sábado, 31 de março de 2012

Die Walküre, Bayerische Staatsoper, Munique, Março de 2012.


Die Walküre de R. Wagner tem sido uma ópera das mais comentadas aqui no blogue, talvez por ser uma das preferidas de, pelo menos, dois dos autores.


Desta vez coube-me o privilégio de assistir à novíssima produção da Bayerische Staatsoper, que culminará com um Anel completo em Julho, para o qual pedi bilhetes com mais de um ano de antecedência mas, infelizmente, não os consegui.




A produção é do alemão Andreas Kriegenburg. Gostei bastante, tem muitos pontos de interesse, mas também alguns aspectos controversos. Durante a abertura vê-se no palco Siegmund a lutar na floresta.



No início do primeiro acto o tecto desce, tem ao centro uma enorme árvore com a espada Notung nela cravada e com vários cadáveres pendurados. Em baixo está a casa de Sieglinde e Hunding. No início Sieglinde dá de beber a Siegmund através de umas raparigas que transportam o copo entre os dois, que estão em pólos opostos do palco. Vão-se aproximando e, num toque fortuito de mãos, sentem atracção imediata um pelo outro.



Uma mesa farta é colocada no centro do palco. Hunding chega e, ameaçando Siegmund, corta ao meio uma melancia com a espada e retira e espreme o seu conteúdo encarnado à frente de Siegmnud, ameaçando-o. A atracção entre os dois gémeos vai crescendo num efeito cénico muito bem conseguido e culmina, após a retirada da espada, numa cena de amor. A representação dos dois cantores é excelente.




No segundo acto, a montanha é substituída por uma sala grande (no Walhalla) contendo apenas uma secretária ao fundo, a lança de Wotan pendurada na parede e um grande quadro sobre ela.



Fricka aparece impecavelmente vestida, servida por um grupo elevado de empregados. É implacável com Wotan, obrigando-o a que Brünnhilde, a sua filha preferida, ajude Hunding a matar Siegmund. Muito contrariado e em sofrimento, Wotan dá essa ordem à filha, que fica em choque.



Brünnhilde encontra Siegmund e Sieglinde, avisa-o da sua morte próxima por Hunding mas, ao contactar com o amor pela primeira vez, decide protegê-los e desobedecer ao pai. Siegmund luta com Hunding mas não o consegue matar porque Wotan aparece e, com a lança, quebra a espada Notung. Siegmund é morto por Hunding e este, por influência de Wotan, corta o seu próprio pescoço e morre também.


O início do terceiro acto foi a fonte da grande controvérsia. A cortina abre e são içados, em estacas individuais, os heróis mortos e estropiados, espalhados por todo o palco. Segue-se uma coreografia de valquírias de trajos curtos, cabelos longos em constante movimento para a frente e para trás da cabeça, sapateado e suspiros ocasionais. O ritmo é frenético, não há música e o efeito é de mau gosto. O público manifesta-se ruidosamente em apupos e outras manifestações de desagrado, alguns gritando que querem ouvir música! A cena dura 10 minutos, uma eternidade!



Finalmente o maestro dá início à cavalgada das valquírias e as cantoras substituem as dançarinas e passa-se para outra dimensão. Cada uma tem as rédeas do seu cavalo e batem frequentemente com elas no chão, causando um ruído que perturba a audição da música. A parte claramente mais infeliz da encenação.


Segue-se o diálogo entre Brünnhilde e o pai, num dos trechos musicais mais belos alguma vez escritos. Novamente Wotan tem um comportamento excessivamente “humano” para o papel de um deus implacável.


No final o fogo sagrado que isola Brünnhilde é conseguido de forma original, com bailarinas alinhadas em círculo e, por fora, acende-se o fogo, potenciado por filmagens que abrangem todo o palco, num belo efeito.



A direcção musical de Kent Nagano, maestro americano titular da Bayerische Staatsoper, foi superlativa. Estive sentado a escassos metros dele. Com uma orquestra de qualidade excepcional, o som ouvido foi magnífico, numa direcção firme, bonita de se ver e silenciosa.





Kalus Florian Vogt, tenor alemão, foi fabuloso como Siegmund. Já me referi várias vezes a este cantor aqui no blogue. Tem um timbre claríssimo, doce, quase angelical. A beleza vocal é extraordinária e consegue sempre ouvir-se sobre a orquestra, nunca perdendo qualidade em qualquer registo. Os seus chamamentos por Wälse foram arrepiantes, mas toda a actuação foi primorosa. Percebi bem a admiração que o conhecedor público alemão tem por ele.




A Sieglinde de Anja Kampe, soprano alemão, foi arrebatadora. A cantora tem uma voz potentíssima, muito bonita e com uma projecção fantástica. Cenicamente foi marcante a sua actuação, poderia ser “apenas” uma actriz e não uma cantora. Foi a melhor presença feminina em palco e o público também o reconheceu.





O Hunding do baixo estónio Ain Anger foi perfeito. Autoritário, firme, grande poderio vocal, excelente figura e interpretação irrepreensível.



Sophie Koch, mezzo francês, foi uma Fricka marcante. A voz é de grande beleza, forte e segura. A cantora é bonita e elegante, o que também ajuda. Cenicamente foi irrepreensível, fira, e implacável com Wotan.




Thomas Mayer, barítono alemão, foi um Wotan avassalador. Em termos cénicos, achei que foi um deus demasiado humanizado, dado que o remorso e amor paternal pela filha Brünnhilde estiveram sempre presentes, mas essa opção foi do encenador. Foi excelente em palco, ajudado pela sua boa figura. A voz é de uma beleza insuperável. No 2º acto resguardou-se mas no 3º mostrou todo o seu esplendor vocal. Fabuloso.



A Brünnhilde do soprano sueco Katarina Dalayman surpreendeu-me pela positiva. Já a tinha ouvido e não me havia impressionado. Contudo, aqui, teve uma interpretação de elevada qualidade. A voz é poderosíssima embora, apenas no registo mais agudo, tem ocasional tendência para a estridência. Mas cumpriu o papel com muita dignidade e segurança.




No início do 3º acto as Valquírias tinham vozes de qualidade. Foi pena a opção do encenador, que tanto perturbou a audição.



Uma Valquíria inesquecível que, depois da vaia monumental no início do 3º acto, foi delirantemente aplaudida no final. Musicalmente assombrosa, ouviu-se Wagner no seu máximo esplendor!












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Die Walküre, Bayerische Staatsoper, Munich, March 2012

Die Walküre by R. Wagner has been one of the most commented operas here in the blog, perhaps because it is a favorite of at least two of the authors.

This time it was my privilege to attend the brand new production of the Bayerische Staatsoper, which will culminate in a complete Ring in July, for which I ordered tickets over a year in advance, but unfortunately I could not get them.

The staging is by German director Andreas Kriegenburg. I really liked it, there are many points of interest, but there are also some controversial aspects. During the overture we see Siegmund fighting in the woods.

At the beginning of the first act the ceiling comes down, and in the center there is huge tree with the sword Notung in it, and several corpses hanging. Below is the house of Hunding and Sieglinde. At the beginning, Sieglinde gives Siegmund water to drink with the aid of some girls carrying the glass between the two, which are at opposite sites of the stage. They approach each other smoothly and, after a casual touch of hands, they feel immediate attraction for each other.


A big table plenty of food is placed in the middle of the stage. Hunding arrives and, threatening Siegmund, cuts a watermelon in half with his sword and squeezes the red contents ahead of Siegmnud, threatening him. The attraction between the twins develops progressively in a very successful scenic effect and culminates, after the removal of the sword from the tree, with a love scene. The acting of the two singers is excellent.

In the second act, the mountain is replaced by a large room (in Walhalla) with only a desk in the back, the spear of Wotan hanging on the wall and a big picture on it.


Fricka appears impeccably dressed, served by a large group of employees and is ruthless with Wotan, forcing him to order Brünnhilde, his favorite daughter, to help Hunding to kill Siegmund. Very upset and in suffering, Wotan gives this order to his daughter, who is in shock.

Brünnhilde finds Sieglinde and Siegmund, and warns him of his near death by Hunding but, when she faces love for the first time, she decides to protect Seigmund and Sieglinde and disobey his father. Siegmund fights with Hunding, but can not kill him because Wotan appears and, with the spear, breaks the sword Notung. Siegmund is killed by Hunding. Hunding, by the influence of Wotan, cuts his own throat and dies too.



The beginning of the third act was the source of much controversy. The curtain opens and the dead heroes are lifted in single piles, all over the stage. Following this there is a choreography of the Valkyries, in short costumes and long hair constantly moving forward and back of the head, taping the floor and with occasional sighs. The pace is frenetic, there is no music and the effect is disgusting. The audience shout loud booing and other expressions of displeasure, some shouting they want to hear music! The scene lasts 10 minutes, an eternity!


Finally, the maestro begins the ride of the Valkyries and the dancers are replaced by the singers, and the performance reaches another dimension. Each Valkyrie has the reins of his horse and often beat them on the floor, causing a noise that disturbs the hearing of music. This is the unfortunate part of the staging.


Than we hear the dialogue between Brünnhilde and her father, one of the most beautiful pieces of music ever written. Again Wotan is behaving too "human" for the role of an unforgiving God.

At the end, the sacred fire that isolates Brünnhilde is achieved in an original way, with dancers lined on in a circle and the fire lighting up outside, boosted by film images covering the entire stage, originating a beautiful effect.



The musical direction of American conductor Kent Nagano, the main maestro of the Bayerische Staatsoper, was superlative. I was sitting a few feet from him. With an orchestra of exceptional quality, the sound heard is of exceptional quality, and the direction was firm, beautiful to see, and silent.

Kalus Florian Vogt, German tenor, was fabulous as Siegmund. I have already mentioned several times this singer here in the blog. He has a very clearsweet tone, almost angelical. The vocal beauty is extraordinary and he can always be heard over the orchestra, never losing any vocal quality. Their claas for Wälse were fabulous, but the whole performance was excellent. I now realized why the knowledgeable German public has such an admiration about this singer.



The Sieglinde of German soprano Anja Kampe, was overwhelming. The singer has a very powerful and beautiful voice, with a fantastic projection. Artistically her performance was outstanding, she could be "just" an actress and not a singer. She was the best female presence on stage and the audience also recognized that.

The Estonian bass Ain Anger was a perfect Hunding. He was authoritative, with strong, great vocal power, a good figure and flawless interpretation.

Sophie Koch, French mezzo, was a remarkable Fricka. Her voice is very beautiful, strong and secure. The singer is beautiful and elegant, which also helps. Artistically she was blameless. She was hurt and ruthless with Wot


Thomas Mayer, German baritone, was an overwhelming Wotan. I think he played a too humanized god, as remorse and fatherly love for his daughter Brünnhilde were always present, but this option was the director’s. He was great on stage, aided by his good figure. The voice is of an unsurpassed beauty. In the 2nd act he was prudent but in the 3rd he showed all his vocal splendor. Fabulous.



Swedish soprano Katarina Dalayman surprised me positively as Brünnhilde. I had heard her beforeit and I was not very impressed. However, here, she had a high quality performance. The voice is powerful though, in the higher register, she has an occasional tendency to stridency. But she sang the role with great dignity and security.



At the beginning of Act 3, the Valkyries had voices of great quality. It was regrettably the option of the director, who disturbed the hearing.

An unforgettable Valkyrie that, despite the monumental booing at the beginning of act 3, was praised deliriously by the public at the end . Musically it was a wonder, and we heard Wagner in his full splendour!

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sexta-feira, 30 de março de 2012

Paixão segundo São João, Johann Sebastian Bach – Fundação Calouste Gulbenkian, 29 Março 2012


(review in english below)

Bach foi o meu primeiro compositor idolatrado. Acompanhou praticamente todo o meu percurso, infelizmente incompleto, de estudos musicais, em grande parte devido ao facto de ter estudado um dos instrumentos para os quais muita da sua obra foi escrita – o Órgão.

Um dos meus professores disse-me uma vez que, quando eu começasse a dar uma hipótese a Mozart, Beethoven, Wagner e outros, a minha fixação em Bach esvaneceria. Bem, isso realmente aconteceu mas Bach continua a ter um papel importante naquela que considero a “minha música”. Contudo, a Paixão segundo São João, ao contrário desse grande monumento musical que é a Paixão segundo São Mateus, nunca foi uma das minhas obras favoritas do Mestre. Com a quase certa controvérsia por parte de muitos os que possam ler esta crítica, esta obra tem essencialmente 2 árias de beleza menos comum e nem mesmo as secções corais estão ao maior nível de Bach. Nunca a tendo ouvido ao vivo, decidi aceder a este convite “pago” da Fundação Calouste Gulbenkian. Em três dias seguidos, possivelmente procurando fazer alguma metaforização cristã, esta Paixão sobe ao palco da Fundação, numa tradição antiga e, mais uma vez, com Michel Corboz a dirigir.





A interpretação que mais me marcou foi a de Werner Gura como narrador. Voz fantástica, timbre espectacular e uma presença em palco demolidora, embora não cante mais do que recitativos.





Marie-Claude Chappuis, regressando depois do seu papel em La Finta Giardiniera, marcou, mais uma vez, pela beleza de timbre, afinação irrepreensível e dinâmica de interpretação.





Fernando Guimarães esteve muito bem. Quer à frente no palco, quer atrás da Orquestra, a sua projeção vocal é excelente, permitindo (ao contrário do que já se ouviu na Gulbenkian esta temporada por parte de outros cantores portugueses) ouvir claramente as suas intervenções, todas dotadas de profunda entrega interpretativa e um som limpo e agradável.





Charlotte Muller-Perrier não me surpreendeu muito mas cumpriu com qualidade o seu papel.





O Jesus de Stephan MacLeod foi claramente fraco, com uma inconstância de timbre, por vezes com alguma rudeza de catarro na voz, e uma postura em palco algo apática, sem expressão facial.





Michael Shopper foi outro dos pontos negativos, no meu ponto de vista. Um baixo com uma voz feia, cantando com uma expressão facial de terror, como se cada nota fosse um sofrimento, como se alguém lhe estivesse a picar com uma agulha e procurasse a voz na nuca.





O Coro esteve, como habitualmente, muito bem e a direção de Corboz foi agradável e sem invenções.

Esperemos que, a manter-se a tradição, se possa ouvir, no próximo ano, a Paixão segundo São Mateus, ou quem sabe, se a possibilidade de escutar ambas as Paixões e a Oratória da Páscoa BWV 249.



St John Passion, Johann Sebastian Bach - Calouste Gulbenkian Foundation, March 29, 2012





Bach was my first idolized composer. He was present in almost all my, unfortunately incomplete, musical studies, largely due to having studied one of the instruments for which much of his work was written - the Organ.

One of my teachers told me once that when I started to give a chance to Mozart, Beethoven, Wagner and others, my attachment to Bach would fade. Well, that really happened but Bach continues to play an important role in what I consider "my music". However, the St John Passion, unlike that great monument of music that is the St. Matthew Passion, was never one of my favorite works of the Master. With the risk of my statements being highly controversial to who might read them, this work has essentially two arias of great beauty and even the choral sections are not in Bach’s highest level. Never having heard this work live, I decided to go to this "paid" invitation from the Calouste Gulbenkian Foundation. In three consecutive days, possibly trying to do some Christian metaphor, this Passion takes the stage of the Foundation, in an ancient tradition and, once again, directed by Michel Corboz.



The interpretation that most impressed me was from Werner Gura as the narrator - fantastic voice, with a devastating tone, and a spectacular stage presence despite singing only recitatives.





Marie-Claude Chappuis, returning after her role in La Finta Giardiniera marked, once again, by her the beauty of tone, faultless pitch and dynamic interpretation.





Fernando Guimarães was very good. Whether on stage in front or behind the orchestra, his vocal projection is excellent, allowing (unlike what has been heard at the Gulbenkian this season from other Portuguese singers) to perfectly hear his voice, all endowed with deep interpretative delivery and a clean and beautiful sound.





Charlotte Muller-Perrier did not surprise me much, but she fulfilled her role with quality.





The Jesus of Stephan MacLeod was clearly weak, with an uncertainty of tone, sometimes with some harshness in the voice with phlegm, and a somewhat apathetic attitude on stage, without facial expression.





Michael Shopper was another negative point, in my view. One down with an ugly voice, singing with a facial expression of terror, as if each note were in pain, as if someone was poking him with a needle and as if searching his voice on the back of his neck.





The choir was, as usual, very well and the direction of Corboz was pleasant and without inventions.

In order to maintain the tradition, I hope we can hear the St. Matthew Passion next year, or maybe both the Passions and also the Easter Oratorio BWV 249.

quarta-feira, 28 de março de 2012

GUSTAVO DUDAMEL e a ORQUESTRA SINFÓNICA DE GOTEMBURGO na Fundação Calouste Gulbenkian - Richard Strauss e Joseph Haydn - 27 de Março de 2012


(review in english below)

Há pessoas que nascem com uma estrelinha mas só alguns são capazes de a alimentar e de a tornar cadente. Gustavo Dudamel é uma dessas pessoas. Com o seu look à Chaplin, num Charlot sem bigode, transmite uma magia singular assim que pisa o palco. Dirige com uma alegria contagiante que, na sua individualidade, e não querendo entrar em comparações do não comparável, só encontra eventual paralelo em Leonard Bernstein. A música parece nascer no seu interior e flui através dos seus gestos de forma harmoniosa. A sua direcção segue a melodia imaginária de cada obra e que se passeia por cada instrumento.

A Orquestra Sinfónica de Gotemburgo reagiu ao milissegundo às suas indicações, e com uma sonoridade potente e com uma sincronia entre naipes de um nível raramente escutado. Isto é evidente não só aquando da música mas, e ainda mais, no silêncio após o ataque. As obras? Os poemas sinfónicos Don Juan e Assim Falou Zaratustra de Richard Strauss e a Sinfonia nº 103 de Joseph Haydn. A impressão? Não sendo um profundo e neurótico consumidor destas obras, achei uma interpretação digna de ser imortalizada em formato digital.

Esperei anos para ver um Maestro fazer o que Dudamel fez hoje. Com uma humildade sincera, transparecida no seu sorriso, colocou a Orquestra (uma das suas Orquestras), na pessoa dos seus constituintes, no lugar principal. Agradeceu ao público entre os músicos, ao mesmo nível, não subindo ao pódio, ciente de que a Música e não o Ego é o que importa, e demonstrando que ele e os seus músicos são um verdadeiro grupo. Que nível! Que classe!

Um Concerto memorável!!!


GUSTAVO DUDAMEL and the GOTHENBURG SYMPHONY ORCHESTRA at the Calouste Gulbenkian Foundation - Richard Strauss and Joseph Haydn - March 27, 2012





Some people are born with a star but only some are able to feed and to make a sparkling one. Gustavo Dudamel is one of those people. With his Chaplin look, in his Tramp years but without a mustache, he transmits a unique magical aura when he steps on stage. Conducting with a contagious joy that in his individuality, and not wanting to get into incomparable comparisons, finds a possible parallel only in Leonard Bernstein. The music seems to grow inside him and flows through smoothly in his gestures. His conduction follows the imaginary melody of each work that travels by each instrument.

The Gothenburg Symphony Orchestra responded to his instructions by the millisecond, and with a powerful sound and a synchrony between groups of a level rarely heard. This is evident not only when the music is played but, even more, in the silence after the attack. The works? The symphonic poems Don Juan and Also Sprach Zarathustra by Richard Strauss and the Symphony No. 103 of Joseph Haydn. The impression? Not being a profound and neurotic consumer of these works, I found this interpretation worthy of being immortalized in digital format.

I waited years to see a Maestro do what Dudamel did today. With a sincere humility, reflected in his smile, he put the Orchestra (one of his orchestras), in the person of its constituents, in the main place. He thanked the audience among the musicians, at the same level, not on the podium, knowing that the music and not the ego is what matters, and showing that he and his musicians are a real group. What a level! What a class!

A memorable concert!

segunda-feira, 26 de março de 2012

La Traviata, Theatro Municipal de São Paulo, Março 2012 (Parte 2)

Na sequência do texto publicado ontem, segue uma segunda parte sobre a mesma Traviata, enviada pelo Ali Hassan Ayache:


FESTIVAL DE ABORRECIMENTOS: LA TRAVAIATA, THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO, 25/03/2012

Tem dias que o público do Theatro Municipal de São Paulo se comporta como se estivesse no Scala de Milão. O silêncio é sepulcral e se aproveita toda a música com prazer e emoção. Tem dias que a coisa desanda, mas até o grande Homero às vezes cochila. A récita da ópera La Traviata do dia 25/03/2012 foi um festival de aborrecimentos, uma senhora ou moça, não vi quem era, resolveu cantarolar todo o primeiro ato. O público paga para assistir aos cantores. Celulares tocaram diversas vezes, pessoas se levantavam e as poltronas do teatro rangiam com agudos estridentes. Conversas do público passaram a ser rotina. Lamentável!

Cena da ópera La Traviata.

O soprano Adriane Queiroz mostrou uma Violeta madura, uma mulher realizada. Sua voz é pura potência, um fraseado correto e timbre escuro. O problema são os agudos, às vezes ásperos e muitas vezes forçados e agressivos. Penou nas coloraturas, forçou ao limite para atingir as notas. Sua atuação cênica regular não convence, uma interpretação contida e travada. Um soprano convencional.

Marcello Vanucci imprimiu belos agudos para Alfredo, cantou em casa , com desenvoltura e facilidade. Voz limpa e clara aliada a uma atuação cênica precisa. Qualidade em todos os quesitosdo início ao fim da récita. Grande tenor.

O barítono Rodolfo Giulianni tem uma voz pequena, seu timbre é deveras interessante, claro e consistente. Fez um Goirgio Germont comum, sem grande expressão. Os aplausos magros são um sintoma disso.

A segunda cena do segundo ato da ópera La Traviata mostra uma grande festa. A ideia do diretor colocar máscaras em todos foi interessante, a encrenca foram os dançarinos. Descordenados em todos os passos em uma coreografia de péssimo gosto. Se eu estivesse num rega bofe desses sairia a francesa.

Giuseppe Verdi

Ninguém é perfeito, sem o programa na mão imaginei que Daniele Abaddo fosse mulher na crítica publicada no dia 23/03/2012, quebrei a cara. Amigos me chamaram a atenção e corrigi rapidinho no blog, felizmente meus textos são publicados em diversos outros sítios e a lambança ja estava feita. Pessoas que estiveram na récita do dia 23/03/2012 relataram algumas vaias misturadas com aplausos no baixar das cortinas do primeiro ato. Sinal que a galera não digeriu bem essa La Traviata.

Ali Hassan Ayache

Theatro Municipal de São Paulo