cast 1



 Rigoletto é uma das mais apreciadas óperas de G. Verdi. É muitas vezes apresentada e, talvez também por isso, tem sido uma das mais comentadas neste blogue. Frequentemente os Fanáticos, em deslocações profissionais, encontram-na em cena. Foi mais uma vez o caso em San Francisco, onde assisti a duas récitas, com elencos diferentes.


 A primeira foi com o elenco de cantores mais conceituados mas, na segunda, os jovens solistas marcaram a diferença pela qualidade, como relatarei num próximo texto.


 A encenação de Harry Silverstein é interessante e bem conseguida. Os cenários são relativamente simples, de muito bom gosto, numa abordagem clássica, em que o guarda-roupa é a componente mais convencional.


 A direcção musical foi do maestro titular, o italiano Nicola Luisotti. Esteve bem, e a Orquestra também, apesar de uma que outra nota falhada. O Coro foi irrepreensível.


 Rigoletto foi interpretado pelo barítono sérvio Zeljko Lucic. É um cantor com uma voz grande e de beleza invulgar, que canta frequentemente este papel, mas nem sempre transmitiu o dramatismo necessário. Esteve muito bem no início. Depois de constatar o rapto da filha e até ao final, apesar de convincente, poderia ter sido mais expressivo nos sentimentos de angústia, vingança e desespero por que passou. Na belíssima Cortigiani, vil razza dannata ficou vocalmente aquém da exigência dramática requerida. Com cantores deste calibre, esperamos interpretações perfeitas, o que não aconteceu. Mas foi um consolo ouvi-lo.


 O soprano polaco Aleksandra Kurzak foi uma Gilda de voz potente, bem timbrada e bonita. Na famosa ária caro nome foi um pouco dura, mas cantou todas as notas sem hesitações ou falhas. Manteve a qualidade interpretativa ao longo de toda a récita e, cenicamente, foi muito convincente, a melhor da noite.


 Francesco Demuro, tenor italiano, foi o Duque de Mântua. Imediatamente antes da récita fomos informados que estava constipado mas, ainda assim, cantaria. Valeu a pena o esforço porque, apesar de ter uma voz pequena, conseguiu tirar partido dela e não achei que tivesse dificuldades particulares. As notas mais agudas foram cantadas um pouco em esforço, mas tal aconteceu sempre que o ouvi. Enganou-se na ária Ella mi fu rapita! do início do 2º acto mas disfarçou bem e acabou por ter uma interpretação de qualidade. Apesar da constipação, foi melhorando ao longo da récita e o último acto foi o melhor. La donna è mobile, uma das mais conhecidas árias de tenor, foi muito bem cantada e a sua melhor intervenção.


 A Maddalena do mezzo americano Kendall Gladen foi uma personagem de voz quente, grave e forte. Ela própria uma mulher grande, o que criou algumas dificuldades cénicas aos tenores (nas 2 récitas), ambos de estatura mais baixa.


 O baixo italiano Andrea Silvestrelli tem um timbre invulgar, que na primeira intervenção me causou algum incómodo. A voz é muito grave, cavernosa, e o seu Sparafucile foi muito interessante, sobretudo no último acto.


 O Conde Monterone foi cantado pelo baixo canadiano Robert Pomakov que cumpriu o seu curto mas bem audível papel.






 Começou longe e muito bem a minha temporada operática de 2012-2013.

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Rigoletto, War Memorial Opera House, San Francisco, September 2012 - Cast 1

Rigoletto is one of the most beloved operas of G. Verdi. It is often staged, and perhaps also why it has been one of the most commented in this blog. Often the Fanatics, in professional trips, find it on. It was the case, once again, in San Francisco, where I attended two performances, with different casts.

The first performance was with the cast of the most respected singers but in the second, the young soloists made a difference in quality, as I will mention in a further text to be posted within days.
The staging of Harry Silverstein is interesting and well done. The scenarios are relatively simple, effective and nice. A classical approach was chosen (I always like it), where the costumes were the more conventional component.
The musical direction was by the Italian maestro Nicola Luisotti. He did a good job, the Orchestra was also correct, despite a couple of missed notes, more evident in the overture. The Choir was blameless.

Rigoletto was played by Serbian baritone Zeljko Lucic. He is a singer with a big and unusual beautyful voice, who sings this role often. But he did not always conveyed the necessary drama. Was was very good in the beginning. After verifying the abduction of his daughter and until the end, though convincing, he could have been more expressive in the feelings of anguish, despair and revenge. In beautiful and dramatic aria Cortigiani vil razza dannata his vocal interpretation could have been more dramatic, as required by the character. With singers of this caliber, one expects perfect interpretations, which did not happen this time. But it was a unique pleasuret to hear him.
Polish soprano Aleksandra Kurzak was a Gilda with a powerful and nice timbre voice. In the famous aria Caro nome she was a little harsh, but she sang every note without hesitation or failures. She kept the high quality interpretation throughout the performance and artistically she was very convincing, the best artist of the night.Francesco Demuro, Italian tenor, was the Duke of Mantua. Immediately before the performance we were informed that he had a cold but, nevertheless, he would sing. It was worth the effort because, despite having a small voice, he managed to take advantage of it and I did not think he felt any particular difficulty. The top notes are sung in a little effort, but this happened whenever I heard him before.
He made a mistake in the opening aria of 2nd act Ella mi fu rapita!  but de disguised well and ended up having a high quality interpretation. Despite the cold, he improved along the performance and the last act was the best. La donna è mobile, one of the best-known tenor arias, was very well sung and his best interpretation.
American mezzo Kendall Gladen was a Maddalena with a warm, strong and fabulous voice. She is, herself, a tall woman, which created some scenic difficulties to the tenors (in the two performances), both of shorter stature.

Italian bass Andrea Silvestrelli has an unusual timbre, and his first intervention caused me some discomfort. But I overcame it. The voice is bass and cavernous, and perfectly audible in the lowest register. And his Sparafucile was very interesting, especially in the last act.

Count Monterone was sung by Canadian bass Robert Pomakov. He did a good job in his short but very audible role .

I had a far away and very good start of the new 2012 – 2013 opera season!

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

PELLÉAS ET MÉLISANDE, Theatro Municipal de São Paulo, Setembro de 2012


A SIMPLICIDADE DE PELLÉAS ET MÉLISANDE NO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO- 17/09/2012 . CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.


O sonho do compositor Claude Debussy era musicar uma versão de Tristão e Isolda, mas o tema já fora obra do alemão Richard Wagner. Obra prima com mais de quatro horas de música delirante. Debussy percebeu que se a fizesse teria o mesmo destino da ópera La Bohème de Leoncavallo, cairia no esquecimento e ficaria mofando em algum arquivo morto devido a La Bohème de Puccini. Essa superior e com música inesquecível, Puccini ganhou de goleada.

A escolha de musicar Pelléas et Mélisande vem do amor de Debussy pelo tema de Tristão e Isolda. Semelhanças entre as obras tem aos montes: Rei, casamento com um cidadão mais velho, paixão pelo jovem bonitão e a morte por amor.

 Cena de Peléas et Mélisande -Foto Internet.

A música de Pelléas et Mélisande não contém árias ou grandes números corais. A ópera é um longo recitativo vocal. Fragmentos musicais expressam emoções, dúvidas e sentimentos. Muitas vezes interessantes, muitas vezes perdidos. A música de Debussy pode parecer estranha em primeira audição, mas nela temos passagens interessantes, a ligação das cenas é feita com belos trechos orquestrais. Obra atemporal, envolta em mistérios, onde um triângulo amoroso define tudo.

Louvável é apresentar essa raridade no Brasil, nem imagino se essa ópera já foi montada ou apresentada por essas terras. Acertou o Theatro Municipal de São Paulo em fazê-la. Montar Pelléas et Mélisande não é tão fácil quanto parece.

 Cena de Pelléas et Mélisande - Foto Internet

A escolha do elenco foi acertada, estava receoso quanto à escalação de Rosana Lamosa. Depois de uma desastrada Violeta Valery da ópera La Traviata de Verdi em Abril nesse mesmo teatro, imaginava que a moça não daria conta da empreitada. Lamosa se entendeu com a personagem, sua Mélisande apresentou um belo lirismo vocal com belas nuances, excelente fraseado e um timbre sedutor. Atuou bem e convenceu.

 Rosana Lamossa e Fernando Portari, cena de Peléas et Mélisande- Foto Internet

 Fernando Portari tem um excelente padrão de qualidade, o rapaz sempre canta bem. Com Pélleas não foi diferente, mostrou bela voz, um timbre lírico afinado e agudos com um colorido especial. O personagem exige o que os franceses (sempre eles) chamam de barítono "Martin" (considero Sebastião Teixeira nosso grande barítono Martin), voz lírica, próxima a do tenor e com graves. Portari não tem toda essa extensão vocal, mas com inteligência superou a carência de graves e conseguiu o principal, emocionar.

O Golaud de Vincent le Texier mostrou ser um barítono com bons graves, pode parecer estranho, mas tem muito barítono que carece deles. Sua voz impõe respeito ao personagem, pujante e extensa. Algumas vezes forçada, mas com belo vigor. Kismara Pessati é um contralto com graves escuros, vigorosos. Sua Geneviev mostra uma voz cheia, madura, um soco no estômago do espectador. Grande cantora, pena que esteja radicada na Europa.

 Cena de Pelléas et Mélisande- Foto Internet

A direção de Iacov Hillel fez o básico, direção simples, sem grandes inovações, é como comer um bife a cavalo no boteco do centro. Você já sabe o que vai vir no prato: Arroz, bife e dois ovos fritos bem grandes. Os cenários seguem a mesma linha, quase inexistentes, projeção de pinceladas ou pequenos trechos de obras de Monet em nada acrescentam ao enredo. Tudo básico e simples.

A regência de Abel Rocha mostrou uma orquestração peso-pesado, em alto volume, muitas vezes encobrindo os solistas. Faltou a delicadeza e a sonoridade que a música de Debussy expressa nos personagens. Trechos orquestrais que exigem delicadeza foram massacrados com música potente e volumosa. Os solistas tiveram que se matar para não serem sempre encobertos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Paul McCreesh — novo maestro titular da Orquestra Gulbenkian

(foto do sítio da FCG)

A partir da próxima temporada (2013/14), o maestro britânico de 52 anos Paul McCreesh assumirá as funções de maestro titular da Orquestra Gulbenkian, sucedendo, assim, ao maestro Lawrence Foster cuja batuta dirige a Orquestra da FCG desde há 11 anos.

O maestro fez a sua formação musical em violoncelo em Manchester e é, actualmente, um dos especialista em música dos períodos do renascimento e barroco, embora também desenvolva trabalho profícuo com orquestras modernas e no domínio da ópera.

Tem um vasto conjunto de discos gravados, nomeadamente, para a Deutsche Grammophon Arkiv, tendo algumas das suas gravações merecido destaque internacional. No mundo da ópera podemos destacar, por exemplo, os cd's que gravou com Magdalena Kozená (Paride ed Elena de Gluck) e Rolando Villazón (Árias de Handel).

Segundo disse Risto Nieminen, director do Serviço de Música, ao site da FCG: "Paul McCReesh dirigiu as Estações de Haydn, em Novembro de 2011, com a nossa orquestra e o nosso coro e imediatamente percebemos que havia uma excelente química. Produziu um som vivo e claro e transmitiu energia muito positiva aos músicos e ao público. Paul é um artista muito experiente e conhecedor e esta sua nomeação dá à orquestra uma grande oportunidade de se desenvolver sob a sua liderança."

Aliás, o nosso blogue esteve presente no concerto mencionado. Poderão reler a crítica no link: http://fanaticosdaopera.blogspot.pt/search/label/Paul%20McCreesh

Já Paul McCreesh afirmou: "Estou simultaneamente empolgado e honrado por ter sido nomeado para liderar esta excelente orquestra; nos nossos concertos da temporada passada gostei muito do calor, da capacidade técnica e da criatividade dos músicos da orquestra e ainda da grande energia do Coro Gulbenkian. Prevejo uma estimulante e muito gratificante colaboração artística ao longo dos próximos anos."

Esta temporada, Paul McCreesh dirigirá a sua Orquestra nos dias 24 e 25 de Janeiro (Sinfonia n.º 8 de Schubert, Missa de Stravinsky e Requiem de Mozart) e a 31 de Janeiro, contando, também, com a presença do soprano Karita Mattila (A Morte de Manfred de Luís de Freitas Branco, Quatro últimas canções de Richard Strauss e a Sinfonia n.º 1 de Edward Elgar).

A nota publicada no site da FCG poderá ser lida no link: http://www.gulbenkian.pt/index.php?article=3985&langId=1&format=404

O blogue Fanáticos da Ópera saúda a nomeação do maestro e, naturalmente, deseja-lhe os maiores sucessos na direcção da Orquestra Gulbenkian, esperando poder vir a assistir a espectáculos de elevado nível.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

AIDA, METropolitan Opera, Nova Iorque, Março de 2012



 (review in english below)
Aida é uma ópera de G. Verdi com libretto de Antonio Ghislanzoni. O enredo pode ler-se aqui.


 Quando me perguntam qual a ópera que recomendo para quem quer começar, habitualmente sugiro a Carmen ou a Aida. A produção do Met preenche todos os requisitos que espero que uma ópera ofereça a quem quer ver este tipo de espectáculo pela primeira vez. É também óptima para quem já tem experiência, claro!


 A encenação de Sonja Frisell é grandiosa e espectacular. É impossível fazer mais num teatro de ópera. Os cenários transportam-nos ao Egipto faraónico, mudam com frequência, o guarda-roupa é adequado à época, os adereços são muitos e de grande diversidade. Na marcha triunfal do 2º Acto até cavalos entram em cena. Uma encenação conservadora mas verdadeiramente espectacular.
É o esplendor da ópera no seu apogeu e um exemplo perfeito de que a ópera é para ouvir mas também para ver. Na próxima temporada esta será uma das transmissões no Met Live em HD. Não é a mesma coisa do que ver ao vivo, perde-se sobretudo a grandiosidade da encenação mas, se nos for dada a possibilidade de a ver em Portugal, é imperdível.



Dedico este texto em particular aos iniciados, permitam que os chame assim, incluindo neste grupos todos os que nunca assistiram a um espectáculo de ópera ou já o fizeram mas consideraram que foi uma experiência menos agradável. Este é o espectáculo para ouvir e ver.

E há muito que ouvir. A ópera inicia-se de forma suave e comedida mas rapidamente surgem as grandes sonoridades, orquestrais, corais e dos solistas. Os cantores principais (Aida, Radamès, Amneris e Amonastro) têm tipos de vozes diferentes, papeis de enorme exigência e, se forem de qualidade, como seguramente acontecerá no Met, terão interpretações inesquecíveis. Os coros são também grandiosos e atingem o expoente máximo no 2º Acto. A música é de muito fácil apreensão e inclui muitas partes que são conhecidas de todos. A encenação (esta encenação) faz o resto mas, repito, é uma ópera que enche o olho e o ouvido.

Na récita que vi, a Orquestra do Met foi superiormente dirigida pelo maestro italiano Marco Armiliato que fez um excelente trabalho. Houve grandiosidade, emoção ou intimismo sonoros sempre que necessário e solistas, coro e orquestra soaram sempre em uníssono e sem qualquer desencontro. Armiliato foi, merecidamente, muito ovacionado no final











Aida foi interpretada pelo jovem soprano americano Latonia Moore (em substituição de última hora de Violeta Urmana). Teve um triunfo absoluto em casa (foi a sua estreia no Met). A voz é de grande beleza. Alcança os agudos com facilidade e sem perda de qualidade, sempre sobre a orquestra. A cantora é negra, o que ajuda muito ao papel. Esteve muito bem cenicamente. Nas duas árias mais conhecidas, Ritorna vincitor! no 1º acto e Qui Radamès verrà! no 3º foi fabulosa. Penso que terá uma carreira brilhante à sua frente.


 Marcello Giordani  tenor italiano, surpreendeu-me muito positivamente em Radamès. Tem uma voz de uma enorme potência e agudos sonantes, embora no registo médio perca qualidade e, por vezes, não se faz ouvir. A ária Celeste Aida, logo no início do 1º acto, é de dificuldade elevada e é cantada quando os artistas ainda não aqueceram a voz, o que já vi ter efeitos muito negativos. Não foi o caso aqui, Giordani cantou-a sem mácula e, no dueto final da ópera, esteve também irrepreensível.




 Amneris, princesa egípcia, é o papel que mais gosto na ópera. Foi interpretada pelo mezzo americano Stephanie Blythe. Gosto muito da cantora que tem uma voz de excepção, a mais poderosa de todos os cantores em cena. No último acto tem as intervenções mais marcantes L'abborrita rivale a me sfuggìa e, sobretudo, Ohimè, morir mi sento. Mas, confesso, fiquei um pouco desiludido, não pela fantástica qualidade da voz mas pela forma como cantou. O fraseado foi deficiente. A figura da cantora também não a ajuda em palco.


 Amonastro, rei etíope e pai de Aida foi interpretado pelo barítono georgiano Lado Ataneli. Foi mais um cantor com elevado nível vocal e cénico, embora o seu papel seja menos exigente que o dos intérpretes anteriores. É no 3º acto, em dueto com a filha que a sua intervenção pode ser apreciada.


 Uma palavra final para os dois baixos norte americanos, o veterano James Morris (Ramfis, Sumo sacerdote) e o jovem Jordan Bish (Faraó egípcio), ambos com desempenhos vocais de grande classe.
















 Uma Aida inesquecível e muito recomendável.

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AIDA, Metropolitan Opera, New York, March 2012

Aida is an opera by G. Verdi with libretto by Antonio Ghislanzoni. The plot can be read here.

When people ask me what is the opera that I recommend for beginners, usuallt I suggest Carmen or Aida. The Met production meets all the requirements that an opera should offer to those who want to see this type of show for the first time. It is also great for those who already have significant experience, of course!

The staging by Sonja Frisell is grand and spectacular. It is impossible to do more in the opera house. The scenarios bring us to pharaonic Egypt, they change frequently, the dresses are appropriate at the time, the props are many and diverse. In the triumphal march of the 2nd Act even horses come onto the stage. A truly conservative spectacular staging.
It is the splendour of the opera in its top quality and a perfect example that opera is a show to listen but also to see. Next season this opera will be a broadcast from the Met Live in HD. It is not the same thing as to see it live, especially the grandeur of the scenario is lost, but if we are given the possibility to see it in Portugal, it  is a must.

I dedicate this text in particular to beginners, let me call them so, this including all those who have never attended an opera performance, or that have already seen one but felt that it was a less pleasant experience. This is the opera to hear and see.

And there is much to hear. The opera begins smoothly but quickly great sounds emerge, by the orchestra, the chorus and the soloists. The main singers (Aida, Radamès, Amneris and Amonastro) have different types of voices, roles of great demand, and if they will be of top quality, as surely will happen at the Met, they will give us unforgettable performances. The choirs are also great and reach the pinnacle in the 2nd Act. The music is very easy to grasp and includes many parts that are well known to everyone. The scenarios (these scenarios) do the rest, I repeat, it is an opera that fills the eye and ear.

In the performance I saw, the Met Orchestra was directed with superior quality by Italian conductor Marco Armiliato. He did an excellent job. There was grandeur, emotion or intimacy in music where necessary and soloists, chorus and orchestra sounded always in tune and without any coordination problems. Armiliato much applauded at the end, and he deserved it.

Aida was played by the young American soprano Latonia Moore (a last minute replacement of Violeta Urmana). She had an absolute triumph at home (it was her debut at the Met). The voice is large and of considerable beauty. She reachede the top notes with ease and without loss of quality, always over the orchestra. She is a black singer, which helps a lot to the role. Artistically she was very well. In the two most famous arias, Ritorna vincitor! in the 1st Act and Qui Radamès verrà! in the 3rd Act, she was fabulous. I think she has a brilliant career ahead of her.

Italian tenor Marcello Giordani, surprised me very positively as Radamès. He has a voice of tremendous power and sharp top notes of quality, although in the medium register the voice looses quality and, sometimes, is not heard.  The aria Celeste Aida, early in the 1st act, is of high difficulty and is sung when the singers have not warmed up their voice, I've seen bad performances in this aria before, but.it was not the case here, Giordani sang it without problems. And at the final duet of the opera, he was also excellent.

Amneris, the Egyptian princess, is the role that I prefer in this opera. It was interpreted by American mezzo Stephanie Blythe. I like this singer very much. She has an exceptional voice, the most powerful of all the singers on stage. In the last act she has the most striking interventions L'abborrita rivale a me sfuggìa, and especially
Ohimè, morir mi sento. But, I confess, I was a little disappointed, not by the fantastic voice quality but by the way she sang. The phrasing was poor. The figure also does not help the singer on stage.

Amonastro, Ethiopian king and father of Aida was played by Georgian baritone Lado Ataneli. He was one more singer with vocal and artistic high quality, although his role is less demanding than those of the previous singers. It is in the 3rd act, in a duet with his daughter that his intervention can be appreciated.

A final word for the two low north American basses, veteran James Morris (Ramfis, High Priest) and Jordan Bish (Egyptian Pharaoh), both with vocal performances of great class.

An unforgettable and highly recommended Aida.

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